terça-feira, 9 de outubro de 2012

Espectáculo de Luís Represas e João Gil este sábado no Teatro-Cinema de Fafe já está esgotado!

A programação do Teatro-Cinema de Fafe continua este sábado à noite, 13 de Outubro, com o grande espectáculo de Luís Represas e João Gil, no âmbito do projecto “Concertos Íntimos”.
Os bilhetes para o evento, ao preço único de 10 euros, já esgotaram.
A "conversa íntima” com os espectadores que o queiram, ficou aprazada para sábado à tarde.
Numa altura em que comemoram 35 anos de carreira, Luís Represas e João Gil editam um disco de originais juntos. O álbum homónimo, desenvolvido no segredo dos Deuses, foi editado a 28 de Novembro de 2011. Desde o fim do Trovante, esta é primeira vez que Luís Represas e João Gil trabalham juntos num disco de originais. Mais: é a primeira vez que assinam um álbum em conjunto.
As letras são de João Monge, João Gil e Luís Represas, mas há ainda um poema de Camões e uma adaptação do poeta Georg Weerth.
O primeiro single “Sisudo Amável” já toca nas rádios e outros temas começam a chamar a atenção do público, como “Rouba-Corações” ou “Quando Eu Voltar A Nascer”.
Luís Represas e João Gil, um disco de grandes canções, canções para ficarem na memória, limpas e sedutoras.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

“A Primeira República em Fafe”: Obra de investigação a apresentar esta sexta-feira

A Primeira República em Fafe – Elementos para a sua história é uma obra de investigação histórica que vai ser apresentada esta sexta-feira, 12 de Outubro, no salão nobre do Teatro-Cinema de Fafe, a partir das 21h30. A entrada é livre.
São seus autores os historiadores Artur Ferreira Coimbra, Daniel Bastos e Artur Magalhães Leite.
A obra tem prefácio de Maria Alice Samara, premiada investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que estará presente na sessão de lançamento.
A edição é do Núcleo de Artes e Letras de Fafe e conta com o apoio do Município e da Junta de Freguesia de Fafe.
Tudo começou, há dois anos, quando, no âmbito das celebrações do Centenário da República, o Núcleo de Artes e Letras de Fafe promoveu um Curso Livre de História Local, sob o tema O concelho de Fafe durante a Primeira República (1910-1926)”.
A acção decorreu entre 07 de Outubro e 18 de Novembro de 2010, na Biblioteca Municipal e teve como propósito basilar proporcionar ao público em geral um melhor conhecimento sobre um período histórico fundamental na afirmação e desenvolvimento do concelho de Fafe. Nesse sentido, o curso, numa óptica local e pluridisciplinar, procurou ser ainda um espaço de actualização e reflexão crítica sobre a realidade do concelho na Primeira República.
A verdade é que o curso suscitou uma apreciável adesão por parte do público interessado, a grande maioria docente de diferentes graus de ensino e escolas do município, com mais de meia centena de participantes regulares nos sete módulos que se distribuíram por outras tantas semanas.
A obra que o leitor tem entre mãos assume como ponto de partida a matéria apresentada ao longo daquele curso, naturalmente mais organizada, aprofundada e dotada de uma coerência que a oralidade não permite, acrescentada com dois ou três temas que enriquecem e diversificam o conteúdo.
Do índice, além do prefácio, podem referir-se os seguintes capítulos (e respectivos autores):

A I República Portuguesa (1910-1926) – Uma “nova versão” do Liberalismo – Artur Coimbra

As raízes republicanas no concelho de Fafe – Daniel Bastos

Fafe em 1910 – Breve retrato – Artur Coimbra

A Proclamação da República em Fafe – Artur Coimbra

Momentos e legado da I República em Fafe – Artur Coimbra

O governo local (1910-1926) – Artur Coimbra

A contra-revolução monárquica em Fafe 1911-1919 (Das incursões couceiristas à Monarquia do Norte) – Artur Coimbra

O concelho de Fafe durante a I Grande Guerra Mundial – Daniel Bastos

As mulheres da I República em Fafe – Daniel Bastos

Ensino e escolas na I República, em Fafe – Artur Magalhães Leite

O associativismo na I República – Artur Coimbra

O jornalismo na I República – Artur Coimbra

Figuras referenciais da I República em Fafe – Artur Coimbra

As ruas da República – Artur Coimbra

Imagens da I República

Não pretendendo esgotar a história da I República em Fafe, já que muito fica ainda por dizer, aqui se deixam as linhas gerais do impacto que teve aquele fracturante período histórico do Portugal Contemporâneo neste município minhoto, a meio caminho entre o litoral e o interior, numa investigação que teve como socorro privilegiado o fundo do Arquivo Municipal e a imprensa periódica local, um inesgotável manancial de pesquisa para a “construção” da História Local.
Fafe era um município essencialmente rural, com uma economia baseada na agricultura e na pecuária, com alguma indústria, com grande número de gente analfabeta e temente a Deus, como por todo o Norte. Um concelho em tudo idêntico a tantos onde a República custou a entrar e onde a reacção monárquica encontrou terreno fértil e fácil, sobretudo por temerosa influência do clero, como se demonstra pelas incursões de Paiva Couceiro e pelas reacções à curta Monarquia do Norte, em Janeiro/Fevereiro de 1919.
De resto, ficaram algumas “marcas” deste período, na arquitectura e no urbanismo da cidade, na produção da energia eléctrica para abastecimento público, com a construção de uma das primeiras centrais hídricas da região (1914), na dinâmica cultural, com a edificação do mítico Teatro-Cinema de Fafe (1923), no associativismo, no jornalismo e em outras áreas, como se verá nas páginas da obra. 

domingo, 7 de outubro de 2012

A "Justiça de Fafe" não será deslocada e o Parque da Cidade vai ficar mais "verde"

A Câmara Municipal de Fafe deliberou esta semana, por unanimidade, manter o monumento da “Justiça de Fafe”, nas traseiras do Palácio da Justiça, onde foi implantado em 1981.
Na sequência da audição pública levada a efeito há alguns meses, a maioria dos munícipes que se pronunciou sobre o assunto, por diversos modos, foi no sentido de “não deslocalizar” a estátua, manifestando-se, por outro lado, a favor de uma intervenção que beneficie e enriqueça o monumento e o espaço envolvente, conferindo-lhe maior visibilidade e outra acessibilidade.
Nesta perspectiva, e por proposta do Presidente da Câmara, que até era a favor da mudança de localização do monumnento, o executivo resolveu mandar que os serviços, neste caso, a Divisão de Projectos Municipais, efectue, no prazo de 90 dias, um estudo de requalificação da área envolvente do monumento da “Justiça de Fafe”, que “preveja a manutenção do mesmo naquela zona, ainda que possa deslocar-se do actual sítio, tendo em vista criar mais visibilidade, dignidade e acessibilidade do público”, nas palavras do edil, que, desta forma, pensa “ir de encontro a todas as sensibilidades reveladas na audição pública”.
Nos mesmos moldes, e na sequência da audição pública sobre a revisão do projecto do Parque da Cidade, foi decidido mandar os mesmos serviços e no mesmo prazo apresentar um estudo, ouvidos os autores do projecto inicial, “que vá de encontro às opiniões generalizadas de simplificação do projecto, no sentido da relocalização da piscina junto ao Pavilhão Multiusos, do encerramento proposto da via circular, do prolongamento do Jardim central à área das matas, criando-se um grande jardim verde, informal, que permita diferentes usos”.
Por outro lado, e dado o estado de quase conclusão do projecto dos campos de ténis (dois cobertos e dois descobertos), foi deliberado manter a sua prevista localização.
A Câmara recomendou aos serviços para terem presente, em todo o estudo, a procura do mais baixo custo e a possibilidade da execução dos trabalhos por administração directa.
Avançam assim dois dossiês que têm mobilizado a opinião pública nos últimos meses.

sábado, 6 de outubro de 2012

A República refugiada dos cidadãos!


1. Pela primeira vez nos últimos anos, o governo e o presidente da República impuseram que as comemorações do 5 de Outubro fugissem da vista do povo e se acantonassem numa sala da Câmara de Lisboa, devidamente liofilizada, controlada, para que nenhuma voz crítica conseguisse lá penetrar e aborrecer os discursos bolorentos de Cavaco. Salvou-se a intervenção de António Costa, para grande azia dos garotos do PSD e do CDS.
Nunca se viu uma coisa destas: o alegado governo e o presumível presidente da República a fugirem dos cidadãos. Eles que ainda há poucos anos andavam aos abraços e aos beijos com os feirantes, os agricultores e os homens da rua, e hoje têm medo de enfrentar quem os elegeu (e os outros que não o fizeram, já sabendo porquê…). Por alguma razão é!
Os governantes têm medo do povo e ausentam-se dele, como criminosos que não querem ser apanhados. É inacreditável o que está a acontecer neste país!...
Como inacreditável é que este 5 de Outubro de 2012 tenha sido, porventura, o último feriado da comemoração da República, pois, como sabemos, a obscena ignorância histórica e a subjugação a torpes princípios economicistas deste governo levaram à sua suspensão. Como se a supressão de quatro feriados – dois civis e dois religiosos – fosse relevante na vida económica do país, que tem os governantes mais incompetentes e néscios de que há memória!...
E ainda, por cima, andam os comediantes que nos governam com uns pins com a bandeira da República na lapela. República que infamemente desvalorizam e cujos valores e princípios desprezam. Grandes farsolas!...
Alegada suspensão, porque temos a firme convicção de que para o ano voltará a haver feriado no 5 de Outubro, já que não haverá esta peste de governo de ignorantes e incapazes e o PS já fez saber que, vencendo as próximas eleições, a República voltará a ser comemorada como merece, com o devido feriado, que é devido às datas simbólicas da memória colectiva.
Para quem respeita a memória, a história e os valores perenes da República, o que não é manifestamente o caso dos ignorantes que infelizmente nos governam.

2. Como sabemos, a República instituiu-se em torno de ideias contrapostas à monarquia vigente desde a instituição da nacionalidade, fazendo prevalecer as da democracia e da soberania popular (o que muito dói ao actual poder). A República estriba o seu sistema nos princípios electivos, e com a autoridade a emanar directamente do povo, através dos sufrágios eleitorais realizados periodicamente. Por isso é que os políticos têm a obrigação de se assumirem “acima de qualquer suspeita”. A política só é uma actividade nobre se tiver como referência absoluta a ética e a lisura dos procedimentos, que inviabilizam qualquer deriva autoritária ou corrupta.
A República acaba também por reforçar alguns direitos humanos fundamentais, como os da liberdade, ao transformar os velhos súbditos em cidadãos, ou da igualdade que, ao negar os privilégios derivados do nascimento, confere aos cidadãos em geral a possibilidade de ascenderem a qualquer magistratura, o direito a eleger os seus representantes nas instituições democráticas (das juntas de freguesia à chefia do Estado) e a serem eleitos, dentro dos requisitos estabelecidos para cada acto eleitoral.
Além da consagração insofismável da soberania popular e da cidadania individual e colectiva, a República canonizou um outro princípio, que tanta polémica gerou e continua a gerar, neste último século: o da separação da Igreja do Estado. É o triunfo do laicismo, se se quiser, no sentido em que nem a Igreja manda no Estado, nem o Estado manda na Igreja. Há respeito mútuo, mas não subserviência de qualquer das partes, muito menos promiscuidade.
Não deixa de ser paradoxal, contudo, que, apesar de extremamente agredido e vilipendiado ao longo do Estado Novo, pelos alegados abusos cometidos nos começos da 1ª República, o sistema de governo republicano nunca seria alterado, nem por Oliveira Salazar, basicamente concordante com os seus princípios fundamentais, apesar de se ter como um “monárquico de coração”.
A luta politica desenvolvida pela oposição democrática ao fascismo, brandiu frequentemente os valores da República como fundamento das suas propostas e das suas práticas. Não esqueçamos que, nessa época, os oposicionistas comemoravam o 31 de Janeiro e o 5 de Outubro, como símbolos de uma ideia que queriam ver reimplantada no país. O 25 de Abril veio, enfim, dar um novo impulso purificador aos ideais republicanos, re-actualizando-os. O 25 de Abril acabou por relegitimar o 5 de Outubro.
Teríamos de chegar a este pântano em 2012 para a República ser posta em causa, por ignaros sem passado nem futuro, e cuja caracterização politica e ideológica denota uma mediocridade que confrange…

3. Hoje, 102 anos passados sobre a proclamação da República, há valores republicanos que se mantêm e reforçam. Por exemplo, o fortalecimento do municipalismo, que foi uma das mais sonhadas utopias saídas do 5 de Outubro. O Portugal dos nossos dias é uma “construção” dos municípios, em áreas fundamentais, desde as infra-estruturas básicas à cultura e ao desporto.
Outro exemplo, é o reforço da participação cívica e política dos cidadãos e, em especial, a emancipação da mulher e consolidação dos seus direitos (no trabalho, na esfera privada, no domínio público). E também a igualdade de oportunidades entre os sexos e no âmbito social. O sentido do progresso e da evolução, aos diferentes níveis.
Igualmente o é a aposta decidida na Educação, como pressuposto para o desenvolvimento económico e para a libertação social. Lembremos que a 1ª República instituiu a instrução obrigatória de 4 anos (que, depois, regrediu para 3 anos, no consulado salazarista, para quem bastava ensinar as crianças a “saber ler, escrever e contar”…) e hoje se investe na elevação das qualificações dos portugueses (embora cada vez menos…).
Princípios republicanos são também o apego ao sistema democrático, o triunfo da cidadania e do civismo, as atitudes de rigor, lisura, integridade e verticalidade nas relações humanas, o respeito pelos direitos sociais e políticos dos portugueses, a tolerância como sistema de vida, enfim, o combate à corrupção, à fraude e a todos os atropelos à dignidade da “coisa pública”.
Por tudo isto, nos parece que a República continua plenamente actual, um século volvido, nos seus pressupostos, nos seus desígnios, na sua prática inovadora.
Por isso, custa a perceber como é que, por razões de imbecilidade governativa e troikista, se ponha em causa a mundividência republicana, que é o nosso regime, para o bem ou para o mal. Não há outro.
Em todos os países se respeita o regime, se consagra a respectiva data de implantação, como momento simbólico de coesão social e política. Em Portugal é esta pouca-vergonha, este desprezo, esta ignorância crassa, este analfabetismo histórico, que esperamos muito sinceramente não dure por muito tempo!...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Comemorações da República em Fafe são para continuar. E ainda bem!

Fafe voltou hoje a comemorar o 5 de Outubro, em ambiente de festa e com apreciável participação popular. Sinal de que a República continua a ser intensamente vivida, respeitada e reflectida. Pelo povo que vive em Fafe e que sente o regime como ninguém.
Nos Paços do Concelho, e como vem fazendo já há mais de três décadas, a autarquia evocou o dia da instauração do novo regime, hoje vilipendiado por gente sem história nem memória que transitoriamente se senta nas cadeiras de S. Bento, sem merecer nem respeitar os seus valores.
Este ano as comemorações foram mais simples e simbólicas.
Depois do hastear da bandeira no edifício dos Paços do Concelho com o desfile da Fanfarra dos Escuteiros de Fornelos, a sessão solene começou com a intervenção do constitucionalista Pedro Bacelar de Vasconcelos, co-fundador do Observatório Europeu do Racismo, Xenofobia e Anti-semitismo, membro da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, antigo conselheiro das Nações Unidas junto da Presidência timorense e redactor da Constituição de Timor-Leste, governador civil de Braga entre 1995 e 1999 e actual Director do Centro de Investigação Interdisciplinar em Direitos Humanos da Escola de Direito da Universidade do Minho, onde lecciona.
Bacelar de Vasconcelos, grande amigo de Fafe, onde disse ter raízes e muitos amigos, produziu uma brilhante reflexão sobre a emergência e o significado do 5 de Outubro, lamentando que, por razões muito discutíveis e numa altura em que se revela necessário evocar os grandes valores nacionais, o governo tenha decidido retirar o feriado da República. Lastimou a “forma descuidada e os argumentos tão débeis” que presidiram à anti-patriótica (digo eu) decisão de eliminar este feriado.
Abordou a génese da modernidade em Portugal, que passa pelo Revolução Liberal de 1820, o 5 de Outubro de 1910 e o 25 de Abril de 1974 e referiu-se às conquistas da República, em diversas áreas, entre as quais a educação e a legislação laboral.
Foi um momento de enorme exaltação dos valores e da coerência que marcam o discurso e a práxis republicana, que não tem nada a ver com a garotice que por aí campeia (digo eu).
Seguiu-se a entrega da medalha de prata de mérito concelhio ao Padre João Baptista Alves da Mota, decidida pela Câmara em Agosto, a propósito das bodas de ouro sacerdotais do clérigo e reconhecendo a sua acção social em diferentes instituições.

A sessão solene comemorativa foi encerrada pelo Presidente da Câmara, José Ribeiro, que teceu também algumas considerações pertinentes e críticas sobre a histórica data.
José Ribeiro considerou que a “República e a democracia dão sinais de forte doença”, desde logo por crescente ausência de valores e de rumo ideológico do país.
Lamentou a desvalorização da data fundadora da República, o 5 de Outubro, como sinal da doença de que falava. E também reprovou que a celebração da República em Lisboa “tenha saído da rua para uma praça interior”. Mais um sinal da referida doença.
O autarca foi mais longe a criticou a incoerência dos políticos que rasgam os programas eleitorais e fazem exactamente o contrário do que prometeram quando são eleitos.

José Ribeiro aludiu ainda aos “sinais de preocupação pelo futuro da nossa sociedade, com valores e direitos ameaçados”.
Voltando-se para o interior, orgulhou-se de anunciar a “dívida 0” na autarquia, desde o final da semana passada, e dos fortes apoios que está a dar às instituições de solidariedade social, concretizando nos mais de 300 000 euros que o executivo deliberou esta quinta-feira conceder para obras da Santa Casa da Misericórdia e do Centro Social Paroquial de S. Martinho de Silvares.
José Ribeiro terminou a sua intervenção aludindo à actualidade dos valores republicanos e à necessidade e urgência da sua defesa intransigente, ao nível da ética, da educação e da transparência, entre outros.
“No próximo ano cá estaremos”. Prometeu o Presidente da Câmara, para reiterar a continuação da comemoração da Republica em Fafe, apesar de não ser feriado.
A cerimónia finalizou em grande com a execução do Hino Nacional por um grupo de jovens músicos da Academia de Música José Atalaya.
Viva o 5 de Outubro!
Viva a República!

O meu reencontro com um velho e muito estimado amigo, Prof. Doutor Pedro Bacelar de Vasconcelos, um alto valor da cidadania e da vida política, cívica e académica do norte do país, aqui com a minha obra Desafectos ao Estado Novo - Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe (3ª edição, Fafe, 2012)
Fotos: Manuel Meira Correia

Bronco e ignorante!


1. Que este governo é constituído por um excesso de imbelicidade, inexperiência e impreparação, já há muito se percebeu, para mal deste país, que bem precisava de gente competente, honesta, sabedora, preparada política e tecnicamente para enfrentar estes anos difíceis da história pátria.
Mas não. Tem um primeiro-ministro que não sabe o que quer nem para onde vai – e é nessa inconstância que se afunda o barco deste país.
Tem ministros que são autênticas nulidades, e já nem se fala nessa trapaça chamada Miguel Relvas. É o caso do proclamado Álvaro, que não passa de um erro de casting. É o caso da ministra da Justiça, que só pela existência de um chefe do executivo sem força ainda não está no olho da rua, pelas posições que tem tomado que em nada dignificam o exercício da política. E é o caso (para não ir mais longe) do suprassumo da incompetência chamada Vítor Gaspar. Dizem que o ministro das Finanças é um crânio, que é detentor de excelentes modelos académicos, que é imensamente considerado no exterior, sobretudo onde o capitalismo decide como sugar os países mais pobres e tornar miserável o povo português. Em Portugal, e neste governo (e é isso que nos interessa), é a maior desilusão, política e técnica. Não consegue acertar uma previsão; as suas contas nunca batem certo; prevê o aumento das receitas fiscais, em situações em que até um merceeiro consegue prever a sua diminuição; enfim, a realidade não tem nada a ver com as suas teses mirabolantes. E essa coisa concreta chamada povo português não é capaz de encaixar nas folhas de excell com que acha que pode gerir financeiramente Portugal.
Pode, na verdade, ser um crânio, em teoria, mas na prática é o que se chama um aborto, um fracasso, um malogro, uma nódoa.
Pode um país estar à mercê de gente assim sem experiência, sem conhecimento, sem capacidade, sem competência e que tem denotado até agora não ter a mais pálida ideia de como tirar Portugal do pântano em que o está a enterrar?

2. Quando pensávamos que tínhamos visto tudo, e não é nada edificante, eis senão quando volta à tona essa abencerragem do anedotário nacional, chamada António Borges. Aquele mesmo que há uns meses afirmava, sem que lhe caísse um penedo na cabeça, como bem merecia, que a diminuição dos ordenados dos trabalhadores portugueses – que já são dos mais ridículos e desvalorizados da União Europeia – não era apenas uma necessidade, era uma exigência.
E quem sustenta uma bacorada destas é um inteligente que ganha 25 000 euros do erário público, quer dizer, pago por todos os contribuintes, para executar uma tarefa que não passa de vender o país ao retalho, a que acrescenta possivelmente outro tanto como membro da administração da Jerónimo Martins, uma empresa cujo presidente, Alexandre Soares dos Santos, se declarou este domingo “violentamente contra” a política dos baixos salários dentro das empresas, porque “uma pessoa que ganha menos de 500 euros não tem vontade nenhuma de ir trabalhar”.
O mesmo que avançou com a ideia da concessão da RTP aos amigalhaços do Passos Coelho, há dois meses atrás.
O mesmíssimo consultor do Governo para as privatizações defendeu, no passado sábado, no Algarve, com grande retumbância, que a Taxa Social Única, a famosa TSU, é uma medida «inteligente» e teve o atrevimento de insultar os empresários que a criticaram de serem «ignorantes».
Vincou bem: ignorantes!
Disse o pesporrente Borges: «Que a medida é extremamente inteligente, acho que é. Que os empresários que se apresentaram contra a medida são completamente ignorantes, não passariam do primeiro ano do meu curso na faculdade, isso não tenham dúvidas».
Sobre ser um absoluto imbecil, o que não é incompatível com um professor universitário, que diz ser, Borges demonstrou uma arrogância que deveria merecer uma imediata acção do primeiro-ministro, se estivesse à altura do momento histórico que Portugal atravessa. E não está, claramente! Aliás, dá a ideia que o funcionário que o FMI despediu não passa da lebre que o infeliz Passos Coelho, que não tem a hombridade de assumir o opróbrio, lança, para ver como a sociedade reage. Se não diz nada, a medida avança; se se opõe, foi uma “infelicidade” de um inteligente que não sabe o que diz, quando diz, onde diz.
É claro que todo o país se indignou com os disparates e insultos inaceitáveis do personagem. Desde os empresários, que afirmaram que não o contratariam, até gente da direita, como Bagão Félix, Miguel Frasquilho, Ângelo Correia, ou Rui Moreira, todos lamentaram a inépcia do homem que a Confederação do Comércio disse que não tem «perfil para o lugar que ocupa». E tem razão!
Pedro Marques Lopes, militante do PSD e comentador do “Eixo do Mal” (SIC), considerou-o “bronco e ignorante”. Até na inominável declaração de que o programa de ajustamento, que está a empobrecer tragicamente os portugueses, “está a ser um enorme êxito, um caso de estudo”.
Mas onde é que este inteligente vive?

3. A questão que se coloca, face a tais despautérios, é saber se Passos Coelho avaliza as estúpidas declarações de Borges, ou se não. Neste caso, só pode demiti-lo, por incompetência, arrogância e lesão dos interesses nacionais, além de ganhar demasiado para a pulhice das ideias que produz.
Em caso afirmativo, estamos perante a necessidade e a urgência de mandar o governo para a rua, pela ofensa que faz aos empresários e aos portugueses em geral.
Mais uma vez se exigiria a intervenção do Presidente da República, se não estivesse alheado da miserável situação. Mas Cavaco não diz nada, não fala, não se demarca, diz umas babosices que não interessam nem ao Menino Jesus, mas aos grandes problemas nacionais diz nada!...
É a consagração de um monstruoso fiasco!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O triunfo da ladroagem!


O fraquíssimo Passos Coelho era o tal que dizia, para apenas os néscios acreditarem, que as más notícias seriam dadas por ele.
Na hora do triunfo da mais pura ladroagem, que não tem outro nome o que se anunciou esta quarta-feira, o audaz e peitudo chefe do governo estava a fazer dieta e a redigir um novo Pontal, para aldrabar os incautos. 2013 vai ser um ano de viragem – dizia ainda há um mês e meio, com a mais estreme desvergonha. E vai, não haja dúvidas. Para uma vida mais negra e um país esmifrado.
Não apareceu, mais uma vez, dando o lugar a um ministro das Finanças que não passa de um incompetente, um falhado, um aprendiz de feiticeiro, que nem contas sabe fazer. Não acerta uma conta, uma previsão. É o que Almeida Santos chama com verdade “um falso génio”.
O que se passou na fatídica tarde desta quarta feira, uma autêntica tarde de carteiristas à solta, foi o cúmulo.
Um assalto fiscal. Um brutal aumento de impostos. O maior agravamento de tributos de que há memória. Uma selvajaria que deveria ser suficiente para dar um pontapé no traseiro a estes rapinadores, mandando-os ir saquear para outro lado. Isto se tivéssemos um Estado Democrático a funcionar e um Presidente da República com os ditos no sítio, que não temos, para mal dos que nele não votaram. O dito especialista em finanças, ainda ontem referia que a austeridade em cima da austeridade só dá recessão económica e degradação social.
Mas como é da manjedoura política, não é crível que se vá pronunciar contra os seus correligionários.
Os aumentos de impostos anunciados esta quarta-feira pelo ministro das finanças representam um agravamento de cerca de 35% no IRS em 2013.
Se juntarmos o efeito da redução dos escalões, de 8 para 5, que implica um agravamento da taxa média efectiva dos 9,8 para os 11,8%, com o efeito da sobretaxa de 4%, anunciada também para o ano que vem, a taxa média efectiva do imposto acaba por situar-se nos 13,2%.
Uma sobretaxa de 4% em todos os escalões do IRS, o aumento do IMI, o aumento do IRC, etc., etc. É o dilúvio fiscal, o saque escandaloso aos bolsos dos portugueses.
E quanto aos funcionários públicos, o ministro encarna o esplendor do chico-espertismo: afirma, como se fosse uma vitória, que devolve um subsídio, quando se sabe que vai ser absorvido pelo aumento do IRS. E se o incompetente fosse dar uma volta ao bilhar grande e deixasse de vagarosamente nos moer os miolos.

Que loucura de país é este?

E depois desta vergonha sem fim, ainda vem com cara de pau dizer que “espera que esta situação seja bem compreendida”. É preciso ter lata!... O condenado vai compreender o algoz que o leva ao cadafalso?!...
Como lata é preciso ter para afirmar que o processo de ajustamento está a correr muito bem, e por isso é necessário mais austeridade!...
E como se justifica um desvio orçamental de 1,6%, num governo tão competente, tão avisado, tão experiente e qualificado?!... Um governo que tem no inteligente Borges o seu porta-estandarte.
Mas os burros somos nós?!... Que loucura de país é este?
Afinal, assistimos à mesma receita de sempre, que é ir ao fundo dos bolsos dos mesmos, o que já comprovadamente se verificou que não deu resultados.
O desemprego ainda vai aumentar mais: o governo que há 15 dias estimava a taxa de desemprego em 16% já a eleva para 16,4%. Como pode ter credibilidade quem assim intruja?
Os portugueses estão entregues à bicharada, é o que é: não têm quem os defenda dos ataques de um governo sem crédito e de uma troika sem qualquer sensibilidade e sentido de humanidade, de quem aquele não passa de um curvado feitor.
Cavaco Silva, que supostamente seria o supremo magistrado da nação e o provedor dos interesses dos portugueses, é o defensor do governo e dos grandes interesses. Ou não é o defensor de coisa nenhuma, que é o mais certo. Um banana, é o que é!...
E, já agora, onde anda Paulo Portas, que alegadamente é vice-ministro desta miséria de governo e que ainda há dois meses afirmava que os portugueses estão no limite dos impostos, o que Adriano Moreira, esse, sim, um senhor, aos 90 anos, cataloga como”fadiga fiscal”? Já nem às feiras vai, deixou ao abandono os seus combatentes, não liga aos agricultores…
É uma abébia, sem dúvida, um cata-vento com quem não se pode contar!

NB – Cada vez me convenço mais que o péssimo ministro Gaspar não está minimamente ao serviço de Portugal e dos portugueses. É mau de mais para ser sustentável. Haverá forças mais altas, maçonarias mais elevadas – quer dizer, agiotas – para quem ele trabalha. O seu futuro próximo será o FMI e essa cambada de especuladores financeiros que está a desgraçar os países mais pobres, como Portugal. Por isso, ele tanto se empenha em agradar-lhes.
Esse homem está a espoliar todo um povo. Merece que o povo saia à rua, com força e consistência, para lhe dizer (e ao seu incompetente chefe) que vão gozar com as respectivas tias, se é que as têm.