domingo, 7 de outubro de 2012

A "Justiça de Fafe" não será deslocada e o Parque da Cidade vai ficar mais "verde"

A Câmara Municipal de Fafe deliberou esta semana, por unanimidade, manter o monumento da “Justiça de Fafe”, nas traseiras do Palácio da Justiça, onde foi implantado em 1981.
Na sequência da audição pública levada a efeito há alguns meses, a maioria dos munícipes que se pronunciou sobre o assunto, por diversos modos, foi no sentido de “não deslocalizar” a estátua, manifestando-se, por outro lado, a favor de uma intervenção que beneficie e enriqueça o monumento e o espaço envolvente, conferindo-lhe maior visibilidade e outra acessibilidade.
Nesta perspectiva, e por proposta do Presidente da Câmara, que até era a favor da mudança de localização do monumnento, o executivo resolveu mandar que os serviços, neste caso, a Divisão de Projectos Municipais, efectue, no prazo de 90 dias, um estudo de requalificação da área envolvente do monumento da “Justiça de Fafe”, que “preveja a manutenção do mesmo naquela zona, ainda que possa deslocar-se do actual sítio, tendo em vista criar mais visibilidade, dignidade e acessibilidade do público”, nas palavras do edil, que, desta forma, pensa “ir de encontro a todas as sensibilidades reveladas na audição pública”.
Nos mesmos moldes, e na sequência da audição pública sobre a revisão do projecto do Parque da Cidade, foi decidido mandar os mesmos serviços e no mesmo prazo apresentar um estudo, ouvidos os autores do projecto inicial, “que vá de encontro às opiniões generalizadas de simplificação do projecto, no sentido da relocalização da piscina junto ao Pavilhão Multiusos, do encerramento proposto da via circular, do prolongamento do Jardim central à área das matas, criando-se um grande jardim verde, informal, que permita diferentes usos”.
Por outro lado, e dado o estado de quase conclusão do projecto dos campos de ténis (dois cobertos e dois descobertos), foi deliberado manter a sua prevista localização.
A Câmara recomendou aos serviços para terem presente, em todo o estudo, a procura do mais baixo custo e a possibilidade da execução dos trabalhos por administração directa.
Avançam assim dois dossiês que têm mobilizado a opinião pública nos últimos meses.

sábado, 6 de outubro de 2012

A República refugiada dos cidadãos!


1. Pela primeira vez nos últimos anos, o governo e o presidente da República impuseram que as comemorações do 5 de Outubro fugissem da vista do povo e se acantonassem numa sala da Câmara de Lisboa, devidamente liofilizada, controlada, para que nenhuma voz crítica conseguisse lá penetrar e aborrecer os discursos bolorentos de Cavaco. Salvou-se a intervenção de António Costa, para grande azia dos garotos do PSD e do CDS.
Nunca se viu uma coisa destas: o alegado governo e o presumível presidente da República a fugirem dos cidadãos. Eles que ainda há poucos anos andavam aos abraços e aos beijos com os feirantes, os agricultores e os homens da rua, e hoje têm medo de enfrentar quem os elegeu (e os outros que não o fizeram, já sabendo porquê…). Por alguma razão é!
Os governantes têm medo do povo e ausentam-se dele, como criminosos que não querem ser apanhados. É inacreditável o que está a acontecer neste país!...
Como inacreditável é que este 5 de Outubro de 2012 tenha sido, porventura, o último feriado da comemoração da República, pois, como sabemos, a obscena ignorância histórica e a subjugação a torpes princípios economicistas deste governo levaram à sua suspensão. Como se a supressão de quatro feriados – dois civis e dois religiosos – fosse relevante na vida económica do país, que tem os governantes mais incompetentes e néscios de que há memória!...
E ainda, por cima, andam os comediantes que nos governam com uns pins com a bandeira da República na lapela. República que infamemente desvalorizam e cujos valores e princípios desprezam. Grandes farsolas!...
Alegada suspensão, porque temos a firme convicção de que para o ano voltará a haver feriado no 5 de Outubro, já que não haverá esta peste de governo de ignorantes e incapazes e o PS já fez saber que, vencendo as próximas eleições, a República voltará a ser comemorada como merece, com o devido feriado, que é devido às datas simbólicas da memória colectiva.
Para quem respeita a memória, a história e os valores perenes da República, o que não é manifestamente o caso dos ignorantes que infelizmente nos governam.

2. Como sabemos, a República instituiu-se em torno de ideias contrapostas à monarquia vigente desde a instituição da nacionalidade, fazendo prevalecer as da democracia e da soberania popular (o que muito dói ao actual poder). A República estriba o seu sistema nos princípios electivos, e com a autoridade a emanar directamente do povo, através dos sufrágios eleitorais realizados periodicamente. Por isso é que os políticos têm a obrigação de se assumirem “acima de qualquer suspeita”. A política só é uma actividade nobre se tiver como referência absoluta a ética e a lisura dos procedimentos, que inviabilizam qualquer deriva autoritária ou corrupta.
A República acaba também por reforçar alguns direitos humanos fundamentais, como os da liberdade, ao transformar os velhos súbditos em cidadãos, ou da igualdade que, ao negar os privilégios derivados do nascimento, confere aos cidadãos em geral a possibilidade de ascenderem a qualquer magistratura, o direito a eleger os seus representantes nas instituições democráticas (das juntas de freguesia à chefia do Estado) e a serem eleitos, dentro dos requisitos estabelecidos para cada acto eleitoral.
Além da consagração insofismável da soberania popular e da cidadania individual e colectiva, a República canonizou um outro princípio, que tanta polémica gerou e continua a gerar, neste último século: o da separação da Igreja do Estado. É o triunfo do laicismo, se se quiser, no sentido em que nem a Igreja manda no Estado, nem o Estado manda na Igreja. Há respeito mútuo, mas não subserviência de qualquer das partes, muito menos promiscuidade.
Não deixa de ser paradoxal, contudo, que, apesar de extremamente agredido e vilipendiado ao longo do Estado Novo, pelos alegados abusos cometidos nos começos da 1ª República, o sistema de governo republicano nunca seria alterado, nem por Oliveira Salazar, basicamente concordante com os seus princípios fundamentais, apesar de se ter como um “monárquico de coração”.
A luta politica desenvolvida pela oposição democrática ao fascismo, brandiu frequentemente os valores da República como fundamento das suas propostas e das suas práticas. Não esqueçamos que, nessa época, os oposicionistas comemoravam o 31 de Janeiro e o 5 de Outubro, como símbolos de uma ideia que queriam ver reimplantada no país. O 25 de Abril veio, enfim, dar um novo impulso purificador aos ideais republicanos, re-actualizando-os. O 25 de Abril acabou por relegitimar o 5 de Outubro.
Teríamos de chegar a este pântano em 2012 para a República ser posta em causa, por ignaros sem passado nem futuro, e cuja caracterização politica e ideológica denota uma mediocridade que confrange…

3. Hoje, 102 anos passados sobre a proclamação da República, há valores republicanos que se mantêm e reforçam. Por exemplo, o fortalecimento do municipalismo, que foi uma das mais sonhadas utopias saídas do 5 de Outubro. O Portugal dos nossos dias é uma “construção” dos municípios, em áreas fundamentais, desde as infra-estruturas básicas à cultura e ao desporto.
Outro exemplo, é o reforço da participação cívica e política dos cidadãos e, em especial, a emancipação da mulher e consolidação dos seus direitos (no trabalho, na esfera privada, no domínio público). E também a igualdade de oportunidades entre os sexos e no âmbito social. O sentido do progresso e da evolução, aos diferentes níveis.
Igualmente o é a aposta decidida na Educação, como pressuposto para o desenvolvimento económico e para a libertação social. Lembremos que a 1ª República instituiu a instrução obrigatória de 4 anos (que, depois, regrediu para 3 anos, no consulado salazarista, para quem bastava ensinar as crianças a “saber ler, escrever e contar”…) e hoje se investe na elevação das qualificações dos portugueses (embora cada vez menos…).
Princípios republicanos são também o apego ao sistema democrático, o triunfo da cidadania e do civismo, as atitudes de rigor, lisura, integridade e verticalidade nas relações humanas, o respeito pelos direitos sociais e políticos dos portugueses, a tolerância como sistema de vida, enfim, o combate à corrupção, à fraude e a todos os atropelos à dignidade da “coisa pública”.
Por tudo isto, nos parece que a República continua plenamente actual, um século volvido, nos seus pressupostos, nos seus desígnios, na sua prática inovadora.
Por isso, custa a perceber como é que, por razões de imbecilidade governativa e troikista, se ponha em causa a mundividência republicana, que é o nosso regime, para o bem ou para o mal. Não há outro.
Em todos os países se respeita o regime, se consagra a respectiva data de implantação, como momento simbólico de coesão social e política. Em Portugal é esta pouca-vergonha, este desprezo, esta ignorância crassa, este analfabetismo histórico, que esperamos muito sinceramente não dure por muito tempo!...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Comemorações da República em Fafe são para continuar. E ainda bem!

Fafe voltou hoje a comemorar o 5 de Outubro, em ambiente de festa e com apreciável participação popular. Sinal de que a República continua a ser intensamente vivida, respeitada e reflectida. Pelo povo que vive em Fafe e que sente o regime como ninguém.
Nos Paços do Concelho, e como vem fazendo já há mais de três décadas, a autarquia evocou o dia da instauração do novo regime, hoje vilipendiado por gente sem história nem memória que transitoriamente se senta nas cadeiras de S. Bento, sem merecer nem respeitar os seus valores.
Este ano as comemorações foram mais simples e simbólicas.
Depois do hastear da bandeira no edifício dos Paços do Concelho com o desfile da Fanfarra dos Escuteiros de Fornelos, a sessão solene começou com a intervenção do constitucionalista Pedro Bacelar de Vasconcelos, co-fundador do Observatório Europeu do Racismo, Xenofobia e Anti-semitismo, membro da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, antigo conselheiro das Nações Unidas junto da Presidência timorense e redactor da Constituição de Timor-Leste, governador civil de Braga entre 1995 e 1999 e actual Director do Centro de Investigação Interdisciplinar em Direitos Humanos da Escola de Direito da Universidade do Minho, onde lecciona.
Bacelar de Vasconcelos, grande amigo de Fafe, onde disse ter raízes e muitos amigos, produziu uma brilhante reflexão sobre a emergência e o significado do 5 de Outubro, lamentando que, por razões muito discutíveis e numa altura em que se revela necessário evocar os grandes valores nacionais, o governo tenha decidido retirar o feriado da República. Lastimou a “forma descuidada e os argumentos tão débeis” que presidiram à anti-patriótica (digo eu) decisão de eliminar este feriado.
Abordou a génese da modernidade em Portugal, que passa pelo Revolução Liberal de 1820, o 5 de Outubro de 1910 e o 25 de Abril de 1974 e referiu-se às conquistas da República, em diversas áreas, entre as quais a educação e a legislação laboral.
Foi um momento de enorme exaltação dos valores e da coerência que marcam o discurso e a práxis republicana, que não tem nada a ver com a garotice que por aí campeia (digo eu).
Seguiu-se a entrega da medalha de prata de mérito concelhio ao Padre João Baptista Alves da Mota, decidida pela Câmara em Agosto, a propósito das bodas de ouro sacerdotais do clérigo e reconhecendo a sua acção social em diferentes instituições.

A sessão solene comemorativa foi encerrada pelo Presidente da Câmara, José Ribeiro, que teceu também algumas considerações pertinentes e críticas sobre a histórica data.
José Ribeiro considerou que a “República e a democracia dão sinais de forte doença”, desde logo por crescente ausência de valores e de rumo ideológico do país.
Lamentou a desvalorização da data fundadora da República, o 5 de Outubro, como sinal da doença de que falava. E também reprovou que a celebração da República em Lisboa “tenha saído da rua para uma praça interior”. Mais um sinal da referida doença.
O autarca foi mais longe a criticou a incoerência dos políticos que rasgam os programas eleitorais e fazem exactamente o contrário do que prometeram quando são eleitos.

José Ribeiro aludiu ainda aos “sinais de preocupação pelo futuro da nossa sociedade, com valores e direitos ameaçados”.
Voltando-se para o interior, orgulhou-se de anunciar a “dívida 0” na autarquia, desde o final da semana passada, e dos fortes apoios que está a dar às instituições de solidariedade social, concretizando nos mais de 300 000 euros que o executivo deliberou esta quinta-feira conceder para obras da Santa Casa da Misericórdia e do Centro Social Paroquial de S. Martinho de Silvares.
José Ribeiro terminou a sua intervenção aludindo à actualidade dos valores republicanos e à necessidade e urgência da sua defesa intransigente, ao nível da ética, da educação e da transparência, entre outros.
“No próximo ano cá estaremos”. Prometeu o Presidente da Câmara, para reiterar a continuação da comemoração da Republica em Fafe, apesar de não ser feriado.
A cerimónia finalizou em grande com a execução do Hino Nacional por um grupo de jovens músicos da Academia de Música José Atalaya.
Viva o 5 de Outubro!
Viva a República!

O meu reencontro com um velho e muito estimado amigo, Prof. Doutor Pedro Bacelar de Vasconcelos, um alto valor da cidadania e da vida política, cívica e académica do norte do país, aqui com a minha obra Desafectos ao Estado Novo - Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe (3ª edição, Fafe, 2012)
Fotos: Manuel Meira Correia

Bronco e ignorante!


1. Que este governo é constituído por um excesso de imbelicidade, inexperiência e impreparação, já há muito se percebeu, para mal deste país, que bem precisava de gente competente, honesta, sabedora, preparada política e tecnicamente para enfrentar estes anos difíceis da história pátria.
Mas não. Tem um primeiro-ministro que não sabe o que quer nem para onde vai – e é nessa inconstância que se afunda o barco deste país.
Tem ministros que são autênticas nulidades, e já nem se fala nessa trapaça chamada Miguel Relvas. É o caso do proclamado Álvaro, que não passa de um erro de casting. É o caso da ministra da Justiça, que só pela existência de um chefe do executivo sem força ainda não está no olho da rua, pelas posições que tem tomado que em nada dignificam o exercício da política. E é o caso (para não ir mais longe) do suprassumo da incompetência chamada Vítor Gaspar. Dizem que o ministro das Finanças é um crânio, que é detentor de excelentes modelos académicos, que é imensamente considerado no exterior, sobretudo onde o capitalismo decide como sugar os países mais pobres e tornar miserável o povo português. Em Portugal, e neste governo (e é isso que nos interessa), é a maior desilusão, política e técnica. Não consegue acertar uma previsão; as suas contas nunca batem certo; prevê o aumento das receitas fiscais, em situações em que até um merceeiro consegue prever a sua diminuição; enfim, a realidade não tem nada a ver com as suas teses mirabolantes. E essa coisa concreta chamada povo português não é capaz de encaixar nas folhas de excell com que acha que pode gerir financeiramente Portugal.
Pode, na verdade, ser um crânio, em teoria, mas na prática é o que se chama um aborto, um fracasso, um malogro, uma nódoa.
Pode um país estar à mercê de gente assim sem experiência, sem conhecimento, sem capacidade, sem competência e que tem denotado até agora não ter a mais pálida ideia de como tirar Portugal do pântano em que o está a enterrar?

2. Quando pensávamos que tínhamos visto tudo, e não é nada edificante, eis senão quando volta à tona essa abencerragem do anedotário nacional, chamada António Borges. Aquele mesmo que há uns meses afirmava, sem que lhe caísse um penedo na cabeça, como bem merecia, que a diminuição dos ordenados dos trabalhadores portugueses – que já são dos mais ridículos e desvalorizados da União Europeia – não era apenas uma necessidade, era uma exigência.
E quem sustenta uma bacorada destas é um inteligente que ganha 25 000 euros do erário público, quer dizer, pago por todos os contribuintes, para executar uma tarefa que não passa de vender o país ao retalho, a que acrescenta possivelmente outro tanto como membro da administração da Jerónimo Martins, uma empresa cujo presidente, Alexandre Soares dos Santos, se declarou este domingo “violentamente contra” a política dos baixos salários dentro das empresas, porque “uma pessoa que ganha menos de 500 euros não tem vontade nenhuma de ir trabalhar”.
O mesmo que avançou com a ideia da concessão da RTP aos amigalhaços do Passos Coelho, há dois meses atrás.
O mesmíssimo consultor do Governo para as privatizações defendeu, no passado sábado, no Algarve, com grande retumbância, que a Taxa Social Única, a famosa TSU, é uma medida «inteligente» e teve o atrevimento de insultar os empresários que a criticaram de serem «ignorantes».
Vincou bem: ignorantes!
Disse o pesporrente Borges: «Que a medida é extremamente inteligente, acho que é. Que os empresários que se apresentaram contra a medida são completamente ignorantes, não passariam do primeiro ano do meu curso na faculdade, isso não tenham dúvidas».
Sobre ser um absoluto imbecil, o que não é incompatível com um professor universitário, que diz ser, Borges demonstrou uma arrogância que deveria merecer uma imediata acção do primeiro-ministro, se estivesse à altura do momento histórico que Portugal atravessa. E não está, claramente! Aliás, dá a ideia que o funcionário que o FMI despediu não passa da lebre que o infeliz Passos Coelho, que não tem a hombridade de assumir o opróbrio, lança, para ver como a sociedade reage. Se não diz nada, a medida avança; se se opõe, foi uma “infelicidade” de um inteligente que não sabe o que diz, quando diz, onde diz.
É claro que todo o país se indignou com os disparates e insultos inaceitáveis do personagem. Desde os empresários, que afirmaram que não o contratariam, até gente da direita, como Bagão Félix, Miguel Frasquilho, Ângelo Correia, ou Rui Moreira, todos lamentaram a inépcia do homem que a Confederação do Comércio disse que não tem «perfil para o lugar que ocupa». E tem razão!
Pedro Marques Lopes, militante do PSD e comentador do “Eixo do Mal” (SIC), considerou-o “bronco e ignorante”. Até na inominável declaração de que o programa de ajustamento, que está a empobrecer tragicamente os portugueses, “está a ser um enorme êxito, um caso de estudo”.
Mas onde é que este inteligente vive?

3. A questão que se coloca, face a tais despautérios, é saber se Passos Coelho avaliza as estúpidas declarações de Borges, ou se não. Neste caso, só pode demiti-lo, por incompetência, arrogância e lesão dos interesses nacionais, além de ganhar demasiado para a pulhice das ideias que produz.
Em caso afirmativo, estamos perante a necessidade e a urgência de mandar o governo para a rua, pela ofensa que faz aos empresários e aos portugueses em geral.
Mais uma vez se exigiria a intervenção do Presidente da República, se não estivesse alheado da miserável situação. Mas Cavaco não diz nada, não fala, não se demarca, diz umas babosices que não interessam nem ao Menino Jesus, mas aos grandes problemas nacionais diz nada!...
É a consagração de um monstruoso fiasco!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O triunfo da ladroagem!


O fraquíssimo Passos Coelho era o tal que dizia, para apenas os néscios acreditarem, que as más notícias seriam dadas por ele.
Na hora do triunfo da mais pura ladroagem, que não tem outro nome o que se anunciou esta quarta-feira, o audaz e peitudo chefe do governo estava a fazer dieta e a redigir um novo Pontal, para aldrabar os incautos. 2013 vai ser um ano de viragem – dizia ainda há um mês e meio, com a mais estreme desvergonha. E vai, não haja dúvidas. Para uma vida mais negra e um país esmifrado.
Não apareceu, mais uma vez, dando o lugar a um ministro das Finanças que não passa de um incompetente, um falhado, um aprendiz de feiticeiro, que nem contas sabe fazer. Não acerta uma conta, uma previsão. É o que Almeida Santos chama com verdade “um falso génio”.
O que se passou na fatídica tarde desta quarta feira, uma autêntica tarde de carteiristas à solta, foi o cúmulo.
Um assalto fiscal. Um brutal aumento de impostos. O maior agravamento de tributos de que há memória. Uma selvajaria que deveria ser suficiente para dar um pontapé no traseiro a estes rapinadores, mandando-os ir saquear para outro lado. Isto se tivéssemos um Estado Democrático a funcionar e um Presidente da República com os ditos no sítio, que não temos, para mal dos que nele não votaram. O dito especialista em finanças, ainda ontem referia que a austeridade em cima da austeridade só dá recessão económica e degradação social.
Mas como é da manjedoura política, não é crível que se vá pronunciar contra os seus correligionários.
Os aumentos de impostos anunciados esta quarta-feira pelo ministro das finanças representam um agravamento de cerca de 35% no IRS em 2013.
Se juntarmos o efeito da redução dos escalões, de 8 para 5, que implica um agravamento da taxa média efectiva dos 9,8 para os 11,8%, com o efeito da sobretaxa de 4%, anunciada também para o ano que vem, a taxa média efectiva do imposto acaba por situar-se nos 13,2%.
Uma sobretaxa de 4% em todos os escalões do IRS, o aumento do IMI, o aumento do IRC, etc., etc. É o dilúvio fiscal, o saque escandaloso aos bolsos dos portugueses.
E quanto aos funcionários públicos, o ministro encarna o esplendor do chico-espertismo: afirma, como se fosse uma vitória, que devolve um subsídio, quando se sabe que vai ser absorvido pelo aumento do IRS. E se o incompetente fosse dar uma volta ao bilhar grande e deixasse de vagarosamente nos moer os miolos.

Que loucura de país é este?

E depois desta vergonha sem fim, ainda vem com cara de pau dizer que “espera que esta situação seja bem compreendida”. É preciso ter lata!... O condenado vai compreender o algoz que o leva ao cadafalso?!...
Como lata é preciso ter para afirmar que o processo de ajustamento está a correr muito bem, e por isso é necessário mais austeridade!...
E como se justifica um desvio orçamental de 1,6%, num governo tão competente, tão avisado, tão experiente e qualificado?!... Um governo que tem no inteligente Borges o seu porta-estandarte.
Mas os burros somos nós?!... Que loucura de país é este?
Afinal, assistimos à mesma receita de sempre, que é ir ao fundo dos bolsos dos mesmos, o que já comprovadamente se verificou que não deu resultados.
O desemprego ainda vai aumentar mais: o governo que há 15 dias estimava a taxa de desemprego em 16% já a eleva para 16,4%. Como pode ter credibilidade quem assim intruja?
Os portugueses estão entregues à bicharada, é o que é: não têm quem os defenda dos ataques de um governo sem crédito e de uma troika sem qualquer sensibilidade e sentido de humanidade, de quem aquele não passa de um curvado feitor.
Cavaco Silva, que supostamente seria o supremo magistrado da nação e o provedor dos interesses dos portugueses, é o defensor do governo e dos grandes interesses. Ou não é o defensor de coisa nenhuma, que é o mais certo. Um banana, é o que é!...
E, já agora, onde anda Paulo Portas, que alegadamente é vice-ministro desta miséria de governo e que ainda há dois meses afirmava que os portugueses estão no limite dos impostos, o que Adriano Moreira, esse, sim, um senhor, aos 90 anos, cataloga como”fadiga fiscal”? Já nem às feiras vai, deixou ao abandono os seus combatentes, não liga aos agricultores…
É uma abébia, sem dúvida, um cata-vento com quem não se pode contar!

NB – Cada vez me convenço mais que o péssimo ministro Gaspar não está minimamente ao serviço de Portugal e dos portugueses. É mau de mais para ser sustentável. Haverá forças mais altas, maçonarias mais elevadas – quer dizer, agiotas – para quem ele trabalha. O seu futuro próximo será o FMI e essa cambada de especuladores financeiros que está a desgraçar os países mais pobres, como Portugal. Por isso, ele tanto se empenha em agradar-lhes.
Esse homem está a espoliar todo um povo. Merece que o povo saia à rua, com força e consistência, para lhe dizer (e ao seu incompetente chefe) que vão gozar com as respectivas tias, se é que as têm.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Queimada: um jardim com um século e que ficou pelo caminho

Na memória dos mais antigos, ainda há um espaço para relembrar o célebre Jardim da Queimada, um espaço tropical, a fazer recordar os ambientes ligados ao Brasil, a que Fafe muito deve do seu crescimento, como todos sabemos..
Foi exactamente há cem anos...
Na comissão administrativa republicana, em 1912, foi resolvido ajardinar a Praça José Florêncio Soares, num espaço compreendido entre o Hospital de S. José, aberto em 1893, a Igreja Nova, na altura ainda em construção (e muito atrasada, dado que apenas seria concluída em 1961) e a cadeia, entretanto demolida, para dar lugar ao Palácio da Justiça.
O projecto vem já do ano anterior mas a deliberação tem a data de 29 de Fevereiro de 1912, quando o executivo deliberou proceder, desde já, à execução, por administração própria, conforme foi autorizado pela Ex.ma Comissão Distrital, do projecto de ajardinamento da Praça José Florêncio Soares.
Projecto de ajardinamento da Praça José Florêncio Soares
Segundo o Almanaque de Fafe de 1916, o jardim da Queimada, como é popularmente conhecido, desde há um século, é uma das obras da administração republicana na vigência do Dr. José Summavielle Soares, um dos fafenses maiores de todos os tempos.
Mais tarde, julgamos que em meados do século XX, o jardim seria destruído e acabaria por dar lugar a um parque de estacionamento.
Há projectos para o reconstruir, no âmbito da requalificação da Praça José Florêrncio Soares. Ficamos à espera que tal se concretize!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Um país bem pior!


“Entre os europeus, portugueses são os que dão pior nota ao seu país”, lê-se, em título, numa notícia do Público (21 de Setembro). A nota referia, em subtítulo, que ”quase 70% dos portugueses de classe média dizem que o seu nível de vida piorou no espaço de um ano”.
Que os portugueses, nos dias de hoje, dão péssima nota ao seu país, é uma asserção que não constitui qualquer surpresa, tão evidente se apresenta. É “óbvio ululante”, como diria o grande jornalista Baptista Bastos, quando colaborava há largos anos, acutilantemente, neste mesmo diário.
O país está numa profunda depressão, a nível económico, social, cultural, mental. Todos concluímos nesse sentido, pela experiência do quotidiano, nas conversas da rua, do café, do mercado, da família. Pelo que “vemos, ouvimos e lemos” e não podemos ignorar.
Nem poderia ser de outro modo num país que tem um governo cuja agenda passa, deliberadamente, pelo empobrecimento generalizado da classe média, a pretexto do cumprimento do “memorando de entendimento” estabelecido com a troika, que há muito foi subvertido. O que o governo diz hoje que é o memorando nada tem a ver com o documento que foi assinado há um ano e meio, pelo executivo anterior. As metas apresentadas visam o esmagamento, seja por corte de salários ou de pensões, seja por confisco fiscal, de quem ainda tem algum poder de compra. Porque os pobres estão isentos de todos os tributos e os ricos passam no crivo dos impostos, pagando menos, percentualmente, que os trabalhadores por conta de outrem, o que não deixa de ser revoltante. Alem da reiterada estratégia de “branqueamentos” e evasões fiscais de que são peritos, com toda a impunidade!...
Como poderia dar boa nota ao seu país um povo permanentemente agredido na sua dignidade, na sua qualidade de vida, na sua esperança? Um povo triste, desencantado, sem perspectivas presentes e futuras, perante um país que este governo quer destruir nos seus fundamentos, na sua constitucionalidade, no seu “Estado Social”, nas suas conquistas adquiridas ao longo de mais de trinta anos, depois do glorioso 25 de Abril de 1974?
Como pode dar boa nota ao seu país um povo que tem no seu seio mais de 800 000 desempregados, de entre os quais quase meio milhão não recebe subsídio e depende da caridade alheia, supremo estádio da humilhação pessoal e familiar?
Que boa nota pode ter um país com mais de 2 milhões de cidadãos no limiar da pobreza?
Que justiça pode haver num pais com os pobres cada vez mais pobres, os remediados a caírem diariamente no lodaçal da “nova pobreza”, as instituições de solidariedade social sem capacidade de resposta para acudir a tanta miséria e os ricos cada vez mais ricos: um Alexandre Soares dos Santos, presidente do conselho de administração da empresa Jerónimo Martins, por exemplo, registou uma subida de 8% na sua fortuna entre 2011 e 2012, para uns escandalosos 2070 milhões de euros?!...
Como pode dar boa nota ao seu pais um povo que se vê cada vez mais pobre, desesperado, espoliado por um governo sem alma e uma troika abominavelmente exploradora, que empresta 78 mil milhões e exige de juros quase um terço do que empresta, sem que ninguém os tenha no sítio para contestar o esbulho?
E ainda se admiram das manifestações gigantescas que começam a surgir e das que despontarão, seguramente, quando o povo seguir os conselhos dos governantes para saírem da sua “zona de conforto” e encherem as ruas de justos, genuínos e autênticos protestos, numa demonstração de que a democracia não se esgota no rotineiro exercício de depositar o seu voto de quatro em quatro anos, tantas vezes em quem o não merece, em quem não cumpre o que promete e em quem subverte totalmente as promessas que faz nas campanhas eleitorais!...
Como pode o povo dar boa nota a um país em que, enquanto os trabalhadores são explorados, trabalham cada vez mais por menos dinheiro, os patrões e até o Estado oferecem ordenados chocantemente vergonhosos a jovens licenciados, os nossos governantes e os deputados não são capazes de dar o exemplo, como tantos outros colegas seus de países em crise dão: baixar os seus ordenados, as suas mordomias principescas, os seus subsídios de deslocação (que ninguém mais tem), quando têm casa em Lisboa, as suas astronómicas ajudas de custo, que os outros cidadãos suportam dos seus magros ordenados?
Como pode um povo aceitar que, enquanto já reina a fome e a miséria pelo país, com crianças que vão para a escola sem qualquer alimento e famílias que não conseguem fazer face ao dia a dia, os deputados (todos os deputados, de todas as bancadas, de todos os quadrantes políticos e partidários, num unânime regabofe) tenham ganho mais 2 500 euros em 2011 do que no ano anterior, desfrutem de dois meses de férias que mais ninguém tem e tenham tido o desplante de não abdicar dos seus subsídios de férias e de Natal, em 2012, quando os servidores públicos e os reformados se viram deles espoliados?
E ainda se queixam do divórcio crescente que se rasga entre os eleitores e a classe política. Do desprestígio e descredibilização dos políticos. Do crescente alheamento do povo perante a “coisa pública”. Da revolta perante o discurso que produzem e a prática que o desmente. Do regime que, lamentavelmente, põem em causa com as suas aldrabices, as suas mentiras, a sua demagogia, a sua ausência de exemplo!..
Em democracia, se é para “ajustar”, quer dizer, cortar, empobrecer, expropriar, é para todos: cidadãos, deputados e governantes.
E os cidadãos são os que menos culpa têm de todos os “buracos” que se foram cavando no país, ao longo dos anos. Pagam o que não devem. É forçoso que os que devem, também paguem!...

(Publicado no Correio do Minho, de 01 de Outubro de 2012)