terça-feira, 2 de agosto de 2011

Volta a Portugal em Bicicleta com epicentro em Fafe nos dias 3 e 4 de Agosto

A cidade de Fafe é este ano o epicentro do começo da 73ª Volta a Portugal em Bicicleta, estas quarta e quinta-feira, 3 e 4 de Agosto.
Centenas de pessoas assistirão ao vivo à apresentação das onze equipas concorrentes da Volta, na Praça 25 de Abril, com transmissão pela RTP1, entre as 14h00 e as 18h0.
Vai ser uma tarde em cheio, com muita música, apresentação das equipas e intervenção de grupos e valores locais.
Os apresentadores do programa “Há Volta” são João Baião, Isabel Figueira e Joana Teles, enquanto os apresentadores das equipas são João Pedro Mendonça e Marco Chagas.
O destaque musical vai para a família Malhoa (José, Ana e Índia) que se vai apresentar individualmente e em grupo. Mas também para Carlos Ribeiro e Maria Celeste, Zé do Pipo, Luís Manuel, José Alberto Reis e Paula Soares.
Durante a tarde, haverá intervenções de individualidades, como o Presidente da Câmara, José Ribeiro, o presidente da Associação de Ciclismo do Minho, José Luís Ribeiro, o director da Lagos Sport, João Lagos, o subdirector desportivo da RTP, Paulo Sérgio, o provedor da Santa Casa, Pires Antunes e o director da Volta, Joaquim Gomes.
O fafense José Manuel Leite Dantas falará das chegadas da Volta organizadas pelo Grupo Nun’Álvares em 1963, 1964, 1966 e 1974.
Intervêm também os grupos locais, por esta ordem: Grupo Nun’Álvares (hip hop); Rancho Folclórico de Fafe (recriação da feira tradicional e actuação); Restauradores da Granja (BTT e street basket); Orquestra Juvenil da Banda de Golães; “Amigos da Borga”; Andebol Clube de Fafe; a Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Fafe (grupo de cavaquinhos); Leões do Ferro (danças de salão) e Tunafanfe. Os seus responsáveis serão chamados a dizer algumas palavras.
Haverá ainda lugar a abordar o projecto que está a ser levado a cabo em Fafe relativo aos carros eléctricos.
Na quinta-feira, dia 4, a cidade de Fafe assiste ao prólogo da 73ª Volta a Portugal em Bicicleta. O programa “Há Volta” tem lugar entre as 14h50 e as 16h00 e nele cabem as intervenções do antigo ciclista José Martins e do “magriço” Manuel Duarte e as animações da Cercifaf (bombos), Associação de Karaté, Academia de Música José Atalaya e da jovem artista Ana Margarida Costa.
Segue-se, entre as 16h00 e as 18h00, o contra-relógio que serve para a selecção do camisola amarela da primeira etapa.
A etapa tem apenas 2,2 Km, saindo os ciclistas do parque da Cidade e finalizando na Praça 25 de Abril.
Junta-se o mapa do traçado.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Meu querido mês de Agosto (1)


Emigrantes, graças a Deus!

Agosto nasceu hoje, dia primeiro do mês. Dá os primeiros vagidos, como quem acaba de vir ao mundo.
Titubeante, começou a sua existência com um “tempo” que já não se usa e que ninguém aprecia.
Chuva em Agosto põe qualquer cristão mal disposto.
Agosto é sinónimo de férias, de boa vida, de nada fazer, de não ter horários nem relógio a marcar o adormecer e o acordar.
Agosto é também sinónimo de emigrantes, esses heróis portugueses da contemporaneidade, que largam a sua terra à procura das melhores condições de vida e que merecem todas as estátuas e monumentos que se edifiquem em sua homenagem. Historicamente, foram das melhores coisas que Portugal forneceu ao mundo, fazendo nos últimos séculos parte da nossa identidade cultural.
O Jornal de Notícias editou hoje vinte páginas especiais dedicadas ao fenómeno da emigração e que merecem leitura atenta.
Aí se relembra que a diáspora nacional totaliza hoje 4 a 5 milhões de portugueses e luso-descendentes, muitos dos quais têm orgulho na sua portugalidade, ao contrário do que sucedia há algumas décadas. Hoje Portugal é um país moderno, respeitado no mundo, apesar de tudo o que a crise possa levar a supor, absolutamente diferenciado do que era há quarenta ou cinquenta anos atrás.
Os emigrantes hoje têm orgulho do seu país, sentem-se, mais que emigrantes, “cidadãos do mundo”, deste mundo global que aceita as diferenças, as origens territoriais e étnicas dos cidadãos. Hoje há filhos de emigrantes que são vereadores em municípios europeus e americanos, líderes associativos, empresários de sucesso que se impuseram pelo seu trabalho, pela sua determinação, pelo seu portuguesismo.
Há décadas, os portugueses abandonavam o seu país para escaparem à miséria, ao analfabetismo e à guerra colonial. Eram (sobretudo) homens com poucas letras, que mal sabiam ler e escrever, que se sujeitavam à lama e à escassez de higiene dos famosos bidonvilles (bairros de lata), e para os quais o que interessava era amealhar dinheiro para comprar uma courelas, fazer uma casa (estilo la maison), subir na consideração da comunidade aldeã e colocar os filhos a estudar, para que não reproduzissem a vida dos seus progenitores.
A paisagem minhota (e fafense) está repleta deste tipo de arquitectura de importação, que suscita o sarcasmo de muitos mas que seguramente será objecto de estudo sociológico nos anos futuros.
Regressavam em vistosos carros, para exibir um novos estatutos.
Hoje os novos emigrantes são jovens qualificados e cidadãos abatidos pela crise, que apostam numa diáspora temporária, para fugir à crise e refazer a vida. Parte-se com recursos, porque a emigração é vista como uma etapa, não uma vida. Há novos personagens na emigração, novos destinos, uma diferente visão e assunção de Portugal. As raízes já não constituem o apelo de outrora. Há hoje maior desprendimento, maior liberdade, oceânica libertação da terra, dos braços da mãe, dos sinos da aldeia, da feira da vila.
Que não dos ícones eternos, o regresso quase religioso e ritual em Agosto, o repovoamento dos lugares cada vez mais desertos, um pouco por todo o interior do país, as festas e romarias da aldeia, as idas à praia ou ao rio.
É claro que as coisas em Portugal não estão grande coisa. E os emigrantes não hesitam em optar por permanecer nos países de acolhimento, enquanto o país do coração não melhorar da sua precária saúde económica. Contudo, há um sentimento que os percorre durante longos onze meses: o regresso em cada Agosto ao seu país natal. Nem que seja para rever a alma familiar e o rosto de um país que os espera, os aprecia e valoriza.

PS: ao longo deste mês, vou tentar deixar para os leitores um diário (mais ou menos bissexto) de coisas e loisas, maiores ou mais reduzidas, com ou sem importância, para que a estação louca possa ser isso mesmo.

domingo, 31 de julho de 2011

16ª Bienal de Cerveira: eu fui!... E você?

Por estes dias acalorados, gozando algumas férias, munido do interessado filho pelas coisas da cultura, o que me deixa obviamente “babado”, rumei até ao Alto Minho, directo a essa maravilha repetida de dois em dois anos que é a Bienal de Vila Nova de Cerveira.
Cerveira é um local paradisíaco, de que juntarei imagens, em outro post. Adoro esta vila pequena mas aprazível e carregada de História.
A décima sexta edição da Bienal decorre de 16 de Julho a 17 de Setembro, em Cerveira, mas também no Porto (Palacete Viscondes de Balsemão) e em Vigo (Casa s Artes), o que diz bem dos propósitos de disseminação cultural e artística da iniciativa. Além da exposição de pintura, escultura, fotografia, artes performativas e vídeo, a Bienal integra um programa paralelo que inclui visitas guiadas, residências artísticas, workshops, conferências e debates e concertos musicais. O programa pode ser consultado em www.bienaldecerveira.pt.
Este aqui é o je, em pose artístico/estática, à porta do Fórum, no centro de Cerveira e palco principal da Bienal
No fundamental, e nas palavras da organização, o evento foi concebido para proporcionar aos visitantes a oportunidade de conhecer as novas tendências da arte contemporânea, dispersas (só em Cerveira) por cinco espaços: o Fórum Cultural, a Casa Vermelha, o Castelo, o Convento de San Payo (do artista José Rodrigues), a República das Artes e a Escola Superior Gallaecia.
Nestes espaços, a maioria de acesso gratuito, excepto o Fórum (5 euros de entrada, 50% para estudantes) estão representados jovens artistas de diferentes nacionalidades: portugueses, brasileiros, espanhóis, franceses, italianos e japoneses, entre outras.
Um mundo de imaginação, de criatividade, de inovação, de transgressão, fazendo apelo a diversíssimos materiais, universo corporizado em diferentes suportes artísticos, uns mais tradicionais, outros mais tecnológicos.
Esta como outras bienais, ou outros eventos artísticos, para lá de nos suscitarem o apelo à contemplação do belo, da harmonia, da perfeição, do jogo de cores e de formas que nos tranquilizam e enriquecem interiormente, também nos interrogam (e inquietam, e incomodam) sobre os limites da arte. O que é (ou o que não é) para nós a arte? E o que é para nós a arte também será para os outros?
O conceito de arte será universal? Ou será uma noção quando muito meramente subjectiva e abstracta, diferente de pessoa para pessoa?
Aqui ficam algumas imagens tiradas sobretudo no Fórum (sem flash, como pedem no local), deixando-se um apelo aos leitores para que, podendo e querendo, visitem esta grande manifestação de arte contemporânea que ainda vai estar patente durante mais um mês e meio.











quarta-feira, 27 de julho de 2011

XXVII Festival Folclórico Internacional de Fafe realiza-se na noite deste sábado

Realiza-se na noite deste sábado, 30 de Julho, o XXVII Festival Internacional de Folclore Fafe 2011, na Arcada, em pleno centro urbano, englobado no programa de animação de Verão promovido pela Câmara Municipal.
O evento conta com a participação do grupo promotor, o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Arões, bem como o Rancho Folclórico Etnográfico de Vale de Açores (Mortágua), o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Calendário (V. N. Famalicão), o Rancho Folclórico “Os Marceneiros de Rebordosa”, o Grupo Associativo de Divulgação Tradicional de Forjães (Esposende), o Folk Dance and Music Group “Basarabem” (Moldávia) e o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Fermentões (Guimarães).
O festival tem o apoio da Câmara Municipal de Fafe, Junta de Freguesia de Arões S. Romão, Junta de Freguesia de Fafe, Federação do Folclore Português e Delegação de Braga do Inatel.
O programa do festival começa pelas 18h00, com o convívio entre os elementos dos grupos participantes.
Pelas 20h30, tem lugar a recepção dos participantes na Câmara Municipal, posto o que os grupos desfilam em direcção ao local do espectáculo, que arranca pelas 21h30, com a imposição das fitas nos porta-estandartes e a actuação dos ranchos folclóricos.

Breve historial do grupo organizador

O Grupo Folclórico da Casa do Povo de Arões foi fundado em 1 de Janeiro de 1979.
Está filiado no Inatel (Fevereiro de 1997) e na Federação de Folclore Português (Março de 1999), sendo o único com estas filiações no concelho, o grupo é composto por 55 elementos. Gravou programas para algumas estações de rádio e participou em programas transmitidos pela RTP e também já se deslocou a Espanha e a França.
Em 1985 participou num Festival Internacional de Folclore realizado em França, levando assim o nome de Fafe ao mais alto nível,
Em 1987 participou num grande Festival Nacional, realizado na cidade da Maia, juntamente com outros grupos etnográficos do nosso país.
Em 1997, mais uma vez, foi chamado para o alto nível dos Festivais Internacionais, nomeadamente o concurso realizado em Versalhes-França, onde obteve entre 12 grupos o 1º lugar, que foi atribuído por unanimidade do júri.
Em 1999 foi agraciado com a medalha de prata de mérito concelhio pela Câmara Municipal de Fafe. No mesmo ano foi agraciado pela Junta de Freguesia de Arões.
Em 2003, voltou a França e em 2006 foi convidado a deslocar-se ao principado do Mónaco, para participar em festivais internacionais de folclore.
É ainda de salientar a participação assídua do grupo em Festivais Internacionais e Nacionais.
Desde a sua fundação é ponto de honra preservar as danças, cantares, trajes, utensílios e tudo o que possa ter interesse cultural museológico do concelho, tendo este grupo uma procura constante em elementos que possam contribuir para as suas boas actuações e de acordo com a tradição desta terra, mantendo assim uma actividade regular na pesquisa desses mesmos elementos.

Orquestra Jovem "Sopros do Minho" actua sexta-feira à noite em Fafe

A Orquestra Jovem “Sopros do Minho”, vai estar em Fafe, para um concerto na Arcada, em Fafe, na próxima sexta-feira, dia 29 de Julho, com início agendado para as 22h00.
O Concerto insere-se no programa de animação de Verão e é antecedido por um desfile de apelo à música pelas ruas da cidade, com início às 21h00.
Este evento musical culmina um estágio de formação, que decorre no Complexo Turístico de Rilhadas durante quatro dias (terça e sexta-feira). A orientação musical e regência são da responsabilidade do Maestro e Compositor Valdemar Sequeira, técnico da Confederação Musical Portuguesa, que conta com o apoio de uma equipa de Professores da Banda de Revelhe. As peças a executar serão objecto de aperfeiçoamento musical dos jovens filarmónicos.
A Federação Regional de Bandas Filarmónicas do Minho traz, de novo, a grande música filarmónica à cidade de Fafe. Recorde-se que da primeira vez, reuniu no Multiusos da cidade, em 22 de outubro de 2005, nos concertos de outono, as Bandas de Amares, Golães e Revelhe, em homenagem ao Maestro e Compositor Ilídio Costa. O acontecimento valeu-lhe a nomeação para o galardão fafense “Microfone de Ouro”.
Em palco e na rua estarão jovens das Bandas de Antas (Esposende), Revelhe, Caldas das Taipas, Vilarchão, Santa Maria de Bouro, Carvalheira e Cabeceiras de Basto.
Contribuir para a melhoria do nível artístico das Bandas Filarmónicas, estabelecer laços de união entre as Bandas do Minho, a partir da sua juventude, fazer um grande convívio musical jovem e brindar à cidade de Fafe uma contagiante onda musical são objectivos deste evento da Federação Regional de Bandas Filarmónicas do Minho.
A organização deste acontecimento musical é da responsabilidade da Federação de Bandas do Minho, com apoio financeiro da Direção Regional de Cultura do Norte e da Câmara Municipal de Fafe e, ainda, logística do Instituto Português da Juventude.

O dia da avó Emília

Imagem da net
Lembraram-me hoje que, desde 2003, se comemora a 26 de Julho o Dia dos Avós. Um dia luminoso, belo, de convívio intergeracional, no qual os “pais dos nossos pais” ascendem a soberanos seres, respeitados, experientes, num momento de excepção que contrasta com o abandono e a rejeição com que tratamos tantas vezes os idosos deste país, que são, afinal de contas, os nossos pais e avós.
Na minha infância e juventude, repousa apenas uma avó. Dos quatro progenitores de meus pais, apenas restou, na segunda metade do século XX, a face bondosa, trabalhadora, activa, da avó Emília. Um corpo franzino que conheci durante décadas apenas vestido com uma cor: o negro da viuvez. Diria, uma avó derreada ao peso do luto, durante todos os anos que tive o privilégio de a ter como a mãe de meu pai. Ambos já partiram, desafortunadamente, para as respectivas estrelas.
Lembro a avó Emília, poucas palavras, mexida como um sardão, dedicada às fainas agrícolas lá de casa: a apanha da azeitona, pelo íngreme Inverno; as desfolhadas, no Verão; o catar dos bagos, nas vindimas; a recolha da lenha da poda.
Lembro a avó Emília que não parava, que dividia o seu quotidiano entre a nossa casa, em Serafão, a moradia dos restantes dois filhos, na aldeia e a igreja paroquial, onde diariamente expiava os pecados inexistentes, tão pura e boa de coração era. Fazia inúmeros quilómetros todos os dias, numa silhueta irrequieta que hei-de recordar até à eternidade.
Cresci com a avó Emília ao meu lado, mais a inenarrável e amorosa tia Maria, a cada passo desencontradas e indispostas mutuamente, por mera diferença de estilo, mas sempre abertas a questionar a ausência da outra, como se não pudessem viver as duas sob o mesmo tecto, mas não pudessem, do mesmo passo, viver uma sem a outra. Malhas que a psicologia deverá explicar, se é que tal tem interesse para a vida celestial onde ambas descansam!...
No tempo da minha avó, eu crescia, frequentava a escola primária, tomava banho no rio gelado em Fevereiro, para grande azia da minha mãe (e consequente correctivo sobre os meus ossos…), acompanhava o ciclo das sementeiras, das mondas, das regas e das colheitas. O milho, o centeio, os legumes, a batata, o vinho. Uma sociedade agrícola e pecuária que perdurou até aos anos 80 do século XX, e que rapidamente desapareceu, para desconsolo de tantos de nós.
A minha avó voou, certo dia, mais de oito décadas de estar por cá, atropelada por uma bicicleta quando regressava da missa da manhã (o que significou, para a minha mente da altura: é perigoso ir à missa, ensinamento divino que passei a seguir, fielmente, até aos dias de hoje).
Ainda me recordo do seu perfil lívido, quieto, irrecuperável. Nem parecia a minha avó.
Nunca mais falei do assunto, embora a minha avó apareça vezes sem conta na janela irreprimível aberta no meu coração para todos os que me são queridos até à eternidade.
Lembrei-me hoje que a avó Emília não consegue morrer para mim, passados tantos anos. E ainda bem. É porque continua viva!... Pelo menos na minha alma.