quarta-feira, 3 de novembro de 2010

AS AVENTURAS AMOROSAS DE D. MANUEL II NO TEATRO-CINEMA DE FAFE

A programação do Teatro-Cinema de Fafe prossegue este sábado à noite, 6 de Novembro, com a apresentação da “opereta cómica” “Gaby, a Primeira”, de António Torrado, pela companhia Jangada teatro.
A peça teatral, para maiores de 12 anos, tem a duração de cerca de duas horas e enquadra-se nas comemorações do centenário da proclamação da República.

Sinopse:

O infante D. Manuel (D. Manuel II) sobe ao trono com dezoito anos, em 1908, depois da morte trágica do pai e do irmão mais velho.
O jovem rei não estava preparado para reinar, sobretudo num período de turbulência política como aquele que se vivia em Portugal, na primeira década do século XX.
A mística republicana, as fúteis divisões entre os monárquicos e o descrédito das velhas instituições ditaram a mudança do regime, em 5 de Outubro de 1910.
Durante o seu reinado, D. Manuel, de rapazinho assustado e inseguro fez-se um homem. Para tal terá contribuído a francesa Gaby Deslys, radiosa estrela das “Folies” e arranca-corações, com créditos internacionais firmados. Mais velha do que o rei cerca de dez anos, Gaby veio a Portugal, em 1909. Terá sido ela quem, professora exímia, ensinou ao rei os prazeres do amor.
Este espectáculo foi estreado no passado dia 5 de Outubro na Casa das Artes de Famalicão.
Um espectáculo de qualidade, a não perder!

Ficha artística:
 
Autor – António Torrado
Encenação – Rui Sérgio
Actores/Cantores – António Leite; Faria Martins; Luiz Oliveira; Sophia Cunha;
Patrícia Ferreira; Vânia Pereira; Vítor Fernandes e Xico Alves
Direcção Musical – Ricardo Fráguas
Músicos – Hugo Vieira e Rui Reis
Figurinos – Cláudia Ribeiro
Cenografia – Manuel Costa Dias
Desenho de Luz – Nuno Tomás

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A CIDADE DOS MORTOS

Tal como as folhas se desprendem, como lágrimas, das árvores do Outono, hoje visitamos, com os olhos húmidos, os cemitérios onde repousam os nossos ente-queridos. Para muitos, a visita à “cidade dos mortos” (que, em rigor, deveria efectuar-se amanhã, dia dos Fiéis Defuntos) é um ritual semanal ou quinzenal. Ou até com periodicidade bem mais frequente. Para alindar as sepulturas com as flores da época; para acender as velas rubras da lembrança, compradas na loja dos chineses, que são bem mais em conta; para rezar – quem se estriba nas crenças religiosas – em memória dos pais, dos avós, dos irmãos, dos filhos que foram povoar, antes de nós, o reino das estrelas.
Para outros, a ida ao também chamado “campo santo” acontece apenas uma vez em cada ano, tal como a Páscoa ou o Natal. São as visitas minimalistas de quem considera que o lugar dos que já partiram é no mais quente do coração de cada um; ou fá-lo apenas para cumprir calendário, para que a imagem social não saia beliscada, ao sabor do abandono das obrigações familiares que o senso comum impõe. Ou pura e simplesmente, nem liga a tais manigâncias, e vai porque os outros vão.
No dia de hoje, nada há que sobreleve a recordação pungente dos familiares e amigos que reconstroem a memória de nós mesmos. Hoje é o seu dia anual. Pelo menos esse. Aquele em que vestimos a alma das cores escuras da dor e da mágoa. O dia de trazer o nosso pai de volta ao quotidiano, recordar os passeios que dávamos aos domingos, as idas à feira semanal da vila, apreçar o gado e beber um café, a alegria dos filhos quando ele regressava de França, pelo frio Dezembro, coberto de chocolates e caramelos para a nossa gulodice infantil.
Para cada um de nós, os heróis nunca morrem… E os nossos pais, eternamente sem idade, são imperecíveis, perpétuos. Pelo menos, nos corações dos que os amam como se não houvesse medida…
Hoje é o dia de chorar os mortos, é claro, porque é da nossa condição cultural, escrever em lágrimas o nosso amor; mas também o de bendizer a felicidade de os termos tido entre nós, para enriquecer as nossas vidas, para dar sentido ao nosso crescimento, para consolidar a nossa humanidade.
É com esse sentimento de perda mas também de grata consolação, e de redenção, que encaminharei os meus passos para a cidade dos mortos, onde me esperam, de braços abertos, meu pai e outros familiares que teimam em não morrer no meu pobre coração!...
Foto: Manuel Meira Correia

domingo, 31 de outubro de 2010

HOSPITAL À BEIRA DO COMA PROFUNDO

O semanário Notícias de Guimarães desta sexta-feira titula, na primeira página, “Centro Hospitalar do Alto Ave – Hospital Senhora de Oliveira e S. José (Fafe) à beira do coma profundo”. A uma primeira leitura, o assunto é de molde a preocupar qualquer cidadão que habite na região servida por aquela unidade hospitalar.
Numa das páginas interiores, são relatadas as preocupações (sob anonimato, obviamente, porque ninguém quer dar a cara nesta democracia incompleta…) de profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar e administrativo) do Centro Hospitalar, que descrevem a situação como estando “à beira do coma profundo”.
Denunciam que “começa a faltar tudo”, fraldas, esponjas para limpar os doentes, agulhas, compressas, paracetamol, até o oxigénio começa a faltar.
E a propósito, é referido que “no hospital de Fafe já foram adiadas cirurgias por não haver oxigénio”.
Como é costume em situações que tais, a administração chuta para canto e garante que está tudo bem, como se os profissionais de saúde tivessem como desporto favorito vir para os jornais nomear situações inexistentes. É dos catecismos...
Por seu turno, o nosso Correio de Fafe noticia, no mesmo dia, que o “Hospital de Fafe só realiza operações que não carecem de internamento”. Os casos mais complicados passaram para Guimarães.
Como rebuçado, para acrescentar à recém-criada Unidade de Cirurgia Ambulatória, prometem para Novembro a consulta externa em três novas especialidades: Imunoalergologia, Urologia e Ginecologia. Meros paliativos que se ganham, obviamente, que não fazem esquecer o muito que se tem perdido.
O Hospital de Fafe, que historicamente foi um marco referencial na área da saúde para o nosso município e para a região de Basto, um orgulho para os fafenses, um hospital de dimensão e bem apetrechado, foi perdendo valências, serviços e competências, além de pessoal, sendo sucessivamente desertificado e é hoje em dia pouco mais que uma extensão do centro de saúde. Não fora a existência de internamento em medicina, que ainda persiste, embora com vida incerta, ao que se presume, e os meios auxiliares de diagnóstico, o Hospital de Fafe pouco passava de um mero centro de saúde. Perdeu diversos serviços ao longo dos últimos anos e muito recentemente foi desertificado das unidades de cirurgia e ortopedia. É pouco menos que um fantasma erguido num casarão que já foi grande. Até a autonomia de um mero número de telefone o nosso (dito) Hospital perdeu: hoje, ainda que se esteja no centro da cidade de Fafe, a 200 metros do Hospital, quem quiser contactar com o mesmo tem de ligar a Guimarães, que transfere a chamada para Fafe.
Uma tristeza, sem dúvida, quando deveria ser reforçado para melhor servir a população fafense e a de Basto! Um país descentralizado assim aconselharia... Mas a política actual é absolutamente centralista, como se sabe, embora não se assuma e ainda que acene a regionalização lá para as calendas gregas...
Como fafense, e vistas as notícias deste fim-de-semana, que não constituem qualquer novidade, de resto, só posso estar profundamente inquieto e inseguro quanto à instituição de saúde que me pode valer em caso de doença. Uma diarreia, curo-a alegremente no centro de saúde, durante o dia; uma dor de barriga, trato-a em duas penadas no Hospital, durante a noite.
Para um caso mais complicado, e que espero nunca me acometa, já sei que tenho guia de marcha para o pomposamente designado (mais pompa que serviço…) Centro Hospitalar do Alto Ave, onde me arrisco a esperar uma dezena de horas, no mínimo, pelo atendimento. As urgências estão congestionadas, porque aí acorrem centenas de milhares de pessoas de toda a região. Ao contrário do que prometeram os políticos centrais quando esvaziaram o Hospital de Fafe, o de Guimarães não sofreu aumento de instalações nem de recursos materiais e humanos, pelo menos dos que trabalham com os doentes, ao que se ouve.
O que parece é que o esvaziamento e desertificação dos hospitais públicos pretende "empurrar" os utentes para os hospitais privados e para os seguros de saúde. Porque importa poupar na factura da saúde, para mais num tempo de crise que os doentes e acidentados não provocaram.
Chama-se a esta mascarada "garantia e reforço do Estado Social"!...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

É NO POEMA QUE NASCE E ESTÁ A LIBERDADE

Num tempo de escuridão, o poema – o que quer que isso seja, nem que a pura escrita das manhãs que acordam numa aldeia minhota – é um lugar de luz. Como escrevia Sophia, é no poema que está e nasce a liberdade.
É o exercício dessa liberdade livre que funda e permanece no acto de quem escreve, não para mudar o mundo (que a palavra não tem dotes taumatúrgicos…) mas para se tornar mais humano, mais divino, mais puro e solidário.
Contra as sombras, as mediocridades, as ervas daninhas do quotidiano, a poesia – e em geral, a escrita – instaura-se como chama, incêndio, fulgor. O fogo da diferença, essa missão indeclinável e apetecível de ser aurora da criação, catedral de sentimentos, discurso directo do coração.
O dia a dia é a consagração da vulgaridade, da abrupta e aborrecida normalidade, da mais insidiosa e estúpida telenovela da vida: dos que se esquecem de viver, dos que transferem a sua vida para os ecrãs da fantasia, dos que recusam a utopia em nome de rasteiros interesses.
A escrita nasce da opção por um estado outro de ser, de estar e de querer. A denegação dos bichos da terra vis e tão pequenos de que se lamentava Camões, nos Lusíadas, essa epopeia patriótica que a Escola hoje desvaloriza, ou menospreza, num crime de lesa-cultura, não por culpa própria, naturalmente, mas por decisões vindas dos estúpidos poderes que vamos suportando. É a libertação de asas e grilhetas que agarram os humanos à terra; é o voo fantástico em busca da eternidade.
Quer dizer, da luz.
Escrevo, não como quem respira, óbvio, nem como obrigação de me sacrificar em cinco milhares de caracteres diários, longe disso, mas quando me dá na real gana e com o esforço próprio de quem poda os galhos de uma estátua que vai esculpindo, ao sabor do momento e da emoção que transporta.
Escrever incomoda como andar à chuva, parafraseando Pessoa. Mas não me importo de uma boa molha, para expressar as minhas inquietações, os meus anseios, as minhas alegrias, que possa partilhar com os leitores deste blogue... Como tenho feito até agora, parece-me.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

DIA DO AUTOR BRASILEIRO NA ESCOLA SECUNDÁRIA DE FAFE

Numa louvável iniciativa de grande interesse para os estudantes, a Escola Secundária de Fafe, através dos professores Carlos Afonso, Rosinda Leite e Augusto Lemos, promoveu a evocação do Dia do Autor Brasileiro, ao longo de todo o dia desta quarta-feira. Nele participaram largas dezenas de alunos dos 11º e 12º anos, sobretudo da área da Língua Portuguesa. Estes cantaram, dançaram, leram poesia de autores do lado de lá do Atlântico, teatralizaram diálogos entre personagens portuguesas e brasileiras.
Tive o privilégio de participar, de manhã, na sessão que contou com a presença da directora, Dra. Natália Correia, dos organizadores e da Dra. Isabel Pinto Bastos, que falou sobre Cecília Meireles (Augusto Lemos também teceu rasgados elogios à obra Olhai os Lírios do Campo, de Erico Veríssimo).
Fui convidado a dissertar sobre o tema "Fafe dos Brasileiros". Lembrei a longa emigração de fafenses para o Brasil, desde o século XVIII e em especial entre a segunda metade do século seguinte e os anos trinta do século XX, e realcei o rico legado que os brasileiros ricos, no seu retorno, deixaram na cidade, desde a criação das primeiras grandes indústrias (Fábricas do Bugio, em 1873 e do Ferro, em 1886), a promoção da Misericórdia (1862) e do Hospital de S. José (1863), a criação do Asilos para meninas desvalidas (1877) e para inválidos (1906), fundados, respectivamente, pelos brasileiros António Joaquim Vieira Montenegro e Manoel Baptista Maia, a intervenção no Jardim do Calvário (1892) e no arranque da Igreja Nova (1895), entre outros.
Mas a maior herança foi marcada na grandiosidade, beleza, ostentação e singularidade dos palacetes e casas apalaçadas que os emigrantes fafenses, regressados de Vera Cruz, implantaram, às dezenas, na então Vila de Fafe e que constituem hoje a mais emblemática arquitectura da cidade, uma autêntica "capital dos brasileiros", com as suas amplas varandas de ferro, as suas fachadas azulejadas, as suas belíssimas clarabóias encimadas por cata-ventos. Uma palavra ainda para monumentalidade funerária como símbolo da distinção social dos brasileiros: demonstravam a sua riqueza em vida, também queriam sobressair nos cemitérios, com as altas colunas de granito encimadas pelos respectivos bustos.
Abordei ainda a homenagem que Fafe promoveu ao Brasil, outorgando nomes de ruas e avenidas à terra-irmã (Praça do Brasil, Avenida do Brasil, Parque Cidade de Porto Seguro...) e enumerei alguns brasileiros ilustres descendentes de fafenses, como os que refiro a seguir:
Afonso Augusto Moreira de Pena – Presidente da República (1906-1909) – neto materno do fafense José Gonçalves Moreira (Moreira do Rei)
Jucelino Kubitschek de Oliveira - Presidente da República (1956-1961) – descendente por via paterna de Pio de Oliveira (Freitas)
Álvaro Siza Vieira – um dos dez melhores arquitectos do mundo – neto paterno de um emigrante de Vila Cova
António Carlos Magalhães – governador da Bahia, senador estadual e ministro – neto de José Maria Peixoto de Magalhães (Medelo)
Ailton Fernandes - vice-ministro da Agricultura do Brasil – filho de Artur Fernandes da Silva (Travassós).
Finalmente, abordei um desses descendentes mais eméritos, este na área da literatura. Falo do escritor João Ubaldo Ribeiro, Prémio Camões 2008, amigo de Jorge Amado, habitante da Bahía, considerado porventura o maior escritor brasileiro da actualidade. Era neto do fafense João Ribeiro, que abalou para a cidade de Penedo, Estado de Alagoas, no Brasil, nos primeiros anos do século XX, meio deportado pela família, porque engravidara uma vizinha solteira numa das aldeias de Fafe e que chegou a gerente de uma fábrica têxtil, pertencente a uns portugueses amigos da família. Por lá ficou.

Ubaldo Ribeiro, autor de uma obra já vasta e com diversos prémios coleccionados, além de três casamentos, é, pois, neto de um minhoto de Fafe.
Há uma década atrás, João Ubaldo esteve no Porto a apresentar A Casa dos Budas Ditosos, que vendeu só no nosso país, em pouco mais de dois meses, mais de 13 000 exemplares e cuja comercialização foi na altura proibida por duas cadeias de hipermercados, por alegada ofensa ao pudor. Na ocasião, estivemos com o escritor que fez questão de recordar o seu avô fafense, uma pessoa adorável, que lhe dava dinheiro para livros, revistas e guloseimas. João Ubaldo gostava muito do avô, grande companheiro de infância, amigo e confidente, pessoa culta e, incrivelmente, para um brasileiro, leitor apaixonado de Camilo e Guerra Junqueiro. Afiançava mesmo que lhe deve muito, talvez até a carreira de escritor, sendo que o seu avô considerava que só tinha direito ao estatuto de escritor aquele que escrevia livros que davam para pôr de pé. Por isso, João Ubaldo, certamente em sua memória e vincando a sua legitimidade de (grande) escritor, publicou Viva o Povo Brasileiro, um romance histórico com perto de 700 páginas e seguramente a sua melhor e mais conhecida obra literária, considerada já um clássico da literatura brasileira contemporânea.
O escritor é autor de um bom número de obras nas áreas do romance, do conto, do ensaio e da crónica. Está traduzido em alemão, dinamarquês, espanhol, francês, hebraico, inglês, italiano, jugoslavo e sueco e é titular de honrosos prémios literários. Diversas obras suas foram adaptadas para o cinema e para televisão.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

MUNICÍPIO OFERECE AOS FAFENSES RECITAL COM MÚSICA DA 1ª REPÚBLICA

Depois de um espectáculo que lotou o Teatro-Cinema de Fafe, sábado passado, com os impagáveis João Seabra e Miguel 7 Estacas, a programação prossegue esta sexta-feira à noite.
A autarquia vai oferecer à comunidade local o recital “Centenário da República – A Música em 1910”, pelo grupo Vox Angelis, que tem lugar no Teatro-Cinema da cidade, na noite (21h30) de 29 de Outubro.
Dado o cariz do espectáculo, o mesmo foi inserido no quadro das comemorações do Centenário da Proclamação da República que têm vindo a decorrer em Fafe.
Os espectadores interessados podem levantar os ingressos no Posto de Turismo, como habitualmente ou, à hora do espectáculo, no Teatro-Cinema. Naturalmente, que apenas acederá à sala quem se munir do respectivo bilhete.
Neste concerto, são executadas obras de compositores portugueses contemporâneos da Revolução Republicana (homens como Luís de Freitas Branco e Francisco de Lacerda, entre outros), bem como obras compostas precisamente na altura da Instauração da República.
Pretende-se, com isso, fazer recuar o público a 100 anos atrás, através da audição da música que se interpretava naquela época e que muito fala da vivência cultural e, com isso, evocar historicamente os acontecimentos de 1910.
Em palco vão estar sete músicos: os cantores Pedro Miguel Nunes e Maria José Carvalho e os intrumentistas Serguey Arutiunian (1º Violino), Larissa Shomina (2º Violino), Katarzyna Pereira (Viola d’ Arco), Jaroslav Mikus (Violoncelo) e Katherine Fiero (Harpa).