quarta-feira, 18 de maio de 2011

Jangada traz ao Teatro-Cinema de Fafe comédia "A Festa dos Porcos" este sábado à noite


A programação do Teatro-Cinema de Fafe prossegue este sábado à noite (21h30) com a comédia “A Festa dos Porcos”, pela Jangada-teatro.
A peça tem a duração aproximada de 90 minutos, sendo indicada para públicos de idade superior aos 16 anos.
Cada ingresso custa apenas 3 euros.
“A Festa dos Porcos” é uma metáfora teatral sobre a dignidade humana. Ao fazer a comparação entre a vida dos porcos e a vida dos homens procura-se pôr a nu a seguinte questão: até que ponto é que o sofrimento e a dor são cada vez mais pertença do espaço público? Porque é que o sofrimento pessoal é transmitido de forma tão pungente e para conhecimento de todos?
Na verdade, quando se mata um porco também é um momento partilhado por uma família, ou por toda uma aldeia, mas neste caso, como sabemos, é a ordem natural das coisas.

O conto do dramaturgo Luigi Pirandello, “O Senhor Jesus das Naus”, foi o texto escolhido para servir de guião a este espectáculo.

Equipa artística e de criativos

Dramaturgia, espaço cénico e encenação – Fernando Moreira
Actores -
  Faria Martins, Luiz Oliveira, Patrícia Ferreira, Sophia Cunha, Vítor Fernandes e Xico Alves

Músicos – Hugo Queiroz, Nuno Sousa
Música Original – Ricardo Fráguas
Desenho de Luz – Nuno Tomás

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Feiras Francas de Fafe têm séculos

Sabemos da existência de feiras no território do município de Fafe desde pelo menos finais do século XVII. O Padre Carvalho da Costa, na sua citadíssima Corografia, editada no princípio do século seguinte, informa que “tem feira em Fafe no primeiro do mez, & em Pica aos 18”.
Ainda na primeira metade do século XVIII, a monografia do Padre João de Sousa Homem, redigida em 1736, apresenta alguns informes sobre as feiras que então se realizavam no concelho. A informação é já mais pormenorizada. Ficamos a saber que a feira franca se deve a uma provisão de D. João V (1689-1750), que dura um dia e se realiza num dos primeiros dias de cada mês, não sabemos qual. Além dessa, havia a feira de S. Bartolomeu, também franca, com a duração de dois dias, comerciando-se todo o género de produtos no primeiro e apenas gado, no segundo. A feira da Pica, a 18 de cada mês, é apenas feira de gado.
Refere então o pároco de Santa Eulália de Fafe:
Em os primeiros de todos os meses se fas a feyra franca de Fafe no famoso terreyro da Cadea em que se vendem gados, porcos, e toda a mais mercancia e mercearia. Esta feyra antigamente haverá 10 anos se mudou do lugar vesinho (a que ainda por isso chamão a Feyra) para este sitio. E se fes franca por Provisão do Serenissimo Senhor Rey D. João 5º que Deos guarde á instancia do existente Capitão-mor d’este Concelho. Dura esta feyra somente um dia.(…) Ha mais neste Concelho a feyra da Pica entre S. Gens e Quinchães em 18 de todos os meses: consta só de gado.
Pela primeira vez encontramos informação sobre a feira de 16 de Maio na obra O Minho Pittoresco, de José Augusto Vieira, publicada em Lisboa, em 1886.
Aí se alude às “feiras de anno, que teem logar na villa”, por sinal bem animadas: nos dias 16 de Maio e 22 de Agosto. Esta chamava-se a feira das cebolas, “por ser quasi exclusivamente este o género que ali se vende”. Contudo, pela primeira vez, surge-nos o 16 de Maio, como feira franca, de gado. Diz Vieira que nesta “faria um pintor animalista a sua colheita farta, estudando, esboçando as atittudes das numerosas manadas, que ahi concorrem”. Quando começou a realizar-se a feira franca dos 16 de Maio, que ainda hoje vigora, coincidente com o feriado municipal? Por certo, algures no século XIX. É uma matéria que ainda carece de investigação.
O autor de O Minho Pittoresco evidencia a animação, o movimento e o colorido daquelas feiras anuais. Visionando essas manifestações de cultura popular, um artista encontraria esplêndidos motivos para o estudo, “transportando para o seu album os costumes das lavradeiras, a physionomia risonha dos burguezes da villa ou das donas de casa que vêem fazer as suas compras, os carros enfileirados, em volta de que se agrupam os compradores, as dansas, os descantes populares!.
As Feiras Francas de 16 e 17 de Maio são ainda hoje um apreciado cartaz turístico que anualmente se repete (desde há anos com a realização simultânea de uma frondosa exposição de artigos, produtos e maquinaria para a actividade agrícola), com dois números obrigatórios e incontornáveis – o concurso pecuário e a corrida de cavalos, a 17 de Maio – que trazem à cidade milhares de assistentes, do concelho e das redondezas, em ar de festa e de enorme animação.
Há algumas décadas, o escritor Inocêncio Carneiro de Sá (“Barão de Espalha Brasas”), publicou um texto sobre o acontecimento, que achamos de interesse reproduzir, pela actualidade que ainda integra. É assim (excertos):

A Feira Franca, que se realiza em Fafe, nos dias 16 e 17 de Maio de cada ano, é de tradição muito antiga.
A sua fama de tal modo se espalhou, na marcha dos decénios, que a sua data é hoje conhecida em todo o país, razão pela qual a ela concorrem os negociantes ambulatórios de todas as terras do Norte, especialmente.
(..)
Duas competições se realizam, que atraem de sobremaneira o Povo e fazem juntar milhares de espectadores: as corridas de cavalos e o Concurso Pecuário.
Na corrida de cavalos aprecia-se a velocidade dos equídeos, que executam o seu percurso travados; (…).
E no Concurso Pecuário admiram-se os famosos exemplares de gado bovino, a cuja competição afluem os tratadores proprietários de terras muito distantes de Fafe.(…)
Este panorama mantém-se ainda nos nossos dias, embora certas características mais tradicionais vão perdendo alguma acuidade. As feiras francas da actualidade trazem atrás de si uma considerável parafernália comercial, concretizada nos carrocéis e divertimentos de toda a espécie, voltados para as crianças e os jovens, barracas de comes e bebes, tendas de venda de discos e brinquedos que se instalam na cidade nos dias imediatamente anteriores e posteriores às festividades. Certo é que ninguém lhes fica indiferente: ou porque goste da folia e das corridas de cavalos, ou porque deteste o barulho às vezes ensurdecedor debitado pelos carrocéis.
Mantendo características que perduram ao longo dos últimos decénios, as feiras francas vão-se adaptando aos novos tempos, sobrevivendo como espaço necessário e cíclico de realização social.
A visitar, juntamente com mais uma edição da ExpoRural (esta no Pavilhão Multiusos), no Parque da Cidade, até ao final da tarde de amanhã!

Fotos: Manuel Meira Correia

domingo, 15 de maio de 2011

O Pranto de Maria Parda: teatro de qualidade




Não foram muitos os espectadores que se deslocaram na noite de sexta-feira ao Teatro-Cinema de Fafe, para assistir à representação de O Pranto de Maria Parda, de Gil Vicente, pelo actor brasileiro Gilberto Brito. Foi pena; não sabem o que perderam.
Trata-se de uma experiência de fusão de linguagens, sonoridades e imagens, na qual se idealiza a transposição da personagem de Gil Vicente para o universo fabuloso dos poetas e trovadores repentistas do Nordeste brasileiro. Desse modo, cria a fusão entre a sátira vicentina e a poética dos repentistas contemporâneos do nordeste ibérico.
Os espectadores que tiveram o privilégio de assistir a este espectáculo de grande qualidade deram por bem empregue o seu tempo. Gilberto Brito é um actor de enorme gabarito e fez uma excelente interpretação da personagem de Maria Parda, aquela mulher do povo que gastou todo o seu dinheiro em bebida e passa a peça a arranjar artimanhas para conseguir que os “vendeiros” lhe fiem um caneco de vinho. No que, obviamente, não é atendida, morrendo de garganta seca e ressequida!... Porque água não era com ela, nem ao menos para se lavar!...
Um grande momento teatral que teve por palco a nossa mítica sala de espectáculos.

Fotos: Manuel Meira Correia


sábado, 14 de maio de 2011

Exposição “Viva a República!... em digressão” passou por Fafe




A exposição “Viva a República!... em digressão” esteve patente ao público na Praça 25 de Abril, em Fafe, até hoje, sexta-feira, dia 13 de Maio, numa iniciativa patrocinada pela autarquia local. Num percurso iniciado em Setembro de 2010 e permanecendo em itinerância até Julho de 2011, a exposição percorre no total cerca de 100 concelhos de todo o país.
A exposição “Viva a República!... em digressão” é dedicada à história da I República, um dos períodos mais marcantes da história recente de Portugal. É constituída por uma viatura adaptada, complementada com duas tendas de apoio, e é acompanhada por uma equipa de mediação, sendo também disponibilizados materiais e suportes pedagógicos. Os visitantes foram convidados a acompanhar o percurso de evolução do ideário republicano, o processo de implantação da República e os principais contextos e transformações a que esteve associada. Uma síntese interessante sobre esse período fulcral da histyória do Portugal Contemporâneo.
Na publicação que acompanha a exposição em formato de jornal podemos ler: “É, pois, de memória, de identidade e de ideais partilhados que iremos falar nesta exposição: recordando os homens, as iniciativas, as vitórias e as derrotas por trás da construção da palavra República, evocando, em suma, as fundações de um ideário assente na divisa universal, liberdade, igualdade, fraternidade… Estrofes de um hino, entoado por uma Nação, a mesma que, a 5 de Outubro de 1910, proclamou a República em Portugal.
A promoção, direcção e conteúdos da exposição são da responsabilidade da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (CNCCR), com coordenação científica de Ana Paula Pires e coordenação executiva e produção da Cultideias. A edição e tratamento de conteúdos, jogo digital e roteiros pedagógicos são da autoria da Mapa das Ideias. A concepção gráfica, design do sítio, do jornal e do jogo digital têm a chancela da Invisible Design.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Comédia "O Pranto de Maria Parda": antestreia no Teatro-Cinema de Fafe esta sexta-feira

A programação regular do Teatro-Cinema de Fafe prossegue esta sexta-feira, 13 de Maio, pelas 21h30, com a apresentação da comédia O Pranto de Maria Parda, de Gil Vicente, numa co-produção do Centro de Criatividade da Póvoa de Lanhoso/Theatro Club e da Associação dos Produtores de Artes Cénicas de Pernambuco (Brasil).
O espectáculo tem a duração de 60 minutos, preço de ingresso de 3 € e classificação para maiores de 10 anos.
Sob a coordenação artística do encenador Moncho Rodriguez e com a participação do actor brasileiro Gilberto Brito, o espectáculo assume-se como uma nova leitura do texto vicentino “O Pranto de Maria Parda”.
Trata-se de uma experiência de fusão de linguagens, sonoridades e imagens, na qual se idealiza a transposição da personagem de Gil Vicente para o universo fabuloso dos poetas e trovadores repentistas do Nordeste brasileiro. Desse modo, quer criar a fusão entre a sátira vicentina e a poética dos repentistas contemporâneos do nordeste ibérico.
Esta co-produção portuguesa e brasileira antestreia em Fafe e segue para a Póvoa de Lanhoso e, depois, viaja para o Brasil, onde realizará apresentações na cidade do Recife, seguindo-se uma tournée pelos principais teatros do nordeste brasileiro.
Gilberto Brito é actor e encenador, licenciado em Artes Cénicas. Integrou cursos especializados de dança, criação e execução de adereços e cenografia, dança clássica, técnica vocal e dicção. Foi professor e encenador teatral em inúmeros projectos.
Trabalhou ainda no cinema e na televisão.

Aniversário

no começo era uma vez o teu ventre
inchado num chão de mãe apeteceu-me
nascer nas folhas de maio quando os
pássaros riscam em asas o azul
dos olhos e os lavradores não têm
mais tempo para dobrar
os sinos do meio dia

no dia em que cresci, as cigarras
chegaram em cristais para explodir
na haste verde do campo

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cântico da Primavera

Quando a Primavera me encontra
Dispo-me encantado
Para a magia das flores das cerejeiras
E o perfume sagrado das madressilvas

É Maio, podia ser um verso
Apenas no bico das cotovias
Que enlouquecem a tarde
À procura do sol

Podia ser cristal ou o verde
Apenas das laranjeiras
Um calmo regato de água
Sem pressa de chegar ao açude
Ou quem sabe o cântico das lavadeiras
A bater nas pedras a brancura
Dos sonhos perdidos nos lençóis de linho

É Primavera quando te beijo
Como se fora a última vez
Quando me retribuis com um sorriso
Do tamanho das manhãs
De musgo e orvalho

A Primavera percorre-nos
De cheiros e sabores que vêm
Dos nossos avós
Cada ano renovados como crianças

Quando vem o cuco noivar os castanheiros
E os grilos invadem a noite
Com o seu quente trilar

É Primavera quando me encontro
Em teus lábios de incêndio
E neles adormeço os dias uterinos de Maio

Inédito.
04/05/2011