terça-feira, 19 de junho de 2012

É preciso ter lata!

1. Lê-se e não se acredita, apesar da crise e de tudo o que possa dizer-se: a Comissão Europeia, liderada por Durão Barroso, que há anos atrás trocou intempestivamente o governo deste país pelo eldorado europeu, propõe ao Estado português salários mais baixos e cortes no subsídio de desemprego. Por outras palavras: trabalhar por menos dinheiro e ser menos generoso no subsídio de desemprego são as principais recomendações de política económica feitas pela Comissão Europeia a Portugal (e, pelos vistos, a Espanha vai pelo mesmo caminho, apesar de os governantes terem camuflado a assistência financeira ao país como uma mera assistência ao sector financeiro, sem compromissos de austeridade. Parece que não será bem assim…).
As más notícias dão conta que “a Comissão Europeia quer uma maior agressividade na redução dos custos laborais em Portugal”. É preciso ter lata!...
Durão Barroso ganha mais de 25 000 euros por mês e tem o descaramento de caucionar (se é que a iniciativa não é dele…) uma recomendação para que o seu país de origem, Portugal, baixe os salários, que são dos mais miseráveis da Europa. O salário mínimo em Portugal soma apenas uns pindéricos 485 euros, enquanto o salário médio de quem trabalha anda pelos 800 euros.
Que é que querem Durão Barroso e a sua Comissão Europeia? Que Portugal tenha ordenados ao nível da China, pagos com uma malga de sopa e uma lata de conserva diária? Que os operários almocem, jantem e durmam na fábrica e só regressem a casa ao fim de semana?
Querem Durão Barroso e a sua civilizada Comissão Europeia que os portugueses regressem ao estado da escravatura selvagem, a trabalhar de sol a sol por uma côdea, como acontecia no tempo da Outra Senhora?!…
O que propõem, quer para os salários, quer para o subsídio de desemprego, é típico dos demagogos que não conhecem minimamente as agruras da vida, que não sabem o que é trabalhar nas fábricas, nas oficinas, nas escolas, nos comércios, nos restaurantes, nos campos. Levantar-se às quatro ou cinco da manhã, tomar dois e três transportes públicos, sobretudo nas grandes cidades, para chegar ao emprego duas ou três horas depois. E, ao fim da tarde, fazer o percurso inverso, para ganhar umas míseras centenas de euros, que não dão para enfrentar mais que umas semanas. Cada vez sobra mais mês no fim do cadavérico ordenado.
Os que têm as carteiras injustamente recheadas, porque não merecem o dinheiro que auferem, não sabem o que é fazer contas no final do mês, encontrar a raíz quadrada do drama em gente de colocar um filho num infantário, outro na escola pública e outro na universidade, sem saber onde encontrar a sustentabilidade financeira para o efeito.
Deveriam ter vergonha na cara, não apenas Durão Barroso, que desceu mil degraus na média consideração que tinha por ele, por ser um “importante” português na Europa (agora, passou a ser apenas mais um inútil e narigudo tecnocrata que vomita bitaites em economês, como fariam as agências de rating), mas o imbecil do António Borges, que também não tem pudor de proclamar a “necessidade e urgência” de cortar os desgraçados salários que os trabalhadores portugueses auferem, para satisfazer a cupidez dos seus amigos capitalistas do FMI, de onde se consta que foi despedido, ele que ganha 225 mil euros anuais (mais de 15 000 euros mensais), escandalosamente livres de impostos (neste país deveria pura e simplesmente constituir crime de lesa pátria alguém estar livre de impostos, seja a que pretexto for…), mais uns milhares por ser o responsável pela venda de empresas do Estado, delapidando o património nacional. É considerado o 13º ministro do Executivo, sem escrutínio democrático ou legislativo. E ainda por cima arroga-se o direito de vir para a praça pública “arrotar postas de pescada”, passe o propositado plebeísmo, quando ninguém lhe encomendou serão algum, a não ser, como bem sublinhou Louçã, que ele seja o sibilino grilo falante do governo!...
No meio de todo este lodaçal, são sempre os mesmos a pagar a crise. Os políticos que tomam decisões erradas e às vezes criminosas são brindados com lugares principescos nos conselhos de administração de empresas públicas e privadas, a ganhar centenas de milhares de euros, dêem elas lucros ou acumulem prejuízos.
Quando se trata de cortar salários ou pensões, congelar progressões, suspender subsídios, são os trabalhadores, a começar pelos funcionários públicos, que são chamados à pedra, para contribuírem para a diminuição da despesa pública. Os trabalhadores não têm culpa de nada. Cumprem ordens. Desempenham as suas funções. Não são eles que aprovam o TGV. Não foram eles que nacionalizaram o BPN. Não foram eles que promoveram as ruinosas parcerias público-privadas, em que o risco é sempre do Estado e o lucro é do capital.
Revoltam e causam o mais profundo asco estes e outros patetas que acham muito bem que se abata nos salários de quem ganha uma ninharia mas não admitem que se corte uma boa fatia de quem acumula fortunas, às vezes sabe-se lá como…
Os baixos salários não são nem podem ser pilares do crescimento económico, como bem referiu o titubeante Presidente da República, numa das poucas coisas acertadas que tem dito ultimamente.
Em termos gerais, que este sistema, capitalista, liberal, o que quer que seja, que governa a Europa e o país, baseado apenas na exploração do trabalho e numa colossal máquina de triturar a classe média e fabricar novos pobres, está putrefacto, não duvidamos. Que vai colapsar, mais ano, menos ano, também não. Não é possível que tão injusto sistema dure muito mais. Porque beneficia apenas uma minoria de abutres e penaliza a imensa maioria da população, sobretudo dos que trabalham ou recebem pensões de reforma.
Que se impõe uma revolução, uma mudança profunda, um novo paradigma, que faça pagar ao sistema financeiro e especulativo os males que tem feito e está a fazer à humanidade, e, neste caso, aos portugueses, é outra certeza.
É tudo uma questão de tempo!

2. Neste regabofe vergonhoso em que se transformou a política e a economia portuguesa, escandaliza (ou já nem tanto…) a notícia de que “o Estado assume dívida de 130 milhões de Aprígio Santos ao BPN” (Correio da Manhã, 28 de Maio). Mas que país é este em que eu e todos os portugueses temos de pagar as dívidas de um criminoso (que foi, ou ainda é, presidente da Naval, da Figueira da Foz) que deixou de pagar as suas obrigações financeiras e não é sequer enclausurado até ao fim da sua vida, para remir os seus pecados?!... Se um desgraçado roubasse um chouriço para matar a fome era preso.
Ainda há poucos meses, o mesmo jornal escrevia que o «Estado assume dívida de políticos no BPN, estando em causa 80 milhões de euros». Na baila, estiveram os nomes de três ex-governantes do PSD, Duarte Lima, Arlindo Carvalho e José Neto. Curiosamente… E nenhum está detido por estas fraudes que, juntas a outras burlas e trapaças, chegariam para pagar três anos de subsídios de férias e de Natal de quem vai ficar sem eles por culpa destes e de outros energúmenos que o sistema político e judicial “premeia” ao manter a sua inimputabilidade.
Somos mesmo uma choldra de país, que nunca irá a lado algum, com princípios e práticas destas, que premeiam o crime, recompensam a vida airada e lesam drasticamente quem trabalha ou quem tem a desdita de ficar desempregado!...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Uma sexta-feira em que tudo acontece em Fafe!...

Jorge Oliveira apresenta o seu segundo livro de poesia, em Antime. É uma das várias iniciativas que enchem a noite desta sexta-feira pela cidade e seus arredores!...
Não há dúvida que Fafe é uma terra de cultura, uma cidade cultural em plenitude, embora muitas vezes não se assuma como deve ser. Vejamos o que vai acontecer esta sexta-feira na nossa cidade para termos uma ideia da concentração de actividades que por aqui se regista. Nem um super-homem consegue hoje à noite estar em todas, subdividir-se, nem que tenha o dom da ubiquidade.
Assim à tarde, abre na Biblioteca Municipal uma Exposição Colectiva de BD/Ilustração da autoria de Carlos Pereira, Cristiano Freitas, Jorge Pereira, Ivo Ferreira, Ivo Gonçalves, Margarete Sousa e Nuno Fonseca, alunos finalistas da Escola Superior Artística do Porto (ESAP).
À noite é que são elas. Por onde começar?
Na Galeria Municipal (Casa Municipal de Cultura), abre a primeira exposição individual de pintura do fafense Miguel Vasconcelos, sob o título “84 Cabeças” (21h30).
Na Sala Manoel de Oliveira, o Cineclube de Fafe projecta a película “Albert Nobbs”, de Rodrigo Garcia, com a interpretação de Glenn Close, Mia Wasikowska e Aaron Johnson (21h30).
No Club Fafense, à mesma hora, a Atriumemória promove a “Cultura em Movimento”, com pintura, dança, música, poesia, projecção de vídeos.
No auditório da Junta de Freguesia de Antime, o fotógrafo Jorge Oliveira apresenta o seu segundo livro de poesia, com o título Palavras que me tocam. Por ti!... A obra é apresentada pelo escritor Carlos Afonso, intervindo ainda o Projecto Partilha e havendo igualmente a leitura de poemas da obra.
A partir das 22h00, realiza-se no pavilhão da Escola EB2,3 Padre Joaquim Flores, em Revelhe, a segunda etapa do Festival de Bandas Emergentes, voltado para o público jovem, no âmbito do programa “Justice Fafe Fest”.
Nesse âmbito, atuam as bandas Dynamite (Guimarães), The Pende (Fafe) e Dusk at the Mansion (Lisboa).
Isto para já não falar da festa de final de ano lectivo da Associação Cultural e Recreativa de Fornelos no Pavilhão Multiusos.
Digam lá se isto não é movimento em demasia para uma simples sexta-feira de meados de Junho, entre o Santo António e o São João?

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Primeira exposição individual de Miguel Vasconcelos abre sexta-feira em Fafe

Sob o título “84 CABEÇAS”, abre ao público esta sexta-feira, 15 de Junho, às 21h30, a primeira exposição individual do fafense Miguel Vasconcelos na Galeria Municipal de Fafe (Casa Municipal de Cultura), com uma série de trabalhos realizados entre 2009 e 2012.
A exposição vai manter-se patente ao público até 29 de Junho, no horário habitual.
Nascido em 1967, Miguel Vasconcelos possui a licenciatura em Artes/Desenho pela Escola Superior Artística do Porto (Guimarães), em 2009 e participou já em dezenas de exposições colectivas.
Participou em projecções várias e ilustrou obras literárias. Obteve prémios em fotografia e pintura (2010, 2011 e 2012).
Sobre esta exposição, escreve o artista: “Os trabalhos têm como ponto de partida a pesquisa e recolha de imagens de rostos.
Rostos desenhados por mim ou através da apropriação de imagens em jornais, revistas, internet, televisão ou ainda fotografias de gente anónima.
Estas imagens são fotocopiadas e intervencionadas plasticamente através do uso de vários meios tecnológicos, criando outras imagens que emergem “do outro lado”, que nos surgem como que por acaso.
Há um espaço de contemplação simultânea, uma vez que o espectador parece, ao olhar estes retratos, ser contemplado por um ou uma miríade de olhares dessas mesmas imagens que surgem quase fantasmagoricamente como que de um outro lado, como que de o acaso.
As imagens, não narrativas, pretendem ser isso mesmo, imagens silenciosas que provoquem no seu todo uma aproximação entre o pensamento e o resultado plástico”.

FINALISTAS DA ESAP NA BIBLIOTECA MUNICIPAL
Abre esta sexta-feira, 15 de Junho, pelas 16h30, na Biblioteca Municipal de Fafe, uma Exposição Colectiva de B.D./Ilustração, da autoria de Carlos Pereira, Cristiano Freitas, Jorge Pereira, Ivo Ferreira, Ivo Gonçalves, Margarete Sousa e Nuno Fonseca, alunos finalistas da Escola Superior Artística do Porto (ESAP).
A exposição vai manter-se parente até 29 do corrente, no horário de funcionamento da Biblioteca, ou seja, de segunda a sexta-feira, entre as 9h00 e as 17h30 e ao sábado das 10h00 às 13h00.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Moonspell apresentam "Alpha Noir/Omega White" em Fafe a 22 de Junho

Depois de regressarem de uma digressão europeia que incluiu países como a Alemanha, Polónia, Áustria, Croácia, Eslováquia, Holanda, Bélgica e Suíça, os Moonspell preparam-se para apresentar o seu novo álbum, "Alpha Noir/Omega White", em Fafe, no próximo dia 22 de Junho.
O espectáculo realiza-se no Pavilhão Multiusos de Fafe, a partir das 22h00, integrado no programa Justice Fafe Fest – Música com Causas”, promovido pelo município e nele a banda de Fernando Ribeiro vai mostrar toda a pujança da sua herança de 20 anos de carreira e a força da sua criatividade actual, pretendendo proporcionar aos seus fãs uma noite absolutamente inesquecível. Lembremos que é dos poucos espectáculos que estão previstos para os próximos tempos em Portugal.
O disco “Alpha Noir/Omega White" foi editado em mais de 50 países e encontra-se nos tops de vendas da Alemanha e da Finlândia. Em Portugal, está no segundo lugar no Top Fnac.
Os bilhetes, ao preço único de 10 euros, encontram-se à venda no Posto de Turismo de Fafe e em Ticketline.pt. No dia do espectáculo, estarão à venda no Pavilhão Multiusos. Aceitam-se reservas pelo endereço eletrónico alien@mail.telepac.pt.
O programa Justice Fafe Fest – Música com Causas”, que começou com a actuação dos Santos e Pecadores, em 31 de Março, termina com os Fingertips  em 28 de Setembro.
Em todos os casos, após o concerto, o Pavilhão Multiusos transforma-se num grande salão de festas para dar lugar a um espectáculo com DJ’s convidados, promovendo o convívio entre os participantes.
De referir que a Câmara decidiu oferecer a todos os alunos do 11º e 12º ano do ensino secundário (Escola Secundária e Escola Profissional) um ingresso, a sortear para um dos concertos do Multiusos. Ao que se sabe, poucos aproveitaram. É o costume...

Festival de Bandas Emergentes prossegue esta sexta-feira em Revelhe

Entretanto, no âmbito do programa “Justice Fafe Fest ”, realiza-se esta sexta-feira, 15 de Junho, a segunda edição do Festival de Bandas Emergentes, voltado para o público jovem, no pavilhão da Escola EB2,3 Padre Joaquim Flores, em Revelhe.
A partir das 22h00, atuam as bandas Dynamite (Guimarães), The Pende (Fafe) e Dusk at the Mansion (Lisboa), seguindo-se a atuação de DJ.
Esta segunda vertente do programa, consiste na organização nas freguesias de Arões, Revelhe e Silvares do Festival de Bandas Emergentes, visando, por um lado, a descentralização das atividades culturais e possibilitando, por outro, aos alunos das Escolas EB2,3 onde se realizam tomarem contacto com os músicos e técnicos dos concertos para conhecimento das suas carreiras, e poderem assistir ao trabalho de  bastidores dos espetáculos.
Escola EB2,3 Padre Joaquim Flores (Revelhe)
As escolas que acolhem o "Justice Fafe Fest” recebem oficinas, com temas de interesse para docentes e alunos. São na quinta-feira, ao longo do dia.
Em 20 de Abril, realizou-se na EB2,3 de Arões a primeira edição do festival, com a participação das bandas Muzzle (Fafe), Tulipa (VN Gaia) e Darwin Hipnoise (Vila Franca de Xira).
Fica ainda a faltar a terceira ronda deste programa, que acontecerá em 12 de Outubro, na Escola EB2,3 de Silvares, local onde actuarão as bandas La Suite Bizarre (Sevilha, Espanha), Progeto Aparte (Fafe) e Guitarra (Ayamonte, Espanha).
Nos concertos do Festival de Bandas Emergentes, o preço de entrada é de apenas 2€, revertendo a receita a favor dos Bombeiros Voluntários de Fafe, bem como parte da receita de consumo nos bares de apoio.

domingo, 10 de junho de 2012

Escola Carlos Teixeira esteve em festa e homenageou Miguel Monteiro

O Agrupamento de Escolas Professor Carlos Teixeira promoveu uma festa de final de ano lectivo na noite da passada sexta-feira, 8 de Junho, que serviu para apresentação do livro Em defesa do património – homenagem a Miguel Monteiro.
Ao longo da noite, a figura do inesquecível professor, dinamizador cultural e investigador da emigração para o Brasil perpassou pelo espaço exterior da Escola Carlos Teixeira, perante a presença de inúmeros amigos, colegas e alunos de Miguel Monteiro.
A recepção aos convidados foi feita ao som dos bombos de Armil, falando a seguir o director, José Pedro Ribeiro.
Os alunos do 2º ciclo entoaram depois o hino das III Jornadas Literárias, registando-se ainda a dança das fitas, o teatro “O Pinheiro aventureiro”, o samba, declamação de poemas e danças de salão.
Finalmente, foram entregues diplomas a quatro turmas finalistas do 4º ano do Escola Carlos Teixeira.
Em defesa do património – homenagem a Miguel Monteiro integra basicamente um conjunto de depoimentos da mesa redonda “Miguel Monteiro/Fafe dos Brasileiros”, realizada em Março no âmbito das III Jornadas Literárias de Fafe. Inclui a biografia de Miguel Monteiro e depoimento de José Carlos Pereira Gonçalves, Cristina Alves, Maria José Andrade, António Marques Mendes, Daniel Bastos, Artur Leite, Antero Barbosa, Paulo Teixeira, José Ribeiro, Vitorino Costa, Isabel Alves, Luís Roque, Isabel Pinto Bastos e Benedita Stingl.
Uma festa encantadora e um livro de grande interesse a sublinhar uma personalidade que marcou a cultura e a historiografia de Fafe, e sobretudo os estudos sobre a emigração para o Brasil.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Feriado do Corpo de Deus: por miopia política vai acabar

O feriado do Corpo de Deus foi o último comemorado neste dia. Nos próximos cinco anos, pelo menos, será evocado no domingo seguinte, alegadamente em nome da crise. O acordo entre o Governo e a Igreja assim o ditou e poderá mesmo traduzir-se no fim deste feriado.
Só a miopia política de um governo ignorante e sem qualquer cultura histórica e religiosa e a posição rastejante da Igreja Portuguesa, em geral, com a saudável excepção de D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, conduzem ao triste epílogo da anulação de um “dia santo” que tem já sete séculos e meio de vigência.
Só a atitude mercantilista e economicista, no pior sentido, deste governo, sem alma e sem patriotismo, se traduz na diminuição (a partir de 2013) dos dois feriados religiosos (Corpo de Deus e Dia de Todos os Santos) e dois feriados civis (Proclamação da República e Restauração da Independência), que nada resolvem em termos económicos e financeiros. A produtividade não se resolve assim. O que o governo pretende é escravizar ainda mais os trabalhadores, fazendo-os trabalhar mais por igual (ou ainda menos) dinheiro. Mas é evidente que os portugueses saberão, na altura devida, dar a conveniente resposta que Passos, Relvas e comandita merecem!... Obviamente!...
Retomando o fio à meada…
Desde o século XII, quase não há em Portugal cidade ou lugar que prescindam da celebração da festa do Corpo de Deus, invocadora do "triunfo do amor de Cristo pelo Santíssimo Sacramento da Eucaristia".
A solenidade do "Corpo de Deus" começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade de Liège, na actual Bélgica, tendo sido alargada à Igreja latina pelo Papa Urbano IV através da bula "Transiturus", em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios.
Teria chegado a Portugal provavelmente nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus, embora o mistério e a festa da Eucaristia seja o Corpo de Cristo. Esta exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60° dia após a Páscoa e forçosamente a uma Quinta-feira, fazendo assim a união íntima com a Última Ceia de Quinta-feira Santa. Vai deixar de ser “forçosamente”. Talvez a “Última Ceia de Quinta-feira Santa” tenha de passar para sábado à noite ou domingo de Páscoa, para satisfazer os caprichos da troika e do Gaspar!...
Uma das expressões mais tradicionais desta festividade é a procissão com o Santíssimo Sacramento. Seguindo os especialistas, o cortejo processional da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo prolonga a Eucaristia: logo depois da missa, a hóstia nela consagrada é levada para fora do espaço celebrativo, a fim de que os fiéis dêem testemunho público de fé e veneração ao Santíssimo Sacramento.
Historicamente, a Festa do Corpo de Deus impôs-se na maioria das cidades e nos municípios, onde era encargo das autarquias, e nas quais as autoridades participavam activamente.
Em Fafe, coincidem neste dia as primeiras comunhões e realiza-se também uma grandiosa procissão, da Igreja Matriz para a Igreja Nova de S. José e que inclui fanfarra, escuteiros, cruz, ladeada pelos lanternins, Cruzada Eucarística, grupo de jovens, mulheres católicas, Congregação Mariana, Legião de Maria, Conferência Vicentina, Apostolado da Oração, Irmandade do Rosário, Irmandade das Almas, Irmandade da Misericórdia, Confraria do SS.mo Sacramento, ministros da Eucaristia, religiosas, clero, pálio, com SS.mo Sacramento, autoridades, organismos civis, banda de música e povo.
Historicamente, era a “grande festa da cidade”, de todas as cidades.
Hoje já não é assim, pela própria evolução das sociedades. Mas continuamos a falar ainda de uma festividade fundamental no contexto histórico, religioso e social deste país (e da cristandade). E para quem passa a vida a encher a boca de que é imperioso respeitar os valores cristãos e católicos da maioria do povo português, não deixa de ser desgraçadamente infeliz este ataque aos sentimentos e tradições do povo que se diz venerar!...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

“Feira das Coisas”: uma novidade em Fafe

Por iniciativa da Naturfafe e com o apoio da Câmara Municipal, anunciada esta quarta-feira, vai ser criada em Fafe a “Feira das Coisas”, cuja primeira edição acontecerá dentro de um mês, no dia 07 de julho, no âmbito das Festas do Concelho em honra de Nª Senhora de Antime, e terá como palco a rua António Saldanha.
Esta feira destina-se somente a entidades particulares, do concelho de Fafe, não sendo permitido de forma alguma a participação de empresas ou empresários em nome individual.
A “Feira das Coisas” será um local de encontro de vendedores de produtos agrícolas e de todos aqueles que pretendam vender antiguidades, velharias, colecionismo, livros e discos usados, etc. Com a exceção dos produtos agrícolas, não serão permitidas as vendas de produtos em 1ª mão, segundo nota da Naturfafe.
Para expor/vender nesta feira, todos os interessados terão de se inscrever na sede da Naturfafe (Av. da Granja, 97), onde lhes será fornecido um cartão/autorização para que possam participar no evento.
Os vendedores não terão de desembolsar qualquer quantia para participar nesta feira que terá uma periodicidade mensal, ficando instituído o segundo sábado de cada mês, entre as 08H30 e as 12H30.
Uma iniciativa de aplaudir vivamente, e que vem na sequência de projetos mais ou menos semelhantes que ocorrem desde há anos em cidades limítrofes como Guimarães ou Braga.