quinta-feira, 7 de julho de 2011

Insubmissão – Resistência ao Salazarismo em livro memorialista de Eduardo Ribeiro

O salão nobre da Sociedade Martins Sarmento, na vizinha cidade de Guimarães, foi palco, há dias, do lançamento da obra Insubmissão – Resistência ao Salazarismo (não apaguem a memória), do engenheiro Eduardo Ribeiro, uma publicação da Chiado Editores. Eduardo Ribeiro, que faz o favor de ser meu amigo, convidando-me para o evento, é um dos últimos abencerragens do que se convencionou apelidar de oposição anti-fascista.
Largas dezenas de amigos e “companheiros de estrada”, vindos de diversas cidades, desde Guimarães a Fafe, Braga e Vila Nova de Famalicão, entre outras, marcaram a sua presença afectuosa nesta sessão que teve na mesa de honra, para além do conhecido e reconhecido autor, o presidente da Sociedade Martins Sarmento, António Amaro das Neves e o autor do prefácio, ilustre investigador e anti-fascista famalicense Artur Sá da Costa, meu amigo de há muitos anos.

Mesa que presidiu ao evento: Amaro das Neves, Eduardo Ribeiro e Artur Sá da Costa
A obra apresenta-se opulenta, de rico conteúdo informativo, nas suas 400 páginas, que compaginam e resumem a visão do autor sobre os negregados anos do Estado Novo, por ordem cronológica e da luta insana e corajosa dos democratas de diversas tendências para desalojarem o regime que ninguém queria, com base nos apontamentos e elementos que foi coleccionando ao longo da sua luta, a que somou outros colhidos em literaturas que foram sendo tornadas públicas depois do desaparecimento formal do salazarismo.
Na sua génese, segundo o autor, está a indignação face ao controverso programa que a RTP realizou em 2007 para eleição do melhor português de sempre e que elegeu António de Oliveira Salazar, enquanto Aristides de Sousa Mendes, uma das suas mais conhecidas vítimas, se quedou, na sequência da opinião dos votantes, por um mero lugar entre os dez primeiros.
O autor, Eng. Eduardo Ribeiro, lendo um texto sobre o seu livro
Eduardo Ribeiro, opositor inveterado ao anterior regime, indignou-se e sentiu-se insultado, como tanta gente honrada neste país ante tamanha infâmia e resolveu então escrever um conjunto de crónicas no semanário O Povo de Guimarães sob o título “Resistência ao Salazarismo”, começando exactamente pela história de Aristides de Sousa Mendes. As crónicas foram publicadas entre 26 de Fevereiro de 2007 e Outubro de 209, somando mais de uma centena. A reunião do seu conteúdo nesta obra, serve para votar no sentido de que a memória se não apague. É essa a intenção da sua publicação em livro.
A obra abre com um grande e delicioso prefácio de Artur Sá da Costa, sobre os “democratas de Braga”, designação dos resistentes que combateram com coragem e desassombro o salazarismo e o caetanismo e que incluem nomes honrados como Lino Lima, Victor de Sá, Armando Bacelar, Emídio Guerreiro, Miguel Ferreira, Santos Simões, Eduardo Ribeiro, Humberto Soeiro, entre muitos outros. Diz Sá da Costa, que os “democratas de Braga”, hoje “são uma legenda viva, uma referência nos anais da história das lutas políticas contra o Estado Novo”.
Aspecto da assistência ao lançamento da obra
A obra desenvolve-se cronologicamente desde a Ditadura Militar de 1926 ao 25 de Abril de 1974, destacando acções, movimentos e homens que ficam na história pela sua determinação em favor da Liberdade e da Democracia.
Ao longo das páginas, há referências aos lutadores de Fafe, em especial ao Major Miguel Ferreira.
Insubmissão – Resistência ao Salazarismo (não apaguem a memória) é um livro de grande interesse para o conhecimento do Portugal do século XX, entre os anos 20 e os anos 70. Está lá tudo, em especial a luta política dos oposicionistas.

Admiro profundamente e incenso os bravos lutadores contra o fascismo, intrépidos combatentes pelas nobres causas da libertação do povo português do jugo fascista.
No distrito de Braga, eles tiveram nomes honrados e que merecem ser alvo da nossa homenagem e gratidão. Eduardo Ribeiro é um dos últimos abencerragens dessas gerações de portugueses de primeira escolha.
Este livro entra nessa linha de memória e reconhecimento aos lutadores que gastaram a sua vida em prol de um povo livre, solidário e democrático, que foi resgatado pelos capitães em 25 de Abril de 1974.
Os meus mais profundos parabéns ao seu autor e amigo!

Fotos: Dr. Amadeu Gonçalves

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Camilo Castelo Branco andou fugido por Fafe há século e meio

O notável romancista Camilo Castelo Branco, consagrado autor de Amor de Perdição, está ligado a Fafe, por diversos laços. Desde logo, através do seu íntimo amigo e confidente José Cardoso Vieira de Castro, proprietário da Quinta do Ermo, em Paços, a quem devotou uma estima imensa e de quem foi confidente insuspeito, apesar da diferença de idades entre os dois (13 anos). Camilo nasceu em 1825 e José Cardoso em 1838.
Como homenagem a Fafe, o “Torturado de Ceide” escreveu o romance Mistérios de Fafe (1868), bem como as duas peças de teatro O Morgado de Fafe em Lisboa (1861) e O Morgado de Fafe Amoroso (1865). O nosso concelho ficou assim perpetuado na extensa bibliografia de um dos maiores vultos da literatura portuguesa contemporânea, ainda hoje estudado e justamente valorizado, pela sua indesmentível singularidade.
Mas Camilo não fala apenas de Fafe, na sua obra, homenageando a terra do seu grato amigo Vieira de Castro. Ele mesmo, em pessoa, esteve em Fafe, em circunstâncias dramáticas, é certo: fugindo à justiça. Estávamos em 1860. O romancista tomou-se de ardentes amores por Ana Plácido, esposa do abastado comerciante portuense Manuel Pinheiro Alves. Na altura, o adultério era crime punido com a pena de degredo temporário, quer para o réu, quer para o co-réu adúltero.
José Cardoso Vieira de Castro, aqui na companhia da jovem mulher Claudina Guimarães, que ele mais tarde assassinaria
Denunciado por Pinheiro Alves, Camilo viu-se obrigado a fugir aos aguazis que o queriam aprisionar. Primeiro, escondeu-se na Samardã, em casa da irmã; depois, em Vila Real. No jogo do gato e do rato com os oficiais da justiça, passou em seguida por Guimarães e pelas Caldas das Taipas, de onde rumou para Fafe, numa altura em que estaria iminente a sua detenção. Aqui esteve um mês escondido, entre Junho e Julho de 1860, na Casa do Ermo, na companhia de José Cardoso, numa altura em que este foi “riscado perpetuamente” da Universidade de Coimbra, por se ter envolvido em mais uma encrenca, em que era tão afeito. Em 1 de Outubro seguinte, Camilo entregar-se-ia voluntariamente à prisão e seria absolvido um ano depois.
Dessa experiência de perseguição e fuga, Camilo deixou-nos páginas deliciosas, no livro Memórias do Cárcere (1862), obra escrita enquanto se encontrava prisioneiro na cadeia da Relação. Vamos segui-lo durante algumas páginas.
Escreve Camilo sobre a morada de José Cardoso Vieira de Castro:

A quinta do Ermo está situada no ponto mais despoético e triste do mapa-múndi. A casa é magnífica: mas os caminhos que a ela vos conduzem são algares, barrocais, trilho de cabras, vielas tortuosas, e aspérrimos desfiladeiros. Os pinhais e arvoredos, que orlam parte da quinta, são enfezados e desgraciosos. Os largos pontos de vista, assim mesmo monótonos, é preciso ganhá-los com grande fadiga de subida. A vizinhança do Ermo são casinhas de jornaleiros, que vieram ali procurar a sombra do afidalgado edifício. (…)
Casa do Ermo, datada de 1805
O escritor relembra que nessa casa nasceram o desembargador Luís Lopes Vieira de Castro e o Ministro dos Estrangeiros e da Marinha António Manuel Lopes Vieira de Castro. E comenta, sibilino: Ora vão lá inferir do local onde o homem nasce os destinos para que nasce! Daquela natureza tão agra do Ermo, daquelas duas crianças, que por ali se criaram entre matagais, quem daria agouro de saídas tão excelentes?.
Camilo aborda depois a relação dos Vieiras de Castro com o jogo do pau, gabando a sua valentia e as suas façanhas, sobretudo nas festas de Antime. Ouçamo-lo:
                  
                   É de saber que Luís Lopes, António Manuel, e José Vieira (pai e tios de José Cardoso), foram, em anos verdes, três denodados jogadores de pau, e tamanho terror incutiram nas cercanias de Fafe que bastaria a qualquer deles, para vencer a sua, mandar o pau e não ir, como o rei da Suécia fazia às botas. As mais memorandas façanhas dos Vieiras de Castro tinham o seu teatro na celebrada romaria da Senhora de Antime.

José Cardoso é que parece ter degenerado desta tradição de valentes manejadores do pau de marmeleiro. Vejamos o que nos diz Camilo a propósito desta faceta do seu amigo:

O meu amigo Vieira de Castro, no que toca a jogo de pau, é o invés completo de seus tios. José Vieira, quando fala dele, diz: «Isto não presta para nada: não tem mais força que um canário”.
Se vinha a talho eu florear um marmeleiro inofensivo diante do meu amigo, para logo exclamava ele: «Está quieto, olha que me dás!»

Camilo Castelo Branco fala depois no Rio Vizela, que corre a pouca distância do Ermo e da Ponte do Barroco, onde o excelente romancista mas fraco poeta escreveu duas quadras.
Ponte do Barroco, ligando Golães e Fornelos
                   Ao fundo de uma colina, sobre a qual assenta a casa de Vieira de Castro, serpenteia uma ribeira de claras águas, que vão juntar-se ao Ave. As margens penhascosas deste córrego eram o nosso passeio de forçada predilecção, que não tínhamos outro.
Há naquele ribeiro uma catadupa em que a torrente referve, estrondeia, e quebra com grande fragor numa bacia eriçada de rochas. As árvores marginais enredam-se em pavilhão escuro sobre a bacia, deixando pequenas margens de relva sobre escamos de granito em que nos sentávamos, eu, pelo menos, enquanto Vieira de Castro dialogava em estilo de Fafe com a moleira da vizinha azenha. Denomina-se o pitoresco sítio a Ponte do Barroco. Na minha carteira tenho oito linhas lá escritas no dia 15 de Junho de 1860. Diziam assim:

                        Ruge a tormenta espumosa.
                        Mas no mar serena entrou;
                        Tal a vida tormentosa:
                        Chega à campa, e serenou.

                        Triste imagem desta vida.
                        Que me Deus fadou a mim!
                        Diz-me, ó onda enfurecida,
                        Qual teu principio e teu fim?

Camilo informa também das suas idas à então Vila de Fafe, onde se encontrava com os cavalheiros da terra num “botequim” (seria o Bal Estevão, como parece rezar a tradição?):

                   Algumas vezes fui à vila de Fafe, cujos cavalheiros conheci no botequim da terra, estabelecimento indeciso entre o modesto e o sujo. Os cavalheiros alternavam as suas horas de ócio com o dominó e a sueca. Conheci aí o senhor José Maria Peixoto, moço de prestantes dotes, que exercia a administração do concelho, e o senhor Joaquim Ferreira de Melo, antigo e consecutivo deputado às cortes, e sujeito de muitos serviços à liberdade.

Como estamos próximo das Festas de Antime, terminamos com um apontamento recolhido das Memórias do Cárcere:

Romaria em honra de Nª Sª de Antime já vem de há séculos

A Senhora de Antime é de pedra, e pesa com a charola vinte e quatro arrobas. Os mais possantes moços da freguesia pegam ao banzo do andor. Aconteceu, anos há, ser um dos que puseram ombro ao andor mal visto dos outros, e de um principalmente. Ao dobrar de uma esquina o moço odiado sentiu-se vergar sob as vinte e quatro arrobas de pedra, e morreu instantaneamente esmagado. O principal inimigo do morto foi logo conhecido, e varado por uma choupada, que lhe fez espirrar o sangue e a vida à charola da imagem. Tirem disto a limpeza de consciência e religiosidade daqueles sujeitos, que ali vão dar testemunho de seu fervor, com a Senhora de pedra aos ombros!
Nesta romagem é que os Vieiras, em diferentes anos, quando moços, escreveram com um pau a sua crónica imorredoira.
A proposta que aqui deixo é para que os leitores interessados não deixem de ler esta saborosa obra autobiográfica Memórias do Cárcere, desse imortal escritor que foi Camilo Castelo Branco.

sábado, 2 de julho de 2011

Conhecer Fafe para o amar

Foto de conjunto, em Santa Rita
Há alguns dias, os alunos dos cursos EFA da Escola Secundária de Fafe, acompanhados pelos respectivos professores, percorreram o roteiro camiliano em Fafe.
Tive o privilégio de acompanhar e “guiar” a visita e fiquei surpreendido (ou talvez nem tanto…) pelo facto de diversos alunos, e até docentes, habitando em Fafe, nunca terem ido à Casa do Ermo ou a Santa Rita, ficando assim admirados pelo valor e pela beleza daqueles locais (e de outros que integraram o percurso, e de que daremos conta em futuro post).
Tal facto fez-me voltar a uma verificação antiga, qual seja a de que os fafenses não conhecem verdadeiramente a sua terra, não penetram na sua formosura, nos seus lugares de eleição, nos seus recantos de excelência natural, ou construída.
Muitos de nós vangloriam-se das viagens que fizeram a terras distantes, a locais exóticos, ou orgulham-se de terem visitado os museus de Paris, os monumentos de Madrid ou as catedrais de Varsóvia. O que é estrangeiro é que é bom, ao contrário do que a nossa publicidade tenta fazer acreditar! O que é internacional é que é bonito, atraente, digno de uma visita, para a concretização da qual muitos gastam o que têm e o que não têm, ao que se ouve dizer!
Mas não é isso o que está em causa, porque as finanças de cada um só a cada um dizem respeito. E se deve ou deixa de dever, não é a nós que compete pagar!
O que gostaria de deixar evidenciado nesta crónica é que não se entende que tantos dos que eventualmente nos lêem se ufanam de conhecer mundos e fundos, de terem ido para aqui e para acolá e não conhecem, afinal, a sua terra, o que está à sua volta. Viajam pelos países europeus ou americanos, em busca de emoções e de belezas importantes mas não descobriram ainda, não se sabe porquê, que em seu redor há inúmeros motivos de interesse a desbravar. Demasiados fafenses, por certo, já viajaram pelo mundo mas nunca saíram para fora cá dentro – passe a publicidade – ao encontro do que Fafe tem de singular e de belo e que, seguramente, não se consegue descobrir em outros lugares.
Quantos fafenses já visitaram a Torre Eifell mas nunca foram ver a Central Hidroeléctrica de Santa Rita, uma das mais interessantes montras de equipamentos de produção eléctrica dos primeiros anos do século XX?
Quantos já se deslocaram à Grécia, antes da crise, para descobrir o berço da civilização europeia, mas nunca quiseram saber dos primórdios da civilização fafense, patente nos monumentos megalíticos do norte do concelho, nas antas e nas mamoas, ou na civilização castreja, de que é paradigma o castro de Santo Ovídio, às portas da cidade?

À entrada da Quinta do Ermo, em Paços, falando de Camilo e de Vieira de Castro
Quantos fafenses – não residentes em Arões – já visitaram, por exemplo, a Igreja Românica da freguesia, único monumento nacional do concelho e – segundo os especialistas – um dos mais belos exemplares da arte românica do noroeste português?
Quantos já visitaram o Museu da Imprensa? Ou a Igreja Matriz? Ou o Solar da Luz? Ou as pontes medievais? Ou a memória de Camilo, patente em edifícios e lugares? Ou as magníficas paisagens de Moreira do Rei ou de Várzea Cova, ou os miradouros de São Salvador ou de Santa Marinha? Ou esse espectáculo de recuperação arquitectónica que é a Aldeia do Pontido, em Queimadela?
Muitos não conhecem minimamente a sua terra, mas fazem gala de já terem estado no Morro do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro ou de terem jantado na Quinta Avenida em Nova Iorque.
Todos têm direito, obviamente, a irem onde quiserem, desde que as possibilidades económicas o permitam. Entendo é que, paralelamente, não devemos deixar de conhecer o que está mais próximo de nós. Porque só se ama de verdade o que se conhece. E para gostarmos da nossa terra temos que a conhecer, em profundidade.
O apelo que faço é para que os fafenses comecem a descobrir e a apreciar melhor a sua terra, que tem muitas e muitas fontes de beleza e motivos de interesse. Aproveitem para isso as férias, os feriados, os fins-de-semana, as “pontes” e outras oportunidades de lazer. E sejam felizes!

(Texto publicado na rubrica "Escrita em Dia" do jornal Povo de Fafe, de 01 de Julho de 2011)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

RICHARD TOWERS APRESENTOU LIVROS-OBJECTO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE FAFE

O autor Richard Towers (pseudónimo do artista e músico Martinho Torres) apresentou na Biblioteca Municipal de Fafe dois livros-objecto, actos criativos editados pela Neoma Produções, editora do próprio escritor. Trata-se de um conceito novo, inovador e diferente, “livros com arte”, produtos com valor acrescentado que estão já no mercado e que o autor se empenha em explicar aos seus leitores, um pouco por todo o país, como aconteceu agora na cidade de Fafe!
Num ambiente intimista, que incluiu a leitura de trechos dos livros, por Carlos Afonso e Artur Coimbra, acompanhado à viola pelo autor-músico Martinho Torres, foi proposta aos presentes uma incursão pelo inovador mundo literário do autor, através de duas obras – Tempo e Reflexos – os seus mais primeiros lançamentos. Nesta abordagem, ficámos também a conhecer melhor o conceito que rege a Neoma Produções, a editora que reinventou o livro, e penetrámos no íntimo processo criativo do autor, ficando a conhecer os segredos por detrás da concepção do livro-relógio e do livro-espelho. Que, além de se lerem, com o maior prazer, são objectos que funcionam: o relógio marca as horas e o espelho reflecte os narcisos que todos somos.
Nas palavras do autor (e editor), ficámos com a convicção de que a diferença que os seus produtos artísticos integram visa fundamentalmente “fugir ao convencional”, aos estereótipos do mundo livreiro.
Richard Towers tem divulgado a sua obra em prestigiados espaços culturais (FNAC’s e livrarias de todo o pais), é candidato a vários prémios de inovação e promete edificar uma carreira ímpar através da sua visão única e original da literatura e do livro. Em Fafe anunciou que já tem mais sete livros escritos e prontos a publicar, mas reconhece que a tarefa de impor o seu produto no mercado é difícil e por isso aproveita todas as oportunidades para o divulgar. Inclusive, projecta deslocar-se à reconhecidíssima Feira de Franckfurt, na Alemanha, onde vai apresentar as suas criações ao universo editorial mundial.
Sendo também músico, tem intenção de voltar a projectos artísticos nessa área, talvez já no próximo ano.
Para já, é um orgulho termos este autor a viver entre nós, e a trabalhar em Fafe, concretamente na freguesia de Travassós.
Foi um prazer participar nesa sessão cultural!

terça-feira, 28 de junho de 2011

O Governo dos "sinais"

O XIX governo constitucional tomou posse a semana passada, para um previsível horizonte temporal de quatro anos, se nada de extraordinário ocorrer entretanto. Como é evidente, nesta altura, não é possível nem avisado formular juízos de valor sobre as políticas que vão ser prosseguidas pelo novo executivo e que ninguém conhece, apesar de haver linhas de eventual actuação futura que não são de modo algum animadoras.
Para já, o que proliferam são os “sinais”, presumivelmente para servir de paradigma aos comportamentos de contenção e austeridade que os tempos actuais exigem. Este começa a ser o governo dos “sinais”.
O primeiro dos “sinais”: a exiguidade do novo governo (apenas 11 ministros, a que acresce o chefe do executivo) e a supressão e/ou concentração de algumas pastas. A primeira questão, a do modelo governamental, é uma supina concessão ao populismo e ao “politicamente correcto”. Afirma-se que um governo curto traduz um “sinal” de poupança, numa altura de aperto económico e de necessidade de combate ao défice. Desculpem, é uma opção simpática, mas que só por demagogia se pode sustentar: não são os ordenados de mais quatro ou cinco ministros que deitam a perder as contas públicas. Pelo contrário: não está provado que um governo com o tamanho de uma equipa de futebol seja mais eficaz, eficiente e obtenha melhor desempenho que um executivo mais equilibrado, mais próximo do que se passa na Europa.
Mais graves, a meu ver, são outras opções. Desde logo, a da concentração de ministérios. Eu não consigo perceber como é que a ministra Assunção Cristas, por exemplo, que considero simpática e dizem competente, pode abarcar adequadamente quatro pastas, que normalmente dão origem a dois ou três ministérios: agricultura, mar, ambiente e ordenamento do território. Só uma supermulher. Ou nem essa… Também não compreendo como é que o ministro da educação também o é do ensino superior e da ciência, áreas com lógicas absolutamente diferentes e não compagináveis. Como não entendo, inversamente, a despromoção da cultura a mera secretaria de estado. Ou até entendo: a direita tem da cultura uma visão meramente instrumental e decorativa, a começar pela sua dependência directa do primeiro-ministro. Nesta lógica distorcida, Guimarães nunca seria uma Capital Europeia da Cultura, nem em 2012 nem em 2020!...
Este o primeiro grande “sinal”, cujos resultados só o futuro ditará, embora, os especialistas, aqui chamados “politólogos”, determinem que “uma equipa pequena pode aumentar o risco de desgoverno”. Mas a política não é, nem nunca foi, uma ciência exacta!...
Depois, os pequenos “sinais”. Passos Coelho terá viajado em “classe económica” e acompanhado de uma pequena comitiva para o Conselho Europeu, a meio da semana Sempre para dar o exemplo. Aquilo que seria uma louvável notícia, neste acre tempo de crise, acaba por ser toldada pela informação de que, afinal, no espaço europeu, os governantes viajam quase sempre à borla. Lá se foi o “sinal”!...
Ainda um outro “sinal”, para findar esta crónica. Na cerimónia de tomada de posse, o novo primeiro-ministro anunciou, urbi et orbi, que não nomeará novos governadores civis, locais de colocação habitual de pessoal político-partidário que perde eleições autárquicas ou não “encaixa” em outros lugares mais compatíveis do aparelho de Estado. O pretexto, como sempre, será poupar, o que, novamente, se elogia.
Há, nesta aparente boa nova, dois ou três senões. O primeiro é o de que, afinal de contas, tudo vai continuar na mesmíssima, apenas desertando o pessoal político. O gabinete e o pessoal dos governos civis vão continuar, sob o comando dos secretários, figuras não nomeadas politicamente, por isso fragilizadas e que certamente apenas vão resolver situações de recurso. Em segundo lugar, a extinção dos governos civis, na verdade, aberrações e anacronismos que já não se justificam nos nossos dias, impõe uma alteração da Constituição, que os partidos da direita, em conjunto, não conseguirão ultrapassar. O Partido Socialista terá aí uma palavra a dizer!...
Finalmente, não se entende, como é que os partidos que execram a necessária regionalização, acabam com os governos civis sem cuidar de distribuir as suas tarefas por outros organismos e pelas autarquias, eventualmente, e sem contribuírem para a criação de um patamar de poder político, legitimado eleitoralmente, que faça a ponte entre o poder central e as autarquias locais, o que apenas as regiões administrativas poderão conseguir.
Quanto ao resto, neste organigrama governamental, fico à coca da nomeação de um gestor de empresas para o ministério da saúde, uma área que requer sensibilidade, humanismo e espírito social, que manifestamente não se antevêem. Paulo Macedo é a garantia de que a saúde vai ter de dar lucro, pelo desinvestimento no sector público, pela entrega do sistema à iniciativa privada. Os mais ricos vão ter à sua disposição os seguros e as clínicas, como até agora; os mais pobres vão ter o refugo do sistema, as sobras da saúde que não é possível de todo abdicar. O que é preocupante, num país de dois milhões de pobres e centenas de milhar de idosos e reformados de fracos recursos.

(Artigo publicado no jornal Correio do Minho, de 27 de Junho de 2011)

Eduardo Ribeiro apresenta em Guimarães o livro "Insubmissão - Resistência ao Salazarismo"

A Sociedade Martins Sarmento e o autor convidam os leitores a participar no lançamento da obra Insubmissão - Resistência ao Salazarismo (não apaguem a memória), da autoria do antifascista e enorme democrata, Eng. Eduardo Ribeiro, de Guimarães, bem conhecido dos fafenses e nosso amigo, o qual se realiza esta quinta-feira, 30 de Junho, pelas 21h30, no salão nobre daquela instituição cultural vimaranense.
A entrada é livre.
Estaremos lá!

sábado, 25 de junho de 2011

Mar, amor

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Foto da net

 









trouxe nos búzios o mar para ti

deposito, meu amor, nos teus cabelos
a frescura marítima dos beijos e das carícias
e das gaivotas que atravessam
a manhã

em voos sensuais redondos indizíveis
de tamanha plenitude

deixo contigo o sonoro cristal de água
que me bebe em ti
ritmo incontido universo de asas
barcos palavras perigos
deixo contigo a paixão das searas
a fúria incansável de verão
o fogo solar incêndio de mãos
corpos em desalinho lábios frementes
inquietos na investida das ondas
ao encontro dos barcos

meu amor, é teu o mar
e todo o cais que se tece em meu olhar