quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O triunfo da ladroagem!


O fraquíssimo Passos Coelho era o tal que dizia, para apenas os néscios acreditarem, que as más notícias seriam dadas por ele.
Na hora do triunfo da mais pura ladroagem, que não tem outro nome o que se anunciou esta quarta-feira, o audaz e peitudo chefe do governo estava a fazer dieta e a redigir um novo Pontal, para aldrabar os incautos. 2013 vai ser um ano de viragem – dizia ainda há um mês e meio, com a mais estreme desvergonha. E vai, não haja dúvidas. Para uma vida mais negra e um país esmifrado.
Não apareceu, mais uma vez, dando o lugar a um ministro das Finanças que não passa de um incompetente, um falhado, um aprendiz de feiticeiro, que nem contas sabe fazer. Não acerta uma conta, uma previsão. É o que Almeida Santos chama com verdade “um falso génio”.
O que se passou na fatídica tarde desta quarta feira, uma autêntica tarde de carteiristas à solta, foi o cúmulo.
Um assalto fiscal. Um brutal aumento de impostos. O maior agravamento de tributos de que há memória. Uma selvajaria que deveria ser suficiente para dar um pontapé no traseiro a estes rapinadores, mandando-os ir saquear para outro lado. Isto se tivéssemos um Estado Democrático a funcionar e um Presidente da República com os ditos no sítio, que não temos, para mal dos que nele não votaram. O dito especialista em finanças, ainda ontem referia que a austeridade em cima da austeridade só dá recessão económica e degradação social.
Mas como é da manjedoura política, não é crível que se vá pronunciar contra os seus correligionários.
Os aumentos de impostos anunciados esta quarta-feira pelo ministro das finanças representam um agravamento de cerca de 35% no IRS em 2013.
Se juntarmos o efeito da redução dos escalões, de 8 para 5, que implica um agravamento da taxa média efectiva dos 9,8 para os 11,8%, com o efeito da sobretaxa de 4%, anunciada também para o ano que vem, a taxa média efectiva do imposto acaba por situar-se nos 13,2%.
Uma sobretaxa de 4% em todos os escalões do IRS, o aumento do IMI, o aumento do IRC, etc., etc. É o dilúvio fiscal, o saque escandaloso aos bolsos dos portugueses.
E quanto aos funcionários públicos, o ministro encarna o esplendor do chico-espertismo: afirma, como se fosse uma vitória, que devolve um subsídio, quando se sabe que vai ser absorvido pelo aumento do IRS. E se o incompetente fosse dar uma volta ao bilhar grande e deixasse de vagarosamente nos moer os miolos.

Que loucura de país é este?

E depois desta vergonha sem fim, ainda vem com cara de pau dizer que “espera que esta situação seja bem compreendida”. É preciso ter lata!... O condenado vai compreender o algoz que o leva ao cadafalso?!...
Como lata é preciso ter para afirmar que o processo de ajustamento está a correr muito bem, e por isso é necessário mais austeridade!...
E como se justifica um desvio orçamental de 1,6%, num governo tão competente, tão avisado, tão experiente e qualificado?!... Um governo que tem no inteligente Borges o seu porta-estandarte.
Mas os burros somos nós?!... Que loucura de país é este?
Afinal, assistimos à mesma receita de sempre, que é ir ao fundo dos bolsos dos mesmos, o que já comprovadamente se verificou que não deu resultados.
O desemprego ainda vai aumentar mais: o governo que há 15 dias estimava a taxa de desemprego em 16% já a eleva para 16,4%. Como pode ter credibilidade quem assim intruja?
Os portugueses estão entregues à bicharada, é o que é: não têm quem os defenda dos ataques de um governo sem crédito e de uma troika sem qualquer sensibilidade e sentido de humanidade, de quem aquele não passa de um curvado feitor.
Cavaco Silva, que supostamente seria o supremo magistrado da nação e o provedor dos interesses dos portugueses, é o defensor do governo e dos grandes interesses. Ou não é o defensor de coisa nenhuma, que é o mais certo. Um banana, é o que é!...
E, já agora, onde anda Paulo Portas, que alegadamente é vice-ministro desta miséria de governo e que ainda há dois meses afirmava que os portugueses estão no limite dos impostos, o que Adriano Moreira, esse, sim, um senhor, aos 90 anos, cataloga como”fadiga fiscal”? Já nem às feiras vai, deixou ao abandono os seus combatentes, não liga aos agricultores…
É uma abébia, sem dúvida, um cata-vento com quem não se pode contar!

NB – Cada vez me convenço mais que o péssimo ministro Gaspar não está minimamente ao serviço de Portugal e dos portugueses. É mau de mais para ser sustentável. Haverá forças mais altas, maçonarias mais elevadas – quer dizer, agiotas – para quem ele trabalha. O seu futuro próximo será o FMI e essa cambada de especuladores financeiros que está a desgraçar os países mais pobres, como Portugal. Por isso, ele tanto se empenha em agradar-lhes.
Esse homem está a espoliar todo um povo. Merece que o povo saia à rua, com força e consistência, para lhe dizer (e ao seu incompetente chefe) que vão gozar com as respectivas tias, se é que as têm.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Queimada: um jardim com um século e que ficou pelo caminho

Na memória dos mais antigos, ainda há um espaço para relembrar o célebre Jardim da Queimada, um espaço tropical, a fazer recordar os ambientes ligados ao Brasil, a que Fafe muito deve do seu crescimento, como todos sabemos..
Foi exactamente há cem anos...
Na comissão administrativa republicana, em 1912, foi resolvido ajardinar a Praça José Florêncio Soares, num espaço compreendido entre o Hospital de S. José, aberto em 1893, a Igreja Nova, na altura ainda em construção (e muito atrasada, dado que apenas seria concluída em 1961) e a cadeia, entretanto demolida, para dar lugar ao Palácio da Justiça.
O projecto vem já do ano anterior mas a deliberação tem a data de 29 de Fevereiro de 1912, quando o executivo deliberou proceder, desde já, à execução, por administração própria, conforme foi autorizado pela Ex.ma Comissão Distrital, do projecto de ajardinamento da Praça José Florêncio Soares.
Projecto de ajardinamento da Praça José Florêncio Soares
Segundo o Almanaque de Fafe de 1916, o jardim da Queimada, como é popularmente conhecido, desde há um século, é uma das obras da administração republicana na vigência do Dr. José Summavielle Soares, um dos fafenses maiores de todos os tempos.
Mais tarde, julgamos que em meados do século XX, o jardim seria destruído e acabaria por dar lugar a um parque de estacionamento.
Há projectos para o reconstruir, no âmbito da requalificação da Praça José Florêrncio Soares. Ficamos à espera que tal se concretize!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Um país bem pior!


“Entre os europeus, portugueses são os que dão pior nota ao seu país”, lê-se, em título, numa notícia do Público (21 de Setembro). A nota referia, em subtítulo, que ”quase 70% dos portugueses de classe média dizem que o seu nível de vida piorou no espaço de um ano”.
Que os portugueses, nos dias de hoje, dão péssima nota ao seu país, é uma asserção que não constitui qualquer surpresa, tão evidente se apresenta. É “óbvio ululante”, como diria o grande jornalista Baptista Bastos, quando colaborava há largos anos, acutilantemente, neste mesmo diário.
O país está numa profunda depressão, a nível económico, social, cultural, mental. Todos concluímos nesse sentido, pela experiência do quotidiano, nas conversas da rua, do café, do mercado, da família. Pelo que “vemos, ouvimos e lemos” e não podemos ignorar.
Nem poderia ser de outro modo num país que tem um governo cuja agenda passa, deliberadamente, pelo empobrecimento generalizado da classe média, a pretexto do cumprimento do “memorando de entendimento” estabelecido com a troika, que há muito foi subvertido. O que o governo diz hoje que é o memorando nada tem a ver com o documento que foi assinado há um ano e meio, pelo executivo anterior. As metas apresentadas visam o esmagamento, seja por corte de salários ou de pensões, seja por confisco fiscal, de quem ainda tem algum poder de compra. Porque os pobres estão isentos de todos os tributos e os ricos passam no crivo dos impostos, pagando menos, percentualmente, que os trabalhadores por conta de outrem, o que não deixa de ser revoltante. Alem da reiterada estratégia de “branqueamentos” e evasões fiscais de que são peritos, com toda a impunidade!...
Como poderia dar boa nota ao seu país um povo permanentemente agredido na sua dignidade, na sua qualidade de vida, na sua esperança? Um povo triste, desencantado, sem perspectivas presentes e futuras, perante um país que este governo quer destruir nos seus fundamentos, na sua constitucionalidade, no seu “Estado Social”, nas suas conquistas adquiridas ao longo de mais de trinta anos, depois do glorioso 25 de Abril de 1974?
Como pode dar boa nota ao seu país um povo que tem no seu seio mais de 800 000 desempregados, de entre os quais quase meio milhão não recebe subsídio e depende da caridade alheia, supremo estádio da humilhação pessoal e familiar?
Que boa nota pode ter um país com mais de 2 milhões de cidadãos no limiar da pobreza?
Que justiça pode haver num pais com os pobres cada vez mais pobres, os remediados a caírem diariamente no lodaçal da “nova pobreza”, as instituições de solidariedade social sem capacidade de resposta para acudir a tanta miséria e os ricos cada vez mais ricos: um Alexandre Soares dos Santos, presidente do conselho de administração da empresa Jerónimo Martins, por exemplo, registou uma subida de 8% na sua fortuna entre 2011 e 2012, para uns escandalosos 2070 milhões de euros?!...
Como pode dar boa nota ao seu pais um povo que se vê cada vez mais pobre, desesperado, espoliado por um governo sem alma e uma troika abominavelmente exploradora, que empresta 78 mil milhões e exige de juros quase um terço do que empresta, sem que ninguém os tenha no sítio para contestar o esbulho?
E ainda se admiram das manifestações gigantescas que começam a surgir e das que despontarão, seguramente, quando o povo seguir os conselhos dos governantes para saírem da sua “zona de conforto” e encherem as ruas de justos, genuínos e autênticos protestos, numa demonstração de que a democracia não se esgota no rotineiro exercício de depositar o seu voto de quatro em quatro anos, tantas vezes em quem o não merece, em quem não cumpre o que promete e em quem subverte totalmente as promessas que faz nas campanhas eleitorais!...
Como pode o povo dar boa nota a um país em que, enquanto os trabalhadores são explorados, trabalham cada vez mais por menos dinheiro, os patrões e até o Estado oferecem ordenados chocantemente vergonhosos a jovens licenciados, os nossos governantes e os deputados não são capazes de dar o exemplo, como tantos outros colegas seus de países em crise dão: baixar os seus ordenados, as suas mordomias principescas, os seus subsídios de deslocação (que ninguém mais tem), quando têm casa em Lisboa, as suas astronómicas ajudas de custo, que os outros cidadãos suportam dos seus magros ordenados?
Como pode um povo aceitar que, enquanto já reina a fome e a miséria pelo país, com crianças que vão para a escola sem qualquer alimento e famílias que não conseguem fazer face ao dia a dia, os deputados (todos os deputados, de todas as bancadas, de todos os quadrantes políticos e partidários, num unânime regabofe) tenham ganho mais 2 500 euros em 2011 do que no ano anterior, desfrutem de dois meses de férias que mais ninguém tem e tenham tido o desplante de não abdicar dos seus subsídios de férias e de Natal, em 2012, quando os servidores públicos e os reformados se viram deles espoliados?
E ainda se queixam do divórcio crescente que se rasga entre os eleitores e a classe política. Do desprestígio e descredibilização dos políticos. Do crescente alheamento do povo perante a “coisa pública”. Da revolta perante o discurso que produzem e a prática que o desmente. Do regime que, lamentavelmente, põem em causa com as suas aldrabices, as suas mentiras, a sua demagogia, a sua ausência de exemplo!..
Em democracia, se é para “ajustar”, quer dizer, cortar, empobrecer, expropriar, é para todos: cidadãos, deputados e governantes.
E os cidadãos são os que menos culpa têm de todos os “buracos” que se foram cavando no país, ao longo dos anos. Pagam o que não devem. É forçoso que os que devem, também paguem!...

(Publicado no Correio do Minho, de 01 de Outubro de 2012)




domingo, 30 de setembro de 2012

Tertúlia literária homenageou o prof. Laurentino Monteiro (Ruy Monte)

O Núcleo de Artes e Letras de Fafe homenageou este sábado, 29 de Setembro, no Club Fafense, a figura do professor fafense Laurentino Alves Monteiro que, na sua obra literária e poética, assinou com o pseudónimo de Ruy Monte.
Trata-se de um autor que nasceu há 110 anos, exactamente em 24 de Julho de 1902, e que faleceu em 1986, com a idade de 84 anos. No ano do seu falecimento, foi incluído na toponímia de Fafe, Póvoa de Varzim e Vila Praia de Âncora, os locais onde escreveu primordialmente a sua vida e a sua obra.
A figura de Ruy Monte foi recriada pelo jovem actor Rafael Leite, do Teatro Vitrine, que foi o fio condutor da narrativa do espectáculo que levou ao Club Fafense várias dezenas de amigos e familiares do distinto professor do ensino secundário (particular) ao longo de 55 anos, leccionando nos Colégios do Carmo, em Penafiel, D. Nuno, na Póvoa de Varzim (durante 25 anos), de Belinho, em Esposende, Santa Rita (Caminha) e de Campos (Vila Nova de Cerveira).
Ao longo de mais de uma hora, foram pontuadas as várias facetas do ilustre fafense, como a actividade docente, a ligação à música e a diversos orfeões (de Fafe e de Vila Praia de Âncora) e a poesia, que foi uma das suas maiores paixões e que exerceu durante mais de meio século. Na poesia ressaltam os temas de todos os tempos: a mulher, o amor, a religião, a morte, os heróis pátrios, a terra, a gente anónima, o quotidiano. Mas também a crítica social, o humor, a caricatura. “Um poeta de imensa qualidade e de enormes recursos. Um clássico, pelos temas e pela forma, sobretudo o soneto” – como salientou Artur Coimbra, presidente da Direcção do Núcleo de Artes e Letras, que conduziu a tertúlia e que reuniu a belíssima obra poética de Ruy Monte e as suas saborosas crónicas dispersas por jornais e revistas dos locais onde viveu e trabalhou, publicadas em 2007 em dois volumes: um de poesia, outro de prosa.
Carlos Afonso, Acácio Almeida, João Castro e João Marques leram poemas de Ruy Monte.




O deputado Laurentino Dias, sobrinho e afilhado de Laurentino Monteiro, agradeceu ao Núcleo de Artes e Letras mais esta homenagem ao seu familiar e aludiu a diversos episódios da vida do inesquecível professor, ressaltando a sua forte intervenção social na Póvoa de Varzim e no Alto Minho, onde fundou associações e pertenceu a diversas agremiações desportivas e culturais. Leu dois poemas de Ruy Monte e evidenciou que Laurentino Monteiro trabalhou muito na vida, comeu o pão que o diabo amassou e “foi das pessoas que não passaram na vida de forma indiferente”.


Também o decano Francisco Oliveira Alves ajuntou um testemunho do seu relacionamento com o homenageado.
No final, Artur Coimbra fez os agradecimentos a todos os intervenientes e reafirmou que o objectivo das tertúlias literárias é redescobrir alguns dos valores literários e culturais de Fafe, já desaparecidos (Ruy Monte, Soledade Summavielle, Manuel Ribeiro, Vaz Monteiro, Euclides Sotto Mayor, Inocêncio Carneiro de Sá, entre outros nomes da cultura fafense que importa desvendar).
A sessão foi iniciada e culminada com a actuação do Coral de Antime, sob a direcção artística de Aníbal Marinho e que interpretou diversos temas do cancioneiro tradicional, ligadas às actividades agrícolas e terminou com a interpretação o tema “Num só corpo e alma, irmãos”, com letra de Laurentino Monteiro.

* Próximas iniciativas do Núcleo de Artes e Letras de Fafe

O presidente da direcção aproveitou para falar de duas iniciativas próximas do Núcleo de Artes e Letras de Fafe.
Assim, na noite de 12 de Outubro, no Salão Nobre do Teatro-Cinema vai lançar o livro A Primeira República em Fafe – Elementos para a sua história, uma obra de quase 400 páginas que tem a assinatura dos historiadores Artur Ferreira Coimbra, Daniel Bastos e Artur Magalhães Leite e que será apresentada por Maria Alice Samara, investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que assina o prefácio.
Depois, aquela associação cultural vai promover uma oficina de escrita criativa dirigida ao público em geral e orientada pelo escritor Carlos Afonso, membro da direcção do Núcleo de Artes e Letras.
Começa com uma acção de motivação, em 19 de Outubro, na Sala Manoel de Oliveira, com poetas e escritores locais e prossegue com três sessões na Biblioteca Municipal, nas manhãs dos sábados 3, 10 e 17 de Novembro.
É uma acção para despertar o gosto pela escrita e para aperfeiçoar as técnicas e os modos de melhor escrever, um conto ou um poema.
As inscrições serão abertas no mês de Outubro para quem pretenda participar.

Fotos: Manuel Meira Correia

sábado, 29 de setembro de 2012

Conselho Nacional de Ética: não são médicos, são coveiros!


Não se fala em outra coisa neste país, além naturalmente do flop financeiro de um governo incompetente e que não acerta as previsões que faz, como se comprovou ainda hoje com os números do INE.
A notícia é esta: um parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida defende que o Ministério da Saúde «pode e deve racionar» os tratamentos a doentes com cancro, sida e doenças reumáticas.
Um alegado médico, quer mais parece o contabilista contratado pelo ministro da Saúde, de nome Miguel Oliveira da Silva, presidente desta entidade, defende que o racionamento «é uma luta contra o desperdício e a ineficiência, que é enorme em Saúde».
E ainda dizem que o parecer foi aprovado por unanimidade!...
Mas como é possível que homens que se dizem médicos estejam mais preocupados em poupar dinheiro ao governo do que em mitigar o sofrimento dos doentes com doenças graves? E os doentes não pagam para serem tratados, não descontam, nem pagam impostos? E os desperdícios são debitados à conta dos doentes crónicos?
Este país está francamente a virar um manicómio e já nem num conselho de ética (ética?) se pode confiar. Estão pura e simplesmente vendidos ao capital e ao governo, estes alegados clínicos!...
Como bem refere o fundador do Serviço Nacional de Saúde, António Arnaut, o «Estado não tem autoridade moral para cortar naquilo que é essencial à vida e à dignidade humana».
O racionamento de medicamentos ou terapias seria «a negação dos nossos princípios civilizacionais e constitucionais» - refere Arnaut.
Estes homens são uma aberração, ao condenarem os pobres que caem nos hospitais, com doenças graves, a morrerem antecipadamente, enquanto os ricos podem pagar os tratamentos de que necessitam.
Este caso já nem é do foro da política: é da psiquiatria. Esta gente está louca e quer por os portugueses alienados!...
Como é possível que alegados médicos pretendam, para fazer a vontade ao governo e à troika – matérias quer não deveriam ser da sua alçada, porque aos médicos incumbe defender os doentes – legitimar a eutanásia, apressando a morte de quem ainda poderia viver mais alguns meses ou anos, quando os medicamente são mais caros.
Mas nunca disseram a esses autênticos carniceiros que a vida não tem preço, desde a concepção à morte?
Se o governo tem de poupar, que comece a cortar nos próprios vencimentos, mais nos dos deputados, e em todas as principescas e escandalosas mordomias de todos, mais os gabinetes pejados de boys inúteis e pagos com vencimentos vergonhosamente imerecidos.
Não corte nos doentes fragilizados, que dependem de medicamentos (ainda que dispendiosos) para sobreviver.
Estamos a falar de uma desumanidade gritante, em nome de princípios economicistas que, se num político se podem compreender, em médicos nunca serão legítimos, nem aceitáveis, nem, admissíveis!
Bem anda assim a Ordem dos Médicos em abrir um inquérito aos médicos (?) que integram aquela estrutura sem qualquer ética e muito menos ligada à vida, por eventual violação do Código Deontológico e do juramento que todos os clínicos fazem quando se formam. O bastonário José Manuel Silva, fala numa situação “perversa, desumana e perigosa”.
A dignidade humana é inegociável e é um princípio fundamental do homem e do cidadão, previsto e defendido pela Constituição e pela Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Estanha-se, assim, que sejam pessoas que se dizem médicos a avançar com uma enormidade que deveria fazer corar de vergonha quem tiver um pingo de humanidade.
Mas a sociedade actual está irremediavelmente doente, irrefragavelmente cancerosa, do ponto de vista moral! ESte é mais um exemplo paradigmático!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ilustre fafense Ruy Monte homenageado este sábado pelo Núcleo de Artes e Letras de Fafe

O Núcleo de Artes e Letras de Fafe vai promover uma sessão cultural, este sábado, 29 de Setembro, no Club Fafense, e em colaboração com esta associação, a partir das 22h00, em torno da figura do professor Laurentino Alves Monteiro e da obra literária e poética que assinou enquanto Ruy Monte. A acção insere-se no protocolo de colaboração entre as duas entidades.
O objectivo da iniciativa, de que este é a primeira andamento, é redescobrir alguns dos valores literários e culturais de Fafe, já desaparecidos (Ruy Monte, Soledade Summavielle, Manuel Ribeiro, Vaz Monteiro, Euclides Sotto Mayor, entre outros nomes que importa desvendar).
Além de elementos do Núcleo de Artes e Letras e outros convidados, que intervêm na leitura de textos e poemas e na evocação da memória de Laurentino Monteiro, participa amavelmente o Coral de Antime, sob a direcção artística de Aníbal Marinho e que interpretará, em diferentes momentos, os temas “Vindimas”, de Joaquim Santos, “Não quero que vás à monda”, canção alentejana harmonizada por Manuel Faria, “Dobadoira”, uma canção de trabalho de Joaquim Santos, “Cantares (quadras populares”), de Joel Canhão e, finalmente, “Num só corpo e alma, irmãos”, com letra de Laurentino Monteiro.
O jovem actor Rafael Leite encarnará figura do inolvidável professor Laurentino Monteiro.
Uma sessão a não perder!

Professor, poeta e escritor, conhecido literariamente pelo pseudónimo de “Ruy Monte”, Laurentino Alves Monteiro nasceu em Fafe, em 24 de Julho de 1902 e faleceu no Porto, em 07 de Julho de 1986. Possuía o curso completo do seminário Conciliar de Braga e foi aluno do grande musicólogo Padre Alaio, fundador do Orfeão de Braga, com quem aprendeu piano, orgão e canto. Fez parte, durante vários anos, como pianista, da orquestra do Prof. David Ferreira. Laurentino Monteiro foi um dos fundadores do Orfeão de Fafe, no qual cantou largo tempo e que dirigiu na sua primeira fase. Foi fundador e director artístico de diversos orfeãos académicos, sendo director artístico do Orfeão de Vila Praia de Âncora, de 1966 a 1974 e do qual foi eleito Sócio de Honra.
Este ilustre fafense foi professor do ensino secundário nos Colégios do Carmo (Penafiel), D. Nuno (Póvoa de Varzim), de Belinho (Esposende), Santa Rita (Caminha) e de Campos (Vila Nova de Cerveira).
Desde cedo ligado ao jornalismo, colaborou em diversos periódicos de Penafiel, Póvoa, Fafe e Caminha, onde colaborou literariamente, de forma intensa, na revista Caminiana. Publicou o seu primeiro livro de poemas, com o título Entre as Mulheres, em 1984, quando contava 82 anos de idade. Deixou inúmeros inéditos que o Núcleo de Artes e Letras de Fafe editou, em dois volumes, em 2007.
A Câmara da sua terra natal, Fafe, incluiu o seu nome na toponímia da cidade, por deliberação de 04 de Julho de 1988.

O novo veículo de transporte de Passos Coelho & Cia

No sábado passado, em plena Arcada, em Fafe, no âmbito da iniciativa “Dia Europeu sem Carros”, esteve patente, para quem o quis ver (e só os cegos não conseguiram, enquanto os daltónicos o viram num verde sportinguista), o novo e moderno veículo de transporte do primeiro-ministro Passos Coelho e dos seus ministros quando em digressão pelo país.
Dado o inacreditável clima de acesa contestação às suas brandas medidas (aliás, não se percebe que haja tanta controvérsia, nem se entende que um milhão de portugueses tenha trocado, há quinze dias, um belo dia de praia por uma arruaça por essas cidades fora…), o governo entendeu que o melhor era fazer deslocações num Mercedes sem ar condicionado, para “ajustar” a poupança ao que a troika exige.
Assim, a partir de agora, ninguém se admire de ver chegar a Lousada o tresloucado Álvaro, a Alfândega da Fé a miss Agricultura que não sabe o que é uma couve-flor ou a Coimbra o incrivelmente imbecil e estupidamente retrógrado Crato naquele veículo adaptado a tempos de crise e cujo protótipo esteve exposto em Fafe, para gáudio e fotos de muitos de nós.