quarta-feira, 13 de junho de 2012

Primeira exposição individual de Miguel Vasconcelos abre sexta-feira em Fafe

Sob o título “84 CABEÇAS”, abre ao público esta sexta-feira, 15 de Junho, às 21h30, a primeira exposição individual do fafense Miguel Vasconcelos na Galeria Municipal de Fafe (Casa Municipal de Cultura), com uma série de trabalhos realizados entre 2009 e 2012.
A exposição vai manter-se patente ao público até 29 de Junho, no horário habitual.
Nascido em 1967, Miguel Vasconcelos possui a licenciatura em Artes/Desenho pela Escola Superior Artística do Porto (Guimarães), em 2009 e participou já em dezenas de exposições colectivas.
Participou em projecções várias e ilustrou obras literárias. Obteve prémios em fotografia e pintura (2010, 2011 e 2012).
Sobre esta exposição, escreve o artista: “Os trabalhos têm como ponto de partida a pesquisa e recolha de imagens de rostos.
Rostos desenhados por mim ou através da apropriação de imagens em jornais, revistas, internet, televisão ou ainda fotografias de gente anónima.
Estas imagens são fotocopiadas e intervencionadas plasticamente através do uso de vários meios tecnológicos, criando outras imagens que emergem “do outro lado”, que nos surgem como que por acaso.
Há um espaço de contemplação simultânea, uma vez que o espectador parece, ao olhar estes retratos, ser contemplado por um ou uma miríade de olhares dessas mesmas imagens que surgem quase fantasmagoricamente como que de um outro lado, como que de o acaso.
As imagens, não narrativas, pretendem ser isso mesmo, imagens silenciosas que provoquem no seu todo uma aproximação entre o pensamento e o resultado plástico”.

FINALISTAS DA ESAP NA BIBLIOTECA MUNICIPAL
Abre esta sexta-feira, 15 de Junho, pelas 16h30, na Biblioteca Municipal de Fafe, uma Exposição Colectiva de B.D./Ilustração, da autoria de Carlos Pereira, Cristiano Freitas, Jorge Pereira, Ivo Ferreira, Ivo Gonçalves, Margarete Sousa e Nuno Fonseca, alunos finalistas da Escola Superior Artística do Porto (ESAP).
A exposição vai manter-se parente até 29 do corrente, no horário de funcionamento da Biblioteca, ou seja, de segunda a sexta-feira, entre as 9h00 e as 17h30 e ao sábado das 10h00 às 13h00.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Moonspell apresentam "Alpha Noir/Omega White" em Fafe a 22 de Junho

Depois de regressarem de uma digressão europeia que incluiu países como a Alemanha, Polónia, Áustria, Croácia, Eslováquia, Holanda, Bélgica e Suíça, os Moonspell preparam-se para apresentar o seu novo álbum, "Alpha Noir/Omega White", em Fafe, no próximo dia 22 de Junho.
O espectáculo realiza-se no Pavilhão Multiusos de Fafe, a partir das 22h00, integrado no programa Justice Fafe Fest – Música com Causas”, promovido pelo município e nele a banda de Fernando Ribeiro vai mostrar toda a pujança da sua herança de 20 anos de carreira e a força da sua criatividade actual, pretendendo proporcionar aos seus fãs uma noite absolutamente inesquecível. Lembremos que é dos poucos espectáculos que estão previstos para os próximos tempos em Portugal.
O disco “Alpha Noir/Omega White" foi editado em mais de 50 países e encontra-se nos tops de vendas da Alemanha e da Finlândia. Em Portugal, está no segundo lugar no Top Fnac.
Os bilhetes, ao preço único de 10 euros, encontram-se à venda no Posto de Turismo de Fafe e em Ticketline.pt. No dia do espectáculo, estarão à venda no Pavilhão Multiusos. Aceitam-se reservas pelo endereço eletrónico alien@mail.telepac.pt.
O programa Justice Fafe Fest – Música com Causas”, que começou com a actuação dos Santos e Pecadores, em 31 de Março, termina com os Fingertips  em 28 de Setembro.
Em todos os casos, após o concerto, o Pavilhão Multiusos transforma-se num grande salão de festas para dar lugar a um espectáculo com DJ’s convidados, promovendo o convívio entre os participantes.
De referir que a Câmara decidiu oferecer a todos os alunos do 11º e 12º ano do ensino secundário (Escola Secundária e Escola Profissional) um ingresso, a sortear para um dos concertos do Multiusos. Ao que se sabe, poucos aproveitaram. É o costume...

Festival de Bandas Emergentes prossegue esta sexta-feira em Revelhe

Entretanto, no âmbito do programa “Justice Fafe Fest ”, realiza-se esta sexta-feira, 15 de Junho, a segunda edição do Festival de Bandas Emergentes, voltado para o público jovem, no pavilhão da Escola EB2,3 Padre Joaquim Flores, em Revelhe.
A partir das 22h00, atuam as bandas Dynamite (Guimarães), The Pende (Fafe) e Dusk at the Mansion (Lisboa), seguindo-se a atuação de DJ.
Esta segunda vertente do programa, consiste na organização nas freguesias de Arões, Revelhe e Silvares do Festival de Bandas Emergentes, visando, por um lado, a descentralização das atividades culturais e possibilitando, por outro, aos alunos das Escolas EB2,3 onde se realizam tomarem contacto com os músicos e técnicos dos concertos para conhecimento das suas carreiras, e poderem assistir ao trabalho de  bastidores dos espetáculos.
Escola EB2,3 Padre Joaquim Flores (Revelhe)
As escolas que acolhem o "Justice Fafe Fest” recebem oficinas, com temas de interesse para docentes e alunos. São na quinta-feira, ao longo do dia.
Em 20 de Abril, realizou-se na EB2,3 de Arões a primeira edição do festival, com a participação das bandas Muzzle (Fafe), Tulipa (VN Gaia) e Darwin Hipnoise (Vila Franca de Xira).
Fica ainda a faltar a terceira ronda deste programa, que acontecerá em 12 de Outubro, na Escola EB2,3 de Silvares, local onde actuarão as bandas La Suite Bizarre (Sevilha, Espanha), Progeto Aparte (Fafe) e Guitarra (Ayamonte, Espanha).
Nos concertos do Festival de Bandas Emergentes, o preço de entrada é de apenas 2€, revertendo a receita a favor dos Bombeiros Voluntários de Fafe, bem como parte da receita de consumo nos bares de apoio.

domingo, 10 de junho de 2012

Escola Carlos Teixeira esteve em festa e homenageou Miguel Monteiro

O Agrupamento de Escolas Professor Carlos Teixeira promoveu uma festa de final de ano lectivo na noite da passada sexta-feira, 8 de Junho, que serviu para apresentação do livro Em defesa do património – homenagem a Miguel Monteiro.
Ao longo da noite, a figura do inesquecível professor, dinamizador cultural e investigador da emigração para o Brasil perpassou pelo espaço exterior da Escola Carlos Teixeira, perante a presença de inúmeros amigos, colegas e alunos de Miguel Monteiro.
A recepção aos convidados foi feita ao som dos bombos de Armil, falando a seguir o director, José Pedro Ribeiro.
Os alunos do 2º ciclo entoaram depois o hino das III Jornadas Literárias, registando-se ainda a dança das fitas, o teatro “O Pinheiro aventureiro”, o samba, declamação de poemas e danças de salão.
Finalmente, foram entregues diplomas a quatro turmas finalistas do 4º ano do Escola Carlos Teixeira.
Em defesa do património – homenagem a Miguel Monteiro integra basicamente um conjunto de depoimentos da mesa redonda “Miguel Monteiro/Fafe dos Brasileiros”, realizada em Março no âmbito das III Jornadas Literárias de Fafe. Inclui a biografia de Miguel Monteiro e depoimento de José Carlos Pereira Gonçalves, Cristina Alves, Maria José Andrade, António Marques Mendes, Daniel Bastos, Artur Leite, Antero Barbosa, Paulo Teixeira, José Ribeiro, Vitorino Costa, Isabel Alves, Luís Roque, Isabel Pinto Bastos e Benedita Stingl.
Uma festa encantadora e um livro de grande interesse a sublinhar uma personalidade que marcou a cultura e a historiografia de Fafe, e sobretudo os estudos sobre a emigração para o Brasil.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Feriado do Corpo de Deus: por miopia política vai acabar

O feriado do Corpo de Deus foi o último comemorado neste dia. Nos próximos cinco anos, pelo menos, será evocado no domingo seguinte, alegadamente em nome da crise. O acordo entre o Governo e a Igreja assim o ditou e poderá mesmo traduzir-se no fim deste feriado.
Só a miopia política de um governo ignorante e sem qualquer cultura histórica e religiosa e a posição rastejante da Igreja Portuguesa, em geral, com a saudável excepção de D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, conduzem ao triste epílogo da anulação de um “dia santo” que tem já sete séculos e meio de vigência.
Só a atitude mercantilista e economicista, no pior sentido, deste governo, sem alma e sem patriotismo, se traduz na diminuição (a partir de 2013) dos dois feriados religiosos (Corpo de Deus e Dia de Todos os Santos) e dois feriados civis (Proclamação da República e Restauração da Independência), que nada resolvem em termos económicos e financeiros. A produtividade não se resolve assim. O que o governo pretende é escravizar ainda mais os trabalhadores, fazendo-os trabalhar mais por igual (ou ainda menos) dinheiro. Mas é evidente que os portugueses saberão, na altura devida, dar a conveniente resposta que Passos, Relvas e comandita merecem!... Obviamente!...
Retomando o fio à meada…
Desde o século XII, quase não há em Portugal cidade ou lugar que prescindam da celebração da festa do Corpo de Deus, invocadora do "triunfo do amor de Cristo pelo Santíssimo Sacramento da Eucaristia".
A solenidade do "Corpo de Deus" começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade de Liège, na actual Bélgica, tendo sido alargada à Igreja latina pelo Papa Urbano IV através da bula "Transiturus", em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios.
Teria chegado a Portugal provavelmente nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus, embora o mistério e a festa da Eucaristia seja o Corpo de Cristo. Esta exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60° dia após a Páscoa e forçosamente a uma Quinta-feira, fazendo assim a união íntima com a Última Ceia de Quinta-feira Santa. Vai deixar de ser “forçosamente”. Talvez a “Última Ceia de Quinta-feira Santa” tenha de passar para sábado à noite ou domingo de Páscoa, para satisfazer os caprichos da troika e do Gaspar!...
Uma das expressões mais tradicionais desta festividade é a procissão com o Santíssimo Sacramento. Seguindo os especialistas, o cortejo processional da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo prolonga a Eucaristia: logo depois da missa, a hóstia nela consagrada é levada para fora do espaço celebrativo, a fim de que os fiéis dêem testemunho público de fé e veneração ao Santíssimo Sacramento.
Historicamente, a Festa do Corpo de Deus impôs-se na maioria das cidades e nos municípios, onde era encargo das autarquias, e nas quais as autoridades participavam activamente.
Em Fafe, coincidem neste dia as primeiras comunhões e realiza-se também uma grandiosa procissão, da Igreja Matriz para a Igreja Nova de S. José e que inclui fanfarra, escuteiros, cruz, ladeada pelos lanternins, Cruzada Eucarística, grupo de jovens, mulheres católicas, Congregação Mariana, Legião de Maria, Conferência Vicentina, Apostolado da Oração, Irmandade do Rosário, Irmandade das Almas, Irmandade da Misericórdia, Confraria do SS.mo Sacramento, ministros da Eucaristia, religiosas, clero, pálio, com SS.mo Sacramento, autoridades, organismos civis, banda de música e povo.
Historicamente, era a “grande festa da cidade”, de todas as cidades.
Hoje já não é assim, pela própria evolução das sociedades. Mas continuamos a falar ainda de uma festividade fundamental no contexto histórico, religioso e social deste país (e da cristandade). E para quem passa a vida a encher a boca de que é imperioso respeitar os valores cristãos e católicos da maioria do povo português, não deixa de ser desgraçadamente infeliz este ataque aos sentimentos e tradições do povo que se diz venerar!...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

“Feira das Coisas”: uma novidade em Fafe

Por iniciativa da Naturfafe e com o apoio da Câmara Municipal, anunciada esta quarta-feira, vai ser criada em Fafe a “Feira das Coisas”, cuja primeira edição acontecerá dentro de um mês, no dia 07 de julho, no âmbito das Festas do Concelho em honra de Nª Senhora de Antime, e terá como palco a rua António Saldanha.
Esta feira destina-se somente a entidades particulares, do concelho de Fafe, não sendo permitido de forma alguma a participação de empresas ou empresários em nome individual.
A “Feira das Coisas” será um local de encontro de vendedores de produtos agrícolas e de todos aqueles que pretendam vender antiguidades, velharias, colecionismo, livros e discos usados, etc. Com a exceção dos produtos agrícolas, não serão permitidas as vendas de produtos em 1ª mão, segundo nota da Naturfafe.
Para expor/vender nesta feira, todos os interessados terão de se inscrever na sede da Naturfafe (Av. da Granja, 97), onde lhes será fornecido um cartão/autorização para que possam participar no evento.
Os vendedores não terão de desembolsar qualquer quantia para participar nesta feira que terá uma periodicidade mensal, ficando instituído o segundo sábado de cada mês, entre as 08H30 e as 12H30.
Uma iniciativa de aplaudir vivamente, e que vem na sequência de projetos mais ou menos semelhantes que ocorrem desde há anos em cidades limítrofes como Guimarães ou Braga.

terça-feira, 5 de junho de 2012

XXI Encontro dos Antigos Alunos, Professores e Funcionários da Escola Industrial e Comercial de Fafe


Intervenção da presidente da direcção, Aurora Barros
O XXI Encontro dos antigos alunos, professores e funcionários da Escola Industrial e Comercial de Fafe realizou-se este sábado em Fafe, numa organização da AAPAEIF – Associação dos Antigos Professores, Funcionários e Alunos daquele antigo estabelecimento de ensino, que precedeu a Escola Secundária e que funcionou entre os anos de 1959 e 1974.
Foram cerca de oito dezenas os participantes neste encontro, que teve a concentração na Casa Municipal de Cultura, onde funcionou a antiga Escola Industrial e Comercial, em cujo auditório foi feita a apresentação minuciosa da interessante revista Labor et Virtus nº 7, pelo historiador Artur Coimbra, sócio benemérito da associação.
São testemunhos, textos, poemas, fotografias, pedaços da vida individual e colectiva dos antigos alunos e professores da mítica escola.
Na ocasião, interveio ainda o vereador da cultura e desporto Pompeu Martins, para elogiar a actividade da AAPAEIF no contexto cultural da cidade e garantir a resolução da pretensão do monumento a perpetuar a antiga Escola Industrial e Comercial, conforme a direcção da AAPAEIF reivindica há anos.

O vereador Pompeu Martins no uso da palavra
A artista plástica Fernanda Aguiar ofereceu uma belíssima pintura, que acabaria por reverter para o espólio da associação, pois, calhando à noite ao associado Joaquim Lima, ele decidiu doá-la à AAPAEIF.
Na altura, foram homenageados todos os intervenientes, actores e colaboradores no espectáculo da “Gata Borralheira” com que a associação participou nas III Jornadas Literárias, na noite de 17 de Março.
Seguiu-se a realização da Assembleia-geral ordinária da AAPAEIF, durante a qual foram eleitos e tomaram posse os órgãos sociais para o biénio 2012-2014 e foi aprovado o plano e orçamento para o próximo ano.
Aspecto da mesa da Assembleia-geral, presidida por Manoel Lopes
Terminada a Assembleia-geral, os associados dirigiram-se para as salas de exposições onde se encontra patente até 8 de Junho uma excelente exposição de pintura de Fernanda Aguiar, muito apreciada pelos presentes.
Visita à exposição de pintura de Fernanda Aguiar
A meio da tarde, realizou-se na Igreja Nova de S. José uma missa em sufrágio dos professores, alunos e funcionários falecidos.
O encontro concluiu com um jantar convívio, animado pelo grupo de música popular “Castiços de Regadas”. No seu decurso, foram homenageados os antigos alunos Maria Alice Cardoso Peixoto e José Oliveira Silva, a quem foram atribuídos Diplomas de Fundador (ano lectivo 1959/1960), enquanto a José Manuel Costa e a Francisco Assis Vaz Nogueira, foram atribuídos Diplomas de Fundador da Escola Nocturna (ano lectivo 1963-1964).
Nas cerimónias participou, como tem feito nos últimos anos, o primeiro director da Escola Industrial e Comercial (1959-1961), Manoel Lopes, sócio nº 127 e presidente da Assembleia-geral da AAPAEIF e que continua com grande vitalidade, apesar da já sua provecta idade.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Deixemos a “Justiça” em paz!

A Câmara Municipal de Fafe promoveu, esta quarta-feira à noite, a apresentação pública das propostas para a eventual deslocalização do monumento à Justiça de Fafe, bem como da revisão do projecto do Parque da Cidade, que carece de mais e mais espaços verdes.
Quanto à primeira das questões, a que aqui me interessa, o que está em equação é saber se a estátua deve manter-se nas traseiras do Palácio da Justiça, onde se encontra implantada desde 1981, ou se deve ser deslocada para o topo da Rua António Saldanha (Arcada) do lado do Jardim.
Já ouvi e li as mais díspares opiniões. Todas naturalmente legítimas, respeitáveis e admissíveis. Que o monumento deve manter-se no mesmo local, que nesta altura de crise não se justifica andar a inventar obras supérfluas; que deveria ser transferido para a Arcada; que deveria ser deslocado para a rotunda do “Mário da Louça” ou até para a rotunda da auto-estrada. De tudo um pouco se tem lido e ouvido, nas conversas de café e nos encontros de rua.
Sobre esta questão, e na minha indeclinável qualidade de cidadão, gostaria de deixar também a minha opinião nesta coluna semanal, lamentando não poder ter estado na sessão da autarquia há dois dias atrás.
Faço-o por este meio. Tem o valor que tem. Vale o que vale.
A minha posição coincide, em parte, com a expendida pelo amigo Carlos Rui Abreu, no editorial no Notícias de Fafe da semana passada.
Um monumento, por princípio, não deve ser descontextualizado. É dos livros e da História. Quem o concebeu, executou e implantou deve ser respeitado. No caso concreto, a comissão que há mais de três décadas erigiu o monumento à Justiça de Fafe deve merecer o apreço dos contemporâneos. Porque, publicamente, não se conhecem motivos ponderosos para deslocalizar a estátua, a não ser que se queira alargar o parque de estacionamento do tribunal, numa altura em que este está a perder valências. Logo, não é por aí.
Na minha modesta opinião, o monumento à Justiça de Fafe deve manter-se exactamente no mesmo local onde se encontra implantado.
O espaço envolvente deve ser valorizado e requalificado, abolindo ou minimizando o estacionamento e melhorando as acessibilidades, com uma escadaria e uma rampa de acesso ao monumento, a partir da passadeira frontal aos Correios. Concordo que deve ser devidamente iluminado e destacado, para que ganhe a dignidade e a visibilidade que lhe tem faltado.
Discordo em absoluto da intenção de “trazer a estátua para baixo, próximo da cota da rua”.
Não faz qualquer sentido. Tem é que se criar condições para que os cidadãos e os turistas se desloquem ao monumento para o fruir, e não fazer descer o monumento para o nível da rua.
Qualquer dia, nesta lógica, e porque não tem visibilidade da zona da rotunda do “Mário da Louça”, deslocalizamos o Jardim do Calvário para o centro da Praça 25 de Abril. Em Guimarães, como a Penha não se vê do Toural, planta-se ali mesmo, no coração da Cidade-Berço. Não faz o mínimo sentido!
Para mim, não há qualquer outra solução. Muito menos a da deslocação do monumento para a Arcada, alegadamente para “melhorar a interacção” da estátua com o público. Mas que “interacção” pode haver com uma imagem agressiva, belicosa, combativa?
O monumento não ganha nada em sair do local onde se encontra e Fafe não ganha, na minha perspectiva, em colocar o monumento da Justiça de Fafe em outro local.
Hemos de convir, doa a quem doer, que a “Justiça” não é um símbolo consensual na sociedade fafense e que, no fim de contas, não abona grandemente a dignidade identitária dos fafenses, apesar de, fora de Fafe, e mesmo em Fafe, ser um dos ícones por que somos reconhecidos e distinguidos. Mas, por mim, duvido que o simbolismo da Justiça nos nossos dias seja positivo e a justificação está em que, no dia-a-dia, quando, na imprensa ou na política, se fala da “Justiça de Fafe” se fale por boas razões. Quando se fala do assunto é para se aludir a “fazer justiça pelas próprias mãos”, à revelia da legalidade constitucional que tece o Estado Democrático.
Não me amofino nada que me chamem “intelectual” por não ir muito à bola com a “Justiça de Fafe”, embora respeite quem adore este costume. É uma tradição como outra qualquer, embora mais conhecida que outras. Não me parece que seja a que mais dignifica as gentes e o município de Fafe.
Por isso, não entendo a necessidade de estar a mexer no monumento e muito menos a deslocá-lo, alegando a sua escassa “visibilidade”. É a minha modesta opinião, claro! Que vale o que vale. Mas vale tanto, certamente, como as outras!
PS – Por falar de “invisibilidade”, desafio os leitores a adivinharem onde se localiza o “Monumento ao Músico” e que existe na cidade de Fafe há muitos anos, para homenagear as afamadas filarmónicas locais, que são as melhores do país. Procurem-no…E as bandas de música são valores francamente positivos da cultura e da identidade locais, sem qualquer dúvida!

("Escrita em Dia", in Povo de Fafe, 01.06.2012)