terça-feira, 24 de janeiro de 2012

30º dia!...

Mãe: faz hoje um mês, tanto tempo, tantos dias, que adormeceste para a eternidade.
Não imaginas o quanto tenho sofrido, como se a minha identidade tivesse deflagrado sem remédio. Não há uma única hora, um único dia sem que a tua imagem (dentro de mim, que vim de ti) se me imponha, maternal, amiga, plena da bonomia e do afecto que te eram característicos. Como é possível que não consiga fazer o luto, mãe, continuando incrédulo e a não conseguir aceitar que a gadanha da morte te tenha retirado ao nosso convívio, quando tanta ternura tinhas ainda para nos dar?
A tua partida, minha heroína, a quem me penaliza não ter dado toda a atenção que merecias, porque o tempo alegadamente nunca é demais, brutalmente extemporânea, selvaticamente prematura, deixou-me cicatrizes profundas no coração, como jamais supus fosse possível. Certamente estou a ficar velho, mais que tu, sem conseguir admitir o que muitos chamam “a lei natural da vida”… Não, tudo isto não passa de um absurdo, de algo sem sentido! Embora mascare uma postura “normal”, para o quotidiano, podes crer que, por dentro, choro como um menino, sem conseguir superar a tua perda.
Nunca pensei que uma mãe doesse tanto a morrer dentro de nós!
Depois da abalada do pai, há pouco mais de dois anos, a mãe era o último arrimo da minha identidade. Sem que a culpa fosse tua, arrasaste o que restava da felicidade do passado, dos momentos felizes que constroem, ano após ano, o melhor de nós.
Muitas vezes, nem o reconhecemos; outras, nem tempo temos, porque sabemos que as mães estão lá, quando necessitamos de uma palavra, um conselho, um carinho, um afago.
No meu telemóvel ainda tenho o teu número gravado. Ligo, na esperança frustrada de que ainda estejas do outro lado, mas já ninguém atende, mãe. Para que serve um número assim? Para que serve o número do telefone fixo, que ainda está registado no meu aparelho, se sei que já não estás lá para me chamar “filho”, “meu amor, está tudo bem contigo”?
Mãe, não consigo admitir que já não estás aqui. Sou sincero, como um Deus: a morte é estúpida, sei que inevitável, mas sem qualquer sentido, sem justificação. Porquê todo este sofrimento, quando a vida é bela, o sol clareia a penumbra, as sementes aguardam o momento de ir para a terra e os rios correm, alegres, em direcção ao mar?!...
É claro que temos a família unida a amparar-nos: a esposa querida, os filhos amados, as irmãs estremecidas. Temos os amigos a ceder-nos a solidariedade amiga. Tantos e bons amigos, que seria injusto escolher algum em particular. Mas não poderia deixar de evocar as palavras amigas do Padre Valdemar Gonçalves, por exemplo, a enviar-me um belíssimo poema seu, dedicado à mãe e a citar um extraordinário verso de Miguel Torga:

Que estranha coisa na vida aconteceu
Que ficaste insensível e gelada…

Mas também as dos amicíssimos Dr. Ribeiro Cardoso, no Povo de Fafe, Dr. Barroso da Fonte, por correio electrónico, António de Almeida Mattos, por carta e Maria de Lourdes Magalhães (Dutinha), a lembrar-me, sensibilizadamente, as palavras que lhe enderecei, há três anos e meio, por altura da partida para as estrelas da sua irmã e que me devolve, para conseguir superar este momento intransponível:

Há a dor, a dor imensa da perda, o vazio a crescer dentro de nós, uma angústia infinda a avassalar o coração, como se nada fizesse sentido.
Depois, obviamente, há o olhar em frente, o futuro a chamar-nos à realidade, sem nunca perdermos por um momento que seja os que amamos no infinito da memória e da alma mais querida!

Já não me lembrava de ter escrito estas palavras de cristal. Premonitórias, dolorosas, agora para mim próprio. Também esperançosas, quando as lágrimas, nem que secas, deixarem de regar os meus olhos, não sei quando.
Mãe, amar-te-ei até ao infinito da eternidade, podes crer!
Tal como ao pai, com quem te (re)encontraste há um mês, depois de mais de meio século de vida em comum e de dois anos de separação (2009-2011), que nunca conseguiste superar.
E quão custoso é ultrapassar a dor da ausência, meu Deus, em que gostaria de acreditar!...
E ainda só passaram 30 dias!...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Guimarães Capital Europeia da Cultura: fotos de Manuel Meira Correia


O fotógrafo Manuel Meira Correia, colaborador deste blogue, andou este sábado pelo espaçoso largo do Toural, em Guimarães, quando se preparava o fantástico espectáculo dos catalães Furia dels Baus que todos vimos na noite desse mesmo dia, assinalando a abertura da Capital Europeia da Cultura, que orgulha não apenas os vimaranenses mas toda a região.
Andou também pelo típico largo de Oliveira, a captar as gentes e os ambientes, sentados nas cómodas esplanadas dos bares da praça.
Aqui ficam as belíssimas imagens, uma outra maneira (singular) de ver o que todos vimos na televisão e nos jornais!









domingo, 22 de janeiro de 2012

Eleições para os Bombeiros em debate: muita uva para pouca parra!

Aproximam-se as eleições para os corpos gerentes da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe, as quais decorrem no próximo sábado, 28 de Janeiro, entre as 16h00 e as 22h00.
Na noite de sexta-feira, o jornal local Povo de Fafe, com grande oportunidade, promoveu no Estúdio Fénix um debate entre os cabeças das duas listas concorrentes ao sufrágio, o qual foi moderado pelos amigos director Ribeiro Cardoso e subdirector Aureliano Barata.
Estiveram presentes os membros de ambas as listas e algumas dezenas de outras pessoas, bombeiros incluídos.
Embora necessariamente parcial na minha análise, porque integrante da lista A, não posso deixar de considerar que o debate só teve um sentido. O campo estava inclinado… O Dr. Pedro Frazão, líder da lista A, “cilindrou” o seu oponente, por acaso meu amigo e conterrâneo (de Serafão), Dr. José Augusto Sousa, uma excelente pessoa, sem dúvida, que muito estimo. Mas não esteve talhada para este combate…
O que refiro a seguir não tem nada de pessoal, longe disso, apenas tem a ver com esta situação muito concreta do debate.
O resultado final, em termos futebolísticos, poderia ser um 9-1, ou, quando muito e com a máxima boa vontade, um 8-2.
Foi o confronto entre:
1) quem conhece por dentro a instituição (Pedro Frazão) e quem não faz a mínima ideia do que lá se passa, e apenas propõe generalidades;
2) quem tem obra feita (início das obras de requalificação do quartel, enriquecimento da corporação com mais 6 viaturas, dotação de grande quantidade de equipamentos individuais de protecção, formação do comando, intensificação da formação, equilíbrio económico-financeiro, entre muitas outras acções) e quem não consegue nem apontar erros de gestão, apenas se entretendo com questões laterais como o número de associados ou a forma de o aumentar (tema importante, mas não relevante para o caso);
3) quem está inteirado de todas as situações e tem conhecimento de causa, por dever de ofício e após três anos de mandato (Pedro Frazão), e quem se limita a ler retóricas generalistas sobre a vida da instituição, contidas num manifesto sem substância;
4) quem sabe perfeitamente quais as competências do comando e da direcção (Pedro Frazão) e quem se admira de o manifesto da lista A  consignar a ideia de “ouvir e dialogar com os elementos do corpo activo, nas decisões estruturantes que lhes digam respeito”, como se a direcção não se pudesse aproximar dos bombeiros, quais maltrapilhos atacados pela lepra;
5) quem propõe medidas concretas, realistas e positivas (Pedro Frazão) e quem não passa das boas intenções, das “filosofias” do senso comum, enfim, da cobertura certamente bem-intencionada a alguns elementos do corpo activo que estão alegadamente descontentes com o comando (não com a direcção, que é quem vai a eleições), por razões q    ue todos os outros bombeiros conhecem  (menos os membros da Lista B).

Deixem-me ainda defender mais duas ou três asserções.

A primeira é a de que, historicamente, não é normal, nem é tradição, nunca aconteceu, nem no tempo do “saudoso Prof. Humberto Gonçalves”, aparecer uma lista alternativa à direcção, quando esta está a trabalhar bem (como é manifestamente o caso) e logo ao fim do seu primeiro mandato. Nunca aconteceu, pelo menos nas últimas décadas…
É estranho que tal esteja a acontecer em 2012. Ou talvez não, como se verá a seguir…
A segunda é a de que estamos perante uma jogada manifestamente política. José Augusto Sousa fez questão de afirmar que não se demitiria dos seus cargos políticos se fosse eleito, ao contrário do que fez Pedro Frazão (e muito bem) há três anos, em circunstâncias análogas. Dá para ver a diferença, entre quem quer servir apenas os bombeiros… e os outros!
Em consequência, a terceira é a de que este é apenas um “round” de um combate que tem a ver com as próximas eleições autárquicas, e com os equilíbrios internos no seio do PSD!...
O que é lamentável é que o PSD (e os seus companheiros de estrada…) se atrevam a utilizar os bombeiros para os seus jogos políticos.
A lista A tem como uma das suas propostas, muito claras e concretas:
- “Recusa da partidarização e politização dos Bombeiros Voluntários de Fafe, já que entendemos que devem existir condições para a maior tranquilidade, isenção e paz social no âmbito da corporação”.
Julgo que isso diz tudo!
Os associados (nós também o somos) que ajuízem e decidam, em ciência, em consciência e em sabedoria, no próximo sábado!
Eles são soberanos, obviamente! E as suas decisões serão a lei!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Retrocesso civilizacional, ou os trabalhadores que paguem a crise!...

Esta semana, os direitos fundamentais dos trabalhadores portugueses foram "historicamente" espezinhados, até ao grau pouco-mais-que-zero, pela chamada “Concertação Social”, que mais não é que a panelinha cúmplice do governo e do patronato, com a conivência de um João Proença travestido de “patriota”, para a tróica apreciar, o que até é uma pena, porque gosto do homem.
Quem se ficou a rir de todo este espectáculo deplorável, a pretexto da crise, foram o castiço ministro Álvaro Santos Pereira e os líderes das confederações patronais, que esfregam as mãos de contentes, porque nunca, como em 2012, conseguiram ter o destino dos trabalhadores nas suas mãos, para fazerem e desfazerem contratos e despedimentos.
Porque o dito e “festejado” acordo que o governo e os parceiros sociais lograram, na verdade, muda o paradigma do mercado de trabalho e mais não representa do que um “retrocesso civilizacional”, de que fala a CGTP, que se afastou das negociações, por considerar que os direitos dos trabalhadores estão a ser vilipendiados. E estão.
O dito “acordo tripartido da concertação social” apenas e só penaliza os trabalhadores. Mais nada. Não há uma medida que o governo exija ao patronato. Nem medidas que o próprio governo concretize para apoiar a economia. Não há um esforço do patronato que faça sentido como contrapartida à quase servidão que estão a impor ao factor trabalho. O esforço para pagar a crise que não provocaram acaba apenas imposto aos trabalhadores por conta de outrem.
Na sequência do “histórico entendimento”, e não tendo o governo conseguido impor o aumento da taxa social única (TSU) ou fazer vigorar o aumento diário de meia hora, o que vem aí são os despedimentos mais facilitados e pelos motivos mais caricatos e subjectivos, que vão da menor produtividade às avarias das máquinas afectas aos operários, os horários de trabalho flexibilizados, as horas extraordinárias mais baratas, os cortes nas indemnizações em caso de despedimento, a diminuição das férias, que passam para 22 dias.
Do lado dos trabalhadores, tudo se reduz: subsídios, férias, feriados e indemnizações. Tudo penaliza: as faltas injustificadas coladas a feriados dão direito a corte de quatro dias no salário. Inimaginável! O que aumenta é a precariedade, a incerteza, a desmotivação e a insegurança.
O patronato ganhou mais: a possibilidade de impor trabalho ao sábado e apenas pagar mais 25%. E a de por e dispor do trabalhador no tal “banco de horas” que pode ir às 150 horas. O trabalhador, no limite, nunca sabe se pode programar a sua vida aos sábados ou aos feriados. O único dia sagrado é o domingo, como há um século atrás! Ao que chegou o Portugal Democrático, meu Deus! Quer dizer, até onde retrocedeu!
Aos patrões obviamente agradam todas as medidas que levem ao aumento dos lucros das suas empresas, embora ainda almejassem mais, porventura ter os trabalhadores ao seu serviço a pão e água ou com as “humanitárias” condições em que se trabalha nos países asiáticos. Porque o seu único propósito, como sempre foi, é a obtenção do lucro, e do máximo lucro, porque ninguém investe para perder dinheiro ou para ajudar os trabalhadores. Por isso, os patrões aplaudem com ambas as mãos as medidas que penalizam o factor trabalho e deixam de fora o factor capital, dando perfeita sintonia ao espírito liberal-capitalista que enforma a ideologia actualmente dominante.
As conquistas sociais e laborais, que prestigiaram o país desde o 25 de Abril, sofreram esta semana a sua mais rude machadada dos últimos 35 anos.
E o que revolta qualquer cidadão atento é verificar que os sacrifícios maiores são impostos aos trabalhadores, sempre o elo mais fraco e não aos patrões, nem ao governo, cujo “espírito de classe” fica clarificado, de uma vez por todas.
Bem pode o ministro Álvaro afirmar que «Portugal mostra ao mundo, aos mercados que mais uma vez sabemos ultrapassar as nossas diferenças e unirmo-nos nos momentos de dificuldade», ou que os seus comparsas falem num disparate chamado “maioria social”, porque o que está em causa é a deplorável desqualificação e exploração quase medieval dos trabalhadores e a imposição de “trabalho forçado”, como alguns acusam, com razão.
Chamam ao polémico documento, “Compromisso para a Competitividade e Emprego”, mas mais valia apelidá-lo de “Compromisso para o Empobrecimento e o Desemprego”.
Até porque o factor “trabalho”, que o documento caustica até à paranóia, não é o mais importante no contexto da economia, segundo especialistas. Fundamentais, são a carga fiscal, o preço da electricidade e os custos dos transportes, factores que o Governo não quer aliviar, porque não convém perder as receitas dos impostos.
Por estas e por outras, apetece referir que este governo (e tudo o que gira em seu redor) é como todos os outros, Sócrates incluído: forte com os fracos (os trabalhadores) e fraco com os fortes (Jardins, financeiros, banqueiros, capitalistas…).
A tróica não impunha que o regabofe fosse tão longe!...

PS – Um governo que “assalta” os direitos fundamentais, as horas e os salários dos trabalhadores por conta de outrem, a pretexto do ajustamento orçamental, anda muito preocupado com os roubos nos multibancos, nas ourivesarias e nos mercados. Supino cinismo: para esta gente, o património vale mais que as pessoas!

(Escrita em Dia, Povo de Fafe, 20/01/2012)


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Bombeiros de Fafe em eleições a 28 de Janeiro: recandidatamo-nos com trabalho feito!


Viver os Bombeiros – Renovar a Confiança!

Os actuais corpos gerentes da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe, dos quais me honro de fazer parte (vice-presidente da Direcção), vão recandidatar-se às eleições para os órgãos sociais para o triénio 2012/2015, marcadas para 28 de janeiro, entre as 16h00 e as 22h00.
Realizámos esta terça-feira uma conferência de imprensa para dar a conhecer o nosso manifesto eleitoral, que vai ser divulgado nos próximos dias.
Sob o lemaViver os Bombeiros – Renovar a Confiança!”, a lista que integro apresenta os seguintes candidatos:

LISTA A
Assembleia-geral

Presidente – Miguel Cabral de Almeida Summavielle, sócio nº 3407
Vice-Presidente – Bernardo da Gama Lobo Xavier, sócio nº 3401
Secretário – Maria Helena Antunes Magalhães, sócia nº 3006

Direcção

Presidente – João Pedro Leite Castro Frazão, sócio nº 2454
Vice-Presidente – Artur Ferreira Coimbra, sócio nº 1310
Tesoureiro – José Joaquim Gonçalves Sousa, sócio nº 509
Secretário – Alberto Joaquim Costa Alves, sócio nº 152
Vogal – Rui Manuel Malheiro Oliveira, sócio nº 971
Vogal – Ângelo Paulo Silva Faria Matos, sócio nº 2443
Vogal – Avelino Novais Freitas, sócio nº 808
Suplente – Luís André Soares Guimarães Alves
Suplente – Vanessa Cláudia Nogueira da Rosa Barata, sócia nº 3645
Suplente – Ana Maria Correia Oliveira Aguiar, sócia nº 3052

Conselho Fiscal

Presidente – Luís Manuel Martins Costa, sócio nº 1464
Vice-Presidente – António Jorge Nogueira Barroso, sócio nº 2219
Secretário-Relator – Luís Filipe Azevedo Pinho Sousa, sócio nº 835
Suplente – Leonel Leite Sousa de Castro, sócio nº 3410
Suplente – Duarte Pascal Freitas Novais, sócio nº 3597

Mandatário

José Manuel Gonçalves Domingues, sócio nº 1326

Como aconteceu há três anos, estão em confronto duas listas, com projectos distintos relativamente aos Bombeiros.
A LISTA A, que corporizamos, é constituída pelos órgãos sociais dos últimos três anos. É, por isso, uma lista de continuidade, ligeiramente renovada, mas que continua a integrar associados com provas dadas nos diferentes sectores da vida económica, social, cultural e associativa do município, e com OBRA FEITA no seio da Associação Humanitária dos BV Fafe, ao longo deste mandato.

Aqui ficam, em breve balanço, algumas linhas-mestras do que fizemos nestes três anos:

- Aprovação do projecto de requalificação e melhoria das condições do quartel (mais de € 600 000), o qual não sofria obras de vulto há décadas. As obras já arrancaram há dias, com as primeiras demolições.
- Enriquecimento do parque automóvel da corporação, com 6 novas viaturas.
- Acréscimo e reforço do equipamento individual dos bombeiros (fardamento, capacetes para fogos florestais e fogos urbanos, entre muitos outros). Continuam a chegar capacetes de protecção que, até Abril, vão contemplar mais de 90 bombeiros.
- Constituição e consolidação da estrutura do Comando (designação do Comandante, Segundo Comandante e três Adjuntos), repondo a normalidade que não havia há três anos.
- Reforço substancial e qualificação da formação dos bombeiros, necessidade há muito sentida. A formação nesta altura, em nada se compara com a que se verificava há 3 anos. O corpo ativo está bem mais qualificado.
- Pela primeira vez na vida da Associação, foi constituída uma equipa de resgate em altura, para eventuais acidentes no parque eólico, entre outros locais.
- Estabilização e consolidação financeira da Associação, em resultado da gestão rigorosa e criteriosa da Direcção ao longo deste mandato. Os pagamentos estão em dia e a situação financeira da associação é desafogada, o que não é comum nas associações congéneres.
- Foram actualizados os estatutos da Associação.
- Foi criada a página da Associação na Internet (http://www.bvfafe.pt/), com milhares de visitas.
- Aumento do número de associados.
- Representação da instituição nos órgãos sociais da Federação de Bombeiros do distrito de Braga, o que há muito não acontecia (um por parte da direção, outro do comando).  

Para os próximos três anos, os órgãos actuais propõem-se continuar a sua acção de valorização, enriquecimento e melhoria da Associação Humanitária, designadamente:

- Concretização das obras de requalificação e melhoria das condições do quartel, que decorrerão ao longo do presente ano.
- Aquisição, após candidatura já aprovada, de um veículo florestal de combate a incêndios (há mais de duas décadas que a corporação não recebia viatura do género).
- Criação de uma escola de formação de bombeiros, em parceria com a Câmara Municipal de Fafe.
- Continuação de um trabalho sério, empenhado e permanente ao serviço dos Bombeiros Voluntários, no sentido de engrandecer a Associação.
- Manutenção do excelente relacionamento com as instituições e autarquias locais, em especial com a Câmara Municipal de Fafe, que muito tem apoiado a corporação.
- Recusa da partidarização e politização dos Bombeiros Voluntários de Fafe, já que entendemos que devem existir condições para a maior tranquilidade, isenção e paz social no âmbito da corporação.
- Criação de condições para que o corpo activo exerça cabalmente as suas funções, a nível técnico e humano, apostando na melhoria das condições operacionais.
- Prosseguir a politica de apetrechamento do parque de viaturas, ao nível médico e de combate aos incêndios, tentando optimizar os apoios do Estado, das autarquias e dos particulares, o que se tem feito até agora.
- Continuação da angariação de novos associados entre a população do município, no sentido de que em todos os fafenses deve haver um associado.
- Manutenção do sector cultural, desportivo e recreativo dos bombeiros, criando condições para a sua consolidação e desenvolvimento.
- Respeitar, ouvir e dialogar com os elementos do corpo activo, nas decisões estruturantes que lhes digam respeito.
- Continuação da política de aproximação dos bombeiros à comunidade, chamando, de igual forma, a comunidade aos bombeiros, com acções de aproximação a partir das escolas e jardins-de-infância.

São apenas algumas das propostas e iniciativas que têm como propósito tornar a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe cada vez maior, melhor apetrechada e melhor formada, para responder com profissionalismo às solicitações dos fafenses, em cada dia que passa.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Maçonaria, manobras de diversão e pornografia política

1. Nos últimos dias, insistentemente, os media têm-se divertido com matérias para entreter o pagode, como convém. Chamar a maçonaria às parangonas, como tem sido feito, até à paranóia, não faz qualquer sentido. A maçonaria, hoje em dia, não faz a mínima mossa, não tem relevância de maior.
Descobriu-se, de súbito, que há uma coisa alarmante chamada maçonaria, que parece corporizar um bando de malfeitores cujo intento é conquistar o aparelho de Estado, ocupar o poder e encher os bolsos. Ora, que se saiba, estas pretensões podem perfeitamente adaptar-se a outras áreas, que não são secretas, nem sequer discretas, e que passam pelos partidos, pelos clubes de interesses, ou pelos lóbis. E porque não pela Opus Dei, da qual parece não haver interesse em falar, mas deverá ser ainda mais assustadora. E a maçonaria, para quem analisar seriamente, está historicamente identificada com os valores da liberdade, da igualdade, da fraternidade, da rectidão, do aperfeiçoamento tendo em vista uma sociedade melhor.
Levantar hoje, a questão da maçonaria é claramente ressuscitar contenciosos que tiveram o seu tempo no Estado Novo (em que foi proibida por Salazar) e que o 25 de Abril ultrapassou. Porque, com a Revolução, os cidadãos adquiriram o direito a professar crenças ou convicções de acordo com a sua consciência e valores, sem que alguém tenha a ver com isso: o Estado, os jornalistas ou os outros cidadãos.
A insistência na questão da maçonaria está a ser claramente uma manobra de diversão e manipulação dos media e dos políticos, para desviar a atenção do que realmente importa.

2. E o que importa é saber quem anda a mentir aos portugueses: se o governo, que passa a vida a anunciar medidas de austeridade às pinguinhas, e nos promete um 2013 já em desaceleração da crise, ou o Banco de Portugal que prevê já para este ano uma recessão ao nível da pior expectativa do executivo e para o próximo ano “mais austeridade, maior recessão e menos emprego”. Alguém anda a ludibriar as expectativas dos cidadãos, permanentemente aturdidos por mensagens em que já não acreditam.
O que interessa é lamentar que um secretário de Estado, no caso o do Emprego, Pedro Silva Martins, tenha autorizado a Soares da Costa a despedir cerca de mil trabalhadores.
Este é que é um assunto desgraçadamente de tomo, não a maçonaria.

3. O que importa é lastimar a discrepância entre as promessas de Pedro Passos Coelho e a realidade da ocupação do aparelho de Estado pelo pessoal político dos partidos do Governo.
Não que essa não seja uma prática normal, e até legítima dos sucessivos governos, mas descredibiliza um político que ainda há menos de um ano afirmava peremptoriamente que, com ele, os lugares do Estado e das empresas participadas seriam ocupados por competências e não por cartões de militantes, ou pelo “amiguismo”. Ora, o que se verifica? Tudo contradiz o que antes se sustentava!...
O que interessa é reiterar a vergonha de uma empresa monopolista, como a EDP, que suga até ao tutano os portugueses, incluir no seu conselho de supervisão apenas “competências políticas”, como os iluminados Eduardo Catroga, Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto, Braga de Macedo e Rocha Vieira, entre outros, com Catroga (o negociador com a tróica por parte do PSD, não se esqueça) a auferir um salário pornográfico de 639 000 euros/ano, a que, presumivelmente, se soma uma pensão mensal a rondar os 10 000 euros. Quando tantos portugueses já passam forme, quando há mais de 750 mil desempregados, quando os portugueses em geral estão a empobrecer rapidamente, não tem um outro nome se não um escândalo o que se está a passar na EDP (que não é tão privada e independente como isso!...).
Catroga é a rosto do escândalo: e ainda tem a supina lata de declarar que, se a lei permitir, acumula o ordenado obsceno com a pensão milionária.
Onde anda o tal Passos Coelho, que prometeu (e não cumpriu) limitar as “pensões douradas”? Muita treta pré-eleitoral, como sempre!...
Para já não falar das nomeações escandalosas para as Águas de Portugal, que são bem o panorama do que é hoje o estado do clientelismo em Portugal!...

4. O que importa, também, é deplorar que grandes accionistas de empresas portuguesas, no caso concreto, a Jerónimo Martins, emigrem as respectivas sedes para a Holanda com o único fito de pagar menos impostos. “Sabe bem pagar tão pouco…”.
Numa altura em que tantos enchem a boca de solidariedade, da necessidade de “união nacional” para enfrentar a crise, de atitudes positivas e patrióticas para avançarmos em frente, não deixa de ser caricato e paradoxal que se teçam aqueles caminhos.

5. O que importa é denunciar a desfaçatez, a falta de sensibilidade e a pesporrência de uma senhora (?) chamada Manuela Ferreira Leite que teve o descaramento de afirmar em público que «quem tem mais de 70 anos e quer fazer hemodiálise tem de pagar». Francamente: nem um coração de pedra diria tal alarvidade. Mas sabendo-se quem afirmou há tempos que era necessário suspender a democracia por meio ano, já nada admira. Só pode ser senilidade!
Estes são assuntos bem mais importantes, candentes e ponderosos que as questões menores da maçonaria e outros amendoins!

6. Por estas e por outras, é que não consigo acreditar, nem um pouco, nesta gente, que se governa e nos desgoverna!
Não consigo confiar neste Portugal, que se lhe há-de fazer?!...

(Texto publicado, com ligeiras alterações, no Povo de Fafe, de sexta-feira, 13 de Janeiro e no Correio do Minho, desta segunda-feira, 16 de Janeiro)