segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Espectáculo "Pedro e o Lobo" no Teatro-Cinema de Fafe


A Câmara Municipal de Fafe promove a realização de quatro concertos pedagógicos dedicados ao público escolar do concelho, na tarde de 11 e 12 de Outubro, no Teatro-Cinema, com a apresentação da obra “Pedro e o Lobo”, de Sergei Prokofiev, pela Orquestra do Norte.
A encenação é de Jorge Castro Guedes, sendo assistente de encenação e narração Linda Rodrigues.
A interpretação de personagens está a cargo dos actores Inah Santos e Mário Santos.
A direcção musical da Orquestra é do maestro Raúl Gutierrez.
O espectáculo tem uma sessão extra, aberta ao público em geral, na noite de quarta-feira, 12 de Outubro, a partir das 21h30, com entrada livre.
Composto pelo russo Sergei Prokofiev em 1936, “Pedro e o Lobo” é um conto musical para crianças, uma invulgar e melódica narração de uma história infantil feita pelos diversos instrumentos de uma orquestra.
A Orquestra do Norte decidiu reinventar a famosa obra do compositor, aportando novas linguagens artísticas que fortalecem a dualidade da música e da palavra.
Sergei Prokofiev atribuiu a determinados instrumentos da orquestra um personagem. Assim, o passarinho será interpretado pela flauta, o pato pelo oboé, o clarinete será o gato, o avô o fagote, os caçadores os tímpanos, o temível Lobo vive pelo som das trompas e as cordas serão Pedro, o corajoso menino.

domingo, 9 de outubro de 2011

Rita dos Sapatos Vermelhos encantou público fafense


Excedeu claramente as expectativas o espectáculo que a cantora Rita Redshoes protagonizou este sábado à noite no Teatro-Cinema de Fafe, no âmbito do projecto “Concertos Íntimos”, da iniciativa e financiamento da autarquia local. Falta o espectáculo da fadista Carminho, agendado em definitivo para o dia 9 de Dezembro.
A sala lotou por completo, de um público maioritariamente jovem que não se cansou de aplaudir as canções interpretadas por uma das mais jovens e promissoras artistas da música feita em Portugal.
Rita dos Sapatos Vermelhos passou em revista as principais canções da sua ainda jovem carreira, sobretudo do seu segundo álbum, “Lights & Darks”, em cuja digressão nacional este concerto se integrou.
Fafe teve a oportunidade de ouvir um dos valores emergentes da música que se faz em Portugal, embora cantada em inglês.
Extremamente simpática, simples, graciosa, com uma presença em palco que enche o coração, Rita encantou o auditório e ainda teve tempo para elogiar o “admirável Teatro-Cinema de Fafe”, o excelente piano “à séria” que a sala contém e no qual se divertiu, interpretando a solo três canções, a letra de uma das quais foi concluída em Fafe, na manhã de sábado. Foi a primeira apresentação pública dessa canção. A artista elogiou ainda a gastronomia da nossa cidade, o acolhimento que recebeu na cidade e na maravilhosa quinta do Pontido, em Queimadela, onde almoçou!
Rita conquistou os fafenses com a sua voz e a sua postura em palco. Após o espectáculo, ainda veio à cena com os seus dois músicos para mais quatro “encores”. No total, foram mais de 90 minutos de música de elevada qualidade, que encheu a alma de quantos tiveram o privilégio de assistir ao concerto!
Chamamos a atenção para o excelente vídeo de 9 minutos de Jesus Martinho, no blogue http://teatrocinefafe.blogspot.com/.

Deixamos de seguida algumas fotografias de Manuel Meira Correia sobre o espectáculo.





Rita na intimidade


Na tarde de sexta-feira, perante alunos da Escola Secundária, da EB2,3 Montelongo e do Colégio de Fornelos, e numa conversa coordenada pelo vereador da cultura Dr. Pompeu Martins, Rita falou descontraidamente da sua intimidade, respondendo às perguntas de mais de uma centena de adolescentes.
De uma forma simples e acessível, mostrando ser uma jovem sem complexos de vedeta, Rita Redshoes revelou que a música é a sua grande paixão, trocando o curso de psicologia que fez na universidade pelos palcos do país e do estrangeiro.
A alcunha “Redshoes” foi buscá-la ao filme “Feiticeiro de Oz”, onde existe uma personagem chamada “Sapatos Vermelhos”. Isto para não se confundir com a Rita Pereira, ela que também é Rita e Pereira (filha de Carlos Pereira, antigo dirigente do SCP).
Revelou-se tímida e disse sentir-se bem ao não ser reconhecida na rua. Canta em inglês porque o tipo de música pela qual enveredou (o “country”) não combina com a língua portuguesa. Gosta mais de cantar para pequenos auditórios do que em grandes festivais, porque tem a oportunidade de interagir mais intimamente com o público (como foi exemplo esplendoroso o caso de Fafe).
Para as suas canções, inspira-se na sua vivência mas também na vida de pessoas que conhece, misturando essas vivências no resultado final. Não tem a preocupação de intervir socialmente com a sua música para mudar o mundo. A sua música é a do quotidiano, dos amores e desamores do dia a dia.
Os jovens interrogaram a artista e ficaram a saber que idade tem (30 anos), onde mora (Lisboa), se é casada (não), se tem filhos (não), quanto calça (38), o que levou a Rita a declarar, com alguma graça, que lhe colocaram “questões que nunca ninguém me havia feito nas entrevistas e às quais eu sempre tive vontade de responder”.
Um ponto (de exclamação) esta Rita dos Sapatos Vermelhos!...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Caminhamos para um Estado Policial?

Duas notícias dos últimos tempos não auguram nada de bom para o futuro deste país e dos portugueses. São altamente preocupantes e denunciadoras de uma tentação securitária que não condiz com a democracia, mas acaba por ser herdeira de acções que a direita não se coíbe de tomar, quando está no poder e vêm já do longínquo tempo do consulado de uma década de Cavaco Silva (1985-1995), em que ficou célebre a carga policial sobre… uma manifestação de polícias.

1. A primeira das notícias veio no Diário de Notícias de domingo passado e reza que “Polícia e SIS já têm elementos no terreno para antecipar as acções de grupos organizados que podem criar grande agitação social”. Isto na perspectiva de que a agitação social deve crescer nos próximos meses e pode atingir proporções nunca vistas nos últimos 30 anos. “O descontentamento popular com a crise económica faz a polícia e os serviços secretos temerem actos violentos. Por isso, já têm agentes a identificar grupos e protagonistas da contestação” – refere o jornal.
Mas onde é que nos chegámos? Onde é que a polícia e os serviços de informação “antecipam” acções que não estão ainda organizadas, nem se sabe quanto acontecerão?
Mas que democracia é esta em que os indignados, ofendidos e maltratados pelas políticas opressivas e restritivas da direita não podem manifestar a sua indignação e a sua revolta?
Há quem considere, e com razão, que a eventualidade de tal vigilância sobre movimentos sociais é "inconstitucional”, sendo que se está a "instrumentalizar politicamente as forças de segurança". Além do mais, a recolha de informações, como lembrou no início da semana António Filipe, vice-presidente da bancada do PCP, que vai chamar o ministro da Administração Interna ao Parlamento, é "competência exclusiva dos Serviços de Informações, mas que estes estão constitucionalmente impedidos de o fazer em relação a movimentos sociais legais".
O direito à manifestação, à indignação, à revolta, é absolutamente legítimo, legal e constitucional.
Tentar coarctá-lo, com manobras intimidatórias, com o apelo à resignação, ao conformismo, à demissão cristã, como quer Passos Coelho, é, no mínimo, inqualificável, indigno e vil.
Não é democrático, nem digno de um país civilizado e europeu.
Só no terceiro mundo e nos países da América Latina se tolera o espírito de coação que está subjacente a tais práticas.
Reabilitado politicamente, o presidente Cavaco acaba de pedir aos portugueses “para não desistirem”…
É o que eles certamente não admitem fazer!...

2. A segunda notícia inquietante vem na sequência da anterior e acaba por fazer luz sobre as reais intenções do governo de Passos Coelho, assim desmascarado no seu “democratismo” musculado. Refere-se ao Orçamento de Estado para o próximo ano.
Não se percebe, não se tolera, nem se admite, numa altura de crise que, presumivelmente, afecta todos os portugueses: enquanto o orçamento da saúde para 2012 vai ser espoliado em 800 milhões de euros pelo governo, a educação é diminuída até níveis miseráveis, a segurança social nem falar, o ministério das polícias, vulgo Ministério da Administração Interna, vai, não apenas ficar sem cortes no próximo Orçamento de Estado, mas aumentar o valor, para 1 800 milhões de euros.
É um escândalo que tal aconteça, como é uma vergonha que vão ser dedicados 69 milhões de euros à “regularização dos graves problemas remuneratórios instalados na PSP e na GNR”, como sofisticamente avançou a imprensa.
Sem ofensa dos polícias beneficiados, não é admissível uma tão gritante injustiça entre trabalhadores afectos a funções públicas, nem a discriminação entre áreas. Os polícias são importantes, mas a saúde e a educação são bem mais fundamentais (o investimento nestas, dispensa o investimento naquelas).
Para um governo que exige sacrifícios a todos, que aposta na austeridade, que aumenta impostos com o maior despudor, que corta nos ordenados, aumentar o orçamento do MAI é uma indecorosa vergonha.
A estratégia desta pouca-vergonha é conquistar as forças policiais para o lado do governo, aumentar-lhe a auto-estima e o dinheiro nos bolsos, para que possam estar aptas a reprimir, quando for necessário, sem problemas de consciência ou de pagamento de horas extras, qualquer manifestação, tumulto ou expressão de descontentamento social.
Um governo que assim decide não merece a mínima complacência!...

3. E por falar nisso, foi miserável o cancelamento pelo ministro da Educação e Ciência dos prémios monetários aos melhores alunos das 464 escolas secundárias do país a dois dias da sua entrega e quando os contemplados já haviam sido avisados que os iriam receber.
As regras do jogo foram alteradas no final da sua realização, o que é no mínimo infame.
Para quem tanto enche a boca da necessidade de premiar o mérito e a excelência, dá vontade de os mandar para onde Mafoma mandou as botas!...

Concerto de Rita Redsoes (sábado) em Fafe praticamente esgotado

O concerto que a artista Rita Redshoes leva a efeito este sábado à noite (21h30) no Teatro-Cinema de Fafe encontra-se praticamente esgotado.
Incluído no programa “Concertos Íntimos”, o espectáculo servirá para a apresentação do seu trabalho discográfico mais recente.Rita Redshoes surpreendeu em 2008 com "Golden Era", o seu disco de estreia, que atingiu o galardão de Disco de Ouro pela venda de 10.000 unidades, tornando-se já num marco da música nacional.
Rita Redshoes apresenta o seu segundo trabalho de originais “Lights & Darks”, um disco composto por 14 temas e que nos revela uma artista mais madura, desprendida e directa nas suas canções - “Captain Of My Soul”, “Bad Lila” ou “You Should Go”, entre outras, prometem surpreender quem os ouvir ao vivo. Rita está a percorrer o país em digressão de apresentação de “Lights & Darks”.

Sexta à tarde “conversa íntima” com o público

Entretanto, na tarde de sexta-feira, a partir das 16h30, na Sala Manoel de Oliveira, Rita Redshoes participa na iniciativa “conversa íntima” com o público que queira conhecê-la.
Está já garantida a presença de algumas turmas de jovens de escolas do concelho.
A entrada é livre.


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A República e José Cardoso Vieira de Castro

Comemorou-se hoje mais um aniversário (o 101º) da proclamação da República em Portugal. Em Fafe, seria proclamada, das varandas da então câmara municipal (edifício demolido nos anos 20), pelo enorme republicano Dr. José Summavielle Soares, quatro dias depois, um domingo, 9 de Outubro.
O 5 de Outubro é invariavelmente motivo para as mais prementes reflexões sobre os fundamentos e a praxis, bem como o devir da “res publica”, da “coisa pública”, que tantas vezes tão maltratada é.
Lá pelas capitais, o presidente da República discursa na Praça do Município e volta a debruçar-se sobre a actualidade, afirmando que “acabaram os tempos de ilusões. Temos um longo e árduo caminho a percorrer, para o qual quero alertar os portugueses de uma forma muito directa: a disciplina orçamental será dura e inevitável, mas se não existirem, a curto prazo, sinais de recuperação económica, poder-se-á perder a oportunidade criada pelo programa de assistência financeira que subscrevemos”.
E muitas outras afirmações produziu o professor Cavaco, num discurso que o ex-presidente Mário Soares considerou “republicano”.
Lá pela Madeira, nas vésperas das eleições, continua o regabofe, com inaugurações diárias do presidente do Governo Regional, numa altura em que legalmente deveria suspender o mandato ou manter neutralidade política até às eleições.
Mas já se sabe que a Madeira é um abcesso da democracia, da legalidade e da constitucionalidade e que ninguém, mas ninguém mesmo, do Presidente da República ao primeiro-ministro, é capaz de colocar na ordem, calar, reduzir à dimensão que de facto tem, o infame régulo regional, que trata os cidadãos continentais abaixo de cão e insultou nos últimos trinta anos todos os governantes e presidentes, como se não houvesse justiça e tribunais em Portugal. Uma abjecção republicana, sem dúvida! E lá continua, impávido e impune, a gastar milhões de todos nós, sem qualquer controle, a injuriar tudo e todos.
E, no domingo, os patetas madeirenses lá vão voltar a eleger, com maioria absoluta, um indivíduo que é um criminoso politico, e que deveria estar preso (também o Sócrates, é verdade…), que vai prejudicar fortemente os cidadãos madeirenses, os quais se vão dar conta do logro e da factura dias depois do acto eleitoral, numa jogada de mestre do de conluio e branqueamento dos crimes financeiros da Madeira, de nome Passos Coelho. Se este fosse da fibra do fafense Luís Marques Mendes, pura e simplesmente retiraria a confiança política a Jardim e ele não concorreria com a sigla do PSD. Mas Passos Coelho é como todos os outros, Sócrates incluído: forte com os fracos e fraco com os fortes (Jardins, financeiros, capitalistas…).
Em Fafe voltou a evocar-se o 5 de Outubro, numa excelente conferência da jornalista Nair Alexandra, autora da obra A Implantação da República na Imprensa Portuguesa. Um grande momento de história pátria!...
Também o presidente da autarquia, José Ribeiro, usou da palavra para tecer pertinentes e judiciosas considerações sobre a actualidade.
E reiterar os sagrados princípios da República, a liberdade, a igualdade, a solidariedade, os princípios e os valores que tão arredados andam do nosso quotidiano.
E para reclamar um comportamento diferente e inovador da classe política face a uma situação de crise, que certamente levará a situações de ruptura e de novas práticas políticas, em Portugal, como na Europa!...
E onde entra aqui o nosso ilustre José Cardoso Vieira de Castro, proprietário da Quinta do Ermo, em Paços?
Foi a 5 de Outubro que faleceu, no degredo angolano, em 1872 (há 139 anos…), no primeiro de quinze anos de pena que havia de cumprir, por ter assassinado, por sufocação, a sua jovem esposa Claudina Guimarães, de apenas 18 anos, por alegado adultério.
José Cardoso, dono de uma personalidade forte, apaixonada, poderosa, honrada, sucumbiu aos ciúmes e ceifou a vida à jovem esposa, depois de uma vida de excessos, arrebatamentos, truculências e sede de poder e de protagonismo.
José Cardoso, o maior amigo e confidente do romancista Camilo Castelo Branco, faleceu com apenas 34 anos de idade, vitimado pelo paludismo, ou malária, em Angola, onde ficou sepultado.
Curiosamente, dos vários livros que assinou, um chamava-se exactamente A República (1869), em que vaticina as suas virtualidades, mais de quatro décadas antes do 5 de Outubro de 1910 e numa altura em que ainda poucos intelectuais falavam nessa palavra “maldita”, à época.
Brevemente, vai ser apresentada em Fafe a segunda edição da obra J. C. Vieira de Castro, de Fernando Moniz Rebelo, sobre a vida e obra do inditoso proprietário da Quinta do Ermo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Fafe volta a comemorar festivamente o 101º aniversário da implantação da República


P R O G R A M A
Dia 04 de Outubro (Terça-feira):

21h30 Pavilhão Multiusos
- Festa do Desporto, com a entrega do Prémio Desportivo Câmara Municipal de Fafe e Troféu Não à Violência-Viva o Desporto, relativos à época 2010/2011

Dia 05 de Outubro (Quarta-feira):

09h00 Alvorada de Morteiros
10h00 Hastear da Bandeira no edifício dos Paços do Concelho com o desfile da Fanfarra dos Escuteiros de Fornelos
- Salão Nobre dos Paços do ConcelhoSessão solene evocativa da efeméride que inclui:
* Intervenção do Presidente da Assembleia Municipal, Dr. Laurentino 
* Intervenção da Dra. Nair Alexandra sobre as relações da República com a Imprensa
                   
* Intervenção do Presidente da Câmara, Dr. José Ribeiro                             
* Execução do Hino Nacional pela Academia de Música José Atalaya

Por infringir reiteradamente as leis da República e sonegar informação financeira, Jardim devia ser preso!

Público, sábado, 1 de Outubro 2011

A República dos bananas!

Finalmente, Alberto João Jardim foi desmascarado. Já há muito se suspeitava que as aldrabices e o descalabro nas contas da Região Autónoma da Madeira haviam atingido valores incomportáveis mas os números nunca haviam sido apresentados publicamente. Com a conivência e a cumplicidade dos mais altos responsáveis continentais, de todos os partidos, que revelaram sempre incompreensível temor reverencial pelo déspota daquela que é, presumivelmente (não tenho bem a certeza), uma parcela do território português.

Os números mais recentes dão conta de uma dívida da ordem dos 6 328 milhões de euros, o que, para a dimensão e população daquela região, é um número absolutamente astronómico.
Porém, mais que o valor descomunal, agora dito “colossal” do buraco (ou da cratera?) financeiro, é a desfaçatez do soba madeirense.
Começou por afirmar, em Agosto, que “a dívida não chega ao valor de um orçamento anual (1632 milhões em 2011)”, para em 22 de Setembro reconhecer que “o total da dívida é de cinco milhões e tal”.
De caminho, aproveitou para desancar no único governo (honra lhe seja feita, apesar das dificuldades que não foi capaz de evitar!...), o último antes do actual, o de José Sócrates e Teixeira dos Santos, que foi capaz de travar o endémico despesismo madeirense, não autorizando a contrair mais dívidas.
Que é que faz Jardim nessas circunstâncias, quando o governo central começa a não dar mais espaço ao descalabro que vem já de há trinta anos? Pura e simplesmente, esconde a realidade das contas regionais, que é uma atitude ilegal e mesmo criminosa em qualquer parte do território nacional …menos, parece, na “Pérola do Atlântico”. Afirma o candidato a ditador madeirense que “estávamos em estado de necessidade e, por isso, agimos em legítima defesa” (o que quer que isso signifique).
Descobrem-se agora os mais de 6 mil milhões de dívida, que poderão atingir os 8 mil milhões. E sua excelência o dinossauro, na sua congénita desfaçatez e impunidade, continua a afirmar que “sim senhor, fiz dívida e tenho orgulho em ter feito” (ver Público de sábado).
Mas, para além da monstruosidade da dívida, que vai sobrar para todos os contribuintes, e não apenas para os da Madeira, o que merece a maior repulsa, desde logo, é a mentira descarada quanto aos valores do défice madeirense.
Mais: o que mais confrange e ofende os continentais é saber que o “histriónico” Alberto João Jardim, não apenas fez o que não devia ter feito, derrapar nas contas públicas, mas teve o desplante (e gaba-se disso…) de ocultar deliberadamente das autoridades estatísticas nacionais, sobretudo do INE e do Banco de Portugal, as dívidas de que desconhecemos ainda o montante exacto mas que são, no mínimo, uma enormidade!
Um “buraco” financeiro que desonra e compromete o país, numa altura em que a Europa e os agiotas chamados “mercados”, que mais não são do que salteadores das carteiras dos mais fracos, estão de olhos pegados em nós!...
Não é propriamente a derrapagem orçamental que está em causa, embora seja extremamente grave, como todos os responsáveis têm referido. O acto criminoso no meio desta questão é o encobrimento voluntário que o Governo Regional de Jardim fez, para enganar as autoridades portuguesas e continuar o seu festim inesgotável de gastos de dinheiros públicos sem qualquer controle.
Já há muito se suspeitava que na Madeira aconteciam coisas absolutamente inacreditáveis e vergonhosas, como se fosse uma excrescência, um abcesso da democracia. Ou da falta dela, porque Jardim não tem outro nome que um presumido ditador, um salazarista com a mania que é rei do carnaval e máscaras adjacentes.
O que mais surpreende, nesta matéria, é a impunidade de que o homem sempre desfrutou, como se em Portugal houvesse dois países e dois regimes: os de Lisboa, com as suas leis e as suas regras universais para todo o território e os da Madeira, com as gritarias do costume, as ofensas e ataques aos “cubanos” que pagam a sua existência, a diversidade de leis e de regimes fiscais, a contestação sistemática à autoridade nacional.
Custa a entender como é que sucessivos presidentes da República, como Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva (presidentes do Conselho de Estado onde Jardim se sentava, quando queria…) e de primeiros-ministros como o mesmo Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso e José Sócrates se acagaçaram, passe o plebeísmo, ao longo de trinta anos, não colocando o títere no lugar que merece.
Francamente, num país civilizado, Alberto João Jardim, pelo desperdício de dinheiros públicos, que todos os dias a comunicação social reporta, pelo que tem ofendido as autoridades e os portugueses em geral e pelo crime de sonegação de dados a que está obrigado pelas leis da República, não deveria apenas ser multado, nos 25 000 euros de que se fala, e de que o mais certo é ser ilibado. Deveria, se houvesse pudor e justiça, ser preso e pagar os danos que causou e está a causar ao país e mesmo ao povo madeirense, que inacreditavelmente tem vindo a caucionar a festança contínua destes trinta anos em que andou à solta pela ilha. Dizem que é a democracia a funcionar, mas ninguém acredita que as regras “democráticas” sejam as mesmas aqui e lá. Onde é que o governo central, por exemplo, tem um jornal diário (Jornal da Madeira), pago pelo erário público, distribuído gratuitamente, para fazer a propaganda de Jardim e do PSD da Madeira?
Onde é que numa democracia isso existe?
Em Cuba e na Venezuela? Mas esses países parece que não são propriamente exemplos de democracia?
Num país digno, com a justa limitação de mandatos para todos, e não apenas para os presidentes da República, das câmaras e das juntas, Jardim já há muito deixara de insultar a inteligência, a tolerância e a paciência dos portugueses.
Ainda há dias o seu colega de partido Eduardo Catroga lamentava que “o quadro penal da responsabilidade política não esteja mais desenvolvido”, porque este caso deveria ser objecto de uma “punição exemplar”.
Curiosamente, há poucos meses, antes de ser primeiro-ministro, altura em que dizia o que pensava e não o “politicamente correcto” de hoje em dia, Passos Coelho exigia “responsabilidade civil e criminal” para a violação das regras orçamentais por parte dos políticos.
Ela aí está, na sua plenitude e sua excelência assobia agora para o lado, chutando a sua responsabilidade para canto. Num partido vertical e íntegro, Passos Coelho pura e simplesmente retirava a confiança política ao régulo da Madeira, sob pena de ser acusado, justamente, de cumplicidade e conivência com a fraude e o crime.
É que ele tem passado, por sistema, os anos a violar deliberadamente as leis da República. Agora, chegou ao cúmulo. Mais uma vez, da impunidade, do nada acontecer, do fazer o que quer e o que lhe apetece, como se não houvesse regras nem leis.
Ou seja, finalmente, chegámos à Madeira.
Jardim continua alegremente em campanha para as eleições regionais de 9 de Outubro, com foguetórios, abraços, cantigas e cervejas, como se nada tivesse acontecido. A insultar tudo e todos, desenvolvendo uma teoria da conspiração que ultrapassa há muito o campo da política e perpassa para os terrenos da polícia e da psiquiatria. A levantar fantasmas e a comportar-se como inimputável politiqueiro, que já não há pachorra para aturar. Vai certamente ganhar as eleições de domingo por maioria absoluta e continuar à frente dos destinos dos madeirenses, até cair de podre. Coitados deles e mais de nós, que não temos culpa do regabofe, nem o caucionamos e vamos ter de o pagar com língua de palmo!
Somos mesmo a República dos bananas!