terça-feira, 4 de janeiro de 2011

QUASE TRÊS MIL CRIANÇAS CANTAM OS REIS NO MULTIUSOS ESTA SEXTA-FEIRA

Vai já na décima segunda edição o encontro de reis das escolas e jardins-de-infância do concelho de Fafe, dedicados ao Presidente da Câmara e aos Vereadores, que anualmente regista grande participação.
O encontro deste ano, que se realiza na manhã desta sexta-feira, 7 de Janeiro, a partir das 9h30, no Pavilhão Multiusos, tem a participação de cerca de cerca de 2 900 crianças provenientes de 31 escolas do ensino básico, jardins de infância e instituições de solidariedade social. Mais escolas e mais 600 crianças em relação ao ano anterior.
Participam no evento a EB1/JI de Adonela (Antime), Jardim-de-infância de Antime, EB1/JI de Cabo (Armil), EB1/JI de Monte (Arões Santa Cristina), EB1/JI de Ferreiros (Arões S. Romão), EB1/JI de Cepães, EB1 de Santo Ovídio (Fafe), Infantários nº 1 e 2 da Santa Casa da Misericórdia, Jardim de infância Montelongo (Fafe), EB1 do Santo, de Conde Ferreira e da Devezinha, EB2/3 Prof. Carlos Teixeira (1º ciclo), EB1/JI de S. Jorge e de Pardelhas (todos de Fafe), EB1/JI de Cruzeiro (Fareja), EB1 de Panelada (Fornelos), Grupo Cultural e Recreativo Martim de Freitas, EB1 de Golães, Centro Infantil de Golães, EB1/JI de Bouça (Medelo), Centro Social Paroquial de Medelo, Jardim de infância de Feira (Moreira do Rei), EB1/JI de Monte (Paços), EB1/JI de Serrinha (Quinchães), EB1/JI de Lugar Novo (Regadas), Escola Básica Integrada Padre Joaquim Flores (1º ciclo e pré-primária), EB1/JI de Campo (S. Gens), EB1/JI de Toural (Serafão), EBI de Silvares (EB1 e JI), Jardim-de-infância de Vilar (Travassós) e Associação Cultural e Recreativa de Travassós.

domingo, 2 de janeiro de 2011

ANO NOVO, VIDA DIFÍCIL

Morto e enterrado o ano velho, ao bater da meia-noite do que se convencionou chamar artisticamente “reveillon”, seleccionamos as passas, afivelamos um ar entre o compenetrado e o lunático, e formulamos mentalmente os desejos correspondentes. Uns mais ilusórios, outros absolutamente utópicos, escassos deles realistas. Por norma, anelamos mais o que gostaríamos que acontecesse, não o que prevemos que possa acontecer. Exemplos: que nos saísse o euromilhões, ou até o totoloto; que a Madeira e os Açores saíssem da órbita dos gastos públicos nacionais, tornando-se independentes por uma vez ou ligando-se à Cochinchina; que no caso BPN os criminosos do seu afundamento e da submersão das nossas finanças fossem punidos, como merecem; enfim, que o meu Benfica voltasse a ser campeão. Claro que estamos no reino fabuloso da utopia!...
Porque o que nos vai acontecer já sabemos: vamos continuar a gramar com o Cavaco mais à esquerda e o Sócrates mais à direita; os aumentos de tudo o que mexe e de que necessitamos como do pão para a boca já estão a sentir-se na pele, valha-nos Deus; os “principescos” ordenados dos trabalhadores em funções públicas vão levar pela medida grande, porque esses e os restantes trabalhadores é que provocaram a crise em que o país está enterrado; os “ricaços” que ganham mais do que 485 euros por mês, a partir de hoje, vão começar a sentir na pele o que é ter o desplante de ganhar mais que o salário mínimo nacional: nos hospitais, nos centros de saúde, na segurança social, entre outros retiros espirituais, vão pagar mais e descontar menos, que é para saberem o que custa a vida!
Enfim, para 2011, que está, muito bebé ainda, a dar os primeiros gemidos, os votos que o português médio enuncia são muito pragmáticos: que haja muita saúde, para não ter que recorrer às listas de espera das urgências; a possível alegria, no meio deste estendal de negrume; um emprego (o trabalho que fique à espera dos desempregados); algum dinheiro no bolso, mas não muito, porque se sua excelência o ministro Teixeira dos Santos sabe inventa mais uns PEC para depenar as nossas fracas finanças, até nos deixar de tanga.
Sobretudo, que possamos manter ao longo do ano alguma boa disposição e um optimismo moderado, para evitar o naufrágio nos consultórios e nos hospitais psiquiátricos.
Tenham os meus dois leitores um feliz 2011! Já não será mau!


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

OBRAS DE AUTORES FAFENSES PUBLICADAS EM 2010

Ao longo de 2010, publicou-se em Fafe uma dúzia de obras de autores locais, de diferentes géneros literários, enriquecendo extraordinariamente a cultura fafense, a literatura que se produz no nosso município e, enfim, a sociedade leitora para quem é dirigida, esteja neste concelho ou fora dele.
A este crescendo de edições, não é alheia a intervenção da nossa “editora de afectos”, a Labirinto, que publicou dezenas de obras a nível nacional, impondo-se como uma das mais activas pequenas editoras do país, apesar da sua estrutura absolutamente amadora, quer dizer, apaixonada, comandada por esse inexcedível homem de cultura que é o João Artur Pinto. Em Fafe, publicou mais de metade das edições que aqui saíram ao longo do ano…
Dada a sua quantidade, deixamos apenas algumas linhas sobre cada um dos livros publicados no concelho.
Logo no início do ano, em 22 de Janeiro, foi apresentada a segunda edição da obra Fafenses Nascidos no Século XIX, de Luís Gonzaga Pereira Silva, em nova edição da Câmara Municipal. Trata-se de um amplo “fresco” social das elites dos finais do século XIX e primeiros decénios do século XX, ampliada com novos nomes, mais investigação. Nesse livro estão os grandes nomes de políticos, comerciantes, empresários, jornalistas e outros profissionais que deram, de algum modo, o rosto à cidade que hoje conhecemos…
Em 19 de Fevereiro, no mesmo espaço da Biblioteca Municipal, foi lançada a obra Sete faces de amor Um só coração, livro de estreia poética de Luís Filipe Pereira. Seguiu-se, em 15 de Março, o lançamento da obra Nos Braços de um Anjo, edição Labirinto, estreia literária do jovem Tiago Magalhães, de apenas 18 anos, no âmbito das I Jornadas Literárias de Fafe. São vinte e dois contos publicados num livro de 270 páginas e que abrem perspectivas de um grande autor fafense, não apenas na prosa, mas também na poesia. É um nome a seguir com atenção nos próximos anos, e que se reveste já de inegável valia literária.
Em 21 de Maio, foi apresentada a obra Fafe em Datas, edição Labirinto, de Artur Magalhães Leite, professor da Escola Montelongo e que se vem impondo na área da investigação histórica (sobretudo na educação). É um instrumento interessante e de grande utilidade, que permite efectuar a consulta dos acontecimentos por ordem cronológica, desde a mais remota antiguidade fafense (ano de 137 a.C.) aos nossos dias. É uma cronologia que os estudantes e os estudiosos não dispensam nas suas pesquisas sobre a História de Fafe.
No início de Junho, apareceu, ainda da chancela Labirinto, a minha obra Escola Industrial e Comercial de Fafe – Memórias e Testemunhos, que surgiu a propósito dos cinquenta anos da criação daquele estabelecimento de ensino (1959), a honroso convite da Associação dos Antigos Professores, Funcionários e Alunos da Escola e, sobretudo, da sua líder Aurora Barros. Aí se historia o surgimento e consolidação da Escola Industrial e Comercial, que durou de 1959 a 1974, formando centenas de jovens fafenses para a vida activa, sobretudo na indústria.
Também edição Labirinto é a magnífica ficção romanesca Os Rios Também Choram, de Carlos Afonso, que foi apresentada na Biblioteca em 19 de Junho e mais tarde seria em Alfândega da Fé, terra natal do criativo autor. Os rios de que aqui se fala são o Vizela e o Sabor, que banham as terras de nascimento e de acolhimento de Carlos Afonso.
No meio, duas histórias de grande beleza imagética, associadas às respectivas localidades, onde não podia faltar o seu bem amado Camilo Castelo Branco…
Em 25 de Junho, registou-se o lançamento da segunda edição, revista e muito aumentada, do meu Dicionário dos Fafenses, edição do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, no âmbito das comemorações do seu 20º aniversário. São agora, perto de 300 os fafenses biografados, quer do passado, quer do presente, e que se salientaram em diferentes sectores da vida local e nacional, nas áreas da política, do desporto, do empresariado, da religião, da cultura, entre outras.
Em 16 de Julho, teve lugar a apresentação de uma excelente obra poética, a colectânea Poesia Soviética Russa – Século XIX e XX, com selecção, organização e tradução do falecido poeta fafense José Sampaio Marinho, e que é mais uma edição da nossa “editora de afectos”. A obra (que é uma antologia de poemas de emblemáticos autores russos e soviéticos dos dois últimos séculos) foi apresentada pelo jornalista José Milhazes, autor do prefácio e amigo de José Sampaio Marinho, com quem teve o privilégio de conviver, quer na Rússia, quer em Portugal.
O livro integra uma selecção de poemas de mais de três dezenas de autores russos e soviéticos dos dois últimos séculos, entre os quais figuram os conhecidos nomes de Vladímir Maiakóvski, Serguei Essénine, Borís Pasternak, Nikolai Tíkhonov, Konstantin Símonov, Serguei Iessenine, Anna Akhmátova e Evguéni Evtuchenko. Já em Agosto, no dia 11, foi feita a apresentação pública do livro Cisma na Igreja de Fafe, da jornalista Joana Carneiro, num cenário belamente arquitectado, ao lado da Biblioteca Municipal. Não sendo uma obra de um autor fafense, é relevante por incidir sobre uma personagem muito querida do meio
fafense, também ele poeta, o Padre José Peixoto Lopes. Um Homem de Bem. Um Homem Bom, que foi desqualificado pela hierarquia, empobrecendo fortemente a Igreja que, quer queiramos quer não, faz parte da cultura e da identidade de um povo. Quanto ao livro, foi escrito em tempo recorde, a partir do conhecimento do caso de Fafe, em meados de Julho. No entanto, é um trabalho jornalístico bem estruturado, objectivo, sério, estribado numa linguagem escorreita, acessível ao comum dos leitores, e de inegável interesse para o conhecimento do caso.
Em 20 de Agosto, a cultura fafense foi enriquecida com a edição de um livro de um (inesperado) autor fafense, 75 anos, emigrante no Canadá, há mais de quatro décadas. A obra tem por título A noite fatal de um comunista, é seu autor João Freitas, e o prefácio tem a assinatura de Carlos Afonso. A edição é, como habitualmente, da Labirinto.
A noite fatal de um comunista é a biografia romanceada do anti-fascista Joaquim Lemos de Oliveira, o “Repas”, barbeiro de profissão, comunista por opção, porventura o mártir maior da liberdade em Fafe.
Mais para final do ano, em 5 de Novembro, foi apresentada no Estúdio Fénix, a obra Retratos do Tempo e da Memória, da autoria do conhecido jornalista e colaborador deste jornal Professor Alberto Alves e que retrata, basicamente, os primeiros 75 anos da vida do Grupo Nun’Álvares (GNA), desta cidade.
A obra de 280 páginas está escrita numa linguagem clara, escorreita e acessível, o que não surpreende se tivermos em conta a actividade profissional do seu autor e a sua forte ligação ao jornalismo, sobretudo local e por isso à arte de bem escrever.
É um livro bem organizado e agradavelmente estruturado, numa perspectiva cronológica e tocando nos pontos fundamentais da vida do GNA.
É, enfim, uma obra profusamente ilustrada, com imensas fotografias, muitas delas curiosíssimas e deliciosas, permitindo reviver momentos, eventos, encontros, pessoas, memórias de ¾ de século da vida do grupo que é referência da cultura, recreio e desporto da cidade.
Mais recentemente, e para concluir, em 11 de Dezembro, registou-se o lançamento da obra poética Ave Sem Asas, belo e sentido livro de estreia de Ana Martins que, embora natural de Santarém, reside em Fafe (na Urbanização do Sol Poente) há 17 anos, considerando-se, assim, ribatejana de nascimento, mas fafense por adopção.
Filha de pai militar e mãe doméstica, passou a infância entre África e Portugal. Desde muito jovem começou a sentir afeição pela escrita, escrevendo num diário os seus primeiros trabalhos, como acontece a tantas jovens.
Este primeiro livro de Ana Martins é a concretização de um sonho que teve início com a divulgação das suas poesias na internet, através do seu blogue http://avesemasas.blogspot.com/.
Publicando fora de Fafe, registamos mais dois autores fafenses. Benedita Stingl voltou à escrita para crianças com o título Pela Mão das Palavras – Descobrir Rimando, com ilustrações do seu filho Luís Henrique Stingl. Uma obra encantadora para os mais pequenos, sobre o nascimento e a descoberta do mundo e das coisas, que se seguiu a A Ponte dos Sonhos – Estórias com Rima, publicada no ano anterior.
Referência ainda para um pequeno livro do professor Armando Freitas Ferreira, a que me ligam laços de imensa amizade, com o título Sentimentos e afectos. Trata-se de um livrinho de poemas, publicado em Novembro, em Garfe (Póvoa de Lanhoso), com pouco mais de vinte textos muito íntimos, dedicados à família, aos seus ex-alunos, ao seu ambiente, à sua vida. Armando Ferreira é natural de Fornelos (1941) e reside há décadas na referida freguesia povoense, depois de ter dado aulas em escolas primárias das freguesias de Vila Cova, Travassós e Serafão.
Como se verifica, os autores de Fafe estiveram em grande plano neste ano que está a expirar e que, creio bem, ainda vai deixar imensas saudades!.... A cultura de Fafe está assim de parabéns, bem como os seus autores, como se acaba de referenciar.
Para quem andou distraído, quisemos deixar este brevíssimo inventário sobre o que de melhor aconteceu em Fafe na área das letras.

(Texto publicado no Suplemento Cultural do jornal Povo de Fafe, nº 2097, de 31 de Dezembro de 2010)

domingo, 26 de dezembro de 2010

AS PALAVRAS E O TEMPO


as palavras são como os dedos,
belas e diferentes
apetece tecê-las das manhãs
e do orvalho,
debruá-las do vento e do cais
onde os barcos atracam,
como se fossem os lábios

as palavras são como o tempo,
antigas, rumorosas
fugidias, tais os melros
que escapam da primavera
para noivar os trigais

as palavras são a memória
das lajes e dos baraços
esculpidos no coração da criança
que teima inocente nos piões
como se não houvera milhares de dias
entre o passado e o futuro

as palavras e o tempo,
ou as águas do mesmo rio
inseguro

Foto: exposição do Museu de Serralves

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

EM CADA NATAL, O MENINO


Quando eu era pequenino
Havia um Menino
Que nascia, pontual,
No presépio
Em cada Natal.

O tempo passou.
Já não sou criança
Mas a minha infância
Continua, maquinal
A nascer
Com o Menino
Em cada Natal.

Artur Coimbra

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

UM DOS MAIS BELOS POEMAS DE NATAL


Desenho de  Isolino Vaz, 1961
 História Antiga

Era uma vez, lá na Judeia,  um rei,
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquele figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E na verdade, assim acontecia,
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Ou não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

AMÉLIA FERNANDES: 25 ANOS DE POESIA


Maria Amélia Fernandes, conhecida como “Poetisa de Arosa”, acaba de comemorar os seus 25 anos de vida literária, no âmbito de uma sessão que teve lugar na sua freguesia natal e que contou com a presença de diversos amigos e individualidades, como o Presidente da Câmara de Guimarães, António Magalhães, a vereadora da cultura da Póvoa de Lanhoso, Fátima Moreira, o político e professor universitário Manuel Monteiro e o editor da obra, Barroso da Fonte. Na ocasião, foi apresentado o seu mais recente livro, O Céu, O Infinito e Eu.
A poetisa já por diversas vezes apresentou livros seus em Fafe, cidade a que está ligada por laços de amizade a diversos pessoas.
Nascida em 1956, antiga operária têxtil, hoje aposentada e licenciada em Estudos Artísticos e Culturais pela Universidade Católica, Amélia Fernandes subiu a vida a pulso. Publicou o seu primeiro livro, Ondas de Palavras em 1985 e a partir daí editou mais de uma dezena de obras poéticas e alguns livros dedicados à infância.
Tive o privilégio de prefaciar e apresentar alguns dos seus livros. Para este último, evocativo das suas “bodas de prata”, escrevi um breve texto que passo a transcrever.

UMA OBRA A PULSO

Falar da poetisa (abomino o conceito “poeta no feminino”…) Maria Amélia Fernandes é evidenciar, desde logo, uma amizade antiga e uma admiração permanente, que não cessa de aumentar.
Fui assistindo, desvelado e atento, à revelação de uma escritora de gabarito por debaixo de uma mulher aparentemente frágil mas denotando no quotidiano a fibra dos vencedores!
Acompanhei a aventura da publicação dos seus livros de poesia, que evidenciam um crescimento contínuo, fruto de um trabalho oficinal que se foi apurando de obra para obra. E já lá vai mais de uma dezena!...
Do mesmo modo, não deixo de exaltar os seus contos plenos de fantasia para crianças (de todas as idades) que acabam por ser o espelho do coração de uma mulher que se manterá eternamente jovem no seu interior radioso.
De operária, na vida real, a operária das palavras e das emoções foi um percurso que traçou com a naturalidade de quem faz do olhar o seu ofício de condenação às palavras.
De artesã se fez mestra: na vida, na formação académica, na poesia. É notória a sua evolução aos diferentes níveis.
A “Poetisa de Arosa”, como é carinhosamente reconhecida, é hoje uma feliz confirmação. Uma autora que se fez a pulso, livro a livro, sacrifício a sacrifício, tal como aconteceu com a vida da mulher que lhe dá o ser, que do nada se fez tudo.
A obra que o leitor tem entre mãos e que comemora jubilosamente os 25 anos da vida literária da autora, a partir da edição de Ondas de Palavras (1985), assume a sua maturidade literária.
Maria Amélia Fernandes apossou-se de uma panóplia de recursos literários e estilísticos que embelezam os seus poemas, adornando os seus sonhos, os seus anseios, as suas emoções, fazendo dos seus textos lugares apetecíveis de leitura e deleite literário. Já não há nas páginas que escreve apenas impulsos primários de uma alma em ebulição; há a serenidade ansiosa de um coração permanentemente em busca do seu rosto.
Na esteira de Eugénio de Andrade, que tanto amamos, não podemos deixar de evidenciar que “o acto poético é o empenho total do ser para a sua revelação”. O poeta é esse ser “sedento de ser”, que tem a nostalgia da unidade e o que procura nos seus versos luminosos é uma reconciliação, “uma suprema harmonia entre luz e sombra, presença e ausência, plenitude e carência”.
Os poemas seguintes são um grito lancinante e obsessivo de procura de um amor (im)possível, que se busca e que foge, que aparece e desaparece, que se sonha e se desespera, que se pinta com as cores do silêncio, da raiva e da luz. Um tratado sobre o amor, a sua paixão e a sua loucura, nas suas mais diversas cambiantes, que acaba por traduzir uma das tradições poéticas da história da literatura. Não há vida sem amor, como não há amor sem a agitação e o desassossego incessantes da vida.
Com estas palavras quero reiterar a afeição que cultivo há muitos anos pela vida e obra de Maria Amélia Fernandes, deixando-lhe nesta oportunidade um abraço de felicitações e um ramo de flores de enorme e festiva amizade.
Bem-haja por tudo o que tem feito pela poesia portuguesa!