segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Manifestação colossal contra terrorismo do poder!

JN, 16/09/2012
Este sábado, 15 de Setembro, ficará na história como o princípio do fim do inepto governo de direita, que o mais certo é não chegar ao final da legislatura, a ultrapassagem e o descrédito da classe política e o triunfo da capacidade de mobilização das redes sociais. Foi o triunfo da cidadania, do protesto espontâneo, não manipulado por partidos ou sindicatos.
Centenas de milhares de portugueses (há quem fale em 1 milhão…) saíram à rua, no Porto, em Lisboa, mas também em Braga e em dezenas de outras localidades, para manifestar a sua indignação contra o terrorismo de Estado – da troika e dos seus feitores de S. Bento – em que se está a transformar a austeridade. Sob o lema “Que se lixe a troika. Queremos as nossas vidas”, os portugueses quiseram demonstrar que o limite da paciência e dos sacrifícios está a esgotar-se e que é preciso reagir, com veemência e firmeza, porque um governo não tem o direito de fazer tudo o que quer contra o seu povo, seja em que situação for! Não tem essa legitimidade democrática! Nem em situação de emergência!
Até que enfim que a alma que parecia adormecida dos antigos navegadores, das antigas padeiras de Aljubarrota, dos antigos guerrilheiros e combatentes, dos resistentes contra as várias tiranias e opressões, acabou por vir à luz do dia, na tarde solar deste sábado. Já se estava a ficar farto de um povo acocorado, de rabo entre as pernas, sem capacidade para manifestar a sua revolta! O mito dos “brandos costumes” foi uma construção salazarista, que não corresponde à idiossincrasia dos portugueses!
Público, 16/08/2012
Independentemente de filiações ideológicas ou doutrinárias, de idades ou condições sociais, três gerações, dos reformados aos trabalhadores e aos desempregados, coloriram as avenidas deste país num grito de protesto contra o massacre colossal de que os portugueses estão a ser alvo por parte de um governo sem alma e sem qualquer sensibilidade, que corta ordenados e subsídios, aumenta a carga fiscal para níveis insuportáveis e anuncia as mais gravosas medidas com a displicência de quem vê o mundo através de uma mera, académica e irritante folha de excell.
O país está em transe, sem dúvida, nem podia ser de outra maneira, perante um governo demente!
A primeira lição que há a retirar da gloriosa jornada de sábado, é para Passos Coelho e para a troika: tenham cuidado. O povo português não tem alma de escravo, embora às vezes aguente até um elefante em cima da barriga! Mas quando espirra, adeus Coelho!...
Já não se tolera que a democracia neste país seja um “permanente estado de excepção”, ao sabor de quem não tem legitimidade nem mandato para suspender a democracia.
Também o presidente da República tem de deixar de ser o fofo travesseiro onde a direita ressona. Ou assume a sua função de árbitro (que não joga a favor dos partidos que distribuem o tabuleiro do poder), ou ainda acaba por ter de resignar. Se é supremo magistrado da Nação, não pode passar a vida a servir de esfregão às políticas neoliberais e extremistas deste governo. Que se defina, de uma vez por todas: ou apoia o governo ou defende o interesse dos portugueses em geral, que é a sua missão fundamental!...
Em segundo lugar, fica comprovado que os partidos políticos estão ultrapassados. A sua eficácia mobilizadora é ridícula, perante ao gigantismo desta convocatória informal, num país cada vez mais qualificado, moderno e atento. Lá tiveram alguns que se colar às manifestações, para capitalizarem o descontentamento. Os políticos que se cuidem, os partidos que se actualizem!... O país não aguenta a forma de fazer política que está a ser protagonizada nos últimos anos.
O povo nas ruas também quer dizer que a democracia não significa apenas o depósito do voto de quatro em quatro anos, como os partidos gostam. O povo na rua é também exercício genuíno de democracia, vontade de expressar descontentamento e revolta, sobretudo quando os mandatários da soberania exorbitam das suas competências, dos seus projectos, das suas promessas.
Em terceiro lugar, e já nem era necessária esta demonstração, a força incomensurável das redes sociais e da sociedade da informação fica mais uma vez comprovada, sobretudo numa altura em que é latente a sublevação pacífica dos mais habilitados, em especial dos jovens, que são quem mais habilmente maneja estes instrumentos do conhecimento. E estão fartos de promessas não cumpridas, e de quem os convida provocadoramente a sair da “zona de conforto”, para irem entregar o seu saber e as suas qualificações aos países de emigração.
Revi-me, em todo o esplendor, na manifestação de um Portugal profundo, indomado, guerreiro, que não aceita tudo o que o chico-espertismo dos governos e das troikas nos querem impor.
Há um limite para a indignidade e para a imoralidade que foi claramente ultrapassado. O povo saiu à rua, para fazer história. Adorei. Ainda bem que não somos eternamente um povo de cócoras!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Um infame abuso de poder!

É incontornável que continuemos a falar do colossal massacre de que os portugueses estão a ser alvo por parte de um governo sem alma e sem qualquer sensibilidade, que corta ordenados e subsídios, aumenta a carga fiscal para níveis insuportáveis e anuncia as mais gravosas medidas com a displicência de quem vê o mundo através de uma mera e académica folha de excell, como o faz essa estátua sonolenta sem ligação à realidade que é Vítor Gaspar. Ou encara o mundo laranja nas falinhas mansas de Passos Coelho, que cada vez os portugueses (mesmo os que o elegeram, nanja eu!...) quer ver longe da vista, dos ecrãs e das carteiras!...
Gerou-se um consenso social e económico contra o clima de espoliação em que se transformou a relação do Estado para com o cidadão (e ainda falam dos governos socialistas: quem mais gama os bolsos dos cidadãos do que esta cambada?), e que vai originar um agravamento da conflitualidade e da justa crispação contra os governantes.
Os portugueses estão a ser barbaramente massacrados por um governo insensível, que não olha a meios para atingir os fins, a pretexto do cumprimento de um memorando de entendimento cujos termos há muito foram ultrapassados e desvirtuados, por este governo e pela troika. O PS, que o assinou, já nada tem a ver com ele, claramente, tão alterado ele está. É como classificarmos um edifício que, depois de alterado, já nem se reconhece. Sendo o mesmo, já nada tem a ver!...
É impossível não atendermos a que, da esquerda à direita, das centrais sindicais às confederações patronais, ninguém apoia as medidas anunciadas pelo governo, desde logo essa saloiice de obrigar os trabalhadores a encher os bolsos das grandes empresas, aumentando as suas contribuições para a Segurança Social, enquanto aqueles vêem reduzida a Taxa Social Única, a pretexto de “combater as altas taxas de desemprego”, o que não passa de pura tanga.
Nenhuma empresa vai admitir funcionários neste período sem futuro, em que não há escoamento dos produtos, porque o consumo está em queda, e mais restrito ficará em 2013, como qualquer merceeiro é capaz de prever, o que não seguramente não acontecerá com o ministro das Finanças, a não ser que a realidade venha a encaixar no seu modelo teórico. Não é o modelo que tem de se adaptar à realidade e à pobreza dos portugueses!....
É impossível não ficar indignado quando se vem a saber que, enquanto os trabalhadores são coagidos a vender a sua força de trabalho cada vez mais barata, trabalhando mais dias pelo mesmo ou menos dinheiro, as grandes empresas lucram 800 milhões de euros com os cortes nos salários, e nem satisfeitas ficam.
Mais: é inacreditável que a própria troika venha declarar que não foi ela a autora da ideia da criação dessa monstruosidade que ninguém quer adoptar, e não interessa a ninguém, a não ser ao fisco: os trabalhadores ficam sem parte do seu magro salário e as empresas engordam a tesouraria mas não criam qualquer posto de trabalho.

* Como é possível? O governo “pediu seis vezes mais do que precisa cortar para a nova meta do défice”

É impossível não concordar com Manuela Ferreira Leite, e bem nos custa ter de fazê-lo, quando afirma que “só por teimosia se pode insistir numa receita que não está a dar resultados”, por um governo que actua com base em “modelos que estão a ser perniciosos e não têm nenhuma adesão à realidade”.
Um governo de loucos é o que é este executivo de Passos Coelho: incompetente, impreparado, a navegar à bolina, ao sabor das ondas, sem estratégia, sem rumo definido, sem uma luz ao fundo do túnel!
Os jornais desta semana, referem, para grande revolta e indignação dos portugueses, que o governopediu seis vezes mais do que precisa cortar para a nova meta do défice”. O Governo está a pedir aos portugueses um esforço de redução do défice "na ordem dos 4,9 mil milhões de euros", valor quase seis vezes superior à redução necessária combinada com a troika.
O défice deste ano deverá ser de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) e terá de cair para 4,5% em 2013, o que dá uma descida de "apenas" 850 milhões de euros, aproximadamente.
Que governo é este que massacra o seu povo, com doses cavalares de austeridade, ultrapassando em seis vezes o que a troika impõe, por mero tacticismo político? Merece respeito um governo assim, que gere o país sem qualquer pingo de sentimento perante o sofrimento que provoca ao seu povo? Merece algum apoio quem assim nos assalta os bolsos, abusando infamemente do poder que detém?
E ainda vem Vítor Gaspar ofender-nos colectivamente, afirmando que “os portugueses estão dispostos a fazer sacrifícios”! É preciso ter lata!...
Como já escrevi em outras ocasiões, o povo português tem de acordar definitivamente do seu marasmo, da sua brandura, da sua passividade! Chega de um povo acocorado, vencido, de rabo entre as pernas!
É preciso protestar, contestar, reclamar, encher as ruas de manifestações. Para marcar uma posição de dignidade, em defesa do presente e do futuro, contra os abutres de direita que não passam de feitores dos interesses dos grandes grupos económicos internos e externos, dos especuladores financeiros, dos burgueses capitalistas que dominam, silenciosamente, os cordelinhos do poder.
Em Portugal, na Europa e no mundo!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A família como reduto de felicidade!


Seis anos após o primeiro encontro (como o tempo voa, santo Artur!), na Quinta do Pombal, em Paços, a “Família Coimbra”, originária de Serafão e dispersa por cidades como Fafe, Guimarães, Matosinhos e Figueira da Foz, entre outras localidades portuguesas e afins (como Londres, por exemplo), reencontrou-se este domingo, num piquenique ao ar livre, em Vila Nova, Serafão. Um reencontro feliz com lágrimas (amargas, embora silentes) da perda de quatro dos seus membros, que entretanto voaram em direcção à Estrela do Sul e em memória dos quais foi guardado um justo minuto de silêncio.
Entre adultos e crianças, marcaram presença mais de meia centena de familiares, de três gerações, à beira da quarta.
Foi um dia em pleno de convívio, camaradagem, revelações, recordações, confidências, milhões de abraços, milhões de beijos entre quem muito se quer, uma tarde inteira de sorrisos em torno das mesas, debaixo das oliveiras de Vila Nova, ali a dois passos do encantador lago do “Lameirão” e da Capela de S. Gonçalo. A felicidade andou à solta por aquelas bandas, sem dúvida!
A família é o último reduto da fidelidade à alegria, à boa disposição, à realização do humanismo do homem, ao reencontro com o que de melhor a vida nos reserva.
Confraternizar com os familiares mais próximos, os pais, os irmãos, os cônjuges, os filhos, os sobrinhos, os tios, os primos, sem a submissão à ditadura do relógio, tranquilamente, como o sol passeia pachorrento o azul do firmamento, é um indizível hino à satisfação, à fortuna interior que nenhum dinheiro paga nem nenhum governo consegue hipotecar.
É o regresso ao coração, à casa de onde partimos e onde nos sentimos inteiramente realizados e preenchidos.
Amo a minha família, dos mais próximos aos mais distantes dos seus membros. Todos fazem parte do meu sangue e eu parte do seu. Todos somos a mesma árvore de vida que tem tronco e ramos e folhas e flores e frutos e todo um universo de afecto que nos une, imparável e imprescritível, como numa teia miraculosa que se vai tecendo e robustecendo, com orvalho e cristais! Ou diamantes, que é o que a família é!
Aqui ficam algumas imagens das dezenas que pululam no facebook dos que têm o privilégio de a elas aceder!

A primeira geração dos "Coimbras". Os pais. Os tios. Sempre em forma. Brilhantes!
A segunda geração os Coimbras. Tudo bons rapazes (e meninas!...), estes primos direitos.

Os "não Coimbras", ou seja, os cônjuges dos (e das) "Coimbras" são já numerosos...
A terceira geração dos "Coimbras" promete: em beleza, talento e juventude.
E ainda faltam alguns!...
  
Eis estes "Coimbra Brothers": gente boa, sem dúvida, a começar pelo je!...

No convívio, comeu-se, bebeu-se, riu-se e cantou-se. O Francisco toca muito bem!...
O je também deu uma perninha nas cantorias...

sábado, 8 de setembro de 2012

Esperteza saloia de Passos Coelho!


O chico-espertismo triunfou, mais uma vez, esta sexta-feira. O de Passos Coelho, com a maior desfaçatez de que é capaz, mas também o dos seus correligionários do PSD, que justificam o injustificável, e o dos seus aliados úteis do CDS, que conseguem não ver o que toda a gente vê, e que ainda ontem se negavam a aceitar: um brutal aumento de impostos para a generalidade dos portugueses, sobretudo para os que trabalham.
A miopia política desta gente aparentemente inteligente é impressionante.
Espera-se para ver o que o Presidente da República, que até agora não tem feito pevide contra o governo, e que não tem passado de uma posição banana, vai dizer, ele que tanto enche a boca da necessidade de haver “justiça” e “igualdade” na distribuição dos sacrifícios, e que não há lugar para mais sacrifícios para os mesmos de sempre. Quer dizer, os trabalhadores, e sobretudo os funcionários públicos. Eles voltam a ser outra vez sacrificados por este governo amigo da austeridade extrema, embora agora acompanhados pelos trabalhadores do sector privado.
Passos Coelho foi à televisão esta sexta-feira, meia hora antes do jogo Luxemburgo-Portugal, o que não é inocente, para anunciar o aperto da austeridade, deixar cair algumas máscaras e anunciar mais roubos de catedral aos portugueses.
Para a troika ouvir, forte com os fracos e fraco com os fortes, como é timbre nos últimos tempos, veio à televisão anunciar que, a partir de 2013, os trabalhadores vão passar a pagar mais à Segurança Social, dos actuais 11% para 18%, enquanto as empresas vão ter um alívio da Taxa Social Única, de 23,75% para 18%. Para poderem comprar mais carros para os patrões e montarem mais piscinas.
A “história” de que estas medidas caninas de austeridade são para “combater as altas taxas de desemprego” não passam de pura tanga.
Quando lacrimeja: «Deixem-me explicar o que está em causa. O desemprego atingiu dimensão que ninguém podia esperar», um motivo que exige «sacrifícios» que devem ser «um contributo equitativo e um esforço comum» – não passa de treta, para justificar o alívio dos encargos das empresas e o aumento da carga fiscal dos trabalhadores.
Nenhuma empresa vai admitir funcionários neste período sem futuro, em que não há escoamento dos produtos, porque o consumo está em queda, e mais restrito ficará em 2013.
Ou seja, o que Passos Coelho anunciou sexta-feira é que os funcionários públicos vão ficar, na prática, sem os dois subsídios anuais, tal como este ano, o mesmo acontecendo aos reformados e pensionistas.
Por isso, dá vontade de rir esta frase do discurso do primeiro-ministro, dirigida aos funcionários públicos: «O subsídio reposto será distribuído pelos doze meses de salário para acudir mais rapidamente às necessidades de gestão do orçamento familiar dos que auferem estes rendimentos». Quer dizer, a pretexto do acórdão do Tribunal Constitucional, o Governo dá com uma mão e tira com as duas. Os funcionários públicos nem vão ver a cor do dinheiro do subsídio que alegadamente é “reposto”!
A única verdade de Passos Coelho, neste contexto e que contradiz a sua afirmação anterior, desvendando o chico-espertismo da sua artimanha, é que «o rendimento mensal dos funcionários públicos não será alterado relativamente a este ano». Obviamente que não. Se o governo vai alegadamente “repor” um dos subsídios, por imposição do Tribunal Constitucional, mas vai buscar o mesmo valor por outro, o rendimento não se altera!...
Óbvio, meu caro Watson!...
Além dos funcionários públicos, também os privados vão ficar sem um mês de ordenado. O que significa que o malfadado, criticado e tão depreciado (pela direita) acórdão do TC, deu um jeitão do caraças, para que o governo possa ir ao bolso, além dos mártires de sempre, dos trabalhadores do privado. Benditos juízes do Tribunal Constitucional!...
Depois deste negro panorama, vir dizer, como Passos Coelho, que o Governo «rejeitou um aumento generalizado de impostos» no Orçamento do Estado para 2013, porque considera que isso comprometeria as perspectivas de recuperação económica do país, só se entende por brincadeira...
Se depois destes anúncios não estamos a falar de um “aumento generalizado de impostos”, alguém tem de ir parar a Rilhafoles!...
Onde anda o Dr. Paulo Portas, que tanto brame contra o aumento de impostos e agora se mostra tão silencioso e cúmplice com esta catástrofe?!... Pura politiquice, como ele gosta, e é especialista!... Só aparece quando não é preciso, ou quando os submarinos estão à superfície.
São sempre os mesmos a pagar a crise: os trabalhadores e os pensionistas. A receita não varia nem uma vírgula.
Passos Coelho não anunciou uma única medida para o grande capital, as grandes empresas, as enormes fortunas, aqueles que podem e devem solidariamente contribuir para este momento de crise. Como aqueles “criminosos de lesa-pátria” (não têm outro nome) que têm mais de 3 mil milhões de euros em capitais no estrangeiro, à revelia das leis portuguesas, aquilo a que se chama fuga de capitais.
Para essa gente, que é muito patriota mas para quem o capital não tem pátria, não há medidas draconianas.
É a classe média que vai continuar a ser fustigada, maltratada, espremida, humilhada, espezinhada com impostos e tributos de toda a espécie.
Até que algum dia se lembre que há uma alma de antigos navegadores dentro dela, de antigas padeiras de Aljubarrota, de antigos guerrilheiros e combatentes, de resistentes contra as várias tiranias e opressões. E venha para a rua protestar para dizer BASTA!
Um governo não tem o direito de fazer tudo o que quer contra o seu povo, seja em que situação for! Não tem essa legitimidade democrática!
E o povo português tem de acordar do seu marasmo, da sua brandura, da sua passividade!
Mete dó este país de rabo entre as pernas!

NB – Também metem dó, para não dizer mais, as declarações de um castiço chamado Miguel Frasquilho, que pelos vistos é deputado, e do PSD (isso nota-se), quando vem afirmar, sem se rir, que as novas medidas de austeridade representam a alternativa para evitar que o Tribunal Constitucional volte a declarar inconstitucional as vias do Governo para a redução do défice e da dívida.
«A opção inicial do Governo [no Orçamento do Estado para 2012] era diferente e foi a decisão do Tribunal Constitucional que obrigou a que fosse encontrada uma alternativa. Evidentemente, o Governo não podia correr o risco que o Tribunal Constitucional voltasse no próximo ano a decisão que tinha sido tomada», salientou o ex-secretário de Estado social-democrata.
Quer dizer, para cumprir a decisão do Tribunal Constitucional, o governo não vai apenas suspender, enviesadamente, como se viu, os subsídios de natal e de férias aos trabalhadores do sector público e aos reformados, como vai alargar o “esticão” de um salário ao privado.
Há políticos que, na verdade, são um nojo para justificarem o que não tem justificação. São tiradas para atrasados mentais, que é como eles vêem os portugueses!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Morreu o jornalista fafense Augusto Vilela


DN, 16/08/2012

Ninguém o conhecia como fafense, mas foi um grande jornalista de expressão nacional.
Augusto Vilela, de 77 anos, natural de Fafe, morreu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de doença prolongada, no passado dia 13 de Agosto e foi cremado três dias depois.
Augusto Vilela trabalhou nos jornais Motor, de que foi fundador, no Diário de Lisboa, Comércio do Porto, Diário de Notícias e no Gabinete de Comunicação Social em Macau no tempo do governador Rocha Vieira. Foi ainda assessor de dois ministros da Agricultura do PS (Fernando Gomes da Silva e Capoulas Santos).
Além disso, colaborou no jornal espanhol Diário 16 e na Revista de Macau.
Por altura do seu falecimento, o DN titulava que Augusto Vilela foi “o jornalista político que tinha paixão pelos automóveis”.
O país e Fafe ficaram mais pobres! Sem dúvida!
Aconselhamos a leitura da notícia do DN, para termos a verdadeira dimensão de quem foi o fafense Augusto Vilela.

domingo, 2 de setembro de 2012

Uma “cratera” gigantesca, um falhanço colossal!

Ainda em férias, os portugueses ficaram a saber que, apesar de terem pago com os maiores sacrifícios os custos da malfadada crise que se abateu sobre este rectângulo, o governo não está a fazer a sua parte, demonstrando a maior incompetência na orçamentação das receitas fiscais. Como resultado, a cratera fiscal que se refere acima.
Os portugueses fizeram a sua parte, foram sujeitos aos mais hercúleos sofrimentos, perderam casas, carros, frigoríficos, foram à falência pessoal, tiraram os filhos dos jardins-de-infância e das universidades, cumpriram. Mas o governo demonstrou a sua incapacidade, o que de resto já não é surpresa. Nos últimos dias, ficou a saber-se que o défice do primeiro semestre deste ano é de 6,9 %, segundo a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, o que significa que as medidas de consolidação previstas não deverão ser suficientes para assegurar o cumprimento do objectivo para o défice orçamental de 2012, ou seja, 4,5 por cento do Produto Interno Bruto.
As medidas do lado da despesa estão a ser executadas: foram cobrados mais 236 milhões de euros de impostos aos trabalhadores e poupados quase 1000 milhões de euros com os cortes na função pública. O governo foi ao bolso dos portugueses em geral e dos funcionários públicos e dos reformados, em particular, a quem extorquiu o subsídio de férias, como todos sabem.
Vítor Gaspar é que está a demonstrar uma incompetência inaceitável a nível da previsão da recolha dos impostos: neste período registou-se um “buraco” de 2,8 mil milhões de euros na receita fiscal (IVA, IRC, ISP, veículos, tabaco).
Este tenebroso panorama depois de um ano de bárbara diminuição dos rendimentos das famílias, da falência de empresas (4338 empresas faliram só nos primeiros oito meses deste ano), de uma taxa de desemprego a níveis exorbitantes (mais de um milhão de portugueses, sendo que mais de 200 mil ficaram sem emprego durante o consulado deste governo), do aumento do número de pobres e indigentes que ultrapassam já os dois milhões de pessoas.
Qualquer merceeiro que saiba fazer contas, sabe que num período de profunda depressão económica, com a economia paralisada, não há acréscimos de impostos (como o engasgado ministro previa, no papel), mas antes a sua diminuição, como a prática acabou por ensinar-lhe. Fazer contas em contrário, só comprova má fé, calculismo político ou, o que é mais certo, inaptidão e incapacidade para o cargo. Um ministro que foi “vendido” como exigente e inflexível, acaba por revelar-se permissivo e aberto a inúmeras excepções que agravam o défice público. Uma lástima!
Ele que tanto fazia gala em falar há um ano do “desvio colossal”, engula agora este vero “falhanço colossal”, que desmerece o país mas humilha o governo e faz cair o país nas piores expectativas quanto à estratégia orçamental.
A austeridade tem sido um fracasso monumental e alguém tem de ser fortemente responsabilizado. Não é certamente o povo português, que não tem mais buracos para apertar o cinto.

NB: Por isso, dão vontade de chorar (esta choldra já não dá para rir!..) as declarações de Passos Coelho, de hoje mesmo, no encerramento da Universidade do Verão do PSD, afirmando que Portugal deve ter a «ambição» de cumprir as metas acordadas com os credores internacionais. Se este país caminha para o precipício, o homem quer dar um passo em frente, levando-nos a todos com ele…
Disse sua excia: «Levaremos este programa de mudança até ao fim e com ambição, precisamente porque queremos concluí-lo tão rapidamente quanto for possível, porque queremos os resultados da inversão da situação do país (…). Só executando este programa com ambição é que poderemos estar à altura das nossas legítimas aspirações».
Preparem-se, pois, os portugueses para mais impostos, para mais cortes nos salários, para mais falências de empresas, para mais insolvências pessoais e familiares, para mais desemprego, para o aumento da emigração, para o ataque à classe média, que os pobres não têm dinheiro e os ricos (empresas, bancos) não podem ser incomodados. Porque são eles que custeiam as campanhas eleitorais do PSD e do PP.
A agenda política deste governo é o empobrecimento generalizado dos portugueses que vivem dos rendimentos do trabalho, o que está a ser conseguido através dos cortes salariais, da redução das férias e dos feriados, da diminuição dos custos laborais, da redução das indemnizações por despedimentos, da facilitação e flexibilização dos despedimentos, enfim, essas aproximações à lógica da exploração chinesa conseguida pelo Código do Trabalho, essa obra de arte que deve “honrar” estes heróis que nos governam, e que oxalá venham um dia a ser vítimas dessas armadilhas em que querem colocar os pobres trabalhadores, para saberem o que custa a vida!...

O que é bom acaba depressa!... O que nem é mau!

Como diz o povo, na sua eterna sabedoria, as coisas boas acabam depressa. Como quem reafirma que não há bem que sempre dure. É o que acontece com as férias, essa realidade na qual depositamos tantas expectativas mas que se revela tão passageira, que se esvai tão rapidamente que mal damos por isso.
De todo o modo, as férias – para quem a elas consegue aceder, dado tratar-se de um bem infelizmente cada vez mais raro – constituem um tempo de lazer aproveitado para o exercício do “nada fazer”, que é como quem diz para engendrar o que der na real gana, sem a sujeição à escravatura do relógio ou às ordens do chefe de serviço. Dormir, comer, passear, conviver, ler, são algumas das actividades mais cultivadas durante este período anual de descanso. A maior de todas, para a maioria dos veraneantes, será porventura o duro e penoso trabalho do “bronze”. Férias sem bronzeado são como comício de Jardim sem ataques ao governo de Lisboa, ou como discurso de Passos Coelho sem desculpas pela “pesada herança” de José Sócrates. Por isso, eles e elas esforçam-se até à tortura pelo corpo mais moreno, usando e abusando do sol a horas impróprias e lançando mão dos óleos milagrosos que transformam um puro lusitano no mais acrisolado “marroquino”.
Férias são tempo de ruptura com o quotidiano de todo o ano, de corte com as rotinas, de imposição, por alguns dias, de uma vivência mais próxima do paraíso, o que quer que isso seja.
Férias são ainda a oportunidade para colocar algumas leituras em dia. E é por isso que, na praia ou na esplanada, se vêem homens e mulheres, mais novos ou mais idosos, de corpulentos romances na mão, sequiosamente à espera de chegar ao fim e conhecer o desfecho de cada trama. O que vem comprovar que os portugueses gostam de ler. Não têm é tempo ou pachorra, ao longo do ano, para entrar nos calhamaços de Dan Brown, de José Rodrigues dos Santos ou de Miguel Sousa Tavares. Aproveitam assim o lazer anual para desfrutar do prazer da leitura que o dia a dia ou a preguiça não permitem concretizar mais assiduamente.
Férias são também o tempo de ler jornais, ou revistas, a maioria cor de rosas, e manter níveis de informação que não ocupam espaço e nos religam permanentemente ao mundo que nos rodeia.
Tudo isto fiz (mais a minha mais que tudo) durante estas duas últimas semanas, este ano sem a presença do apêndice capilar, no lábio superior, com mais de três décadas de existência: “torrar” ao sol, ler as notícias diárias, dormir até mais não poder, conversar com velhos e novos amigos. O simpático “clã lisboeta” (Nina, Mili, Ana, Ildefonso, Bianca, Maria, Bruno), que vem já do ano anterior, bem como os portuenses Ana Maria, Isabel e o patriarca Costa Leite e os aprofundados amigos deste ano: Helena e Paulo Afonso, Adelaide e Paulo Ribeiro e Paula e Rogério Gonçalves, e respectivos filhotes. Gente bem simpática e afectuosa da região lisboeta (Sintra, Mem Martins, Moita), que tivemos a felicidade de ter como conviventes diários. Gente 5 estrelas!...
Aqui ficam algumas imagens destes dias de Armação de Pêra, no Algarve, onde tive o prazer de contactar com o jornalista e escritor Júlio Magalhães, a quem reiterei o convite para vir a Fafe nos próximos meses. Aceitou.
O que é bom acaba depressa!... O que nem é mau! Há mais vida para além das férias. Como o trabalho, pe. Sem estresse.








O artista a enrolar as troxas. Até para o ano!...