terça-feira, 28 de junho de 2011

Eduardo Ribeiro apresenta em Guimarães o livro "Insubmissão - Resistência ao Salazarismo"

A Sociedade Martins Sarmento e o autor convidam os leitores a participar no lançamento da obra Insubmissão - Resistência ao Salazarismo (não apaguem a memória), da autoria do antifascista e enorme democrata, Eng. Eduardo Ribeiro, de Guimarães, bem conhecido dos fafenses e nosso amigo, o qual se realiza esta quinta-feira, 30 de Junho, pelas 21h30, no salão nobre daquela instituição cultural vimaranense.
A entrada é livre.
Estaremos lá!

sábado, 25 de junho de 2011

Mar, amor

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Foto da net

 









trouxe nos búzios o mar para ti

deposito, meu amor, nos teus cabelos
a frescura marítima dos beijos e das carícias
e das gaivotas que atravessam
a manhã

em voos sensuais redondos indizíveis
de tamanha plenitude

deixo contigo o sonoro cristal de água
que me bebe em ti
ritmo incontido universo de asas
barcos palavras perigos
deixo contigo a paixão das searas
a fúria incansável de verão
o fogo solar incêndio de mãos
corpos em desalinho lábios frementes
inquietos na investida das ondas
ao encontro dos barcos

meu amor, é teu o mar
e todo o cais que se tece em meu olhar

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Amigo Barroso da Fonte homenageado em Montalegre


Tive a honra de participar, recentemente, na vila de Montalegre, à homenagem que o município prestou ao nosso confrade, amigo e conterrâneo Dr. Barroso da Fonte, colunista nas páginas do Povo de Fafe. Barroso da Fonte foi merecidamente agraciado com a mais alta condecoração municipal, em ouro, pela sua inabalável paixão por tudo o que é barrosão, tendo recebido as palavras mais elogiosas de inúmeras pessoas, de Montalegre e de outras terras (recebeu uma embaixada de Guimarães com mais de uma dezena de amigos…). Estiveram presentes, além dos autarcas locais, o governador civil de Vila Real, o escritor Bento da Cruz, o padre Lourenço Fontes, entre muitas outras personalidades.
No Eco-museu do Barroso, excelente espaço cultural, inaugurou uma exposição dos seus livros, artigos, condecorações, pertences diversos, recolhidos ao longo de uma vida e que anunciou doar ao município, oportunamente.
Quero aqui dizer da minha felicidade por ter testemunhado a alto apreço com que Barroso da Fonte é tido em Montalegre e no país, de onde vieram palavras amigas, justas e solidárias para com um grande homem, um homem bom, aguerrido, lutador integérrimo pelos interesses e ideais em que acredita (dos temas barrosãos a D. Afonso Henriques e aos combatentes do Ultramar).
Autor de meia centena de livros, em prosa e verso, Barroso da Fonte vive em Guimarães, onde exerceu cargos de responsabilidade, entre os quais director da delegação do Porto da comunicação social, vereador a tempo inteiro do pelouro da Cultura do município de Guimarães, director do semanário O Comércio de Guimarães, o mais antigo jornal do distrito de Braga; esteve entre os fundadores da Rádio Santiago; diretor da revista Gil Vicente, do jornal Voz de Guimarães e é, actualmente, director do Poetas & Trovadores com mais de 30 anos de vida. Iniciou-se no jornalismo em 24 de Janeiro de 1953, actividade que pratica ininterruptamente desde essa altura, já lá vão quase 60 anos.
Justa e merecida homenagem a um dos barrosões e transmontanos mais ilustres do país!
Aqui ficam algumas imagens.




Um texto mais circunstanciado e mais fotografias podem ser vistas na página do município de Montalegre, em http://www.cm-montalegre.pt/showNT.php?Id=1487.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Deolinda são a atracção das Festas de Antime, este ano reduzidas a três dias

Deolinda
A antecipação da Marcha Luminosa, para a noite de domingo, é uma das principais novidades das Festas do Concelho em honra de N. Sr.ª de Antime 2011.
Paralelamente irão realizar-se as Festas do Concelho Gastronómicas, que decorrerão nos dias 8, 9 e 10 de Julho, com a participação de 14 restaurantes de Fafe.
O programa foi apresentado pelo presidente da Naturfafe, Vítor Moreira, Director-delegado, António Teixeira Alves e pela Técnica de turismo, Sílvia Fernandes.
Vítor Moreira realçou o carácter solene das festividades e lembrou mais uma vez o sacrifício da autarquia em assumir, através da Naturfafe, as festas do concelho em honra de Nª Sª de Antime, num ano em que, mais do que nunca, é necessário muita contenção nas despesas. Ficou assumido que haverá uma redução orçamental de 30% em relação ao ano passado. “Não podemos gastar mais de 120.000 euros” – disse.
Quanto ao facto de ser antecipada a Marcha Luminosa para a noite de domingo, foi uma opção da direcção, após auscultar opiniões de diversas pessoas, ao longo de diversos anos, permitindo uma melhor gestão das festas e ao mesmo tempo reduzir nos custos finais.
Quanto ao programa festivo, de destacar, na noite de sexta-feira, dia 8, o espectáculo “Uma Canção Para Ti” em que a fafense Margarida Costa e um grupo de Jovens Cantores farão a primeira parte de um Concerto com a presença do “Progeto Aparte”. O dia de sexta-feira termina com a já tradicional Noite de Fados de Coimbra.
Destaque para o dia 09 (sábado) com o concerto musical pelo Grupo “Deolinda”, o da "Parva que eu sou" e para a Marcha Luminosa que este ano tem lugar na noite de domingo.

Programa das Festas 2011:

07 de Julho (Quinta-feira)

21H30 – Inauguração das Iluminações

08 de Julho (Sexta-feira)
21H00 – Encontro de Coros (Igreja Nova)
21H30 – Espectáculo Margarida Costa/Jovens Cantores "Uma canção para Ti"
23H00 – Espectáculo Musical com Progeto Aparte
00H00 – Fados de Coimbra

9 de Julho (Sábado)

9H30 às 18H00 – Torneio Street Basquete Cidade de Fafe (Torre do Relógio)
10H00 – Bombos na Arcada
10H00/23H00 – Animação de rua com insufláveis (Centro da Cidade)
14H00 – XI Passeio de Cicloturismo “União Desportiva Amigos da Roda de Quinchães” - Grande Prémio Ciclismo
21H00 – Desfile dos Ranchos participantes na Mostra de Folclore (Centro da Cidade)
21H00 – Encontro de Coros (Igreja Nova)
21H30 – XVII Mostra de Folclore de Fafe (Praça 25 de Abril)
22H00 – Espectáculo Musical com o grupo "Deolinda” (Praça Mártires do Fascismo)
24H00 – Águas Dançantes – Espectáculo de água, musica, Luz, e Pirotecnia (Praça Mártires do Fascismo)

10 de Julho (Domingo)

10H00 – Procissão de Nossa Senhora das Dores (Saída de Fafe em Direcção a Antime)
10H00 – Procissão de Nossa Senhora da Misericórdia (saída de Antime em direcção a Fafe)
10H30 – Encontro das duas procissões na Ponte de S. José (após a reunião das duas procissões, seguem rumo a Fafe - Igreja Nova)
10H00/ 19H00 – Animação de rua com insufláveis (Centro da Cidade)
11H30 – Chegada da Procissão à Câmara Municipal (Largada de Pombos – Sessão de Fogo)
12H00 – Chegada da Procissão à Igreja Nova (Missa Solene)
15H00 às 19H00 – Desfile e Concerto das Bandas Filarmónicas de Golães e Revelhe (centro da cidade)
18H00 – Regresso da Procissão de Nossa Senhora da Misericórdia (Saída da Igreja Nova em direcção a Antime)
18H30 – Cerimónia do Adeus (Horto) com largada de balões
21H00 – Desfile e Concerto das Bandas Filarmónicas de Golães e Revelhe (Centro Cidade)
23H00 – Fogo de Artifício – Centro da Cidade
23H15 – Marcha Luminosa – Encerramento das festas

quarta-feira, 22 de junho de 2011

“Bolingbrook”: nova comédia do Teatro Vitrine estreia quinta-feira


Quinta-feira, 21h30
Preço: 2 €
Duração: 90’
Classificação: M/6
Teatro-Cinema de Fafe

O Teatro Vitrine, do Grupo Nun’Álvares, estreia o seu mais recente trabalho, uma comédia, esta quinta-feira, 23 de Junho, pelas 21h30, no Teatro-Cinema de Fafe. A entrada custa apenas 2 euros.
 “Bolingbrook” é uma comédia de costumes recheada de crítica social da época com personagens originais onde o tratamento preconceituoso era considerado normal. O enredo passa-se entre Lisboa e Porto, no final do séc. XVI, no meio de Feiras e Tabernas típicas da época, com muita música à mistura.
A peça conta a história de dois amigos ingleses, John e Bolingbrook que, apaixonados pelas irmãs Virgínia e Clarisse, e em mais uma visita a Lisboa, decidem roubá-las ao pai que, por sua vez, não consente que suas filhas namorem com dois estrangeiros. Já no Porto, longe de casa, as duas irmãs sofrem com o tratamento britânico dos seus maridos que em nada se parecem com os antigos amantes que em tempos conheceram. Para culminar, vêm a saber que na realidade não estão casadas legitimamente e mais não passam do que amantes dos próprios maridos…
E é assim por meio de planos mirabolantes, idas e vindas, brigas e paixões que a história se desenvolve. Sempre com a ajuda do atrapalhado Jeremias que, por sua vez, passa a vida a fugir com medo da sua brava esposa Henriqueta. Mas um acontecimento faz brotar o amor entre o casal, que resolve apoiar as infelizes Virgínia e Clarisse numa fuga de volta a Lisboa quando o quadro muda de figura.

FICHA TÉCNICA

AUTOR: adaptação do texto de Martins Pena
ENCENAÇÃO: Orlando Alves
ELENCO: Orlando Alves, como Bobo; Verónica Costa, como Tocador; Daniel Pinto, como Jeremia; Norberto Cunha, como John; Rafael Leite, como William Bolingbrook; Elisa Freitas, como Clarisse; Andreia Fernandes, como Virgínia; Anabela Teixeira, como Henriqueta; Joaquim Leite, como Narciso das Neves; Olga Freitas, como Judite e alunos da Cercifaf, restante elenco.
CENOGRAFIA e FIGURINOS: Teatro Vitrine
LUMINOTECNIA: Gilberto Magalhães
SONOPLASTIA: Filipe Ferreira

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tereza Salgueiro encantou os fafenses com magia, lirismo e sensualidade

O Teatro-Cinema de Fafe, lotado como um ovo, rendeu-se à magia, à sensualidade, ao lirismo, à paz interior desse nome grande da música portuguesa actual, Tereza Salgueiro. Foi este sábado à noite, 18 de Junho, quando a cantora aqui trouxe o seu mais recente trabalho, Voltarei à minha Terra.
O evento integrou-se no quadro do programa “Concertos Íntimos” para este ano, de que constitui o terceiro momento, após as actuações de Tim (Fevereiro) e Sérgio Godinho (Abril). Ficam a faltar os concertos com Rita Redshoes (8 de Outubro) e Carminho (10 de Dezembro).
Ao longo de cerca de hora e meia e excelentemente acompanhada pelos músicos Carisa Marcelino (acordeão), André Santos (guitarra clássica), Óscar Torres (contrabaixo) e Rui Lobato (percussão), Tereza Salgueiro empreendeu uma belíssima digressão a músicas do imaginário português do século XIX, que começaram em Fernando Lopes Graça e continuaram em Zeca Afonso, Fausto e outros consagrados compositores nacionais. Espaço houve ainda para três fados de Lisboa e um de Coimbra, sempre com o timbre irrepreensível dessa voz divinal que espalha encanto e fascinação em seu redor.
Após os habituais “encores”, a artista da voz de ouro ainda teve tempo para “regressar” a um mítico tema dos Madredeus, que dedicou à sua filha, presente na sala e que a todos soltou a memória de um dos grandes momentos da carreira da cantora. De recordar que em 2007, Tereza abandonou os Madredeus, em favor da sua carreira a solo, a qual inclui os álbuns Obrigado (2005), Você e Eu (2007), La Serena (2007), Matriz (2009) e agora Voltarei à Minha Terra (2011).

Voltarei à minha Terra é, assim, a nova viagem de Tereza Salgueiro, através da memória colectiva da música portuguesa. Tereza desliza entre paisagens brilhantes e infinitas, envolta pela luminosidade de uma voz cristalina, revelando-nos ecos distantes e os mistérios da saudade. Este universo poético, nascido de palavras e sentimentos portugueses, convida-nos a respirar uma música doce e intensa, ao mesmo tempo que nos seduz numa delicada teia de desejos, esperanças e sonhos.
Tereza Salgueiro teve ainda palavras de muito apreço para o município de Fafe e para as pessoas e entidades que tão bem a têm acolhido, não apenas por altura deste espectáculo mas quando há semanas aqui esteve durante alguns dias para descansar e conhecer o concelho: a Aldeia do Pontido e o Doce Abrigo, entre outros espaços locais.

Tereza Salgueiro: uma simpatia sem limites!


A artista agradeceu a todo o maravilhoso público presente e afirmou, na sua voz doce e reconhecida: “ainda bem que este Teatro não foi abaixo!”.
Claro que sim: estamos todos de acordo!
Enfim, Fafe assistiu a mais um concerto de sonho numa noite calma de início de Verão!...
Fotos: Manuel Meira Correia

domingo, 19 de junho de 2011

Pela renovação das elites políticas

1. As eleições legislativas do passado dia 5 de Junho, permitem diversificadas leituras políticas. A primeira delas, obviamente, significa que os eleitores votaram, inequivocamente, no sentido da mudança, da alteração profunda do paradigma que vinha sendo seguido nos últimos anos pelo governo socialista. Como sufragou, de modo convincente, a necessidade da estabilidade política, neste caso, não através de um único partido, mas do acordo político das duas maiores forças da direita, o PSD e o CDS/PP, o qual acaba de ser anunciado, dando origem ao XIX governo constitucional.
Estão, assim, criadas as condições para que não haja desculpas para as profetizadas reformas que é necessário levar a cabo, e para o duro combate que vai ser necessário empreender para cumprir, a tempo e horas, as exigências especulativas dos bancos europeus, acobertados na chamada “troika”, e que nos vão levar os dedos e os anéis no fim do pagamento dos 78 mil milhões de euros que nos estão a emprestar.
2. Uma segunda leitura sobre as eleições tem a ver com as famigeradas sondagens. Durante semanas, davam os dois partidos principais com um alegado empate técnico, o que levou o arguto e prazenteiro Paulo Portas a declarar, vê-se agora que com toda a razão, que o que estava em causa era um “empate lírico”, ou seja, que os estudos de opinião não corresponderiam à vontade do eleitorado, como veio a verificar-se. O que levanta a questão grave da confiança, da credibilidade e da fiabilidade das sondagens, por um lado e, por outro, a de saber até que ponto os cidadãos contactados pelas empresas do sector dizem a verdade sobre as suas opções políticas.
De todo o modo, o que se verificou, lendo os resultados, foi um tremendo “buraco” nas previsões das principais sondagens. A diferença de mais de 10% entre o PSD e o PS nunca teve sequer uma aproximação nos vários estudos de opinião apresentados nas semanas anteriores às eleições. A famosa “margem de erro”, desta vez, foi demasiado larga!...
3. Finalmente, por agora, há uma terceira reflexão e que tem a ver com a elevadíssima taxa de abstenção registada nestas eleições (41,09%), a maior de todas as eleições legislativas, num momento particularmente grave da vida nacional e que não é justificável, por razões climatéricas ou outras, com as quais costumamos mascarar a incomodidade da situação.
Significam os números que pouco menos que metade dos portugueses não se revê nos actuais partidos políticos, e tantos eles são, da extrema-esquerda à extrema-direita. Sobretudo, foram os jovens a abster-se de participar nestas eleições, o que agrava a situação. A apatia, o desencanto, a desilusão, o conformismo, a falta de motivação são “sinais” que devem inquietar fortemente os responsáveis políticos, numa altura em que as forças partidárias continuam a perder atractividade, por serem vistas como centros de interesses e não como universos de valores e de ideologias. A tal facto também não é alheia a convicção generalizada de que nos partidos e nos governos estão sempre as mesmas pessoas. Basta ver quanto tempo esteve no governo José Sócrates; há quanto tempo está na vida política e no governo Paulo Portas; de quantos anos é feito o percurso partidário de Passos Coelho, desde os tempos da jota. São exemplos destes que levam muitos a opinar que a não renovação do pessoal político é também um factor de desmobilização do eleitorado.
Outra questão é a limitação dos mandatos dos titulares dos cargos políticos: se o Presidente da República, os presidentes de câmara e de junta têm os seus mandatos limitados por lei, porque carga de água não há-de acontecer o mesmo com os deputados (que se perpetuam nas cadeiras de S. Bento) ou os titulares dos governos regionais (João Jardim já está no poder na Madeira quase há tanto tempo como Kadaffi...)?
Tem de haver moralidade, justiça e credibilidade no funcionamento do sistema político...
Por isso, os jovens descomprometidos começam a ocupar outros espaços de sociabilidade que não os partidos políticos e a desinteressar-se pela vida partidária.
Esta, a meu ver, é uma reflexão que terá de fazer-se em diferentes estruturas e areópagos, para que a democracia não acabe por esvaziar-se de conteúdo e de pertinência, reduzindo-se ao formalismo regular das eleições e das “maiorias”, por muito representativas que possam ser!...

(artigo publicado parcialmente no semanário Povo de Fafe de 17 de Junho de 2011, na coluna "Escrita em Dia").