sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O regresso à mais dura realidade!

E pronto, as férias foi um ar que lhes deu, para quem a elas teve acesso, obviamente! São sempre bem vindas, como é consabido, sempre necessárias e imprescindíveis a quem trabalha, ou estuda, para desanuviar da rotina do quotidiano, por uma questão de saúde mental e para permitir fazer o que durante o ano não se consegue, a atracção da família e dos amigos, num ambiente descontraído, de total disponibilidade de afectos, de tempo e de ócio, que contrasta com o negócio e a usura que caracterizam o resto do ano.
Nestes dias de festa – todos os dias de férias são domingo -  tentamos esquecer e desculpabilizar a realidade que nos cerca, as notícias inquietantes que vamos assimilando, numa atitude de deixar para Setembro o rol de preocupações que podemos adiar. Em férias, o melhor é não pensar em nada, se possível desligar dos meios de informação (para mim, opção impossível, pois não consigo alhear-me do país e do mundo, por um dia que seja…), comer e beber, sem culpas, como se não houvesse amanhã, ler o que não temos tempo ou pachorra para fazer durante os restantes meses, sobretudo os romances e os livros de poesia que vamos protelando, à espera de melhores dias…
Findo o tempo de lazer e de descanso, voltamos à dura realidade do dia a dia, este ano especialmente penosa.
E a realidade impõe-nos um país onde a classe média tem a sobrevivência cada vez mais difícil, porque o executivo se compraz num ataque feroz e desenfreado à bolsa de quem trabalha, que já está a pagar mais a crise do que os detentores do capital. Um país onde um Governo que tomou posse há pouco mais de dois meses já aumentou os impostos por quatro vezes, apresentando-se hoje mais que fiel servidor da “troika”. Um Governo mais “troikista” do que o que manda a dita cuja. Quando subiu ao poder, em Junho, Pedro Passos Coelho recusava o aumento de impostos, como o anterior governo havia feito, alegadamente porque os portugueses já estavam saturados. Pelos vistos, as promessas caíram em saco roto e a palavra de candidato a governante vale zero, como já antevíamos. Assim, a realidade impõe-nos um governo trapaceiro e saqueador. No final de Junho, na apresentação do programa de Governo, o primeiro-ministro anunciava aos portugueses que em Dezembro terão de pagar um imposto extraordinário equivalente a metade do subsídio de Natal. Um “roubo”, como já foi muito e bem catalogado. Exactamente, no último dia de Agosto, o monocórdico e soturno ministro das Finanças (cada vez que fala, é para aumentar impostos…) veio anunciar mais acréscimos de tributos. Que, no próximo ano, os mais ricos não vão escapar ao pagamento de mais 2,5% de IRS e as empresas com lucros acima de 1,5 milhões de euros mais 3%.
A estas “boas novas”, que representam o Guiness das medidas mais penalizadoras dos portugueses num menor período de tempo, há que acrescentar as mexidas nas taxas do IVA que deverão entrar em vigor no próximo ano, e a subida deste imposto no gás e na electricidade que entra em vigor já em Outubro. Para quem, ainda há três meses, garantia que em caso algum iria aumentar os impostos, até que nem está nada mal… Está péssimo!
Somem-se a este descalabro social o aumento brutal dos transportes públicos que afectam milhões de pessoas, os absurdos cortes, da ordem dos 11%, nos custos operacionais dos hospitais (a “troika” apenas exigia 5%...), o que traduz a insensibilidade de um ministro tecnocrata e meramente economicista, de quem já não era de esperar outra coisa, a redução dos efectivos e o congelamento dos salários, das progressões e promoções dos funcionários públicos, entre outros. Uma cáustica austeridade que afectará a classe média até pelo menos 2014, enquanto o “subsídio solidário” dos mais ricos se estende apenas “por dois anos”, como faz    questão de referir o justo e igualitário Governo que nos coube na rifa.
Dos afamados cortes nas “gorduras do Estado”, de que Passos Coelho tanto se gabava de saber onde efectuar, zero, nicles, niente. Na melhor das hipóteses, lá para 2012. Uma desilusão colossal, como alguém a classificou, e muito bem!...
A realidade impõe-nos ainda um país em que as famílias mais pobres são obrigadas a adquirir os manuais escolares (que podem chegar aos 300 euros) e só recebem o dinheiro passados meses.
Para já não falar dos 37 mil professores que não conseguiram emprego nas escolas, colocando em situação dramática aqueles docentes, que se qualificaram para o ensino das novas gerações e vão assim engrossar a legião dos desempregados.
Para já não falar de negócios calamitosos para o país, como o desbaratamento do BPN, a operação mais ruinosa de que há memória!...
Para já não falar das previstas privatizações dos sectores estratégicos da economia nacional (energia, água, comboios, correios), ao desbarato, numa delapidação patrimonial de que não há comparação em países europeus. Só em Portugal, claro!... É fartar, vilanagem!...
Para já não falar de um país que o governo pretende assistencialista, virado para os “coitadinhos dos pobrezinhos”, para quem se fabricam toscos PES e para quem se dedicam os restos do que existe!... Como no tempo da outra senhora, de má memória!
Este Governo parece apenas ter a ciência e a competência para esbulhar os cidadãos trabalhadores, os reformados e os subsidiados. A malta do capital, coitadinha, não se toca, porque pode querer fugir com os capitais para os célebres offshores. E que fujam, os capitais, e eles, que não fazem cá falta nenhuma!... Quem não paga impostos, que vá pregar a outras paragens (à Madeira, pode ser, juntar-se aos “patriotas” que por lá ajardinam…).
A realidade impõe-nos um país irrespirável, onde apenas relevam as contas, o deve e o haver, as “troikas” e os défices. Estamos no reino da política de mercearia. Dos cortes dos rendimentos do trabalho e dos aumentos de impostos. Para os cidadãos trabalhadores e para a classe média. Os mais endinheirados, são sagrados. Nesses não se mexe, como quer Passos Coelho, e ainda ontem reafirmou, em Berlim, porque essas coisas não se asseveram cá no burgo.
As pessoas não interessam, como já se viu fartamente. São esmagadas com impostos, com cortes, com dificuldades agravadas. Por isso, não será surpresa que nos próximos meses as ruas se encham de manifestações e o ambiente social se exaspere.
É que essa coisa dos “brandos costumes” não passava de propaganda salazarista!...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Meu querido mês de Agosto (12)

Acabaram as férias, vieram a chuva e o mau tempo político

Agosto acaba de dar as últimas!... Que Deus o tenha, que até foi bom tê-lo encontrado e fruído, sobretudo nas duas últimas semanas, coincidentes com as férias da família, esparramados ao sol e ao sul, que é onde se está bem, para retemperar as forças do corpo e da alma, esquecendo temporariamente o que não tem estatuto para ser lembrado.
Como é evidente, foram dias de duro trabalho para o “bronze”, aquela cor aparentemente doentia que até dá saúde, sob o sol gracioso do Algarve.
Foram dias também de saudável e prodigioso cultivo do espírito familiar, de afecto, de descoberta e convívio com antigos e novos amigos, porque nas férias dispomos de tempo e coração para os que nos são mais próximos.
Pode parecer mentira, mas este instantâneo foi tirado esta terça-feira, 30 de Agosto, ao sol do sul. Quem diria, quando estamos sob nuvens carregadas e espasmos de chuva?
Foram dias de folga, de alegria, de diversão, de ruptura com o quotidiano de todo o (restante) ano. E passaram como se fossem corcéis, sem limites no horizonte, a toda a brida!...
Foi bom mas acabou, e acabou de uma forma diria “chocante”. Ainda vínhamos para o Norte e já a arreliadora chuva nos fazia companhia, beijando o pára-brisas do automóvel, revelando as más notícias, para quem a abomina. E, já em casa, choveu como quem anuncia dias mais tristes e frescos de Outono, que não demora. Foi uma recepção desagradável, inóspita, a todos os títulos.
Meu querido mês de Agosto, de grata memória e sol ao sul (pelo menos).
Com o retorno a casa, regressam também as péssimas notícias do mundo político cá do burgo, que nos afecta a todos, com mais cortes e mais impostos, e menos vergonha governamental, mas que serão motivo para um post mais alargado e impiedoso, no começo de Setembro, que já é.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Independência para a Madeira, já!

Lê-se e fica-se estupefacto com a desfaçatez do régulo da Madeira, a qual, francamente, parece que não é parte integrante do território português, tal a disformidade de comportamentos, decisões e atitudes no Continente e naquela região autónoma. Dir-se-ia que a Madeira não é Portugal. E não é, de facto, bem vistas as coisas!
AJJ, numa atitude de manifesto desespero arruinado, dispara contra tudo e contra todos, como se não houvesse amanhã. Primeiro, era a “Trilateral”, depois a “Maçonaria”, depois, o “Estado Central” e o “sistema capitalista”. Mais recentemente, foi o “anterior governo e o seu ataque financeiro à região”, através da lei das finanças regionais, foram os “ingleses” e agora “a esquerda”.
Os males endémicos da Madeira, nunca têm nada a ver com o sujeito, com o seu regabofe, o seu despesismo medieval, o seu autoritarismo clientelar. Nos últimos anos, a culpa dos milhões que foram gastos em foguetes e esferográficas foi de Sócrates que, no fim de contas, não deu à Madeira a autonomia que o homem queria.
Como irresponsável que é, para não dizermos mais, AJJ “chuta” sempre as culpas para os outros, de preferência, os “cubanos”, ou seja, todos nós, os que, com os nossos impostos, pagamos os destemperos, os desatinos e o folclore demagógico e eleitoralista que permanentemente o caracteriza. Gasta fortunas para nada e nós é que pagamos. E ainda por cima nos goza, nos ofende e nos enxovalha permanentemente!
Agora ficámos a saber, pelo jornal i, que na Madeira a estrutura governativa é mais pesada do que a do Continente.
A megalomania da governação desgovernada, compreende 28 direcções regionais, 5 institutos, 33 empresas públicas ou participadas, algumas completamente falidas.
Fecharam o ano de 2010 com 33,6 milhões de euros de prejuízo e resultados transitados negativos de 471 milhões de euros.
Toda aquela máquina deve 5242 milhões de euros, um valor superior a toda a riqueza gerada pela actividade económica da região.
Agora, que o governo mudou, AJJ vem proclamar que aumentou a dívida da Madeira, “para poder negociar com o governo liderado pelo PSD”. Vem, assim, pedir, de joelhos, que o governo central forneça uns bons cobres para refazer a liquidez da “Pérola do Atlântico” para que, depois, possa vociferar, mais uma vez, contra os continentais que o sustentam com língua de palmo e têm de aturar as suas diatribes irresponsáveis.
Para o sujeito que governa a região, a solidariedade nacional que obriga à contenção é uma treta. Ele quer é dinheiro fresco para continuar a esbanjar à tripa forra o dinheiro de todos os portugueses, com a suave e costumada complacência de Lisboa, de quem espera agora “cumplicidade política”, pois então?!
Desde 2005, a dívida da Madeira mais que duplicou. Passou dos 478 milhões para os 963 milhões, em 2010, ou seja, mais de 101,5%.
Ao que se lê, e não se acredita, o governo regional dá anualmente a um jornal da Madeira, afecto e propagandeador do regime, 400 mil euros. É inacreditável que em Portugal este salazarismo abjecto ainda seja possível e ninguém diga nada!...
Esta péssima gestão dos dinheiros públicos não é capaz de uma mera palavra de condenação dos corajosos governantes actuais do PSD, tão patrioticamente afoitos a extorquir metade do subsídio de Natal dos trabalhadores e a decretar impostos e aumentos de serviços, num ataque despudorado à classe média e aos portugueses de mais fracos recursos financeiros. Os mais ricos ficam de fora, como convém!...
Eles é que (não) pagam a crise!...

PS – Eu, muito modestamente e abominando a arrogância, a insolência continuada, o despotismo, o falabaratismo, o vazio cultural e intelectual do sujeito, o culto da personalidade, o desperdício financeiro reiterado, não me importo nada que a Madeira se desvincule de Portugal e se torne, não autónoma, mas absolutamente independente. Sempre se poupavam uns milhões que estão a forrar os cofres de quem não o merece, é ingrato e passa a vida a insultar os portugueses que lhe pagam a existência.
O sujeito para quem a solidariedade nacional é meramente unívoca: de cá para lá, sempre, como se viu aquando das inundações do Funchal, em que teve de amochar a orelha e tão “amigo” ficou de Sócrates, até à próxima punhalada...
De cá para lá, vai dinheiro a rodos; vão turistas, vai solidariedade institucional e leis gerais da República.
De lá para cá, apenas insultos, afrontas, provocações, farisaísmo puro e duro. Que se dane e que nos deixe em paz.

Independência para a Madeira, já!


domingo, 28 de agosto de 2011

Meu querido mês de Agosto (11)


O F. C. Porto triunfou no Torneio de Portugal, em andebol, o qual terminou hoje no Pavilhão Multiusos de Fafe, ao derrotar o Benfica, por 25-24, numa final marcada pelo equilíbrio desde o início até ao final dos 60 minutos.
Perante um recinto praticamente lotado, a tarde foi lugar de um jogo bem disputado e competitivo, por parte de duas excelentes equipas, porventura as maiores do panorama andebolístico nacional, neste momento.
O F. C. Porto tinha chegado à final, no sábado, após ter batido o Sporting, por 20-18, enquanto o SL Benfica havia derrotado tangencialmente o ABC, por 29-28.
Ao início da tarde de hoje, o Sporting venceu o ABC por 32-27 e garantiu o terceiro lugar da competição, que honra Fafe e o desporto nacional.
Fafe fica, definitivamente, na rota dos grandes acontecimentos desportivos nacionais e internacionais, neste caso, do andebol.
No final, foram entregues os prémios relativos ao torneio.
O troféu para o melhor marcador foi entregue a José Pedro Coelho (ABC), enquanto o melhor guarda-redes distinguiu Ricardo Candeias (SL Benfica). O melhor jogador foi Dario Andrade (F. C. Porto). O prémio disciplina (Fair Play) foi averbado pelo Sporting Clube de Portugal.




Gala do andebol nacional realizou-se sábado no Teatro-Cinema

Carlos Carneiro, jogador do SL Benfica, foi eleito o melhor jogador do campeonato português de andebol, na Gala do andebol que teve lugar sábado à noite no Teatro-Cinema de Fafe.
Ljubomir Obradovic, treinador do FC Porto, foi considerado o melhor treinador, enquanto Carlos Pereira do Madeira SAD recebeu a distinção de melhor dirigente.
Já na parte feminina, Vera Lopes, do Gil Eanes, recebeu o prémio de melhor jogadora da época 2010/2011.
Perante uma sala com 300 pessoas, foram ainda distinguidos com o Prémio Homenagem, José Garcia França, com o Prémio Carreira Pedro Feist e com o Prémio Reconhecimento a Jorge Rodrigues.
Mais um acontecimento que honra de sobremaneira a cidade de Fafe, palco de grandes acontecimentos desportivos nacionais.





Reportagem fotográfica: Manuel Meira Correia

 

sábado, 27 de agosto de 2011

Meu querido mês de Agosto (10)

Fafe está a ser a capital do andebol em Portugal até ao próximo domingo


Sem que muitos se dêem conta, a cidade de Fafe volta a ser palco de um grande acontecimento desportivo de âmbito internacional, concretamente o Torneio de Andebol de Portugal, que começou na quinta-feira e se prolonga até domingo, 28 de Agosto.
O epicentro é, uma vez mais, o Pavilhão Multiusos de Fafe e nele participam os quatro maiores emblemas nacionais da modalidade (F. C. Porto, ABC, SL Benfica e Sporting CP) e duas equipas estrangeiras, a selecção de Angola e a Lugi Handeboll (Suécia).

Resultados das primeiras duas jornadas:

I Jornada:
F. C. Porto, 32 – Selecção de Angola, 25
ABC, 38 – Lugi Handeboll, 33

II Jornada:
Sporting, 24 – Selecção de Angola, 20
Benfica, 34 – Lugi Handeboll, 22

Este sábado, dia 27, realiza-se a III Jornada, com os jogos:
15h00: ABC-SL Benfica
17h00: FC Porto – Sporting

Domingo, 28 de Agosto, último dia da competição, realizam-se as partidas seguintes:
11h00: jogo entre o 5º e o 6º classificados
14h30: jogo entre o 3º e o 4º classificados
17h00: Final

Haverá ainda um jogo “All Stars” (Feminino), a partir das 18h30.

Juntam-se algumas imagens das duas primeiras jornadas, gentilmente cedidas pelo fotógrafo colaborador deste blogue, Manuel Meira Correia.








Este jovem jogador do SL Benfica tem a particularidade, por alguns conhecida, de ser de Fafe: chama-se Pedro Peneda e tem qualidades para singrar na modalidade 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Meu querido mês de Agosto (9)

Grandes romarias de Fafe culminam este fim-de-semana

Santuário de Nª Sª das Neves, na Lagoa
Este fim-de-semana vai ser de arromba no município de Fafe, sobretudo nas localidades de Lagoa e de Travassós. Celebram-se as maiores romarias de Agosto, neste concelho.
Na sexta-feira (e no domingo), a Lagoa volta a acolher milhares de fafenses e de forasteiros que se deslocam, ao longo do dia, ao santuário de Nª Sª das Neves, não apenas para “tirar o diabo”, como é tradição popular, para exorcizar os demónios e os fantasmas mentais, mas também para rezar à Virgem, numa manifestação de fé que os católicos muito apreciam, num dos templos marianos mais importantes do distrito. Trata-se de uma romaria que vem já de há séculos e que tem atraído inúmeros forasteiros a esta localidade fafense, numa devoção que anualmente se repete, por esta altura.
Procissões, actos litúrgicos, bandas de música, folclore, venda ambulante e foguetório são alguns dos motivos de interesse que levam tantos romeiros às longínquas paragens de Aboim e de Várzea Cova, freguesias por que se divide o lugar da Lagoa.
No sábado e no domingo, é a vez da celebração das grandes festas em honra de Nª Sª das Graças, em Travassós, tradicional romaria do último domingo de Agosto. Espectáculos, cerimónias litúrgicas e muita alegria são igualmente os números fortes do programa desta que é uma das mais importantes romarias de Fafe, a última grande romaria do mês em curso e que leva a Travassós milhares de pessoas. Como a anterior, e todas as romarias populares, nela se misturam e fundem, harmoniosamente, as instâncias religiosa e profana, tão do agrado do povo, que sabe distinguir as águas e separar os campos.
A propósito, deixamos aqui no “Sala de Visitas do Minho” um belo poema, já com 25 anos, da autoria de um poeta fafense já falecido, Sousa Machado, e que é do seguinte teor:

Nossa Senhora das Graças



Ao Dr. António de Barros e Vasconcelos
-com admiração e estima

Nossa Senhora das Graças
Dá-me a Esperança que perdi
Agradeço que assim faças
- Nem sempre a vida sorri...

Nossa Senhora das Graças
Que manto tão bonitinho...

Levantei as mãos aos Céus
Numa sincera oração
E fitei os olhos Teus
Abri-Te o meu coração.

Nossa Senhora das Graças
Que olhar tão terno e tão doce!

O mundo à volta é abismo
Nada de bom pode dar
Pois por isso eu penso e cismo
Mesmo aqui junto ao altar.

  Nossa Senhora das Graças
  Que linda Imagem, Senhora!

Os sonhos vão acabando
Que não acabe a Esperança
Que a Senhora abençoando
Dá-nos a fé e a bonança.

Janeiro, 1986
(Justiça de Fafe, 30/01/1986, p. 1).


Meu querido mês de Agosto (8)

O direito à indignação, e outros protestos

Mesmo quando estamos a banhos, tranquilamente, retemperando as energias para o ano que se aproxima, o mundo não pára de evoluir, o governo não cessa de nos trapacear, tal como não paramos de “ver, ouvir e ler”, que até dispomos de mais tempo para o fazer.
Mesmo em férias, não abdicamos do constitucional e filosófico direito à indignação e motivos para o exercer não faltam.
Há um ano atrás, em 14 de Agosto, no Pontal, aqui ao lado, Passos Coelho, então apenas o demagogo de serviço da oposição, prometia chumbar qualquer orçamento em que se anunciasse aumento de impostos. Como bem recorda a Visão da semana passada, insurgia-se ferozmente contra os cortes nas deduções fiscais. Gritava contra um governo que não se podia limitar a arranjar desculpas, mas deveria cumprir o dever de governar. E falava sem tabus das portagens que deveriam existir em todas as Scut, apoiava a regionalização e jurava não mexer nas taxas do IVA.
Desde há mais de dois meses governo, por vontade da maioria relativa dos portugueses que exerceram o seu direito de voto (e são esses que contam…), Passos Coelho é a personificação da mais funda desilusão, do revoltante contraste entre o que se promete e o que se faz: para isto, que não é exclusivo de Passos Coelho, como é óbvio, mas verificou-se igualmente com os governos do PS, melhor seria não haver campanha eleitoral, nem manifestos, nem programas de governo, que não são mais que mentiras bem ordenadas. Gastam-se rios de dinheiro para debitar promessas que não são para cumprir.
Vejamos.
Não haverá aumento de impostos: se calhar, o infame corte de 50% no subsídio de Natal dos funcionários públicos, é apenas uma dádiva religiosa para o peditório governamental. Imposto? Quem fala nisso!...
E para 2012, já se anunciam mais impostos!...
Não haverá aumento do IVA: o aumento brutal da factura da electricidade e do gás natural, passando dos 6 para os 23%, mais não representa do que um divertimento que os portugueses estão dispostos a prodigalizar, para ajudar o governo a ganhar as próximas eleições. Aumento do IVA? Quem fala nisso!...
Selvático aumento dos transportes públicos? Não passa de uma demagógica miragem!..
Portagens nas Scut? Calma, que os interesses partidários estão primeiro, e a palavra de ontem não é para cumprir!...
Regionalização? Nem pensar, que o regabofe social-democrata (não esqueçamos) da Madeira (que havemos de glosar, pelo escândalo que representa…) não autoriza a pensar no assunto!...
Não haverá desculpas? Afinal, há. Aquela coisa fantasmagórica do “desvio colossal”, que ainda ninguém percebeu o que seja, a não ser talvez na cabeça bem pensante e monocórdica do ministro das Finanças!...
Dir-se-á que tudo isto são imposições da “troika”. Serão, ou não. A dita cuja não ordenou o corte de metade do 13º mês, ou ordenou? Obviamente que tal é uma criação exclusiva de que o governo se pode gabar…
Tudo agora serve de desculpa para oprimir os portugueses com mais impostos, aumentos e cortes! É o que este governo sabe fazer…
O objectivo, ao que dizem, é aumentar a receita do Estado à custa do expediente fácil: esfolar o contribuinte. Para isso, não era necessário eleger um governo inteiro. Qualquer merceeiro de aldeia sabe como fazer: para acrescentar a receita, basta aumentar os preços do arroz e da massa. Há alguma ciência nisso?
Ciência está em fazer como o governo não se cansa de indicar aos pacóvios: fazer melhor com menos dinheiro. Então, que dê o exemplo!.. Ou a miraculosa receita é apenas para os outros?
É muito fácil aumentar as receitas pela via fiscal, impositiva. Difícil é conter as despesas. E aí ainda não há qualquer directiva. Adia-se sistematicamente o anúncio dos cortes, porque a coisa ia mais fino. E para quem, na campanha, anunciava que tinha o assunto bem estudado e sabia onde cortar, até que nem está nada mal… Está péssimo.
Aliás, como há dias escrevia no Expresso o insuspeito Miguel Sousa Tavares: “tivessem sido José Sócrates e Teixeira dos Santos a fazer o décimo das maldades que este governo já fez aos portugueses (…) e teríamos as multidões na rua e a imprensa aos gritos”.
Mas, curiosamente, ou talvez não, há por aí uma complacência e uma condescendência (ou será apenas manifestação de culpabilidade de quem o elegeu?) relativamente ao tenebroso assalto aos bolsos dos portugueses por parte do executivo de Passos Coelho, que não havia perante José Sócrates, a quem nada se perdoava, do que agora se afirma, com perversa inocência, “ter de ser, para levantar o país, porque as coisas estão mal, etc. e tal…”. Pura e louca logorreia!
Que o governo não pense que os portugueses estão dispostos a manter o estado de graça indefinidamente: se o governo agride os portugueses com constantes aumentos, os portugueses vão obrigar o governo a governar como deve ser. Que não espere outra coisa.
Que ponham ordem nas contas públicas mas também moralidade no Estado. Há alguma razão para que um ex-presidente da Assembleia da República, Mota Amaral, tenha a prerrogativa de um gabinete próprio na AR, a que foram afectos uma secretária, uma viatura e um motorista exclusivos, conforme despacho da nova presidente Assunção Esteves, nº 1/XII? Mas estamos no reino do Bokassa?
E a infindável legião de "boys" e "especialistas" de cartões partidários para tudo o que é ministério e secretaria de estado?
Há alguma razão para que o governo, até agora, se tenha limitado a tributar os rendimentos do trabalho e deixado de fora as fortunas e os dividendos do capital e da especulação?!...
Que é que o governo tem feito para acabar com esses centros da especulação e do crime que são os paraísos fiscais, para onde muitos enviam o dinheiro não se sabe de que proveniências?!... Nem anúncios...
O que apetece proclamar, calmamente, deste Verão para o futuro, é que estes intrujões vão todos para aquela banda, que é para os não tratar mal!...
Os seus apaniguados que tenham paciência: a ideologia de nada vale perante o saque diário que estão a fazer às carteiras dos portugueses. Se ainda assim acharem que exagero, só tenho um conselho: continuem a autoflagear-se, masoquisticamente, cristãmente. Como D. Policapo quer!...