domingo, 11 de dezembro de 2011

Longe do meu coração – romance de Júlio Magalhães que retrata a emigração clandestina para França nos anos de 1960


1961: Início da Guerra Colonial e da emigração para França

1. 2011, que está perto do seu final, é o epicentro para a evocação do cinquentenário de duas efemérides fundamentais na história portuguesa contemporânea, intimamente ligadas entre si.
Em 1961 (é deste ano que falamos), começou a Guerra Colonial, neste caso em Angola, a qual haveria de estender-se às restantes províncias ultramarinas, como então se chamavam (Moçambique, Guiné, Cabo Verde) e mobilizar muitos milhares de jovens de todo o país e deixar marcas indeléveis no tecido social português. Foram milhares os que morreram; milhares os que ficaram estropiados; milhares os que ficaram com todo o tipo de sequelas, sobretudo psicológicas. São os despojos da guerra, que ainda hoje fazem sentir os seus efeitos, passados tantos anos…
Não foi apenas mas também para fugir à Guerra Colonial que em 1961 cresceu e se multiplicou a emigração para França, que naturalmente vinha já de anos anteriores e haveria de continuar pelos anos subsequentes. Muitos jovens não quiseram servir de “carne para canhão” em terras africanas e “preferiram”, porque não tinham outra alternativa, rumar a terras de França, mesmo que clandestinamente.
Obviamente, que a grande razão para o surto de emigração para a Europa, e sobretudo para a França, nos anos 60 do século passado, era a miséria que se vivia em Portugal, dominado pelo caquético Salazar, em fase de declínio político. O país não possuía grandes indústrias, nem serviços e a maioria da população definhava nos canseirosos trabalhos agrícolas, que mal davam para o sustentam.
Nessa época, emigrava-se para fugir à pobreza que grassava pelo continente e à guerra que despontava nos territórios africanos.
Ao longo deste ano, tem saído vasta bibliografia sobre os dois temas, de alguma forma, fracturantes no devir do Portugal Contemporâneo.

2. Uma das obras mais interessantes, na minha perspectiva, que foi publicada sobre a emigração para França foi exactamente o romance Longe do meu coração, do jornalista e escritor Júlio Magalhães, que estará em Fafe, em Março do próximo ano, no âmbito das III Jornadas Literárias.
Já saiu há cerca de um ano, mas o tema que inscreve ganhou toda a actualidade no que decorre.
O autor, continuando centrado no século XX português, enveredou por um tema fundamental que “marcou o século (passado), a cultura e o nosso povo para sempre: a emigração para França nos anos 60”.
Na verdade, como lembra Júlio Magalhães, “foram milhares os que saltaram a fronteira rumo a um futuro melhor. Para fugir a uma guerra colonial, sempre presente numa determinada geração de portugueses. À procura de trabalho, de comida, de uma oportunidade, de realizar um sonho numa terra distante, longe de Portugal”.
Como sempre faz para a elaboração dos seus livros, o autor ouviu protagonistas desta saga lusitana, “gente ainda viva que se emociona, que recorda com saudade”. Ouviu testemunhos, leu relatos, viu fotografias da época.
E assim construiu um belíssimo romance com gente humilde e determinada dentro. Gente que tem o nome indelével da coragem, que levou a alma lusitana para terras de França e que triunfou nesse país distante, em resultado de muito sacrifício, muito suor, imensa dedicação.
Longe do meu coração tem como personagem central a figura corajosa, resistente, ambiciosa e inquebrantável de Joaquim que acaba por representar muita da alma portuguesa em terras de França.
O livro, nos seus primeiros capítulos, acaba por constituir um retrato das agruras e vicissitudes da emigração “a salto” para terras gaulesas, há meio século.
Primeiro, havia a vontade de fugir do país – da miséria e das perspectivas da guerra – em busca de um “destino melhor”, ou da terra das oportunidades, a França, “onde todos os sonhos são possíveis”. Depois, aparecia a figura do passador, a quem os futuros emigrantes pagavam parte da passagem, correspondente a metade do retrato rasgado, o qual seria recomposto e o resto saldado meses ou um ano após, quando as coisas já estivessem compostas.
Protótipo de muitos emigrantes ambiciosos, Joaquim declara, desde o início: “O meu país é aquele que me dá de comer e onde eu me sinto feliz e com razões para viver. E aqui não tenho que comer, vivo na miséria, este não é o meu país!”. Mais: “Se ficamos aqui ainda nos arriscamos a ir para a guerra e apanhar um tiro em Angola… ou então a morrer de fome!”.
Joaquim assume essa aventura de ir atrás de um sonho, o sonho de uma vida melhor, de trabalho na construção civil, “farto da miséria e da fome, de não poder falar com os amigos à sua vontade (…) mas não podia deixar de sentir um aperto no coração ao pensar na aldeia da Memória que deixava para trás, onde tinha nascido e se feito homem…”.
A obra de Júlio Magalhães é, na sua primeira parte, um documentário vivo da história da emigração a salto, neste caso, a partir de 1963, acompanhando a trajectória de Joaquim, da sua aldeia Natal à concretização do sonho. Na época, muitos atravessavam anualmente a fronteira de Vilar Formoso, “porta de saída de milhares de portugueses que desobedeciam ao regime salazarista”. Em Portugal, reinava Salazar e em Espanha Franco. As fronteiras eram policiadas rigorosamente, à cata de emigrantes ilegais. Por isso, a viagem dos clandestinos até França demorava semanas e constituía um trajecto feito de percalços e contratempos. Os homens andavam quilómetros sem fim a pé, andrajosos, por caminhos e atalhos, ou em intermináveis viagens em camionetas de transporte de gado. Os emigrantes clandestinos constituíam, nas palavras do autor e naquelas condições, “o gado silencioso, que tentava chegar ilegalmente a França”.
Atravessavam, com o máximo cuidado dos polícias e dos contrabandistas, a paisagem esmagadora dos Pirenéus, onde alguns ficaram para sempre e outros foram presos. Chegavam a Hendaya, onde compravam bilhete para a mítica estação de Austerlitz. Aí já estavam mais ou menos seguros, porque a França necessitava de mão-de-obra para o seu desenvolvimento.
Restava chegar aos “bidonvilles”, nos arredores de Paris, os célebres bairros de lata que, nos anos sessenta do século XX, formaram mesmo “a capital de Portugal em França”.
Depois de um mês de viagem, de fome e de cansaço, Joaquim chegou finalmente a Champigny-Sur-Marne, onde um tio já o esperava, e que configuraria a ansiada terra dos sonhos e das oportunidades, mas o que encontrou foi um imenso lamaçal, num dos maiores bairros de lata da Europa. As barracas eram pré-fabricados de madeira e de zinco, as camas eram fardos de palha espalhada no chão, não havendo fogão nem luz dentro das casas, apenas candeeiros a gás.
As condições eram escassas mas o trabalho não faltava. O país parecia um estaleiro. E os portugueses eram bons trabalhadores, “ganham e reclamam menos que os franceses”. O ordenado de Joaquim era de 600 francos, mais do dobro do que ganharia em Portugal, embora metade do que auferia um trabalhador francês com as mesmas funções. Claro que não havia contrato de trabalho, nem reivindicações, nem queixas. “Era trabalhar de sol a sol e calar”. Ali não era costume questionar nada, era arregaçar as mangas e trabalhar, 12 horas seguidas.
Depois, havia a incomensurável barreira da língua e a péssima imagem que os franceses tinham dos nossos patrícios: “somos porcos, cuspimos para o chão e só estamos aqui para fazer o trabalho que eles não querem fazer”.
A opinião reinante era a de que “os portugueses não são raça que se cheire. São bons trabalhadores, mas nada de conversas…”.
Porém, Joaquim, o herói deste romance, que partiu da sua terra do interior com apenas 19anos de idade, estava decidido a vencer em França e a casar com a francesa dos seus sonhos: “Queria vencer neste país, mostrar que os portugueses não eram só força bruta e que conseguiam vingar mesmo nas piores condições”.
E o certo é que conseguiu. Criou a sua empresa, casou com uma francesa (Françoise) e tornou-se um empresário de sucesso, tendo sido condecorado pelo Presidente da República em 10 de Junho de 2000.
Um romance que se lê com imenso prazer e que fala de um tema que todos mais ou menos conhecemos, porque há um emigrante, pelo menos, em cada família portuguesa.
Júlio Magalhães refere, a propósito da génese do seu livro, cuja leitura recomendo vivamente: “Escrevi este livro para que a memória não se apague nem o tempo leve essa indelével marca lusitana que é voar, sonhar, sofrer e sorrir”. Aliás, convém recordar, e Júlio Magalhães fá-lo, que esse drama em gente das vicissitudes da emigração clandestina entrou num longo e assumido silêncio por parte dos seus protagonistas: “não era história para ser contada. Apenas, e infelizmente, vivida e fechada a sete chaves e com cadeado na sua memória”.
Ainda bem que foi contada, e está a ser por vários autores. E já era tempo de ser feito. Afinal, já passaram 50 anos!...

Nota: como nota final, será de relevar que o livro inclui um conjunto de 12 fotografias de Gerald Bloncourt, que doou mais de uma centena de fotos (praticamente todas as que são publicadas) ao Museu das Migrações e das Comunidades, sedeado em Fafe. Três dessas fotografias publicam-se acima.


Fadista Carminho encantou um Teatro-Cinema de Fafe completamente lotado



O Teatro-Cinema de Fafe encheu por completo esta sexta-feira à noite para assistir ao concerto da jovem fadista Carminho, de apenas 27 anos, uma das mais sonantes e promissoras revelações daquela que é considerada a “canção nacional por excelência”.
Ao longo de mais de uma hora e meia, a simpática artista interpretou duas dezenas de fados, a maioria que integra o seu primeiro e único disco até agora editado, com o título exacto de “Fado” (2009), considerado logo “a maior revelação do fado da última década”, pela revista inglesa Time.
A plateia fafense delirou com a esplêndida voz de Carminho, feita de uma sonoridade consistente, enérgica e sobretudo sentida e vivida, acompanhada por um trio de músicos de alto gabarito (guitarra, viola e baixo). O resultado só podia ser um espectáculo soberbo, quente, intimista, profissional, no melhor sentido, fechando com “chave de ouro” o ciclo de “Concertos Íntimos” que a autarquia levou a efeito este ano e que se prolongará no próximo ano, certamente, com idêntica qualidade.





O espectáculo concluiu com o fado de referência da artista, “Meu Amor Marinheiro”, cantado ao natural, sem amplificação sonora, numa dádiva que encantou os espectadores, entre os quais se contavam espanhóis, dado o facto de Carminho estar nesta altura em primeiro lugar no top musical do país irmão, fruto do seu esplêndido dueto com o jovem cantor Pablo Alborán, na canção “Perdóname”.
Pelo meio, Carminho, elogiou a belíssima sala do Teatro-Cinema e disse ser seu privilégio cantar naquele espaço com quase nove décadas de existência! Aplausos que se vêm tornando recorrentes nos artistas que têm pisado a nossa sala de espectáculos, o que só nos pode deixar embevecidos, como fafenses amigos da sua terra.
Aqui ficam algumas imagens (belíssimas imagens, como sempre) do nosso amigo e colaborador Manuel Meira Correia, para gáudio de todos os eventuais visitantes deste blogue!






“Conversa íntima” de Carminho desvenda pormenores da sua vida
Na tarde de sexta-feira, na Sala Manoel de Oliveira, num registo descontraído, Carminho disponibilizou-se para falar com algumas dezenas de jovens estudantes, a quem se abriu e colocou à vontade para responder a todo o tipo de perguntas.
Numa conversa moderada pelo vereador da cultura, desporto e juventude da autarquia, Pompeu Martins, a nova “menina bonita do fado” passou em revista a sua jovem existência e a sua curta carreira musical, o que fez com enorme simpatia, inteira abertura, e uma bagagem cultural acima da média, para a sua idade.
Carmo Rebelo de Andrade nasceu em Lisboa e foi para o Algarve muita nova. Como a sua mãe (Teresa Siqueira) era fadista, tornou-se natural ouvir fado desde a infância e gostava do fado como de outras canções, como o rock, ou a música ligeira. Aliás, Carminho referiu que gosta de todo o tipo de música “desde que seja boa”.


Estreou-se a cantar aos doze anos, num espectáculo familiar no Coliseu dos Recreios, cujas peripécias relatou. A partir daí não mais abandonou a música, assumindo o fado como algo seu. Não apenas seu: “o fado é de todos os portugueses”.
Fadista de profissão, considera que “o fado é música, mas também poesia e forma de transmitir sentimentos”.
Carminho assume a sua natureza emotiva e sente a necessidade de cantar, para libertar os seus fantasmas e as suas obsessões.
Carminho, concluído o curso superior de marketing e publicidade, viajou pelo mundo durante um ano, sozinha, participando em missões humanitárias, sobretudo na Índia, com crianças deficientes e moribundos. Uma jovem com um grande coração e uma imensa coragem!
Regressada a Lisboa, começou a cantar regularmente no restaurante Mesa de Frades. Foi o início da carreira que a levou a gravar o seu primeiro disco, e a participar no filme de Carlos Saura e ao êxito com Palo Alborán.
Às crianças fafenses da Escola de Arões e da Carlos Teixeira, admitiu que quando sobe ao palco se sente “ansiosa mas também concentrada” e relativizou o êxito que está a conseguir, na sua jovem carreira. Ainda está a começar!...
-Como se define, em três palavras? - Perguntaram-lhe da plateia.
“Curiosa, emotiva e inexperiente” – respondeu, depois de alguma reflexão. Um retrato para quem teve o privilégio de assistir à conversa.
Como prémio para os adolescentes que a estavam a admirar, Carminho cantou o refrão do fado de que mais gosta, “Meu Amor Marinheiro”, com letra de António Campos e música de Joaquim Pimentel.
A belíssima letra deste fado é assim:

Tenho ciúme das verdes ondas do mar
Que teimam em querer beijar
Teu corpo erguido às marés
Tenho ciúme do vento que me atraiçoa
Que vem beijar-te na proa
E morre pelo convés

Tenho ciúme do luar da lua cheia
Que no teu corpo se enleia
Para contigo ir bailar
Tenho ciúme das ondas que se levantam
E das sereias que cantam
Que cantam p’ra te encantar

Oh meu amor marinheiro
Oh dono dos meus anelos
Não deixes que à noite, a lua
Roube a cor dos teus cabelos
Não olhes para as estrelas
Porque elas podem roubar
O verde que há nos teus olhos
Teus olhos da cor do mar.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Fafe é terra de literatura: este ano já foram apresentados 19 livros de autores ou de temática local (Conclusão)

Num primeiro post, abordámos a dezena de obras apresentadas em Fafe por autores locais ou aqui radicados e uma delas de temática local.
Concluímos a apresentação.
Em 1 de Julho, à entrada do Verão, o Núcleo de Artes e Letras de Fafe promoveu, no Auditório da Casa das Associações, uma sessão cultural para a apresentação do livro Palavras de Cristal, colectânea de textos e imagens  de diversos  autores associados.
No decorrer da sessão foram declamados alguns poemas que integram a obra.
Palavras de Cristal publica poemas de Acácio Almeida, António Almeida Mattos, Artur Ferreira Coimbra, Artur Magalhães Leite, Benedita Stingl, João Ricardo Lopes, Pompeu Miguel Martins e Valdemar Gonçalves.
A colectânea inclui textos em prosa dos associados Carlos Afonso, Catarina Ribeiro Noval, José Emídio Lopes, José Salgado Leite, Maria Arlete Gonçalves e Tiago Magalhães, sendo enriquecida por ilustrações dos artistas Ana Stingl, Belmira Guimarães, Fina Rosa, Luís Gonzaga e Orlando Pompeu. 

Em 22 de Julho, foi apresentada, na Biblioteca Municipal, a obra Major Miguel Ferreira – Uma Lição de Liberdade (2ª edição, revista e aumentada), do autor deste blogue, edição da Câmara Municipal de Fafe. Na ocasião, o investigador e amigo Artur Sá da Costa, enquadrou o movimento de oposição ao Estado Novo “Democratas de Braga”, de que Miguel Ferreira (1878-1961) foi um precursor.
Sendo a mesma, esta é uma obra diferente, mais rica de conteúdo e de informação, sendo acrescentada com mais meia centena de páginas.
Com o recurso a mais funda investigação e à leitura da preciosa imprensa local, conseguimos ampliar consideravelmente os capítulos da vida de Miguel Ferreira, sobretudo o relativo ao período da 1ª República (1910-1926).
Miguel Ferreira foi uma referência enorme de republicano histórico, de homem de bem, de homem íntegro, combatente pela Liberdade durante toda a sua vida.
Há 100 anos atrás era deputado às Constituintes. Foi vereador e governador civil na 1ª República. Lutou depois contra o Estado Novo e Salazar, em concreto. Teve uma grandiosa homenagem nacional em 1958, quando comemorou 80 anos de vida. Há 50 anos, falecia (1961), com 83 anos de idade.
Não sendo natural de Fafe, é um dos fafenses adoptivos mais prestigiados e notáveis, que honrou esta terra e os seus valores.
A obra seria reapresentada na Junta de Freguesia de Antime em 17 de Setembro.

Em Setembro, teve lugar a apresentação de três obras, todas na Biblioteca Municipal, e de carácter completamente diverso. 
Na noite de 23, foi apresentada a obra A Reabilitação como Processo de Preservação Cultural e Patrimonial: A herança arquitectónica e urbana da cidade de Fafe, do jovem arquitecto fafense António Póvoas (edição Kairos – Edições Culturais).
O livro resulta da dissertação para a obtenção do grau de mestre em arquitectura na Universidade do Minho, em 2009, e foi apresentado por Jorge Correia, da Escola de Arquitectura daquela academia, antigo docente e orientador da dissertação.
A obra reveste-se de enorme interesse para a cidade e para os fafenses, pela síntese que faz da sua evolução histórica e pelas propostas que formula para a criação de um centro histórico.
A Reabilitação como Processo de Preservação Cultural e Patrimonial pretende ser uma reflexão crítica sobre a forma como todo um património, arquitectónico e urbano, é pensado, e um olhar sobre a protecção desse legado tendo como foco de análise a cidade de Fafe. Concretamente, através da formulação de propostas de instituição de um centro histórico na cidade de Fafe, que preserve a mancha urbana constituída pelas “casas brasileiras”, na perspectiva, muito correcta, de “salvaguardar a sua herança histórica, os valores arquitectónicos e urbanos que permitam um melhor entendimento e compreensão da mesma”.
O livro teria depois outras apresentações, entre as quais (dia 9 de Novembro) em Guimarães, no âmbito da comemoração do 15º Aniversário da Escola de Arquitectura da Universidade do Minho, onde o autor estudou.

Na tarde do dia seguinte, 24, tive a honra de fazer uma breve apresentação da obra poética Esvoaços 2, de Acácio Almeida.
Dedicado aos seus amigos e amigas, Esvoaços 2 integra 50 poemas, basicamente datados de um arco temporal entre 2008 e 2011.
Dir-se-á que continua a haver uma louvável evolução na escrita poética de Acácio Almeida, ao longo dos seus três livros (o primeiro de 1988 e o segundo de 2008).
Se o primeiro é assumidamente mais de intervenção, de preocupação social, obra de pendor mais realista, os dois seguintes inscrevem uma poesia mais trabalhada, mais madura, mais moderna, mais “literária”, no que isso tem de louvável esforço de depuração imagética e estilística.
Por um lado, evidenciando uma oficina poética que investe sobre o trabalho linguístico, literário.
Mas, por outro, uma preocupação sempre presente pelos dramas do quotidiano, com o que se aproxima da temática social da sua primeira obra.
Um poeta que não podemos perder de vista.

No dia 30, Ângelo Santos publicou um auspicioso romance de estreia, de que acabou por não se falar muito, com o sugestivo título Do Éden ao Inferno.
Não podendo estar presente na apresentação, não dispomos de mais elementos para aprofundar algo sobre esta obra, o que lamentamos.

Em Outubro foram apresentados mais dois livros na Biblioteca Municipal de Fafe, que está transformada no local de apresentação de obras literárias por excelência.
No dia 15, um sábado à tarde, registou-se a apresentação do primeiro romance de Conceição Antunes, com o título A que cheiram as giestas. É mais um(a) autor(a) fafense que emerge no panorama literário e cultural local, o que é uma fabulosa notícia.
A autora nasceu nesta cidade em 1952 e aqui reside. De 1954 a 1975 viveu em Luanda (Angola).
Tem os cursos de modelista e design de moda, na Academia de Artes do Porto; modelação de cerâmica e azulejaria, na Escola Soares dos Reis no Porto e de pintura e desenho, na Escola Superior Artística do Porto. Serviu a carreira da moda.
Além da sua actividade profissional, desenvolve relevante actividade artística, designadamente na área da pintura, desde os seus tempos de África, sob o pseudónimo de “Cloé”, tendo efectuado diversas exposições individuais e colectivas em diversos locais, Fafe incluído.

No dia 27, teve lugar a apresentação da obra Escola/Comunidade – Perspectivas e Racionalidades (edição Labirinto), assinado por Joaquim Paulo Lopes Teixeira, docente da Escola Secundária de Fafe.
Trata-se da edição em livro da dissertação de mestrado do autor em Administração Educacional pelo Instituto Superior de Educação e Trabalho do Porto, em 2011.
A obra tem 200 páginas de texto e divide-se em quatro capítulos com os títulos “A Escola como organização educativa”, “Os interesses, os consensos e os conflitos na administração das Escolas”, “A comunidade local nas escolas públicas: entre a legislação e a prática” e, finalmente, “Um estudo das Escolas do concelho de Fafe”.
A apresentação contou com a presença da conhecida professora Manuela Teixeira, dirigente da FNE há alguns anos atrás e orientadora do mestrado de Paulo Teixeira, que apresentou a obra.


A mais recente obra a ser apresentada aconteceu no passado dia 4 de Novembro. Trata-se do romance Ocaso, da autoria do jovem escritor radicado há alguns anos em Fafe José Rui Rocha (neste caso, na personagem Inês Pedro Guerra) e à qual não pude assistir por não me encontrar nessa noite em Fafe. É a terceira edição da Kairos deste ano, a segunda do mesmo e intenso autor, depois do audiolivro do início do ano.

Finalmente…


Na tarde de 26 de Novembro, a Junta de Freguesia de Fafe promoveu a apresentação, na Biblioteca Municipal da cidade, da obra Cruz de Chumbo e Outros Poemas (176 p., edição da J. F. Fafe) do poeta Augusto Fera, edição organizada e prefaciada por Artur F. Coimbra, presidente do Núcleo de Artes e Letras de Fafe.
A sala encheu de familiares, conterrâneos e amigos de Augusto Ferreira, seu nome de baptismo, poeta invisual, natural de Armil (1939) e residente na zona da Fábrica do Ferro, que concretizou assim, através da louvável iniciativa da Junta fafense, o sonho de editar um livro de poesia, que compila a sua produção literária de meio século, a partir de 1961.
A obra foi apresentada pelo organizador, que leu alguns excertos do prefácio feito expressamente para Cruz de Chumbo e Outros Poemas e onde refere, a propósito do projecto de vários anos para a publicação da poesia de Fera, que muito admira: “A oportunidade acaba de surgir com a iniciativa do Presidente da Junta de Freguesia de Fafe de editar a obra de Augusto Fera num único volume. Bem andou José Mário Silva (mais uma vez…) em concretizar esta aspiração sua (que sempre foi também nossa…) de homenagear um poeta até agora impublicado em livro e que nos habituámos a fruir, lentamente, à medida que o seu estro ia debitando poemas para as páginas dos ansiosos jornais.
Um poeta popular que faz parte da identidade literária fafense, sem dúvida! E que agora, finalmente, vê a luz da publicação, apesar da sua repetida renitência em o fazer…”.

Quanto às editoras, de referir que a Labirinto publicou cerca de metade de todas as edições apresentadas em Fafe. Nada menos que oito. A jovem Kairos encarregou-se de mais três edições. A Câmara Municipal e a Neoma Produções editaram cada qual dois livros. As restantes obras, distribuem-se por outras tantas editoras.

De evidenciar ainda que, no total, foram apresentados em Fafe 21 obras literárias, sendo que apenas duas não são de autores ou de temática fafense: os livros Terra de Chiculate, em Agosto, e  Memórias da Vida e da Rádio dos Afectos, do conhecido homem da rádio António Sala, na passada quarta-feira.
É obra, meus amigos!...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Telma Mota: uma exposição de bijuterias e pequenas jóias artísticas que foi um êxito

A jovem artista fafense Telma Mota, que trocou o estudo da Economia pelos saberes tradicionais do tempo dos avós, a que juntou a sua criatividade, como refere o jornalista Carlos Rui Abreu, no JN de hoje, numa excelente reportagem sobre a autora, com o título “Fazer croché com metais”, expôs um conjunto dos seus trabalhos de bijuteria e pequenas jóias, além de outros, na Galeria Municipal (Casa da Cultura).

A abertura ocorreu na noite de quarta-feira, 7 de Dezembro, com grande êxito, juntando dezenas de amigos, que admiraram os belíssimos trabalhos da artista, que transformam a prata e o cobre em croché, autênticas obras de arte elaboradas no seu ateliê de Cepães.
Marcaram a sua presença amiga o Presidente da Câmara, José Ribeiro e esposa, os vereadores Antero Barbosa e Helena Lemos, empresários e outros fafenses de diversos sectores.

Telma Mota tem 31 anos, dedica-se à arte com sentido mais estético e intensivo há três ou quatro anos, a qual se transformou na sua paixão.
Os seus trabalhos, dedicados ao universo feminino e romântico, tem-se espalhado e vendido no Porto, em Fafe e em outros locais e, pela Internet, já chegou aos Estados Unidos, Canadá, Brasil, Holanda e Inglaterra.
Com um grande beijo de parabéns e votos de que continue a criar os seus objectos de arte e que chegue a bom termo a sua marca “Telma Mota”, aqui deixo algumas imagens da sessão de abertura da exposição que se manteve patente esta quinta-feira, feriado, e poderá ainda ser visitada na sexta-feira à tarde.
Fotos de Manuel Meira Correia.