quarta-feira, 27 de julho de 2011

Orquestra Jovem "Sopros do Minho" actua sexta-feira à noite em Fafe

A Orquestra Jovem “Sopros do Minho”, vai estar em Fafe, para um concerto na Arcada, em Fafe, na próxima sexta-feira, dia 29 de Julho, com início agendado para as 22h00.
O Concerto insere-se no programa de animação de Verão e é antecedido por um desfile de apelo à música pelas ruas da cidade, com início às 21h00.
Este evento musical culmina um estágio de formação, que decorre no Complexo Turístico de Rilhadas durante quatro dias (terça e sexta-feira). A orientação musical e regência são da responsabilidade do Maestro e Compositor Valdemar Sequeira, técnico da Confederação Musical Portuguesa, que conta com o apoio de uma equipa de Professores da Banda de Revelhe. As peças a executar serão objecto de aperfeiçoamento musical dos jovens filarmónicos.
A Federação Regional de Bandas Filarmónicas do Minho traz, de novo, a grande música filarmónica à cidade de Fafe. Recorde-se que da primeira vez, reuniu no Multiusos da cidade, em 22 de outubro de 2005, nos concertos de outono, as Bandas de Amares, Golães e Revelhe, em homenagem ao Maestro e Compositor Ilídio Costa. O acontecimento valeu-lhe a nomeação para o galardão fafense “Microfone de Ouro”.
Em palco e na rua estarão jovens das Bandas de Antas (Esposende), Revelhe, Caldas das Taipas, Vilarchão, Santa Maria de Bouro, Carvalheira e Cabeceiras de Basto.
Contribuir para a melhoria do nível artístico das Bandas Filarmónicas, estabelecer laços de união entre as Bandas do Minho, a partir da sua juventude, fazer um grande convívio musical jovem e brindar à cidade de Fafe uma contagiante onda musical são objectivos deste evento da Federação Regional de Bandas Filarmónicas do Minho.
A organização deste acontecimento musical é da responsabilidade da Federação de Bandas do Minho, com apoio financeiro da Direção Regional de Cultura do Norte e da Câmara Municipal de Fafe e, ainda, logística do Instituto Português da Juventude.

O dia da avó Emília

Imagem da net
Lembraram-me hoje que, desde 2003, se comemora a 26 de Julho o Dia dos Avós. Um dia luminoso, belo, de convívio intergeracional, no qual os “pais dos nossos pais” ascendem a soberanos seres, respeitados, experientes, num momento de excepção que contrasta com o abandono e a rejeição com que tratamos tantas vezes os idosos deste país, que são, afinal de contas, os nossos pais e avós.
Na minha infância e juventude, repousa apenas uma avó. Dos quatro progenitores de meus pais, apenas restou, na segunda metade do século XX, a face bondosa, trabalhadora, activa, da avó Emília. Um corpo franzino que conheci durante décadas apenas vestido com uma cor: o negro da viuvez. Diria, uma avó derreada ao peso do luto, durante todos os anos que tive o privilégio de a ter como a mãe de meu pai. Ambos já partiram, desafortunadamente, para as respectivas estrelas.
Lembro a avó Emília, poucas palavras, mexida como um sardão, dedicada às fainas agrícolas lá de casa: a apanha da azeitona, pelo íngreme Inverno; as desfolhadas, no Verão; o catar dos bagos, nas vindimas; a recolha da lenha da poda.
Lembro a avó Emília que não parava, que dividia o seu quotidiano entre a nossa casa, em Serafão, a moradia dos restantes dois filhos, na aldeia e a igreja paroquial, onde diariamente expiava os pecados inexistentes, tão pura e boa de coração era. Fazia inúmeros quilómetros todos os dias, numa silhueta irrequieta que hei-de recordar até à eternidade.
Cresci com a avó Emília ao meu lado, mais a inenarrável e amorosa tia Maria, a cada passo desencontradas e indispostas mutuamente, por mera diferença de estilo, mas sempre abertas a questionar a ausência da outra, como se não pudessem viver as duas sob o mesmo tecto, mas não pudessem, do mesmo passo, viver uma sem a outra. Malhas que a psicologia deverá explicar, se é que tal tem interesse para a vida celestial onde ambas descansam!...
No tempo da minha avó, eu crescia, frequentava a escola primária, tomava banho no rio gelado em Fevereiro, para grande azia da minha mãe (e consequente correctivo sobre os meus ossos…), acompanhava o ciclo das sementeiras, das mondas, das regas e das colheitas. O milho, o centeio, os legumes, a batata, o vinho. Uma sociedade agrícola e pecuária que perdurou até aos anos 80 do século XX, e que rapidamente desapareceu, para desconsolo de tantos de nós.
A minha avó voou, certo dia, mais de oito décadas de estar por cá, atropelada por uma bicicleta quando regressava da missa da manhã (o que significou, para a minha mente da altura: é perigoso ir à missa, ensinamento divino que passei a seguir, fielmente, até aos dias de hoje).
Ainda me recordo do seu perfil lívido, quieto, irrecuperável. Nem parecia a minha avó.
Nunca mais falei do assunto, embora a minha avó apareça vezes sem conta na janela irreprimível aberta no meu coração para todos os que me são queridos até à eternidade.
Lembrei-me hoje que a avó Emília não consegue morrer para mim, passados tantos anos. E ainda bem. É porque continua viva!... Pelo menos na minha alma.

domingo, 24 de julho de 2011

"A coragem política do major" - Correio do Minho

Correio do Minho, 24/07/2011, p. 11

Poema de António Barahona

Excelente e escandaloso poema sobre os políticos de António Barahona, pouco conhecido mas firme poeta, ensaísta, islamólogo, indianista, nascido em Lisboa em 1939, publicado no jornal Público deste sábado, 23 de Julho. Um poeta já com boa idade para ter juízo... Não se fazem tais afirmações (poéticas que sejam...) sobre os servidores das nobres causas do "interesse nacional"... 

Major Miguel Ferreira foi o rei da noite

Na noite de sexta-feira, a Biblioteca Municipal de Fafe encheu para ouvir falar do Major Miguel Ferreira, a propósito do lançamento da segunda edição, revista e aumentada, do meu livro Major Miguel Ferreira – Uma Lição de Liberdade.
Além de dezenas de amigos de Fafe, vieram amigos do Porto (Dr. Antunes Moreira e esposa, Ricardo e Ana) de Famalicão (Amadeu Gonçalves, Artur Sá da Costa e esposa), de Guimarães (Eng. Eduardo Ribeiro, insigne lutador antifascista, Fernando Capela Miguel e José Machado), Amarante (Manuel Carneiro) e de outras localidades.
A sessão foi presidida pelo vereador da cultura e jovem amigo que vi crescer, desde tenra idade, Pompeu Miguel Martins. Na plateia, esteve também o presidente da Câmara e velho amigo, José Ribeiro, bem como o vereador Antero Barbosa, com quem tive o privilégio de trabalhar durante uma década na Casa da Cultura.
Foi uma noite feliz, em torno da vida e da obra de um homem bom, íntegro, vertical, de carácter acima de qualquer suspeita, um republicano histórico, honrado lutador contra o fascismo, amante dos princípios da liberdade e da justiça social.

Eu próprio apresentei o percurso vital de Miguel Ferreira, destacando as suas facetas de activista político e militar durante a I República e de integrante da oposição democrática ao Estado Novo. Foram 50 anos de intensa vida pública, sensivelmente, entre 1910 e 1960, até praticamente o seu falecimento, que viria a ocorrer em 4 de Abril de 1961. Noutro post deste blogue, se fala mais circunstanciadamente da vida e obra do “velho Major”.
O meu amigo Artur Sá da Costa veio falar, com a ciência e os conhecimentos de que é possuidor, do enquadramento de Miguel Ferreira na luta dos “democratas de Braga” contra o fascismo, dos anos 50 ao 25 de Abril. Foi uma lição de sapiência!...
O meu amigo Amadeu Gonçalves teve a amabilidade de falar do assunto nos seus interessantes blogues http://litfil.blogspot.com e http://diariosincompletos.blogspot.com.
Um grande bem-haja pelo seu apoio e pela sua amizade de longa data.
Aqui fica também a reportagem fotográfica do acontecimento do habitual colaborador deste blogue, Manuel Meira Correia, a quem manifesto publicamente a minha admiração e a maior gratidão!




sábado, 23 de julho de 2011

Estes “colossais” trapaceiros…

1. Afinal, Passos Coelho desdisse o que o disse. O que todo o mundo disse que disse. O que o próprio Povo Livre, jornal oficial do seu partido, escreveu que disse. Que, afinal, não disse a expressão “desvio colossal”.
Claro está que alguém pressionou o referido senhor para que a Europa que nos tem debaixo de olho não credibilizasse uma tão infeliz e antipatriótica declaração!...
Mas já começamos a ficar habituados à inexperiência (ou será incompetência?) e inabilidade política dos jovens governantes que nos couberam em sorte!...

2. No final da outra semana, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, fez uma professoral conferência de imprensa para anunciar, colossalmente, o que já todos sabiam desde que o governo tomou posse. Que os portugueses que trabalham, os que dependem de outrem, bem como os reformados, vão ser literalmente esbulhados – o termo não pode ser outro, para continuarmos com algum nível linguístico – de cerca de metade do seu subsídio de Natal, o que para muitos trabalhadores era um pé de meia com o qual contavam para pagar o seguro do carro, uma prestação da televisão ou para uma pequena viagem de férias pelo Natal, ninharias para este executivo em que alguns depositam confiança. E, valha a verdade, se os tribunais funcionassem sem considerações políticas, tenho muitas dúvidas de que essa decisão injusta chegasse à prática… Mas todos temos consciência, a começar pelo governo, de que os portugueses são pacíficos, brandos de costumes e naturalmente atreitos mais a obedecer que a raciocinar, ou a manifestar-se!...
O “colossal” ministro atreveu-se a insultar a inteligência dos portugueses quando teve o desplante de afirmar que a sobretaxa do imposto em IRS que levará o equivalente a 50% do subsídio de Natal “é uma medida universal” e que “respeita o compromisso do Governo de impor uma equidade social na austeridade através da justa repartição dos sacrifícios”.
Para lá de se questionar a pertinência de um imposto não previsto no memorando com as instituições internacionais, e que visa claramente alcançar uma almofada política para o governo vir mais tarde afirmar que foi o “salvador da Pátria”, o que apetecia, desde logo, responder ao ministro era que fosse para onde Mafoma mandou as botas… Vá gozar, colossalmente, com quem o nomeou. Se a sua “equidade fiscal” é martirizar os rendimentos do trabalho, presente e passado, está a cavar a sepultura da classe média em Portugal, erro que outros mais perspicazes há muito corrigiram. Agora não atire areia para os olhos dos portugueses. Ao isentar os juros, os dividendos e os rendimentos das empresas, deixou de tornar “universal” a exigência de sacrifícios nesta hora difícil. Demonstrou que o governo do PSD/CDS está, não do lado dos que produzem, dos que constroem o país, mas do capital puro e duro, do capital especulador que vive de explorar o sangue e o suor dos operários e dos que têm rendimentos laborais.
Revolta, indigna, indispõe, por muitas explicações professorais de um ministro que poderá saber muito de finanças, como também Salazar sabia, mas nada revela perceber de justiça, de equidade, de rectidão.
Até o insuspeito ex-líder do PSD, o fafense Luís Marques Mendes, veio publicamente (TVI 24) considerar “injusta” a exclusão dos rendimentos de capital. “Parece-me que o modelo de 1983 era mais justo que o de agora”, afirmou, lembrando que nessa altura, quando o Bloco Central recorreu também à aplicação de um imposto extraordinário, “os rendimentos de capital e as empresas estavam cobertos com impostos de seis e cinco por cento, respectivamente”.
Marques Mendes, muito sensatamente, questionou porque é que as empresas que têm lucros não hão-de pagar também o imposto extraordinário, numa altura em que todos devem dar o seu contributo para sair da crise. E porque é que os juros de depósitos consideráveis, a partir de 100 000 euros, ou de meio milhão de euros, não hão-de ser tributados? Têm medo que escapem para os off-shores? Mas não é isso que os capitalistas já fazem há muito? …
3. Mais surreal foi a explicação do ministro para isentar da taxa extraordinária os rendimentos do capital. “Uma série de dificuldades de ordem técnica” que tornam de “difícil exequibilidade” a tributação daqueles rendimentos. O diário Público ouviu fiscalistas e quadros da administração tributária que desmontam as alegadas “dificuldades” do ministro, considerando que era fácil fazê-lo, assim houvesse vontade política. E essa não há. É o governo que temos, no seu liberalismo conservador, protector do capitalismo, do sistema financeiro e especulativo.
Que ninguém tenha dúvidas: os trabalhadores que paguem a crise!... É o recuperar pela direita de um slogan da extrema-esquerda de há alguns anos atrás, o que não deixa de ser anedótico.
4. Anedótica foi a explicação de Vítor Gaspar para a claríssima e demagógica declaração de Passos Coelho, numa reunião partidária, sobre o alegado “desvio colossal” das finanças públicas. É sempre assim para quem recebe o poder, garantindo sempre não responsabilizar a administração anterior: o país de tanga, a pesada herança, o desvio colossal. O ministro das Finanças enredou-se numa justificação caricata, colossal, como se os portugueses fossem todos mentecaptos. O que se pede ao doutoral ministro, é que não imagine tratar os portugueses como atrasados mentais. Bem basta o que basta!...
5. É engraçado como as pessoas mudam, consoante as situações. Até nas reportagens televisivas dá para perceber as duas caras da falta de vergonha de muitos portugueses. Ainda há poucos meses muitos reclamavam acaloradamente contra os falecidos PEC de Sócrates, porque prejudicavam gravemente a economia individual e colectiva. Não havia direito de pedir mais sacrifícios aos portugueses. Hoje acatam com o maior civismo e comiseração todas as patrióticas “extorsões” do actual governo de direita. Porque “Portugal necessita do apoio de todos”, não é verdade? Parece que ainda há pouco tempo não necessitava!...
Até o conhecido Macário Correia acaba de dar uma machadada mais na já parca credibilidade da classe política caseira. Enquanto o governo foi socialista, manifestou-se encarniçadamente contra a introdução de portagens na Via do Infante, no Algarve. Agora, embora continue a compreender a luta contra as portagens, compreende e aceita os “sacrifícios”, dada a situação das finanças públicas. Porque será que mudou de atitude política? Claro que não tem nada a ver com a mudança de governo…
É enternecedor este “patriotismo” dos troca-tintas!...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vamos falar do Major Miguel Ferreira

Hoje à noite  (21h30), na Biblioteca Municipal de Fafe, vamos falar do Major Miguel Ferreira, essa referência enorme de republicano histórico, de homem de bem, de homem íntegro, combatente pela Liberdade durante toda a sua vida.
Há 100 anos atrás era deputado às Constituintes. Há 50 anos, falecia (1961), com 83 anos de idade.
Vamos passar em revista a sua luminosa vida de político e de militar, que se ficou pelo posto de Major.
Aqui fica mais uma imagem do nosso Major.

O meu amigo dr. Amadeu Gonçalves divulgou hoje no seu blogue mais alguma informação sobre o assunto. Muito grato.