quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Jornadas Culturais, em Penafiel, sob a temática “Os Arquivos e a História Nobiliárquica”

Nos dias 25 e 26 de Novembro, realizam-se no auditório do Pavilhão de Feiras e Exposições de Penafiel as jornadas culturais sobre a temática “Os Arquivos e a História Nobiliárquica”.
A organização está a cargo da Associação dos Amigos do Arquivo Municipal de Penafiel, do qual é presidente da Direcção o nosso amigo e professor do Instituto de Estudos Superiores de Fafe, José Carlos Meneses, que também apresenta uma comunicação na manhã de sábado, 26.
Para os interessados, aqui fica o programa:

Dia 25 Novembro

09h00 – Entrega da Documentação
09h30 Sessão de abertura: Alberto Santos (Presidente da Câmara Municipal de Penafiel); José Carlos Meneses (Presidente da Direcção da Associação dos Amigos do Arquivo de Penafiel)
10h00 – Pausa para café
Moderador do 1.º painel: Susana Oliveira
10h20 – Armando Malheiro da Silva – A aplicação do modelo sistémico à informação familiar e pessoal
10h40 – Paula Sofia Costa Fernandes A Câmara Municipal de Penafiel e a salvaguarda dos arquivos de família: o caso do arquivo da Quinta da Aveleda
11h00 – Pedro Abreu Peixoto – A abordagem organizacional do Arquivo Municipal de Vila Real aos arquivos privados
Moderador do 2.º painel: Adelaide Galhardo
11h20 – Abel F. Rodrigues – Os arquivos pessoais e familiares entre dois paradigmas: do acesso à investigação
11h40 – Nuno Resende – A importância dos arquivos públicos e privados para o estudo do conflito familiar e nobiliárquico
12h00 – Silvestre Lacerda – Arquivos de família e de pessoas singulares no Arquivo Nacional da Torre do Tombo: perspectivas de pesquisa
12h20-13h00 Debate
Moderador do 3.º painel: António do Fundo
15h00 – Augusto-Pedro Lopes Cardoso – A Honra de Barbosa. História e genealogia
15h20 – António Sanhudo de Portocarreiro António Cyrne de Vasconcelos. Um genealogista esquecido
15h40 – Maria Lúcia Lopes Afonso A fidalguia arcuense e o seu contributo para o desenvolvimento e crescimento da Santa e Real Casa da Misericórdia
16h00 – Paula Teles Regeneração urbana: o que vamos fazer no centro é histórico
16h20 Debate
17h00 – Pausa para café
17h15 – Visita ao centro histórico

Dia 26 Novembro

Moderador do 4.º painel: José Carlos Meneses
09h00 – Ana Macedo O contributo das fontes produzidas no círculo da vida privada e da família para a história social
09h20 – António José de Oliveira – A actividade mecenática do arcebispo D. José de Bragança nos conventos femininos vimaranenses (1746-1754)
09h40 – Eduardo Oliveira – A capela de N.ª S.ª do Pilar, a Casa de Vale de Flores ou de Infias, em Braga, e a tipologia da planta em U
10h00 – Pedro Costa Carvalho – Turismo. Arte das casas solarengas
10h20 – Manuel Maria Costa – Ascendência de correio assistente de Esposende, José Maria Vellozo de Miranda: a propósito de um obelisco tumular brasonado do séc. XIX
10h40 Debate
11h00 – Pausa para café
Moderador do 5.º painel: Maria José Santos
11h20 – Pedro Vasconcelos Cardoso – A capela particular em Lamego e Tarouca: um espaço de arte sacra de encomenda familiar
11h40 José Carlos Meneses – Capelas privadas: vivência pós-tridentina e nobilitação da residência das elites
12h00 – José Manuel Tedim Casamento régio no séc. XVIII – a troca das princesas no Caia em 1729
12h20 – Helena Bernardo – Contributo para o estudo da arquitectura de Arrifana de Sousa/Penafiel: a casa nobre
12h40 Debate
13h00 – Sessão de encerramento: Susana Oliveira (Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Penafiel)
15h00 Visita à Quinta da Aveleda (Penafiel) e às Obras do Fidalgo (Marco de Canaveses)

A justiça que temos!...

Acusação recorrente: Portugal é o país em que os poderosos tudo fazem para escapar à justiça, lançando mão dos expedientes que as leis proporcionam para adiar o cumprimento das sentenças, até que prescrevem. É o caso dos Isaltinos e de outros i(Morais).
Mas de outros enviesados casos se faz e tem feito o percurso da (in)justiça neste país nos anos mais recentes: Casa Pia, Face Oculta, Apito Dourado, etc.
Em todos eles, gente potente da política, da sociedade, do futebol, que não é julgada como devia, pelo poder ou pelo dinheiro que tem.
Ao contrário dos pobres, dos despossuídos, que às vezes têm de roubar para comer, ou não têm dinheiro para pagar coimas. Nesses casos, têm de pagar com prisão a sua manifesta falta de estatuto económico ou social. Porque gente rica não vai para a cadeia, coisa de pobre, está visto.
Duas notícias destes dias, retiradas do JN (Porto).
Acima, um sem-abrigo que vai ser julgado por tentar furtar seis chocolates de um supermercado Lidl, no Porto, no valor de 14,34 euros. Sempre que é necessário notificá-lo para comparecer em tribunal, a PSP tem de andar à procura dele. Polícias à procura de um sem-abrigo, processo burocrático em tribunal, tempo gasto por juiz e oficiais de diligências: quanto gasta o país (quer dizer, todos nós) para que uma empresa privada seja ressarcida de uns míseros 14,34 euros?!... Inqualificável!...
A seguir, o caso do pastor de Beja, de 75 anos, que não tem dinheiro para pagar uma multa de 540 euros e foi para a cadeia cumprir dois meses de prisão, acusado de condução de veículo em estado de embriaguez (não este, mas o homem). O idoso conduzia uma moto-quatro num caminho de terra batida, nos campos onde trabalhava. Caiu, sem provocar estragos ou causar feridos. Mas foi para o hospital e lá foi submetido ao teste do álcool.
Um juiz insensível mandou-o para a prisão. Porque era pobre e não tinha dinheiro para pagar uma coima disparatada. Afinal, só os pobres vão parar à cadeia neste país que já foi de Abril.
É revoltante o estado da justiça!...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

“Pólen”, de Hélder Reis, em concerto este sábado no Teatro-Cinema de Fafe

Sábado, 21h30
Preço: 5 €
Duração: 75’
Classificação: M/6

A programação do Teatro-Cinema de Fafe prossegue este sábado à noite, 19 de Novembro, com um concerto singular da banda “Pólen”, liderada pelo conhecido apresentador televisivo Hélder Reis, que conhecemos da “Praça da Alegria” (RTP1).
Os “Pólen” apresentam-se em concerto totalmente acústico, cantado em português. Um espectáculo que irá homenagear alguns dos melhores poetas portugueses, onde a música se cruzará com a palavra, como uma dança morna, íntima e solene. A sonoridade desta banda do norte deixará soar no palco de Fafe o jazz, o pop e o tradicional português.
O piano, violoncelo, guitarra, baixo, acordeão, percussão/bateria e voz fazem o convite para esta viagem pelos sentidos.
Um espectáculo certamente a não perder, num tributo sincero à música portuguesa!

Composição da banda:

Hélder Reis (voz)
Paulo Freitas (piano)
Fátima Neto (violoncelo)
Hélder Gama (guitarra)
Vitor Andrade (baixo)
Domingos Cardoso  (bateria)


Hélder Reis nasceu em Esmoriz, a 19 de Maio de 1975.
No ano 2000 concluiu a licenciatura em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa, com a tese "O Sagrado na poesia de Sophia de Mello Breyner", sob a orientação de D. Carlos Azevedo. No mesmo ano inicia actividades no programa da RTPPraça da Alegria”, desempenhando as funções de assistente do programa.
Desde 2002 é apresentador/repórter no mesmo programa. Contudo já apresentou e co-apresentou diversos programas de televisão, e projectos paralelos.
Hélder Reis é também escritor e cantor. Foi em 1998 que a associação de Estudantes da Faculdade de Teologia editou o seu primeiro livro de poesia, Rostos de Mar. Em 2006 a Fundação Manuel Leão editou o seu segundo livro de poesia sob o título Branco, livro escrito em tinta e em braille.
Em 2010, concluiu a licenciatura de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e editou o seu primeiro conto infantil, A Aldeia da Casa Magia.
No início de 2011, publicou um novo livro para a infância, com o título Uma Lágrima chamada Sal.

domingo, 13 de novembro de 2011

35 Anos de Trovante em Guimarães


O Pavilhão Multiusos de Guimarães foi palco, este sábado à noite, de um excelente espectáculo de uma banda mítica do panorama musical português, que se voltou a juntar para alguns espectáculos: os Trovante. O evento serviu para evocar três efemérides auspiciosas: os 35 anos da banda de Luís Represas e João Gil, os 25 anos da Rádio Santiago e os 10 anos do Pavilhão Multiusos.
E também um tributo antecipado à Capital Europeia da Cultura!...

Um programa em cheio, num belíssimo espectáculo promovido pela Audioveloso, empresa de eventos da “Cidade Berço”.
Milhares de pessoas assistiram no recinto a um momento único, o reviver de temas fabulosos e que estão no imaginário cultural português das últimas três décadas, como “Perdidamente”, “Saudade”, “125 Azul”, “Fizeram os Dias Assim”, “Chácara das Bruxas Dançando, “Balada das Sete Saias” e “Timor”, o último dos temas interpretados pelos Trovante, que iniciaram a sua carreira em 1976, editaram oito álbuns de originais, três registos ao vivo e várias compilações, que venderam milhares de cópias e estão entre os discos mais vendidos de sempre da música portuguesa.

A banda trouxe a Guimarães os oito músicos que foram fazendo os Trovante nos 16 anos em que existiram: Luís Represas, João Gil, Manuel Faria, João Nuno Represas, Artur Costa, Fernando Júdice, José Salgueiro e José Martins.
Em 1992 a banda decretou o seu fim, seguindo cada qual a sua carreira a solo ou abraçando outros projectos. No entanto, depois disso já se juntaram para espectáculos algumas vezes.
O espectáculo de ontem à noite foi brilhante, revivalista, identitário.
Eu estive lá, mais a família. E adorei!...

25 Anos, 25 Artistas: inauguração

A exposição 25 Anos, 25 Artistas, comemorativa das “bodas de prata” do Cineclube de Fafe, abriu ao público na noite de sexta-feira, 11 de Novembro, com a presença de parte dos artistas participantes.
Concretamente, marcaram a sua presença na sessão César Taíbo, Fernanda Aguiar, Isabel Ferreira Alves, Júlio Cunha, Lourdes Magalhães, Manuel Meira Correia, Nuno Castelo, Ricardo Cunha, Santiagu e Vasco Carneiro.
A sessão contou com a presença do vereador da cultura Pompeu Martins e do presidente do Cineclube João Artur Pinto, além de amigos e cineclubistas.
Na altura própria, comeu-se saboroso bolo-rei e fez-se um brinde com champanhe, aos 25 anos da colectividade aniversariante, há muito uma instituição de referência no quadro da vida cultural da cidade, designadamente na vertente de dinamização do gosto pelo cinema, na organização de jornadas do audiovisual e na criação de novos públicos, a começar pelos escalões etários mais jovens, o estádio onde começa o futuro.
A colectiva (imperdível, pela variedade, pela riqueza e pela importância das obras expostas) vai manter-se patente na Casa Municipal de Cultura de Fafe, até ao dia 30 deste mês, no horário habitual.
Está duplamente de parabéns o Cineclube de Fafe: pela relevante iniciativa e pela auspiciosa efeméride!
Outras fotos, da lavra talentosa de Manuel Meira Correia:





José Dias: um jovem pianista fafense de craveira internacional

Tem apenas 29 anos de idade. Devotou-se à música desde tenra idade, contrariando até sonhos familiares. É um exímio pianista, sedeado na África do Sul e que corre mundo com as suas interpretações. Continua a trabalhar a tempo inteiro na Ópera do Cabo e a dar concertos pela África do Sul. Desde meados deste ano, no entanto, está simultaneamente a fazer um Doutoramento em Piano na Universidade de Cape Town, para o qual lhe deram bolsa completa e foi recentemente vencedor do maior prémio de piano da Universidade. Os recitais multiplicam-se e tudo vai de vento em popa! – segundo o próprio.
Falamos do jovem José Miguel Dias, natural de Fafe, há muito homem do mundo. Um músico de gabarito, que honra a sua terra e enobrece a sua cultura, e cuja carreira importa acompanhar.
Em Janeiro próximo, dará um concerto no Teatro-Cinema de Fafe, para que os amantes da música o possam rever e revisitar, dois anos depois de um grande recital que deu no mesmo espaço.
Para já, e para quem porventura a não tenha lido, aqui fica uma grande entrevista que concedeu ao semanário local Povo de Fafe, há oito dias atrás, e que não perde oportunidade.
José Dias é um orgulho para Fafe e para a cultura musical, em Portugal e no mundo.





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Fafe deve lutar pela marca que o identifica: “Capital da arquitectura dos brasileiros”

Se há alguma “marca” que distinga a cidade, do ponto de vista patrimonial, essa é, creio, a da arquitectura dos brasileiros de torna viagem que vai mantendo, genericamente e apesar de algumas lastimáveis lesões ao longo das décadas, as suas características constitutivas desde a respectiva edificação, a partir de meados do século XIX e até aos anos 30 do século passado.
É claro que sempre haverá outros candidatos ao “ranking” patrimonial, mas mais numa dimensão imaterial, como seja o caso da lenda da “justiça de Fafe”, a qual nos identifica, seguramente, para o bem e para o mal (mais para este do que para aquele); as bandas filarmónicas, conceituadas pelo país e pelo estrangeiro; a vitela assada, no que tem de saber e segredos que a tornam diferente e muito nossa.
Mas fortemente identitária, no último século e meio, é na verdade a arquitectura brasileira.
Porventura mais que em qualquer outra localidade minhota, a cidade de Fafe deve muito aos chamados brasileiros de torna-viagem, tão conhecidos quanto ridicularizados no seu tempo. Indubitavelmente que foi decisivo o seu papel no desenvolvimento do centro urbano, fazendo-o emergir de um longo marasmo que vinha da Idade Média.
Mas quem são afinal os “brasileiros” de Fafe e que tão assinaláveis e duradouras marcas deixaram na então Vila e pelo concelho?
Basicamente, aqueles que, na segunda metade do século XIX e primeiros decénios do actual, conseguindo fortuna no Brasil, construíram residências, compraram quintas, criaram as primeiras indústrias, contribuíram para a construção de obras filantrópicas e participaram na vida pública e municipal, dinamizando a vida económica, social e cultural local.
Porém, mais que tudo, são as casas dos brasileiros que marcam decisivamente a paisagem urbana. Ainda hoje são admiradas, elogiadas, como obras de arquitectura sui generis, que importa preservar e divulgar.
Os primeiros emigrantes fafenses a demandar o Brasil tê-lo-ão feito em pleno século XVIII, por conseguinte, muito antes da “explosão” emigratória verificada no século seguinte.
No entanto, o grosso da emigração de fafenses para o Brasil dá-se em Novecentos e sobretudo na segunda metade do século e primeiras décadas do seguinte.
Nessa altura, abalam para lá do Atlântico alguns milhares de fafenses, de praticamente todas as freguesias do concelho.
De referir ainda que o grande local de destino dos emigrantes de Fafe foi, naquele período, de longe, o Rio de Janeiro. Seguiu-se, a grande distância, o destino Belém do Pará.
É curioso notar que as marcas arquitectónicas, sociais e filantrópicas dos brasileiros, no seu regresso definitivo, se fazem sentir esmagadoramente no centro urbano. Raros são os palacetes que os emigrantes construíram no espaço rural. Contam-se pelos dedos...

Os empreendimentos que devemos aos brasileiros

Os brasileiros de Fafe estão indissoluvelmente ligados a diversos empreendimentos registados no concelho na segunda metade do século XIX. São eles que, de alguma forma, tecem as grandes linhas da arquitectura e do urbanismo daquele período, organizando o espaço urbano, segundo contornos que ainda hoje marcam a cidade.
Desde logo, estão intimamente associados ao lançamento do Hospital da Misericórdia de Fafe. José Florêncio Soares, um abastado e influente brasileiro de Fafe, promoveu junto de outros emigrantes fafenses no Rio de Janeiro - onde trabalhava - uma campanha de angariação de fundos para a construção de um hospital na sua terra natal, ainda inexistente à altura. O Hospital, expoente da filantropia dos torna-viagem, será cópia fiel do Hospital da Beneficência do Rio de Janeiro.
A primeira enfermaria foi aberta parcialmente à comunidade, e sobretudo aos pobres, em 19 de Março de 1863, ano que figura ainda no frontispício da centenária casa.
Dois brasileiros estão ligados, através de testamento, a instituições que diríamos hoje de apoio social: Joaquim Vieira Montenegro fundou uma instituição de apoio a crianças excluídas, concretamente, o Asilo da Infância Desvalida, em 1877. Igualmente brasileiro é o fundador do Asilo de Inválidos de Santo António, Manuel Baptista Maia, que instituiu aquela casa em 1906.
Os brasileiros estão igualmente ligados às primeiras indústrias em Fafe, que são simultaneamente das mais antigas do norte do país. José Florêncio Soares funda a Fábrica do Bugio em 1873, enquanto José Ribeiro Vieira de Castro está na base da fundação da empresa têxtil conhecida por Fábrica de Fiação e Tecidos de Fafe, em 1886.
O Jardim Público, chamado do Calvário, também se deve a um outro brasileiro fafense, o Comendador Albino de Oliveira Guimarães, figura igualmente ligada à construção do Hospital.
A presença dos brasileiros está igualmente patente na construção da Igreja Nova de S. José. Outra vez José Florêncio Soares, Albino de Oliveira Guimarães e José Ribeiro Vieira de Castro.
Este templo, começou a ser construído em 1895, tendo depois paralisado durante alguns anos, por falta de verbas. Recomeçou com um projecto do arquitecto Ernesto Korrodi e foi concluído e sagrado em 1961. Exactamente há 50 anos.
A arquitectura ecléctica dos brasileiros representa, no fundo, a afirmação pessoal do proprietário e a sua nova condição social.

As características da arquitectura brasileira

Ela é caracterizada, como afirmava o saudoso Miguel Monteiro, “por uma decoração de gosto brasileiro e Arte Nova, onde sobressaem as águas furtadas e os andares assotados. As frontarias são lisas e rebocadas a branco ou com graciosos azulejos onde predominam as cores amarelo e verde. As varandas reduzem-se a uma pedra linear com guardas  de ferro forjado ou fundido e as fachadas, com guias de pedra verticais, a toda a altura do edifício, complementam com clarabóias a decoração destas construções, símbolo do Brasil que acolheu os emigrantes de Fafe no século XIX”

Estas construções são, regra geral, palacetes de grandes dimensões, muitos dos quais com jardins tropicais, fechados com portões de ferro.
Esta arquitectura, os materiais, as cores, os adornos, tudo isto constitui a fachada que regista uma memória, mostra um gosto e define um estilo.
Os materiais utilizados nestas obras são os mais diversos, desde a pedra, passando pela madeira, azulejos, rebocos, etc.
Os principais traços arquitectónicos desta arte que poderíamos definir como brasileira são os seguintes: fachadas amplas, rebocadas e caiadas ou revestidas e belíssimos azulejos multicolores; normalmente casas de rés-do-chão e andar nobre, de linhas horizontais; em muitos casos um “mezanino” ou andar suplementar; numerosas portas e janelas de pé direito considerável; portas ricamente almofadadas, entalhadas e pintadas a branco e ouro; portões com interessantes monogramas desenhados; paredes grossas de pedra; esquinas, soleiras e ombreiras de cantaria; varandas estreitas, quase sempre a toda a largura do prédio, com guardas de ferro forjado ou fundido, ricamente ornamentadas; diversos exemplos de beirais de faiança pintados na sua parte inferior, normalmente de cor azul; casos de estatuária, formas humanas ou vasos, a rematar a habitação; a indispensável clarabóia, símbolo maior da arquitectura brasileira, a encimar o telhado e a iluminar as escadas interiores; exemplos de átrios de azulejos. Interiormente, vastas salas e aposentos, com luxuosas ornamentações; tectos em estuque, de fino recorte, com desenhos relativos às funções dos aposentos; lustres de cristal e delicados móveis e belíssimas porcelanas.








É este património arquitectónico e urbano ligado aos brasileiros que, no fundo, diferencia e singulariza a cidade de Fafe. Os brasileiros são, afinal, a sua identidade e, como tal, devem ser defendidos e preservados.
Fafe deve lutar por obter a sua própria marca, neste caso, a dos brasileiros de torna viagem.
Fafe deverá vir a instituir-se como a “capital da arquitectura dos brasileiros”! Vamos fazer força para que tal aconteça!

Fotos: Manuel Meira Correia e postais antigos