segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

HISTÓRIAS PARA UM NATAL: SARAU CULTURAL NA BIBLIOTECA DE FAFE EM 16 DE DEZEMBRO


Em continuidade das actividades realizadas na Escola Secundária de Fafe, Um Grande Postal de Natal e Histórias para um Natal, este Sarau Cultural, a realizar na Biblioteca Municipal, no dia 16 de Dezembro (quinta-feira), pelas 21h30, com o apoio da Câmara Municipal e do Núcleo de Artes e Letras, pretende ser um ponto de encontro com a comunidade fafense e um avivar do espírito natalício.
Num ambiente familiar, e preparado para a ocasião, poder-se-ão contar histórias, ler poemas, encenar pequenos textos, ouvir músicas, cantar, expressar sentimentos e ideias e partilhar experiências. Todas estas singelas intervenções, revestidas de um profundo espírito de amizade e de amor, têm como motivação o Natal.   
Será também nessa altura que o Grande Postal de Natal passará da Escola Secundária para a Biblioteca Municipal, onde será enriquecido com o testemunho dos presentes e incorporará uma exposição de Natal a decorrer neste espaço cultural.
Dos originais das histórias, poemas e pensamentos que derivem desta iniciativa e da que decorreu na Biblioteca da Escola Secundária de Fafe, também ela com o mesmo nome, Histórias para um Natal, e se a qualidade o permitir, será elaborada uma pequena Sebenta cultural. Também do Grande Postal de Natal nascerão pequenos postais de Natal. Depois, com a Sebenta Cultural e os postais de Natal far-se-ão pequenas prendas de Natal que serão oferecidas à comunidade fafense, a troco de uma ajuda monetária a favor do Lar das Crianças de Revelhe. O dinheiro angariado transformar-se-á em material escolar e livros, para que essas crianças possam crescer alegres e felizes, em comunhão com o saber, o aprender, os livros e a criação artística e literária.
Postais retirados da net

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

ARMANDO FREITAS FERREIRA: UM HOMEM LUMINOSO NA MINHA VIDA


Armando Freitas Ferreira é um distinto professor do ensino básico e da Telescola, hoje aposentado, fafense natural de Fornelos e a residir há décadas na freguesia de Garfe, Póvoa de Lanhoso.
Tive o privilégio de ser seu aluno, pelas razões que refiro no texto abaixo.
O motivo que o traz à baila é o facto de ser o autor do mês de Dezembro, da Biblioteca Municipal da Póvoa de Lanhoso e de ter acabado de publicar um livrinho de poemas, com pouco mais de vinte textos muito íntimos, dedicados à família, aos seus ex-alunos, ao seu ambiente, à sua vida. Título: Sentimentos e afectos.
Armando Freitas Ferreira nasceu em 1941, estudou no Colégio Municipal de Fafe e no Magistério Primário de Braga, foi professor do ensino básico em Vila Cova, Travassós, Serafão (onde fui seu aluno), bem como na Telescola de Garfe, que fundou com dois colegas (e na qual também andei), num percurso profissional entre 1960 e 1985. Neste ano, foi convidado a exercer as funções de subdelegado escolar da Póvoa de Lanhoso, que desempenhou até 1993, altura em que se aposentou, dedicando-se aos seus dois filhos e quatro netos que viriam depois.
A propósito da homenagem que a Biblioteca da Póvoa de Lanhoso lhe prestou, solicitaram-me um depoimento, que deixo a seguir.

Há figuras queridas que nos marcam profundamente, desde o luminoso encontro inicial que com elas tivemos. Uma delas é, sem dúvida, o professor Armando Freitas Ferreira, homem que estimo imensamente e a quem me ligam laços profundos de amizade desde há mais de quatro décadas.
Concretamente, ia eu iniciar a terceira classe do antigo ensino primário, na escola do Toural, em Serafão (Fafe), aí pelos idos de 1965, quando encontro pela primeira vez o “professor Ferreira”, como lhe chamávamos, um muito jovem docente, pleno de vida e sobretudo introdutor de um outro modo de ver as coisas, para uma situação como a da época, em que tudo se queria arrumado, ordeiro, identificado com a “paz dos cemitérios”. Não é que este jovem professor se atrevia a jogar à bola com os alunos no recreio, como se fosse da sua igualha, desrespeitando o estatuto de “superioridade” que um “mestre” deve ter perante os seus pupilos?!... Onde é que já se vira uma coisa dessas? Qualquer coisa não regulava bem, neste universo desordenado!...
O professor Armando Ferreira entendia, como escreveria mais tarde e consta de uma obra minha, que, para lá da educação e instrução, a distracção é um “elemento que contribui, em grande escala, para estudarmos a maneira de ser do aluno. As crianças necessitam de distracção, mas vigiadas e, até, acompanhadas pelo professor, nas suas brincadeiras”. Como gostava de crianças e como entendia ser seu dever, integrava de corpo e alma os jogos e as brincadeiras que os seus alunos empreendiam no recreio, atitude que foi, de começo, mal vista pelos encarregados de educação da freguesia, o que se compreendia, de alguma forma, mas que acabou por ser entendida e até aplaudida mais tarde pela população.
Volto a citar o texto do professor Ferreira, justificando essa atitude inovadora, de que sou testemunha viva: “o professor, brincando com os alunos, não perde a autoridade mas mais a consolida, ao mesmo tempo que contribui para a formação integral do aluno”.
Armando Freitas Ferreira foi, assim, meu professor na terceira e na quarta classes, período que me marcou profundamente na minha aprendizagem e que constituiu forte alicerce e enriquecimento para o homem que eu seria no futuro. Lembro-me da exigência que punha no que ensinava, nas várias áreas e até da “canada” que um dia levei por demorar a indicar com precisão os afluentes de um determinado rio do norte do país. Seria a única, para bem dos meus pobres miolos…
Ao findar o ensino básico, saí do sistema por dois anos, durante os quais trabalhei e fui explorado numa pensão em Guimarães (tinha escassos e desgraçados 11 anos, nunca mais esqueci…), regressando à escola quando abriu o posto da Telescola de Garfe, julgo que em 1969/70.
O professor Ferreira voltaria a ser meu professor por dois anos e foi seguramente o responsável por eu ter enveredado por um percurso que me levou a mais altos voos académicos. Por isso lhe estou muitíssimo grato, e ele sabe que tenho razão. Como continuava a dar aulas em Serafão, foram muitas as vezes que me deu boleia, no seu automóvel, entre aquela freguesia e Garfe. A mim e a outros jovens de Serafão que faziam parte da mesma turma e que assim, de vez em quando, poupavam uma caminhada de quatro quilómetros bem medidos.
Não é aqui o tempo nem o lugar para rememorar a vivência da Telescola em Garfe, mas apenas para evidenciar o quão fundamental foi esse período na minha formação intelectual, cognitiva e humana.
Devo muito aos docentes que acompanharam o meu crescimento aos diferentes níveis, sobretudo nos anos iniciais da minha formação. Em lugar de destaque está, soberanamente, sem dúvida, o professor Ferreira. É dos poucos docentes de quem mantenho a mais doce recordação e de quem continuo muito próximo!...
Saído da Telescola, frequentei outros estabelecimentos de ensino, do secundário ao superior, em diferentes localidades. Todavia, para minha imensa felicidade, tive (e tenho) o professor Ferreira como amigo permanente, generoso e desinteressado ao longo destes anos. Não há uma vinda a Fafe sem que o professor Ferreira me venha visitar à Casa Municipal de Cultura: para me dar um abraço, com aquele calor que só ele consegue; para levar o meu último livro; para observar uma exposição; para dar duas de treta, enfim.
Nesta oportunidade, não poderia deixar de manifestar a minha mais lídima admiração, o meu preito de homenagem, o meu maior respeito, a minha incontida gratidão por ter sido aluno e ser amigo de longa data do professor Armando Freitas Ferreira, um homem que honra a Póvoa de Lanhoso e que engrandece os seus amigos. De lá e de cá. Porque ele é um fafense emigrado em Garfe, mas que carrega a sua terra natal no grande coração que tem.
Estamos em presença de um homem bom, um homem de bem, um homem que teima em não deixar de ser jovem! E aí, e em tudo o que fez, e em tudo o que deu aos seus alunos e semeou pelos seus amigos, reside a sua grandeza!
Bem-haja por tudo o que de bom tem sido a sua vida!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"AVE SEM ASAS": ESTREIA POÉTICA DE ANA MARTINS ESTE SÁBADO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE FAFE

A Câmara Municipal de Fafe promove este sábado à tarde, 11 de Dezembro, pelas 16h00, na Biblioteca Municipal, a apresentação da obra de estreia poética de Ana Martins, com o título Ave sem Asas.
A obra tem a apresentação de Maria José Areal, autora da nota introdutória.
Ana Martins nasceu em Santarém em 20 de Março de 1964 mas reside em Fafe há 17 anos, considerando-se, assim, ribatejana de nascimento, mas fafense por adopção. É nossa vizinha, na Urbanização do Sol Poente.
Filha de pai militar e mãe doméstica, passou a infância entre África e Portugal. Frequentou o ensino secundário em Paços de Ferreira, onde viveu grande parte da adolescência e parte da vida adulta.
Desde muito jovem começou a sentir afeição pela escrita, escrevendo num diário os seus primeiros trabalhos.
Este primeiro livro de Ana Martins é a concretização de um sonho que teve início com a divulgação das suas poesias na internet, através do seu blogue http://avesemasas.blogspot.com/.
Na dedicatória do livro, aos seus filhos, marido, pai e mãe, deixa Ana Martins as seguintes palavras:
Escrever um estado de alma, é transpor para o papel todo o sentimento conturbado que tantas vezes nos assalta e deprime.
É olhar o Mundo com os olhos da alma e sentir que a profundeza das palavras está vida em cada batida do coração, é sentir a vida escorrer na fluidez do sonho, e deixar-se levar pela poesia que há em nós.
O livro, de 174 páginas, tem apresentação de Victor Manuel do Vale Simões e apoio da Junta de Freguesia de Fafe.

Para os apaixonados da poesia e como aperitivo para a leitura de Ave sem Asas, deixamos aqui dois poemas da obra:

Sou o que sinto

Sou a cor, a solidão
A amizade, o calor, o frio,
Sou o que sinto,
O que fantasio...
Sou a dúvida, o amor,
O segredo,
Sou o dia, a noite,
O medo...
Sou o que pinto
Na tela em relevo!
Soiu o sorriso, a lágrima,
A verdade, ansiedade,
Nostalgia...
Sou o que vivo e já vivi,
Sou na tela e na tinta
O amor por ti!

Escreverei

Escreverei,
Até na paz do limbo
Por entre as nesgas do porvir,
Mesmo em folhas de zimbro
A condição do meu sentir...

Escreverei,
Ainda que a luz
Se dissipe em meus dias
Entre rasgos de escritos nus
E no limite de ilusórias linhas...

Escreverei,
Ate na ausência das palavras
A falência de todo o vocabulário
Num contexto de páginas gastas
Um poema imaginário.

Escreverei!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

ALUNOS DO PROFESSOR J.J. SILVA MOSTRAM A SUA ARTE NA CASA DA CULTURA DE FAFE

A galeria da Casa Municipal de Cultura de Fafe volta a ser o espaço privilegiado para que mais de três dezenas de artistas que fizeram (ou ainda fazem) a sua aprendizagem no atelier do Professor J. J. Silva mostrem as suas mais recentes produções.
A colectiva abre as suas portas esta sexta-feira, dia 10 de Dezembro, pelas 21h30, com trabalhos dos alunos Alexandrina da Silva, Alfreda Figueiredo, Ana Beatriz, Ana Isabel, Ana Luísa, Ana Nogueira, Ana Sofia Pires, Armando Marques, Bárbara Monteiro, Carolina Ângelo Sousa, Carolina Cunha, Cátia Gomes, César Silva, Cristiana Araújo, Fátima Fernandes, Filipe Sampaio, Graça Vasconcelos, João Filipe, João Pedro, Jorge Costa, José Miguel, José Monteiro, Júlio Moura, Liliana Gomes, Luís Pires, Márcia Vieira, Maria Itália, Maria José, Maria Silvestre, Maria Trindade Crespo, Mariana Nogueira, Matilde Mesquita, Patrick Fernandes, Paulo Marcelo, Pedro Gomes, Ruben Ferreira, Rui João Miranda, Rui Pedro, Sofia Cunha, Soledade Vaz, Tiago Teixeira, Vânia Filipa e Vânia Teixeira. O artista e mestre J. J. Silva participa igualmente com a sua arte, para dar o exemplo.
A mostra é constituída por trinta e oito obras, de diversificados tamanhos e técnicas, que consolida a promoção dos trabalhos numa perspectiva de incentivo à criatividade dos alunos, que o mestre J. J. Silva tem vindo a promover ao longo dos anos.
 A exposição estará patente ao público até 30 de Dezembro de 2010, no seguinte horário: segunda-feira, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 20h | terça-feira a quinta-feira, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30 | sexta-feira, das 9h00 às 12h30.

domingo, 5 de dezembro de 2010

UM POVO SOLIDÁRIO E AMIGO


Em todos os momentos, mas sobretudo em alturas de crise, em que se torna mister auxiliar os que mais necessitam, os portugueses demonstram ser um povo solidário que, muitas vezes, dá a própria camisa para ajudar o próximo.
Numa conjuntura de crescente aperto económico e quando se aproxima a quadra natalícia, mais propícia aos actos de dar e contribuir, enfim, de exercer mais profundamente o humanitarismo, a solidariedade nacional não deixa de se evidenciar exuberantemente, como acaba de acontecer com a campanha do passado fim-de-semana para os Bancos Alimentares contra a Fome. Foram recolhidas em todo o país 3265 toneladas de alimentos, o que representa mais 775 toneladas que o ano passado (um acréscimo de 30%). Segundo a comunicação social, a recolha deste ano bateu os recordes quer de alimentos doados, quer de voluntários envolvidos, mais de 30 000.
 Na verdade, se há muita gente que dá o que lhe sobra, e tem meios para muito mais, também há muitos portugueses, de mais débeis recursos, vivendo de parcas reformas ou escassos subsídios, que tiram algo ao pouco que possuem para apoiar não sabem quem, pois que a ajuda alimentar é canalizada para mais de 1800 instituições e destinam-se a cerca de 280 mil pessoas com carências alimentares comprovadas.
Não obstante os apertos generalizados, que afectam as classes média e baixa, os portugueses têm orgulho de se identificar como um povo solidário, amigo, colaborante, altruísta. Um povo que exerce o voluntariado e a filantropia como nenhum outro. Tomara que os governos tivessem metade desse prodigioso espírito!...
E já que falamos em voluntariado, não podemos esquecer que este domingo, 5 de Dezembro, se comemora o Dia Internacional do Voluntariado, uma iniciativa tomada em 1985 pela Assembleia-geral das Nações Unidas com o objectivo de apoiar grupos dedicados a acções voluntárias em diversos projectos sociais, económicos e humanitários por esse mundo além.
No nosso país entregam-se a tarefas de voluntariado cerca de um milhão e meio de pessoas em tarefas que, se fossem remuneradas, corresponderiam a 675 milhões de euros. É muita gente e seria muito dinheiro.
A grande lição a reter é a de que, afinal, o povo português é um povo solidário, um povo que disponibiliza algum ou muito do seu tempo livre em visitas aos doentes dos hospitais, na ajuda a idosos em lares de terceira idade, na angariação de alimentos para as famílias mais necessitadas, em visitas a gente só e carenciada, não apenas de recursos mas sobretudo de afecto. Este é uma das faces do voluntariado, que vive de outros rostos, outras linhas, porventura mais visíveis no nosso quotidiano. Por exemplo, os bombeiros, que são a expressão mais sublime do espírito do voluntariado. Eles oferecem o seu tempo livre, e muitas vezes até o de trabalho, para as nobilitantes e dramáticas tarefas de salvar a vida e os haveres dos cidadãos, independentemente das suas disponibilidades económicas, estratos sociais, colorações politicas ou competências académicas, colocando, frequentemente, em risco as suas próprias existências e, decorrentemente, as dos seus. Quando a sirene toca, em desespero, anunciando um incêndio ou para acorrer a um desastre de automóvel, não há comodismos, não há fome, não há sono, não há mulheres, não há filhos, não há televisão, não há futebol, não há conversas que não possam ficar para mais tarde, ou para o dia seguinte. Em primeiro lugar, estão os outros: que os voluntários nem conhecem, nunca viram, nem sabem quem são. Ou antes, sabem, e essa a razão da sua missão indeclinável: são seres humanos, cujas vidas urge defender ou resgatar e cujos bens se impõe salvaguardar, até aos limites das suas forças físicas e psíquicas. São fantásticos de altruísmo, os briosos “soldados da paz” deste país.
E quem diz bombeiros, diz os activistas da Cruz Vermelha, que transportam doentes para hospitais ou para consultas, acorrem a acidentes ou a doenças, socorrem os mais necessitados, distribuem alimentos e calor humano, com o maior desinteresse, a maior generosidade, a mais destacada afabilidade.
E os dadores benévolos de sangue que, em gestos benemerentes, contribuem, com o que mais sagrado jorra nas suas veias, para salvar vidas em perigo, em tantas situações.
Todos estes voluntários (e tantos outros…) são justamente merecedores dos Óscares da abnegação, do desprendimento, da filantropia, do humanitarismo, valores tanto mais admiráveis quanto são desenvolvidos numa época marcadamente materialista, em que o ter sobreleva o ser, em que a alma se vende no mercado das conveniências.
Mas também o são os milhares de voluntários que, de norte a sul do país, vão dando o melhor de si no contexto das associações e colectividades de cultura, desporto e recreio, sem receber o que quer que seja, em puro exercício de doação aos interesses e princípios estatutários que desenvolvem. O associativismo é também um importante meio de desempenho da cidadania activa, regendo-se por princípios de liberdade, democracia e solidariedade.
Um povo que é voluntário é também um povo solidário. E a solidariedade não se expressa apenas pelo Natal, mas envolve-se em causas gratificantes, de que são paradigmas as associações de apoio às crianças em risco, ou afectadas por doenças contagiosas, as agremiações de socorro aos idosos mais carentes, como as conferências vicentinas, o Banco Alimentar contra a Fome ou situações pontuais de catástrofes, em Portugal ou no mundo.
Um povo assim é um povo bom, maravilhoso, a que nos orgulhamos de pertencer. Um povo que merece reconhecimento e não a vida injusta e castigada de impostos, de desemprego e de todas as sacanices que enxameiam o dia a dia.

sábado, 4 de dezembro de 2010

FRANCISCO SÁ CARNEIRO: O QUE É DEMAIS JÁ CHEGA!

Há exactamente 30 anos, no dia 4 de Dezembro de 1980, morria o primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, mais as suas mulheres e outras três pessoas, quando a avioneta Cessna C421 em que viajavam para o Porto (em campanha eleitoral para as presidenciais desse ano, que deram a vitória a Ramalho Eanes) se despenhou em Camarate, às portas de Lisboa. Sucessivas comissões de inquérito ao caso, não conseguiram concluir pela tese de atentado, tão cara a algumas pessoas deste país, desde o momento em que sucedeu e ao longo destas três décadas.
Nos últimos dias tem-se voltado a falar profusamente de Sá Carneiro, da sua vida e da sua morte. Saíram livros biográficos, artigos em jornais e revistas, editaram-se programas de televisão. Ninguém fica sem relembrar um lamentável acidente que ceifou a vida a dois governantes ainda jovens (Sá Carneiro tinha 46 anos e Amaro da Costa, apenas 37…).
Sá Carneiro era uma figura simultaneamente amada e odiada. Fazia por isso. E ainda hoje a sua memória é controversa, quase intocável para muitos dos seus apaniguados.
Não tendo nada contra a sua vida e pensamento, não consigo vislumbrar a desproporcionada importância que lhe tem sido concedida, compreensível pelos seus correligionários “laranjas”, que deixou órfãos, mas exagerada para a História.
Sá Carneiro integrou, a convite de Marcelo Caetano, a “ala liberal” da Assembleia Nacional marcelista, a partir de 1969. Mas também Miller Guerra, Mota Amaral, Magalhães Mota e Francisco Balsemão a integraram, e ninguém os valoriza exorbitantemente por isso. Corporizaram um acto de coragem política, sem dúvida, mas pouco menos que inconsequente… Mais importante foi o trabalho revolucionário e “subversivo”, de combate às instituições fascistas, que outros responsáveis políticos e os militares levaram a cabo para que o 25 de Abril fosse realidade.
Em Maio de 1974, fundou o então Partido Popular Democrático, que depois mudou o nome para Partido Social-democrata. Foi ministro-adjunto de Palma Carlos, no primeiro governo provisório e voltaria ao poder, em 1979, no âmbito da Aliança Democrática e para levar avante o triplo objectivo: “uma maioria, um governo, um presidente”. Conseguiu os primeiros dois alvos; não logrou fazer eleger o débil candidato Soares Carneiro em 7 de Dezembro de 1980. Faleceu três dias antes…
Como primeiro-ministro, francamente, que obra material estruturante e duradoura ficou de Francisco Sá Carneiro, que justifique tamanho estardalhaço e até o nome de um aeroporto que nunca deveria ter mudado de designação?
Não vejo onde esteja a importância nacional do seu consulado governativo. O defeito deve ser seguramente meu, mas já há exactamente trinta anos pensava o mesmo, como pode ser confirmado na imprensa local.
Mas como este país é um alfobre de surpresas e de lágrimas de crocodilo, não custa a admitir que se continuará a venerar Sá Carneiro nos próximos trinta anos, enquanto outras comissões e outros comissários não derem por findo o seu trabalho de provar o atentado de Camarate!...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O TRIUNFO DA IMORALIDADE

Três situações conhecidas entre quinta e sexta-feira denunciam um país onde, apesar de os governantes fazerem profissões de fé em sentido contrário, triunfa a imoralidade, a desigualdade, o que, naturalmente, só pode suscitar a indignação dos cidadãos. Vamos a elas:
1. Na quinta-feira, após um grotesco golpe palaciano de Francisco Assis, líder parlamentar do PS, que ameaçou demitir-se se a votação não fosse no sentido da sua vontade impositiva (um democrata de curta data, este chantagista Assis…), o PS, o PSD e o CDS mancomunaram-se para derrotar uma proposta do PCP que visava a tributação dos dividendos (lucros) das empresas participadas pelo Estado, ainda em 2010. Como se sabe, algumas empresas, como a PT, a Portucel ou a Jerónimo Martins decidiram antecipar para este mês a distribuição dos dividendos aos accionistas, que se deveria, normalmente, processar no próximo ano. A manobra é de uma clareza meridiana: fugir aos impostos. O Estado fica sem alguns milhões, que tão caros eram para mitigar o enorme buraco financeiro das suas contas públicas. O PCP, vendo bem a situação, pretendia taxar esses lucros imoralmente pagos com antecedência para fugir ao fisco. O que fizeram, então, Assis e Companhia? Pura e simplesmente, rejeitaram a proposta dos comunistas. Ou seja, tornaram-se coniventes, na prática, com a fuga ao fisco que vai beneficiar inúmeros accionistas das referidas empresas, em prejuízo das finanças públicas, que a Francisco Assis cumpria acautelar. Ele que até é (ou se diz) socialista…
Uma decisão destas não é apenas imoral e indigna de um partido que se diz socialista, numa altura em que a crise grassa, o povo empobrece e todos os recursos são bem-vindos. É também a confissão de que o PS e a direita estão, na prática, ao serviço do poder económico. O Partido Socialista, de tão grandiosas tradições de justiça social, hoje por hoje, é fraco com os fortes (como se conclui, mais uma vez…) e forte com os fracos, aqueles que vivem dos rendimentos do trabalho, das reformas, das prestações sociais. A esses, o governo suga até ao tutano… Aos grandes, deixa-os com os dividendos por tributar, ou deixa-os escapar para os paraísos fiscais…
Ainda bem que se salvou a voz de um deputado inconformado com o pântano em que se transformou a política portuguesa, António José Seguro, ao afirmar que, ao desistir da tributação dos dividendos, o PS (e os outros), acabam por “contribuir para aumentar as desigualdades sociais, num país que já por si apresenta um enorme fosso entre os mais ricos e os mais pobres”.
Seguro, muito justamente, conclui que a vergonha do que foi decidido em plenário “não corresponde à matriz do PS”. Mário Soares deve estar indignado com estas decisões. Só pode…

2. A segunda situação foi hoje conhecida. Nos Açores, mais de 3 mil funcionários do Governo Regional vão ser “compensados” pelos cortes decretados pelo governo da República. O que significa que, no mesmo território português, há funcionários de primeira que não vão ser atingidos pelos “cortes” e funcionários de segunda que vão pagar a crise com língua de palmo.
Não apenas estamos em presença de uma situação de injustiça e de desigualdade, porque perante a mesma situação os trabalhadores vão ser tratados de maneira diferente, violando o espírito e a letra da Constituição da República, mas enfrentamos um desafio à autoridade do Estado Português por um governo regional socialista. É inacreditável que tal aconteça, como é vergonhoso o embaraço de Sócrates perante a inacreditável situação, que configura, bem vistas as coisas, uma flagrante quebra de solidariedade institucional dos responsáveis açorianos perante o todo nacional.
Sócrates só é forte perante os fracos!...

3. Também hoje se ficou a saber que os hospitais EPE ficam de fora dos cortes orçamentais decretados pelo governo. Depois da Caixa Geral de Depósitos, de empresas públicas, dos funcionários públicos açorianos, dos funcionários dos hospitais EPE, que funcionários é que vão pagar a crise? Os do costume!...
Mais uma vez se demonstra que esta República caminha para o reino das bananas!...

4. Este PS de Sócrates é um partido sem alma, sem valores, sem vergonha, sem moral, sem sentido de justiça. Está mais que na hora de dar lugar a quem seja detentor de princípios socialistas e autenticamente humanistas, que não se confundam com quaisquer derivas neo-liberais, que identificam a direita mas não a história e a matriz do Partido Socialista.
A crise que estamos a viver (e de que os pobres portugueses não são responsáveis), não justifica os atropelos, agressões e violações aos sagrados princípios que enformam um ideário republicano e socialista, que estas figuras estão muitíssimo longe de corporizar.