domingo, 21 de agosto de 2011

Meu querido mês de Agosto (5)

Chegaram ao fim os “Sons de Verão”em Fafe


O programa de animação musical de Verão, em Fafe, promovido regularmente pela autarquia há já muitos anos e que arrancou em meados do mês de Julho, concluiu este fim-de-semana, no centro da cidade.
Na sexta-feira, dia 19, o espectáculo teve o protagonismo do Rancho Folclórico Juventude do Alto Minho de Saint Priest Lyon, que integra sobretudo emigrantes minhotos, onde pontifica um acordeonista da nossa terra. Ao que sabemos o espectáculo correu muitíssimo bem, dando a oportunidade para a apresentação de um espectáculo de emigrantes que teimam em manter acesa a tradição do folclore minhoto por terras de França.
No sábado, 20 de Agosto, o programa “Sons de Verão” concluiu com um excelente espectáculo de fado da jovem artista Cláudia Madur, natural de Baião, em Trás-os-Montes. Trata-se de um jovem valor da mais típica canção portuguesa, que encantou quem a ele teve o privilégio de assistir.
Concluído o programa musical, que juntou milhares de pessoas ao longo de mais de um mês, a animação de Verão culmina esta quarta-feira, dia 24, com a exibição do filmeRio”, de Carlos Saldanha, no Anfiteatro de ar livre da Biblioteca Municipal, às 22h00. Como sempre, com entrada livre.
Aqui ficam algumas imagens dos espectáculos do fim-de-semana, como sempre com a assinatura de Manuel Meira Correia.

Rancho Folclórico Juventude do Alto Minho de Saint Priest Lyon:



Fados com Cláudia Madur:




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Faria Martins em Fafe - algumas imagens e a minha homenagem


O actor e grande amigo Faria Martins vai hoje a enterrar em Vila Nova de Famalicão. Era um actor excelente, talentoso e um homem de elevado carácter e enorme nobreza. Jamais o esqueceremos. A morte nunca tem explicação, nem desculpa, sobretudo quando se é demasiado novo para partir, como era o caso.
Aqui ficam algumas imagens para o recordar, sinceramente, relativas a diferentes espectáculos realizados em Fafe, o último dos quais foi há menos de três meses, no Teatro-Cinema. É a minha profunda homenagem ao artista e ao amigo que nos deixou,muito antes do que devia.
Fotos de Manuel Meira Correia.








quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O teatro está mais pobre – morreu o actor e amigo Faria Martins

Faria Martins é o segundo, a contar da esquerda. Até sempre, companheiro!
Li hoje no JN e fiquei chocado, porque, apesar de saber da sua grave doença, não esperava tão rápido e desolador desfecho.
Morreu, no Instituto Português de Oncologia, o actor e amigo Faria Martins, que integrava há vários anos o projecto da Jangada teatro, que tantos espectáculos realizou em Fafe, o último dos quais ainda há menos de três meses, exactamente em 21 de Maio, com a peça “A Festa dos Porcos”.
Pessoalmente, fiquei triste, consternado e desgostoso com a prematura morte deste grande artista, ainda com muito para dar ao teatro e à cultura do país, dada a sua idade (61 anos) imprópria para desaparecer do nosso convívio.
Faria Martins tinha um longo e frutuoso currículo artístico, quer como fundador e elemento do Teatro Construção (1975) e do Jangada teatro (1999), quer integrando ainda a companhia Seiva Trupe e o Filandorra – Teatro do Nordeste, além de participação na telenovela da RTP 1A Lenda da Garça, entre muitos outros projectos. Ver, a propósito, a biografia do actor na página da Jangada teatro na Internet (www.jangadateatro.com).
Nesta altura de dor e desolação, em que as palavras são sempre poucas, resta endereçar à família enlutada e à companhia Jangada a manifestação dos maiores pêsames, por esta perda irreparável para o teatro e para a nossa região, que tanto o estimava.
Caro Faria: onde quer que esteja, receba este abraço do tamanho da amizade, do respeito e da consideração que nos unia há mais de duas décadas!

Meu querido mês de Agosto (4)

É óptima “A Terra do Chiculate”
O lançamento da obra A Terra do Chiculate – relatos da emigração portuguesa, de Isabel Mateus, na Biblioteca Municipal de Fafe, constituiu um momento importante do ponto de vista cultural e de catarse desse fenómeno colectivo que foi a emigração clandestina para França, no início dos anos 60 do século passado. Já passaram 50 anos, mas ainda poucos se atrevem a abrir esse assunto-tabú do Portugal Contemporâneo. A “emigração a salto” é aqui tratada de uma forma pioneira, na perspectiva de uma criança, cuja mãe foi para terras gaulesas nos primórdios da emigração, deixando-a aos cuidados da avó e regressou, passados alguns anos, o que suscitou conflitos interiores de grande dimensão psicológica entre as personagens. Também a figura do “passador” é abordada pela primeira vez, o que reforça a importância e interesse da obra.
A jovem autarca portuguesa do município de Metz, em França, Nathalie Oliveira, que veio apresentar o livro, considerou que Isabel Mateus “é uma mulher de grande dimensão, apesar de aparentemente frágil, com uma escrita forte”, em que conseguiu “sublimar a história da emigração”, dando voz a muitas vozes. A Terra do Chiculate é um trabalho de grande qualidade humana e literária, que importa sublinhar. Lê-se como um documentário do que foram aqueles difíceis anos nos bairros de lata de Champigny.
Presente esteve também Maria da Conceição Melhorado, hoje uma docente do ensino secundário da zona de Coimbra, a menina que embala a boneca e come um bolo típico do Natal transmontano, captada com rara felicidade pelo famoso fotógrafo Gérald Bloncourt, em 1966. Considerou-se uma anti-heroína que representa “todas as crianças que foram a salto para França”. Também ela verbalizou a “vergonha relativamente aos bidonvilles”, apesar de considerar, na esteira de Bloncourt, que foram os emigrantes que construíram Paris.
Conceição Melhorado concluiu que Isabel Mateus “conseguiu passar para o papel tudo aquilo que os emigrantes sentiram”.
A autora espraiou as suas palavras nos agradecimentos e reiterou que a obra se destina a provocar alguma reflexão sobre o tema, visando “um melhor conhecimento do fenómeno da emigração clandestina para França” e que iam geralmente cair aos bairros de lata de Paris. Relembre-se que passaram pelos famigerados “bidonvilles” cerca de 120 mil portugueses, que depois dariam o salto para melhores condições de vida e de instalação.
A Terra do Chiculate – relatos da emigração portuguesa é uma obra cuja leitura se recomenda, a qualquer leitor, mas sobretudo aos que sentem a emigração, directa ou indirectamente. Que são quase todos os portugueses. Pois não há família, sobretudo no norte ou no centro do país, que não tenha um ou vários emigrantes no seu seio.
Juntam-se algumas fotografias do evento, como sempre com a competente assinatura de Manuel Meira Correia.







domingo, 14 de agosto de 2011

Correio de Fafe vai acabar?


Último número (até agora) publicado do Correio de Fafe.
O semanário Correio de Fafe, que primava pela regularidade, não saiu à luz da publicidade no último fim-de-semana de Julho, como seria normal. Foram alegados problemas técnicos e que sairia na semana seguinte, mas não saiu.
Fala-se por aí que o jornal estará a debater-se com graves problemas financeiros. Que os jornalistas estarão com salários em atraso e que existirão outras dívidas vultuosas.
Circula mesma na cidade o boato (e esperamos que seja mesmo apenas isso) que o Correio de Fafe vai acabar.
Seria uma perda enorme para a cultura e a sociedade fafense se tal viesse a verificar-se.
Mesmo que, em determinado período (anos 80, sobretudo), não morrêssemos de amores pelo jornal, e tivéssemos mesmo sido violentamente atacados por escribas anónimos do Correio de Fafe, com muita cobardia à mistura, não podemos deixar de considerar que, quando um jornal morre, a cidade fica mais pobre, mais vulnerável, mais triste. É uma perda de cidadania e de cultura.
Ficam a faltar o necessário pluralismo, as notícias mais abrangentes, o comentário divergente, que é sempre enriquecedor.
A actual série do Correio de Fafe (porque já tinha havido outras) surgiu em 13 de Junho de 1980, sob a direcção do professor Alberto Alves. A sua orientação política, desde o início, era claramente social-democrata e para combate encarniçado à Câmara socialista de Parcídio Summavielle, apesar de o estatuto editorial (que sempre mente, sempre mente…) afirmar, peremptoriamente, que o jornal “pautará a sua conduta sem submissão ou enfeudamento a qualquer organização política”. Na primeira fase, tal não foi verdade, como todos sabem. E basta folhear as páginas do jornal, para o comprovar… Nos últimos anos, registou-se maior pluralismo informativo e opinativo, que me parece de louvar e enaltecer.
Primeiro número do jornal, em meados dos anos 80
Nesta hora, cumpre-nos relacionar os directores que foram dando corpo, mais ou menos político, mormente na primeira fase, ao jornal, designadamente e até à actualidade, Alberto Alves, Soares Peixoto, Aureliano Barata, Serafim Salgado, Pedro Gonçalves, José Guimarães Antunes, José Manuel Correia, Paula Ramos Nogueira, Luísa Lameiras, Luís Meireles e António Ferreira Leite.
Quanto ao quadro de colaboradores que foram tecendo a opinião no Correio de Fafe, realce para A. Lopes de Oliveira, Domingos Oliveira Lopes, João Carlos Lopes, Clara Castro, Paulo Fafe, Humberto Gonçalves, Júlio Alves Rodrigues, José Salgado Leite, Miguel Monteiro e Hernâni Von Doellinger, entre muitos outros.
Apesar dos seus defeitos, que todos os jornais têm, o Correio de Fafe é absolutamente necessário à sociedade fafense. Já existem apenas dois periódicos. Se um deles acaba, o panorama da comunicação social local fica imensamente mais debilitado, o que não é bom para a saúde democrática e cívica do concelho.
Que não se confirmem os rumores que por aí circulam, são os nossos votos muito sinceros! E que o Correio de Fafe ressurja em Setembro, como sempre tem feito!
Um grande abraço para os seus jornalistas e colaboradores!

Vila Nova de Cerveira – algumas imagens

Tal como havíamos prometido há alguns dias, e já com algum atraso, o que nestes dias de internet é desculpável, porque quem tem pressa vai andando, ou seja, pesquisando, aqui ficam algumas imagens de Vila Nova de Cerveira. Muitas mais haveria, naturalmente, para apresentar, do castelo, da igreja matriz, do centro urbano, entre outras que também temos.
Devo acrescentar que adorei Cerveira, que, aliás, há muito conhecia, uma terra pequena mas acolhedora, repleta de História mas também marcada pela modernidade. Adorei a simpatia dos naturais, o encanto de alguns recantos e, obviamente, a 16ª edição da Bienal, a que já me referi num post do mês passado.






quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Com 100 anos, foi hoje a enterrar o professor Fernando Mendes de Oliveira

Agosto não é bom mês para morrer. Porque quase ninguém dá conta, de tão empenhados que estamos em não pensar em nada. Uns estão em férias e outras a emalar os trapos para ir para as praias.

Foi assim que soubemos que o conhecido professor Fernando Mendes de Oliveira, que foi rigoroso mestre de várias gerações durante mais de três décadas e competente Delegado Escolar em Fafe durante 14 anos, foi hoje a enterrar, na freguesia de Serafão, juntando-se assim à sua primeira esposa, a professora Maria da Conceição Campos Rodrigues, natural daquele freguesia e que leccionou na chamada Escola Feminina, na Devezinha, da qual foi directora, na então Vila de Fafe, entre 1945 e 1960, altura em que faleceu prematuramente, com apenas 52 anos de idade.
Já há muito tempo que sabíamos que o “professor Fernando”, como era vulgarmente conhecido, estava em casa retido, talvez por doença, talvez pela idade avançada. Mas não imaginávamos que já tivesse 100 anos. O certo é que, vendo bem as coisas, nasceu em 29 de Julho de 1911 (há um século), na freguesia de Urgezes, em Guimarães.

Diplomado pela Escola do Magistério de Braga, em 20 de Fevereiro de 1933, para o exercício do ensino primário, iniciou o exercício das suas funções docentes em 21 de Março de 1934, na freguesia de Lamosa, concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu, mas logo em 19 de Abril seguinte foi colocado, como professor efectivo, na escola de Valença do Douro, concelho de Tabuaço, onde trabalhou desde 1 de Outubro de 1934 a 30 de Setembro de 1935.

Depois trabalhou na freguesia de Jugueiros, concelho de Felgueiras, desde 1 de Outubro de 1935 a 30 de Setembro de 1939.
Na freguesia de Garfe, concelho da Póvoa de Lanhoso, exerceu a sua actividade desde 1 de Outubro de 1939 a 30 de Setembro de 1944, residindo na vizinha freguesia de Serafão.
Finalmente, trabalhou na então chamada Escola Masculina n.º 1 da Sede do concelho de Fafe, desde 1 de Outubro de 1944 a 29 de Julho de 1981, data da sua aposentação, por motivo de limite de idade. Foi director daquela escola desde 22 de Dezembro de 1966 a 1 de Outubro de 1974.
Foi Adjunto do Delegado Escolar desde 20 de Novembro de 1954 a 23 de Janeiro de 1967 e Delegado Escolar de 27 de Janeiro de 1967 até ao final do exercício das suas funções (1981).
Tirou um curso preparatório e, depois, foi professor do ciclo complementar, na 5ª e 6ª classes, desde 2 de Dezembro de 1966 a 31 de Julho de1974, data em que acabou este grau de ensino, tendo acumulado o exercício destas funções com as de Delegado Escolar.
A partir de 1 de Outubro de 1974 foi dispensado do serviço docente, para trabalhar apenas como Delegado Escolar. Foi agraciado pelo Presidente da República, com a Medalha da Ordem da Instrução Pública, em 10 de Junho de 1971.
Além destas actividades, foi ainda Presidente da Junta de Freguesia de Fafe, e Vereador da Câmara Municipal de Fafe, durante a presidência de António Campos, e seu sucessor, Dr. José Barros.
Fez também parte da direcção do Clube Fafense durante alguns anos.
Foram 47 anos ao serviço da escola, 37 dos quais à Escola Masculina de Fafe como professor, e às escolas do concelho, em geral como Adjunto do Delegado e Delegado Escolar.
(In Dicionário dos Fafenses, 2ª edição, pp. 224-225)