terça-feira, 31 de maio de 2011

Mais uma campanha alegre

1. Depois de semanas seguidas dessa mentira chamada “pré-campanha”, em que a única mensagem proibida é o apelo expresso ao voto, pelo menos, de forma escrita, eis-nos já nos últimos dias da campanha eleitoral, rumo às legislativas antecipadas do próximo domingo. Com bandeiras, cachecóis, autocolantes, cartazes, comícios, bebícios, caravanas, outdoors, gritaria, demagogia, numa espécie de carnaval tardio com ampla participação das forças partidárias. E essa “bebedeira das sondagens” diárias de que falava por estes dias Paulo Portas.
Não há dia que passe sem que se denunciem picardias entre os líderes dos principais partidos, sem que apareçam acusações, queixas, críticas, censuras, justificações, ataques pessoais e políticos. Como sempre, quem está no poder tudo faz para o conservar, defendendo-o e justificando-o, desculpando-se, enquanto quem vive na área da oposição trabalha para o conquistar, usando de todas as armas que a legalidade eleitoral lhe faculta. Ouvem-se, por estes dias, muita mentira, imensas enormidades, absurdos sem sentido, promessas que todos sabemos serem inconcretizáveis. É a mascarada no seu esplendor. Os candidatos deslocam-se às instituições, para tomarem contacto dos problemas que estão fartos de conhecer; as feiras enchem-se de bandeiras, de sorrisos, de abraços, de beijinhos. Por estes dias, os comuns cidadãos, potenciais eleitores, são os alvos de todas as campanhas. Os eleitores podem desconhecer os candidatos, mas estes não se importam: distribuem propaganda, prodigalizam simpatia, dão palmadas nas costas, como quem diz esperar pelo voto dos incautos.
Nestes dias, os candidatos, quaisquer que sejam, da esquerda à direita, como por magia, “conhecem” todos os eleitores. Transitoriamente, como é óbvio. Daqui a uns dias, apurados os resultados eleitorais, já não haverá ninguém nas feiras, nem nos tempos de antena, nem nas sondagens, nem nas promessas para não cumprir.
Tudo regressará à pacata normalidade!...

2. As sondagens conhecidas nos últimos dias (embora discrepantes) anunciam que o PSD de Passos Coelho poderá vir a ser o vencedor das próximas eleições. Sem maioria absoluta. Para a conseguir, só com a ajuda indispensável do CDS de Paulo Portas, que as sondagens dão como “partido-charneira” para a eventual obtenção de uma maioria de direita, como quer Cavaco Silva. Finalmente, poderá a direita vir a conseguir, pela primeira vez desde o 25 de Abril, o seu antigo sonho sá-carneirista de “um presidente, uma maioria, um governo”.
Poderá, então, vir a fechar-se um ciclo de seis anos de governo socialista que teve os seus bons momentos e os seus momentos de polémica; que fez reformas importantes, mas frequentemente contra os próprios protagonistas, o que raramente é bom sinal; que revelou demasiado autismo social, em determinados momentos; que enfrentou com vigor e coragem a maior crise financeira que se abateu sobre o país nas últimas décadas, mas que tudo indica vai acabar afogado nas águas de uma tempestade que não soube ou não conseguiu prever a tempo. Só um milagre salvará José Sócrates do cadafalso político.
Mas o povo sem qualquer dúvida tem sempre razão! …

Exposição de pintura “grotesca” na Casa de Berão (Ribeiros), apenas por uma tarde

O conceituado médico fafense, Manuel Joaquim Antunes Moreira, de 87 anos, voltou a reunir os seus muitos amigos, na tarde do passado sábado, 28 de Maio, na sua Casa de Berão, em Ribeiros, para mostrar as suas últimas criações pictóricas designadas “grotescas”, alguma pintura naife e artesanatos internacionais.
Estive lá, com todo o gosto, a convite do Dr. Antunes Moreira. Como estiveram o presidente do município, José Ribeiro, a presidente da Junta de Ribeiros e inúmeros amigos do pintor.
É a terceira exposição de pintura na Casa de Berão. Em todas estive presente. A primeira ocorreu em Maio de 2005, sob o título “Pinceladas à la longue…”. A segunda ocorreria dois anos depois, em 14 de Julho de 2007, uma exposição de retratos sob a epígrafe “Notáveis ou talvez não”…

O pintor assumidamente bissexto, um “artista de domingo”, assume que o motivo que o tem levado a apresentar formas de arte tão variadas, em quantidades reduzidas, “é principalmente para reunir os amigos”, entre os quais faz o favor de me contar. Os seus retratos grotescos, ridículos, investem a sua criatividade, baseada em desenhos traçados há alguns anos. Foram os italianos que criaram, no século XVI, o termo “pintura grotesca”, referindo-se a seres deformados, monstruosos, figuras macabras e fantasmagóricas, representações ridículas da condição humana, de que as gárgulas dos templos eram exemplos.
O autor juntou ainda para os seus amigos exemplares de pintura naife do Brasil e repúblicas sul-americanas e artesanato de diferentes países por onde passeou. Também tem na sua Casa de Berão interessante colecção de artesanato português e um conjunto invejável de presépios de diversas proveniências, nacionais e internacionais.

O Dr. Manuel Joaquim Antunes Moreira, filho de um ilustre advogado com o mesmo exacto nome, o “Dr. Neca das Leis”, como era conhecido em todo o Fafe, nasceu em 22 de Maio de 1924 e licenciou-se em medicina em 1948.
Em 1959, em Moçambique, com 35 anos de idade, começou a entreter-se com pincéis, óleos e telas, estimulado pela esposa, também médica, Eva Maria, que não se preocupou tanto em deixar o seu talento na tela.
Desde aquela altura, o médico fafense, quando o lazer o permitia, lá ia acabando algumas telas, gratificado por copiar, como podia e sabia, pintores célebres que lhe agradavam. Guiava-o um “primário auto-didactismo”…
Quando se aposentou, há alguns anos, entrou no Instituto D. António Ferreira Gomes, onde frequentou aulas dos conceituados mestres Carlos Carreiro e Albuquerque Mendes, aperfeiçoando a sua técnica no acrílico. Também frequentou aulas de escultura com Hélder Carvalho e tem na sua bela casa de Ribeiros alguns exemplares de esculturas dessa época.
É mais um valor artístico de Fafe, que importa enaltecer e divulgar.
Uma exposição de um dia, decorada com muitos amigos em redor. E uma simpatia inenarrável do Dr. Antunes Moreira e da sua adorada esposa, Dra. Eva Maria.
Para o “artista de domingo”, um talentoso retratista, embora se subestime, vão as minhas maiores felicitações!   

domingo, 29 de maio de 2011

Um inolvidável espectáculo para uma imensa minoria

Mais uma vez os fafenses primaram pela desmotivante ausência ao inolvidável espectáculo que foi o “Portugal Acústico”, este sábado à noite!...
É inacreditável como um espectáculo com esta qualidade não consegue encher sequer a plateia do Teatro-Cinema de Fafe. Não me venham mais com as estafadas estórias: que não sabiam, que não deram conta, que havia outras alternativas, que em Fafe não se passa nada…
Desculpem, mas o que se passa é uma imensa incultura no nosso meio, uma apatia, uma indiferença que arrepia e desmobiliza. Não é possível que o “Portugal Acústico” não tenha conseguido mobilizar mais gente… Gente que faz gala em dizer que vai (vai mesmo?...) a Guimarães, a Braga, ou ao Porto, pagar 15 ou 20 euros por espectáculo, e não paga uns míseros 5 euros na sua terra…
Nesta altura, apetece-me também virar-me para outro lado. Essa porra dos bloguistas, que não passa disso mesmo: mandam uns bitaites, criticam quando o programa não agrada, não dizem uma mera palavra quando o programa contenta, mas o certo é que nunca aparecem em nada. Ninguém os vê em lado nenhum… Não passam de uns inteligentes… Mas será que essa fauna existe mesmo?!...
No mais, assistimos a um dos mais belos espectáculos que se realizaram este ano no Teatro-Cinema de Fafe.
Um cantor excepcional, Ricardo Soler, vencedor da “Operação Triunfo”, com uma voz encantadora, maleável e quatro músicos que estiveram ou estão nos UHF, a começar pelo excelente guitarrista António Côrte-Real, filho do líder da banda António Manuel Ribeiro.
Dir-se-ia que, este sábado, estiveram em Fafe os UHF sem o seu o líder.
Ao longo de mais de hora e meia foram interpretadas canções portuguesas, de diferentes artistas e grupos, como Quinta do Bill, Lúcia Moniz, Rádio Macau, Xutos e Pontapés, Pólo Norte, UHF, Paulo Gonzo, Clã, João Pedro Pais e Santos & Pecadores, entre outros.
Foi uma grande festa de homenagem à música portuguesa, que merece o maior apoio…
No decorrer do espectáculo, para lá de se voltar a evidenciar a singularidade e magnificência da sala, António Côrte-Real anunciou publicamente que os UHF têm nos seus propósitos gravar um DVD musical no Teatro-Cinema de Fafe, porque é das mais belas salas que já encontraram neste país…
Essa declaração só nos pode deixar orgulhosos e envaidecidos, sem qualquer dúvida!... Será a nacionalização e até a internacionalização do Teatro-Cinema de Fafe!...
Enquanto isso, os fafenses vão-se deleitando nos cafés, nos televisores, nas caminhadas!...
Tenham bom proveito!...
Fotos: Manuel Meira Correia


quarta-feira, 25 de maio de 2011

É importante pensar serenamente sobre o hino de Fafe

1. Há pouco mais de um mês, a Banda de Golães prestou justa homenagem ao Padre António Coelho de Barros e a outros benfeitores desta centenária colectividade, durante uma colorida gala que decorreu no Teatro-Cinema da nossa cidade.
E pelo que a imprensa local relatou, o espectáculo culminou com a interpretação de uma nova versão do hino de Fafe. Ou com um novo hino de Fafe, não sabemos bem.
Qualquer fafense acaba por ficar um pouco confuso com estas novas. Conhecia-se já um hino de Fafe, com letra de Euclides Sotto Mayor e música de José Maciel, embora outro hino seja mencionado, pelo menos, com letra de Inocêncio Carneiro de Sá (a música será do seu irmão Álvaro). Este, pelo que sei de mim, nunca o ouvi.
A melodia do hino da dupla Euclides Sotto Mayor/ José Maciel é conhecida há muitos anos e tem sido interpretada em diferentes ocasiões e cerimónias. Foi como que cooptada pela tradição fafense, até pela conceituada autoria que a chancela. A letra é igualmente famosa e anda na ponta da língua de muitos amantes da sua terra, até porque exalta e enaltece os valores, a identidade e o ego colectivos dos fafenses, como todos os hinos devem fazer:

I
A nossa terra é formosa
Como ela não há igual
É a mais perfeita rosa
Das terras de Portugal

Terra formosa que as mais
Escureces com tantos brilhos
Viste nascer nossos pais
Verás nascer nossos filhos

CORO:

Fafe querido é sem favor
Jardim florido do nosso amor
Ergue-te tanto a nossa voz
És o encanto de todos nós

II
Se o Minho é terra de fama
Duma estranha sedução
Esta terra que a gente ama
É do Minho o coração

Terra de sol e de flores
De risos e de alegrias
És berço dos meus amores
E das lindas romarias

2. Havendo já um hino, que não sendo “oficial” (não há um hino oficial de Fafe, ao que se sabe), é o mais tradicional e conhecido desde há décadas, faz sentido um segundo (ou terceiro) hino, novo ou em nova roupagem, o que quer que isso seja?
Poderá fazer, ou não. Claro que um hino, embora adoptado por um grande número de fafenses e tendo abrilhantado cerimónias e sessões, só por si não representa nada nem ninguém.
Claro é igualmente que um novo hino, a concretizar-se, se é do que estamos a falar, não pode ser apenas uma melodia, uma partitura. Um hino (nacional ou local) é um todo harmonioso, que casa naturalmente uma letra e uma música. Não há hinos só de música, como não os há apenas vestidos com um poema. Uma moeda completa-se obrigatoriamente com as duas faces. Ou não se chama moeda.

3. Chegados a esta fase, importa começar a meditar sobre esta matéria. Não sabemos quem superintende no assunto, talvez a Câmara e a Assembleia Municipal, mas impõe-se definir, se nisso houver interesse, obviamente, se importa haver um hino oficial do município. E, em caso afirmativo, decidir se se deve adoptar o hino já existente e que a tradição “consagrou”, a que acima se aludiu. Ou se deve ser aberto um concurso de ideias para a criação de um hino que identifique o povo fafense, para posterior aprovação e consagração como “hino oficial” de Fafe.
Julgamos que é um debate que se deve abrir, com serenidade, com elevação e com sentido de sadio bairrismo, como é timbre histórico dos fafenses!

(texto que reproduz, no essencial, o artigo publicado no jornal Povo de Fafe, em 21 do corrente)

Bonecas de trapos para ver em Fafe



Está patente na Biblioteca Municipal de Fafe uma exposição de uma dezena de bonecas de trapos, trabalhos elaborados pelos alunos dos jardins-de-infância, escolas do ensino básico e instituições particulares de solidariedade social do concelho.
Estão presentes trabalhos das entidades seguintes: CERCIFAF – CAO, Centro Social da Paróquia de S. Martinho de Medelo, Infantários nº 1 e 2 da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, Jardim-de-infância Montelongo (Fafe), Jardim de Infância de Campo (S. Gens), EB1/JI de Ferreiros (Arões S. Romão), EB1 do Calvário (Golães), ACR de Fornelos – Jardim e ACR de Fornelos – Colégio.
A exposição pode ser visitada, até 18 de Junho, no horário de funcionamento da Biblioteca, ou seja, às segundas-feiras das 14h00 às 18h30, de terça a sexta-feira, das 10h00 às 18h30 e aos sábados das 10h00 às 13h00.
Mais informações sobre a exposição podem ser obtidas na página electrónica da Biblioteca Municipal (http://www.wix.com/bmfafe/bmf) ou no blogue http://bibliotecamunicipaldefafe.blogspot.com/.
Outras imagens:



Fotos: Manuel Meira Correia

terça-feira, 24 de maio de 2011

"Portugal Acústico" vai encantar Teatro-Cinema de Fafe este sábado à noite

A programação do mês de Maio do Teatro-Cinema de Fafe encerra este sábado à noite, 28 de Maio, com o projecto “Portugal Acústico”, cujo rosto são o cantor Ricardo Soler e o músico António Côrte-Real, guitarrista dos UHF.
“Portugal Acústico” reúne em palco alguns dos melhores temas da Pop Rock portuguesa, despidos da sua roupagem inicial e apresentados com arranjos inéditos em formato acústico.
Um concerto intimista, trazendo para o palco novas sonoridades em canções marcantes do cenário da música portuguesa, permitindo exprimir uma pulsação diferentes mas sem perderem a sua essência.

Algumas canções a ouvir durante o espectáculo:

Se te amo (Quinta do Bill)
Dizer que não (Lúcia Moniz)
Amanhã será sempre longe demais (Rádio Macau)
À minha maneira (Xutos e Pontapés)
Aprender a ser feliz (Polo Norte)
Matas-me com o teu olhar (UHF)
Leve beijo triste (Paulo Gonzo)
Perfume (Clã)
Nada de nada (João Pedro Pais)
Quando se perde alguém (Santos & Pecadores)

Sábado, 21h30
Preço: 5 €
Duração: 90’
Classificação: M/3

sexta-feira, 20 de maio de 2011

É urgente regressar ao campo

Já há muito que todos nos demos conta de que, por força dos compromissos derivados da integração no espaço europeu, sectores fundamentais e históricos da economia portuguesa foram praticamente desmantelados, ou definham a olhos vistos. Um deles é claramente a agricultura, a que se podem juntar a pecuária e as pescas.
Os campos foram dramaticamente votados ao abandono. Hoje é já raro ver-se um terreno cultivado, com excepção de pequenas hortas para consumo caseiro. O gado bovino praticamente desapareceu das nossas aldeias. Os montes, de grande importância para a economia doméstica até há alguns anos atrás, são hoje pasto das chamas em cada Verão que passa, porque o mato já não é necessário para a confecção de estrume e por isso ninguém o roça.
A actividade agrícola é, assim, nos nossos dias, um sector económico pouco mais que residual.
Este momentoso assunto, do qual se (re)começa a falar com acuidade, por virtude da grave crise económica que assola o nosso país, foi objecto de uma recente reportagem na SIC, que apresentou números alarmantes. Por exemplo, nos últimos dez anos, foram abandonados 500 000 hectares de área cultivada, havendo actualmente dois milhões de hectares incultos.
Pelo abandono a que votámos (ou fomos obrigados a votar) os campos, importamos mais de um terço dos alimentos que consumimos. Importamos cerca de 7 mil milhões de euros de produtos agrícolas. Importamos 50% da maçã que consumimos, bem como 40% das batatas e cebolas. Assim, é frequente irmos ao supermercado e, na banca das frutas e dos legumes, depararmos com os morangos do Brasil, as saladas de Itália, os cogumelos da Holanda, os espargos do Peru, as beringelas de Espanha, as nêsperas da Guatemala, as amoras do México, as romãs da Turquia e os pimentos do Uganda, para dar apenas alguns exemplos. Frutas e legumes portugueses é que se vêem poucos, sobretudo nas grandes superfícies, pela dificuldade que os produtores nacionais têm de entrar nos lóbis do grande comércio.
Cada vez importamos mais produtos pecuários, como carne de porco ou de vaca, o que acontece relativamente aos cereais. Em 1990, ainda produzíamos 40% das necessidades; hoje apenas se produz para satisfazer 25% dessas mesmas necessidades. O resto são importações, logo, saída de divisas.
A dependência económica do exterior é assim gritante ao nível do consumo alimentar. São muitos milhões que anualmente saem para o estrangeiro, agravando o desequilíbrio das nossas contas públicas.
Alguém afirmava, ainda não há muitos meses, que a factura das importações alimentares em 2009 quase dava para construir o novo aeroporto de Lisboa. A diferença entre o que se exportou e o que se importou rondou naquele ano os 4 000 milhões de euros. É um balúrdio, sem dúvida!...
Apenas produtos nossos como o vinho, o azeite e o leite são excedentários e portanto exportados, o que é demasiado escasso para o que consumimos vindo de outras paragens, um pouco de todo o mundo.
Por outro lado, como foi denunciado na reportagem, Portugal não tem sabido aproveitar os fundos comunitários. Por exemplo, o programa de desenvolvimento rural (PRODER) está com uma mísera taxa de aplicação de 30%. Temos dois anos (até 2013) para aplicar os restantes 70%, ou os fundos reverterão para outros países, como já em acontecido. Aliás, muitos milhões são devolvidos anualmente a Bruxelas por incompetência e incapacidade de governantes e presumíveis beneficiários dessas verbas.
Não tem havido, na verdade, uma política agrícola nacional e ela faz falta e sentido, para mais nestes anos que se avizinham. Impõe-se arregaçar as mangas e regressar à terra, o que significa, desde logo:
- Fixar as pessoas na actividade agrícola e repovoar as desertificadas regiões do interior do país;
- Criar emprego num sector que urge revitalizar;
- Diminuir os níveis desemprego que, daqui a dois anos, rondarão os 700 mil desempregados, segundo números do acordo de entendimento com o triunvirato FMI/CE/BCE;
- Diminuir a dependência face ao exterior em matéria de bens alimentares e contribuir para atenuar o desequilíbrio das contas públicas, que se agrava, obviamente, com as importações.
Contra a corrente da modernidade e a aposta que tem sido feita, às vezes desalmadamente, na indústria e nos serviços, a agricultura tem de readquirir o seu lugar no universo da economia portuguesa. Não por decadentes razões filosóficas ou ambientais, mas pragmaticamente porque se trata de uma exigência nacional, porque a crise a isso obriga. Para criarmos riqueza nacional, que é que mais importa. E, claramente, para abrandar as importações de bens alimentares, que são uma das nossas muitas desgraças!...

(Crónica publicada no Correio do Minho, de 16 de Maio 2011)

Fotos: Manuel Meira Correia