segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fafense Conceição Antunes reapresentou o seu romance de estreia na FNAC Guimarães

Na tarde de sábado, a fafense Conceição Antunes voltou a apresentar a sua excelente obra de estreia, A que cheiram as giestas, desta feita na FNAC de Guimarães.
A obra havia sido apresentada, em primeira mão, na Biblioteca Municipal de Fafe, em 15 de Outubro.
Desta feita, esteve também presente a editora Sandra Macedo, da “Cão que lê”, que voltou a falar da obra, que inseriu na linha da literatura feminina nacional e internacional.
A que cheiram as giestas voltou a ser apresentada pelo amigo e confrade Carlos Afonso, que teceu palavras sinceras e justas para a obra, de grande interesse, de Conceição Carvalho, que conhecíamos como “Cloé”, na sua vertente artística, tendo participado em diversas exposições de artes plásticas na Casa Municipal de Cultura.
Não pude estar presente, por afazeres vários, o que lamento.
Louvo e enalteço a iniciativa e felicito vivamente a autora e amiga!
Aqui ficam imagens da sessão, da autoria de Manuel Meira Correia, como sempre. Muito grato lhe fico.








domingo, 18 de dezembro de 2011

XX Encontro de Coros de Música de Natal: 15 grupos, 30 cânticos

A 20ª edição do Encontro de Coros de Música de Natal que o pelouro da cultura da Câmara Municipal de Fafe organiza, e é já uma tradição natalícia, realizou-se na noite deste sábado, 17 de Dezembro, no Pavilhão Multiusos, que, apesar do frio, registou a assistência de centenas de pessoas, incluindo os componentes dos grupos participantes.

Também marcaram presença no evento o Presidente da Câmara, José Ribeiro e o Vereador da Cultura e Desporto, Pompeu Martins, que se mostraram agradados com o evoluir do encontro.

Ao longo de mais de duas horas, desfilaram pelo palco 15 grupos corais ligados a colectividades e a paróquias de todo o espaço concelhio.

Com dois cânticos cada, e regidos pelos respectivos directores artísticos, sucederam-se, por esta ordem, os grupos Orfeão de Ribeiros, Grupo Coral Juvenil de Golães, Grupo Coral de Armil, Grupo Coral Cultural e Recreativo de Medelo, Grupo Coral de Santa Maria de Várzea Cova, Coral de Antime, Grupo Coral do Sagrado Coração de Jesus da Paróquia de Fafe, Grupo Coral e Paroquial de Estorãos, Grupo Coral de Quinchães, Grupo Coral de Fornelos, Grupo Coral de Santa Maria de Ribeiros, Grupo Coral de Moreira do Rei, Coral “Santa Eulália”, da Paróquia de Fafe, Grupo Coral de S. Gens e Coral Santo Condestável, que fechou com "chave de ouro" a noite de sábado.

Mais uma vez ficou demonstrada a qualidade vocal de tantos fafenses de todas as idades organizados em torno dos corais, a preocupação pela sua apresentação uniformizada, a harmonia e o trabalho de direcção dos respectivos maestros, numa grande lição de como o povo sabe cantar e louvar o espírito desta quadra e dos seus valores e mitologias.

As fotos anexas são, mais uma vez, do grande fotógrafo Manuel Meira Correia, amável colaborador deste blogue.














 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

1961: Há 50 anos começou a devastadora Guerra Colonial em África


Oportunamente haveremos de fazer a história dos combatentes de Fafe!

Escrevemos já que há 50 anos, a partir de 1961, se intensificou a emigração para França, que continuaria nos anos imediatos, a maioria clandestinamente, “a salto”, como então se dizia. Já eu nessa altura, em plena infância, era filho de um emigrante.
Para fugir à miséria e à escravidão a que Salazar tinha votado criminosamente o país. Mas também para escapar à guerra colonial, que se iniciou em Fevereiro de 1961, em Angola e depois se haveria de estender a Moçambique e à Guiné-Bissau, sobretudo.
Ao longo de 13 anos, foram muitos milhares os jovens na flor da idade que embarcaram para servir de “carne para canhão” ao serviço de desígnios políticos que nada diziam à imensa maioria dos mancebos recrutados na pobreza e na ignorância.
Dessas campanhas no então Ultramar, resultaram milhares de mortos, feridos e estropiados. Ainda hoje há inúmeros ex-combatentes por todo o país que sofrem as consequências da guerra, nos traumas e feridas psicológicas que teimam em cicatrizar.
Ao longo dos últimos anos, tem saído imensa literatura sobre a Guerra Colonial, desde romances (António Lobo Antunes, Lídia Jorge, João de Melo, José Manuel Mendes e tantos outros) e poemas (Manuel Alegre é o maior poeta da guerra) à memorialística dos soldados que nela participaram em diferentes momentos e em cenários diversos.
Também têm sido publicados incontáveis ensaios e estudos de investigação sobre um tema que ainda arde e dói na alma portuguesa. Sobretudo neste ano em que começa a evocação do cinquentenário da deflagração do conflito armado.
Aqui fica a indicação de algumas das obras sobre a Guerra Colonial em África, de diferentes autores e perspectivas, coincidentes em retratar os 13 anos mais decisivos para a queda do regime fascista, em 25 de Abril de 1974. São apenas algumas obras do meu espólio particular sobre uma guerra em que fatalmente iria atolar-me, não fora a bendita acção dos "capitães de Abril".
Haveremos de falar (aqui ou em outro local) de alguns dos combatentes fafenses no teatro de guerra africano entre 1961 e 1974 e fazer um pouco da história da participação dos nossos conterrâneos no conflito que ainda hoje não está completamente pacificado na sociedade portuguesa.







segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

XX Encontro de Coros de Música de Natal este sábado no Multiusos de Fafe

O tradicional Encontro de Coros de Música de Natal que o pelouro da cultura da Câmara Municipal de Fafe organiza e vai já na sua 20ª edição, tem lugar na noite (21h00) do próximo sábado, 17 de Dezembro, no Pavilhão Multiusos, que deverá repetir a enchente de anos anteriores. A entrada é livre.
Este ano o certame conta com a participação de 15 grupos corais ligados a colectividades e a paróquias de todo o espaço concelhio.
Participam no XX do Encontro de Coros de Música de Natal, por esta ordem, os grupos: Orfeão de Ribeiros, Grupo Coral Juvenil de Golães, Grupo Coral de Armil, Grupo Coral Cultural e Recreativo de Medelo, Grupo Coral de Santa Maria de Várzea Cova, Coral de Antime, Grupo Coral do Sagrado Coração de Jesus da Paróquia de Fafe, Grupo Coral e Paroquial de Estorãos, Grupo Coral de Quinchães, Grupo Coral de Fornelos, Grupo Coral de Santa Maria de Ribeiros, Grupo Coral de Moreira do Rei, Coral “Santa Eulália”, da Paróquia de Fafe, Grupo Coral de S. Gens e Coral Santo Condestável.
Cada grupo vai interpretar duas composições com temas alusivos à quadra natalícia, sob a direcção dos respectivos directores artísticos.
Ao longo de mais de uma hora e meia, vão desfilar pelos ouvidos dos espectadores temas como “Avé Maria”, “Linda Noite”, “É Natal, Cristo nasceu”, “Gloria in excelsis Deo”, “Correi, Pastorinhos”, “Natal, Natal” ou “Na fria Lapinha”, entre muitas outras melodias, que a tradição consagrou.

Fotos: Manuel Meira Correia (arquivo)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Longe do meu coração – romance de Júlio Magalhães que retrata a emigração clandestina para França nos anos de 1960


1961: Início da Guerra Colonial e da emigração para França

1. 2011, que está perto do seu final, é o epicentro para a evocação do cinquentenário de duas efemérides fundamentais na história portuguesa contemporânea, intimamente ligadas entre si.
Em 1961 (é deste ano que falamos), começou a Guerra Colonial, neste caso em Angola, a qual haveria de estender-se às restantes províncias ultramarinas, como então se chamavam (Moçambique, Guiné, Cabo Verde) e mobilizar muitos milhares de jovens de todo o país e deixar marcas indeléveis no tecido social português. Foram milhares os que morreram; milhares os que ficaram estropiados; milhares os que ficaram com todo o tipo de sequelas, sobretudo psicológicas. São os despojos da guerra, que ainda hoje fazem sentir os seus efeitos, passados tantos anos…
Não foi apenas mas também para fugir à Guerra Colonial que em 1961 cresceu e se multiplicou a emigração para França, que naturalmente vinha já de anos anteriores e haveria de continuar pelos anos subsequentes. Muitos jovens não quiseram servir de “carne para canhão” em terras africanas e “preferiram”, porque não tinham outra alternativa, rumar a terras de França, mesmo que clandestinamente.
Obviamente, que a grande razão para o surto de emigração para a Europa, e sobretudo para a França, nos anos 60 do século passado, era a miséria que se vivia em Portugal, dominado pelo caquético Salazar, em fase de declínio político. O país não possuía grandes indústrias, nem serviços e a maioria da população definhava nos canseirosos trabalhos agrícolas, que mal davam para o sustentam.
Nessa época, emigrava-se para fugir à pobreza que grassava pelo continente e à guerra que despontava nos territórios africanos.
Ao longo deste ano, tem saído vasta bibliografia sobre os dois temas, de alguma forma, fracturantes no devir do Portugal Contemporâneo.

2. Uma das obras mais interessantes, na minha perspectiva, que foi publicada sobre a emigração para França foi exactamente o romance Longe do meu coração, do jornalista e escritor Júlio Magalhães, que estará em Fafe, em Março do próximo ano, no âmbito das III Jornadas Literárias.
Já saiu há cerca de um ano, mas o tema que inscreve ganhou toda a actualidade no que decorre.
O autor, continuando centrado no século XX português, enveredou por um tema fundamental que “marcou o século (passado), a cultura e o nosso povo para sempre: a emigração para França nos anos 60”.
Na verdade, como lembra Júlio Magalhães, “foram milhares os que saltaram a fronteira rumo a um futuro melhor. Para fugir a uma guerra colonial, sempre presente numa determinada geração de portugueses. À procura de trabalho, de comida, de uma oportunidade, de realizar um sonho numa terra distante, longe de Portugal”.
Como sempre faz para a elaboração dos seus livros, o autor ouviu protagonistas desta saga lusitana, “gente ainda viva que se emociona, que recorda com saudade”. Ouviu testemunhos, leu relatos, viu fotografias da época.
E assim construiu um belíssimo romance com gente humilde e determinada dentro. Gente que tem o nome indelével da coragem, que levou a alma lusitana para terras de França e que triunfou nesse país distante, em resultado de muito sacrifício, muito suor, imensa dedicação.
Longe do meu coração tem como personagem central a figura corajosa, resistente, ambiciosa e inquebrantável de Joaquim que acaba por representar muita da alma portuguesa em terras de França.
O livro, nos seus primeiros capítulos, acaba por constituir um retrato das agruras e vicissitudes da emigração “a salto” para terras gaulesas, há meio século.
Primeiro, havia a vontade de fugir do país – da miséria e das perspectivas da guerra – em busca de um “destino melhor”, ou da terra das oportunidades, a França, “onde todos os sonhos são possíveis”. Depois, aparecia a figura do passador, a quem os futuros emigrantes pagavam parte da passagem, correspondente a metade do retrato rasgado, o qual seria recomposto e o resto saldado meses ou um ano após, quando as coisas já estivessem compostas.
Protótipo de muitos emigrantes ambiciosos, Joaquim declara, desde o início: “O meu país é aquele que me dá de comer e onde eu me sinto feliz e com razões para viver. E aqui não tenho que comer, vivo na miséria, este não é o meu país!”. Mais: “Se ficamos aqui ainda nos arriscamos a ir para a guerra e apanhar um tiro em Angola… ou então a morrer de fome!”.
Joaquim assume essa aventura de ir atrás de um sonho, o sonho de uma vida melhor, de trabalho na construção civil, “farto da miséria e da fome, de não poder falar com os amigos à sua vontade (…) mas não podia deixar de sentir um aperto no coração ao pensar na aldeia da Memória que deixava para trás, onde tinha nascido e se feito homem…”.
A obra de Júlio Magalhães é, na sua primeira parte, um documentário vivo da história da emigração a salto, neste caso, a partir de 1963, acompanhando a trajectória de Joaquim, da sua aldeia Natal à concretização do sonho. Na época, muitos atravessavam anualmente a fronteira de Vilar Formoso, “porta de saída de milhares de portugueses que desobedeciam ao regime salazarista”. Em Portugal, reinava Salazar e em Espanha Franco. As fronteiras eram policiadas rigorosamente, à cata de emigrantes ilegais. Por isso, a viagem dos clandestinos até França demorava semanas e constituía um trajecto feito de percalços e contratempos. Os homens andavam quilómetros sem fim a pé, andrajosos, por caminhos e atalhos, ou em intermináveis viagens em camionetas de transporte de gado. Os emigrantes clandestinos constituíam, nas palavras do autor e naquelas condições, “o gado silencioso, que tentava chegar ilegalmente a França”.
Atravessavam, com o máximo cuidado dos polícias e dos contrabandistas, a paisagem esmagadora dos Pirenéus, onde alguns ficaram para sempre e outros foram presos. Chegavam a Hendaya, onde compravam bilhete para a mítica estação de Austerlitz. Aí já estavam mais ou menos seguros, porque a França necessitava de mão-de-obra para o seu desenvolvimento.
Restava chegar aos “bidonvilles”, nos arredores de Paris, os célebres bairros de lata que, nos anos sessenta do século XX, formaram mesmo “a capital de Portugal em França”.
Depois de um mês de viagem, de fome e de cansaço, Joaquim chegou finalmente a Champigny-Sur-Marne, onde um tio já o esperava, e que configuraria a ansiada terra dos sonhos e das oportunidades, mas o que encontrou foi um imenso lamaçal, num dos maiores bairros de lata da Europa. As barracas eram pré-fabricados de madeira e de zinco, as camas eram fardos de palha espalhada no chão, não havendo fogão nem luz dentro das casas, apenas candeeiros a gás.
As condições eram escassas mas o trabalho não faltava. O país parecia um estaleiro. E os portugueses eram bons trabalhadores, “ganham e reclamam menos que os franceses”. O ordenado de Joaquim era de 600 francos, mais do dobro do que ganharia em Portugal, embora metade do que auferia um trabalhador francês com as mesmas funções. Claro que não havia contrato de trabalho, nem reivindicações, nem queixas. “Era trabalhar de sol a sol e calar”. Ali não era costume questionar nada, era arregaçar as mangas e trabalhar, 12 horas seguidas.
Depois, havia a incomensurável barreira da língua e a péssima imagem que os franceses tinham dos nossos patrícios: “somos porcos, cuspimos para o chão e só estamos aqui para fazer o trabalho que eles não querem fazer”.
A opinião reinante era a de que “os portugueses não são raça que se cheire. São bons trabalhadores, mas nada de conversas…”.
Porém, Joaquim, o herói deste romance, que partiu da sua terra do interior com apenas 19anos de idade, estava decidido a vencer em França e a casar com a francesa dos seus sonhos: “Queria vencer neste país, mostrar que os portugueses não eram só força bruta e que conseguiam vingar mesmo nas piores condições”.
E o certo é que conseguiu. Criou a sua empresa, casou com uma francesa (Françoise) e tornou-se um empresário de sucesso, tendo sido condecorado pelo Presidente da República em 10 de Junho de 2000.
Um romance que se lê com imenso prazer e que fala de um tema que todos mais ou menos conhecemos, porque há um emigrante, pelo menos, em cada família portuguesa.
Júlio Magalhães refere, a propósito da génese do seu livro, cuja leitura recomendo vivamente: “Escrevi este livro para que a memória não se apague nem o tempo leve essa indelével marca lusitana que é voar, sonhar, sofrer e sorrir”. Aliás, convém recordar, e Júlio Magalhães fá-lo, que esse drama em gente das vicissitudes da emigração clandestina entrou num longo e assumido silêncio por parte dos seus protagonistas: “não era história para ser contada. Apenas, e infelizmente, vivida e fechada a sete chaves e com cadeado na sua memória”.
Ainda bem que foi contada, e está a ser por vários autores. E já era tempo de ser feito. Afinal, já passaram 50 anos!...

Nota: como nota final, será de relevar que o livro inclui um conjunto de 12 fotografias de Gerald Bloncourt, que doou mais de uma centena de fotos (praticamente todas as que são publicadas) ao Museu das Migrações e das Comunidades, sedeado em Fafe. Três dessas fotografias publicam-se acima.


Fadista Carminho encantou um Teatro-Cinema de Fafe completamente lotado



O Teatro-Cinema de Fafe encheu por completo esta sexta-feira à noite para assistir ao concerto da jovem fadista Carminho, de apenas 27 anos, uma das mais sonantes e promissoras revelações daquela que é considerada a “canção nacional por excelência”.
Ao longo de mais de uma hora e meia, a simpática artista interpretou duas dezenas de fados, a maioria que integra o seu primeiro e único disco até agora editado, com o título exacto de “Fado” (2009), considerado logo “a maior revelação do fado da última década”, pela revista inglesa Time.
A plateia fafense delirou com a esplêndida voz de Carminho, feita de uma sonoridade consistente, enérgica e sobretudo sentida e vivida, acompanhada por um trio de músicos de alto gabarito (guitarra, viola e baixo). O resultado só podia ser um espectáculo soberbo, quente, intimista, profissional, no melhor sentido, fechando com “chave de ouro” o ciclo de “Concertos Íntimos” que a autarquia levou a efeito este ano e que se prolongará no próximo ano, certamente, com idêntica qualidade.





O espectáculo concluiu com o fado de referência da artista, “Meu Amor Marinheiro”, cantado ao natural, sem amplificação sonora, numa dádiva que encantou os espectadores, entre os quais se contavam espanhóis, dado o facto de Carminho estar nesta altura em primeiro lugar no top musical do país irmão, fruto do seu esplêndido dueto com o jovem cantor Pablo Alborán, na canção “Perdóname”.
Pelo meio, Carminho, elogiou a belíssima sala do Teatro-Cinema e disse ser seu privilégio cantar naquele espaço com quase nove décadas de existência! Aplausos que se vêm tornando recorrentes nos artistas que têm pisado a nossa sala de espectáculos, o que só nos pode deixar embevecidos, como fafenses amigos da sua terra.
Aqui ficam algumas imagens (belíssimas imagens, como sempre) do nosso amigo e colaborador Manuel Meira Correia, para gáudio de todos os eventuais visitantes deste blogue!






“Conversa íntima” de Carminho desvenda pormenores da sua vida
Na tarde de sexta-feira, na Sala Manoel de Oliveira, num registo descontraído, Carminho disponibilizou-se para falar com algumas dezenas de jovens estudantes, a quem se abriu e colocou à vontade para responder a todo o tipo de perguntas.
Numa conversa moderada pelo vereador da cultura, desporto e juventude da autarquia, Pompeu Martins, a nova “menina bonita do fado” passou em revista a sua jovem existência e a sua curta carreira musical, o que fez com enorme simpatia, inteira abertura, e uma bagagem cultural acima da média, para a sua idade.
Carmo Rebelo de Andrade nasceu em Lisboa e foi para o Algarve muita nova. Como a sua mãe (Teresa Siqueira) era fadista, tornou-se natural ouvir fado desde a infância e gostava do fado como de outras canções, como o rock, ou a música ligeira. Aliás, Carminho referiu que gosta de todo o tipo de música “desde que seja boa”.


Estreou-se a cantar aos doze anos, num espectáculo familiar no Coliseu dos Recreios, cujas peripécias relatou. A partir daí não mais abandonou a música, assumindo o fado como algo seu. Não apenas seu: “o fado é de todos os portugueses”.
Fadista de profissão, considera que “o fado é música, mas também poesia e forma de transmitir sentimentos”.
Carminho assume a sua natureza emotiva e sente a necessidade de cantar, para libertar os seus fantasmas e as suas obsessões.
Carminho, concluído o curso superior de marketing e publicidade, viajou pelo mundo durante um ano, sozinha, participando em missões humanitárias, sobretudo na Índia, com crianças deficientes e moribundos. Uma jovem com um grande coração e uma imensa coragem!
Regressada a Lisboa, começou a cantar regularmente no restaurante Mesa de Frades. Foi o início da carreira que a levou a gravar o seu primeiro disco, e a participar no filme de Carlos Saura e ao êxito com Palo Alborán.
Às crianças fafenses da Escola de Arões e da Carlos Teixeira, admitiu que quando sobe ao palco se sente “ansiosa mas também concentrada” e relativizou o êxito que está a conseguir, na sua jovem carreira. Ainda está a começar!...
-Como se define, em três palavras? - Perguntaram-lhe da plateia.
“Curiosa, emotiva e inexperiente” – respondeu, depois de alguma reflexão. Um retrato para quem teve o privilégio de assistir à conversa.
Como prémio para os adolescentes que a estavam a admirar, Carminho cantou o refrão do fado de que mais gosta, “Meu Amor Marinheiro”, com letra de António Campos e música de Joaquim Pimentel.
A belíssima letra deste fado é assim:

Tenho ciúme das verdes ondas do mar
Que teimam em querer beijar
Teu corpo erguido às marés
Tenho ciúme do vento que me atraiçoa
Que vem beijar-te na proa
E morre pelo convés

Tenho ciúme do luar da lua cheia
Que no teu corpo se enleia
Para contigo ir bailar
Tenho ciúme das ondas que se levantam
E das sereias que cantam
Que cantam p’ra te encantar

Oh meu amor marinheiro
Oh dono dos meus anelos
Não deixes que à noite, a lua
Roube a cor dos teus cabelos
Não olhes para as estrelas
Porque elas podem roubar
O verde que há nos teus olhos
Teus olhos da cor do mar.