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| Último número (até agora) publicado do Correio de Fafe. |
O semanário Correio de Fafe, que primava pela regularidade, não saiu à luz da publicidade no último fim-de-semana de Julho, como seria normal. Foram alegados problemas técnicos e que sairia na semana seguinte, mas não saiu.
Fala-se por aí que o jornal estará a debater-se com graves problemas financeiros. Que os jornalistas estarão com salários em atraso e que existirão outras dívidas vultuosas.
Circula mesma na cidade o boato (e esperamos que seja mesmo apenas isso) que o Correio de Fafe vai acabar.
Seria uma perda enorme para a cultura e a sociedade fafense se tal viesse a verificar-se.
Mesmo que, em determinado período (anos 80, sobretudo), não morrêssemos de amores pelo jornal, e tivéssemos mesmo sido violentamente atacados por escribas anónimos do Correio de Fafe, com muita cobardia à mistura, não podemos deixar de considerar que, quando um jornal morre, a cidade fica mais pobre, mais vulnerável, mais triste. É uma perda de cidadania e de cultura.
Ficam a faltar o necessário pluralismo, as notícias mais abrangentes, o comentário divergente, que é sempre enriquecedor.
A actual série do Correio de Fafe (porque já tinha havido outras) surgiu em 13 de Junho de 1980, sob a direcção do professor Alberto Alves. A sua orientação política, desde o início, era claramente social-democrata e para combate encarniçado à Câmara socialista de Parcídio Summavielle, apesar de o estatuto editorial (que sempre mente, sempre mente…) afirmar, peremptoriamente, que o jornal “pautará a sua conduta sem submissão ou enfeudamento a qualquer organização política”. Na primeira fase, tal não foi verdade, como todos sabem. E basta folhear as páginas do jornal, para o comprovar… Nos últimos anos, registou-se maior pluralismo informativo e opinativo, que me parece de louvar e enaltecer.
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| Primeiro número do jornal, em meados dos anos 80 |
Nesta hora, cumpre-nos relacionar os directores que foram dando corpo, mais ou menos político, mormente na primeira fase, ao jornal, designadamente e até à actualidade, Alberto Alves, Soares Peixoto, Aureliano Barata, Serafim Salgado, Pedro Gonçalves, José Guimarães Antunes, José Manuel Correia, Paula Ramos Nogueira, Luísa Lameiras, Luís Meireles e António Ferreira Leite.
Quanto ao quadro de colaboradores que foram tecendo a opinião no Correio de Fafe, realce para A. Lopes de Oliveira, Domingos Oliveira Lopes, João Carlos Lopes, Clara Castro, Paulo Fafe, Humberto Gonçalves, Júlio Alves Rodrigues, José Salgado Leite, Miguel Monteiro e Hernâni Von Doellinger, entre muitos outros.
Apesar dos seus defeitos, que todos os jornais têm, o Correio de Fafe é absolutamente necessário à sociedade fafense. Já existem apenas dois periódicos. Se um deles acaba, o panorama da comunicação social local fica imensamente mais debilitado, o que não é bom para a saúde democrática e cívica do concelho.
Que não se confirmem os rumores que por aí circulam, são os nossos votos muito sinceros! E que o Correio de Fafe ressurja em Setembro, como sempre tem feito!
Um grande abraço para os seus jornalistas e colaboradores!