terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

TIM foi um espectaculo em Fafe


O cantor TIM e as suas músicas que toda a gente canta maravilharam as três centenas de pessoas que tiveram a felicidade de presenciar a actuação do magistral vocalista e guitarrista dos Xutos e Pontapés que, na noite de sábado, não se cansou de elogiar a mítica sala de espectáculos que é o Teatro-Cinema de Fafe. É, sem qualquer dúvida, o orgulho de todos nós, pela sua beleza ancestral e pela sua acústica.


Os espectadores extasiaram-se com os temas que foram interpretados ao longo de hora e meia pelo conceituado artista, no começo do ciclo "Fafe em Concertos Íntimos". A seguir, no mesmo âmbito, vêm a Fafe outros nomes sonantes da música nacional como Sérgio Godinho (16 de Abril), Teresa Salgueiro (18 de Junho), Rita Redshoes (Outubro) e a fadista Carminho (10 de Dezembro).
Fafe está a entrar no mapa dos grandes espectáculos nacionais.
A sala é pequena? Sem dúvida alguma, para estes eventos que todos procuram. Mas é frequentemente grande para muitos outros espectáculos de inegável qualidade, que passam ao lado de alguns paroquianos locais que preferem mandar pelo ciberspaço os seus "bitaites" despropositados, porque não acompanham minimamente a cultura que se produz ou realiza em Fafe, não aparecem em realizações culturais, não acompanham o lançamento de um livro, a abertura de uma exposição, a representação de uma peça de teatro. 
Mas falam, falam... E não dizem nada!...
Fotos: Manuel Meira Correia

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Geração à rasca ou o que quer que seja


Ricardo Campus
É, por estes dias, incontornável ouvir falar (ou até escarnecer) da “geração parva”, da “geração à rasca” ou de outras etiquetas geracionais que, periodicamente, enxameiam a comunicação social e o espaço virtual.
Na base do debate, está sobretudo a letra da canção “Parva que Sou”, do grupo Deolinda, que já detinha músicas interessantes e que andam de boca em boca, como Movimento Perpétuo Associativo, a qual reza coisas interessantes como

Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar! 
Agora sim, eu sinto o optimismo! 
Vamos em frente, ninguém nos vai parar! 
Agora não, que é hora do almoço...
Agora não, que é hora do jantar/ (…)
Agora não, que me dói a barriga...
Agora não, dizem que vai chover...
Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...
Concluindo, magestaticamente com um

Vão sem mim, que eu vou lá ter....

Pois, o grupo da vocalista Ana Bacalhau acaba de inventar o hino de toda uma geração, que rapidamente se identificou com a letra da mais recente criação do grupo, de titulo “Parva que sou”. Não é a geração rasca, embora esteja à rasca; é a já apelidada “geração parva”.
O mais curioso e paradoxal é que se trata de uma música que nem sequer está editada e que foi interpretada apenas nos espectáculos dos Coliseus de Lisboa e do Porto. Mas a letra caiu absolutamente no goto da maioria dos presentes, saltou para os telemóveis, os blogues, o facebook, o youtube. Não há hoje quem não ouça falar da canção escrita pelo músico Pedro da Silva Martins: citada, recitada, parafraseada, a propósito de tudo e de nada, até caricaturada (os castiços Homens da Luta contrapõem “Esperto que eu sou”).
Porque é que tantos jovens se identificam com o teor de uma canção apenas e a transformam no seu hino geracional?
Pura e simplesmente porque retrata, de um modo cruel e realista, a vida e a desesperança de milhares de jovens portugueses, nos dias de hoje. Jovens, até à casa dos 30 anos, na sua maioria licenciados, muitos com mais altas qualificações, mas reduzidos à precariedade, com remuneração escassa ou apenas prolongando estudos e estágios para enganar o desemprego. Como referia o Público de 13 de Fevereiro, os diplomados precários mais do que duplicaram nos últimos dez anos. Se em 2000, eram 83 mil, hoje já ultrapassam os 190 mil, o que é arrepiante. E com tendência a crescer para números impensáveis: basta esperar pelo próximo ano lectivo, que vai desaguar em dispensas de professores e na impossibilidade de acesso aos contratados…
São jovens sem presente, mestres em tecnologia alimentar a vender pipocas no cinema, agrónomos a vender electrodomésticos, licenciados em letras a trabalhar nas caixas dos supermercados. Jovens qualificados sem férias, sem sistemas de saúde, sem direitos sociais, sem horas extras pagas. Jovens sem perspectivas, que não abandonam a “casinha dos pais”, obviamente, por falta de condições financeiras, que não de vontade, que adiam os projectos de vida, o casamento, os filhos, para as calendas. Jovens cujo diploma académico apenas dá acesso à vida de escravo, como bem expressam os Deolinda.
De quem a culpa? De ninguém, à partida, porque em Portugal ninguém é responsabilizado por coisa nenhuma. A culpa é dessa coisa informe, sem começo nem fim, sem rosto nem cartão de cidadão, que é o que se chama habitualmente sistema político e económico. De um sistema de ensino que qualifica as pessoas, mas não garante saídas profissionais, abandonando-as num patamar do género “cada um que se desenrasque, o mercado é que deve funcionar”, como manda a selvática cartilha liberal que os nossos governantes (estes e os outros) sabem recitar na perfeição, quando não os afecta a eles e aos seus séquitos. Quando tal acontece, fazem leis especiais que cubram a situação específica do filho do secretário de Estado, da neta da porteira ou do genro do motorista. Sistema de ensino, enfim, que concede “canudos” que não servem para nada, não tendo aplicabilidade alguma. Uma vez mais, ninguém é responsável por enganar e ludibriar centenas de alunos universitários que investem em cursos, no ensino público ou no particular, que não vão dar a lado nenhum. A culpa é também da economia que não responde nem tem capacidade de absorver os mais habilitados, preferindo pagar salários de escravos para baixas qualificações. Finalmente, da famigerada crise de que se não lobriga o fim. Todavia, economia e crise são bodes expiatórios de costas largas a que todos recorrem quando convém mas que não explicam nem de perto nem de longe muitas das entorses de que sofre o presente deste país, em particular.
Esta é, então, a geração sacrificada pelos excessos cometidos pelas anteriores, o mor das vezes sem a mínima consciência de que estavam a hipotecar o futuro. E ninguém sai imune dessa culpa colectiva de termos transformado o futuro dos nossos filhos numa selva sem leis, sem regras e sem uma luz ao fundo do túnel. Mas haverá sempre alguém mais responsável que outros, embora, como é da praxe, os decisores sejam os primeiros a lavar as su(j)as mãos de Pilatos…
Esta geração dos “quinhentos euros” parece que tarda em vingar-se do mal que estão a fazer-lhe. Aliás, só no seio de um povo acomodado, brando de costumes e habituado a não reagir, como o português, é que uma geração com este desconforto não degenera em revolta, na busca de uma afirmação social, cultural e económica que lhe está vedada.
Anuncia-se uma manifestação para 12 de Março, organizada pelo grupo Protesto da Geração à Rasca, um movimento que se diz "apartidário, laico e pacífico", para demonstrar o descontentamento de milhares de jovens portugueses precários.
Como referiu por estes dias o sociólogo Manuel Villaverde Cabral, “é difícil ultrapassar a viscosidade da nossa situação política mas oxalá que venham para a rua e isso contribua para uma reforma política sem a qual Portugal vai a pique". Os políticos que se acautelem, porque a força dos movimentos sociais há muito que se libertou e autonomizou dos condicionalismos dos sistemas partidários, em Portugal, como em outros tantos lugares do mundo!

Nota: o cartun que ilustra este post é da autoria de Ricardo Campus e integra uma belíssima exposição que está patente na Casa Municipal de Cultura de Fafe, desde a passada sexta-feira e até 4 de Março. Chama-se Dignidade - Exposição Internacional de Cartoon e foi organizada pela Feco Portugal - Associaçao de Cartoonistas e pela Aministia Internacional. Fafe é a quarta cidade a receber aquela interessante mostra de cartunes, que engloba dezenas de trabalhos de caricaturistas de mais de trinta países.
A ver, sem dúvida! 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tim & Companheiros de Aventura abrem sábado "concertos íntimos" em Fafe

Tim abre este sábado um novo conceito musical no Teatro-Cinema de Fafe: Fafe em Concertos Íntimos.
O espectáculo (21h30) já está esgotado há duas semanas e nele o vocalista e guitarrista dos Xutos e Pontapés apresenta, para além de originais seus, belíssimas canções de outros compositores, compostas e partilhadas pelos seus Companheiros de Aventura. As canções de Rui Veloso, Mário Laginha, Celeste Rodrigues e Vitorino estão presentes no seu espectáculo, em temas únicos e inesquecíveis.
O objectivo do conceito Fafe em Concertos Íntimos, constituídos por cinco espectáculos, é colocar Fafe na rota da programação musical de qualidade do nosso país, criando uma ligação íntima entre grandes nomes do panorama musical nacional e o público da cidade.
Cada edição será preenchida por esta energia, por este encontro entre os que criam e os que fruem, saindo desse instante algo de muito peculiar e que fará do Teatro-Cinema a mais íntima das salas portuguesas ao longo das suas tardes e noites de conversa e de concerto.
A estrutura dos concertos íntimos subdivide-se em três momentos:
- A recepção ao artista pelas autoridades locais e a apresentação dos lugares de maior interesse, acompanhados por órgãos de comunicação social que estarão autorizados a produzir entrevistas e reportagens sobre a visita do artista a Fafe.
- Uma conversa de natureza mais íntima entre o artista e um grupo de cidadãos que previamente já estruturaram o encontro a ter lugar na Sala Manoel de Oliveira, sendo este grupo preferencialmente estudantes. Este sábado, a conversa tem início pelas 15h00. Nas sessões posteriores, o artista virá de véspera encontrar-se com os seus admiradores.
- O concerto acústico também ele com características íntimas, revisitando as músicas mais significativas e os principais temas que mais inspiraram a carreira do artista.
O projecto Fafe em Concertos Íntimos continua em 16 de Abril com Sérgio Godinho e em 18 de Junho com Teresa Salgueiro. Em 8 de Outubro será a vez de Rita Redshoes e em 10 de Dezembro a fadista Carminho.
Nomes grandes para uma nova estratégia cultural em Fafe, que privilegia a qualidade, a diversidade e a regularidade dos eventos, que não se esgotam naquele conceito, mas se espraiam por actividades e espectáculos de outras áreas artísticas, como o teatro, a comédia e a dança, num espaço mítico, como é o Teatro-Cinema, em que as potencialidades e os valores locais também têm o seu lugar indeclinável.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O suposto Dia de S. Valentim


Imagem da net

É suposto que o Dia de S. Valentim (14 de Fevereiro) seja o dia dos namorados.
É suposto que o Dia de S. Valentim seja o universal e decretado dia do amor.
É suposto que no Dia de S. Valentim os namorados comprem prendas para oferecer aos parceiros que amam, ainda que para cumprir uma tradição...fabricada ou imposta.
É suposto que no Dia de S. Valentim os namorados ofereçam flores às namoradas, ou um perfume, ou um livro, ou um CD. Ou apenas um beijo de amor, que muitas vezes vale mais que todos os objectos do mundo.
É suposto que no Dia de S. Valentim os namorados teçam carícias, e se amem, e se intercomuniquem numa química de desejo, como se o 14 de Fevereiro fosse o cume, o coruchéu, o píncaro, o paraíso do seu querer-se intensamente, sem meias medidas, como se nada mais houvesse no mundo que duas almas em transe.
É suposto que no Dia de S. Valentim haja amor, torrentes de amor, mas o que acontece é sobretudo comércio, e o fanatismo do consumo, e corações vermelhos de ternura, e postais entronizando os cupidos e as suas venenosas setas e toda uma parafernália nas montras a lembrar-nos que quem não entra na “orgia mercantilista” se auto-exclui do “espírito” organizado para “vender” este dia...
É suposto que no Dia de S. Valentim os casais que se amam se juntem, e beijem, e falem, e passeiem, e jantem, e se divirtam, como deveriam fazer na normalidade dos dias que passam...
É suposto que no Dia de S. Valentim namorados sejam todos os que se amam, independentemente das idades, das condições sociais, dos estatutos legais.
É suposto que no Dia de S. Valentim, ao menos nesse dia, a espiral da violência doméstica não faça mais vítimas.
É suposto que no Dia de S. Valentim não haja coisas assim...
É suposto que o Dia de S. Valentim seja uma espécie de Dia de Natal tardio, com flores em vez de conflitos, sorrisos no lugar nas lágrimas, mãos dadas em vez de portas fechadas. O triunfo da alegria, da solidariedade, da tolerância, da primavera que se aproxima, como se o presépio estivesse montado todo o ano num dos cantos do nosso coração.
É suposto que o Dia de S. Valentim não seja apenas uma mísera página do calendário que logo se arranca e se esquece, feita a contabilidade dos euros apurados ou da euforia comemorativa.
É suposto que o Dia de S. Valentim seja um dia como os outros, um S. Valentim todos os 365 dias, em que se ama, e se trocam sorrisos, e se oferecem rosas, e se enfeitam olhares com o calor das papoilas.
É suposto que o Dia de S. Valentim não tenha qualquer sentido, porque desnecessário, porque absolutamente inútil e redundante. A razão dos famigerados “dias de...” está na sem razão de uma prática que os vai tornando necessários, quando deveriam ser execrados, porque dispensáveis.
O Dia de S. Valentim acaba por comemorar um mundo sem amor, desde logo entre os namorados e por isso o apelo desenfreado ao consumismo, para compensar o afecto que às vezes escasseia, ou a atenção que o ser amado merecia e que as circunstâncias da vida vão dificultando.
Porque namorar é preciso, todos os dias, é suposto que o Dia de S. Valentim seja reduzido à sua verdadeira dimensão de mais um pretexto para dizer o quanto queremos à pessoa que amamos.
É suposto que o Dia de S. Valentim não mais seja mais que isso!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Concerto de amor este sábado no Teatro-Cinema de Fafe

A Academia de Música José Atalaya promove este sábado, dia 12 de Fevereiro, pelas 21h30, no Teatro-Cinema de Fafe, um concerto a que, pela proximidade do Dia dos Namorados, decidiu chamar “Love Concert”. Ou, concerto de amor.
Teremos oportunidade de assistir a um espectáculo em que músicos de uma linha clássica executam obras mais ligeiras e de fácil audição (algumas da música ligeira) num espectáculo diferente, de bom nível e acessível a todo o tipo de público.
O espectáculo tem a duração de hora e meia, com intervalo e inclui a interpretação de temas como Sentimentos – Musical Bela e o Mostro (Alan Menken), Dedicato a Lei (Giosué de Vincenti), Rondo – Finale – Op.53, nº3 (W. Gabrielskz), Tico – Tico no fuba –(Zequinha Abreu), Noturno nº3 (F. Mocino), “Two Of a Kind” – Andante e Allegro (G. Lewin), “Aria Papageno” (Mozart – Arr. A. Van Der Hagen), Una Furtiva Lagrima – Ópera “Elisir d’Amor” (Donizetti), Feelings (Morris Albert & Louis Gaste), Doce de Côco – Bandolim, Soni Boy (A.Jolson),  Serenade (M. Arnold), Nuovo Cinema Paradiso (E. Morricone), Somewhere (L. Bernstein), Amanhecer  (F. M. Torroba), La Boda (F. M. Torroba), Vacanze Romana (Matia Bazar) e E Depois do Adeus.

Preço de entrada: 2 euros

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O BOM E O MAU GOVERNO

1. No final da passada semana, o Governo em peso saiu à rua para inaugurar os melhoramentos feitos em 21 escolas secundárias do país. Ministros e secretários de Estado dispersaram-se pelo território nacional, para uma grande jornadas de glorificação da educação. Tal como referiu, e bem, o primeiro-ministro José Sócrates, “a educação é o grande projecto para Portugal”.
Na verdade, como primeiro passo, a requalificação dos edifícios e a dotação das escolas com os mais modernos meios e condições para o ensino e a aprendizagem, são opções estratégicas de louvar, para que o país possa sair do secular e atávico atraso em que se encontra, neste sector, se bem que as coisas estejam a evoluir favoravelmente nos anos mais recentes.
É, na verdade, gigantesco o investimento já realizado e a realizar até 2015 no programa de modernização das escolas executado pela empresa Parquescolar: intervenção em 370 escolas do ensino secundário, 78 do segundo e do terceiro ciclos e em 571 centros escolares. O montante global envolvido até agora ascende a 1,3 mil milhões de euros e permitiu criar 13 500 postos de trabalho, o que, a ser verdade, constitui um óptimo sinal para a economia portuguesa e para o sombrio panorama do desemprego deste país.
José Sócrates, reafirmando o seu orgulho, justificado, na aposta estratégica na educação, terá mesmo “criado” um novo slogan, a crer na imprensa: “Mostra-me a tua escola, dir-te-ei que nível de desenvolvimento tens”. Já vimos, exteriormente, algumas dessas escolas: que bonitas e agradáveis ficaram, depois das obras, que dignificam e enobrecem de sobremaneira quem as promove.
Está no bom caminho o Governo ao investir fortemente nas políticas educativas, desde a base, nomeadamente com a introdução do inglês no primeiro ciclo, a criação das actividades extracurriculares, a “escola a tempo inteiro” e a recuperação do ensino profissional na escola pública. Sócrates vangloria-se que “Portugal tem hoje 81 por cento dos seus jovens com 20 anos na escola. Atingimos a média dos países mais desenvolvidos do mundo”.
Não sei se a percentagem é essa ou não, se os números são ou não fiáveis, ou se incluem a devida dose propagandística. Mas que tem havido um tremendo esforço na educação nos últimos anos (em Fafe também tem sido opção estratégica, louvavelmente), apesar da crise, não restam dúvidas, transformando as escolas em “espaços contemporâneos adequados às funções a que se destinam”, como gosta de salientar a ministra Isabel Alçada, destacando a qualidade das salas, das bibliotecas, dos laboratórios, das oficinas, das instalações desportivas, dos espaços para estudo e para os docentes.
Esse esforço nos factores externos, deve ser complementado com outras medidas tão ou mais importantes, e são as que se dirigem aos recursos humanos, docentes e discentes, no sentido de redignificar a função docente e reforçar a autoridade do professor na sala de aula, acabar com o facilitismo do sistema educativo actual, voltado apenas para as estatísticas comunitárias e conquistar a comunidade educativa para uma maior participação na vida escolar, entre outras. Este o bom governo, que não me canso de aplaudir e exaltar…

2. Contudo, há outras acções do governo que merecem as maiores reservas. Desde logo, e ainda na educação, noticia-se que mais de 40 mil alunos do ensino superior podem ficar sem bolsa, em resultado da aplicação do novo regime de atribuição de apoios, o qual, ao que se ouve, vai excluir milhares de estudantes. Em pano de fundo, obviamente, estão os cortes orçamentais. Fala-se já no abandono de inúmeros estudantes do ensino superior, por não terem dinheiro para pagar propinas e as despesas com habitação e alimentação. Há alunos em situações aflitivas, já arrependidos de terem acedido ao ensino superior e outros que se vêem na contingência de terem de trabalhar para pagar os seus estudos.
O que apetece dizer sobre isto é que os cortes não podem ser indiscriminados, sendo necessária uma criteriosa verificação da situação de cada aluno, para que não continuem a ser beneficiados os descendentes de empresários, profissionais liberais e outros que tais (que declaram ao fisco ordenados mínimos…), e que se deslocam de Mercedes ou de Audi para as universidades, enquanto quem de facto necessita se vê espoliado do seu direito à educação superior. Casos desses não são raros…
Nessa “estratégia do corte” indiscriminado acabam de ser penalizados milhares de beneficiários da Segurança Social. A partir de 31 de Janeiro, mais de 70 mil perderam o direito ao abono de família. Estas pessoas juntaram-se às outras 383 mil que já tinham deixado de receber o apoio social em Novembro, por ocuparem os escalões mais altos (“altos” é uma forma de dizer!...).
Mas não são só 453 mil os afectados. Há ainda um milhão de beneficiários que perderam a majoração de 25% que tinha sido decidida em 2008.
Estes cortes no abono de família permitem ao Estado poupar cerca de 250 milhões de euros. E podem não ficar por aqui, como noticia a comunicação social: o Governo vai proceder à reavaliação das prestações sociais destinadas a mais de 823 mil beneficiários. Poupar, cortar, suprimir, excluir, são os verbos conjugados pelo governo. Não sabe outros!...
Milhares de pessoas já nem têm dinheiro para pagar água, luz e telefone e muitos outros milhares viram os seus apoios suspensos pela Segurança Social, já este mês.
Falamos de portugueses pobres ou a caminho da pobreza. É com estes fracos que José Sócrates é forte, não com os bancos, as Telecoms, as EDP, os gestores de topo!...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Artista fafense Miguel Vasconcelos premiado em Carballo, Coruna

Galeria dos premiados
O artista Miguel Vasconcelos, obteve ontem o segundo prémio e o 1º prémio para a melhor obra portuguesa, na nona edição da Bienal de Pintura do Eixo Atlântico e recebeu o galardão das mãos de Iolanda Otero, subdirectora geral de Juventude da Galiza. 
Na sessão, realizada em Carballo, Coruna, estiveram presentes Victor Dias, director do Instituto Português da Juventude e Maria Geraldes, da Fundação da Juventude.
Miguel Vasconcelos, embora natural de Guimarães, vive em Fafe desde sempre, sendo professor na Escola EB2,3 de Montelongo, nesta cidade.
Segue-se a notícia do jornal A Voz da Galicia:

Creadores de Galicia e do Norte Portugal e autoridades de ámbolos dous lados da raia déronse onte cita en Carballo para, a través da cultura, estreitar e fortalecer os lazos que unen a estas dúas rexións. A entrega de premios da novena edición da Bienal de Pintura do Eixo Atlántico trouxo á capital bergantiñá unha interesante colección de obras, que, unha vez remate a súa estadía no Pazo da Cultura -o día 28 deste mes-, iniciará un longo percorrido que a levará por boa parte Galicia e do Norte do Portugal ata finais do 2011.
A pontevedresa Monserrat Frieiro Dantas recolleu de mans de Manuel Martínez Bestilleiro, responsable da Novacaixagalicia para as bisbarras de A Coruña e Bergantiños, o primeiro premio da bienal, pola obra Camiño. O segundo premio á mellor obra portuguesa foi para Miguel Vasconcelos, que recibiu o galardón de Iolanda Otero, sudirectora xeral de Xuventude, e o da mellor obra galega, para Joseba Muguruzábal Pérez, que non puido estar onte en Carballo, polo que se encargou de recollelo Raquel Iglesias Gándara, gañadora tamén do primeiro premio aos novos talentos luso-galaicos. Víctor Díaz, director do Instituto Portugués da Juventude e María Giraldez, da Fundacao da Juventude, entregaron estes dous últimos galardóns no transcurso dun acto que congregou a numeroso público e algúns recoñecidos artistas locais, coma Manuel Facal.