terça-feira, 10 de julho de 2012

Canto Imperecível das Aves: magistral obra poética apresentada no Club Fafense

Canto Imperecível das Aves é uma magistral obra poética de António Vilhena, natural de Beja, mas a residir há anos em Coimbra, onde é vereador da Câmara Municipal e onde tem exercido cargos académicos ligados à sua área de formação, a Psicologia.
A obra foi apresentada na sexta-feira à noite no Club Fafense, perante algumas dezenas de pessoas, por iniciativa do Club Alfa e com o apoio da autarquia fafense.
A começar, interveio um quarteto de jovens clarinetistas da Banda de Golães, que tão bem se houve na nobre arte musical.
A seguir, o presidente do Club Alfa, Edgar Alves, deu algumas notas sobre as actividades daquela associação sedeada em Regadas, que estaria presente no sábado na Arcada, no âmbito da Feira das Coisas.
Pedro Sousa passou, de seguida, à apresentação do autor da obra, António Vilhena, resumindo o seu vasto e multímodo currículo académico, profissional e literário e realçando a amizade que os une há muitos anos e que acabou por justificar o convite para a apresentação da obra em Fafe.
Seguiu-se Artur Coimbra no uso da palavra, começando por ler um texto de Manuel Alegre intitulado “cada poema que se escreve é uma derrota da indigência”.
O autor deste blogue considerou que a poesia de António Vilhena vem exactamente na linha enunciada pelo poeta de “Nada está escrito”: a da resistência contra o imediato, o efémero, o quotidiano mais absurdo e vazio, a procura de “um ouço mais de azul, um pouco mais de poesia”, recuperando a “força mágica da palavra”, de que falava Alegre.
A poesia de António Vilhena comunga a concepção de David Mourão Ferreira, para quem a poesia “é antes de mais linguagem: mas linguagem animada pela emoção, intensificada pelo ritmo, transfigurada pela metáfora”.
Os temas deste seu Canto Imperecível das Aves, que apontam no sentido da eternidade da voz poética, oposta à volatilidade do dia a dia, são os da grande poesia universal.: o amor, a amizade, o afecto, a paixão, o nascimento, a natureza, o sentimento do Belo e do Artístico.
Todos nós temos os nossos vazios que vamos preenchendo a nosso modo – neste caso, com a força sedutora e orgástica das palavras, o voo sem limite do sonho.
A poesia de António Vilhena inscreve-se, assim, pela temática, na melhor literatura, mas também pelo uso constante de recursos estilísticos que enriquecem as páginas.
A linguagem dos poemas é matizada por grande quantidade de recursos literários e figuras de estilo, de que deixo alguns exemplos:
- …as galáxias/ se derramam nos meus olhos. (p. 17);
- … impaciência de medos esculpida na inquietação dos sentidos (p. 18);
- filigrana do Sol (p. 19);
- biblioteca de afectos (p. 21);
- mãos de linho branco (p. 23);
- oiço o mar nos teus olhos (p. 32);
- Em cada silêncio há uma catedral, um olhar/ gótico debruçado no teu rosto, um varandim/ com asas... (p. 38);
- …perpetuei a caligrafia da paixão (p. 45);
- …as noites assemelharam-se a pálpebras fechadas (p. 55);
Ou um papiro de silêncios (p. 61), como o poeta qualifica o Alentejo (a sua terra). Uma delícia.
Como deliciosos são os seus brevíssimos, mas intensos e profundos poemas, à maneira dos haikus japoneses, como este exemplo,

Rosas (p. 39)

No meu caminho estão as rosas
que encontrei quando te perdi.

António Vilhena encerrou a sessão, agradecendo aos diversos intervenientes e aos promotores da sessão, dizendo da sua alegria por ter vindo a Fafe e encantando a plateia com as suas palavras sedutoras, envoltas em poesia, em experiência e em conhecimento.
O poeta lembrou que este é um “livro de afectos”, publicado quinze anos depois da anterior obra poética, dedicado às avós Bárbara e Luísa e também à mãe.
O livro é também um olhar sobre si próprio e a sua intimidade, mas também sobre o seu Alentejo, “eterno lugar de espanto e novidade”, como refere no prefácio Maria Vieira de Almeida, que destaca o fascínio da escrita encantatória do autor (que partilhamos).
Fafe assistiu a um inolvidável momento literário e cultural, que poderia ser mais participado, não fora ter coincidido com as festas do concelho e com a dispersão do público cultural por diversas solicitações.
Um livro de poesia, como qualquer outra obra literária, mais do que falar sobre ela ou até do seu autor, existe para ser lida.
É na leitura que a obra se concretiza, se conclui, se potencia, ganha todo o seu sentido último.
É para ser lido, calmamente, meditado, fruído, que faz sentido ter sido escrito, com todo o afecto, este Canto Imperecível das Aves!
Como referi no Club Fafense e aqui repito, felicitando vivamente o poeta por este seu brilhante livro, é uma das mais marcantes obras poéticas que li nos últimos anos, sem qualquer dúvida!

Deixamos os leitores com dois poemas da obra (Caracol Edições), para aguçar o apetite.

SAUDADE

Olho-te na fotografia. Está lá um horizonte,
uma página à tua espera para escreveres, depois
de tanta ausência. Estão lá as linhas convergentes
como uma nódoa de esperança na pele branca
do poema. Não sou capaz de dizer os instantes à
beira do cais, onde aceno aos navios que outrora
visitaram os meus sonhos, como se estivesses nas
rotas de todos os encontros e as tuas mãos fossem
velas puídas pelo tempo. Olho-me na fotografia.
Acrescento-lhe os anos, mas não posso inventar
o que não vivemos.


PLANÍCIE

Nos seus rostos não há lugar para ironias
a planície inteira está na pele
queimada como tatuagem da terra.
Quando a noite chega
os círios sinalizam
os percursos da intimidade
e a solidão ganha vida nas trevas
dos que ficam sem companhia.
Nunca um alentejano cantou sozinho,
a sua voz ecoa solidária, o silêncio atravessa
um tambor de paixões
orquestrando o amor de Orpheu e Eurídice.




Fotos: Pedro Sousa
         Patrícia Sousa (Povo de Fafe)

domingo, 8 de julho de 2012

Delegação oficial de Sens (França) em visita a Fafe até segunda-feira

Uma delegação da cidade francesa de Sens, liderada pelo seu “maire”Daniel Paris, está em visita oficial à cidade de Fafe desde a passada sexta-feira, regressando a França na manhã de segunda-feira. O objectivo da deslocação é preparar a geminação entre os dois municípios que deve acontecer em Sens em Novembro próximo.
A visita da delegação francesa, que integra uma dezena de pessoas de diferentes áreas económicas, sociais e culturais, coincidiu com o fim-de-semana das Grandes Festas do concelho de Fafe em honra de Nossa Senhora de Antime (6-8 de Julho).
A comitiva foi recebida na Câmara Municipal de Fafe, no final de sexta-feira, altura em que se juntou aos presentes a cônsul francesa no Porto.
O Presidente da Câmara, José Ribeiro, disse da sua grande satisfação em receber a delegação francesa em Fafe, “uma região de muita emigração para França e essa é uma das razões que leva a esta cooperação com Sens”. O autarca manifestou grande simpatia pelo povo francês, que desde os anos 60 acolheu favoravelmente a emigração portuguesa.
“Fafe é a sala de visitas do Minho, onde se recebe bem e é isso que vamos fazer com os nossos visitantes” – prometeu o presidente do município, no início da visita, que fez coincidir propositadamente com as festas concelhias, “momento de maior dinâmica cultural, religiosa e social”.
José Ribeiro considerou, finalmente, que é vontade dos municípios de Fafe e de Sens que o protocolo de geminação entre as duas cidades “ajude a desenvolver económica e culturalmente” os dois municípios.
Daniel Paris agradeceu o acolhimento que teve na cidade de Fafe, elogiou a cultura, a literatura e a língua portuguesa, considerando-as “extraordinárias” e manifestou grandes expectativas quanto ao protocolo de geminação que está previsto ser assinado dentro de quatro meses na cidade francesa.
A comitiva de Sens visitou diversos locais do município de Fafe, assistiu à procissão e à marcha luminosa das Festas de Antime e visitou a Capital Europeia da Cultura, em Guimarães, na tarde de domingo.
Aqui ficam algumas fotografias da sua estada nos Paços do Concelho.




Fotos: Manuel Meira Correia

sábado, 7 de julho de 2012

Palavras da Memória: livro de Alberto Alves apresentado na Biblioteca de Fafe

A Biblioteca Municipal de Fafe encheu de amigos e familiares (mais de uma centena de pessoas), na noite de quinta-feira, para assistir ao lançamento da excelente obra Palavras da Memória, a mais recente incursão literária do professor Alberto Alves, depois de em 2010 nos ter brindado com uma monografia sobre o Grupo Cultural e Recreativo Nun’Álvares com o título Retratos do Tempo e da Memória.
A sessão começou com um momento musical proporcionado por jovens alunos da Academia de Música José Atalaya.
Tive o privilégio de escrever o prefácio e apresentar a obra, que considero uma agradável surpresa no panorama das letras fafenses. Estamos em presença de uma obra que se impõe desde logo pela sua linguagem formal: está extraordinariamente bem escrita, ou não tivesse o autor rotinado o seu modo de escrever na oficina jornalística e, antes, no exercício da actividade docente durante algumas décadas. Um livro redigido segundo as mais lídimas regras gramaticais e a mais correcta ortografia (anterior ao novo e polémico Acordo Ortográfico, aqui voluntariamente não observado) e ainda por cima suscitando interesse para o leitor, pelos temas e pela frescura de forma como são descritos, eis um aspecto que não é despiciendo assinalar nesta altura em que se pontapeia, a cada momento, oralmente e por escrito, a sagrada língua portuguesa!...
Palavras da Memória integra duas dezenas e meia de textos ficcionais, ou memorialísticos, de temáticas diversas.
Direi que não é tarefa fácil catalogar esta obra, dada a multiplicidade de géneros literários que a preenchem e lhe dão sentido.
Na área do conto, há muitos e bons exemplos. Por exemplo, o “Dia dos Pobres”; “A malta da rua”; “Cafés da Vila”, onde se revivem momentos e histórias do “Cafelândia”, do “Avenida”, do “Império” ou do “Peludo” ou “A Tasca da Esquiça”, cuja descrição começa, com insofismável arte literária:

Quando se transpunham aquelas portas de vaivém parece que se caía numa mina, tal era a escuridão e o negrume das paredes, bem condizentes com o chão, térreo e luzidio de tanto ser calcado e varrido e de tanta gordura ter acumulado.

O conto mais longo (mais de três dezenas de páginas), quase uma novela, tem o nome “A Casa do Pecado” e nele se condensa o que de melhor demonstram os restantes textos ficcionais do autor: a capacidade de efabulação e de criação de situações, de desenho de cenários plausíveis para o desenrolar das histórias; a invenção de diálogos naturais ou minimamente verosímeis para dar credibilidade às ficções. É também de relevar uma constante atenção aos pormenores, em cada descrição e situação, como é da boa literatura.
Na área da crónica, podemos integrar textos como “A minha rua”, “Dia de chuva”, “Os Putos”, “Dia de Procissão”, “Repartição Pública”, entre outros, onde se descrevem situações, se desfiam memórias, se reinventam mitologias.
No domínio do que chamarei “apontamento biográfico”, incluo dois textos pitorescos: “O Armindo Tanico” e “Mestre Abreu”.
Entre outros textos, notoriamente de diferentes épocas, avultam quatro textos datadas de um arco temporal situado entre os anos de 1967 e 1969, quando o autor se encontrava em serviço militar na Guiné-Bissau: “Amizade””, “Noite Africana”, “Meditação” e “Momento de Guerra”. São nacos de prosa muito marcada pelo ferrete de uma “guerra indesejada, mas intensamente vivida”.
Esta obra é igualmente uma cartografia de saberes e de vivências de outros tempos, centrados sobretudo numa vila de interior, como Fafe e num tempo em que o sol, o adro da igreja, o tasco, o tanque público ou o rio, eram os locais de encontro dos homens e das mulheres, para dois dedos de conversa.
É um livro que tem Fafe no coração da maioria das suas páginas. Uma obra onde se impõe a qualidade da escrita do professor Alberto Alves, cuja linguagem é matizada de enormes recursos linguísticos, disseminados pelo texto.
Estamos em presença de um livro que se lê com imenso prazer e com inegável proveito. Que cruza a literatura e a vida. Que tem histórias, tem relatos, tem moral e ensinamentos. Tece elogios e fia crítica social.
Na sessão de apresentação, usou ainda da palavra o editor João Artur Pinto, da Labirinto, que recordou a relação que teve com o professor Alberto Alves, enquanto responsável da biblioteca fixa nº 34 da Fundação Calouste Gulbenkian.
De seguida, foi o próprio autor, Alberto Alves, que fez alguns agradecimentos, entre os quais à família e disse das razões do surgimento desta obra, que já vem com algum atraso, e que tem a insistência de amigos nun’alvaristas como Valentim Carvalho e Manuel Mendes. Alberto Alves anunciou, entretanto, que tem já na calha outros projectos literários na mesma linha, o que deixou grande curiosidade e satisfação na sala, dado o interesse e valia deste tipo de testemunhos.




Finalmente, usou da palavra o presidente da Câmara, José Ribeiro, que revelou ter sido aluno na antiga escola primária de Alberto Alves. Depois, foi leitor compulsivo de obras da Gulbenkian e debateu acesamente ideias com Alberto Alves, quando frequentava direito em Coimbra. Mais tarde, teriam alguns desencontros políticos, mas voltar-se-iam a “encontrar”, quer na fusão das bibliotecas Municipal e Gulbenkian, em 1992, quer na atribuição da medalha de prata de mérito concelhio, em 1999, quando Alberto Alves se aposentou do cargo de professor e delegado escolar. José Ribeiro congratulou-se com a obra e manifestou a expectativa de ver novos livros do autor.
Antes da longa sessão de autógrafos, o Teatro Vitrine surpreendeu o autor e os presentes com a leitura encenada do conto “Os Putos”.

Fotos: Manuel Meira Correia

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Elevação de Fafe a Cidade foi há 26 anos

Em 23 de Agosto de 1986, a Vila de Fafe foi elevada à categoria de cidade. Nesse dia foi publicada no Diário da República a Lei n.º 28/86 que elevava à categoria de cidades as vilas de Fafe, Seia, Albufeira, Mangualde e Maia. Mas a aprovação da iniciativa legislativa aconteceu no dia 3 de Julho. Há 26 anos.
Na altura, foi grande o júbilo da maioria da população e ajustados os festejos respectivos, se bem que houvesse sempre alguém a fazer ouvir a sua voz no sentido de que era preferível uma grande vila a uma pequena cidade.
A iniciativa da apresentação do projecto de lei para a elevação a cidade teve – é justo recordá-lo – a lavra do então deputado social-democrata Dr. António Marques Mendes e o documento foi aprovado unanimemente pelo Parlamento em 3 de Julho, fez ontem anos. O projecto de lei fora apresentado em S. Bento no dia 5 de Novembro de 1985, na passagem de mais um aniversário da concessão do Foral conferido por D. Manuel ao concelho de Monte Longo, em 1513.
Considerou-se, na altura, que a decisão da Assembleia da República de elevar Fafe a cidade, vinha coroar todo um trabalho empreendido ao longo dos últimos anos pelos executivos que estiveram à frente dos destinos do concelho e que haviam feito da Vila um lugar de desenvolvimento e progresso acelerado, possibilitando o preenchimento dos requisitos legais para a ascensão a cidade.
A elevação a cidade acabava assim, 12 anos após o 25 de Abril, por expressar na prática uma das principais conquistas da Revolução dos Cravos, qual seja, o reforço do Poder Local. O 25 de Abril possibilitou uma explosão de desenvolvimento por todo o município, ao nível das infra-estruturas básicas, abertura e pavimentação de vias, construção de escolas, electrificação das freguesias, distribuição de água, etc. Na então Vila, cresceram as infra-estruturas ligadas à educação e ao ensino, à cultura, desporto e lazer, como a reabertura da Biblioteca Municipal, a criação da Casa Municipal de Cultura, a abertura do Pavilhão Municipal, da Piscina Municipal, dos campos de ténis, a construção do novo quartel dos Bombeiros Voluntários e dentro dele do Estúdio Fénix, o arrelvamento do Parque Municipal de Desportos, entre outros. De igual modo, se reforçaram os equipamentos nas áreas da saúde, assistência social, comunicações e segurança pública. São ainda de salientar a construção do Mercado Municipal e da Feira Semanal, equipamentos abertos ao público em 1986.
A deliberação do Parlamento de elevação de Fafe a cidade foi saudada por todos os quadrantes políticos e partidários. O Dr. António Marques Mendes, em declaração de voto, logo no dia 3, ditou para a acta que “a Assembleia da República ao aprovar essa iniciativa legislativa e, consequentemente, ao legislar no sentido de a Vila de Fafe ser elevada a cidade reconheceu a justeza da pretensão, que não é apenas minha, mas era e é de todos os fafenses. Esta votação acabada de fazer vem culminar uma justa pretensão dos fafenses e em que o PSD se empenhou activamente, pretensão que os próprios órgãos autárquicos municipais unanimemente reconheceram ser legítima e correcta. A Assembleia da República soube também, uma vez estudado e analisado o assunto, reconhecer a justeza de tal pretensão, de que muito me orgulho de haver sido intérprete, ao apresentar o respectivo projecto. A elevação de Fafe a cidade, para além de traduzir o reconhecimento a todos quantos, na sua terra ou fora dela, souberam contribuir para o seu progresso e desenvolvimento, traz consigo também uma responsabilidade acrescida. Na verdade, se tal decisão traduz uma homenagem a todo um passado que vem estando na base do mérito conseguido, ela implica agora que se abram as páginas do futuro, exigindo se todos nós, fafenses, e das gerações que se nos seguirem, a demonstração de que soubemos merecer este galardão”.
Também o então Presidente da Câmara, Dr. Parcídio Summavielle, se pronunciou sobre o assunto. Ao jornal Correio do Minho, de 4 de Julho, referiu: “Julgo que todos os fafenses se devem sentir satisfeitos por esta decisão tomada pela Assembleia da República que, a meu ver, representa o reconhecimento inequívoco do progresso que as gestões socialistas conseguiram imprimir ao concelho. A elevação da Vila a Cidade não possibilita, por si só, novos saltos para o concelho. É, antes de tudo, o reconhecimento de uma transformação que aqui se operou, pelo que devemos continuar a progredir”.
Ao Jornal de Notícias do dia seguinte, referiu o autarca: “A elevação de Fafe a Cidade é, muito justamente, um motivo de orgulho e congratulação para todos os fafenses, pelo reconhecimento, que lhe subjaz, do mérito da obra realizada pelo Poder Local. A decisão de elevar Fafe a Cidade consagra, iniludivelmente, uma obra realizada ao longo de dez anos pelas sucessivas câmaras de maioria socialista, com um pequeno interlúdio, em que a maioria foi do PSD. (...) A elevação de Fafe a Cidade é justo prémio, o merecido reconhecimento a quem tudo deu (e continua a dar) para que a Vila conseguisse condições de desenvolvimento e progresso para que essa ascensão fosse sancionada pelo Parlamento”.
Na sequência da elevação a cidade, foram introduzidas alterações ao brasão e à bandeira do Município, sancionadas pela Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, consubstanciando-se na coroa mural, que passou a ter cinco torres e na bandeira, que passou a ser gironada (dividido em oito partes), com as cores alternadas. A nova heráldica da cidade foi publicada no Diário da República, III Série, nº 19, de 23 de Janeiro de 1987.

Fotos: Manuel Meira Correia

terça-feira, 3 de julho de 2012

Viagem pelos Monumentos da cidade de Fafe (VIII)

Monumento aos Combatentes da Guerra Colonial
Da iniciativa da Delegação de Fafe da Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra, e em especial do activista Jaime Silva, o Monumento aos Combatentes da Guerra Colonial foi inaugurado em 6 de Novembro de 2005.
Localizado no jardim central da Avenida do Brasil, o monumento tem a assinatura da escultora Andreia Couto e consiste numa estátua em bronze, representando um soldado equipado conforme os militares portugueses operavam nas antigas colónias, em cima de um pedestal, de forma quadrangular, nos lados do qual se inscrevem os nomes dos 37 soldados fafenses que morreram na guerra.
O objectivo é exactamente prestar homenagem aos jovens oriundos deste concelho que tombaram para sempre ao serviço da Pátria nos confrontos que decorreram entre 1961 e 1974 nas províncias de Moçambique, Angola e Guiné.
A Câmara de Fafe contribuiu com 15 mil euros para que a associação conseguisse concretizar o sonho – que vinha já de 2001 – de erguer o memorial aos mortos da guerra colonial, orçado em cerca de 20 mil euros. As juntas de freguesia também colaboraram nesta iniciativa.
Numa altura em que se evocam os 50 anos da guerra colonial em África (desencadeada em 1961), é o momento para se recordar, homenagear e enaltecer os heróis que foram todos os jovens que combateram - ao longo de treze anos, até 1974 - nos teatros de guerra de Angola, Guiné e Moçambique, se lembrarem os mortos que infelizmente tombaram nos campos de batalha ou em acidentes e lamentarem os estropiados e os imensos traumatizados de uma guerra injusta que apenas serviu os interesses políticos do fascismo português, de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano.

Viagem pelos Monumentos da cidade de Fafe (VII)

MONUMENTO AO FUTURO – 1º MONUMENTO DO MILÉNIO
É o primeiro monumento do novo milénio a ser edificado em Fafe. O Monumento ao Futuro está implantado na rotunda de Fornelos e foi inaugurado em 31 de Dezembro de 2000.
Da autoria do escultor Rogério Ferreira de Sousa e do artista Yann René Thual, o Monumento – que conclui a trilogia de monumentos mandados erigir pela actual Câmara, visando embelezar e tornar mais aprazíveis as entradas da cidade – pretende simbolizar a reunião num conjunto escultórico do espírito empreendedor dos fafenses, das suas convicções e dos seus valores.
Segundo os autores, o monumento pretende significar um voto claro num concelho novo e próspero, ao mesmo tempo que celebra a esperança de um novo milénio de mais justiça, paz, progresso e solidariedade.
Na base do monumento figura a rosa-dos-ventos, em granito. Uma esfera armilar rodeia uma colina tapetada de verde, representando o mundo, entendido como “o lar comum a todas as formas de vida”, e onde se ergue uma estátua de granito com dois metros de altura, personificando as terras de Montelongo. Junto à estátua, ergue-se uma árvore que constitui o legado para o Futuro. A coroar a estrutura, erguem-se dois arcos metálicos, que evocam a aliança entre o Homem e a Natureza.

domingo, 1 de julho de 2012

Justiça é o calcanhar de Aquiles da democracia!

1. Mais que em qualquer outro momento, é nas alturas de crise que os cidadãos mais sentem a necessidade de uma “Justiça justa”, passe a redundância, que os conforte das agruras dos cortes orçamentais e dos aumentos de impostos para financiar os famigerados “ajustamentos” que se tornaram inevitáveis devido aos excessos e aos erros dos políticos edos especuladores financeiros.
E o que os cidadãos não podem deixar de sentir, pelos exemplos que são de todos conhecidos, é que há duas justiças em Portugal: uma justiça para os pobres, que por uma bagatela são pronunciados e outra para os ricos que escapam à cadeia, mais facilmente do que o diabo foge da Cruz. E não acreditando na justiça, nem na consequente moralidade, em nada acreditam. Nem na democracia, obviamente! Por isso, é que já campeiam messianismos, sebastianismos, caudilhismos e ideias de que “no tempo de Salazar é que havia respeito e justiça!...
Sobre a (in)justiça, podemos falar dos casos dos políticos, de diferentes quadrantes: de Fátima Felgueiras ou de Valentim Loureiro. De recurso em recurso, intermináveis, foram levados até à absolvição final. Veredicto: inocentes, como anjinhos. Mas também de Isaltino Morais, condenado várias vezes, mas que através de golpadas legais sucessivas e recursos infindáveis, tem conseguido escapar às grades, na mira de uma breve prescrição das penas. E o certo é que, de recurso em recurso, porque tem muitos e bons cabedais financeiros e competentes causídicos, está a conseguir levar a água ao seu moinho.
É claro que estamos a falar de um escândalo nacional inaceitável. Porque a Justiça não pode ser o que está a ser: esta vergonha, esta sensação de que quem tem dinheiro safa-se e que quem não tem está tramado, este cancro que corrói o âmago da democracia e do regime instituído.
Vamos lembrar-nos de que, quando tomou posse, o actual procurador-geral da República, Pinto Monteiro, disse que não iria permitir uma justiça para ricos e outra para pobres. A realidade demonstra que não conseguiu ainda cumprir o que prometeu, quando se prepara para fechar a porta.
Na mesma linha, dá vontade de rir a declaração da actual ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, no sábado passado, ao JN, quando faz questão de sublinhar, para fazer um ilusório contraponto com o governo anterior, ou com outros que a precederam, como se estivesse a descobrir a pólvora, que “banqueiros e políticos já estão no banco dos réus” e que o “ambiente de impunidade está a terminar”.
Eu, que sou um simples escriba, bem gostaria de saber quais são os banqueiros e os políticos que a simpática ministra, que mais fala do que faz, conseguiu colocar no banco dos réus, em apenas um ano de mandato. Mas francamente não me ocorre o nome de nem um. Que banqueiro está no tribunal? Oliveira e Costa? Há quanto tempo, meu Deus!... E que político? Duarte Lima? Dias Loureiro? Arlindo Carvalho? José Neto? Isaltino Morais? Mas todos eles já vêm do tempo do arroz de quinze? Afinal, esta ministra não passa de publicidade enganosa!...

2. Que não há a sensação de justiça, nem de responsabilidade, neste país, francamente, não há. O país está numa lástima. Alguém provocou a situação, mas não há culpados. Todos sabemos que há derrapagens enormes nas obras públicas, mas ninguém é responsabilizado, como devia. As famosas parcerias público-privadas, que alguém assinou e sancionou, revertendo todos os riscos para o Estado e todos os lucros para os privados, têm buracos colossais, mas ninguém é responsabilizado. A Parque Escolar pagou obras que não foram feitas, como noticiou a imprensa, mas ninguém vai pagar por isso.
O sistema financeiro português é um dos grandes responsáveis pela crise que todos estamos a pagar, mas qual a penalização que tem por esse crime?
Enquanto em outros países (na América, por exemplo), há banqueiros presos, em Portugal, a banca é premiada com o reforço dos seus capitais, por imposição da capitalista troika, para melhor poder explorar os particulares e as empresas. É curioso como a troika se está marimbando para que as grandes ou as pequenas empresas vão à falência, mas os bancos é que não podem falecer. Faz tudo parte do sistema capitalista, que se alimenta sempre da especulação financeira. Pode um país não ter fábricas, nem escolas, nem centros de saúde. Mas os bancos é que não podem encerrar. É esta a lógica vampiresca dos “mercados”, que em Portugal está veiculada no memorando da troika e devidamente cumprida (e mais que cumprida, como se sabe) pelo governo da Nação!

3. Outra sensação patente no quotidiano é a da corrupção. E a de que se a justiça combatesse efectivamente a corrupção, os portugueses conseguiam viver melhor, pagar menos impostos e auferir melhor nível de vida.
Esta semana foi divulgado uma extorsão fraudulenta no Serviço Nacional de Saúde que pode chegar aos 100 milhões de euros, que incluía clínicos, delegados de informação médica e armazenistas.
E já nem falamos na Face Oculta. Nem no Freeport. Nem nos Submarinos, que até já motivaram prisões na Alemanha (mas aqui nada acontece, graças a Deus e às magnânimas leis que nos regem).
E tantos outros exemplos se poderiam ajuntar, todos eles dedicados a “furar” os cofres do Estado. A cultura deste país, do mais baixo ao mais alto, é, além da corrupção, a da fuga aos impostos, sempre que possível (sobretudo ao IVA). Compra-se um material de construção e não se passa factura. Faz-se uma obra e não se passa factura (se se pedisse, a obra ficava bem mais cara…). Vai-se a uma oficina e não se passa factura. Toma-se um café ou compram-se bolos e não se passa factura.
É claro que se todos cumprissem, os que pagam – e que a cultura dominante denomina de “otários” - pagariam bem menos. Mas a cultura dominante é a da fuga aos impostos e às obrigações...

4. Mas voltando às (in)justiças, o DN de sexta-feira passada, dá conta de que "O Estado vai assumir os créditos que o BPN concedeu a Duarte Lima e a Vítor Baía. No caso do ex-deputado estará em causa um crédito de 44 milhões de euros dado pelo BPN ao Fundo Homeland e que levou à detenção do advogado. No caso do ex-guarda-redes trata-se de terrenos rústicos, contas a descoberto e livranças por pagar, no valor de quatro milhões de euros".
Mas que país é este, afinal?
Estes vigaristas fazem as maiores falcatruas, andam aí na boa vida (Duarte Lima, já nem está preso...) e os portugueses agora é que vão pagar pelos buracos que deixaram?
Desde logo, me ocorrem duas coisas: gente desta (seja lá quem for, ou o nome que tiver na praça) deveria ser imediatamente presa e espoliada de todos os bens que ainda possua, para mitigar o prejuízo que vai causar a todos os cidadãos que vão ser obrigados a pagar por vigarices que não cometeram. Em qualquer país civilizado, isso aconteceria; não é lançar logo sobre os cidadãos, sem mais, o encargo de fazer pagar a factura de um crime que não cometeram.
Em segundo lugar: quem mandatou o governo para, em situações como esta, invariavelmente, fazer repercutir sobre todos os cidadãos as dívidas dos seus amigalhaços que se computam por milhões de euros. Porque não as vende as seus comparsas angolanos do BIC?
Um dia destes, vou comprar uma mansão na Quinta da Marinha, peço um empréstimo bancário, não pago e quero ver se o governo assume a minha dívida, que nem sequer será de tantos milhões assim?
Ou há portugueses de primeira e portugueses de segunda?
Nuns casos, o governo assume a dívida e noutros não? Que raio de governo é este?
Já agora, tambem é legítimo questionar: todos os dias vão empresas e famílias à falência, em resultado da crise que o governo não se cansa de agravar. Porque é que o Estado não assume as dívidas desta gente que não consegue ter dinheiro para pagar as prestações da casa ou os salários dos trabalhadores de pequenas fábricas, de valor incomensuravelmente menor que as vigarices colossais de Duarte Lima?
Isto sou eu a perguntar, obviamente, que não percebo nada disto?!...