domingo, 22 de julho de 2012

Portugal, um futuro sem educação!


É do senso comum que os dois sectores básicos, fundamentais e estruturantes de qualquer sociedade são a saúde e a educação. Os gastos feitos nessas áreas não são despesas, mas entram no domínio do investimento do Estado.
Assim é (deveria ser) em Portugal, onde aquela Lei Fundamental que os políticos adoram quando permite fazer o que querem e odeiam quando a interpretação vai no sentido contrário, como ainda agora sucedeu, consagra inequivocamente ambos os direitos como fundamentais.
A educação é um direito básico de todos os cidadãos portugueses, em condições de igualdade de oportunidades de acesso, na rede pública.
Todavia, esse direito basilar de todo e qualquer cidadão a uma educação de qualidade, no espaço público, está seriamente a ser colocado em causa por uma agenda político-ideológica ultraliberal que desvaloriza a universalidade educativa e a obrigação de o Estado garantir a “melhor educação” nos seus vários graus.
É claro que o desinvestimento na educação já não é de hoje e, em épocas de crise, quem mais sofre são essas áreas “supérfluas” como a cultura, o ensino e até a saúde, tidas como bens de luxo, quando o que é necessário é garantir o alimento para a boca de milhares de cidadãos...
Com este governo, este ministro, esta agenda, o problema agrava-se. A educação neste país está a ficar pela hora da morte (nem só a saúde) e o que está em causa nem são meros casuísmos economicistas, sempre lamentáveis, mas o futuro de todo um país, de todo um povo. Um futuro sem educação, porque no presente o que está a acontecer é um “investimento”, lastimável, sublinhe-se, na voluntária desarticulação do sistema educativo público.
Desde logo, com essa monstruosidade dos giga-agrupamentos, de que ainda ninguém conseguiu ter uma palavra elogiosa. Eu, pelo menos, ainda não consegui ouvir ou ler uma frase laudatória às virtualidades de um projecto que está a ser implementado pelo país, com algumas excepções, de que apenas se conhecem críticas. A excessiva dimensão das escolas/agrupamentos “desfavorece a relação interpessoal, a dimensão humana, a aproximação e participação dos pais na vida da escola, a coordenação pedagógica, a gestão e administração de recursos e meios, a relação com a comunidade educativa e por outro lado favorece a indisciplina”, como resumia há dias António Carvalho, deputado municipal de Guimarães.
A agravar a situação, o ministério determinou o aumento do número de alunos por turma, o que, diz quem sabe, degrada as condições de ensino e compromete a qualidade das aprendizagens.
Como corolário de toda esta situação, assistimos esta semana à movimentação dos professores pelo país, nas escolas e nas ruas, gente a chorar, professores com 20 e 30 anos de serviço colocados com “horários-zero”, docentes do quadro a ter de voltar a concorrer, a extinção de qualquer coisa como 25 mil horários, enfim, um pandemónio indescritível que nada tem a ver com o acréscimo da qualidade do ensino e da educação mas apenas se explica pela necessidade de poupar dinheiro. Mera contabilidade economicista, que deixa no desemprego milhares de professores contratados e sem qualquer perspectiva tantos outros milhares de jovens que estão a frequentar ou a concluir cursos virados para áreas pedagógicas.
Dir-se-à que o Estado não pode nem tem obrigação de empregar todos os licenciados. Nem de perto nem de longe. Mas tem obrigação de criar condições para uma educação de qualidade, no sector público, com um ensino e uma aprendizagem mais próximos, o que significa turmas mais pequenas, logo com maior apoio de professores, ocupando maior número de profissionais.
O que parece é que, à boleia da crise e das limitações orçamentais, estamos a assistir a uma clara e assumida desqualificação do ensino público, para que floresçam escolas privadas onde o Estado não deveria deixar de marcar a sua presença.
Mas já sabemos que estamos perante um governo para quem o interesse público não será a missão última. Claramente.
Basta, para o provar, a desclassificação simbólica da República: a res pública, a coisa pública. Isso diz tudo da ideologia reinante desde há um ano. Não é necessário ir mais longe. Lamentavelmente!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

UHF apresentam sexta-feira em Fafe CD “Ao Norte Unplugged”

O salão nobre do Teatro-Cinema de Fafe vai ser palco esta sexta-feira à noite (22h00) da apresentação do CD duplo “Ao Norte – Unplugged”, gravado ao vivo no Teatro-Cinema de Fafe em Novembro do ano passado.
Depois de aqui ter actuado em Novembro de 2010, a banda de António Manuel Ribeiro regressou em 26 e 27 de Novembro de 2011 para dois grandiosos e memoráveis espectáculos, que aproveitou para gravar 32 músicas para a edição de um álbum em CD.
Fafe orgulha-se de ter sido escolhida para a gravação do primeiro registo ao vivo totalmente acústico da famosa banda de Almada, que quis assim homenagear o público do Minho e do Norte, onde realiza a maioria dos seus espectáculos.
Da mesma forma, a banda aproveitou para comemorar em Fafe os 33 anos da sua formação, que remonta a 1978.
Das músicas gravadas, foram recuperadas 21, de que são exemplos, “Jorge Morreu”, “Cavalos de Corrida”, “Rua do Carmo”, “Matas-me com o Teu Olhar”, “Viver para Te Ver”, “Barcos ao Mar”, “Não me deixes ficar Aqui”, “Brincar no Fogo”, “Na Tua Cama”, “Menina Estás à Janela”, “Vejam Bem”, Velhos Tamborins” e “Por Três Minutos na Vida”.
António Manuel Ribeiro estará em Fafe para apresentar o CD, falar dos UHF, autografar livros e discos e cantar três ou quatro músicas da banda.
Imperdível!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Danças e Cantares dos funcionários municipais “abrem” Sons de Verão 2012 em Fafe

                                                         
O Grupo de Danças e Cantares do Centro Cultural, Social e Desportivo dos Trabalhadores da Câmara Municipal de Fafe actua este sábado à noite (22h00), na Arcada, no centro da cidade, na abertura das noites de Verão, habituais nesta altura do ano.
O grupo dos funcionários municipais interpreta durante mais de uma hora e meia um vasto reportório de canções populares e tradicionais, centradas sobretudo na região minhota.
Na semana seguinte, realiza-se no mesmo local, o XXVIII Festival Nacional e Internacional de Folclore de Fafe, organizado pelo Grupo Folclórico da Casa do Povo de Arões, com o apoio da Câmara Municipal de Fafe e com a participação de sete agrupamentos folclóricos, um dos quais estrangeiro (Eslováquia).

Escrever!

Num tempo de escuridão, o poema – o que quer que isso seja, nem que a pura escrita das manhãs que acordam numa aldeia minhota – é um lugar de luz. Como escrevia Sophia, é no poema que está e nasce a liberdade.
É o exercício dessa liberdade livre que funda e permanece no acto de quem escreve, não para mudar o mundo (que a palavra não tem dotes taumatúrgicos…) mas para se tornar mais humano, quer dizer, mais divino, mais puro e solidário.
Contra as sombras, as mediocridades, as ervas daninhas do quotidiano, a poesia – e em geral, a escrita – instaura-se como chama, incêndio, fulgor. O fogo da diferença, essa missão indeclinável e apetecível de ser aurora da criação, catedral de sentimentos, discurso directo do coração.
O dia a dia é a consagração da vulgaridade, da abrupta e aborrecida normalidade, da mais insidiosa e estúpida telenovela da vida: dos que se esquecem de viver, dos que transferem a sua vida para os ecrãs da fantasia, dos que recusam a utopia em nome de rasteiros interesses.
A escrita nasce da opção por um estado outro de ser, de estar e de querer. A denegação dos bichos da terra vis e tão pequenos de que se lamentava Camões, nos Lusíadas, essa epopeia patriótica que a Escola hoje desvaloriza, ou menospreza, num crime de lesa-cultura, não por culpa própria, naturalmente, mas por decisões vindas dos estúpidos poderes que vamos suportando. É a libertação de asas e grilhetas que agarram os humanos à terra; é o voo fantástico em busca da eternidade. Quer dizer, da luz.
Escrevo, não como quem respira, óbvio, nem como obrigação de me sacrificar em cinco milhares de caracteres diários, longe disso, mas quando me dá na real gana e com o esforço próprio de quem poda os galhos de uma estátua que vai esculpindo, ao sabor do momento e da emoção que transporta.
Pensar incomoda como andar à chuva, parafraseando Pessoa. Mas não me importo de uma boa molha, para expressar as minhas inquietações, os meus anseios, as minhas alegrias, partilhando-os com os leitores, como sempre tenho feito, com  toda a frontalidade, toda o arrojo, sem me esconder em pseudónimos ou em cobardias anónimas. Aqui, nos jornais, ou nos livros.
Um homem só pode ter uma cara. Uma verticalidade, um nome, um rosto.
Não pode lançar a pedra e esconder a mão. Assume, subscreve, não foge, se é homem de corpo inteiro.
Tenho procurado sê-lo, para o bem e para o mal, arrostando com as consequências, algumas incompreensões, mas também aplausos. Sobretudo, não enganando ninguém, não me enganando a mim próprio, que é o mais importante!

domingo, 15 de julho de 2012

Padrões ou obeliscos na cidade: Lions e Rotary Club

Padrão do Lions Club de Fafe
Após termos passado em revista os oito monumentos que embelezam a cidade e os seus arredores desde os anos 30, portanto, nos últimos oitenta anos, incrementados nos anos mais recentes, resta-nos chamar a atenção para dois padrões ou obeliscos que estão na cidade e que, não sendo propriamente monumentos, ocupam o seu lugar simbólico no contexto urbano e sobretudo associativo.
Ambos pertencem a clubes de serviços: o Lions Club e o Rotary Club.
Na Rua António Saldanha, em homenagem ao emérito combatente antifascista, mais conhecida popularmente por Arcada, está implantado o obelisco (imagem acima) dedicado aos 25 anos do Lions Club de Fafe (1978/2003), sob o lema “Nós Servimos”. Ao cimo da coluna, o brasão do Lions Internacional e ao fundo a figuração do mapa mundi, com a indicação dos continentes.
Na Rua Serpa Pinto, está também colocado um padrão de homenagem ao Rotary Internacional, da iniciativa dos rotários fafenses, por ocasião das suas bodas de prata (igualmente 1978-2003). Uma inscrição no sopé do memorial, de linhas rectas, angulares e sóbrias, transcreve o lema da organização: “ser rotário é dar de si antes de pensar em si”.
Marco rotário

Fotos: Manuel Meira Correia

sábado, 14 de julho de 2012

Num país civilizado, Miguel Relvas já não seria ministro!

1. Já não bastava Miguel Relvas estar lamentavelmente envolvido no caso das “secretas”, um acontecimento muitíssimo mal esclarecido, com mentiras e meias verdades pelo meio e que só não teve mais consequências porque a maioria política se opôs a que a verdade viesse ao de cima, como o azeite.
Já não bastava Miguel Relvas estar envolvido nas pressões ilícitas a uma jornalista do Público, de que só foi ilibado pela votação dos seus correligionários da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
Não se provou nada, porque não o quiseram os Magnos e outros membros “alinhados politicamente”, a quem só teoricamente interessa a descoberta da verdade.
Quando a história destes episódios for feita e a verdade reposta, já não haverá consequências políticas! O que não aconteceria se fosse apurada nesta altura, como deveria.
Eis senão quando, volta a falar-se de Relvas, pela negativa, pela mentira (um registo biográfico no parlamento, em 1985, onde se mencionava que era estudante universitário do 2º ano de direito, quando não havia tirado senão uma cadeira do 1º ano…), pelo mau exemplo, pelo alargamento das Novas Oportunidades ao ensino superior, coisa que se julgava impensável.
Agora fala-se de Miguel Relvas, depreciativamente, pela sua licenciatura. À memória vem José Sócrates, mas perante este caso, Sócrates é pós-doutorado, quase catedrático, pois andou vários anos na Universidade.
A imprensa não fala em outra coisa por estes dias: o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares do actual governo (aquele que tem um ministro que alega tanta exigência na vida escolar e está calado que nem um c-rato perante este excesso de facilitismo…) obteve 32 equivalências e fez apenas 4 (quatro) exames para obter a licenciatura em Ciências Políticas e Relações Internacionais. Num anos apenas. Pasmem os deuses!... Em que prestigiada instituição universitária? Na Universidade Lusófona. Pois…
Os cargos públicos que Relvas ocupou desde os 26 anos valeram-lhe a equivalência a 14 disciplinas. É obra!... O “exercício de funções privadas, empresariais e de intervenção social e cultural”, que incluem um cargo numa associação folclórica, valeram mais 15 equivalências. Mais obra!... E assim por diante. É inacreditável. Pode ser legal, pelo processo de Bolonha (há quem lhe chame de vergonha). Pode ser um “não assunto” para um primeiro-ministro que deveria ser mais criterioso nas palavras que escolhe e que cada dia escapa mais para um tom arrogante, insensível e autoritário que antecessores usaram e que não deu bons resultados. Foi o princípio do fim de alguns.
Pode não haver ilicitudes ou irregularidades neste processo (se não há porque é que a Procuradoria Geral da República está tão atenta?), mas que há uma imoralidade gigantesca ninguém duvida. Que há uma vigarice de todo o tamanho, nem sou eu quem o diz. Tem vindo escarrapachado em tudo o que é media.
Que é que pretendeu Miguel Relvas? Claramente apenas o título de “doutor”, sem o qual ninguém tem estatuto neste país parolo de “doutores e engenheiros”. Porque não quis obter conhecimentos, nem aprendizagens, nem saberes, porque senão teria feito o percurso normal dos estudantes vulgares. Valeu-se de um “expediente” proporcionado pelos seus amigos da Lusófona (o amigo que certificou 160 créditos já foi promovido pela escada abaixo…), que é o que está no sangue do chico-espertismo nacional.
Que exemplo é que um governante com este percurso dá aos mais jovens que têm pela frente cursos de três ou mais anos de licenciatura e mais dois de mestrado para entrarem numa profissão? Pensarão para os seus botões: “para que vou chatear-me a estudar? Inscrevo-me numa jota, faço um currículo político afiançado e haverá sempre uma Lusófona amiga que, num ano, me certifica o currículo, as competências e a experiência profissional (e ainda por cima a desembolsar um décimo do que custa o curso). E com um jeitinho, sem saber nada, ainda dou aulas a quem sabe mais que eu!”...
Se não estamos perante uma escandaleira, andamos lá perto.
Passos Coelho deveria envergonhar-se de criticar as Novas Oportunidades, porque o seu ministro aí está para demonstrar as virtualidades, a essência, a substância, o paradigma do programa. Se alguém que de alguma forma foi formado nas Novas Oportunidades aplicadas ao ensino superior conseguiu chegar a segunda figura do governo, tal só depõe a favor deste importante programa que o PSD tão injustamente quer eliminar, pondo em causa futuras licenciaturas “à maneira de Miguel Relvas”.
No fim de contas, a ideia que fica, no meio de todo este imbróglio, é que Passos Coelho está refém de Relvas e não sabe como mandá-lo à vida.
Com todas as trapalhadas em que esteve e está metido, Relvas prejudica inequivocamente a imagem do governo e do país.
Por isso, espanta que continue no exercício do cargo. Como surpreende que o Presidente da República não exerça a sua magistratura de influência junto do governo para devolver Relvas aos seus negócios, que poderão, quem sabe, dar equivalência a um mestrado na Lusófona!...

2. Agora percebo porque é que os patrióticos deputados da Nação, de todos os partidos, não abdicaram de receber os subsídios de férias e de Natal neste ano da (des)graça de 2012, ao contrário dos mais de 1 milhão de funcionários públicos e pensionistas que se viram privados deles, com os consequentes e dramáticos (para muitos) reflexos na vida pessoal e na economia da região e do país.
É que os nossos parlamentares já adivinhavam que a suspensão era inconstitucional e se há coisa de que eles não querem ser acusados é de violar a Constituição. Assim, o melhor é meter os subsídios ao bolso, para se cumprir a Lei Fundamental!...
É sempre enternecedor ver os deputados da Nação defender os seus interesses!...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

UHF apresenta em 20 de Julho CD duplo “AO NORTE” no Teatro-Cinema de Fafe


UHF no Teatro-Cinema de Fafe em Novembro de 2011

No próximo dia 20 de Julho (sexta-feira), a partir das 22h00, no Salão Nobre do Teatro-Cinema de Fafe, tem lugar a apresentação ao público e à comunicação social do norte do duplo CD AO NORTE – unplugged, o mais recente trabalho em disco da banda UHF, que foi gravado na nossa mítica sala de espectáculos, em Novembro de 2011.
A apresentação conta com a presença de António Manuel Ribeiro, o carismático líder dos UHF, que trará a sua viola e interpretará dois ou três temas do álbum acústico.
Relembre-se que, em Novembro de 2010, os UHF esgotaram pela primeira vez o Teatro Cinema de Fafe e a sala veio abaixo ao longo das duas horas e meia da actuação.
Um ano depois, exactamente, os UHF regressaram a Fafe para registarem um concerto acústico para edição discográfica. Só que desta feita a sala esgotou com duas semanas de antecedência; novo concerto foi marcado para o dia seguinte, um domingo à tarde – os dois entraramm no registo digital.
Este disco ao vivo, o quarto na vida dos UHF, é uma celebração a todos os fãs anónimos que entraram e continuam a entrar para a grande família que o tempo e as canções ofereceram ao grupo.



Depois de concertos gravados em Almada, Lisboa e Porto, os UHF celebram as emoções e o coro que as gentes do norte emprestam em cada concerto do grupo, sabendo que viriam outros de todos os cantos do reino.
“AO NORTE” é o melhor desses dois concertos e revela uma formação madura, capaz de se reinventar como acontece nas versões de “Cavalos de Corrida”, o primeiro single a chegar às rádios, “Matas-me Com o Teu Olhar”, “Rua do Carmo”, “Rapaz Caleidoscópio”, “Na Tua Cama”, “Uma Palavra Tua”, “A Lágrima Caiu”, ou “Viver para Te Ver”.

(Imagens dos concertos de Fafe, em Novembro de 2011)