sábado, 23 de julho de 2011

Estes “colossais” trapaceiros…

1. Afinal, Passos Coelho desdisse o que o disse. O que todo o mundo disse que disse. O que o próprio Povo Livre, jornal oficial do seu partido, escreveu que disse. Que, afinal, não disse a expressão “desvio colossal”.
Claro está que alguém pressionou o referido senhor para que a Europa que nos tem debaixo de olho não credibilizasse uma tão infeliz e antipatriótica declaração!...
Mas já começamos a ficar habituados à inexperiência (ou será incompetência?) e inabilidade política dos jovens governantes que nos couberam em sorte!...

2. No final da outra semana, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, fez uma professoral conferência de imprensa para anunciar, colossalmente, o que já todos sabiam desde que o governo tomou posse. Que os portugueses que trabalham, os que dependem de outrem, bem como os reformados, vão ser literalmente esbulhados – o termo não pode ser outro, para continuarmos com algum nível linguístico – de cerca de metade do seu subsídio de Natal, o que para muitos trabalhadores era um pé de meia com o qual contavam para pagar o seguro do carro, uma prestação da televisão ou para uma pequena viagem de férias pelo Natal, ninharias para este executivo em que alguns depositam confiança. E, valha a verdade, se os tribunais funcionassem sem considerações políticas, tenho muitas dúvidas de que essa decisão injusta chegasse à prática… Mas todos temos consciência, a começar pelo governo, de que os portugueses são pacíficos, brandos de costumes e naturalmente atreitos mais a obedecer que a raciocinar, ou a manifestar-se!...
O “colossal” ministro atreveu-se a insultar a inteligência dos portugueses quando teve o desplante de afirmar que a sobretaxa do imposto em IRS que levará o equivalente a 50% do subsídio de Natal “é uma medida universal” e que “respeita o compromisso do Governo de impor uma equidade social na austeridade através da justa repartição dos sacrifícios”.
Para lá de se questionar a pertinência de um imposto não previsto no memorando com as instituições internacionais, e que visa claramente alcançar uma almofada política para o governo vir mais tarde afirmar que foi o “salvador da Pátria”, o que apetecia, desde logo, responder ao ministro era que fosse para onde Mafoma mandou as botas… Vá gozar, colossalmente, com quem o nomeou. Se a sua “equidade fiscal” é martirizar os rendimentos do trabalho, presente e passado, está a cavar a sepultura da classe média em Portugal, erro que outros mais perspicazes há muito corrigiram. Agora não atire areia para os olhos dos portugueses. Ao isentar os juros, os dividendos e os rendimentos das empresas, deixou de tornar “universal” a exigência de sacrifícios nesta hora difícil. Demonstrou que o governo do PSD/CDS está, não do lado dos que produzem, dos que constroem o país, mas do capital puro e duro, do capital especulador que vive de explorar o sangue e o suor dos operários e dos que têm rendimentos laborais.
Revolta, indigna, indispõe, por muitas explicações professorais de um ministro que poderá saber muito de finanças, como também Salazar sabia, mas nada revela perceber de justiça, de equidade, de rectidão.
Até o insuspeito ex-líder do PSD, o fafense Luís Marques Mendes, veio publicamente (TVI 24) considerar “injusta” a exclusão dos rendimentos de capital. “Parece-me que o modelo de 1983 era mais justo que o de agora”, afirmou, lembrando que nessa altura, quando o Bloco Central recorreu também à aplicação de um imposto extraordinário, “os rendimentos de capital e as empresas estavam cobertos com impostos de seis e cinco por cento, respectivamente”.
Marques Mendes, muito sensatamente, questionou porque é que as empresas que têm lucros não hão-de pagar também o imposto extraordinário, numa altura em que todos devem dar o seu contributo para sair da crise. E porque é que os juros de depósitos consideráveis, a partir de 100 000 euros, ou de meio milhão de euros, não hão-de ser tributados? Têm medo que escapem para os off-shores? Mas não é isso que os capitalistas já fazem há muito? …
3. Mais surreal foi a explicação do ministro para isentar da taxa extraordinária os rendimentos do capital. “Uma série de dificuldades de ordem técnica” que tornam de “difícil exequibilidade” a tributação daqueles rendimentos. O diário Público ouviu fiscalistas e quadros da administração tributária que desmontam as alegadas “dificuldades” do ministro, considerando que era fácil fazê-lo, assim houvesse vontade política. E essa não há. É o governo que temos, no seu liberalismo conservador, protector do capitalismo, do sistema financeiro e especulativo.
Que ninguém tenha dúvidas: os trabalhadores que paguem a crise!... É o recuperar pela direita de um slogan da extrema-esquerda de há alguns anos atrás, o que não deixa de ser anedótico.
4. Anedótica foi a explicação de Vítor Gaspar para a claríssima e demagógica declaração de Passos Coelho, numa reunião partidária, sobre o alegado “desvio colossal” das finanças públicas. É sempre assim para quem recebe o poder, garantindo sempre não responsabilizar a administração anterior: o país de tanga, a pesada herança, o desvio colossal. O ministro das Finanças enredou-se numa justificação caricata, colossal, como se os portugueses fossem todos mentecaptos. O que se pede ao doutoral ministro, é que não imagine tratar os portugueses como atrasados mentais. Bem basta o que basta!...
5. É engraçado como as pessoas mudam, consoante as situações. Até nas reportagens televisivas dá para perceber as duas caras da falta de vergonha de muitos portugueses. Ainda há poucos meses muitos reclamavam acaloradamente contra os falecidos PEC de Sócrates, porque prejudicavam gravemente a economia individual e colectiva. Não havia direito de pedir mais sacrifícios aos portugueses. Hoje acatam com o maior civismo e comiseração todas as patrióticas “extorsões” do actual governo de direita. Porque “Portugal necessita do apoio de todos”, não é verdade? Parece que ainda há pouco tempo não necessitava!...
Até o conhecido Macário Correia acaba de dar uma machadada mais na já parca credibilidade da classe política caseira. Enquanto o governo foi socialista, manifestou-se encarniçadamente contra a introdução de portagens na Via do Infante, no Algarve. Agora, embora continue a compreender a luta contra as portagens, compreende e aceita os “sacrifícios”, dada a situação das finanças públicas. Porque será que mudou de atitude política? Claro que não tem nada a ver com a mudança de governo…
É enternecedor este “patriotismo” dos troca-tintas!...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vamos falar do Major Miguel Ferreira

Hoje à noite  (21h30), na Biblioteca Municipal de Fafe, vamos falar do Major Miguel Ferreira, essa referência enorme de republicano histórico, de homem de bem, de homem íntegro, combatente pela Liberdade durante toda a sua vida.
Há 100 anos atrás era deputado às Constituintes. Há 50 anos, falecia (1961), com 83 anos de idade.
Vamos passar em revista a sua luminosa vida de político e de militar, que se ficou pelo posto de Major.
Aqui fica mais uma imagem do nosso Major.

O meu amigo dr. Amadeu Gonçalves divulgou hoje no seu blogue mais alguma informação sobre o assunto. Muito grato.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Animação de Verão em Fafe – música, cinema, jogos tradicionais, férias desportivas, ateliês


Sons de Verão
Julho e Agosto
Arcada – 22 horas

Dia 23/07 – Grupo Musical 20 Ver
Dia 29/07 – Concerto de jovens filarmónicos
Dia 30/07 – XXVII Festival Nacional e Internacional de Folclore Fafe 2011
Dia 05/08 – Aronis Show – XIV Encontro de Emigrantes Fafenses
Dia 13/08 – Água Viva
Dia 20/08 – Espectáculo de fado de Cláudia Madur

CINEMA EM NOITES DE VERÃO
27 Julho/24 Agosto
Anfiteatro de ar livre da Biblioteca Municipal
Quartas-feiras, 22h00 


Jogos Tradicionais
- Praça 25 de Abril

Dia 22/07 – Jogos de mesa e jogos populares
Dia 29/07 – Jogos de mesa e jogos populares
Colaboração: Restauradores da Granja

Ateliês temáticos - Julho e Agosto
Sobre migrações, imprensa e História
– Casa Municipal de Cultura (Museu da Imprensa, Museu das Migrações)

- Férias Desportivas JULHO
Ginástica, ténis, basquetebol, judo

domingo, 17 de julho de 2011

Movimento eclesiástico da diocese com reflexos em Fafe - P.e Paulo foi embora

O diário Correio do Minho reporta hoje, 17 de Julho, as alterações do movimento eclesiástico da diocese de Braga, por decisão do bispo Jorge Ortiga, as quais preenchem duas páginas daquele periódico.
No caso de Fafe, há a registar ligeiras alterações.
A mais surpreendente, ou talvez não, dado que já há alguns dias se falava de um mal-estar na paróquia da cidade, foi o afastamento do Padre Paulo Jorge Brás de Sá, dispensado da paroquialidade “in solidum” de Sta. Eulália de Fafe e nomeado pároco de cinco paróquias do arciprestado de Barcelos: Quintiães, Aboim, Aguiar, Cossourado e Panque.
O jovem clérigo estava em Fafe há menos de um ano, na sequência do lamentável caso do afastamento compulsivo do Padre José Peixoto Lopes da paróquia de Fafe, um incidente que encheu as páginas dos jornais e os ecrãs das televisões exactamente em Julho passado e que, passado um ano, não se sabe como nem porquê aconteceu. O pároco que aqui estava há 25 anos foi prepotentemente afastado da paróquia, substituído por dois outros clérigos, que não tiveram culpa alguma do sucedido, mas o certo é que ainda ninguém conseguiu saber porque é que o Padre Lopes foi ostracizado pela hierarquia. Tal como acontece com outros sectores, nada transparece, nada se conhece, nada se informa. O silêncio é a palavra de ordem…
Voltando ao movimento eclesiástico, em substituição do Padre Paulo, foi nomeado o Padre Pedro Daniel Faria Marques, nomeado pároco “in solidum” de Santa Eulália de Fafe, como quer o arcebispo, “continuando como moderador o P.e João Fernando Peixoto Araújo, contando os dois com a colaboração do P.e Bernardino Ribeiro, o qual é dispensado da capelania da Santa Casa da Misericórdia de Fafe”.
Não deixa de ser curiosa a questão do “moderador”. Todos nos lembramos que há um ano atrás a grande celeuma que envolveu o Padre Lopes também tinha a ver com a figura do “moderador”.
Havia, na paróquia de Santa Eulália, o Padre Peixoto Lopes e o Padre José Manuel Faria. O primeiro mais com as igrejas tradicionais (Matriz e Nova) e o outro com a do Sagrado Coração de Jesus, em S. Jorge, à qual acabou por mudar as fechaduras, para que o Padre Lopes não tivesse nela entrada. Chegou-se a falar até na divisão da paróquia em duas…
Posta a questão ao arcebispo, falou-se em que para este não havia qualquer “moderador”, porque o que interessava era afastar Peixoto Lopes. Nomeados novos párocos, logo apareceu, como que por milagre de Jorge Ortiga, a figura do “moderador”, neste caso, corporizada no Padre João Fernando Peixoto Araújo.
No movimento eclesiástico hoje conhecido, novamente o mesmo pároco continua como “moderador”. Aceita-se, até porque quem o faz, tem poder para o fazer. Só não se percebe, se é que é para qualquer leigo entender, porque é que a mesma atitude e o mesmo tratamento não foram claramente adoptados relativamente ao anterior pároco da cidade, que merecia mais respeito, maior consideração, outro humanismo, outra atitude “cristã” por parte de quem decide estas coisas e que parece nortear-se por valores que deixam muito a desejar, para não irmos mais longe na adjectivação!... Simplesmente, deplorável, indigno, inominável!...
Ficou a saber-se também que o Padre Adelino Marques Domingues foi nomeado pároco de S. Martinho de Quinchães, em acumulação com S. Martinho de Silvares e S. Martinho de Ceidões.

sábado, 16 de julho de 2011

"Major Miguel Ferreira - Uma Lição de Liberdade" (2ª edição): obra a apresentar em 22 de Julho, na Biblioteca de Fafe

A segunda edição, revista e aumentada, da minha obra Major Miguel Ferreira – Uma Lição de Liberdade, vai ser apresentada na Biblioteca Municipal de Fafe, no próximo dia 22 de Julho (sexta-feira), a partir das 21h30.
Na ocasião, o investigador e meu amigo Artur Sá da Costa, vai enquadrar o movimento de oposição ao Estado Novo “Democratas de Braga”, de que Miguel Ferreira (1878-1961) foi um precursor.
A oportunidade para o relançamento desta obra, editada inicialmente pela CMF em 1995 e agora reeditada pela mesma entidade, não poderia ser mais adequada: estamos em plena comemoração do centenário das Constituintes de 1911, que legaram ao país a primeira Constituição saída da Revolução de 5 de Outubro de 1910. De igual forma, passou há poucos meses o cinquentenário do falecimento desta personalidade maior da história recente, não apenas de Fafe mas do distrito e do próprio país.
Sendo a mesma, esta é uma obra diferente, mais rica de conteúdo e de informação, sendo acrescentada com mais meia centena de páginas.
Com o recurso a mais funda investigação e à leitura da preciosa imprensa local, conseguimos ampliar consideravelmente os capítulos da vida de Miguel Ferreira, sobretudo o relativo ao período da 1ª República (1910-1926).
Indefectível republicano, Miguel Ferreira integrou a Carbonária, onde chegou a fabricar bombas, para colaborar na destruição do regime monárquico. Foi membro da comissão municipal republicana ainda no tempo da monarquia.
Logo após o 5 de Outubro, foi Vereador da Câmara de Fafe e depois presidente do Senado Municipal, em 1914.
No quadro do tempo republicano, exerceu por duas vezes o cargo de deputado ao Parlamento, primeiro entre 1911 (em que foi constituinte…) e 1915 e depois entre 1919 e 1921.
Entretanto, foi voluntarioso combatente na Flandres, no final da 1ª Grande Guerra Mundial. De igual forma, foi Comandante da GNR por mais de uma vez e Governador Civil nos meses finais da 1ª República, além de Comandante do regimento de infantaria 20.
Instaurada a ditadura, manteve-se o Major Miguel Ferreira na primeira linha do combate pela restauração das liberdades.
Como resistente, participou activamente na primeira revolta contra a Ditadura Militar (3 de Fevereiro de 1927) e consequentemente, como tantos outros combatentes, foi obrigado ao exílio por alguns anos.
Miguel Ferreira participou depois nos grandes momentos da resistência ao Estado Novo, sendo líder distrital do Movimento de Unidade Democrática, MUD (1945-1948) e das campanhas para a Presidência da República do General Norton de Matos, em 1949 e do General Humberto Delgado, em 1958, ano em que foi objecto de uma grandiosa e merecida homenagem nacional, em Braga, a propósito dos seu 80º aniversário.
No ano seguinte, teve a coragem de ser o primeiro subscritor do manifesto “Aos portugueses”, vulgarmente apelidado de “Vai-te embora António”, em que mais de duzentos resistentes tiveram a audácia de pedir a demissão do ditador Oliveira Salazar, sujeitando-se às maiores punições, o que não veio a acontecer, por razões de que se fala na obra.
Ilustrada com inúmeras fotografias da época e recortes da imprensa local e nacional, Major Miguel Ferreira – Uma Lição de Liberdade, estende-se por 168 páginas e inclui depoimentos, vindos da edição inicial, de conhecidos resistentes ao fascismo, como Mário Soares, Maria Miquelina Summavielle, Victor de Sá e Armando Bacelar, entre outros.
Convido, naturalmente, os leitores do meu blogue a assistir à sessão e a ler a obra, para se conhecer essa personalidade fascinante de republicano, democrata e anti-fascista!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O “Lixo” do capitalismo selvagem

1. Na terça-feira negra da semana passada, a agência de notação financeira (rating) Moody’s decidiu baixar a dívida portuguesa ao nível de “lixo”. O que significa que a mera opinião desses especuladores fornecida aos capitalistas, vulgarmente apelidados de “mercados”, é que o risco do dinheiro emprestado a Portugal está no máximo, ou que a probabilidade de o nosso país saldar as suas dívidas e os seus compromissos a tempo e horas é mínima.
O coro de protestos, mais ou menos emocionais, em Portugal, não se fez esperar. O primeiro-ministro referiu que o corte do “rating” constituiu um “murro no estômago”, outros falaram em decisão “infeliz”, “injustificada” ou “surpreendente”. Outros ainda, com toda a pertinência, apelidaram aquela criminosa notação, de “arrogância, ignorância e superficialidade”, até porque parece não levar em linha de conta o memorando assinado pelo país com a chamada “troika” e até as bárbaras medidas decretadas por Passos Coelho, que vão exigir enormes sacrifícios aos pobres trabalhadores portugueses, que não provocaram a crise, não levaram à falência de bancos americanos ou europeus, não decidiram a injustificável nacionalização do BPN, não se entretiveram na especulação financeira que empurrou o país para o pântano. Foram outros os culpados, a nível interno e externo. Mas como sempre acontece, são os trabalhadores e a classe média que pagam as crises: os mais ricos, ninguém os quer ou consegue incomodar; os mais pobres não têm por onde pagar. É dos livros.

2. É claro que as agências de “rating” fazem o seu trabalho, sujo, na sua maior parte. Ninguém coloca isso em causa. O que já se questiona, e sem qualquer margem para contemplações, é a credibilidade, a idoneidade, a isenção, a competência das agências de notação financeira que dominam o mercado. Além da nefasta Moody’s, as não menos perniciosas Standard & Poor’s e a Fitch. Curiosamente, todas americanas, embora uma delas também tenha capital francês. E é aí que bate o ponto: não deixa de ser inequívoco que estamos perante um execrável ataque concertado do dólar contra a zona euro. Dos americanos contra a União Europeia.
Porque, a imprensa tem-no provado: os Estados Unidos têm uma situação económica e financeira muito pior que a Europa. A dívida pública atinge quase os 100% do PIB (pouco menos que Portugal…). E Barack Obama continua a pressionar os líderes do Congresso americano, não para diminuir o défice, mas para “aumentar o limite da dívida”.
As ditas agências de “rating”, que davam a notação maior ao banco de investimentos Lehman Brothers (o quarto maior dos Estados Unidos), quando já se encontrava em situação de falência, o que acabou por espoletar a grave crise financeira mundial, em 2008, não se mostram preocupadas com a situação no seu próprio país. Porque o que interessa é destruir as economias europeias, em nome de um grosseiro capitalismo que não tem pátria, não tem rosto, não tem coração.
Porque as agências de notação financeira, ao darem as suas “notas”, não estão nem um pouco preocupadas com os imensos e às vezes irreparáveis estragos que vão produzir nas economias dos países. Cada “avaliação negativa” de uma economia, como a portuguesa, determina de imediato um aumento das taxas de juros da dívida, o que resulta no acréscimo dos custos do dinheiro, na falência de empresas e no despedimento de milhares de trabalhadores. No empobrecimento generalizado de um país. O que para as ditas agências não têm a mínima importância, como se comprova…
O que lhes interessa é ganhar dinheiro e fazer ganhar dinheiro aos seus clientes, sobretudo dos Estados Unidos. Não é por acaso que, enquanto as economias mundiais e as populações estão cada vez mais despossuídas e descapitalizadas, as ditas agências apresentam lucros fabulosos. Em 2010, a famigerada Moody’s aumentou em 95% a cotação em bolsa e registou um crescimento de 26%, correspondente a 354 milhões de euros de lucro. À custa da miséria alheia, que ajudou a criar…

3. Se há males que vêm por bem, parece que vai ser desta. A Europa acordou para a necessidade de combater a cartelização das agências americanas.
O presidente da República bem alertou que “as questões em torno da avaliação do risco e da notação financeira dos estados-membros devem merecer uma resposta europeia”. Nos últimos dias, vários dirigentes políticos nacionais e europeus reforçaram a tese de que urge acabar com a pouca vergonha de ver a Europa subjugada ao “oligopólio” das agências norte-americanas. Por isso, admite, finalmente, pensar na criação de agências europeias independentes, que sustenham a destruição da economia europeia pelas meras “opiniões” ou “avaliações” de quem tem vantagens financeiras nas mesmas. Como um árbitro que tem interesses numa das equipas em jogo!...
Também importa que as instituições comunitárias deixem de dar importância ao que importância não merece ter: as alegadas “notações financeiras”, que já se demonstrou serem falaciosas, fraudulentas, interesseiras e assassinas da economia europeia!...
As agências de notação financeira são hoje um dos expoentes máximos do capitalismo financeiro selvagem, que vive vampirescamente de sugar o sangue das economias mais frágeis, provocando sofrimento sem conta nos governos, nas empresas e nas pessoas. Nada disso lhes importa.
São o “lixo” moral do século XXI!...

(Texto publicado na rubrica "Escrita em Dia" do semanário Povo de Fafe, de 15/07/2011)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Kairos apresenta "Entre Fados" na Biblioteca Municipal de Fafe



A Kairos – Produções Culturais apresenta no próximo dia 21 de Julho [5ª feira] pelas 21h30, no auditório da Biblioteca Municipal de Fafe, o concerto ‘entre fados’ - onde os poetas e os músicos que marcam a história do Fado se dão a conhecer pelo trabalho dos intérpretes.
A Kairos propõe que, pelo experimentar deste espectáculo, o público (re)visite lugares da memória através das palavras e sons que mantêm vivo um dos ex-libris da nossa cultura, candidato a Património Cultural Imaterial da Humanidade (UNESCO). A responsabilidade do espectáculo está a cargo de Joaquim Ventura [guitarra portuguesa], Celso Ribeiro [viola de fado] e Celina Tavares [voz], com a participação especial de José Miguel Costa [piano]. O concerto tem a duração aproximada de 60 minutos [Classificação: M/3]. Os bilhetes [3€] encontram-se à venda no Posto de Turismo de Fafe.
Mais informações em: http://entrefados.blogspot.com.
A Kairos - Produções Culturais pretende assim iniciar a promoção de espectáculos cuja série é denominada Outros palcos e que têm em vista realizar espectáculos em palcos menos habituais, salas mais pequenas, aproximando assim um pouco mais os músicos do público.
Para Setembro, está prevista a realização de um concerto de piano.