segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tereza Salgueiro encantou os fafenses com magia, lirismo e sensualidade

O Teatro-Cinema de Fafe, lotado como um ovo, rendeu-se à magia, à sensualidade, ao lirismo, à paz interior desse nome grande da música portuguesa actual, Tereza Salgueiro. Foi este sábado à noite, 18 de Junho, quando a cantora aqui trouxe o seu mais recente trabalho, Voltarei à minha Terra.
O evento integrou-se no quadro do programa “Concertos Íntimos” para este ano, de que constitui o terceiro momento, após as actuações de Tim (Fevereiro) e Sérgio Godinho (Abril). Ficam a faltar os concertos com Rita Redshoes (8 de Outubro) e Carminho (10 de Dezembro).
Ao longo de cerca de hora e meia e excelentemente acompanhada pelos músicos Carisa Marcelino (acordeão), André Santos (guitarra clássica), Óscar Torres (contrabaixo) e Rui Lobato (percussão), Tereza Salgueiro empreendeu uma belíssima digressão a músicas do imaginário português do século XIX, que começaram em Fernando Lopes Graça e continuaram em Zeca Afonso, Fausto e outros consagrados compositores nacionais. Espaço houve ainda para três fados de Lisboa e um de Coimbra, sempre com o timbre irrepreensível dessa voz divinal que espalha encanto e fascinação em seu redor.
Após os habituais “encores”, a artista da voz de ouro ainda teve tempo para “regressar” a um mítico tema dos Madredeus, que dedicou à sua filha, presente na sala e que a todos soltou a memória de um dos grandes momentos da carreira da cantora. De recordar que em 2007, Tereza abandonou os Madredeus, em favor da sua carreira a solo, a qual inclui os álbuns Obrigado (2005), Você e Eu (2007), La Serena (2007), Matriz (2009) e agora Voltarei à Minha Terra (2011).

Voltarei à minha Terra é, assim, a nova viagem de Tereza Salgueiro, através da memória colectiva da música portuguesa. Tereza desliza entre paisagens brilhantes e infinitas, envolta pela luminosidade de uma voz cristalina, revelando-nos ecos distantes e os mistérios da saudade. Este universo poético, nascido de palavras e sentimentos portugueses, convida-nos a respirar uma música doce e intensa, ao mesmo tempo que nos seduz numa delicada teia de desejos, esperanças e sonhos.
Tereza Salgueiro teve ainda palavras de muito apreço para o município de Fafe e para as pessoas e entidades que tão bem a têm acolhido, não apenas por altura deste espectáculo mas quando há semanas aqui esteve durante alguns dias para descansar e conhecer o concelho: a Aldeia do Pontido e o Doce Abrigo, entre outros espaços locais.

Tereza Salgueiro: uma simpatia sem limites!


A artista agradeceu a todo o maravilhoso público presente e afirmou, na sua voz doce e reconhecida: “ainda bem que este Teatro não foi abaixo!”.
Claro que sim: estamos todos de acordo!
Enfim, Fafe assistiu a mais um concerto de sonho numa noite calma de início de Verão!...
Fotos: Manuel Meira Correia

domingo, 19 de junho de 2011

Pela renovação das elites políticas

1. As eleições legislativas do passado dia 5 de Junho, permitem diversificadas leituras políticas. A primeira delas, obviamente, significa que os eleitores votaram, inequivocamente, no sentido da mudança, da alteração profunda do paradigma que vinha sendo seguido nos últimos anos pelo governo socialista. Como sufragou, de modo convincente, a necessidade da estabilidade política, neste caso, não através de um único partido, mas do acordo político das duas maiores forças da direita, o PSD e o CDS/PP, o qual acaba de ser anunciado, dando origem ao XIX governo constitucional.
Estão, assim, criadas as condições para que não haja desculpas para as profetizadas reformas que é necessário levar a cabo, e para o duro combate que vai ser necessário empreender para cumprir, a tempo e horas, as exigências especulativas dos bancos europeus, acobertados na chamada “troika”, e que nos vão levar os dedos e os anéis no fim do pagamento dos 78 mil milhões de euros que nos estão a emprestar.
2. Uma segunda leitura sobre as eleições tem a ver com as famigeradas sondagens. Durante semanas, davam os dois partidos principais com um alegado empate técnico, o que levou o arguto e prazenteiro Paulo Portas a declarar, vê-se agora que com toda a razão, que o que estava em causa era um “empate lírico”, ou seja, que os estudos de opinião não corresponderiam à vontade do eleitorado, como veio a verificar-se. O que levanta a questão grave da confiança, da credibilidade e da fiabilidade das sondagens, por um lado e, por outro, a de saber até que ponto os cidadãos contactados pelas empresas do sector dizem a verdade sobre as suas opções políticas.
De todo o modo, o que se verificou, lendo os resultados, foi um tremendo “buraco” nas previsões das principais sondagens. A diferença de mais de 10% entre o PSD e o PS nunca teve sequer uma aproximação nos vários estudos de opinião apresentados nas semanas anteriores às eleições. A famosa “margem de erro”, desta vez, foi demasiado larga!...
3. Finalmente, por agora, há uma terceira reflexão e que tem a ver com a elevadíssima taxa de abstenção registada nestas eleições (41,09%), a maior de todas as eleições legislativas, num momento particularmente grave da vida nacional e que não é justificável, por razões climatéricas ou outras, com as quais costumamos mascarar a incomodidade da situação.
Significam os números que pouco menos que metade dos portugueses não se revê nos actuais partidos políticos, e tantos eles são, da extrema-esquerda à extrema-direita. Sobretudo, foram os jovens a abster-se de participar nestas eleições, o que agrava a situação. A apatia, o desencanto, a desilusão, o conformismo, a falta de motivação são “sinais” que devem inquietar fortemente os responsáveis políticos, numa altura em que as forças partidárias continuam a perder atractividade, por serem vistas como centros de interesses e não como universos de valores e de ideologias. A tal facto também não é alheia a convicção generalizada de que nos partidos e nos governos estão sempre as mesmas pessoas. Basta ver quanto tempo esteve no governo José Sócrates; há quanto tempo está na vida política e no governo Paulo Portas; de quantos anos é feito o percurso partidário de Passos Coelho, desde os tempos da jota. São exemplos destes que levam muitos a opinar que a não renovação do pessoal político é também um factor de desmobilização do eleitorado.
Outra questão é a limitação dos mandatos dos titulares dos cargos políticos: se o Presidente da República, os presidentes de câmara e de junta têm os seus mandatos limitados por lei, porque carga de água não há-de acontecer o mesmo com os deputados (que se perpetuam nas cadeiras de S. Bento) ou os titulares dos governos regionais (João Jardim já está no poder na Madeira quase há tanto tempo como Kadaffi...)?
Tem de haver moralidade, justiça e credibilidade no funcionamento do sistema político...
Por isso, os jovens descomprometidos começam a ocupar outros espaços de sociabilidade que não os partidos políticos e a desinteressar-se pela vida partidária.
Esta, a meu ver, é uma reflexão que terá de fazer-se em diferentes estruturas e areópagos, para que a democracia não acabe por esvaziar-se de conteúdo e de pertinência, reduzindo-se ao formalismo regular das eleições e das “maiorias”, por muito representativas que possam ser!...

(artigo publicado parcialmente no semanário Povo de Fafe de 17 de Junho de 2011, na coluna "Escrita em Dia").

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Tereza Salgueiro em Fafe

Está esgotadíssimo o concerto de Tereza Salgueiro previsto para este sábado à noite, no Teatro-Cinema de Fafe.
Um grande espectáculo em perspectiva, não temos dúvidas, dada a relevância, o talento e o virtuosismo da artista, que foi a voz cristalina dos Madredeus.
Para os leitores amigos, aqui ficam algumas imagens de Tereza Salgueiro tiradas pelo também artista fotográfico Manuel Meira Correia há algumas semanas, no âmbito de um trabalho para a revista da TAP, UP, a distribuir nos aviões no próximo mês de Agosto e que funciona como um roteiro de visita ao município e às potencialidades turísticas, naturais e culturais de Fafe.
Aqui, a artista está na bela zona norte do nosso concelho, concretamente em Aboim.



segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fernando Pessoa, há 133 anos

ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR

António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular...
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
......
Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Pica só azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
......
Coitadinho
do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.
Mas enfim é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.

Fernando António Nogueira Pessoa, o maior poeta português contemporâneo, o "supra-Camões", nasceu em Lisboa, em 13 de Junho de 1888, faz hoje 133 anos e faleceu em 30 de Novembro de 1935.
Deixamos aqui um poema seu, dos menos conhecidos mas mais significativos.

(Toda a obra de Fernando Pessoa em http://arquivopessoa.net/)


Dois Livros-Objecto apresentados sexta-feira na Biblioteca Municipal de Fafe

Esta sexta-feira, dia 17 de Junho, pelas 21h30, terá lugar na Biblioteca Municipal de Fafe a apresentação de dois livros do autor Richard Towers (pseudónimo do artista Martinho Torres) pela editora Neoma Produções. Um conceito novo, inovador e diferente, para descobrir!
É-nos proposta uma incursão pelo inovador mundo literário do autor, através de duas obras – Tempo e Reflexos – os seus mais recentes lançamentos. Nesta abordagem, ficaremos também a conhecer melhor o conceito que rege a Neoma Produções, a editora que reinventou o livro, e penetraremos no íntimo processo criativo do autor, ficando a conhecer os segredos por detrás da concepção do livro-relógio e do livro-espelho. Haverá também lugar a interlúdios musicais que convidarão à reflexão e introspecção.
Richard Towers tem divulgado a sua obra em prestigiados espaços culturais (FNAC’s e livrarias de todo o pais), é candidato a vários prémios de inovação e promete edificar uma carreira ímpar através da sua visão única e original da literatura e do livro.
Caro leitor: apareça na BM de Fafe, esta sexta-feira à noite. Imperdível!

sábado, 11 de junho de 2011

Feira tradicional voltou a animar a cidade de Fafe


Como tem acontecido nos últimos dias 10 de Junho, a Praça 25 de Abril, coração urbano de Fafe, foi ocupado pelos feirantes dos mais diversos ramos, encenando uma feira tradicional de há décadas.
Ao longo de um dia solarengo e aprazível, passaram pelas inúmeras barracas dispersas pela praça largas centenas ou até milhares de pessoas que se encantaram com os produtos expostos, que iam dos produtos agrícolas das nossas aldeias às louças de barro, dos diversos produtos do fumeiro ao pão e aos doces, dos brinquedos de madeira da nossa infância, incluindo as lousas e os piões, que fizeram as delícias dos mais pequenos, a diferentes artigos de artesanato tradicional, como os xailes, os lenços, as meias de lã, os cestos e os açafates. Foi o regresso à memória da vida campestre e dos seus plurais instrumentos e vivências individuais e colectivas.
Não faltaram os pregões das vendedoras ambulantes, o ardina a vender os jornais do dia, nem faltou obviamente a tenda dos comes e bebes onde muitos almoçaram e provaram das pataniscas e das iguarias proporcionadas pela organização.
Ao longo do dia, o Rancho Folclórico de Fafe, que organizou o certame, com o apoio de grupos congéneres da região, deu asas aos seus cantares e dançares, que animaram por um dia o centro da nossa cidade, que assim regressou a outros tempos, ainda não muito distantes, em que as feiras semanais e anuais se realizavam na praça central da então vila (primeiro, Praça da República e, depois, Praça Oliveira Salazar).
Será de recordar que em Fafe se realiza a feira semanal das quartas-feiras desde 15 de Abril de 1872, vai para 140 anos…

Feira semanal, há cerca de um século atrás...
Tendo mudado de local, hoje concentrando-se na Praça das Comunidades, e de filosofia, mesmo assim as feiras continuam como locais de exposição e venda de toda a sorte de produtos, desde os agrícolas aos artesanais e até industriais. Os agricultores descem dos seus espaços rurais, às quartas-feiras, para comercializar couves, batatas, feijão, fruta ou coelhos com que reforçam o rendimento familiar. Os artesãos fazem-nos de igual modo, expondo cestaria, chapéus de palha ou pequenos móveis e objectos de uso doméstico ou decorativo. Depois, há os “profissionais” das feiras, que correm todos os certames das redondezas, com as suas tendas de sapatos, roupas, miudezas, ourivesaria.
Vindas da Idade Média, as feiras têm hoje outras componentes, eventualmente outros objectivos e motivações. A função e pertinência mantêm-se, sobrevivendo à realidade das pequenas e grandes superfícies.
Todos os anos, no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, o Rancho Folclórico de Fafe transporta-nos à pureza das feiras que se realizavam há muitos, muitos anos. No local certo, o coração da cidade!...

Fotos: Manuel Meira Correia

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Município de Fafe relança Prémio de História Local

O Município de Fafe, visando continuar a estimular a pesquisa e investigação em torno da sua identidade, no passado e nas suas diferentes perspectivas, acaba de instituir, pela décima vez, o Prémio de História Local “Câmara Municipal de Fafe “.
Artur Magalhães Leite (à esquerda) recebeu a mais recente edição do prémio, em 25 de Abril último, das mãos do Vereador Pompeu Martins
Podem concorrer ao Prémio de História Local todos os que o pretendam, residam ou não no concelho, com trabalhos originais e inéditos sobre um ou vários aspectos da história de Fafe, a nível administrativo, politico, económico, social, cultural, artístico, religioso ou outro (s).
Segundo o regulamento há pouco aprovado pelo Executivo, na avaliação dos trabalhos serão ponderados aspectos como a utilização privilegiada das fontes primárias, a valorização da originalidade e actualidade dos temas, a clareza e correcção da linguagem, a coerência global e a apresentação formal.
Os trabalhos concorrentes terão de ser escritos em português, com o mínimo de 30 páginas.
O Prémio tem o valor pecuniário de 1 000 € e galardoará apenas o melhor trabalho concorrente. A Câmara garantirá, além disso, a publicação da obra vencedora na revista Dom Fafes.
Para efeitos de atribuição do Prémio, será nomeado um Júri constituído por um conjunto de três personalidades idóneas a indicar oportunamente pela autarquia.
Os interessados em concorrer devem remeter quatro exemplares do seu trabalho, dactilografado em folhas de formato A4, a 2 espaços, para Casa Municipal de Cultura de Fafe (Prémio de História Local) – Rua Major Miguel Ferreira – 4820-276 Fafe. Cada concorrente apenas pode remeter um trabalho.
O prazo de recepção das obras concorrentes decorre até ao dia 31 de Março de 2012, ocorrendo a entrega ao prémio ao autor da obra vencedora em 25 de Abril seguinte.
De recordar que a anterior edição do prémio (entregue no passado dia 25 de Abril) galardoou o investigador fafense, Artur Magalhães Leite, pelo seu trabalho O Ensino em Fafe durante a Primeira República.

Foto: Manuel Meira Correia