quarta-feira, 7 de março de 2012

À MULHER, NO SEU DIA - TODOS OS DIAS!


 

Gosto de ti, Mulher
Todos os dias, a todas as horas

Gosto de ti, Mulher-Criança
Na aurora esplendorosa dos dias
Com todo o futuro por haver
Louca página por escrever

Gosto de ti, Jovem Mulher
Na insaciável força da idade
Hino fulgurante ao Amor
À Beleza, à Liberdade

Gosto de ti, Mulher-Mãe
Sinfonia quente do afecto
Catedral da paciência
E da ternura
Guardiã insondável da inocência
E da candura

Gosto de ti, Mulher-Mulher
- Filha, namorada, esposa, mãe-
Mar ou trigo, perfume de flor

Mulher, símbolo da Vida
Deusa do Afecto e do Amor!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Homenagem a Joaquim Vaz Monteiro e António Joaquim Vieira Montenegro



III JORNADAS LITERÁRIAS DE FAFE

Como referimos no post anterior, este domingo as III Jornadas Literárias de Fafe marcaram presença nas freguesias de Monte e de Travassós.
Mais uma vez, a alma do povo ascendeu aos seus píncaros; a memória das gentes deu o seu melhor para homenagear aqueles que mais se salientaram na respectiva freguesia.

1. Em Monte, na sede da Junta de Freguesia, foi homenageado o poeta Joaquim Vaz Monteiro, natural da freguesia (1868), filho de abastados lavradores, e que faleceu em 11 de Março de 1935, com 67 anos. Não tendo concluído o curso no seminário de Braga, veio a assentar praça no Exército, como voluntário, chegando a ser cabo telegrafista. Mais tarde, estabeleceu-se na sua aldeia natal, como comerciante e na qual exerceu diversos cargos, como Juiz da Paz e delegado do Registo Civil. Perfeito homem de bem, de carácter, considerado e estimado, impunha-se pela sua modéstia e simplicidade. Vaz Monteiro era um poeta!
Colaborou com poesia nos diversos periódicos então existentes em Fafe e em municípios limítrofes, sob vários pseudónimos, tendo reunido, em volume, posteriormente, toda essa produção, sob a denominação O Solteirão de Fafe. Vaz Monteiro amava o celibato e daí o título da sua única obra conhecida.
Nos últimos anos da sua vida colaborou dedicadamente em O Desforço e no Almanaque Ilustrado de Fafe, com textos em prosa e em verso.
O poeta das montanhas inspirava-se na natureza, na vida campestre, nas festas e romarias, na vida real que o rodeava.
Dele deixamos aqui um poema de louvor à sua terra, com o título “Fafe Alegre” e que foi escrito em Monte, no ano de 1928:

                               Fafe, povo valoroso
                               E modesto e d’alma sã
                               Encara a rir, bonançoso,
                               Este dia e o d’amanhã.

                               Dá gosto vê-lo andar
                               A regar o prado:
                               Ve-lo-emos a cantar
                               Ou assobiando um fado.

                               Guardando bois e carneiros
                               Cantam pastores ao sol,
                               Canta a água nos ribeiros,
                               Na devesa o rouxinol.

                               Nos serões moças sadias
                               Cantam em noites ‘streladas
                               Canta-se nas romarias,
                               Canta-se nas esfolhadas.

                               Terra de ermidas nos montes,       
                      Muitas grimpas em redor,
                      Muitos riachos e fontes
                      Correm entre as urzes em flor.
                              
                               Campos cheios de boninas,
                               Orlados de salgueirais.
                               Tem matagais nas colinas,
                               Nas coutadas pinheirais.

                               É Fafe ninho d’amores,
                               Com videiras penduradas
                               Com chalés de muitas cores
                               E casas apalaçadas.

                               Povo alegre e sorridente
                               Com ar que inspira franqueza,
                               Quase sempre está contente,
                               Poucas vezes tem tristeza.
        










2. Já em Travassós, na Casa do Povo, foi prestada homenagem a um brasileiro natural da terra, o benemérito António Joaquim Vieira Montenegro.
Montenegro impôs-se no campo da benemerência. Enriqueceu no Rio de Janeiro, como tantos outros fafenses. Naquela cidade brasileira, foi aberto o seu testamento onde, além de outras disposições particulares, legava ao Hospital de Fafe 2:000$000 reis fortes, à Câmara de Fafe 7:000$000, para mandar construir uma casa na freguesia de Travassós, para a escola do sexo masculino e 14:000$00 para a mesma Câmara mandar construir uma casa para asilo de meninas pobres de diferentes freguesias do concelho, sendo a autarquia obrigada a dar a casa pronta dois anos depois de receber o legado. Não sendo cumpridas estas disposições no prazo estabelecido, reverteriam os legados a favor do hospital de Fafe.
Pela sua doação, foi assim construída a Escola Primária Montenegro, em Travassós, bem como o Asilo de Montenegro, na rua que desde o século XIX leva o nome do benemérito, aqui em Fafe. O primeiro regulamento do Asilo de Montenegro, instituído para meninas pobres na Vila de Fafe, data de 28 de Maio de 1877, sendo admitidas, por ordem de prioridade, as meninas órfãs de pai e mãe, “sem pessoa que as ampare”, entre os 4 e os 11 anos, as expostas e as filhas de pais pobres que não podem ser alimentadas nem educadas por estes.
António Joaquim Vieira Montenegro havia falecido em Lisboa em Janeiro de 1874.
Aqui ficam as fotos, uma vez mais, belíssimas, como sempre, do nosso colaborador Manuel Meira Correia.





domingo, 4 de março de 2012

III Jornadas Literárias de Fafe prosseguiram este fim de semana em diversas freguesias


Enquanto não arrancam oficialmente as III Jornadas Literárias de Fafe (09-24 de Março), o que acontecerá esta sexta-feira à noite, com um grandioso espectáculo da dança, música e cor, no Pavilhão Multiusos, vão-se multiplicando pelas freguesias iniciativas que demonstram a paixão com que as populações, as juntas e associações locais vivem e recriam os seus personagens e acontecimentos históricos mais relevantes, no quadro do grande lema “Fafe dos Brasileiros”. O qual assume o objectivo de semear na realidade fafense as sementes e as memórias da alma de um povo.
Há uma semana atrás, os eventos tiveram o seu início em Aboim (em torno de Daniel Pereira Gonçalves) e em Estorãos (Dr. Neca das Leis).
Este fim de semana, os acontecimentos espalharam o seu perfume por quatro palcos do concelho.
Na tarde de sábado, no Centro Educativo de Regadas, foi evocado o Dr. Manuel Monterroso, médico e caricaturista, com uma exposição e momentos de cultura popular. A população acorreu em grande número, para uma manifestação de cultura genuína que durou mais de três horas...
Ainda na tarde de sábado, o Grupo Desportivo e Cultural Leões do Ferro, na cidade, debaixo de arreliadora chuva, fez a recriação da vida no Bairro da Fábrica do Ferro. A vida dos operários que se dirigiam ou saíam da Fábrica do Ferro, as peixeiras, as padeiras, os pregões que entoavam a rua, as crianças que brincavam na calçada e outras memórias dos tempos idos, promovidas por uma das associações mais bairristas e talentosas da cidade.
Aqui ficam algumas imagens das recriações da tarde no mítico Bairro da Fábrica do Ferro, pela máquina fabulosa de Manuel Meira Correia (ele próprio nado e criado na mesma zona).









À noite, na sede dos Leões do Ferro, surgiu a figura histórica do industrial José Ribeiro Vieira de Castro, nascido em 1843 e que em 1886 transformou a velha indústria moageira na moderna Fábrica de Fiação e Tecidos de Fafe, dedicada ao têxtil, que haveria de atingir dois mil operários no seu apogeu, no século XX.
Personificado pelo prof. Azevedo, morador no bairro, José Ribeiro Vieira de Castro falou de si, da sua obra industrial e social e do seu benemérito continuador, Manuel Cardoso Martins.
Um momento excelente, que superou as melhores expectativas e a que tive a honra de estar ligado, como “entrevistador”.



Já no domingo à tarde, a Junta de Monte foi palco da evocação de um grande poeta da freguesia, Joaquim Vaz Monteiro, autor da obra O Solteirão de Fafe, de quem haveremos de falar.
Seguiu-se, na Casa do Povo de Travassós, a evocação do benemérito António Joaquim Vieira Montenegro, com a recriação de tradições e costumes, sobretudo artesanato, palha e agricultura.
Voltaremos ao assunto, com a respectiva reportagem fotográfica.


sábado, 3 de março de 2012

Bilhetes à venda para OS LÁBIOS

Estão já à venda os bilhetes (5 €) para o concerto com a banda portuguesa OS LÁBIOS, no Teatro-Cinema de Fafe, na noite de 10 de Março.
Um grande espectáculo em perspectiva, para apresentação do álbum "morde-me a alma".
Os LÁBIOS são San de Palma (voz principal), Eurico Silvestre (baixo e coros, guitarra e Glockenspiel), Louco (bateria, percussões e coros), Sérgio Franco (guitarra e coros) e Telmo Dias (guitarra e coros, synth e percussões).

Alguns links relevantes sobre a banda:


http://www.youtube.com/watch?v=2G2yhDK62iA – o spot para o evento de apresentação dia 2 de Maio

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

OS LÁBIOS no Teatro-Cinema de Fafe a 10 de Março

Sábado, 21h30
Preço: 5 €
Duração: 75’
Classificação: M/4

A programação de Março do Teatro-Cinema de Fafe é basicamente preenchida pelos espectáculos incluídos nas III Jornadas Literárias de Fafe.
No entanto, há ainda espaço para um espectáculo singular de uma jovem banda portuguesa, que está a dar cartas na música, OS LÁBIOS.
A banda vem ao Teatro-Cinema no sábado, 10 de março, para um espectáculo que terá por base o seu álbum de estreia.

Das canções em inglês para as letras maioritariamente em português, do preto e branco, talvez sépia, de Tarantino para a garridice colorida de Almodovar... mas com a música a soar, ainda e sempre, a uma pop vívida com ganchos no rock'n'roll, na bossa-nova ou até nos blues.
Foi este o caminho que partiu dos Profilers para agora chegar a' OS LÁBIOS.
Em 2011 OS LÁBIOS editam o seu álbum de estreia, com produção de Miguel Ângelo (ex-Delfins), que também canta em dueto com San, a carismática vocalista d' OS LÁBIOS, no tema “Rádio Ligado”.
Outro convidado especial é Sean Riley, que empresta a sua voz a “Bye Bye”.
O álbum, “Morde-me a Alma”, inclui dez composições originais da banda, maioritariamente interpretadas em português, mas ainda com temas cantados em inglês e em francês.
A banda teve uma agenda muito preenchida no Verão que se seguiu, incluindo a Queima das Fitas do Porto, o Festival Expolima e as Festas da Praia, nos Açores.
Deve-se mesmo é assistir aos concertos d' OS LÁBIOS, espectáculos de elevada eficácia e desenvoltura, onde a pop de sabor 80's – mas não só! – encontra o seu espaço natural.

Um espectáculo a não perder para o jovem público fafense!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Áurea ao vivo no Teatro-Cinema de Fafe: as fotos!

Sábado foi noite de magistral actuação ao vivo da jovem artista Áurea, num Teatro-Cinema de Fafe completamente lotado (há três semanas). As canções são do seu primeiro (e até agora único) álbum homónimo, que a catapultou para a fama e para os prémios, nacionais e internacionais.
Loiríssima, voz vibrante, descalça, como é já imagem de marca, para fazer sobressair as tatuagens das pernas, acompanhada por cinco excelentes músicos, protagonizou um brilhante “concerto íntimo” para os espectadores presentes, agradecendo publicamente o magnífico acolhimento que teve na nossa terra!
Os fafenses são, de facto, imensamente hospitaleiros!
Aqui ficam as belíssimas imagens do fotógrafo Manuel Meira Correia, colaborador deste blogue.











Áurea: estupendo concerto e interessante conversa

Áurea, 24 anos, encantou o Teatro-Cinema de Fafe este sábado à noite, num brilhante concerto, em que debitou toda a sua virtuosidade vocal e fez gala da sua graciosidade corporal, como veremos em outro post.
Na tarde de sexta-feira, Áurea conversou com mais de meia centena de jovens (e menos jovens), no Salão Nobre do Teatro-Cinema e passou em revista alguns aspectos da sua vida e da sua carreira.
O nome Áurea é mesmo o seu nome de baptismo, do qual não gostava na infância, tendo pedido aos pais para lho mudar no registo. Depois, foi-se habituando e hoje é o seu “nome de guerra”.
Na infância, ouviu muito fado, de que gosta muito e que canta em reuniões familiares e na roda de amigos. É fã de Mariza, Ana Moura, Amália e tantos outros nomes sonantes do fado, que não é apenas o “choradinho nacional” mas integra outros temas. Disse aos mais jovens que deveriam assistir a espectáculos de fado, porque haveriam de gostar.


Em criança (nasceu em Santiago do Cacém, em 7 de Setembro de 1987 e viveu durante anos em Silves, no Algarve, onde frequentou a escola e ia à praia no Verão em Armação de Pêra), “queria fazer nascer bebés” mas enveredaria pelos estudos teatrais, na Universidade de Évora, que não concluiria, para ser actriz.
O colega Rui Ribeiro ficou encantado com a sua voz e incentivou-a a ir em frente. A enveredar pela música. E antes de chegar ao soul, que a caracteriza, tentou outros géneros musicais, do fado ao reggae.
Fixou-se na soul music e arrancou para a fama com o single Busy (for me), do seu álbum de estreia, Áurea, em Setembro de 2010, que atingiu o primeiro lugar da tabela de vendas em Portugal, pelo qual recebeu o Globo de Ouro de "Melhor Intérprete Individual”, tendo igualmente ganho o prémio MTV Europe Music Awards, na categoria "Best Portuguese Act", em Outubro passado.
Uma rápida ascensão, mas que resulta de muito trabalho a gravar maquetas e a escolher o estilo musical que melhor se coaduna com a sua voz!




Áurea confessou que fica nervosa antes de entrar em palco, como se fora sempre a primeira vez. Quando começa a cantar, o nervoso esvai-se.
Aos jovens deixou alguns conselhos. Um deles tem a ver com o consumo de drogas ou de álcool (a propósito das mortes de Amy Winehouse e de Witney Houston): não experimentem, porque não vale a pena!
Depois, falou das tatuagens e dos piercings.
É público que a cantora tem três tatuagens, uma na perna, uma no pescoço e sete estrelas na mão porque sempre teve uma ligação especial com número sete, e dois piercings, um no nariz e outro no umbigo.
Aos jovens deixou o parecer: façam uma tatuagem se fizer sentido, não porque seja moda ou os amigos já tenham.
Áurea gostaria de fazer um dueto (impossível) com James Brown e de vir a compor as suas canções, o que actualmente não acontece, mas poderá vir a suceder um dia.
Não sabe tocar nenhum instrumento musical, mas gostaria de aprender piano ou guitarra.
O seu trabalho está a internacionalizar-se, o que a deixa muito satisfeita.
Ao longo de mais de uma hora, Áurea espalhou simpatia, convicções, conselhos e um grande à vontade, ela que se considera tímida. Não parece. Não é, de certeza, como se viu no espectáculo de sábado!
Fotos de Manuel Meira Correia. Como sempre!