quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Caminhamos para um Estado Policial?

Duas notícias dos últimos tempos não auguram nada de bom para o futuro deste país e dos portugueses. São altamente preocupantes e denunciadoras de uma tentação securitária que não condiz com a democracia, mas acaba por ser herdeira de acções que a direita não se coíbe de tomar, quando está no poder e vêm já do longínquo tempo do consulado de uma década de Cavaco Silva (1985-1995), em que ficou célebre a carga policial sobre… uma manifestação de polícias.

1. A primeira das notícias veio no Diário de Notícias de domingo passado e reza que “Polícia e SIS já têm elementos no terreno para antecipar as acções de grupos organizados que podem criar grande agitação social”. Isto na perspectiva de que a agitação social deve crescer nos próximos meses e pode atingir proporções nunca vistas nos últimos 30 anos. “O descontentamento popular com a crise económica faz a polícia e os serviços secretos temerem actos violentos. Por isso, já têm agentes a identificar grupos e protagonistas da contestação” – refere o jornal.
Mas onde é que nos chegámos? Onde é que a polícia e os serviços de informação “antecipam” acções que não estão ainda organizadas, nem se sabe quanto acontecerão?
Mas que democracia é esta em que os indignados, ofendidos e maltratados pelas políticas opressivas e restritivas da direita não podem manifestar a sua indignação e a sua revolta?
Há quem considere, e com razão, que a eventualidade de tal vigilância sobre movimentos sociais é "inconstitucional”, sendo que se está a "instrumentalizar politicamente as forças de segurança". Além do mais, a recolha de informações, como lembrou no início da semana António Filipe, vice-presidente da bancada do PCP, que vai chamar o ministro da Administração Interna ao Parlamento, é "competência exclusiva dos Serviços de Informações, mas que estes estão constitucionalmente impedidos de o fazer em relação a movimentos sociais legais".
O direito à manifestação, à indignação, à revolta, é absolutamente legítimo, legal e constitucional.
Tentar coarctá-lo, com manobras intimidatórias, com o apelo à resignação, ao conformismo, à demissão cristã, como quer Passos Coelho, é, no mínimo, inqualificável, indigno e vil.
Não é democrático, nem digno de um país civilizado e europeu.
Só no terceiro mundo e nos países da América Latina se tolera o espírito de coação que está subjacente a tais práticas.
Reabilitado politicamente, o presidente Cavaco acaba de pedir aos portugueses “para não desistirem”…
É o que eles certamente não admitem fazer!...

2. A segunda notícia inquietante vem na sequência da anterior e acaba por fazer luz sobre as reais intenções do governo de Passos Coelho, assim desmascarado no seu “democratismo” musculado. Refere-se ao Orçamento de Estado para o próximo ano.
Não se percebe, não se tolera, nem se admite, numa altura de crise que, presumivelmente, afecta todos os portugueses: enquanto o orçamento da saúde para 2012 vai ser espoliado em 800 milhões de euros pelo governo, a educação é diminuída até níveis miseráveis, a segurança social nem falar, o ministério das polícias, vulgo Ministério da Administração Interna, vai, não apenas ficar sem cortes no próximo Orçamento de Estado, mas aumentar o valor, para 1 800 milhões de euros.
É um escândalo que tal aconteça, como é uma vergonha que vão ser dedicados 69 milhões de euros à “regularização dos graves problemas remuneratórios instalados na PSP e na GNR”, como sofisticamente avançou a imprensa.
Sem ofensa dos polícias beneficiados, não é admissível uma tão gritante injustiça entre trabalhadores afectos a funções públicas, nem a discriminação entre áreas. Os polícias são importantes, mas a saúde e a educação são bem mais fundamentais (o investimento nestas, dispensa o investimento naquelas).
Para um governo que exige sacrifícios a todos, que aposta na austeridade, que aumenta impostos com o maior despudor, que corta nos ordenados, aumentar o orçamento do MAI é uma indecorosa vergonha.
A estratégia desta pouca-vergonha é conquistar as forças policiais para o lado do governo, aumentar-lhe a auto-estima e o dinheiro nos bolsos, para que possam estar aptas a reprimir, quando for necessário, sem problemas de consciência ou de pagamento de horas extras, qualquer manifestação, tumulto ou expressão de descontentamento social.
Um governo que assim decide não merece a mínima complacência!...

3. E por falar nisso, foi miserável o cancelamento pelo ministro da Educação e Ciência dos prémios monetários aos melhores alunos das 464 escolas secundárias do país a dois dias da sua entrega e quando os contemplados já haviam sido avisados que os iriam receber.
As regras do jogo foram alteradas no final da sua realização, o que é no mínimo infame.
Para quem tanto enche a boca da necessidade de premiar o mérito e a excelência, dá vontade de os mandar para onde Mafoma mandou as botas!...

Concerto de Rita Redsoes (sábado) em Fafe praticamente esgotado

O concerto que a artista Rita Redshoes leva a efeito este sábado à noite (21h30) no Teatro-Cinema de Fafe encontra-se praticamente esgotado.
Incluído no programa “Concertos Íntimos”, o espectáculo servirá para a apresentação do seu trabalho discográfico mais recente.Rita Redshoes surpreendeu em 2008 com "Golden Era", o seu disco de estreia, que atingiu o galardão de Disco de Ouro pela venda de 10.000 unidades, tornando-se já num marco da música nacional.
Rita Redshoes apresenta o seu segundo trabalho de originais “Lights & Darks”, um disco composto por 14 temas e que nos revela uma artista mais madura, desprendida e directa nas suas canções - “Captain Of My Soul”, “Bad Lila” ou “You Should Go”, entre outras, prometem surpreender quem os ouvir ao vivo. Rita está a percorrer o país em digressão de apresentação de “Lights & Darks”.

Sexta à tarde “conversa íntima” com o público

Entretanto, na tarde de sexta-feira, a partir das 16h30, na Sala Manoel de Oliveira, Rita Redshoes participa na iniciativa “conversa íntima” com o público que queira conhecê-la.
Está já garantida a presença de algumas turmas de jovens de escolas do concelho.
A entrada é livre.


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A República e José Cardoso Vieira de Castro

Comemorou-se hoje mais um aniversário (o 101º) da proclamação da República em Portugal. Em Fafe, seria proclamada, das varandas da então câmara municipal (edifício demolido nos anos 20), pelo enorme republicano Dr. José Summavielle Soares, quatro dias depois, um domingo, 9 de Outubro.
O 5 de Outubro é invariavelmente motivo para as mais prementes reflexões sobre os fundamentos e a praxis, bem como o devir da “res publica”, da “coisa pública”, que tantas vezes tão maltratada é.
Lá pelas capitais, o presidente da República discursa na Praça do Município e volta a debruçar-se sobre a actualidade, afirmando que “acabaram os tempos de ilusões. Temos um longo e árduo caminho a percorrer, para o qual quero alertar os portugueses de uma forma muito directa: a disciplina orçamental será dura e inevitável, mas se não existirem, a curto prazo, sinais de recuperação económica, poder-se-á perder a oportunidade criada pelo programa de assistência financeira que subscrevemos”.
E muitas outras afirmações produziu o professor Cavaco, num discurso que o ex-presidente Mário Soares considerou “republicano”.
Lá pela Madeira, nas vésperas das eleições, continua o regabofe, com inaugurações diárias do presidente do Governo Regional, numa altura em que legalmente deveria suspender o mandato ou manter neutralidade política até às eleições.
Mas já se sabe que a Madeira é um abcesso da democracia, da legalidade e da constitucionalidade e que ninguém, mas ninguém mesmo, do Presidente da República ao primeiro-ministro, é capaz de colocar na ordem, calar, reduzir à dimensão que de facto tem, o infame régulo regional, que trata os cidadãos continentais abaixo de cão e insultou nos últimos trinta anos todos os governantes e presidentes, como se não houvesse justiça e tribunais em Portugal. Uma abjecção republicana, sem dúvida! E lá continua, impávido e impune, a gastar milhões de todos nós, sem qualquer controle, a injuriar tudo e todos.
E, no domingo, os patetas madeirenses lá vão voltar a eleger, com maioria absoluta, um indivíduo que é um criminoso politico, e que deveria estar preso (também o Sócrates, é verdade…), que vai prejudicar fortemente os cidadãos madeirenses, os quais se vão dar conta do logro e da factura dias depois do acto eleitoral, numa jogada de mestre do de conluio e branqueamento dos crimes financeiros da Madeira, de nome Passos Coelho. Se este fosse da fibra do fafense Luís Marques Mendes, pura e simplesmente retiraria a confiança política a Jardim e ele não concorreria com a sigla do PSD. Mas Passos Coelho é como todos os outros, Sócrates incluído: forte com os fracos e fraco com os fortes (Jardins, financeiros, capitalistas…).
Em Fafe voltou a evocar-se o 5 de Outubro, numa excelente conferência da jornalista Nair Alexandra, autora da obra A Implantação da República na Imprensa Portuguesa. Um grande momento de história pátria!...
Também o presidente da autarquia, José Ribeiro, usou da palavra para tecer pertinentes e judiciosas considerações sobre a actualidade.
E reiterar os sagrados princípios da República, a liberdade, a igualdade, a solidariedade, os princípios e os valores que tão arredados andam do nosso quotidiano.
E para reclamar um comportamento diferente e inovador da classe política face a uma situação de crise, que certamente levará a situações de ruptura e de novas práticas políticas, em Portugal, como na Europa!...
E onde entra aqui o nosso ilustre José Cardoso Vieira de Castro, proprietário da Quinta do Ermo, em Paços?
Foi a 5 de Outubro que faleceu, no degredo angolano, em 1872 (há 139 anos…), no primeiro de quinze anos de pena que havia de cumprir, por ter assassinado, por sufocação, a sua jovem esposa Claudina Guimarães, de apenas 18 anos, por alegado adultério.
José Cardoso, dono de uma personalidade forte, apaixonada, poderosa, honrada, sucumbiu aos ciúmes e ceifou a vida à jovem esposa, depois de uma vida de excessos, arrebatamentos, truculências e sede de poder e de protagonismo.
José Cardoso, o maior amigo e confidente do romancista Camilo Castelo Branco, faleceu com apenas 34 anos de idade, vitimado pelo paludismo, ou malária, em Angola, onde ficou sepultado.
Curiosamente, dos vários livros que assinou, um chamava-se exactamente A República (1869), em que vaticina as suas virtualidades, mais de quatro décadas antes do 5 de Outubro de 1910 e numa altura em que ainda poucos intelectuais falavam nessa palavra “maldita”, à época.
Brevemente, vai ser apresentada em Fafe a segunda edição da obra J. C. Vieira de Castro, de Fernando Moniz Rebelo, sobre a vida e obra do inditoso proprietário da Quinta do Ermo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Fafe volta a comemorar festivamente o 101º aniversário da implantação da República


P R O G R A M A
Dia 04 de Outubro (Terça-feira):

21h30 Pavilhão Multiusos
- Festa do Desporto, com a entrega do Prémio Desportivo Câmara Municipal de Fafe e Troféu Não à Violência-Viva o Desporto, relativos à época 2010/2011

Dia 05 de Outubro (Quarta-feira):

09h00 Alvorada de Morteiros
10h00 Hastear da Bandeira no edifício dos Paços do Concelho com o desfile da Fanfarra dos Escuteiros de Fornelos
- Salão Nobre dos Paços do ConcelhoSessão solene evocativa da efeméride que inclui:
* Intervenção do Presidente da Assembleia Municipal, Dr. Laurentino 
* Intervenção da Dra. Nair Alexandra sobre as relações da República com a Imprensa
                   
* Intervenção do Presidente da Câmara, Dr. José Ribeiro                             
* Execução do Hino Nacional pela Academia de Música José Atalaya

Por infringir reiteradamente as leis da República e sonegar informação financeira, Jardim devia ser preso!

Público, sábado, 1 de Outubro 2011

A República dos bananas!

Finalmente, Alberto João Jardim foi desmascarado. Já há muito se suspeitava que as aldrabices e o descalabro nas contas da Região Autónoma da Madeira haviam atingido valores incomportáveis mas os números nunca haviam sido apresentados publicamente. Com a conivência e a cumplicidade dos mais altos responsáveis continentais, de todos os partidos, que revelaram sempre incompreensível temor reverencial pelo déspota daquela que é, presumivelmente (não tenho bem a certeza), uma parcela do território português.

Os números mais recentes dão conta de uma dívida da ordem dos 6 328 milhões de euros, o que, para a dimensão e população daquela região, é um número absolutamente astronómico.
Porém, mais que o valor descomunal, agora dito “colossal” do buraco (ou da cratera?) financeiro, é a desfaçatez do soba madeirense.
Começou por afirmar, em Agosto, que “a dívida não chega ao valor de um orçamento anual (1632 milhões em 2011)”, para em 22 de Setembro reconhecer que “o total da dívida é de cinco milhões e tal”.
De caminho, aproveitou para desancar no único governo (honra lhe seja feita, apesar das dificuldades que não foi capaz de evitar!...), o último antes do actual, o de José Sócrates e Teixeira dos Santos, que foi capaz de travar o endémico despesismo madeirense, não autorizando a contrair mais dívidas.
Que é que faz Jardim nessas circunstâncias, quando o governo central começa a não dar mais espaço ao descalabro que vem já de há trinta anos? Pura e simplesmente, esconde a realidade das contas regionais, que é uma atitude ilegal e mesmo criminosa em qualquer parte do território nacional …menos, parece, na “Pérola do Atlântico”. Afirma o candidato a ditador madeirense que “estávamos em estado de necessidade e, por isso, agimos em legítima defesa” (o que quer que isso signifique).
Descobrem-se agora os mais de 6 mil milhões de dívida, que poderão atingir os 8 mil milhões. E sua excelência o dinossauro, na sua congénita desfaçatez e impunidade, continua a afirmar que “sim senhor, fiz dívida e tenho orgulho em ter feito” (ver Público de sábado).
Mas, para além da monstruosidade da dívida, que vai sobrar para todos os contribuintes, e não apenas para os da Madeira, o que merece a maior repulsa, desde logo, é a mentira descarada quanto aos valores do défice madeirense.
Mais: o que mais confrange e ofende os continentais é saber que o “histriónico” Alberto João Jardim, não apenas fez o que não devia ter feito, derrapar nas contas públicas, mas teve o desplante (e gaba-se disso…) de ocultar deliberadamente das autoridades estatísticas nacionais, sobretudo do INE e do Banco de Portugal, as dívidas de que desconhecemos ainda o montante exacto mas que são, no mínimo, uma enormidade!
Um “buraco” financeiro que desonra e compromete o país, numa altura em que a Europa e os agiotas chamados “mercados”, que mais não são do que salteadores das carteiras dos mais fracos, estão de olhos pegados em nós!...
Não é propriamente a derrapagem orçamental que está em causa, embora seja extremamente grave, como todos os responsáveis têm referido. O acto criminoso no meio desta questão é o encobrimento voluntário que o Governo Regional de Jardim fez, para enganar as autoridades portuguesas e continuar o seu festim inesgotável de gastos de dinheiros públicos sem qualquer controle.
Já há muito se suspeitava que na Madeira aconteciam coisas absolutamente inacreditáveis e vergonhosas, como se fosse uma excrescência, um abcesso da democracia. Ou da falta dela, porque Jardim não tem outro nome que um presumido ditador, um salazarista com a mania que é rei do carnaval e máscaras adjacentes.
O que mais surpreende, nesta matéria, é a impunidade de que o homem sempre desfrutou, como se em Portugal houvesse dois países e dois regimes: os de Lisboa, com as suas leis e as suas regras universais para todo o território e os da Madeira, com as gritarias do costume, as ofensas e ataques aos “cubanos” que pagam a sua existência, a diversidade de leis e de regimes fiscais, a contestação sistemática à autoridade nacional.
Custa a entender como é que sucessivos presidentes da República, como Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva (presidentes do Conselho de Estado onde Jardim se sentava, quando queria…) e de primeiros-ministros como o mesmo Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso e José Sócrates se acagaçaram, passe o plebeísmo, ao longo de trinta anos, não colocando o títere no lugar que merece.
Francamente, num país civilizado, Alberto João Jardim, pelo desperdício de dinheiros públicos, que todos os dias a comunicação social reporta, pelo que tem ofendido as autoridades e os portugueses em geral e pelo crime de sonegação de dados a que está obrigado pelas leis da República, não deveria apenas ser multado, nos 25 000 euros de que se fala, e de que o mais certo é ser ilibado. Deveria, se houvesse pudor e justiça, ser preso e pagar os danos que causou e está a causar ao país e mesmo ao povo madeirense, que inacreditavelmente tem vindo a caucionar a festança contínua destes trinta anos em que andou à solta pela ilha. Dizem que é a democracia a funcionar, mas ninguém acredita que as regras “democráticas” sejam as mesmas aqui e lá. Onde é que o governo central, por exemplo, tem um jornal diário (Jornal da Madeira), pago pelo erário público, distribuído gratuitamente, para fazer a propaganda de Jardim e do PSD da Madeira?
Onde é que numa democracia isso existe?
Em Cuba e na Venezuela? Mas esses países parece que não são propriamente exemplos de democracia?
Num país digno, com a justa limitação de mandatos para todos, e não apenas para os presidentes da República, das câmaras e das juntas, Jardim já há muito deixara de insultar a inteligência, a tolerância e a paciência dos portugueses.
Ainda há dias o seu colega de partido Eduardo Catroga lamentava que “o quadro penal da responsabilidade política não esteja mais desenvolvido”, porque este caso deveria ser objecto de uma “punição exemplar”.
Curiosamente, há poucos meses, antes de ser primeiro-ministro, altura em que dizia o que pensava e não o “politicamente correcto” de hoje em dia, Passos Coelho exigia “responsabilidade civil e criminal” para a violação das regras orçamentais por parte dos políticos.
Ela aí está, na sua plenitude e sua excelência assobia agora para o lado, chutando a sua responsabilidade para canto. Num partido vertical e íntegro, Passos Coelho pura e simplesmente retirava a confiança política ao régulo da Madeira, sob pena de ser acusado, justamente, de cumplicidade e conivência com a fraude e o crime.
É que ele tem passado, por sistema, os anos a violar deliberadamente as leis da República. Agora, chegou ao cúmulo. Mais uma vez, da impunidade, do nada acontecer, do fazer o que quer e o que lhe apetece, como se não houvesse regras nem leis.
Ou seja, finalmente, chegámos à Madeira.
Jardim continua alegremente em campanha para as eleições regionais de 9 de Outubro, com foguetórios, abraços, cantigas e cervejas, como se nada tivesse acontecido. A insultar tudo e todos, desenvolvendo uma teoria da conspiração que ultrapassa há muito o campo da política e perpassa para os terrenos da polícia e da psiquiatria. A levantar fantasmas e a comportar-se como inimputável politiqueiro, que já não há pachorra para aturar. Vai certamente ganhar as eleições de domingo por maioria absoluta e continuar à frente dos destinos dos madeirenses, até cair de podre. Coitados deles e mais de nós, que não temos culpa do regabofe, nem o caucionamos e vamos ter de o pagar com língua de palmo!
Somos mesmo a República dos bananas!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Espectáculo comemorativo do Dia Mundial da Música este sábado no Teatro-Cinema de Fafe

A programação regular do Teatro-Cinema de Fafe, relativa ao mês de Outubro, arranca este sábado, dia 1, pelas 21h30, com um espectáculo comemorativo do Dia Mundial da Música.
Nele intervêm o Coral Santo Condestável, na primeira parte, e, na segunda, a Orquestra Juvenil da Banda de Revelhe.

Programa:

CORAL SANTO CONDESTÁVEL

1 – LA FANFARE DU PRINTEMPS (Joseph Bovet)

2 – MAR PORTUGUÊS (Harm. : Fernando Teixeira)

3 – TOURDION (Anónimo)

4 – ODI ET AMO (dos Carmina Catuli,  Carl Orff )

5 – CANÇÃO DO MAR (Música: Ferrer Trindade; Harm.: Amílcar Morais)

6 – JUBILATE DEO  (Jay Althouse)

7 – ACORDAI (Canção heróica, de Lopes Graça)

8 – La del Soto del Parral (Soutullo/Vert)

9 – HALLELUJAH CHORUS (de O Messias, de G.F. Händel)

ACOMPANHAMENTO: Verónica Costa
DIRECÇÃO: Prof. Francisco Ribeiro

Orquestra Juvenil da Banda de Revelhe


1.       Homenagem a Albertino Silva (Lucas) (Ilidio Costa)

2.       First Suite em Mib (Gustav Holst)

3.       Alcazar (Liano)

4.       "Carmem Miranda" (arr: Valdemar Sequeira)

DIRECÇÃO: Prof. Paulo Pereira

CORAL SANTO CONDESTÁVEL

Criado, a 12 de Janeiro de 1952, só com elementos masculinos, teve como primeiro maestro o senhor Virgílio de Castro, ao qual sucedeu o Cónego Leite de Araújo.
Em 4 de Agosto de 1973, sob a direcção do Dr. Adélio Costa, o Coral Santo Condestável aparece com elementos femininos, em Viana do Castelo, onde colabora com o Coro Polifónico daquela cidade. Nessa época, organizou encontros de coros em Fafe e actuou em várias localidades, precedendo a apresentação de peças de teatro encenadas pela Secção de Teatro do Grupo Nun’Álvares.
Em 1986, a direcção artística é da responsabilidade do Dr. Joaquim Santos, sendo assumida, em Novembro de 1989, pelo professor Francisco Ribeiro, que inicia uma nova fase na vida do Coral.
Com um vasto repertório profano e religioso, o Coral Santo Condestável tem actuado ao longo dos tempos um pouco por todo o país e no estrangeiro, nomeadamente em Espanha, França e República Checa, onde participou no 9º Festival Internacional de Música de Natal e Advento, em Praga. A convite do Maestro José Atalaya, em Novembro de 2002, actuou em Oeiras, integrando o programa “Música em Diálogo – Raízes Ibéricas”.
Em Abril de 2009 actuou nos três concertos de abertura do Teatro-Cinema de Fafe e, em Junho de 2010, realizou, em Ávila (Espanha), um concerto, inserido nas XIII Jornadas Polifónicas Internacionais Cidade de Ávila, que foi muito aplaudido na imprensa regional daquela cidade.
Em 1997 editou o seu primeiro CD e colaborou, também, na gravação de um CD Duplo com “Os Melhores Coros Amadores da Região Norte”.
Constituído totalmente por amadores, actuou por diversas vezes com orquestras e músicos amadores e profissionais, como o pianista José Dias, a Orquestra Artave, a Sociedade Filarmónica Fafense (Banda de Revelhe), a Banda da Sociedade Musical de Pevidém e Orquestra do Norte. Desenvolve, ainda, grande actividade, participando em diversos Encontros de Coros e organizando, anualmente, em Fafe, o Concerto da Primavera e o Concerto de Aniversário do Grupo Cultural e Recreativo Nun’Álvares.

Orquestra Juvenil da Banda de Revelhe

A Escola de Música da Banda de Revelhe teve como seu mentor o Sr. Albertino Silva (Lucas). Foi criada com o intuito de proporcionar aos jovens uma formação musical; incutir o gosto pela música e a apetência para a aprendizagem da mesma; promover intercâmbios com outras instituições; promover actividades circum-escolares; contribuir para o desenvolvimento artístico e cultural do concelho. Tem um corpo docente estável e qualificado, tendo como Director Pedagógico da Escola de Música o Prof. Paulo Pereira. Tirando partido dos alunos mais avançados, surgiu a Orquestra Juvenil, proporcionando assim aos jovens o contacto com outros músicos, desenvolvendo o trabalho de grupo bem como para mais tarde fazer parte dos quadros da Banda de Revelhe, tendo sido a sua estreia no dia 22 de Fevereiro de 2008 no Estúdio Fénix. É de salientar que este projecto só é possível porque o filho do mentor da Escola de música, José Albertino Silva, um conceituado empresário fafense, abraçou a ambição do pai, disponibilizando todos os meios necessários para o bom funcionamento da Escola.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Acácio Almeida apresentou o seu terceiro livro de poemas na Biblioteca Municipal de Fafe

Mesa que presidiu ao lançamento do livro: (da esquerda para a direita) João Pinto, Pompeu Martins, Acácio Almeida, Artur Coimbra
Na tarde de sábado passado, a Biblioteca Municipal de Fafe encheu-se de amigos, familiares e admiradores de Acácio Almeida, para testemunhar a apresentação do seu terceiro livro de poemas, Esvoaços 2.
Ao menos, o poeta não levou duas décadas para repetir a proeza de se aventurar na edição de mais uma obra, como havia feito entre o primeiro e o segundo livros.
Desta vez, foi mais comedido e económico no tempo. Ficou-se pelos três anos. O anterior livro havia sido apresentado em Abril de 2008.
A sessão arrancou com uma excelente intervenção musical de José Salgado Leite, que se espraiou em canções e baladas como só ele sabe cantar.
Tive depois a honra de dizer algumas palavras sobre a obra e que aqui recordo.

Excelente intervenção musical de José Salgado Leite
Dedicado aos seus amigos e amigas, “principalmente Deus”, Esvoaços 2 integra 50 poemas, basicamente datados de um arco temporal entre 2008 e 2011.
Nem todos os poemas estão datados, mas de 2008, há 3 poemas; de 2009, 4; de 2010, 17 e de 2011, 19. O que significa que a produtividade lírica veio em crescendo, sendo culminante no ano que decorre.
O poema mais antigo do livro, dedicado a Mia Couto, data de Maio de 1971 e o segundo, dedicado à mãe, é de Dezembro do ano seguinte. São versos arqueológicos no contexto desta obra. O mais recente é já de 12 do passado mês de Agosto de 2011. Tem pouco mais de um mês.
Sobram apenas 5 poemas não adstritos a qualquer datação.
E se nem todos os poemas estão datados, também nem todos estão referenciados geograficamente.
Dos que estão, 31 têm a indicação de Fafe, 5 de Vila do Conde, 5 do Porto, 2 de Guimarães e 2 de Moçambique, um de Miteda (o tal devotado a Mia Couto) e outro de Namialo (o que é dedicado à mãe).

A estrutura dos dois últimos livros, curiosamente, apresenta algumas semelhanças: um conjunto inicial de poemas com título, seguido de um outro grupo de poemas numerados, sob a epígrafe “Cambiantes”, que são a continuação de Esvoaços 1 (e este já o era de Esvoaços). É o único núcleo temático que tem continuidade ao longo das três obras.
Depois de mais um conjunto de seis poemas dispersos, aflora um núcleo temático de 17 poemas sob a epígrafe “Quadros”.
Dir-se-á que continua a haver uma louvável evolução na escrita poética de Acácio Almeida, ao longo dos seus três livros.
Se o primeiro é assumidamente mais de intervenção, de preocupação social, obra de pendor mais realista, os dois seguintes inscrevem uma poesia mais trabalhada, mais madura, mais moderna, mais “literária”, no que isso tem de louvável esforço de depuração imagética e estilística.

Lembremos que a poesia, no seu significado grego original, deriva do verbo “criar”, sendo o poeta aquele que “faz”. O poema é, assim, uma coisa feita, trabalhada, como qualquer artefacto, sendo, neste caso, as palavras a matéria-prima usada.
A poesia é então um artesanato feito com palavras mas, ao contrário do que sucede quando usamos palavras para nos entendermos no dia a dia, as palavras usadas em poesia não são apenas entendidas pela nossa razão. Há um elemento emocional, diríamos, irracional, metafísico, que sobreleva tudo o resto.
É a diferença que vai do quotidiano à literatura.
A palavra poética é a palavra mágica, a palavra profética, a palavra que eleva o sentido do quotidiano a patamares quase divinos.
Modernamente, e como defendia o escritor e poeta David Mourão Ferreira, e eu costumo citar, a poesia “é, antes de mais, linguagem; mas linguagem animada pela emoção, intensificada pelo ritmo, transfigurada pela metáfora”.

A poesia de Acácio Almeida bebe nas águas destes conceitos, como veremos a seguir.

Aqui se fala da viagem
no tempo
bilhete no bolso
sem destino marcado

mas também do amor, onde se escreve a água dos dias que vem da nascente mais pura, espreguiçando-se na planície, e onde

há moinhos na margem do rio
que transformam lágrimas
em laços de ternura (p. 17).

Aspecto do público que assistiu ao evento
São poemas simples, acessíveis e que se lêem com imenso agrado.
A série Cambiantes tece-se de um conjunto de uma dezena de escassos e belíssimos versos, de matriz oriental, de pendor lírico ou sensual, onde o uso dos recursos estilísticos, cumpre o que acima se dizia sobre a linguagem transfigurada pela metáfora.
É o caso de

e afago

com um sorriso
os subúrbios do teu corpo

e afago

como vento de erosão
numa brisa suave
as colinas do teu peito (p. 44)

ou

meu amor
gosto deste silêncio

o silêncio do olhar  (p. 46)

ou num dos textos mais expressivos da obra:

estendo entre os lençóis
o cansaço do dia

encostados um ao outro

pela clarabóia
a lua vem até aqui
acendendo a noite (p. 50).

Ou

As amizades são hortênsias que não ladram… (p. 67)

Os exemplos poderiam repetir-se, mas não vale a pena ir mais longe. Por um lado, uma oficina poética que investe sobre o trabalho linguístico, literário.
Mas por outro, uma preocupação sempre presente pelos dramas do quotidiano, com o que se aproxima da temática social da sua primeira obra.
São exemplos dessa preocupação poemas como DENTRO DO OLHAR (p. 13), COGITAÇÕES 1 e 2 (pp. 36 e 37), POEMA PERDIDO (p. 38), INTEMPORAL (p. 40) e POEMA PARA MINHA MÃE (p. 68).

Muitos parabéns ao velho amigo Acácio Almeida por mais este belíssimo conjunto de poemas, que nos transporta a um mundo mágico, de onde não apetece sair, porque o quotidiano está cada vez menos poético!...

Na sessão, foram recitados poemas do autor e falaram ainda o editor João Pinto, que “justificou” mais uma obra e falou da aventura que tem sido a Labirinto na última dúzia de anos; o poeta, que acabou lendo um belíssimo poema de Jorge Luís Borges dedicado aos amigos e, por fim, o vereador da Cultura, Pompeu Martins, também ele um poeta de elevados recursos, que relevou a qualidade e a elegância poética de Acácio Almeida, em cujos poemas ressoa, sem o saber, a lírica de autores japoneses. Pompeu Martins fez questão ainda de patentear a verdade e autenticidade que transpira da poesia de Acácio Almeida, o qual prometeu, publicamente, que em 1 de Outubro começa a escrever o seu primeiro romance, para corresponder ao desafio da filha Juliana.
Cá ficamos à espera deste cometimento!...

Fotos: João Artur Pinto