sexta-feira, 11 de março de 2011

SEGUNDAS JORNADAS LITERÁRIAS DE FAFE ENVOLVEM O CONCELHO, DE 14 A 21 DE MARÇO

Com o objectivo de promover a cultura e incentivar o gosto pela leitura entre a população em geral, mas sobretudo junto dos mais jovens, o Município de Fafe vai promover, conjuntamente com todas as escolas e agrupamentos de escolas do município, e outras entidades culturais, as Segundas Jornadas Literárias de Fafe, previstas para a semana de 14 a 21 de Março, sob o lema “Palavras com Liberdade.
Além do município, estão envolvidos na organização a Escola Secundária, os Agrupamentos de Escolas Prof. Carlos Teixeira, Montelongo, Arões, Silvares e Padre Joaquim Flores, a Escola Profissional e o Colégio da ACR Fornelos, bem como o Núcleo de Artes e Letras de Fafe, o Cineclube de Fafe, a editora Labirinto e a Academia de Música José Atalaya.
Pretende-se concretizar uma festa da cultura e da literatura, materializada no encontro com escritores, no lançamento de obras literárias, na realização de recitais de poesia, na passagem de filmes sobre escritores, em diversos espectáculos de teatro para a população escolar, em espectáculos destinados ao público em geral, entre muitas outras actividades a levar a cabo em cada agrupamento e escola. As tradições e o património imaterial estarão bem presentes nesta segunda edição das Jornadas Literárias, o evento cultural que, segundo o Vereador da Cultura, Pompeu Martins, “será o mais participado que vamos ter durante o ano”.
Na verdade, os momentos altos serão os três espectáculos que marcam o evento: o de abertura, no Pavilhão Multiusos, logo na noite de segunda-feira, 14 de Março, com o título “Palavras com Liberdade”, que juntará centenas de jovens estudantes dos diferentes estabelecimentos de ensino do concelho, em números de dança, música e animação, sempre sob a égide dos escritores e das palavras literárias; o do dia 19 de Março, “Memórias de um Povo”, que avivará tradições, usos e costumes e levará ao Multiusos centenas de populares de todo o concelho; finalmente, o espectáculo de encerramento, no dia 21 de Março, sob o título “Ser Poeta é Ser Mais Alto”, no Teatro-Cinema, durante o qual serão entregues prémios literários, será declamada poesia e se assistirá à recriação de uma obra de Fernando Pessoa (Mensagem), pela Academia de Música José Atalaya.
O pontapé de saída das Jornadas acontece na segunda-feira, logo pelas 10h00 da manhã, com o hastear da bandeira em cada escola e com a arruada pela cidade, anunciando os dias festivos.
Depois, ao longo da semana, haverá um dia para cada escola, a que estará associado um patrono, em torno do qual girarão as actividades desse estabelecimento de ensino ou agrupamento de escolas: na segunda-feira, 14, o dia é da Escola Secundária, em torno de José Saramago e do Colégio de Fornelos, em torno de Pompeu Martins; na terça-feira, o Agrupamento de Escolas de Arões aborda Rosa Lobato de Faria; na quarta, o Agrupamento de Escolas Prof. Carlos Teixeira desenvolve actividades em torno de Fernando Pessoa; na quinta-feira, os Agrupamentos de Escolas Montelongo e Silvares, repartem o dia, entre as escritoras Sophia de Mello Breyner Andresen e Alice Vieira, enquanto na sexta-feira, a Escola Profissional aborda Luís de Camões e o Agrupamento de Escolas Padre Joaquim Flores se concentra na memória do seu fundador.
Durante a semana, diversos espaços culturais da cidade, entre os quais o Teatro-Cinema, a Sala Manoel de Oliveira e a Biblioteca Municipal serão palco de actividades voltadas para os públicos escolares e o público em geral.
A sala principal vai ser palco, designadamente, dos espectáculos de teatro “Murder at the Manor” (dia 15), “Auto da Barca do Inferno” (16) e “Deixem o sexo em paz” (18), todos para o público escolar. Ainda a 18, à noite, realiza-se o espectáculo “As Palavras e o Tempo”, do Agrupamento de Arões.
Outros destaques: na terça-feira, dia 15, pelas 21h30, é exibido o documentário “José e Pilar”, enquanto na noite de quarta, dia 16, o escritor Moita Flores desloca-se à Biblioteca Municipal para falar da sua obra e em especial de Mataram o Sidónio!
Quanto a novos livros: na noite de quinta-feira, 17 de Março, é apresentada a obra A Ilusão do Breve, de António de Almeida Mattos, pela Professora Isabel Pires de Lima, enquanto na noite de sexta-feira, é apresentado o livro Antigo e Futuro, recolha de usos e costumes de Arões. Já na segunda, 21, pelas 18h00, acontece o lançamento da colectânea O Prisma das Muitas Cores, poemas de amor de poetas portugueses e brasileiros, na Biblioteca Municipal (todos edições da Labirinto).
De relevar ainda que as Jornadas, que, facto que não é comum, têm uma bandeira e um hino, com letra de Carlos Afonso e música da Academia de Música José Atalaya, dedicam o dia 21 a iniciativas voltadas para a comemoração do Dia Mundial da Poesia, com a “poesia na rua” e a inauguração de jardins da poesia (Escolas Secundária e Padre Joaquim Flores), entre outros eventos.
Junta-se o programa fundamental, sendo que o programa pormenorizado consta de uma agenda publicada a propósito das Jornadas e na qual se podem acompanhar as actividades realizadas em cada escola ou agrupamento em cada dia.

quinta-feira, 10 de março de 2011

RECITAL DE GUITARRA DE RICARDO BARCELÓ NO TEATRO-CINEMA DE FAFE SÁBADO À NOITE

O guitarrista Ricardo Barceló, professor da Academia de Música José Atalaya e exímio instrumentista, vai realizar um recital de guitarra este sábado à noite, 12 de Março, no Teatro-Cinema de Fafe.
A primeira parte deste concerto é constituída por obras originais do próprio intérprete, publicadas pela Diputación de Badajoz (Espanha) e pela editora AvA Editions: “Variações sobre um tema popular” recolhe um tema do folclore do Rio de la Plata e, a partir do mesmo, desenvolve-se livremente uma série de cinco variações: “Máscaras” é inspirada no ambiente característico do Carnaval, onde as emoções contrastantes que podem provocar as diferentes máscaras aparecem insinuadas em diferentes momentos do tríptico. Os “Estudos 3 e 4”, estão destinados a aperfeiçoar distintos mecanismos e recursos pouco usuais na guitarra clássica de certa complexidade, tais como o trémolo de cinco notas e os harmónicos artificiais.
A segunda parte do programa visa exaltar a riqueza da música erudita espanhola para guitarra, incluindo obras baseadas em diferentes danças do folclore andaluz: Seguidilla, Bolero, Malagueña, Sevillana, etc., de importantes autores espanhóis tais como F. Moreno Torroba, J. Turina, e E. Pujol. Este último residiu vários anos em Portugal, onde foi professor de vários dos actuais mestres deste país.
Um recital a não perder, para os apaixonados da música de qualidade!

Sábado, 21h30
Preço: 2 €
Duração: 70’
Classificação: M/3

quarta-feira, 9 de março de 2011

Estas “xistrices” à moda do Porto

Já passaram dois dias, e eu ainda não consegui perceber porque é que um árbitro sem qualquer categoria, que já tem “cadastro” em prejudicar o Benfica, foi nomeado para um jogo de risco e que se revelava demasiado importante para qualquer das equipas, muito acima da comprovada e reiterada incompetência do cavalheiro, que não tem culpa de não ser capaz de fazer melhor. Era claro que só um árbitro de nível superior seria ajustado a um jogo de previsível alto nível, como veio a acontecer.
Não foi isso que aconteceu. Daí se pode concluir, sem grande margem para dúvidas, que se não foi um “xistrice” encomendada, já se sabe por quem, andou lá perto.
O resultado está aí: tirando os habituais Leirós e companhia, tão do agrado do impoluto idoso que comanda a ponte do Freixo, é consensual que o Benfica foi monumentalmente extorquido na sua deslocação a Braga.
Razão tinha Jorge Jesus quando alertara na véspera que estava escrito que algo poderia acontecer, porque o árbitro era muito do agrado de Salvador e Mesquita, como se veio a verificar.
Se a um árbitro sem nível se pode tolerar a anulação do lance de golo que o Benfica criou na primeira parte, por “pretenso” fora de jogo de Cardozo, que não se verificou, raia a incompetência o lance fundamental que decidiu o jogo e precipitou a vitória do Porto no campeonato, que era no fundo o que todos queriam – a equipa de arbitragem e os bracarenses. Basta ver as reacções pategas de muitos “pintacostistas”…
Javi Garcia foi expulso, não há dúvida, pelo banco do Braga (se o lance tivesse tido lugar em outra zona do campo, sem o terramoto inventado pelo Domingos, nada teria acontecido, porque não tinha nada para acontecer). Só a incompetência deliberada de um fiscal de linha, na sequência da palhaçada (era Carnaval…) de um cabeludo bracarense, levou ao desenlace que todos queriam. Afirmam muitos analistas (excepto o Quim, bom moço, que me doeu ter saído do Benfica, mas acabo de perceber porquê, que se esqueceu do passado recente, e que já consegue ser mais azul e branco que o patrão…) que quem deveria ter sido punido era o bracarense, por fazer o teatro que a televisão mostrou (dava um grande actor, se tivesse alguma consciência artística) e que o lance seria absolutamente ao contrário. O Javi Garcia não teria sido expulso e o Roberto não voltaria às bocas do mundo por um golo que tantos guarda-redes sofrem nas mesmas situações, e que não teria feito grande mossa (como não fez no jogo com o Sporting, a meio da semana), se a verdade desportiva tivesse prevalecido. O que não foi o caso…
Este Braga-Benfica foi o jogo decisivo do campeonato, marcado indelevelmente, e negativamente, pela arbitragem, como já se antevia, de resto. Que não está num tão bom momento como muitos querem fazer crer, quando lhes interessa!...
E não é tão isenta, competente e imparcial como parece. Pessoalmente, há muito que deixei de crer na bondade dos árbitros, na sua neutralidade, na sua rectidão. Os árbitros erram muito, certamente, sem querer; mas também erram muito por querer. Não tenho disso qualquer dúvida!
No caso deste campeonato, está decidido desde as primeiras jornadas, para os clubes e para as arbitragens: desde a altura em que arbitragens miseráveis fizeram com que o Benfica perdesse em Guimarães, em casa com a Académica e na Madeira com o Nacional, com penaltis não assinalados, expulsões hilariantes (como a deste domingo…) e golos anulados, enquanto o Porto era levado ao colo pelos senhores do apito, para ir ganhando distância.
Não é que o Porto não mereça este ano ser campeão; até merece, por ser a equipa mais regular, o que a formação de Jorge Jesus não conseguiu ser.
Porém, não era preciso ter os homens de negro tão ou mais “papistas” que os jogadores do Porto e das suas sucursais de Braga, de Olhão e de outros emblemas suspeitos! …
Não substituam o alegado “campeão dos túneis” pelo bem-querido “campeão dos homens do apito”, o que, de resto, já não seria inédito no passado recente!...
NB - As declarações de Mesquita Machado ao jornal oficial do FCP, vulgo O Jogo, de hoje, são hilariantes, provincianas e de um clubismo rudimentar como há muito não se via. É um gozo lê-las...

terça-feira, 8 de março de 2011

Homenagem à mulher, no seu Dia Internacional


 À Minda, eterna namorada e amor dos meus dias

sim, eu sei que és o fogo
moldas  as pequenas coisas
com mãos de mar
e de gaivotas e de amor
em obras de arte sem par

cada instante transformas
numa eternidade de estrelas
onde apetece morar

das papoilas tens o sorriso quente
e a imensidão do silêncio
por haver

os frutos são teus e não da terra
as fontes cantam a sede
de repente
como cristais de música
ou luar a anoitecer

eu sei que és a luz e és a neve

branca e bela como as manhãs
quietas de sol
o corpo nu a boca breve
a minha casa onde enlouquecem
os barcos e navegam as rãs
de encontro às palavras
que apetecem

eu sei que és flor e alma
estrela e água
amante fêmea mãe
simplesmente mulher
que me chama
onde aprendo a ser
chuva deserto lume
ave ou cama
homem e primavera

segunda-feira, 7 de março de 2011

Teatro de Revista foi um êxito



Na noite de sábado, como estava programado, o Teatro-Cinema de Fafe recebeu o espectáculo Vamos à Revista… Carago!”, pela Companhia de Teatro do Norte, que durante mais de um mês esteve no palco do Teatro Sá da Bandeira, no Porto.
Durante mais de duas horas, os espectadores riram a bom rir com as múltiplas peripécias e quadros divertidos, com críticas sarcásticas à actualidade política e social deste país. A sala esteve a pouco mais de dois terços da sua capacidade, pelo que houve fafenses que acabaram por não assistir a um espectáculo cómico que teve o preço simbólico de 5 euros.
Desta vez, ninguém se pôde queixar de não ter bilhetes. A nossa intelectualite prefere ficar em casa ou demorar nos cafés da “24 de Julho” e depois vir para os blogues criticar que… não há bilhetes para ninguém. Claro que, para quem não quer assistir a nada, os ingressos estão sempre esgotados, ou são para os “amigos”, que ninguém sabe quem são, porque as críticas são sempre feitas a coberto do anonimato. Ou seja, cobardemente…
Por isso têm a importância que têm. 
Fotos: Manuel Meira Correia

sábado, 5 de março de 2011

Aviso aos internautas: ainda há bilhetes para os espectáculos no TC de Fafe

Avisam-se os desprevenidos internautas, onde quer que se encontrem, que, segundo fontes geralmente mal informadas:
1.     Ainda há cerca de uma centena de bilhetes disponíveis para o espectáculo de teatro de revista que tem lugar na noite (21h30) deste sábado, 5 de Março, no Teatro-Cinema de Fafe. Trata-se da peça Vamos à Revista… Carago!”, pela Companhia de Teatro do Norte. A revista é sempre um espectáculo do agrado dos fafenses e que tem enchido qualquer sala, do velhinho Fénix ao renovado TC. Não se percebe porque é que centenas de prestigiados e conhecidíssimos anónimos que habitualmente se preocupam, e bem, em comentários bloguísticos, por não haver bilhetes no Teatro-Cinema de Fafe, ainda não lotaram a mítica sala. Parece não haver explicação, porque bilhetes não escasseiam.
2.     Para este espectáculo de teatro apenas adquiriram bilhete (porque todos os espectadores compram o seu ingresso, sejam “amigos” ou “inimigos”) 12 funcionários da autarquia fafense, tal como aconteceu com o concerto do TIM, há duas semanas. Sinal de que alguém se anda a locupletar com entradas em nome de outrem. Invocando abusivamente o seu nome em vão. Ou de como a imbecilidade impera. E não só na blogosfera. Rima e parece ser verdade.
3.     E já agora, pedem para informar que a lotação para o concerto do Sean Riley & the Slowriders, a realizar em 26 de Março, no Teatro-Cinema, se encontra praticamente esgotada. Os funcionários da Câmara Municipal de Fafe, altamente beneficiados por estas acções e os outros “amigos” sempre citados nos blogues do burgo, já adquiriram 26 bilhetes na primeira semana em que estiveram disponíveis no Posto de Turismo. Já só há disponíveis 274 lugares. Se os interessados não se apressam, ainda se vão queixar de que é sempre a mesma coisa. Que em Fafe não se passa nada. Que é tudo uma oligarquia e até uma anarquia. Que são sempre os mesmos que vão ao Teatro e que frequentam os cafés e os bares, e outras coisas que tais…
4.     Quem vos avisa vosso amigo é. Depois não se queixem!...

sexta-feira, 4 de março de 2011

As mulheres na Implantação da República

Tive a honra de assistir, esta semana, no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, a uma sessão cultural em torno do tema “as mulheres na implantação da República em Portugal”.
A sessão foi organizada pelo município famalicense, pelo Museu Bernardino Machado, onde pontifica o coordenador científico Professor Doutor Norberto Cunha, inestimável amigo e orientador da minha dissertação de mestrado há uma década, e pela Associação para a Defesa e Promoção dos Direitos dos Cidadãos, Civitas Braga.
A sessão começou, simbolicamente, com a plantação de um carvalho, no parque de Sinçães, entre o espaço da Biblioteca Municipal, dedicada ao imorredouro Camilo Castelo Branco e a Casa das Artes, local de grandes espectáculos nos últimos anos.
O meu amigo Dr. Amadeu Gonçalves, que trabalha cientificamente no Museu dedicado àquele que foi chefe do governo na I República, por três vezes e Presidente da República Portuguesa, por duas vezes (1914 e 1925), explica a simbologia do carvalho, em três momentos distintos mas convergentes:

“- a relação do carvalho com os druidas, que significava sabedoria e força; com a república francesa de 1848, na qual foram plantadas milhares de árvores pelas mulheres, e, finalmente, a relação da árvore com a República, em cujos actos comemorativos as mulheres plantavam o carvalho como símbolo de liberdade, sabedoria e força”.

A sessão continuou com a apresentação da obra As mulheres na Implantação da República, da consagrada escritora e investigadora Fina D’Armada, pela docente e mestre em História Contemporânea Adília Fernandes, investigadora da Universidade do Minho e da Universidade do Porto. Considerou ela que o livro é um hino às mulheres comuns, num tempo em que quem dominava eram os homens. É a exaltação da participação das mulheres na implantação do novo regime que, apesar das promessas, acabou por não lhes conceder os direitos que prometera nos seus programas.
A autora da obra, Fina D’Armada, dissertou depois longamente sobre a temática do seu livro, sob a epígrafe “As mulheres na República”.
Percorrendo diacronicamente o período que vai de 1891 a 1926, a historiadora que já publicou 1021 artigos em 28 periódicos e tem editadas 10 obras individuais e 31 em co-autoria, sobretudo com Joaquim Fernandes, começa por aludir às mulheres do povo (são essas que lhe interessam…) que participam no 31 de Janeiro, algumas das quais baleadas e mortas, bem como às testemunhas dos prisioneiros dessa República antecipada.  Aborda depois as republicanas anteriores ao 5 de Outubro, entre as quais a professora Carolina Michaëlis, bem como a criação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e a acção das socialistas na implantação do Dia Internacional da Mulher.
Fina D’Armada relata, de seguida, a intervenção das mulheres na implantação da República, em 5 de Outubro, aludindo à acção de personagens de republicanas conhecidas como a médica Adelaide Cabete, a jornalista e escritora Angelina Vidal, a escritora Ana de Castro Osório ou a médica Carolina Beatriz Ângelo, a primeira e única mulher a conseguir votar, em 28 de Maio de 1911. E em toda a Primeira República…
Fina D’Armada investigou imensos jornais pelo país, entre os quais o nosso O Desforço entre 1907 e 1910, que cita por diversas vezes.
Entre as mais de duas centenas de republicanas que cita na sua obra, referência para duas mulheres fafenses dessa época: Rosa Maria Nogueira de Araújo, professora oficial da vila de Fafe, que contribuiu com 500 reis para as vítimas da revolução e Laura Soares Summavielle, esposa do Dr. José Summavielle, que proclamou a República em Fafe, em 9 de Outubro de 1910. De Laura Soares Summavielle falaremos depois.
Da obra As mulheres na Implantação da República dir-se-à que é extremamente interessante, para quem gosta destas coisas, naturalmente, com uma imensa teia investigativa, muita informação e dados sobre mulheres que “encheram” o ideário e a prática republicana. São mais de 330 páginas felizes, editadas pela Ésquilo e que abrem com um prefácio de Elza Pais, Secretária de Estado da Igualdade, que cita, em epígrafe, uma frase emblemática de Ana de Castro Osório:

“Eu (…) quero a República como libertação e felicidade para as Mulheres, visto que a humanidade é composta dum só grupo de animais, indiferentemente masculinos e femininos”.

A sessão comemorativa prosseguiu com o depoimento de um grande famalicense e seguidor deste meu blogue, o que muito me honra e desvanece, o Dr. Manuel Sá Marques, neto de Bernardino Machado e da sua mulher Elzira Dantas Machado e filho de Rita Dantas Machado (o último do lado direito, na foto incluída neste post), que deu testemunho da acção dos seus familiares directos no contexto anterior à proclamação do novo regime e na sua consolidação e apogeu.
Elzira Dantas Machado (esposa de Bernardino Machado e mãe de sete dos seus filhos) e Rita Dantas Machado (sua filha) seriam depois objecto de uma homenagem, dado o seu papel de destacadas activistas da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e dos Direitos das Mulheres.
A sessão culminaria com um momento musical pelos alunos da Fundação Castro Alves/ARTAVE.

Um evento marcante a assinalar notáveis personagens da I República em Portugal, neste ano festivo do centenário da sua proclamação.