quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Fafe dos Brasileiros: a cidade vai viver um acontecimento cultural memorável em Março próximo!


as palavras são como os dedos,
belas e diferentes
apetece tecê-las das manhãs e do orvalho,
debruá-las do vento e do cais
onde os barcos atracam,
como se fossem os lábios( …)

                       Artur Coimbra
(As palavras e o tempo)

Março é o mês por excelência do renascimento da Natureza, após o frio inverno; o mês da Primavera, da rebentação das árvores, da mulher e da sua uberdade, da poesia e dos seus valores e potencialidades!
Pois em Março, ao longo de duas semanas (9 a 24), a cidade de Fafe vai viver inolvidáveis dias e sucessivos acontecimentos, no âmbito das III Jornadas Literárias, sob o lema maior As palavras e o tempo e o subtema Fafe dos brasileiros.
O que aqui deixamos são alguns informes sobre a grandeza do evento, que está a suscitar o maior entusiasmo das escolas e das populações das freguesias, através das suas juntas e associações, pelo vastíssimo conjunto de realizações e iniciativas que estão previstas, de forma a marcarem em definitivo Fafe como a capital dos brasileiros de torna-viagem!
A iniciativa envolve obviamente o município mas também todas as escolas dos vários graus de ensino e os agrupamentos do concelho, associações culturais da cidade e das freguesias e a maioria das juntas de freguesia. E também os comerciantes locais e os fafenses mais activos. Ao leme deste barco da cultura, como seu grande ideólogo e o mais apaixonado mentor, está o professor Carlos Afonso, grande amigo nosso e deste jornal e mais fafense que muitos que aqui nasceram e viveram!
Ou seja, à partida, estão envolvidas no projecto centenas de pessoas, das freguesias e da cidade, que seguramente vão tornar Março o mês maior da cultura, do turismo e do empreendedorismo local, transformando a cidade na capital da cultura que mais nos interessa: a dos nossos valores e dos nossos afectos!
As III Jornadas Literárias de Fafe são um hino de louvor à cultura fafense, intimamente ligada a um todo nacional. Escolas, Município, Juntas de Freguesia, associações, instituições e pessoas em particular dão as mãos e, mediante as suas disponibilidades, capacidades erguem as suas vontades em torno de uma causa maior.
Esta maravilhosa construção cultural tem todo o sentido e utilidade para a realidade fafense: promove a partilha; alicerça os conhecimentos literários; favorece os valores e o respeito humano; ajuda a revitalizar as raízes; incrementa a criatividade; alumia o engenho; enriquece a alma de um povo; alimenta a esperança; educa e forma as consciências; perspectiva o futuro.
Palavras certas e seguras de Carlos Afonso, de apresentação deste grande evento, que pode sem dúvida alavancar (que palavra tão horrível!) a marca que nos identifica, valoriza e singulariza: Fafe dos Brasileiros!
As Jornadas abrem na noite de 9 de Março, no Pavilhão Multiusos, com o primeiro grande evento cultural, que envolve escolas e instituições, no âmbito de um grande espectáculo com o título «A Volta das Caravelas»:

Ao ritmo certo das caravelas, e envoltos numa dimensão mágica, criativa, literária e histórica, a palavra, a música, a dança, o canto e a encenação surgem em cena determinados a mostrarem a alma de um povo, pintada de mar, terra, ar e fogo.
Nos séculos XV e XVI, por mares nunca dantes navegados, as caravelas portuguesas vogaram ao sabor das marés e do engenho de nautas ousados e com fé. Por ilhas e continentes, o sangue luso espalhou sonhos e vontades, sangue e lágrimas, certezas e palavras. Mas…

“Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.Senhor, falta cumprir-se Portugal!” (Fernando Pessoa)

Seguem-se outros eventos, que têm como objectivo fundamental valorizar o nosso centro histórico:

Fafe dos Brasileiros pretende dar vida ao centro arquitectónico brasileiro de Fafe e a toda uma riqueza de usos e costumes, gastronomia e lendas para, deste modo, realçar o brilho das nascentes que continuam a brotar por todo o concelho. E porque o momento se propicia, o nosso rei Dom Carlos será o convidado de honra.
Ontem tivemos um passado de partidas e regressos. Hoje temos uma marca e um sonho. Amanhã teremos uma farta seara e um momento a comemorar.

Ao longo da semana de 12 a 16, nas várias freguesias do concelho realizam-se eventos culturais relacionados com a temática Fafe dos Brasileiros, a cargo das associações, instituições e juntas de freguesia.
O fim-de-semana de 16 a 18 assume a maior importância e visibilidade para o concelho, assim as condições climatéricas o permitam.
Na noite de sexta-feira, 16 de Março, no Teatro-Cinema tem lugar um evento cultural de recriação histórica intitulado «Com Fafe ninguém Fanfe». Um momento único em que todos os presentes se interligarão com um grande momento de cultura viva, e em que a morte não é obstáculo. Orgulhoso das suas raízes, Dom Fafe, personagem alegórica, recebe um conjunto de individualidades marcantes de todo um período áureo para Fafe: Fafe dos Brasileiros.
Na tarde do dia seguinte, sábado, regista-se a abertura de diversas exposições, recriações em museus e, pela noite dentro, um baile de época no Teatro-Cinema, momento único em que o sonho, o mágico, a música e a dança mostram que o belo e o perfeito são intemporais, desde que o coração dos homens assim o queira.

DOM CARLOS REGRESSA A FAFE, NUM EVENTO MEMORÁVEL
       
No âmbito da recriação de Fafe dos Brasileiros, o domingo 18 de Março promete ficar para a História como o do regresso a Fafe do rei D. Carlos, penúltimo monarca português.
Pela manhã, sons tradicionais pela cidade, pregão a anunciar a vinda do rei, movimento epocal, músicas diversas, montagem das barraquinhas com produtos tradicionais, jogos tradicionais, feira de época, passeio público, foguetes de início de festa, etc.
Ao início da tarde, o povo começa a chegar à cidade: figurantes de época (várias classes sociais), os ilustres fafenses, animais, carros de bois, feira de época, passeio público, brincadeiras de crianças, jogos tradicionais, pequenos ajuntamentos, barraquinhas, pequenos momentos de música popular.
Segue-se, pelas 15h00, a recriação, o mais fiel possível, da vinda do rei D. Carlos a Fafe, com as bandas de música e desfile de carros antigos, cumprimentos às autoridades e ilustres fafenses, na Arcada.
Uma hora depois, o momento alto do dia – o grandioso desfile etnográfico intitulado A Memória e a Alma, associado a um permanente evento cultural promovido pelas freguesias e associações. O percurso integra a rota dos brasileiros e passará em frente ao palanque real, onde estará o rei e as figuras ilustres, preparado par o efeito, e onde decorrerão momentos especiais. Nas varandas e casas dos brasileiros haverá figurantes à época…
Se a primeira semana é dedicada às freguesias e ao associativismo local, a segundo e última, de 19 a 23 de Março, tem como objecto principal as actividades nas escolas, sendo que cada um dos estabelecimentos de ensino define o seu programa, e adapta-o à sua realidade.
No dia 21 de Março, festeja-se, obviamente, o dia da poesia: poesia de rua; concurso de poesia; lançamento da colectânea onde estão incluídos os textos poéticos do concurso de 2011; à noite, no Teatro-Cinema, evento cultural intitulado «Uma aventura no jardim mágico da poesia…», com a participação de escolas, Escola de Bailado e Academia de Música José Atalaya.
Já na recta final das Jornadas Literárias, o dia 22 é reservado ao evento Viver a Escola, no Pavilhão Multiusos. Cada agrupamento apresenta os seus trabalhos e outras iniciativas: oficinas de pintura, de escrita e de música. Música, poesia, encenações, dança. Feira do Livro.
No dia 23, penúltimo dia, realiza-se um evento temático com o título «Era uma vez uma bola…», constando de histórias, jogos tradicionais e muita criatividade, reescritos por uma bola, um lápis, um pincel, um gesto, uma pauta de música.
À noite, o Teatro-Cinema é palco de mais um espectáculo, Acordas & Danças, recriação de baile renascentista. Guitarras, danças e palavras, espelham ambientes da época de quinhentos, pela Escola Bailado de Fafe e Academia de Música José Atalaya.
Finalmente, no último dia, 24 de Março, regista-se, pela tarde, a inauguração do percurso cultural Os Caminhos de Camilo, enquanto à noite o Teatro-Cinema é palco do encerramento das Jornadas, com o espectáculo «As palavras e o tempo», em que será tratada a conhecida obra autobiográfica Alma, de Manuel Alegre.
Muitos e bons momentos culturais, que serão objecto de um programa a divulgar nos próximos tempos!
Fafe vai seguramente viver momentos culturais como nunca viveu!
Voltaremos ao assunto!


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Grande espectáculo de variedades assinalou “requiem” pelo Estúdio Fénix

1. O Estúdio Fénix quase lotou para aquele que foi o seu último espectáculo, promovido e protagonizado pelo Grupo Nun’Álvares que, curiosamente, tinha sido o primeiro a pisar o pequeno palco da altura, depois ampliado.
Ao longo de mais de duas horas, a maior referência cultural associativa da cidade apresentou exibições do Coral Santo Condestável, rábulas de teatro de revista, pelos jovens do Teatro Vitrine, muita e boa música, poesia e até a actuação das meninas (e um menino) da patinagem artística.
Como fio condutor, tivemos um Orlando Alves em grande, na arte como no improviso. E até deu para debitar (por duas vezes) uma bela poesia alusiva ao Estúdio Fénix.
Um excelente espectáculo, animado, divertido, arrancado com grande paixão pelas dezenas de intervenientes, para homenagear aquela que foi durante 25 anos a única sala de espectáculos de Fafe e que o Nun’Álvares quis homenagear na altura em que se anuncia o seu fim. E nada melhor que o hino de Fafe para colocar um ponto final na vida de uma sala que seguramente ficará na memória dos fafenses!”…
Além das palavras amigas e já saudosas dos nunalvaristas, de salientar também as intervenções do actual presidente da direcção dos Bombeiros, Pedro Frazão e do seu antecessor, José Manuel Domingues, para evidenciar a importância da sala para a cultura fafense, mas sobretudo para a corporação.
Um momento em grande, com a valiosa e criativa prata de casa, testemunhado por perto de três centenas de fafenses.
Não se podia desejar mais e melhor neste “requiem” do Fénix: uma bela sala desenhada pelo artista António Santana, com excelente acústica e grande comodidade das cadeiras!


2. Ninguém o recordou, mas não me fica remorso nenhum em relembrá-lo, apesar de ser juiz em causa própria: a vida que durante cerca de 25 anos foi dada ao Estúdio Fénix (até à reabertura do Teatro-Cinema, em Abril de 2009) passou por mim, como programador cultural da autarquia. A imensa maioria dos espectáculos de todo o género que lá foram realizados, da música ao teatro e à dança, da apresentação de obras literárias à organização de conferências, jornadas e colóquios, tiveram a ver com a animação cultural da Câmara Municipal, da qual sou responsável.
Tive o privilégio de ser o “programador principal”, passe a expressão, do Estúdio Fénix, durante mais de duas décadas.
Praticamente todas as semanas, a sala era ocupada com animação promovida ou patrocinada pela autarquia, nas mais diversas áreas artísticas.
Por isso, o Estúdio Fénix me diz muito, como não podia deixar de ser. Foi um pouco a minha casa de fim-de-semana (como agora é o Teatro-Cinema), como responsável pelos espectáculos que lá se realizavam e eram da iniciativa da autarquia.
Claro que foram, na imensa maioria, momentos felizes os que ali se viveram, apesar de algumas contingências logísticas derivadas de uma sala que não estava originalmente destinada a espectáculos. Primeira, seria um ginásio para a corporação; depois, seria uma sala de cinema.
Os momentos felizes ficarão perpetuados na minha memória, como no imaginário colectivo dos fafenses de várias gerações!...
Saudades, Estúdio Fénix!

3. Como tudo na vida, há o nascer, o crescer e o morrer!...
É o que está a suceder ao Estúdio Fénix, inaugurado em Maio de 1984, logo, com 27 anos de existência.
Durante muitos anos, como se sabe, a Câmara Municipal foi apoiando financeiramente os Bombeiros para a utilização da sala, o que aconteceu até 2010.
A partir dessa altura e por muitas saudades e afectos que a sala possa justamente suscitar (e seguramente suscita em todos), impôs-se uma realidade objectiva: não era mais sustentável manter a sala em funcionamento.
O Estúdio estava anquilosado, a necessitar de obras de fundo, computadas em milhares de euros, que os Bombeiros não tinham. E outro dado se impôs: a diminuta utilização da sala. Após a abertura do Teatro-Cinema, o Estúdio Fénix tem meia dúzia de utilizações durante o ano, a maioria gratuitas. Como é possível manter uma sala aberta com tão escassa procura e nenhuma rendibilidade?
Veja-se também a questão de um ponto de vista financeiro. Não era possível manter por mais tempo a sala, porque manifestamente inviável, apesar das memórias e dos “bons momentos” lá vividos pelos fafenses no último quarto de século!…
A questão não pode ser encarada apenas do ponto de vista sentimental. Ninguém vive de recordações!...
A partir de agora, os dados estão lançados, no âmbito do projecto de requalificação do quartel, que está em obra. O Estúdio Fénix “renascerá” numa outra utilização, sempre ao serviço de Fafe e das suas gentes.
A “alma” estará lá; o rosto é que será diferente!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

As Alminhas do Concelho e Arciprestado de Fafe: livro de José Emídio Lopes lançado este domingo em Cepães

Chama-se As Alminhas do Concelho e Arciprestado de Fafe o novo livro de investigação do fafense José Emídio Martins Lopes, editado pelo autor, com o apoio da autarquia.
A interessante obra é apresentada este domingo, 5 de Fevereiro, pelas 15h00, no Salão Paroquial de Cepães, pelo jovem historiador Daniel Bastos.
Com 140 páginas, a obra é dedicada ao pai do autor, companheiro e conselheiro nesta caminhada, pelos vales e serras da nossa terra, na descoberta das alminhas “perdidas”, e inclui uma mensagem do arcipreste de Fafe, Padre Manuel Ferreira e do presidente da Câmara, José Ribeiro.
José Emídio dedica os primeiros capítulos à definição e origem do culto das alminhas, tão arreigado na alma do povo português desde há séculos, falando ainda do culto dos mortos, dos cemitérios e do purgatório.
Profusamente ilustrado e a cores, o livro insere depois a imagem da igreja e das alminhas de cada uma das 37 paróquias do arciprestado: as 36 de Fafe mais a do Rego, a que acrescenta a da capela da Senhora da Guia, em S. Clemente de Basto, nos limites dos concelhos de Fafe e Celorico de Basto.
Uma obra de enorme mérito cultural, de excelente apresentação gráfica e que resulta de imensas horas de investigação do autor, que calcorreou o concelho de lés a lés para inventariar e fotografar esses ícones da religiosidade popular, que são as alminhas.
Um grande abraço de parabéns!
 
Professor, jornalista e escritor, José Emídio Lopes é natural de Cepães, deste concelho, onde nasceu em 1951.
Na sua carreira académica passou pelo Colégio S. José, em Vila do Conde, onde preparou a admissão à escola do Magistério, seguindo a vida de professor primário, obtendo, mais tarde, a licenciatura no Instituto de Estudos Superiores de Fafe.
Exerceu funções docentes nas escolas de Touguinhó (Vila do Conde), Negreiros (Barcelos), Junqueira e Caxinas (Vila do Conde).
Com gosto pelo jornalismo, colaborou nas mais diversas publicações, tais como Notícias de Fafe, Escola Remoçada (Braga), Sentinela do Vouga (Aveiro), Intervenção Cepanense (Fafe), Correio da Junqueira (Vila do Conde), Revistas Aqueduto, Limalha e Rio Ave (Vila do Conde), entre outras. Colaborou nas rádios Vila do Conde e Foz do Ave.
Foi sócio fundador e elemento da direcção da Associação Portuguesa da Imprensa Regional. Participou em congressos jornalísticos nos Açores, Madeira, Macau, Newark (Estados Unidos), entre outros.
Colaborou em diversas actividades da Sociedade de Recreio Cepanense, tendo praticado atletismo e futebol.
Exerceu funções de dirigente desportivo, atleta e orientador, no Centro Desportivo da Junqueira, colectividade de que foi sócio fundador.
Foi distinguido com o galardão “Os Mais 2005”, de Artes e Letras, pelo Povo de Fafe.
Em 2007 a Assembleia de Freguesia de Cepães, atribuiu-lhe por unanimidade, um Voto de Louvor, pelo seu empenho no desenvolvimento cultural da sua terra natal (dinamizou e colocou todo o seu empenho na criação da “Rotinha do Milénio” e da “Rota do Milénio”, na freguesia de Cepães, aquando da celebração dos mil anos da freguesia).
Conta no seu currículo com as publicações como as seguintes: Nas Asas do Sonho (1991), Sociedade de Recreio Cepanense – 75 anos ao serviço da Cultura, Recreio e Cultura (2001), S. Mamede de Cepães – Viagem pelo Tempo (2005), Apontamentos sobre o Centenário da chegada do Comboio a Fafe (2007), 50 Anos de Sacerdócio – Padre Adélio Ferreira da Silva Loureiro, S. Simão da Junqueira, Vila do Conde (2008), Apontamentos sobre Nossa Senhora de Guadalupe – Cepães (2008) e 50 Anos 1959-2009 – Agrupamento 131 de S. Simão da Junqueira – Corpo Nacional de Escutas (2009).

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Áurea ao vivo no Teatro-Cinema de Fafe em 25 de Fevereiro



Sábado, 21h30
Preço: 10 €
Duração: 75’
Classificação: M/4

A jovem estrela da pop, Áurea, actua no Teatro-Cinema de Fafe no dia 25 de Fevereiro, no âmbito da segunda série do projecto “Concertos Íntimos”.
No tarde do dia anterior, em horário a indicar, haverá, como habitualmente, uma “conversa íntima” com os seus admiradores, na Sala Manoel de Oliveira.
Os bilhetes são colocados à venda esta segunda-feira no Posto de Turismo.

Recorde-se que, no passado dia 18 de Novembro 2011, Áurea apresentou o seu álbum de estreia no Coliseu dos Recreios.
Acompanhada pela sua banda habitual e por uma fabulosa orquestra, a cantora desfilou talento, simpatia e sedução pelo palco da mítica sala lisboeta, interpretando temas como Okay Alright, No No No No (I Don't Want Fall In Love With You, Baby), Heading Back Home, o novo single The Only Thing That I Wanted, o sempre irreverente e muito solicitado pelos fãs The Witch Song e o incontornável Busy (For Me), entre muitos outros.
Quem esteve presente neste espetáculo pôde ainda testemunhar momentos mágicos e irrepetíveis como a interpretação do tema Dream a Little Dream of Me (tema da campanha de Natal da TMN), bem como um medley extraordinário da orquestra que levou o Coliseu ao rubro.
No dia 12 de Dezembro 2011, o registo físico (CD/DVD) e digital deste espetáculo único ficou disponível a todos os que quiserem embarcar nesta grande experiência carregada de intensidade, que é assistir a um concerto de Áurea ao vivo. E depois de ver o DVD, não pode de deixar de a ver ao vivo. É uma experiencia única!


Músicos:
Bateria – Miguel Casais
Baixo – Guilherme Marinho
Teclas – Elton Ribeiro
Guitarra – Ricardo Ferreira
Saxofone – Elmano Coelho
Voz – ÁUREA

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

"Três actores à procura de um papel": actores conhecidos vêm ao Teatro-Cinema de Fafe em 18 de Fevereiro

João Cabral, Oceana Basilio, Angelo Torres

Sábado, 21h30
Preço: 5 €
Duração: 80’
Classificação: M/16

A programação do Teatro-Cinema de Fafe integra, na noite de 18 de Fevereiro, a apresentação da peça "Três actores à procura de um papel", representada pelos conhecidos João Cabral, Oceana Basílio e Ângelo Torres
Três actores, que não se conhecem, entram para uma sala para realizarem um casting público. Num primeiro momento, medem-se e estão receosos. Uma voz off explica o jogo e as regras: os atores vão ter de entrar em cinco cenas, onde representam personagens diferentes. As indicações para os personagens estão em envelopes retirados à sorte de um saco. Não podem revelar a sua identidade aos outros. Têm dez minutos para improvisar. Ouve-se um Gong no fim e no princípio de cada representação. Têm cinco minutos para descansar entre cada cena. Nesse tempo começam a cruzar as suas vidas.
Pela primeira vez em Fafe, três actores conhecidos do grande público, do teatro e das telenovelas.

Os bilhetes estão à venda no Posto de Turismo a partir da próxima segunda-feira, 6 de Fevereiro.

Grupo Nun’Álvares “encerra” Estúdio Fénix este sábado à noite com variedades

Obrigado, Fénix, pelos momentos proporcionados” é o título do espetáculo que o Grupo Nun’Álvares leva a efeito este sábado à noite naquela sala instalada no quartel dos Bombeiros Voluntários de Fafe e que assinala o seu encerramento.
A receita reverte a favor dos Bombeiros Voluntários.
O espetáculo final no Estúdio Fénix, que tem o apoio da autarquia, começa às 21h30 e inclui variedades, rábulas teatrais, demonstração de patinagem, declamação de poesia e uma projeção de homenagem àquela sala.
O Grupo Nun’Álvares, que foi o primeiro grupo a pisar o palco do Fénix, com a peça “Médico à força”, de que recriará alguns trechos este sábado, pretende assim homenagear aquele espaço cultural que durante décadas funcionou como única sala de espetáculos da cidade.
O Estúdio Fénix, dotado de 300 lugares e concebido pelo artista António Santana, foi inaugurado solenemente em 26 de Maio de 1984, tendo a Câmara Municipal suportado metade da verba da sua construção, computada em 20 000 contos (100 000 euros).

Notícia da inauguração do Estúdio Fénix (Maio de 1984)
Nessa circunstância, a autarquia ficou com o direito de utilizar a sala durante três dias por semana para o desenvolvimento de atividades culturais.
E o certo é que ao longo de 25 anos, o Estúdio Fénix, como único espaço com condições para o efeito, foi palco de centenas de espetáculos de música, teatro e dança, exibição de cinema, eventos diversos, realizações, seminários, conferências e outras iniciativas.
O primeiro grande espetáculo lá realizado foi com o artista Pedro Barroso, em Março do ano seguinte.
Com a entrada em funcionamento do Teatro-Cinema de Fafe, em 25 de Abril de 2009, o Estúdio Fénix deixou de ter a utilização intensa que vinha tendo, passando a servir para festas escolares e pouco mais. A autarquia cessou também o protocolo de utilização em 2010, pelo que a direcção dos Bombeiros começou a pensar no destino a dar à sala.
No âmbito das obras de requalificação do quartel, que já começaram, o Estúdio Fénix vai ser desmantelado, enquanto sala de espetáculos, já a partir da próxima semana, sendo o espaço reformulado para outro tipo de utilização, designadamente salas de formação.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Relembrando o 31 de Janeiro de 1891: primeiro momento de uma República hoje violentada

Passa hoje mais um aniversário (121 anos) do 31 de Janeiro de 1891, considerado pela historiografia como o primeiro grande momento da luta contra a monarquia e a favor da instauração da República, essa feliz realidade e regime que nos rege, mas que os actuais governantes vilipendiam, autênticos mercenários da História e roubadores do passado colectivo.

Nesse dia, a bandeira republicana esteve hasteada durante algumas horas no coração do Porto, por acção de um punhado de corajosos lutadores que se envergonhariam até ao nojo dos Álvaros, dos Passos e dos Gaspares que em 2012 cuspiriam na memória dos que se sacrificaram em prol de um Portugal mais livre, solidário e independente, ao contrário do vómito em que o transformaram!...

O 31 de Janeiro surge como reacção ao célebre Ultimato inglês de 11 de Janeiro de 1890.

Nesse dia, a Inglaterra enviou ao rei D. Carlos um ultimato: ou os Portugueses desocupavam os territórios situados entre Angola e Moçambique ou o governo inglês declarava guerra a Portugal.

O Governo viu-se obrigado a aceitar o Ultimato, o que provocou manifestações de descontentamento, protestos e greves. Em 14 de Janeiro de 1890, o Partido Republicano Português organizou uma grande manifestação em Lisboa, acusando o rei D. Carlos e o Governo de terem traído os interesses dos Portugueses em África.

É nessa onda de descontentamento que surge o hino militar chamado “A Portuguesa”, exaltando as glórias do passado e incentivando a resistência contra os ingleses. Foi composto pelo músico Alfredo Keil que pediu ao poeta Henrique Lopes de Mendonça que escrevesse uma letra que desse voz à revolta que grassava pelas ruas.

A música começou a ser cantada por todo o lado, nos cafés, nas ruas, nos clubes. Era a música de todos os descontentes. Foi proibida pelo governo, mas continuou a ser cantada às escondidas.

A partir de 1910, passou a ser o hino nacional, até hoje!... Com esta gente que corta ordenados e elimina feriados, será até quando?

Qualquer dia, trocam o hino nacional por qualquer cantiga do Emanuel ou do Tony Carreira. Já esgotei a minha capacidade de surpresa, no último meio ano!...

O movimento revolucionário de 1891, disse um dos seus protagonistas mais conhecidos, João Chagas (futuro chefe de um governo republicano), de que se falará abaixo, pôs “definitivamente a soberania popular em face da velha soberania régia, separando-as completamente e tornando público esse divórcio.” “A revolução do Porto feriu de morte a Monarquia que nunca mais teve um momento de repouso. A partir de então, deixou de haver em Portugal uma forma de governo estável, mas um conflito permanente entre as duas soberanias.”

Relembramos a seguir um texto publicado por Pedro Olavo Simões no JN de 24 de Janeiro de 2010, já lá vão dois anos, no âmbito das comemorações do centenário da República, que naquela altura faziam sentido e cujo amesquinhamento pelos sujeitos que ocupam temporariamente as cadeiras de S. Bento nos faz corar de vergonha.

O autor faz avultar a acção dos sargentos no deflagrar do 31 de Janeiro, uma das datas mais emblemáticas do Portugal Contemporâneo, para quem respeita a História Pátria, o que, desafortunadamente, hoje em dia até parece um pecado!...

 

“Tem por aqui sido dito, e é consabido, que o 31 de Janeiro de 1891 foi, em boa medida, a revolta dos sargentos. "A sargentada do Porto", dizia-se nos círculos republicanos portuenses. Mas são esses homens, movidos por razões de ordem variada, os mais esquecidos.
Além do sargento Abílio de Jesus, cuja memória perdura pelo simbolismo de ter sido o primeiro militar a bradar "Viva a República!" - quem lá estava bem viu -, eram oficiais os militares mais recordados como participantes na revolta republicana portuense - o capitão Leitão, o tenente Coelho, o alferes Malheiro. Mas são sempre os mesmos três, nenhum deles de alta patente. Dos sargentos e das praças pouco se conta.
Nessa classe militar, o descontentamento vinha de longe. Através do jornal "O Sargento", já em 1889 eram publicadas notícias das queixas destes militares, relacionadas, no essencial, com remunerações e com promoções. Mas, no dia 17 de Janeiro de 1891, a gota de água que agitou a já transbordante taça foi a promoção a alferes, pelo Exército, de três aspirantes, quando a lei obrigava a que esses postos fossem destinados a dois aspirantes e um primeiro-sargento. O Governo era liderado, ao tempo, por João Crisóstomo, que foi alvo de duras críticas no referido órgão da classe. "Quando o sr. João Chrysostomo subiu ao poder, nós sabíamos já perfeitamente com o que havíamos de contar. Mas ainda havia no exército quem confiasse n'aquelle senhor", lia-se no artigo, que, mais adiante, assumia um bem maior peso político: "Os campos estão hoje bem delimitados: de um lado a situação que o governo representa, do outro lado o exercito e a nação: de um lado uma soberania falsa com uma força só apparente, do outro lado a soberania nacional com a verdadeira força; de um lado o passado que se fortifica para resistir, do outro lado o futuro que concentra e mobilisa as forças para destruir".
Por essa mesma altura, como relatam João Chagas e o tenente Coelho, em "História da Revolta do Porto" (1901), os sargentos da Invicta emitiam um comunicado muito esclarecedor, igualmente publicado em "O Sargento". "Basta de escarneo, impudentes estadistas. Não brinqueis com o fogo que elle pode incinerar-vos!", escreviam, insistindo no tom ameaçador: "Tomemos as armas nas mãos: e com fé e enthusiasmo saudemos o futuro, que elle minorará a nossa sorte ingrata".
Do papel que os conspiradores civis tiveram, chamando os sargentos para a causa republicana, já por aqui temos falado. A gente de "A Republica Portugueza", com João Chagas à cabeça. Bem como da acção decisiva de Santos Cardoso, o malquisto redactor e proprietário de "A Justiça Portugueza", que promoveu reuniões na sua própria casa, e noutros locais, que ajudaram a impulsionar a revolta.
Naturalmente, a ideia de que a revolta foi uma "sargentada" não faz grande sentido, devido ao forte cunho político imprimido à revolta pelos responsáveis civis. Mas é entendido como certo que foi a adesão dos sargentos, espontânea, convicta e sentida pelos próprios como urgente, que precipitou os acontecimentos de que aqui nos ocupamos.
Estar aqui a enumerar nomes de sargentos – seria fácil, lendo-os nas listas dos conselhos de guerra - de nada serve. Contrariamente aos três oficiais envolvidos na revolta, movidos pela convicção de que a mudança de regime era premente, os sargentos actuaram como um corpo. Muitos teriam ideias republicanas, todos viviam um profundo descontentamento de classe (…).