sábado, 10 de dezembro de 2011

Fafe é terra de literatura: este ano já foram apresentados 19 livros de autores ou de temática local (Conclusão)

Num primeiro post, abordámos a dezena de obras apresentadas em Fafe por autores locais ou aqui radicados e uma delas de temática local.
Concluímos a apresentação.
Em 1 de Julho, à entrada do Verão, o Núcleo de Artes e Letras de Fafe promoveu, no Auditório da Casa das Associações, uma sessão cultural para a apresentação do livro Palavras de Cristal, colectânea de textos e imagens  de diversos  autores associados.
No decorrer da sessão foram declamados alguns poemas que integram a obra.
Palavras de Cristal publica poemas de Acácio Almeida, António Almeida Mattos, Artur Ferreira Coimbra, Artur Magalhães Leite, Benedita Stingl, João Ricardo Lopes, Pompeu Miguel Martins e Valdemar Gonçalves.
A colectânea inclui textos em prosa dos associados Carlos Afonso, Catarina Ribeiro Noval, José Emídio Lopes, José Salgado Leite, Maria Arlete Gonçalves e Tiago Magalhães, sendo enriquecida por ilustrações dos artistas Ana Stingl, Belmira Guimarães, Fina Rosa, Luís Gonzaga e Orlando Pompeu. 

Em 22 de Julho, foi apresentada, na Biblioteca Municipal, a obra Major Miguel Ferreira – Uma Lição de Liberdade (2ª edição, revista e aumentada), do autor deste blogue, edição da Câmara Municipal de Fafe. Na ocasião, o investigador e amigo Artur Sá da Costa, enquadrou o movimento de oposição ao Estado Novo “Democratas de Braga”, de que Miguel Ferreira (1878-1961) foi um precursor.
Sendo a mesma, esta é uma obra diferente, mais rica de conteúdo e de informação, sendo acrescentada com mais meia centena de páginas.
Com o recurso a mais funda investigação e à leitura da preciosa imprensa local, conseguimos ampliar consideravelmente os capítulos da vida de Miguel Ferreira, sobretudo o relativo ao período da 1ª República (1910-1926).
Miguel Ferreira foi uma referência enorme de republicano histórico, de homem de bem, de homem íntegro, combatente pela Liberdade durante toda a sua vida.
Há 100 anos atrás era deputado às Constituintes. Foi vereador e governador civil na 1ª República. Lutou depois contra o Estado Novo e Salazar, em concreto. Teve uma grandiosa homenagem nacional em 1958, quando comemorou 80 anos de vida. Há 50 anos, falecia (1961), com 83 anos de idade.
Não sendo natural de Fafe, é um dos fafenses adoptivos mais prestigiados e notáveis, que honrou esta terra e os seus valores.
A obra seria reapresentada na Junta de Freguesia de Antime em 17 de Setembro.

Em Setembro, teve lugar a apresentação de três obras, todas na Biblioteca Municipal, e de carácter completamente diverso. 
Na noite de 23, foi apresentada a obra A Reabilitação como Processo de Preservação Cultural e Patrimonial: A herança arquitectónica e urbana da cidade de Fafe, do jovem arquitecto fafense António Póvoas (edição Kairos – Edições Culturais).
O livro resulta da dissertação para a obtenção do grau de mestre em arquitectura na Universidade do Minho, em 2009, e foi apresentado por Jorge Correia, da Escola de Arquitectura daquela academia, antigo docente e orientador da dissertação.
A obra reveste-se de enorme interesse para a cidade e para os fafenses, pela síntese que faz da sua evolução histórica e pelas propostas que formula para a criação de um centro histórico.
A Reabilitação como Processo de Preservação Cultural e Patrimonial pretende ser uma reflexão crítica sobre a forma como todo um património, arquitectónico e urbano, é pensado, e um olhar sobre a protecção desse legado tendo como foco de análise a cidade de Fafe. Concretamente, através da formulação de propostas de instituição de um centro histórico na cidade de Fafe, que preserve a mancha urbana constituída pelas “casas brasileiras”, na perspectiva, muito correcta, de “salvaguardar a sua herança histórica, os valores arquitectónicos e urbanos que permitam um melhor entendimento e compreensão da mesma”.
O livro teria depois outras apresentações, entre as quais (dia 9 de Novembro) em Guimarães, no âmbito da comemoração do 15º Aniversário da Escola de Arquitectura da Universidade do Minho, onde o autor estudou.

Na tarde do dia seguinte, 24, tive a honra de fazer uma breve apresentação da obra poética Esvoaços 2, de Acácio Almeida.
Dedicado aos seus amigos e amigas, Esvoaços 2 integra 50 poemas, basicamente datados de um arco temporal entre 2008 e 2011.
Dir-se-á que continua a haver uma louvável evolução na escrita poética de Acácio Almeida, ao longo dos seus três livros (o primeiro de 1988 e o segundo de 2008).
Se o primeiro é assumidamente mais de intervenção, de preocupação social, obra de pendor mais realista, os dois seguintes inscrevem uma poesia mais trabalhada, mais madura, mais moderna, mais “literária”, no que isso tem de louvável esforço de depuração imagética e estilística.
Por um lado, evidenciando uma oficina poética que investe sobre o trabalho linguístico, literário.
Mas, por outro, uma preocupação sempre presente pelos dramas do quotidiano, com o que se aproxima da temática social da sua primeira obra.
Um poeta que não podemos perder de vista.

No dia 30, Ângelo Santos publicou um auspicioso romance de estreia, de que acabou por não se falar muito, com o sugestivo título Do Éden ao Inferno.
Não podendo estar presente na apresentação, não dispomos de mais elementos para aprofundar algo sobre esta obra, o que lamentamos.

Em Outubro foram apresentados mais dois livros na Biblioteca Municipal de Fafe, que está transformada no local de apresentação de obras literárias por excelência.
No dia 15, um sábado à tarde, registou-se a apresentação do primeiro romance de Conceição Antunes, com o título A que cheiram as giestas. É mais um(a) autor(a) fafense que emerge no panorama literário e cultural local, o que é uma fabulosa notícia.
A autora nasceu nesta cidade em 1952 e aqui reside. De 1954 a 1975 viveu em Luanda (Angola).
Tem os cursos de modelista e design de moda, na Academia de Artes do Porto; modelação de cerâmica e azulejaria, na Escola Soares dos Reis no Porto e de pintura e desenho, na Escola Superior Artística do Porto. Serviu a carreira da moda.
Além da sua actividade profissional, desenvolve relevante actividade artística, designadamente na área da pintura, desde os seus tempos de África, sob o pseudónimo de “Cloé”, tendo efectuado diversas exposições individuais e colectivas em diversos locais, Fafe incluído.

No dia 27, teve lugar a apresentação da obra Escola/Comunidade – Perspectivas e Racionalidades (edição Labirinto), assinado por Joaquim Paulo Lopes Teixeira, docente da Escola Secundária de Fafe.
Trata-se da edição em livro da dissertação de mestrado do autor em Administração Educacional pelo Instituto Superior de Educação e Trabalho do Porto, em 2011.
A obra tem 200 páginas de texto e divide-se em quatro capítulos com os títulos “A Escola como organização educativa”, “Os interesses, os consensos e os conflitos na administração das Escolas”, “A comunidade local nas escolas públicas: entre a legislação e a prática” e, finalmente, “Um estudo das Escolas do concelho de Fafe”.
A apresentação contou com a presença da conhecida professora Manuela Teixeira, dirigente da FNE há alguns anos atrás e orientadora do mestrado de Paulo Teixeira, que apresentou a obra.


A mais recente obra a ser apresentada aconteceu no passado dia 4 de Novembro. Trata-se do romance Ocaso, da autoria do jovem escritor radicado há alguns anos em Fafe José Rui Rocha (neste caso, na personagem Inês Pedro Guerra) e à qual não pude assistir por não me encontrar nessa noite em Fafe. É a terceira edição da Kairos deste ano, a segunda do mesmo e intenso autor, depois do audiolivro do início do ano.

Finalmente…


Na tarde de 26 de Novembro, a Junta de Freguesia de Fafe promoveu a apresentação, na Biblioteca Municipal da cidade, da obra Cruz de Chumbo e Outros Poemas (176 p., edição da J. F. Fafe) do poeta Augusto Fera, edição organizada e prefaciada por Artur F. Coimbra, presidente do Núcleo de Artes e Letras de Fafe.
A sala encheu de familiares, conterrâneos e amigos de Augusto Ferreira, seu nome de baptismo, poeta invisual, natural de Armil (1939) e residente na zona da Fábrica do Ferro, que concretizou assim, através da louvável iniciativa da Junta fafense, o sonho de editar um livro de poesia, que compila a sua produção literária de meio século, a partir de 1961.
A obra foi apresentada pelo organizador, que leu alguns excertos do prefácio feito expressamente para Cruz de Chumbo e Outros Poemas e onde refere, a propósito do projecto de vários anos para a publicação da poesia de Fera, que muito admira: “A oportunidade acaba de surgir com a iniciativa do Presidente da Junta de Freguesia de Fafe de editar a obra de Augusto Fera num único volume. Bem andou José Mário Silva (mais uma vez…) em concretizar esta aspiração sua (que sempre foi também nossa…) de homenagear um poeta até agora impublicado em livro e que nos habituámos a fruir, lentamente, à medida que o seu estro ia debitando poemas para as páginas dos ansiosos jornais.
Um poeta popular que faz parte da identidade literária fafense, sem dúvida! E que agora, finalmente, vê a luz da publicação, apesar da sua repetida renitência em o fazer…”.

Quanto às editoras, de referir que a Labirinto publicou cerca de metade de todas as edições apresentadas em Fafe. Nada menos que oito. A jovem Kairos encarregou-se de mais três edições. A Câmara Municipal e a Neoma Produções editaram cada qual dois livros. As restantes obras, distribuem-se por outras tantas editoras.

De evidenciar ainda que, no total, foram apresentados em Fafe 21 obras literárias, sendo que apenas duas não são de autores ou de temática fafense: os livros Terra de Chiculate, em Agosto, e  Memórias da Vida e da Rádio dos Afectos, do conhecido homem da rádio António Sala, na passada quarta-feira.
É obra, meus amigos!...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Telma Mota: uma exposição de bijuterias e pequenas jóias artísticas que foi um êxito

A jovem artista fafense Telma Mota, que trocou o estudo da Economia pelos saberes tradicionais do tempo dos avós, a que juntou a sua criatividade, como refere o jornalista Carlos Rui Abreu, no JN de hoje, numa excelente reportagem sobre a autora, com o título “Fazer croché com metais”, expôs um conjunto dos seus trabalhos de bijuteria e pequenas jóias, além de outros, na Galeria Municipal (Casa da Cultura).

A abertura ocorreu na noite de quarta-feira, 7 de Dezembro, com grande êxito, juntando dezenas de amigos, que admiraram os belíssimos trabalhos da artista, que transformam a prata e o cobre em croché, autênticas obras de arte elaboradas no seu ateliê de Cepães.
Marcaram a sua presença amiga o Presidente da Câmara, José Ribeiro e esposa, os vereadores Antero Barbosa e Helena Lemos, empresários e outros fafenses de diversos sectores.

Telma Mota tem 31 anos, dedica-se à arte com sentido mais estético e intensivo há três ou quatro anos, a qual se transformou na sua paixão.
Os seus trabalhos, dedicados ao universo feminino e romântico, tem-se espalhado e vendido no Porto, em Fafe e em outros locais e, pela Internet, já chegou aos Estados Unidos, Canadá, Brasil, Holanda e Inglaterra.
Com um grande beijo de parabéns e votos de que continue a criar os seus objectos de arte e que chegue a bom termo a sua marca “Telma Mota”, aqui deixo algumas imagens da sessão de abertura da exposição que se manteve patente esta quinta-feira, feriado, e poderá ainda ser visitada na sexta-feira à tarde.
Fotos de Manuel Meira Correia.


António Sala espalhou simpatia pela Casa da Cultura de Fafe

Na noite de quarta-feira, 7 de Dezembro, o auditório da Casa Municipal de Cultura de Fafe foi palco para a apresentação do livro Memórias da Vida e da Rádio dos Afectos, do conhecido homem da rádio António Sala.
O mínimo que se pode afirmar é que Sala se mostrou um exímio conversador, como sempre foi seu timbre, passando em revista, com palavras simples e de grande simpatia, o seu percurso de vida pela rádio, de que é um dos maiores ícones a nível nacional, em especial, na Renascença. Lembremos que José Rodrigues dos Santos, que assina um breve prefácio, o considera “um dos melhores profissionais da comunicação social no nosso país” e que António Sala foi eleito em 2007 pelos ouvintes do Rádio Clube Português “a maior figura de sempre da história da rádio em Portugal”.
Foi esta figura emblemática que aqui se deslocou, com grande privilégio nosso, para apresentar, em traços gerais, as linhas mestras da sua sexta obra, escrita ao longo de oito anos e que retrata episódios vividos pelo autor ao longo da sua carreira profissional de mais de quatro dezenas de anos, em diversas estações emissoras.
Sala deteve-se num episódio interessante ocorrido com o poeta Vinicius de Morais, quando se deslocou a Portugal, era o radialista ainda muito “moço”.
Falou da importância da rádio (foi por esse meio de comunicação, e não pela televisão, que se conheceram as senhas do 25 de Abril, por exemplo) mas evidenciou, com tristeza, a monotonia que é a rádio hoje em dia. Quase todas as estações se cingem a uma playlist, que integra basicamente os mesmos temas musicais, o que empobrece drasticamente o panorama radiofónico, hoje disponível em variadíssimas plataformas, que integram os telemóveis ou os computadores, e não apenas as tradicionais telefonias. 

António Sala considera que o seu livro se resume a um “contador de histórias ligadas aos afectos e aos olhares, às coisas e às pessoas que marcaram a minha vida e, sobretudo, o meu modo de fazer rádio. É, única e simplesmente, a visão de um radialista e o contar das histórias que o marcam na profissão”, mas assume também a sua “modesta homenagem a todos que fizeram e aos que ainda escrevem a história da rádio em Portugal”.
A longa e interessante noite com António Sala concluiu com uma saborosa anedota, contada com o humor que caracteriza o autor das “Anedotas do Sala”.
António Sala passou ainda, antes da sessão, pelas salas do Museu das Migrações e das Comunidades, que apreciou vivamente, na companhia do vereador da Cultura, Pompeu Martins.
Já no final, e após os sacramentais autógrafos, esteve a conviver com as pessoas que participavam na abertura da exposição de bijuterias de Telma Mota, de que se fala em outro post, designadamente, o Presidente da Câmara, José Ribeiro e o seu chefe de gabinete, Carlos Mota, além de Joaquim Lima, empresário e autarca e deste escriba, com os quais esteve em animada conversa durante mais de uma hora.
Em suma: foi um enorme orgulho para Fafe receber esta personalidade de gabarito nacional e conviver com ele durante algumas horas, na noite de quarta-feira.

Fotos: Manuel Meira Correia


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Fafe é terra de literatura: este ano já foram apresentados 19 livros de autores ou de temática local (I Parte)

Primeira obra do ano de 2011

Metade das obras são livros de estreia!

Os leitores não fazem a mínima ideia da quantidade de livros de autores fafenses ou sobre temática local que se publicaram até ao momento em Fafe, ao longo deste ano de 2011.
Em mais nenhuma cidade deste país, tenho a certeza, exceptuando Lisboa e talvez o Porto, se publicaram num único ano tantas obras de autores locais, ou aqui radicados, o que dá a dimensão da produtividade, da criatividade e da qualidade dos autores fafenses, que estão, obviamente, de parabéns.
Até ao momento contam-se nada menos do que 19 títulos, dos 20 até agora apresentados em diferentes locais do concelho, mas sobretudo na Biblioteca Municipal.
De realçar ainda que uma dezena das obras apresentadas são livros de estreia, o que é francamente animador e altamente positivo para a cultura local.
Vamos, então, brevemente, a uma viagem pelos livros de autores locais, ou aqui radicados e também pelos temas fafenses, publicados em livro em 2011.
É a primeira parte.
A segunda segue oportunamente.

Apresentação da obra de estreia de Manuel Barros
Logo em Janeiro, no dia 4, teve lugar na Biblioteca Municipal de Fafe a sessão de lançamento da obra Salpicos de Ideias, Reparos e… algumas Histórias, do professor Manuel Barros, que teve a apresentação do dr. Ribeiro Cardoso, director do jornal Povo de Fafe e um prelúdio musical pelo pianista José Miguel Dias. Trata-se de uma obra que reúne mais de duas dezenas de textos do autor publicados sobretudo no Povo de Fafe e outros inéditos. São assumidamente croniquetas e historietas que apresentam algum sentido para reflexão, como quer o autor, que se espraia por temas ligados à problemática da vida, à humanização, socialização e outras, “fantasiados com alguns raciocínios que me ocupam o pensamento”. O livro foi um sonho do autor, que felizmente se concretizou.

Ainda em Janeiro, a 22, teve lugar no lotado Teatro-Cinema de Fafe o lançamento da obra Fafe – Estudos de História Contemporânea, do jovem historiador Daniel Bastos.
O livro inicial do autor integra diversos artigos, qual deles o mais consistente, inovador e relevante para o conhecimento da historiografia do município nos últimos decénios. Referimo-nos, concretamente, aos textos “As visitas do rei D. Carlos I ao município de Fafe em 1906 e 1907: análise e contexto político, económico e social”; “A participação portuguesa na I Guerra Mundial. Reflexos políticos e sociais: o exemplo de Fafe”; “As Eleições Presidenciais no Estado autoritário português. Processos e actores políticos no concelho de Fafe em 1949 e 1958” e “Visitas de governantes do Estado Novo ao concelho de Fafe (1933-1974): economia, ideologia e política estadonovista num contexto local”.
Outra obra de estreia: do historiador Daniel Bastos
Todavia, verdadeiramente inovadores, pela pesquisa bibliográfica e pelo aparato metodológico, são os dois grandes marcos que pontuam a arquitectura desta obra. Refiro-me aos artigos que têm como título “O concelho de Fafe durante a Primeira República (1910-1926): actores, processo político e conjuntura socioeconómica”, de uma actualidade vibrante, dado estarmos em plena comemoração do Centenário da República, bem como “A Revolução de Abril entre 1974 e 1976 num contexto local: a transição política, partidos políticos, comícios e as primeiras eleições autárquicas democráticas em Fafe”.
O interessante livro seria (re)apresentado no Consulado Geral de Portugal em Paris, em 23 de Setembro.

No dia 28 de Janeiro,   no auditório da Biblioteca Municipal, a recém-criada Kairos – Produções Culturais promoveu o lançamento do audiolivro e livro digital A Dança dos Alcatruzes, de Oceano Andrade (personagem literário de José Rui Rocha). A obra foi apresentada por Ângela Lopes.
A Dança dos Alcatruzes é o ficcional percurso de Cândido Makalani, escritor, e das espirais por si vividas e desejadas. É o encontro entre as partes distantes que formam o individuum. É um quase esquecido narrar de percursos e decisões. É um olhar sobre os gestos dos actores que se cumprem e adiam no palco onde se representa a dramaturgia do Tempo.


Mais uma obra de José Augusto Gonçalves
Em 25 de Fevereiro, José Augusto Gonçalves, professor da Escola Secundária e escritor, apresentou, na Biblioteca Municipal, o seu mais recente livro, Viagens pelas Sendas da Alma Humana II, que é a continuação da sua saga autobiográfica, iniciada em Dezembro de 2009, com a publicação o primeiro volume.
A obra foi apresentada, uma vez mais, pelo também docente da Secundária e escritor, Carlos Afonso.

Em Março, no âmbito das II Jornadas Literárias, teve lugar a apresentação de duas obras literárias.
No dia 17, na Biblioteca Municipal, foi lançado o excelente livro de poesia de Almeida Mattos, A Ilusão do Breve.
A Ilusão do Breve: um excelente e livro maior de poemas do poeta fafense  residente no Porto e que regressa à publicação vinte anos após a sua obra anterior,  Conjuntivo Presente (1991).
António Almeida Mattos regressou à publicação, 20 anos depois
A obra foi apresentada pela Professora Isabel Pires de Lima, grande amiga do autor e também de Fafe, onde voltou mais uma vez.

No dia seguinte, no Teatro-Cinema, teve lugar a apresentação da obra Antigo & Futuro, um excelente repertório das vivências de outrora no espaço pedagógico do Agrupamento de Escolas de Arões, coordenado magistralmente pela professora Orlanda Silva.
As vivências agrícolas, as vindimas, as janeiras e os reis, a cura das doenças e maleitas, as crenças e mezinhas, os jogos tradicionais, as cantigas, a casa, vidas, testemunhos.
Uma obra-prima da cultura imaterial daquela zona do concelho, que engloba as freguesias de Arões Santa Cristina e S. Romão, Cepães e Fareja.

Em 18 de Abril, no âmbito da comemoração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a Biblioteca Municipal foi palco do lançamento da obra Águas Públicas e a sua utilização no concelho de Fafe, da autoria do professor Francisco da Silva Costa, docente do departamento de Geografia da Universidade do Minho.
A apresentação foi do signatário, que assinou também o prefácio da obra, editada pela Câmara Municipal de Fafe.
O corpo da obra desenvolve-se em torno dos usos e ocupação do domínio público hídrico neste concelho, desdobrado nas mais importantes utilizações da água, nos seus cursos mais relevantes, sobretudo o Vizela, o Ferro, o Bugio e o Torto.
Fala-se, assim, da importância da rega dos campos, da cultura do linho, do papel dos moinhos de rodízio e azenhas, como espaços de actividade moageira, mas também de outros engenhos ligados ao aproveitamento das águas públicas como a serração e os lagares de azeite.
O Prof. Dr. Francisco Costa estudou o uso das águas públicas no Vale do Ave e em Fafe
A obra aborda ainda o aproveitamento hídrico no contexto da indústria local, sobretudo a têxtil (fábricas de fiação e tecidos), bem como nas fábricas de papel, em Fareja e em Fafe, hoje desaparecidas, depois de cumprirem a sua missão histórica. Algumas linhas são, de igual modo, dedicadas ao papel das pequenas centrais hidroeléctricas, como a de Santa Rita, mas também as das fábricas do Ferro e do Bugio, necessárias à laboração daquelas importantes indústrias, cujo auge decorreu em grande parte do século passado.

Em 7 de Maio, no auditório da Junta de Freguesia de Arões S. Romão, o talentoso escritor João Ricardo Lopes apresentou o seu mais recente livro, com o título reflexões à boca de cena.
A obra, apresentada pelo conterrâneo César Freitas, professor e investigador no Instituto de Estudos Superiores de Fafe, assinala o regresso do escritor aos escaparates, depois de uma ausência de quase quatro anos. O título agora dado à estampa (pela editora Labirinto) compila 50 poemas, traduzidos para inglês por Bernarda Esteves, docente de Literatura e Linguística Inglesa na Universidade do Minho.
João Ricardo Lopes, em mais um excelente livro de poemas, a sua arte maior
O autor, recorde-se, conta na sua bibliografia com diversas obras poéticas (premiadas já, a nível nacional) e com um livro de crónicas. Em 2011, ano em que comemora uma década de vida literária, surpreende com um volume de composições poéticas, alicerçadas em torno do espaço metafórico do teatro. De acordo com o posfácio, assinado pelo também poeta Daniel Gonçalves, “os poemas deste livro têm uma vida que vai acender aos confins do universo a última gota de silêncio primordial.”
Depois da Vila de Arões, seguiu-se uma apresentação na Feira do Livro de Braga (por Sérgio Sousa, docente na Universidade do Minho), em Lisboa e no Porto.

Em 17 de Junho, teve lugar na Biblioteca Municipal a apresentação dos livros Tempo e Reflexos, de Richard Towers, pseudónimo do artista e músico Martinho Torres.
Trata-se de dois livros-objecto, actos criativos editados pela Neoma Produções, editora do próprio escritor. Trata-se de um conceito novo, inovador e diferente, “livros com arte”, produtos com valor acrescentado que estão já no mercado e que o autor se empenha em explicar aos seus leitores, um pouco por todo o país, como aconteceu na cidade de Fafe!
Martinho Torres, mais uma estreia e logo com dois livros de ficção
Num ambiente intimista, que incluiu a leitura de trechos dos livros, por Carlos Afonso e Artur Coimbra, acompanhado à viola pelo autor-músico Martinho Torres, foi proposta aos presentes uma incursão pelo inovador mundo literário do autor, através de duas obras.
É um orgulho termos este autor a viver entre nós, e a trabalhar em Fafe, concretamente na freguesia de Travassós.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Carminho no Teatro-Cinema de Fafe com lotação quase esgotada


A programação do Teatro-Cinema de Fafe continua esta sexta-feira, 9 de dezembro, pelas 21h30, com um espectáculo da jovem artista Carminho, exactamente sob o tema “Fado”.
O concerto integra-se no projecto “Concertos Íntimos”, de que é o quinto e último espectáculo deste ano (anteriormente, pisaram o palco fafense os artistas Tim, Sérgio Godinho, Teresa Salgueiro e Rita Redshoes).
Os ingressos continuam à venda no Posto de Turismo, ao preço de 10 euros, encontrando-se a lotação perto de esgotar.
A nova “menina bonita do fado”, Carminho, nasceu Carmo Rebelo de Andrade, há 27 anos, em Lisboa, filha da fadista Teresa Siqueira. Em Lisboa, estreou-se a cantar em público aos doze anos, no Coliseu.
Concluído o curso universitário, viaja pelo mundo durante um ano, participando em missões humanitárias. Regressada a Lisboa, começa a cantar regularmente no restaurante Mesa de Frades. Participa no multi-galardoado filme “Fados”, de Carlos Saura.
Em 2009 editou o seu primeiro álbum “Fado”, considerado “a maior revelação do fado da última década”, pela revista Time, alcançando rapidamente o galardão de ouro e dando início a uma digressão nacional e internacional.
Vista como um símbolo da sua geração, tornou-se, em 2011, a Embaixadora portuguesa do programa “Youth on the Move”, a convite da Comissão Europeia.
2011 é também o ano de um arranque seguro de uma carreira internacional que a leva ao palco principal da Womex (World Music Expo), na Dinamarca, e a espectáculos em diversos palcos europeus.
É com grande expectativa que se aguarda o lançamento do seu segundo álbum, previsto para Janeiro, com edição assegurada em Espanha e no Reino Unido.


“Conversa íntima” na sexta-feira, às 15h30

Como é habitual no quadro dos “Concertos Íntimos”, a jovem fadista disponibiliza-se para uma “conversa íntima” com quem a ela queira assistir na tarde de sexta-feira, a partir das 15h30, na Sala Manoel de Oliveira.
A conversa permitirá conhecer melhor a jovem fadista que é uma das revelações do fado da actualidade e que tem nesta altura um dueto com Pablo Alborán - “Perdóname” – no top espanhol.

(Fotos: net)