sábado, 14 de maio de 2011

Exposição “Viva a República!... em digressão” passou por Fafe




A exposição “Viva a República!... em digressão” esteve patente ao público na Praça 25 de Abril, em Fafe, até hoje, sexta-feira, dia 13 de Maio, numa iniciativa patrocinada pela autarquia local. Num percurso iniciado em Setembro de 2010 e permanecendo em itinerância até Julho de 2011, a exposição percorre no total cerca de 100 concelhos de todo o país.
A exposição “Viva a República!... em digressão” é dedicada à história da I República, um dos períodos mais marcantes da história recente de Portugal. É constituída por uma viatura adaptada, complementada com duas tendas de apoio, e é acompanhada por uma equipa de mediação, sendo também disponibilizados materiais e suportes pedagógicos. Os visitantes foram convidados a acompanhar o percurso de evolução do ideário republicano, o processo de implantação da República e os principais contextos e transformações a que esteve associada. Uma síntese interessante sobre esse período fulcral da histyória do Portugal Contemporâneo.
Na publicação que acompanha a exposição em formato de jornal podemos ler: “É, pois, de memória, de identidade e de ideais partilhados que iremos falar nesta exposição: recordando os homens, as iniciativas, as vitórias e as derrotas por trás da construção da palavra República, evocando, em suma, as fundações de um ideário assente na divisa universal, liberdade, igualdade, fraternidade… Estrofes de um hino, entoado por uma Nação, a mesma que, a 5 de Outubro de 1910, proclamou a República em Portugal.
A promoção, direcção e conteúdos da exposição são da responsabilidade da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (CNCCR), com coordenação científica de Ana Paula Pires e coordenação executiva e produção da Cultideias. A edição e tratamento de conteúdos, jogo digital e roteiros pedagógicos são da autoria da Mapa das Ideias. A concepção gráfica, design do sítio, do jornal e do jogo digital têm a chancela da Invisible Design.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Comédia "O Pranto de Maria Parda": antestreia no Teatro-Cinema de Fafe esta sexta-feira

A programação regular do Teatro-Cinema de Fafe prossegue esta sexta-feira, 13 de Maio, pelas 21h30, com a apresentação da comédia O Pranto de Maria Parda, de Gil Vicente, numa co-produção do Centro de Criatividade da Póvoa de Lanhoso/Theatro Club e da Associação dos Produtores de Artes Cénicas de Pernambuco (Brasil).
O espectáculo tem a duração de 60 minutos, preço de ingresso de 3 € e classificação para maiores de 10 anos.
Sob a coordenação artística do encenador Moncho Rodriguez e com a participação do actor brasileiro Gilberto Brito, o espectáculo assume-se como uma nova leitura do texto vicentino “O Pranto de Maria Parda”.
Trata-se de uma experiência de fusão de linguagens, sonoridades e imagens, na qual se idealiza a transposição da personagem de Gil Vicente para o universo fabuloso dos poetas e trovadores repentistas do Nordeste brasileiro. Desse modo, quer criar a fusão entre a sátira vicentina e a poética dos repentistas contemporâneos do nordeste ibérico.
Esta co-produção portuguesa e brasileira antestreia em Fafe e segue para a Póvoa de Lanhoso e, depois, viaja para o Brasil, onde realizará apresentações na cidade do Recife, seguindo-se uma tournée pelos principais teatros do nordeste brasileiro.
Gilberto Brito é actor e encenador, licenciado em Artes Cénicas. Integrou cursos especializados de dança, criação e execução de adereços e cenografia, dança clássica, técnica vocal e dicção. Foi professor e encenador teatral em inúmeros projectos.
Trabalhou ainda no cinema e na televisão.

Aniversário

no começo era uma vez o teu ventre
inchado num chão de mãe apeteceu-me
nascer nas folhas de maio quando os
pássaros riscam em asas o azul
dos olhos e os lavradores não têm
mais tempo para dobrar
os sinos do meio dia

no dia em que cresci, as cigarras
chegaram em cristais para explodir
na haste verde do campo

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cântico da Primavera

Quando a Primavera me encontra
Dispo-me encantado
Para a magia das flores das cerejeiras
E o perfume sagrado das madressilvas

É Maio, podia ser um verso
Apenas no bico das cotovias
Que enlouquecem a tarde
À procura do sol

Podia ser cristal ou o verde
Apenas das laranjeiras
Um calmo regato de água
Sem pressa de chegar ao açude
Ou quem sabe o cântico das lavadeiras
A bater nas pedras a brancura
Dos sonhos perdidos nos lençóis de linho

É Primavera quando te beijo
Como se fora a última vez
Quando me retribuis com um sorriso
Do tamanho das manhãs
De musgo e orvalho

A Primavera percorre-nos
De cheiros e sabores que vêm
Dos nossos avós
Cada ano renovados como crianças

Quando vem o cuco noivar os castanheiros
E os grilos invadem a noite
Com o seu quente trilar

É Primavera quando me encontro
Em teus lábios de incêndio
E neles adormeço os dias uterinos de Maio

Inédito.
04/05/2011

"Música no Coração" - musical salta do cinema para o Teatro-Cinema de Fafe este sábado


A programação do Teatro-Cinema de Fafe para o mês de Maio arranca este sábado, 7 de Maio, a partir das 21h30, com a representação do musical Música no Coração, que recupera a conhecida película cinematográfica com o mesmo nome.
A peça, com a intervenção de 46 jovens actores, tem a duração de mais de duas horas, com um intervalo de 15 minutos.
O preço de ingresso é apenas de 3 €.
Música no Coração começou por dar origem a um filme norte-americano de 1965, do género drama musical, dirigido por Robert Wise e com Julie Andrews no papel principal.
O filme teve origem num musical da Broadway, cuja história é baseada na vida da família de cantores Von Trapp da Áustria.
Maria, uma noviça rebelde e que não consegue seguir as rígidas normas da conduta religiosa, é enviada pela Madre Superiora do convento para trabalhar como preceptora dos sete filhos do capitão George Von Trapp. O capitão, um oficial reformado da marinha, é viúvo e desde a morte da sua esposa, educa os filhos com absoluto rigor militar.
A chegada de Maria modifica drasticamente a vida da família, ao trazer a alegria e a música de novo àquela casa. Apesar de alguns conflitos iniciais, o capitão acaba por desenvolver um grande afecto pela jovem, quando se apercebe de que esta conseguiu fazer o que nenhuma preceptora havia antes alcançado. Os dois acabam por se apaixonar e o capitão comprometido com “ Elsa Schraeder”, uma rica baronesa de Viena, rompe o noivado para se poder casar com Maria.
Porém, daí para a frente nem tudo na vida da família será tão fácil assim; quando os nazis dominam a Áustria, o capitão é convocado para servir na marinha alemã. É então que a família decide fugir de carro através da fronteira. No entanto, as fronteiras já estão fechadas e eles acabam por ser obrigados a atravessar as montanhas a pé, demonstrando assim o amor e a força da união de uma família finalmente feliz!

Elenco:

Maria: Ana Luísa Queirós
Capitão: Edgar Cardoso
Filhos:
Gretl: Catarina Poças
Martha: Carolina Ferreira
Kurt: José Rufino
Brigitta: Daniela Pinto
Luisa: Catarina Ferreira
Friedrich: Hugo Novais
Liesl: Beatriz Simões
Tio Max: Bruno Santos
Herr Zeller: Guilherme Ferreira
Rolfe: Fábio Oliveira
Baronesa Schraeder: Beatriz Andrade
Madre Superiora: Inês Monteiro
Miss Ágata: Francisca Tadeu
Irmã Bernice: Catarina Madruga
Irmã Catarina: Raquel Araújo
Mestra das Noviças: Dulce Silva
Mestra das Postulantes: Catarina Queirós
Freiras: Bárbara Almeida, Vanessa Sousa, Inês Ferreira, Patrícia Pereira, Ana Sofia Madureira, Ana Rita Neves, Beatriz Andrade, Inês Santos
Noviças: Sara Madureira, Marisa Cardoso, Vera Cardoso, Sara Sousa, Ana Catarina Ferreira, Sara Santos, Andreia Amorim, Cláudia Coutinho, Maria Neves, Mariana Castro, Catarina Carvalho
Nazis: Paulo Meirinho, Paulo Nunes, José Monteiro, Nuno Mesquita, Luís Gomes, Daniel Santos, Rúben Pinto, Carlos Lopes, Fábio Lopes

Encenação e coreografias: Ana Luísa Queirós
Cenografia e Figurinos: Cristina Soares e Fátima Araújo
Som: Rui Sampaio

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Vemos, ouvimos e lemos - não podemos ignorar!

Eu bem gostaria de tecer uma crónica feliz, que transmitisse alegria e esperança, que é sempre a última a morrer.
Porém, só um desmiolado ou um lunático que não tenha minimamente os pés assentes na terra pode, nos dias de hoje, sentir-se despreocupado, como se apenas houvesse tranquila primavera em seu redor.
É evidente que nem tudo é negativo. Temos excelentes artistas, escritores e homens de cultura a “dar cartas” no estrangeiro, levando bem longe o nome e a identidade mais intrínseca e valiosa deste país. Possuímos um escol de cientistas, a trabalhar cá dentro e lá fora, nos melhores laboratórios e que deveriam ser o nosso colectivo orgulho, pelo seu produtivo trabalho, pelas suas relevantes descobertas, que contribuem fortemente para a melhoria do bem estar e da qualidade de vida dos cidadãos, nas áreas da saúde, da biologia, da química e de tantas outras. Temos também os melhores desportistas europeus e mundiais, quer atletas, quer treinadores, que pontificam nas mais sonantes equipas das diferentes modalidades, em especial no futebol. E temos equipas de topo no futebol europeu, para já não falar na selecção nacional, que tem feito nos últimos anos uma carreira internacional digna de relevo.
E temos um bom povo. Homens e mulheres maravilhosos que se esforçam por conseguir um quotidiano digno, trabalhador, corajoso, aplicado. Um povo sofredor, que faz das tripas coração para aguentar cada vez mais mês no fim dos seus ordenados. Um povo que se queixa da carestia da vida e da ausência de fundos, mas que, pelo Carnaval, pela Páscoa ou pelas férias grandes, sobrelota os Algarves de aquém e de além-mar, como se não houvesse amanhã. E “veste-se” de bons carros, telemóveis topo de gama, computadores com ligação à Internet.
Um povo de brandos costumes, que aguenta, com cara alegre, as agruras do dia a dia.
Mas é impossível não estar inquieto e desassossegado com a situação do país. Como diz a canção, “vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”.
E o que vemos é uma crise económica, financeira e mental de contornos inusitados, um desemprego galopante, um aumento do custo de vida incontornável. Basta atentar no constante agravamento do preço dos combustíveis para se ter uma ideia de onde é que “isto” vai parar. E ainda ontem um diário confirmava que “patrões despedem 362 pessoas por dia”, o que não deixa de ser aterrador.
Temos por cá a “troika” do FMI, CE e BCE, que nos vai tratar da saúde, passando um atestado de incompetência e de menoridade aos nossos políticos que não conseguiram entender-se para resolver internamente a delicada situação. É uma vergonha. Agora, fala-se que o subsídio de férias dos trabalhadores pode ser “convertido” em certificados de aforro, como se diz que o 14º mês dos reformados também será retirado, acabando benefícios e isenções fiscais. Como se noticia que estão em risco os milhões de euros que podem tirar Portugal da bancarrota, se a Finlândia não quiser participar na “ajuda” (?) ao nosso país.
Entretanto, saúda-se vivamente o apelo uníssono dos presidentes da República do pós-25 de Abril, Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva, no sentido do fortalecimento de uma solução maioritária e forte a sair das próximas eleições. O país exige um governo de amplo apoio parlamentar, não certamente uma “união nacional”, como graceja Passos, mas um parlamento e um executivo que signifiquem uma ampla concertação democrática. O que o primeiro presidente eleito da democracia, Ramalho Eanes, sintetizou, ao defender que o próximo executivo deve ser de “amplo espectro político-partidário e social, aberto aos valores da sociedade civil e que desenhe, estabeleça e consensualize, o mais possível, um grande propósito nacional, popularmente mobilizador”.
São de louvar, assim, todos os esforços no sentido de que o ambiente politico se apazigúe, se esbatam os confrontos estúpidos, estéreis e inúteis, se abandone a guerrilha verbal tão do agrado de alguns, se reforcem as pontes de entendimento entre os principais partidos.
Como apelou Mário Soares, em 25 de Abril, impõe-se “a necessidade crucial de que os portugueses se unam ao redor das grandes reformas necessárias para assegurar um futuro melhor para todos e que os partidos e os parceiros sociais dialoguem, independentemente das divergências ideológicas que os separam”.
O momento é de elevada gravidade, e de excepção. Por isso, exige medidas e esforços de excepção, para que possamos sair do impasse e voltar às vias de desenvolvimento colectivo!
E deixemo-nos da estéril crispação, de contornos meramente políticos e para media consumir, porque os portugueses estão fartos dos malabarismos verbais que os líderes dos principais partidos se vão arremessando mutuamente. Eles querem é manter ou conquistar o poleiro, enquanto os cidadãos pretendem é que a vida corra e que os deixem em paz!...

(Artigo publicado no Correio do Minho de 02 de Maio 2011)

domingo, 1 de maio de 2011

Poema ao Trabalhador


Em Maio, a terra se revolve em sementes,               
Por tuas mãos calosas,
E logo serão frutos, cálices, rosas
Como se de um gesto de anjo
Florescessem auroras
Ou anoitecessem poentes

Em Maio, é de oiro o trabalho
Multiplicadas as mãos, ao sabor
Dos arados e das leiras em redor
As asas volitando em enérgico
Voo, por sobre os ninhos
E o perfume eterno do orvalho

Em Maio, há mãos como em Abril
Os cravos vermelhos renasceram
E os olhos o futuro devolveram
Como campos de trigo para lavrar
Como livros de cristal por descobrir
Em páginas de magia e de luar

São de Maio ou de Setembro
As tuas mãos de fada, de flor as mãos
Que tecem rios de luz, eiras de grãos
Ao ritmo das horas de sol a pino
As rolas nos pinhais a debruar
O canto e o corpo do seu destino

Em Maio, não há mais beijo que o pudor
Verde mais puro que o das maçãs
Que as mãos desenham pelas manhãs
Na música líquida por sob as pontes
Que é de ferro a vontade, a alma de aço
De veludo o coração trabalhador