domingo, 24 de julho de 2011

"A coragem política do major" - Correio do Minho

Correio do Minho, 24/07/2011, p. 11

Poema de António Barahona

Excelente e escandaloso poema sobre os políticos de António Barahona, pouco conhecido mas firme poeta, ensaísta, islamólogo, indianista, nascido em Lisboa em 1939, publicado no jornal Público deste sábado, 23 de Julho. Um poeta já com boa idade para ter juízo... Não se fazem tais afirmações (poéticas que sejam...) sobre os servidores das nobres causas do "interesse nacional"... 

Major Miguel Ferreira foi o rei da noite

Na noite de sexta-feira, a Biblioteca Municipal de Fafe encheu para ouvir falar do Major Miguel Ferreira, a propósito do lançamento da segunda edição, revista e aumentada, do meu livro Major Miguel Ferreira – Uma Lição de Liberdade.
Além de dezenas de amigos de Fafe, vieram amigos do Porto (Dr. Antunes Moreira e esposa, Ricardo e Ana) de Famalicão (Amadeu Gonçalves, Artur Sá da Costa e esposa), de Guimarães (Eng. Eduardo Ribeiro, insigne lutador antifascista, Fernando Capela Miguel e José Machado), Amarante (Manuel Carneiro) e de outras localidades.
A sessão foi presidida pelo vereador da cultura e jovem amigo que vi crescer, desde tenra idade, Pompeu Miguel Martins. Na plateia, esteve também o presidente da Câmara e velho amigo, José Ribeiro, bem como o vereador Antero Barbosa, com quem tive o privilégio de trabalhar durante uma década na Casa da Cultura.
Foi uma noite feliz, em torno da vida e da obra de um homem bom, íntegro, vertical, de carácter acima de qualquer suspeita, um republicano histórico, honrado lutador contra o fascismo, amante dos princípios da liberdade e da justiça social.

Eu próprio apresentei o percurso vital de Miguel Ferreira, destacando as suas facetas de activista político e militar durante a I República e de integrante da oposição democrática ao Estado Novo. Foram 50 anos de intensa vida pública, sensivelmente, entre 1910 e 1960, até praticamente o seu falecimento, que viria a ocorrer em 4 de Abril de 1961. Noutro post deste blogue, se fala mais circunstanciadamente da vida e obra do “velho Major”.
O meu amigo Artur Sá da Costa veio falar, com a ciência e os conhecimentos de que é possuidor, do enquadramento de Miguel Ferreira na luta dos “democratas de Braga” contra o fascismo, dos anos 50 ao 25 de Abril. Foi uma lição de sapiência!...
O meu amigo Amadeu Gonçalves teve a amabilidade de falar do assunto nos seus interessantes blogues http://litfil.blogspot.com e http://diariosincompletos.blogspot.com.
Um grande bem-haja pelo seu apoio e pela sua amizade de longa data.
Aqui fica também a reportagem fotográfica do acontecimento do habitual colaborador deste blogue, Manuel Meira Correia, a quem manifesto publicamente a minha admiração e a maior gratidão!




sábado, 23 de julho de 2011

Estes “colossais” trapaceiros…

1. Afinal, Passos Coelho desdisse o que o disse. O que todo o mundo disse que disse. O que o próprio Povo Livre, jornal oficial do seu partido, escreveu que disse. Que, afinal, não disse a expressão “desvio colossal”.
Claro está que alguém pressionou o referido senhor para que a Europa que nos tem debaixo de olho não credibilizasse uma tão infeliz e antipatriótica declaração!...
Mas já começamos a ficar habituados à inexperiência (ou será incompetência?) e inabilidade política dos jovens governantes que nos couberam em sorte!...

2. No final da outra semana, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, fez uma professoral conferência de imprensa para anunciar, colossalmente, o que já todos sabiam desde que o governo tomou posse. Que os portugueses que trabalham, os que dependem de outrem, bem como os reformados, vão ser literalmente esbulhados – o termo não pode ser outro, para continuarmos com algum nível linguístico – de cerca de metade do seu subsídio de Natal, o que para muitos trabalhadores era um pé de meia com o qual contavam para pagar o seguro do carro, uma prestação da televisão ou para uma pequena viagem de férias pelo Natal, ninharias para este executivo em que alguns depositam confiança. E, valha a verdade, se os tribunais funcionassem sem considerações políticas, tenho muitas dúvidas de que essa decisão injusta chegasse à prática… Mas todos temos consciência, a começar pelo governo, de que os portugueses são pacíficos, brandos de costumes e naturalmente atreitos mais a obedecer que a raciocinar, ou a manifestar-se!...
O “colossal” ministro atreveu-se a insultar a inteligência dos portugueses quando teve o desplante de afirmar que a sobretaxa do imposto em IRS que levará o equivalente a 50% do subsídio de Natal “é uma medida universal” e que “respeita o compromisso do Governo de impor uma equidade social na austeridade através da justa repartição dos sacrifícios”.
Para lá de se questionar a pertinência de um imposto não previsto no memorando com as instituições internacionais, e que visa claramente alcançar uma almofada política para o governo vir mais tarde afirmar que foi o “salvador da Pátria”, o que apetecia, desde logo, responder ao ministro era que fosse para onde Mafoma mandou as botas… Vá gozar, colossalmente, com quem o nomeou. Se a sua “equidade fiscal” é martirizar os rendimentos do trabalho, presente e passado, está a cavar a sepultura da classe média em Portugal, erro que outros mais perspicazes há muito corrigiram. Agora não atire areia para os olhos dos portugueses. Ao isentar os juros, os dividendos e os rendimentos das empresas, deixou de tornar “universal” a exigência de sacrifícios nesta hora difícil. Demonstrou que o governo do PSD/CDS está, não do lado dos que produzem, dos que constroem o país, mas do capital puro e duro, do capital especulador que vive de explorar o sangue e o suor dos operários e dos que têm rendimentos laborais.
Revolta, indigna, indispõe, por muitas explicações professorais de um ministro que poderá saber muito de finanças, como também Salazar sabia, mas nada revela perceber de justiça, de equidade, de rectidão.
Até o insuspeito ex-líder do PSD, o fafense Luís Marques Mendes, veio publicamente (TVI 24) considerar “injusta” a exclusão dos rendimentos de capital. “Parece-me que o modelo de 1983 era mais justo que o de agora”, afirmou, lembrando que nessa altura, quando o Bloco Central recorreu também à aplicação de um imposto extraordinário, “os rendimentos de capital e as empresas estavam cobertos com impostos de seis e cinco por cento, respectivamente”.
Marques Mendes, muito sensatamente, questionou porque é que as empresas que têm lucros não hão-de pagar também o imposto extraordinário, numa altura em que todos devem dar o seu contributo para sair da crise. E porque é que os juros de depósitos consideráveis, a partir de 100 000 euros, ou de meio milhão de euros, não hão-de ser tributados? Têm medo que escapem para os off-shores? Mas não é isso que os capitalistas já fazem há muito? …
3. Mais surreal foi a explicação do ministro para isentar da taxa extraordinária os rendimentos do capital. “Uma série de dificuldades de ordem técnica” que tornam de “difícil exequibilidade” a tributação daqueles rendimentos. O diário Público ouviu fiscalistas e quadros da administração tributária que desmontam as alegadas “dificuldades” do ministro, considerando que era fácil fazê-lo, assim houvesse vontade política. E essa não há. É o governo que temos, no seu liberalismo conservador, protector do capitalismo, do sistema financeiro e especulativo.
Que ninguém tenha dúvidas: os trabalhadores que paguem a crise!... É o recuperar pela direita de um slogan da extrema-esquerda de há alguns anos atrás, o que não deixa de ser anedótico.
4. Anedótica foi a explicação de Vítor Gaspar para a claríssima e demagógica declaração de Passos Coelho, numa reunião partidária, sobre o alegado “desvio colossal” das finanças públicas. É sempre assim para quem recebe o poder, garantindo sempre não responsabilizar a administração anterior: o país de tanga, a pesada herança, o desvio colossal. O ministro das Finanças enredou-se numa justificação caricata, colossal, como se os portugueses fossem todos mentecaptos. O que se pede ao doutoral ministro, é que não imagine tratar os portugueses como atrasados mentais. Bem basta o que basta!...
5. É engraçado como as pessoas mudam, consoante as situações. Até nas reportagens televisivas dá para perceber as duas caras da falta de vergonha de muitos portugueses. Ainda há poucos meses muitos reclamavam acaloradamente contra os falecidos PEC de Sócrates, porque prejudicavam gravemente a economia individual e colectiva. Não havia direito de pedir mais sacrifícios aos portugueses. Hoje acatam com o maior civismo e comiseração todas as patrióticas “extorsões” do actual governo de direita. Porque “Portugal necessita do apoio de todos”, não é verdade? Parece que ainda há pouco tempo não necessitava!...
Até o conhecido Macário Correia acaba de dar uma machadada mais na já parca credibilidade da classe política caseira. Enquanto o governo foi socialista, manifestou-se encarniçadamente contra a introdução de portagens na Via do Infante, no Algarve. Agora, embora continue a compreender a luta contra as portagens, compreende e aceita os “sacrifícios”, dada a situação das finanças públicas. Porque será que mudou de atitude política? Claro que não tem nada a ver com a mudança de governo…
É enternecedor este “patriotismo” dos troca-tintas!...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vamos falar do Major Miguel Ferreira

Hoje à noite  (21h30), na Biblioteca Municipal de Fafe, vamos falar do Major Miguel Ferreira, essa referência enorme de republicano histórico, de homem de bem, de homem íntegro, combatente pela Liberdade durante toda a sua vida.
Há 100 anos atrás era deputado às Constituintes. Há 50 anos, falecia (1961), com 83 anos de idade.
Vamos passar em revista a sua luminosa vida de político e de militar, que se ficou pelo posto de Major.
Aqui fica mais uma imagem do nosso Major.

O meu amigo dr. Amadeu Gonçalves divulgou hoje no seu blogue mais alguma informação sobre o assunto. Muito grato.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Animação de Verão em Fafe – música, cinema, jogos tradicionais, férias desportivas, ateliês


Sons de Verão
Julho e Agosto
Arcada – 22 horas

Dia 23/07 – Grupo Musical 20 Ver
Dia 29/07 – Concerto de jovens filarmónicos
Dia 30/07 – XXVII Festival Nacional e Internacional de Folclore Fafe 2011
Dia 05/08 – Aronis Show – XIV Encontro de Emigrantes Fafenses
Dia 13/08 – Água Viva
Dia 20/08 – Espectáculo de fado de Cláudia Madur

CINEMA EM NOITES DE VERÃO
27 Julho/24 Agosto
Anfiteatro de ar livre da Biblioteca Municipal
Quartas-feiras, 22h00 


Jogos Tradicionais
- Praça 25 de Abril

Dia 22/07 – Jogos de mesa e jogos populares
Dia 29/07 – Jogos de mesa e jogos populares
Colaboração: Restauradores da Granja

Ateliês temáticos - Julho e Agosto
Sobre migrações, imprensa e História
– Casa Municipal de Cultura (Museu da Imprensa, Museu das Migrações)

- Férias Desportivas JULHO
Ginástica, ténis, basquetebol, judo

domingo, 17 de julho de 2011

Movimento eclesiástico da diocese com reflexos em Fafe - P.e Paulo foi embora

O diário Correio do Minho reporta hoje, 17 de Julho, as alterações do movimento eclesiástico da diocese de Braga, por decisão do bispo Jorge Ortiga, as quais preenchem duas páginas daquele periódico.
No caso de Fafe, há a registar ligeiras alterações.
A mais surpreendente, ou talvez não, dado que já há alguns dias se falava de um mal-estar na paróquia da cidade, foi o afastamento do Padre Paulo Jorge Brás de Sá, dispensado da paroquialidade “in solidum” de Sta. Eulália de Fafe e nomeado pároco de cinco paróquias do arciprestado de Barcelos: Quintiães, Aboim, Aguiar, Cossourado e Panque.
O jovem clérigo estava em Fafe há menos de um ano, na sequência do lamentável caso do afastamento compulsivo do Padre José Peixoto Lopes da paróquia de Fafe, um incidente que encheu as páginas dos jornais e os ecrãs das televisões exactamente em Julho passado e que, passado um ano, não se sabe como nem porquê aconteceu. O pároco que aqui estava há 25 anos foi prepotentemente afastado da paróquia, substituído por dois outros clérigos, que não tiveram culpa alguma do sucedido, mas o certo é que ainda ninguém conseguiu saber porque é que o Padre Lopes foi ostracizado pela hierarquia. Tal como acontece com outros sectores, nada transparece, nada se conhece, nada se informa. O silêncio é a palavra de ordem…
Voltando ao movimento eclesiástico, em substituição do Padre Paulo, foi nomeado o Padre Pedro Daniel Faria Marques, nomeado pároco “in solidum” de Santa Eulália de Fafe, como quer o arcebispo, “continuando como moderador o P.e João Fernando Peixoto Araújo, contando os dois com a colaboração do P.e Bernardino Ribeiro, o qual é dispensado da capelania da Santa Casa da Misericórdia de Fafe”.
Não deixa de ser curiosa a questão do “moderador”. Todos nos lembramos que há um ano atrás a grande celeuma que envolveu o Padre Lopes também tinha a ver com a figura do “moderador”.
Havia, na paróquia de Santa Eulália, o Padre Peixoto Lopes e o Padre José Manuel Faria. O primeiro mais com as igrejas tradicionais (Matriz e Nova) e o outro com a do Sagrado Coração de Jesus, em S. Jorge, à qual acabou por mudar as fechaduras, para que o Padre Lopes não tivesse nela entrada. Chegou-se a falar até na divisão da paróquia em duas…
Posta a questão ao arcebispo, falou-se em que para este não havia qualquer “moderador”, porque o que interessava era afastar Peixoto Lopes. Nomeados novos párocos, logo apareceu, como que por milagre de Jorge Ortiga, a figura do “moderador”, neste caso, corporizada no Padre João Fernando Peixoto Araújo.
No movimento eclesiástico hoje conhecido, novamente o mesmo pároco continua como “moderador”. Aceita-se, até porque quem o faz, tem poder para o fazer. Só não se percebe, se é que é para qualquer leigo entender, porque é que a mesma atitude e o mesmo tratamento não foram claramente adoptados relativamente ao anterior pároco da cidade, que merecia mais respeito, maior consideração, outro humanismo, outra atitude “cristã” por parte de quem decide estas coisas e que parece nortear-se por valores que deixam muito a desejar, para não irmos mais longe na adjectivação!... Simplesmente, deplorável, indigno, inominável!...
Ficou a saber-se também que o Padre Adelino Marques Domingues foi nomeado pároco de S. Martinho de Quinchães, em acumulação com S. Martinho de Silvares e S. Martinho de Ceidões.