quarta-feira, 9 de novembro de 2011

“25 Anos, 25 Artistas”: Cineclube de Fafe comemora “bodas de prata” com exposição de artes plásticas

Orlando Pompeu

Santiagu
No âmbito do programa comemorativo dos 25 anos da sua fundação, o Cineclube de Fafe promove uma exposição de vinte e cinco trabalhos de outros tantos artistas, sob a designação 25 Anos, 25 Artistas.
A inauguração da coletiva tem lugar esta sexta-feira, dia 11 de Novembro, pelas 21h30, na Casa Municipal de Cultura de Fafe, e estará patente ao público até ao dia 30 deste mês, no horário habitual.
O aniversário do Cineclube é assim celebrado por todos os que ao longo destes anos estiveram associados ao seu percurso e, em particular, pelos artistas. Deste modo, esta é uma oportunidade não só de evocar este movimento cultural e associativo na cidade de Fafe, mas também de encontrar numa mostra singular artistas que apresentam trabalhos multidisciplinares, num tributo à 7.ª Arte.
Os vinte e cinco artistas participantes são António Santana, Carlos Santana, Carminda Andrade, César Taíbo, Délia de Carvalho, Emerenciano, Fernanda Aguiar, Guilherme Pinto dos Santos, Isabel Ferreira Alves, João Cabral, José Pedro Miranda, Juan Perez, Júlio Cunha, Lino Magalhães, Lourdes Magalhães, Manuel Meira Correia, Manuel Orga, Maria Dulce Barata Feyo, Miguel Vasconcelos, Nuno Castelo, Orlando Pompeu, Rita Sousa Pereira, Ricardo Cunha, Santiagu e Vasco Carneiro.
A exposição evocativa do quarto de século do Cineclube de Fafe tem o inteiro apoio da autarquia local.
Outras imagens, outros artistas:
Emerenciano

Délia de Carvalho

Manuel Meira Correia

Miguel Vasconcelos

Isabel Ferreira Alves

Teatro-Cinema de Fafe acolhe concerto de aniversário do Grupo Nun’Álvares



 
Coral Santo Condestável
Sábado, 21h30

Preço: 2 €
Duração: 90’
Classificação: M/3


A programação do Teatro-Cinema de Fafe prossegue este sábado à noite, 12 de Novembro, com o tradicional concerto de aniversário do Grupo Nun’Álvares. A entrada custa apenas dois euros e os motivos para assistir ao espectáculo são fortes, designadamente a primeira apresentação pública da Classe de Guitarra Clássica da colectividade aniversariante.
No concerto comemorativo do 79º aniversário do Grupo a que pertence, o Coral Santo Condestável convidou o Coro da Delegação de Águeda da Cruz Vermelha Portuguesa e conta também com a participação da Classe de Guitarra Clássica do Grupo Nun’Álvares para uma noite de música coral e instrumental onde serão apresentadas obras sacras e profanas, desde a época renascentista à contemporânea, de compositores nacionais e estrangeiros.
Considerado actualmente um dos melhores coros da região centro, o Coro da Delegação de Águeda da Cruz Vermelha Portuguesa foi fundado em 2006 e é constituído por 45 elementos de ambos os sexos, estando a direcção artística, desde a fundação, a cargo do jovem maestro professor Sérgio Brito, coadjuvado pelo maestro António Luís de Brito. Será acompanhado ao piano por Cláudio Vaz.

Coro da Delegação da CVP de Águeda
Tendo iniciado a sua actividade há cerca de três anos, a Classe de Guitarra do Grupo Nun’Álvares, além de promover a guitarra clássica, desenvolve diferentes estilos musicais, de acordo com os interesses dos seus alunos. Nesta noite, terão oportunidade de mostrar os seus talentos alunos que pertencem a vários níveis de aprendizagem, sob a orientação do professor Canaveira do Vale.
Sob a direcção do maestro professor Francisco Ribeiro e acompanhado ao piano por Verónica Costa, o Coral Santo Condestável apresenta, nesta noite, um programa dedicado aos associados e amigos do Grupo Nun’Álvares.

domingo, 6 de novembro de 2011

O Morgado de Fafe esteve Amoroso no Teatro-Cinema: galeria de fotos


A comédia O Morgado de Fafe Amoroso, de Camilo Castelo Branco, pela Nova Comédia Bracarense, levou ao Teatro-Cinema de Fafe mais de duas centenas de espectadores, que se divertiram com as peripécias da famosa peça. Foi, seguramente, o Morgado que as chamou e elas corresponderam ao apelo. E fizeram muito bem!...
Sendo um grupo de teatro amador, a Nova Comédia Bracarense saiu-se a contento de um texto alegre e que marca a dramaturgia de um autor que não se notabilizou propriamente pelo teatro, mas pelo romance, como se sabe.
Camilo dedicou à nossa terra e ao seu amigo José Cardoso Vieira de Castro o excelente romance Mistérios de Fafe, que todos os fafenses (e não só) devem ler, pelo enredo, pela consistência e pelo interesse, que alguns dizem ser obra ficcional superior ao próprio Amor de Perdição, a obra maior do celebrado romancista.
Na área do teatro, ficaram-nos O Morgado de Fafe em Lisboa (o mais conhecido e representado) e O Morgado de Fafe Amoroso, também com imensa piada e idêntica crítica social e aos costumes da época.
É também uma boa oportunidadee para os fafenses (e não só) lerem e desfrutarem as obras de Camilo relacionadas com Fafe, como as que se referiram antes.
Vocês sabem do que eu estou a falar, não é? !...
Ficam aqui algumas excelentes fotografias do espectáculo, da lavra talentosa de Manuel Meira Correia.













quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Estes rapazes devem estar loucos!...

1. Que este governo não tem uma ponta de seriedade na sua prática já essa prática se encarregou de demonstrar. O que é lamentável para um executivo que tem apenas quatro meses de vida, que é aparentemente ainda uma criança, que deveria estar assim em estado de graça, mas que já está numa desgraça miserável. Mente com quantos dentes tem, promete o que não cumpre, cumpre o que não prometeu, ludibria descaradamente, demonstra a mais supina falta de sentido de ética, de equidade e de justiça.
Agora, vem com a atoarda de querer acabar com a “tolerância de ponto” na função pública, alegadamente para que os trabalhadores do sector laborem mais quatro dias por ano, como se quatro dias num ano sejam suficientes para combater o défice e levantar a economia nacional.
Esquece o governo de afirmar, pois interessa mistificar uma opinião pública anestesiada, que não são os trabalhadores da função pública que estabelecem as “tolerâncias de ponto”, mas sim o mesmíssimo governo.
Alegadamente, como faz crer, e a comunicação social servilmente anuncia, a “tolerância de ponto” na função pública está normalmente colada a feriados (como a Páscoa, o Natal, o Carnaval e o Ano Novo) mas estes dias vão deixar de ser «cedidos» aos trabalhadores do Estado. Não sabemos de que “cedência” se trata, a não ser que Passos Coelho, na sua sanha exterminadora, pretenda eliminar a Páscoa, o Natal, o Carnaval e o Ano Novo. Há quem considere que o gozo destes feriados é um “direito adquirido”, mas todos sabemos o apreço que este executivo demonstra pelos “direitos adquiridos”. E não admiraria que, um dia destes, os portugueses fossem obrigados a trabalhar no dia 25 de Dezembro ou o corso carnavalesco deixasse de sair à rua, para grande desgosto do histrião da Madeira.
E quem diz “tolerâncias”, decretadas pelo governo, diz “pontes”, supostamente “aproveitadas” pelos malandros dos funcionários públicos (e de outros funcionários) para darem largas à sua preguicite aguda. Só por ignorância e dolo se podem lançar tais atoardas, porque todos os portugueses esclarecidos sabem que quando um funcionário público (ou privado) faz “ponte”, fá-lo à custa de um dia das suas férias e sempre autorizado pelos superiores. Em caso contrário, terá uma falta injustificada. Agora, gostaria que me esclarecessem qual a diferença entre faltar (devidamente autorizado, como tem de ser o caso) a uma segunda-feira antes de um feriado, ou a uma segunda-feira, antes de uma terça normal. Pura demagogia barata!
No fim da linha, está sempre um governo (este, podia ser outro) que apenas tolera a função pública para lhe extorquir percentagem dos ordenados e agora até os subsídios e da qual dependem, no fim de contas, quer o funcionamento do Estado, quer o funcionamento da economia e dos privados. Porque quando os funcionários públicos ficam sem dinheiro, como está a acontecer e vai agravar-se nos próximos anos, os comerciantes não vendem, os industriais não produzem, os serviços não servem.
Aliás, já nada surpreende, com este governo sem vergonha. Nem a cândida declaração do primeiro-ministro de que, apesar do “roubo colossal” dos subsídios de férias e de Natal, do congelamento das progressões e das carreiras, dos cortes nas deduções fiscais e dos aumentos dos impostos, que empobrecem os servidores do Estado, o governo irá “compensar” os funcionários públicos, devolvendo à função «dignidade, valorização e qualificação».
Os servidores do Estado devem estar reconfortados com tão carinhosas palavras. Estão com as carteiras cada vez mais vazias, sem perspectivas de progressão, a pagar cada vez mais impostos, causticados financeiramente como mais nenhuma outra classe, com a perspectiva de trabalharem cada vez mais dias, para cada vez menor vencimento, mas é sempre um alento e um consolo saber que a função (só ela, claro, nominalmente) é vista pelo governo em termos de «dignidade, valorização e qualificação». Quem diria?!...
«Aos que são bons funcionários públicos, apesar do esforço de contenção que tem de ser feito, isso será retribuído em dignidade, porque não o podemos retribuir de outra maneira. Serão reconhecidos», afirmou Passos Coelho, na conferência «Portugal 2012: Os Desafios do Orçamento do Estado”. Enternecedor! De ir às lágrimas, nem que seja de crocodilo!...

2. Se o governo pensa que vai fazer dos contribuintes fiscais das Finanças, está muito enganado. É anedótica e caricata, no mínimo, a intenção de multar quem não pedir a factura de um bem adquirido ou de um serviço prestado.
Ao que proclama a comunicação social, quem não pedir factura, no próximo ano, arrisca uma multa até 2 mil euros. É o que está previsto no Orçamento do Estado de 2012. É uma forma que o governo alegadamente arquitectou para pôr os contribuintes a combater a evasão fiscal.
Pois, pela minha parte, declaro desde já que me estou marimbando para as ameaças pidescas deste governo.
Se Passos Coelho quer fiscalizadores do cumprimento das regras que estabelece, de modo a que não haja fugas aos impostos, que os recrute e lhes pague. Agora, que não pense que eu vou ser um cobrador de impostos ou um delator, como antigamente.
Para regressar ao 24 de Abril, já basta a ameaça das 48 horas de trabalho, da flexibilização e embaratecimento dos despedimentos e do empobrecimento generalizado dos trabalhadores e da sociedade portuguesa.
Estes rapazes devem estar loucos!... Só pode!...

PS Hoje passam dois anos da morte do grande amigo Miguel Monteiro, notável historiador fafense e um dos maiores especialistas da emigração portuguesa (e fafense) para o Brasil, prematuramente falecido em 2009. Andam por aí carpideiras na blogosfera a santificar o que não deveria deixar de permanecer no domínio do ritualismo simbólico do homem comum, como ele bem queria.
É o que se chama quererem ser mais papistas que o Papa!...
Um abraço, amigo. Jamais morrerás enquanto permaneceres na obra que nos legaste e no coração dos que te são verdadeiramente queridos.

Hospital de Fafe a caminho da extinção?

A notícia do JN de terça-feira (que acima se retrata) sobre a não renovação do contrato com vários médicos que prestam serviço na urgência do Hospital de Fafe, hoje dito do Centro Hospitalar do Alto Ave (CHAA), que põe em causa o próprio funcionamento da urgência básica, seria de molde a inquietar e a revoltar toda uma população, se não vivêssemos demasiadamente anestesiados e narcotizados por políticas extremistas que tolhem qualquer movimento de insurreição. O que se lamenta vivamente, porque é absolutamente legítimo que as populações lutem pela manutenção dos serviços a que têm direito, pelas formas que entendam mais adequadas.
As informações que por aí circulam não são nada animadoras: já há muito que a administração do Centro Hospitalar tem vindo, com manifesto prejuízo das populações, a desertificar a unidade de Fafe, tornando-o praticamente uma nulidade do ponto de vista da assistência às populações de Fafe e de Basto, computadas em cerca de 100 000 pessoas.
Fala-se mesmo em que o Ministério da Saúde estará a procurar devolver o edifício à Santa Casa da Misericórdia, sua proprietária, antes da construção de um novo hospital que estará cada vez mais comprometido, pela própria situação financeira do país. São boatos (ou não), desmentidos pelas autoridades, mas que devem preocupar os fafenses.
Para além do mais, não é nada reconfortante uma “boca” mandada para a comunicação social por um membro da comissão de reestruturação da rede hospitalar, no sentido da extinção da urgência básica de Fafe.
São coincidências a mais, para não terem subjacente uma lógica exterminadora de um hospital que tem perto de século e meio de existência (abriu oficialmente em 1863) e que já prestou serviços relevantes às populações da região.
Por esta altura, a mesquinha e rasteira política economicista dos últimos governos, incluindo o actual, bem como a falta de vontade da administração do CHAA em descentralizar os serviços, reforçando a unidade de Fafe, para melhor servir milhares de pessoas, conduzem, lamentavelmente, a um afunilamento do atendimento do Hospital Nossa Senhora de Oliveira, que não responde minimamente às solicitações, levando a que os utentes estejam depositados na sala de espera da urgência horas e horas.
Quando esvaziaram o Hospital de Fafe dos seus serviços, prometeram reforçar a urgência e os serviços da unidade de Guimarães. O certo é que, ao contrário, acabaram (na prática) com o Hospital de Fafe e não acrescentaram mais valias de qualidade a Guimarães. Ficou-se tudo pela “conversa da treta”, como vem sendo costume nesta choldra de país.
Se isso é servir com qualidade as populações, o melhor é mesmo emigrar, como propõe um lastimável secretário de estado como política de juventude deste governo!...
No meio de toda esta lástima, o que surpreende é a quietude, a passividade, a deserção, a resignação das populações prejudicadas, sobretudo as de mais fracos recursos económicos, porque os poderosos vão para os hospitais privados.
Custa a crer que o 25 de Abril tenha sido feito para isto!...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

“O Morgado de Fafe Amoroso”: comédia no Teatro-Cinema de Fafe este sábado à noite


Sábado, 21h30
Preço: 3 €
Duração: 80’
Classificação: M/6

A programação do mês de Novembro do Teatro-Cinema de Fafe arranca este sábado à noite (21h30), 5 de Novembro, com a apresentação da comédia O Morgado de Fafe Amoroso, de Camilo Castelo Branco, pela Nova Comédia Bracarense.
O Morgado de Fafe Amoroso é uma comédia escrita em três actos.
A obra, cuja acção decorre na Foz do Douro, em 1862, tem o condão de vir a público quatro anos depois do sucesso d’ O Morgado de Fafe em Lisboa, e desta feita confirmar as qualidades artísticas do seu criador no campo da escrita, considerado por Vieira de Castro como “engenhoso dramaturgo”. A nova farsa ou comédia de costumes, representada pela primeira vez no Teatro Nacional D. Maria II, no dia 2 de Fevereiro de 1863, recupera a figura do Morgado genuíno e provinciano que, nas palavras do crítico literário J. Cândido Martins (docente e investigador da Universidade Católica Portuguesa - Braga), “polariza um certo bom senso e sabedoria popular, contrastando com a retórica sentimental personificada por alguns janotas galanteadores”.
É neste seguimento (intertextualidade criada pelo autor), e retomando ainda outras variantes significativas de uma fábula narrativa do autor intitulada “Cenas da Foz”, que O Morgado de Fafe amoroso se apresenta ao público como uma das peças mais representativas do teatro camiliano. Para tal, o autor recupera o tema do casamento e as suas implicações no seio de uma sociedade cada vez mais regrada por convenções e etiquetas, estabelecendo desta forma o confronto entre os vários estratos sociais, de que D. Vicência e Pôncia do Rosário, por um lado, e João Álvares e o Morgado de Fafe, por outro, servem de exemplo.   
Em resumo, esta farsa tem os ingredientes necessários para se tornar num espectáculo teatral divertido em que a paródia e o burlesco se entrelaçam à medida que a acção se vai desenrolando até ao fim e as posições das personagens se vão tornando mais nítidas, pondo em evidência idealismos destemperados que chocam com a realidade caricata e material do quotidiano. 
Assim sendo, a Opera Omnia, editora responsável por esta edição (com introdução, estabelecimento de texto e notas da responsabilidade de J. Cândido Martins), e a Nova Comédia Bracarense, grupo de teatro amador de Braga, têm o prazer de apresentar ao estimado público O Morgado de Fafe Amoroso, com encenação de Fernando Pinheiro.

José Manuel Barros


Personagens e intérpretes

Morgado de Fafe…………………………….Diamantino Esperança
João Álvares……………………………………………. António Manuel
Bernardo Gama …………………………………………. Miguel Araújo
Pôncia do Rosário……………………………………………….. Ana Rita
Heitor Falcão……………………………………….José Manuel Barros
D. Hermenegilda Falcão………………………………………...Matilde
D. Vicência………………………………………………....Fátima Araújo
Um criado de Hotel……………………………………..Vasco Oliveira
Dois sujeitos………………………………………….Diana e Agostinho

FICHA TÉCNICA
Encenação…………………………………………… Fernando Pinheiro
Sonoplastia e Luminotécnica……………………..Carlos Barbosa
Cenografia/Cenário/adereços……………… Produção coletiva
Figurinos……………….. Ana Rita, Paula Leite, Fátima, Miguel
Direção Artística………………………………………..Carlos Barbosa
Maquilhagem…………………………………………...Olívia Fernandes
Cartaz……………………………………………….…José Manuel Barros
Produção…………………………Nova Comédia Bracarense 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Hoje foi um dia de eternidade


Fui hoje visitar os meus familiares e os meus amigos que, em diferentes momentos, bateram as asas em direcção ao oriente da vida. Em primeiro lugar, o meu pai, que há dois anos me deixou sem que me tivesse pedido desculpa de se querer ir embora. Partiu sem se despedir de mim, quase como um nevoeiro que se dissipa de súbito, de encontro à luz. É difícil perdoar quem assim nos abandona ao Outono irreparável, às lágrimas que não é possível delegar, aos soluços que são a outra maneira de dizermos
o quanto amamos.
Há quem chame eternidade a esse lugar onde todos um dia teimamos habitar, como se não houvesse outro nome para ocuparmos o coração da história. Sim, eternidade é cada momento em que não conseguimos esquecer os que nos são mais queridos e que jamais morrerão, enquanto a sua imagem, o seu rosto, o seu exemplo, as suas palavras, a sua mundividência, o seu amor, a sua alma, demorarem em nós, como uma chama, um orvalho, um cristal.
Depositámos flores nos seus túmulos de vida, acendemos velas de um vermelho de sangue, chorámos, pelo menos interiormente. Partilhámos mais um dia com quem faz parte da nossa identidade, e fará, a menos que a doença do esquecimento e da desmemória ataquem o cerne dos nossos dias. Hoje regressei a casa de meu pai, comi um pouco de rosca com queijo, que já há muito não encontrava, bebi um sumo (não havia a adorada cerveja). Hoje revi os meus amigos, desfiámos recordações, falámos de livros, acertámos projectos para o próximo ano. Foi um dia em cheio.
Boa noite! Vou com o perfume aceso das memórias!