terça-feira, 5 de junho de 2012

XXI Encontro dos Antigos Alunos, Professores e Funcionários da Escola Industrial e Comercial de Fafe


Intervenção da presidente da direcção, Aurora Barros
O XXI Encontro dos antigos alunos, professores e funcionários da Escola Industrial e Comercial de Fafe realizou-se este sábado em Fafe, numa organização da AAPAEIF – Associação dos Antigos Professores, Funcionários e Alunos daquele antigo estabelecimento de ensino, que precedeu a Escola Secundária e que funcionou entre os anos de 1959 e 1974.
Foram cerca de oito dezenas os participantes neste encontro, que teve a concentração na Casa Municipal de Cultura, onde funcionou a antiga Escola Industrial e Comercial, em cujo auditório foi feita a apresentação minuciosa da interessante revista Labor et Virtus nº 7, pelo historiador Artur Coimbra, sócio benemérito da associação.
São testemunhos, textos, poemas, fotografias, pedaços da vida individual e colectiva dos antigos alunos e professores da mítica escola.
Na ocasião, interveio ainda o vereador da cultura e desporto Pompeu Martins, para elogiar a actividade da AAPAEIF no contexto cultural da cidade e garantir a resolução da pretensão do monumento a perpetuar a antiga Escola Industrial e Comercial, conforme a direcção da AAPAEIF reivindica há anos.

O vereador Pompeu Martins no uso da palavra
A artista plástica Fernanda Aguiar ofereceu uma belíssima pintura, que acabaria por reverter para o espólio da associação, pois, calhando à noite ao associado Joaquim Lima, ele decidiu doá-la à AAPAEIF.
Na altura, foram homenageados todos os intervenientes, actores e colaboradores no espectáculo da “Gata Borralheira” com que a associação participou nas III Jornadas Literárias, na noite de 17 de Março.
Seguiu-se a realização da Assembleia-geral ordinária da AAPAEIF, durante a qual foram eleitos e tomaram posse os órgãos sociais para o biénio 2012-2014 e foi aprovado o plano e orçamento para o próximo ano.
Aspecto da mesa da Assembleia-geral, presidida por Manoel Lopes
Terminada a Assembleia-geral, os associados dirigiram-se para as salas de exposições onde se encontra patente até 8 de Junho uma excelente exposição de pintura de Fernanda Aguiar, muito apreciada pelos presentes.
Visita à exposição de pintura de Fernanda Aguiar
A meio da tarde, realizou-se na Igreja Nova de S. José uma missa em sufrágio dos professores, alunos e funcionários falecidos.
O encontro concluiu com um jantar convívio, animado pelo grupo de música popular “Castiços de Regadas”. No seu decurso, foram homenageados os antigos alunos Maria Alice Cardoso Peixoto e José Oliveira Silva, a quem foram atribuídos Diplomas de Fundador (ano lectivo 1959/1960), enquanto a José Manuel Costa e a Francisco Assis Vaz Nogueira, foram atribuídos Diplomas de Fundador da Escola Nocturna (ano lectivo 1963-1964).
Nas cerimónias participou, como tem feito nos últimos anos, o primeiro director da Escola Industrial e Comercial (1959-1961), Manoel Lopes, sócio nº 127 e presidente da Assembleia-geral da AAPAEIF e que continua com grande vitalidade, apesar da já sua provecta idade.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Deixemos a “Justiça” em paz!

A Câmara Municipal de Fafe promoveu, esta quarta-feira à noite, a apresentação pública das propostas para a eventual deslocalização do monumento à Justiça de Fafe, bem como da revisão do projecto do Parque da Cidade, que carece de mais e mais espaços verdes.
Quanto à primeira das questões, a que aqui me interessa, o que está em equação é saber se a estátua deve manter-se nas traseiras do Palácio da Justiça, onde se encontra implantada desde 1981, ou se deve ser deslocada para o topo da Rua António Saldanha (Arcada) do lado do Jardim.
Já ouvi e li as mais díspares opiniões. Todas naturalmente legítimas, respeitáveis e admissíveis. Que o monumento deve manter-se no mesmo local, que nesta altura de crise não se justifica andar a inventar obras supérfluas; que deveria ser transferido para a Arcada; que deveria ser deslocado para a rotunda do “Mário da Louça” ou até para a rotunda da auto-estrada. De tudo um pouco se tem lido e ouvido, nas conversas de café e nos encontros de rua.
Sobre esta questão, e na minha indeclinável qualidade de cidadão, gostaria de deixar também a minha opinião nesta coluna semanal, lamentando não poder ter estado na sessão da autarquia há dois dias atrás.
Faço-o por este meio. Tem o valor que tem. Vale o que vale.
A minha posição coincide, em parte, com a expendida pelo amigo Carlos Rui Abreu, no editorial no Notícias de Fafe da semana passada.
Um monumento, por princípio, não deve ser descontextualizado. É dos livros e da História. Quem o concebeu, executou e implantou deve ser respeitado. No caso concreto, a comissão que há mais de três décadas erigiu o monumento à Justiça de Fafe deve merecer o apreço dos contemporâneos. Porque, publicamente, não se conhecem motivos ponderosos para deslocalizar a estátua, a não ser que se queira alargar o parque de estacionamento do tribunal, numa altura em que este está a perder valências. Logo, não é por aí.
Na minha modesta opinião, o monumento à Justiça de Fafe deve manter-se exactamente no mesmo local onde se encontra implantado.
O espaço envolvente deve ser valorizado e requalificado, abolindo ou minimizando o estacionamento e melhorando as acessibilidades, com uma escadaria e uma rampa de acesso ao monumento, a partir da passadeira frontal aos Correios. Concordo que deve ser devidamente iluminado e destacado, para que ganhe a dignidade e a visibilidade que lhe tem faltado.
Discordo em absoluto da intenção de “trazer a estátua para baixo, próximo da cota da rua”.
Não faz qualquer sentido. Tem é que se criar condições para que os cidadãos e os turistas se desloquem ao monumento para o fruir, e não fazer descer o monumento para o nível da rua.
Qualquer dia, nesta lógica, e porque não tem visibilidade da zona da rotunda do “Mário da Louça”, deslocalizamos o Jardim do Calvário para o centro da Praça 25 de Abril. Em Guimarães, como a Penha não se vê do Toural, planta-se ali mesmo, no coração da Cidade-Berço. Não faz o mínimo sentido!
Para mim, não há qualquer outra solução. Muito menos a da deslocação do monumento para a Arcada, alegadamente para “melhorar a interacção” da estátua com o público. Mas que “interacção” pode haver com uma imagem agressiva, belicosa, combativa?
O monumento não ganha nada em sair do local onde se encontra e Fafe não ganha, na minha perspectiva, em colocar o monumento da Justiça de Fafe em outro local.
Hemos de convir, doa a quem doer, que a “Justiça” não é um símbolo consensual na sociedade fafense e que, no fim de contas, não abona grandemente a dignidade identitária dos fafenses, apesar de, fora de Fafe, e mesmo em Fafe, ser um dos ícones por que somos reconhecidos e distinguidos. Mas, por mim, duvido que o simbolismo da Justiça nos nossos dias seja positivo e a justificação está em que, no dia-a-dia, quando, na imprensa ou na política, se fala da “Justiça de Fafe” se fale por boas razões. Quando se fala do assunto é para se aludir a “fazer justiça pelas próprias mãos”, à revelia da legalidade constitucional que tece o Estado Democrático.
Não me amofino nada que me chamem “intelectual” por não ir muito à bola com a “Justiça de Fafe”, embora respeite quem adore este costume. É uma tradição como outra qualquer, embora mais conhecida que outras. Não me parece que seja a que mais dignifica as gentes e o município de Fafe.
Por isso, não entendo a necessidade de estar a mexer no monumento e muito menos a deslocá-lo, alegando a sua escassa “visibilidade”. É a minha modesta opinião, claro! Que vale o que vale. Mas vale tanto, certamente, como as outras!
PS – Por falar de “invisibilidade”, desafio os leitores a adivinharem onde se localiza o “Monumento ao Músico” e que existe na cidade de Fafe há muitos anos, para homenagear as afamadas filarmónicas locais, que são as melhores do país. Procurem-no…E as bandas de música são valores francamente positivos da cultura e da identidade locais, sem qualquer dúvida!

("Escrita em Dia", in Povo de Fafe, 01.06.2012)


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Jardim de infância Montelongo comemorou Festa da Família


Com um interessante espectáculo que lotou por completo o Teatro-Cinema de Fafe, na tarde deste domingo, o Jardim-de-infância Montelongo voltou a comemorar brilhantemente a Festa da Família.
Tradicional no mês de Maio, o evento costumava realizar-se no Estúdio Fénix mas dada a conhecida inoperacionalidade da sala, por motivo de obras, a instituição teve de procurar alternativa e ela não poderia ter sido mais feliz, como todos puderam testemunhar e concluir.
Esta festa é especialmente dedicada às crianças e às famílias que escolheram o Jardim-de-infância Montelongo, como o local apropriado para a educação dos seus filhos.
Durante perto de duas horas, evoluíram pelo palco do Teatro-Cinema as crianças da instituição, os pais, as avós e o pessoal da instituição.
O espectáculo foi aberto por todas as crianças da instituição, apresentando três músicas: uma dedicada à família, outra aos pais e outra às mães.
Depois, separadamente, actuaram as crianças dos 3, dos 4 e dos 5 anos, com vistosas danças infantis. As crianças dos 5 anos também cantaram um tema em inglês, com a “teacher” Cristiana.
Depois, actuaram os pais, que foram sobretudo as mães, numa rapsódia cantada, acompanhadas pelos filhos, passando em revista, de forma divertida, ícones infantis como o Tom Sawyer, a Abelha Maia, o Topogigio e o Vitinho, entre outros.
Os presentes assistiram depois a um belo momento de bailado, apresentado por várias crianças, que frequentam a Escola Bailado de Fafe, sob a direcção de Alexandra Fonseca.
Na recta final, as avós, com o rosto dos netos estampados nas t-shirts brancas, atreveram-se a dançar uma música do Avô Cantigas, cujo tema é “Gosto de ti”.
A seguir, as educadoras e auxiliares do Jardim-de-infância protagonizaram a dramatização e dança educativa em torno do tema “Os sete cabritinhos”.
Finalmente, todas as crianças e pessoal da instituição subiram ao palco para cantar o Hino do Jardim de Infância, com o que encerrou a bela Festa da Família, que teve ainda palavras de agradecimento aos vários intervenientes e apoiantes por parte da presidente da direcção, Arminda Coimbra.  

Fotos de Jorge Oliveira

terça-feira, 29 de maio de 2012

Clã aterraram em Fafe com um esplêndido “Disco Voador”

O Teatro-Cinema voltou a lotar por completo, este sábado à noite, para ouvir uma das bandas mais emblemáticas da música portuguesa. Os Clã, de Manuela Azevedo, que há 20 anos se mantêm na estrada para levar bem alto a criatividade da melhor música que se faz neste país.
“Disco Voador” é o seu disco mais recente, aparentemente com letras (de Regina Guimarães) voltadas para um público de “supernovos” mas cuja música tem a marca identitária da banda. É um disco excelente para todo o tipo de público e por isso agradou a toda a gente.
O espectáculo, para lá da fantástica qualidade musical e letrística da banda e da voz vibrante da Manuela Azevedo, valeu também pelos espantosos cenários que acompanharam a performance dos músicos.
Tudo concorreu, assim, para uma noite de magia que deixou marcas na memória dos espectadores de todas as idades que tiveram o privilégio de assistir ao esplendoroso concerto.
No final, muitas crianças e jovens obtiveram autógrafos e tiraram fotos com todos os elementos da banda, que prodigalizaram a maior simpatia, para miúdos e graúdos.
Aqui ficam algumas fotos de mais uma noite memorável passada no Teatro-Cinema de Fafe, da lavra do nosso amigo e colaborador Manuel Meira Correia!






Uma foto para a posteridade, com a simpática e divertida banda!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Fafenses nas rotas de Aquilino Ribeiro

Comitiva frente à Igreja Românica de Sernancelhe
Cerca de meia centena de fafenses, de diversas proveniências sociais e culturais, responderam ao amável convite do amigo Carlos Afonso para um passeio cultural pelas “terras do Demo”, ou seja, uma viagem pelo percurso da vida e obra do notável e resistente escritor Aquilino Ribeiro (1885-1963), infelizmente hoje esquecido e quase ignorado, autor de obras imortais como O Malhadinhas, Cinco Reis de Gente, Andam Faunos pelos Bosques, A Via Sinuosa, Jardim das Tormentas, A Casa Grande de Romarigães e Quando os Lobos Uivam, entre muitas outras (publicou mais de sete dezenas de livros). A iniciativa tem também o apoio do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, tendo alguns associados integrado a comitiva.
Partimos pelas 7h00 da manhã deste sábado, 26 de Maio, em Fafe chovia, mas na alma ecoavam as palavras sábias de Aquilino, escritas em 1952:

Eu sou um artista rude, filho da minha terra. Nasce-se com berço às costas como uma geba. A Beira Alta não tem símile no Mundo. Em poucas dezenas de quilómetros reproduz-se a terra toda: amenidade e braveza, a colina e o vale, a civilização e a selvajaria.

Ainda parámos na área de serviço do Alvão, mas o destino era mesmo Carregal, a aldeia do concelho de Sernancelhe, onde nasceu Aquilino Ribeiro, em 13 de Setembro de 1885. Aqui estamos a meio da manhã, em plena Beira Alta, neste concelho, com 222 km2, e apenas 17 freguesias e 6 000 habitantes.
O Carlos Afonso vai dando dicas sobre o que vamos encontrar e o Augusto Lemos, na sua lendária sabedoria, sintoniza-nos sobre a vida e obra de Aquilino, lendo excertos de obras conhecidas de um autor hoje quase desconhecido. Injustamente desconhecido e ignorado. Sinal dos tempos estúpidos e ignorantes, que são estes de liberalismos, troikas e outras imbecilidades educacionais. De agora e dos últimos anos.
Ah, “Terras do Demo”, explica proficientemente Augusto Lemos: compreende os municípios de Sernancelhe, Moimenta da Beira e Vila Nova de Paiva, ligados umbilicalmente à vida e obra de Aquilino.
Em Carregal visitámos então a casa onde nasceu Aquilino Ribeiro.
Casa onde nasceu Aquilino Ribeiro, em Carregal, Sernancelhe

Foto: Fernando Gomes

Visitámos depois o Santuário de Nossa Senhora da Lapa (séc. XVI-XVII) e o Colégio anexo, onde Aquilino estudou, no quarto nº 33, e em cuja janela se inspirou durante anos para a factura dos seus primeiros romances.
  
O cronista à porta do quarto nº 33 onde estudou Aquilino (Foto: Fernando Gomes)
No santuário, os presentes ouviram falar da lenda da Senhora da Lapa (a original, e de que irradiaram as várias Senhoras da Lapa, em Portugal e no estrangeiro), que vem do século XV e das interessantes cenas bíblicas que se encontram no seu interior.

Colégio da Lapa, onde estudou Aquilino
Visitou-se depois o pelourinho e o Museu do Santuário, onde se encontra uma belíssima colecção de ex-votos.
Foto: Fernando Gomes
 Após o almoço típico, com cabrito assado e cozido à terras do demo, participámos na conferência “Cinco Reis de Gente – a infância no Carregal”, por Paulo Neto, director da revista literária do município de Sernancelhe Aquilino, na Biblioteca Municipal. Soberba, simplesmente, a passar em revista as primeiras fases da vida de Aquilino, perante uma plateia interessada, onde pontificavam convidados de Fafe mas também naturais de Sernancelhe e as próprias autoridades locais (Presidente da autarquia, vereadores e técnicos municipais)! Ao vereador da cultura, deixámos um conjunto de publicações de Fafe para a Biblioteca Municipal da acolhedora Vila!


Acabámos ainda por visitar, já ao final da tarde, a belíssima Igreja Românica de Sernancelhe, do século XII, que é a igreja paroquial da vila, com extraordinários motivos artísticos de interesse a nível de pintura e escultura, numa visita guiada pelo simpático arcipreste Cândido Azevedo, que tem o seu nome ligado ao museu anexo, que visitámos em último lugar, com antigas pedras tumulares e riquíssimas alfaias religiosas.
Igreja Românica de Sernancelhe

Museu Paroquial Padre Cândido

Ao final da tarde, dissemos adeus à terra natal de Aquilino Ribeiro, na véspera do dia em que passavam 49 anos do inesperado falecimento daquele que foi um das maiores escritores do século XX português (ele deixou a vida física em 27 de Maio de 1963)...
Deixámos as Beiras, da castanha, da penedia, da cereja, para regressarmos ao Minho, que nos encanta a alma de verde, de calor e de festa!
Uma excelente visita organizada pelo Carlos Afonso, que se segue a anteriores passeios culturais dedicados a Camilo, Torga e Trindade Coelho, e nos quais tivemos o privilégio de participar. 

domingo, 27 de maio de 2012

Manuela Azevedo (Clã) encantou alunos da Escola EB2,3 de Arões

Antecedendo o extraordinário concerto dos Clã, na noite deste sábado, no Teatro-Cinema de Fafe e de que apresentaremos imagens num post daqui a algumas horas, a cantora Manuela Azevedo deslocou-se à sala 6 da Escola EB2,3 de Arões onde contactou, sucessivamente, com duas turmas de jovens alunos, acompanhada pelo guitarrista e vocalista Hélder Gonçalves.
O que se pode afirmar é que a cantora foi de uma simpatia e de uma simplicidade cativantes, descendo a uma cumplicidade ternurenta com os jovens, colocando-os à vontade e disponibilizando-se para responder a todas as suas perguntas.

Aludiu, assim, à razão do surgimento do álbum (e do projecto) “Disco Voador”, que foi o que trouxe o grupo a Fafe no sábado e a levou a Arões na sexta: responder ao tremendo desafio de construir um disco para gente inteligente como são os “supernovos”, ou seja, preencher um vazio existente no panorama musical ao nível da música para uma faixa etária muitíssimo exigente. A aposta foi testada e conseguida. Como se viu, de resto, em Arões, em que os miúdos deliraram com as músicas que foram cantadas e seguidas, primeiro timidamente, depois, mais efusivamente. No segundo turno, chegaram mesmo a adaptar um dos temas dos Clã, com uma divertida letra.




Foi, na verdade, um momento único na vida de mais três dezenas de alunos que, por certo, nunca mais na vida esquecerão que, numa bela tarde de 25 de Maio de 2012, tiveram o privilégio de ter a líder dos Clã ali na sala de aula, à sua frente, a falar e a cantar para si, em exclusivo. Que inveja tiveram os outros colegas dessa mesma escola. E todos os outros, de todas as outras escolas, por certo!...
Uma simpatia, a Manuela e o Hélder!...

Fotos: Manuel Meira Correia!


Celina Tavares em fantástico espectáculo na Casa da Cultura de Fafe


As fotos não são grande coisa (a máquina do fraco repórter - eu próprio - não deu para mais), mas o concerto de Celina Tavares esta quinta-feira à noite, sob o título genérico Voz em Branco, na Casa Municipal de Cultura de Fafe, foi qualquer coisa de fantástico.
Com um auditório praticamente cheio de amigos e admiradores de uma voz que vem das fímbrias da alma e provém, cristalina e matinal, de onde os rios nascem, Celina Tavares fez questão de “celebrar o cantar em português”, com temas seus a musicar poemas de Fernando Pessoa, José Rui Rocha, Machado de Assis ou Florbela Espanca, entre outros poetas, mas também a interpretar Chico Buarque ou Zeca Afonso. E, como excepção, uma ou outra incursão pela música de expressão francesa de Jacques Brel (dedicada a Francisco Oliveira, ali presente) ou americana (“get happy”, para dar mais alegria ao momento).
No fundo, viagens interiores, histórias, memórias, lembranças do mar e tantas outras andanças “em branco” ou em outras “vozes”.
A uma excelente voz, justamente reconhecida por quem a tem ouvido em diferentes circunstâncias e a merecer a divulgação mais ampla em CD, juntou-se na verdade um espantoso naipe de músicos de elevado gabarito e virtuosidade. Os seus nomes: piano, arranjos e orquestração: José Miguel Costa; guitarra portuguesa: Pedro Santos; acordeão: Cristiano Martins; contrabaixo: Francisco Silva e bateria e percussão: Mário Gonçalves.
Foi o primeiro espectáculo da Kairos – Produções Culturais, sob o título “outros palcos”, destinado a levar eventos nos próximos meses (teatro, dança, cinema) a espaços culturais mais intimistas, neste caso, o espaço da Casa da Cultura.
Estão de parabéns a Celina Tavares e a Kairos por esta fabulosa noite cultural que proporcionaram aos que tiveram o privilégio de a ela assistir, esta quinta-feira à noite. Quem lá não esteve, não sabe o que perdeu!