segunda-feira, 6 de junho de 2011

Uma grande noite em torno de Zeca Afonso

A noite deste sábado, 4 de Junho, foi de grande e inolvidável festa em torno do imortal Zeca Afonso, no Teatro-Cinema de Fafe. A concorrência foi feroz, com um jogo da selecção à mesma hora (e será altura de os responsáveis federativos, se é que têm um mínimo de sensibilidade para as questões culturais, deixarem de agendar jogos para as 21h00, prejudicando as casas de espectáculos de todo o país, quando, por exemplo, as competições europeias começam sempre pelas 19h45...), mas mesmo assim a sala esteve composta. Sobretudo de uma imensa alegria, muita festa e a melhor homenagem que se pode fazer ao magistral inventor da canção popular e combativa, José Afonso, que é cantar e manter vivas as largas dezenas de canções e baladas que nos legou e que constituem marca indissociável da identidade cultural portuguesa contemporânea.

Aqui ficam três imagens do excelente espectáculo (o adjectivo é de quem teve o privilégio de a ele assistir...), da autoria do amigo e colaborador deste blogue, o fotógrafo Manuel Meira Correia.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Eutanásia: um debate que não deve ter preconceitos

A conhecida actriz portuguesa Lia Gama afirmou, recentemente, numa revista, que é “completamente a favor da eutanásia”. Sustentou que “não há direito de prolongar a vida de uma pessoa que não tem vida, que está imobilizada numa cama, com doenças terminais”.
Vem a propósito referir que tive a oportunidade, há uns dias, de participar num debate sobre esta matéria, promovido por cinco alunos da turma 12ºB da Escola Secundária e no qual interveio também o Padre José Peixoto Lopes, com posições muito abertas e que em muitos casos se aproximavam das que defendi.

Seguem-se algumas notas que deixei no aludido debate:
       
- Comecei por felicitar o grupo de alunos que organizou este debate sobre temas tão polémicos, fracturantes, inquietantes como a eutanásia, o testamento vital, etc.
- Partilhei as minhas dúvidas, as minhas hesitações, até a minha incomodidade perante estes temas
- Eu não sei exactamente se sou a favor, ou contra, ou antes pelo contrário. Não me sinto muito à vontade perante estes temas, que não fazem parte das minhas inquietações diárias
- Tenho uma opinião, como toda a gente. Apenas teórica, porque nunca se me colocou nenhuma situação daquele teor. Nalguns casos, pouco convicta.
Respeito escrupulosamente quem tem opinião contrária.
- Neste universo não há verdades absolutas, certezas de qualquer espécie.
Há uma dor de estômago quando se tem de encarar aquela situação
- Há conceitos e preconceitos, muitas vezes ditados por fundamentos religiosos, por alegadas razões médicas ou até por alguma ignorância – que todos temos.
- Falar destas coisas é entrar no campo das consciências, do que é mais íntimo e sagrado em cada um de nós.
- As decisões nestes campos – a favor ou contra – são absolutamente legítimas, devem ser respeitadas até ao fim, quando a pessoa que as toma está no uso da plenitude das suas capacidades intelectuais
- Entendo a eutanásia como meio de atalhar o sofrimento de vítimas de doenças incuráveis ou terminais
- Há quem lhe chame “morte bonita”, “morte feliz”, “direito a morrer com dignidade”; “suicídio assistido” ou “morte voluntária”.
- O sofrimento e a dor humanas são algo que me choca e me aterroriza. E julgo que não há razão para prolongar o sofrimento quando se esgota a esperança de uma vida com alguma consciência e a mínima qualidade.
- Não entendo que seja humano perpetuar uma vida vegetativa (distanásia), em nome de princípios que podem não ser os mais correctos .
- Entendo que um paciente, no uso das suas faculdades intelectuais, tem todo o direito a escolher o seu futuro. Por muito que nos custe, temos de respeitar.
- Algumas vezes, perante um caso terminal ou irreversível, pesa mais o egoísmo da família, do que o interesse ou o direito do doente.

- Há ainda uma realidade nova em Portugal que é o testamento vital, aprovado no Parlamento em 28 de Maio de 2009, vai fazer agora dois anos, com os votos do Partido Socialista e Partido Comunista Português, a abstenção do Bloco de Esquerda e o voto contra do PSD, do CDS-PP e de uma deputada socialista.

Um testamento vital é um documento em que consta uma declaração antecipada de vontade, que alguém pode assinar quando se encontra numa situação de lucidez mental para que a sua vontade, então declarada, seja levada em linha de conta quando, em virtude de uma doença, já não lhe seja possível exprimir livre e conscientemente a sua vontade.

- O que se assegura através destes documentos é a "morte digna", no que se refere à assistência e ao tratamento médico a que será submetido um paciente, que se encontra em condição física ou mental incurável ou irreversível, e sem expectativas de cura.
- No fundo, do que se trata é um cidadão poder pré-determinar se quer ou não que os médicos prolonguem artificialmente a sua vida naquelas condições.

- Em resumo, uma nota final:
Ninguém diga que a sua opinião sobre estas matérias é sagrada, definitiva e irretorquível.
Por mim, sinto-me mais incomodado que feliz, porque sobram as dúvidas, as inquietações, o desassossego, o terreno movediço, e falham as certezas que dão cor à vida.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A juventude está louca. Mas não só a juventude…

JN, 31 de Maio 2011, p. 31
1. Nos últimos dias, têm vindo ao conhecimento do público alguns casos de violência registados no nosso país e que arrepiam, pelo grau de crueldade, perversidade e de falta de respeito que evidenciam notoriamente.
Dá ideia que os valores humanos, ou o simples respeito pela vida humana, não têm nenhum significado para alguma juventude, que não denota nenhum lugar para a alma, ou para essa coisa bela chamada coração. Só pode ser gente sem futuro, sem sentimentos, sem educação, sem escola, sem lugar numa sociedade civilizada.
Falamos de duas jovens de 15 e 16 anos que agrediram selvaticamente uma adolescente de 13 a pontapé e a tudo o mais que a internet mostrou, porque o propósito, ao que se ouve, era a violência gratuita, a barbárie em estado puro, para colocar o apetecível e bombástico “produto” no youtube. Um cadastrado de 18 anos filmou tudo e dois ou três energúmenos assistiram impavidamente, ou até entusiasticamente, como parece ser o caso, sem prestarem auxílio à vítima.
Depois, foi o caso de uma parvalhona de 17 anos que agrediu com inúmeros golpes de x-acto uma miúda de 14 anos, por motivos fúteis, ainda não totalmente esclarecidos.
Ainda bem que a justiça foi célere e engavetou rapidamente os principais suspeitos, que ficaram em prisão preventiva, numa decisão que a sociedade aplaude com ambas as mãos.
É claro que se trata de jovens e que deveriam, ou poderiam, merecer uma mão mais benévola da justiça. Mas a justiça também tem de ser pedagógica e exemplar, para que outros da mesma igualha vejam refreados os seus ímpetos de violência sem sentido.
São dois episódios lamentáveis que ferem as consciências dos portugueses, pelo absurdo que os reveste e que todos consideram inadmissíveis e intoleráveis numa sociedade evoluída e respeitadora do próximo.
É caso para afirmar que a juventude está louca, embora, obviamente, não se possa generalizar. Há milhares e milhares de jovens que não se revêem nestas práticas criminosas e que levam uma vida perfeitamente normal, para a sua idade.

2. Mas parece que não é só a juventude, ou alguma juventude, que está louca. Também há personagens proeminentes na área da justiça que não estão melhores. Por exemplo, o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, que não se caracteriza propriamente pela sensatez, pela justa medida, pela moderação. A propósito da decisão dos juízes que aplicaram a prisão preventiva aos jovens agressores, nos dois casos referidos acima, o bastonário falou em decisões “medievais” e em que a justiça “não deve ser a da vontade do juiz” mas da lei. “Pessoas que não formaram a sua personalidade totalmente não deveriam ser metidas na prisão, que é uma escola de criminalidade e não de civismo e de cidadania” – afirmou Marinho e Pinto ao JN. De acordo, mas teremos que acrescentar: as ditas “pessoas que não formaram a sua personalidade totalmente”, de 16, 17 ou 18 anos, sabem perfeitamente o que fazem, sabem distinguir o bem do mal, sabem o que devem e o que não devem fazer. E sabem, ou devem saber, por isso, que cometer um crime, pode ter como consequência uma prisão preventiva, ou até uma condenação a passar meses ou anos numa prisão.
Com o seu pensamento paternalista e desculpabilizador, Marinho e Pinto não contribui em nada para que os jovens adquiram noções de civismo e de cidadania. Para ele, tenham 16 ou 18 anos, continuam seres menores, inimputáveis em relação ao que fazem, ou deixam de fazer. Desculpe o bastonário, mas está ultrapassadíssimo: os jovens hoje sabem mais que a Lúcia, passe o plebeísmo de que tanto gosta. E sabendo-o, e actuando em conformidade, têm de ser justamente responsabilizados pelos seus actos, sejam quais forem.
É do sentido de responsabilidade que estamos a falar: jovens daquela idade não são crianças, não têm apenas direitos e por isso a sociedade terá de os obrigar a assumir os deveres e os encargos de cidadania respectivos.
Uma última nota: gostaria de saber a opinião, ou melhor, o sentimento do douto bastonário, sempre muito preocupado em enfrentar os juízes, se as jovens agredidas fossem suas filhas, ou netas. Será que estaria preocupado em que as prisões fossem “escolas de criminalidade”? Ou pediria a justiça que os pais das ofendidas e a sociedade reclamam?
Sejamos razoáveis!...

Zeca Afonso vai ser revisitado no Teatro-Cinema de Fafe este sábado à noite


TRIBUTO A JOSÉ AFONSO – GRANDOLA VILA MORENA
Grupo “Canto Daqui”
Grupo “Sopros do Zeca”
Coro da Associação de Pais do Conservatório Calouste Gulbenkian

Sábado, 21h30
Preço: 3 €
Duração: 90’
Classificação: M/3

A programação do Teatro-Cinema de Fafe inclui este sábado à noite, 4 de Junho, um magnífico concerto de tributo a Zeca Afonso, figura central do movimento de renovação da música portuguesa nos anos 60 e 70.
Neste espectáculo, participam os grupos “Canto Daqui”, “Sopros de Zeca” e o Coro da Associação de Pais do Conservatório Calouste Gulbenkian de Braga, para além de outros músicos e solistas convidados.
O espectáculo tem a duração de hora e meia e arranca com a projecção de filme sobre Zeca Afonso, seguindo-se a intervenção dos vários grupos participantes a interpretar temas como “Menino do Bairro Negro”, “Traz outro amigo também”, “O que faz falta”, “Verdes são os Campos”, “A morte saiu à rua”, “Natal dos Simples”, “Canção de Embalar”, “Canto Moço”, “Coro da Primavera”, “Venham mais cinco” e, obviamente, naturalmente, para encerrar, o grande hino da Liberdade, “Grândola Vila Morena”.
Há vários anos que o grupo “Canto Daqui”, da cidade de Braga, evoca o aniversário da morte de José Afonso no dia 23 de Fevereiro, organizando um espectáculo de homenagem a este incomparável músico e compositor.
Este ano, o grupo levou este concerto de “Tributo a Zeca Afonso” à imponente sala principal do Theatro Circo de Braga num grande espectáculo com vários momentos apresentando a história e a música deste fantástico compositor e intérprete.
Neste concerto foram revisitados vários temas do vasto repertório de grande qualidade que nos deixou Zeca Afonso, apresentando novas sonoridades através da interpretação levada a cabo por várias formações.
Pelo palco passam mais de 60 elementos, integrando formações diferentes e criando um ambiente sonoro com novas abordagens muito interessantes de temas bem conhecidos do público. Nas últimas músicas estão todos em palco, criando um momento único.
A direcção musical deste concerto está a cargo do Prof. Filipe Cunha, produtor musical, professor e músico multi-instrumentista (cordas e sopros), director musical do grupo “Sons do Minho” (Viana do Castelo), membro do grupo “Tramadix” (Braga) e elemento integrante do grupo “Canto Daqui”.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Mais uma campanha alegre

1. Depois de semanas seguidas dessa mentira chamada “pré-campanha”, em que a única mensagem proibida é o apelo expresso ao voto, pelo menos, de forma escrita, eis-nos já nos últimos dias da campanha eleitoral, rumo às legislativas antecipadas do próximo domingo. Com bandeiras, cachecóis, autocolantes, cartazes, comícios, bebícios, caravanas, outdoors, gritaria, demagogia, numa espécie de carnaval tardio com ampla participação das forças partidárias. E essa “bebedeira das sondagens” diárias de que falava por estes dias Paulo Portas.
Não há dia que passe sem que se denunciem picardias entre os líderes dos principais partidos, sem que apareçam acusações, queixas, críticas, censuras, justificações, ataques pessoais e políticos. Como sempre, quem está no poder tudo faz para o conservar, defendendo-o e justificando-o, desculpando-se, enquanto quem vive na área da oposição trabalha para o conquistar, usando de todas as armas que a legalidade eleitoral lhe faculta. Ouvem-se, por estes dias, muita mentira, imensas enormidades, absurdos sem sentido, promessas que todos sabemos serem inconcretizáveis. É a mascarada no seu esplendor. Os candidatos deslocam-se às instituições, para tomarem contacto dos problemas que estão fartos de conhecer; as feiras enchem-se de bandeiras, de sorrisos, de abraços, de beijinhos. Por estes dias, os comuns cidadãos, potenciais eleitores, são os alvos de todas as campanhas. Os eleitores podem desconhecer os candidatos, mas estes não se importam: distribuem propaganda, prodigalizam simpatia, dão palmadas nas costas, como quem diz esperar pelo voto dos incautos.
Nestes dias, os candidatos, quaisquer que sejam, da esquerda à direita, como por magia, “conhecem” todos os eleitores. Transitoriamente, como é óbvio. Daqui a uns dias, apurados os resultados eleitorais, já não haverá ninguém nas feiras, nem nos tempos de antena, nem nas sondagens, nem nas promessas para não cumprir.
Tudo regressará à pacata normalidade!...

2. As sondagens conhecidas nos últimos dias (embora discrepantes) anunciam que o PSD de Passos Coelho poderá vir a ser o vencedor das próximas eleições. Sem maioria absoluta. Para a conseguir, só com a ajuda indispensável do CDS de Paulo Portas, que as sondagens dão como “partido-charneira” para a eventual obtenção de uma maioria de direita, como quer Cavaco Silva. Finalmente, poderá a direita vir a conseguir, pela primeira vez desde o 25 de Abril, o seu antigo sonho sá-carneirista de “um presidente, uma maioria, um governo”.
Poderá, então, vir a fechar-se um ciclo de seis anos de governo socialista que teve os seus bons momentos e os seus momentos de polémica; que fez reformas importantes, mas frequentemente contra os próprios protagonistas, o que raramente é bom sinal; que revelou demasiado autismo social, em determinados momentos; que enfrentou com vigor e coragem a maior crise financeira que se abateu sobre o país nas últimas décadas, mas que tudo indica vai acabar afogado nas águas de uma tempestade que não soube ou não conseguiu prever a tempo. Só um milagre salvará José Sócrates do cadafalso político.
Mas o povo sem qualquer dúvida tem sempre razão! …

Exposição de pintura “grotesca” na Casa de Berão (Ribeiros), apenas por uma tarde

O conceituado médico fafense, Manuel Joaquim Antunes Moreira, de 87 anos, voltou a reunir os seus muitos amigos, na tarde do passado sábado, 28 de Maio, na sua Casa de Berão, em Ribeiros, para mostrar as suas últimas criações pictóricas designadas “grotescas”, alguma pintura naife e artesanatos internacionais.
Estive lá, com todo o gosto, a convite do Dr. Antunes Moreira. Como estiveram o presidente do município, José Ribeiro, a presidente da Junta de Ribeiros e inúmeros amigos do pintor.
É a terceira exposição de pintura na Casa de Berão. Em todas estive presente. A primeira ocorreu em Maio de 2005, sob o título “Pinceladas à la longue…”. A segunda ocorreria dois anos depois, em 14 de Julho de 2007, uma exposição de retratos sob a epígrafe “Notáveis ou talvez não”…

O pintor assumidamente bissexto, um “artista de domingo”, assume que o motivo que o tem levado a apresentar formas de arte tão variadas, em quantidades reduzidas, “é principalmente para reunir os amigos”, entre os quais faz o favor de me contar. Os seus retratos grotescos, ridículos, investem a sua criatividade, baseada em desenhos traçados há alguns anos. Foram os italianos que criaram, no século XVI, o termo “pintura grotesca”, referindo-se a seres deformados, monstruosos, figuras macabras e fantasmagóricas, representações ridículas da condição humana, de que as gárgulas dos templos eram exemplos.
O autor juntou ainda para os seus amigos exemplares de pintura naife do Brasil e repúblicas sul-americanas e artesanato de diferentes países por onde passeou. Também tem na sua Casa de Berão interessante colecção de artesanato português e um conjunto invejável de presépios de diversas proveniências, nacionais e internacionais.

O Dr. Manuel Joaquim Antunes Moreira, filho de um ilustre advogado com o mesmo exacto nome, o “Dr. Neca das Leis”, como era conhecido em todo o Fafe, nasceu em 22 de Maio de 1924 e licenciou-se em medicina em 1948.
Em 1959, em Moçambique, com 35 anos de idade, começou a entreter-se com pincéis, óleos e telas, estimulado pela esposa, também médica, Eva Maria, que não se preocupou tanto em deixar o seu talento na tela.
Desde aquela altura, o médico fafense, quando o lazer o permitia, lá ia acabando algumas telas, gratificado por copiar, como podia e sabia, pintores célebres que lhe agradavam. Guiava-o um “primário auto-didactismo”…
Quando se aposentou, há alguns anos, entrou no Instituto D. António Ferreira Gomes, onde frequentou aulas dos conceituados mestres Carlos Carreiro e Albuquerque Mendes, aperfeiçoando a sua técnica no acrílico. Também frequentou aulas de escultura com Hélder Carvalho e tem na sua bela casa de Ribeiros alguns exemplares de esculturas dessa época.
É mais um valor artístico de Fafe, que importa enaltecer e divulgar.
Uma exposição de um dia, decorada com muitos amigos em redor. E uma simpatia inenarrável do Dr. Antunes Moreira e da sua adorada esposa, Dra. Eva Maria.
Para o “artista de domingo”, um talentoso retratista, embora se subestime, vão as minhas maiores felicitações!   

domingo, 29 de maio de 2011

Um inolvidável espectáculo para uma imensa minoria

Mais uma vez os fafenses primaram pela desmotivante ausência ao inolvidável espectáculo que foi o “Portugal Acústico”, este sábado à noite!...
É inacreditável como um espectáculo com esta qualidade não consegue encher sequer a plateia do Teatro-Cinema de Fafe. Não me venham mais com as estafadas estórias: que não sabiam, que não deram conta, que havia outras alternativas, que em Fafe não se passa nada…
Desculpem, mas o que se passa é uma imensa incultura no nosso meio, uma apatia, uma indiferença que arrepia e desmobiliza. Não é possível que o “Portugal Acústico” não tenha conseguido mobilizar mais gente… Gente que faz gala em dizer que vai (vai mesmo?...) a Guimarães, a Braga, ou ao Porto, pagar 15 ou 20 euros por espectáculo, e não paga uns míseros 5 euros na sua terra…
Nesta altura, apetece-me também virar-me para outro lado. Essa porra dos bloguistas, que não passa disso mesmo: mandam uns bitaites, criticam quando o programa não agrada, não dizem uma mera palavra quando o programa contenta, mas o certo é que nunca aparecem em nada. Ninguém os vê em lado nenhum… Não passam de uns inteligentes… Mas será que essa fauna existe mesmo?!...
No mais, assistimos a um dos mais belos espectáculos que se realizaram este ano no Teatro-Cinema de Fafe.
Um cantor excepcional, Ricardo Soler, vencedor da “Operação Triunfo”, com uma voz encantadora, maleável e quatro músicos que estiveram ou estão nos UHF, a começar pelo excelente guitarrista António Côrte-Real, filho do líder da banda António Manuel Ribeiro.
Dir-se-ia que, este sábado, estiveram em Fafe os UHF sem o seu o líder.
Ao longo de mais de hora e meia foram interpretadas canções portuguesas, de diferentes artistas e grupos, como Quinta do Bill, Lúcia Moniz, Rádio Macau, Xutos e Pontapés, Pólo Norte, UHF, Paulo Gonzo, Clã, João Pedro Pais e Santos & Pecadores, entre outros.
Foi uma grande festa de homenagem à música portuguesa, que merece o maior apoio…
No decorrer do espectáculo, para lá de se voltar a evidenciar a singularidade e magnificência da sala, António Côrte-Real anunciou publicamente que os UHF têm nos seus propósitos gravar um DVD musical no Teatro-Cinema de Fafe, porque é das mais belas salas que já encontraram neste país…
Essa declaração só nos pode deixar orgulhosos e envaidecidos, sem qualquer dúvida!... Será a nacionalização e até a internacionalização do Teatro-Cinema de Fafe!...
Enquanto isso, os fafenses vão-se deleitando nos cafés, nos televisores, nas caminhadas!...
Tenham bom proveito!...
Fotos: Manuel Meira Correia