quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Luís Represas e João Gil encantaram os fafenses

Os músicos Luís Represas e João Gil (ex-Trovante) actuaram no Teatro-Cinema de Fafe na noite de 13 de Outubro, no âmbito do projecto “Concertos Íntimos”.
A mítica sala de espetáculos fafense lotou por completo para assistir a um concerto esplendoroso, absolutamente acústico, em que as canções dos Trovante e de Represas encheram os corações de revivalismo e de festa.
Durante cerca de uma hora e meia, o duo entremeou novas canções do seu álbum Luís Represas e João Gil e melodias menos conhecidas, com temas que fazem já parte do imaginário deste país, como “Saudades do futuro”, “Feiticeira”, “125 Azul”, “Perdidamente”, “Da próxima vez”, “A hora do lobo” e “Sagres”, entre outras.
Dir-se-ia que os espectadores que tiveram o privilégio de assistir ao espectáculo desfrutaram de uma noite mágica, que tão cedo não será esquecida.
Desde o fim do Trovante, esta é primeira vez que Luís Represas e João Gil trabalham juntos num disco de originais e que assinam um álbum em conjunto, exactamente com o título Luís Represas e João Gil, e que motivou a sua vinda ao Teatro-Cinema desta cidade.

Fotos de Manuel Meira Correia:








quarta-feira, 17 de outubro de 2012

“A Primeira República em Fafe” - Obra importante para a história nacional


A Primeira República em Fafe – Elementos para a sua história é uma obra de investigação “importante não só para a história local mas para a história nacional”. Palavras de Maria Alice Samara, investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
O livro, editado pelo Núcleo de Artes e Letras de Fafe, é da autoria dos historiadores Artur Ferreira Coimbra, Daniel Bastos e Artur Magalhães Leite, e foi apresentado no fim-de-semana no salão nobre do Teatro-Cinema.
Para aquela docente universitária, a obra que tem o seu prefácio “é um importante contributo não apenas para a história do concelho de Fafe, mas para a história do final do século XIX e inícios do século XX, para a história da Primeira República e do Republicanismo em Portugal”.
A sessão, com sala lotada, começou com um momento musical, a cargo de dois jovens flautistas da Orquestra Juvenil da Banda de Revelhe.
O presidente do Núcleo de Artes e Letras, Artur Coimbra, também autor de diversos capítulos da obra, abriu o período de intervenções, contextualizando o surgimento de A Primeira República em Fafe, referindo que tudo começou há dois anos, quando, no âmbito das celebrações do Centenário da República, o Núcleo de Artes e Letras promoveu um Curso Livre de História Local, sob o tema “O concelho de Fafe durante a Primeira República (1910-1926)”, em sete módulos.
A acção decorreu em Outubro e Novembro de 2010 com apreciável adesão do público interessado e teve como propósito proporcionar ao público em geral um melhor conhecimento sobre um período histórico fundamental na afirmação e desenvolvimento do concelho de Fafe.
A obra agora apresentada tem como ponto de partida a matéria apresentada naquele curso, embora o ultrapasse. Começando com a contextualização do período histórico de 1910 a 1926, são abordados temas como As raízes republicanas no concelho de Fafe, Fafe em 1910 – Breve retrato, A Proclamação da República em Fafe, Momentos e legado da I República, O governo local (1910-1926), A contra-revolução monárquica em Fafe 1911-1919 (das incursões couceiristas à Monarquia do Norte), O concelho, Ensino e escolas na I República, O associativismo na I República, O jornalismo na I República, Figuras referenciais da I República em Fafe, As ruas da República e Imagens da I República em Fafe.
Segundo o autor e organizador da obra, “não pretendendo esgotar a história daqueles tempos, já que muito fica ainda por dizer, ficam as linhas gerais do impacto que teve aquele fracturante período histórico do Portugal Contemporâneo neste município, numa investigação que teve como socorro privilegiado o fundo do Arquivo Municipal e a imprensa periódica local”.
Também Daniel Bastos e Artur Leite usaram da palavra para apresentarem as matérias que escreveram para a obra.
Maria Alice Samara fechou as intervenções, referindo que “é preciso olhar a República e o republicanismo para além de Lisboa”, acrescentando que, apesar da centralidade da capital dos acontecimentos, “tal não implica que se deva obliterar a dinâmica do resto do país”.
Para a investigadora, o livro agora publicado é de extrema importância, já que analisa o concelho de Fafe, articulando sempre a escala local com o nível nacional. “Dá a conhecer a História do período em análise, nas suas principais conjunturas e problemas, bem como as dinâmicas próprias do concelho, a par da publicação de documentos e imagens surpreendentes e de grande importância, o que permite ao leitor uma ‘viagem’ ao passado, à história, à memória e ao património, até ao Portugal de início do século XX, a uma época fundamental para a compreensão da contemporaneidade” – sublinha Alice Samara, que conclui: “esta obra contribui em muito para a ilustração de todos os que se interessam ou trabalham sobre este período da História de Portugal”.

Outras fotos (Manuel Meira Correia):









quarta-feira, 10 de outubro de 2012

República foi proclamada em Fafe há 102 anos


Instaurada oficialmente em Lisboa, no dia 5 de Outubro de 1910, pelas 11h00 da manhã, a República Portuguesa demorou alguns dias a ser proclamada pelo país, por razões que têm a ver não apenas com as comunicações que na altura não eram famosas, mas também com a conveniência da sua”celebração” a nível local.
Em Fafe foi proclamada na tarde do dia 9 de Outubro, um domingo (fez ontem 102 anos), com grande entusiasmo popular, como sucedeu por todo o país, de resto e como é unanimemente considerado, dado que a monarquia estava agonizante desde havia anos e nem os monárquicos mais empedernidos, salvo uma ou outra excepção (Paiva Couceiro, por exemplo, como vimos antes), mexeram uma palha para a defender. Nem já valia a pena.
À falta de outras fontes, servimo-nos da descrição do semanário republicano O Desforço para termos uma ideia do que foi a proclamação da República na então Vila de Fafe.
O semanário republicano histórico, na sua edição de 13 de Outubro, relata, vibrantemente, pela pena, com toda a certeza, do velho republicano Artur Pinto Bastos, director do jornal:

Logo que houve a certeza de ter sido proclamada a Republica na cidade do Porto (6 de Outubro), noticia que nós mesmos trouxemos, porque viramos o delirio da acclamação, a nossa Commissão Municipal preparou-se para ir cumprimentar o novo Governador Civil de Braga, e receber as ordens que por intermedio do mesmo funcionario lhe eram transmitidas pelo governo provisorio da Republica Portugueza. Na capital do nosso districto assistiram á acclamação que ali fôra imponentissima, dadas as circunstancias daquela cidade ser reconhecida como o centro do mais intransigente reacionarismo. Vieram tarde e por isso só no domingo se poude fazer aqui a ceremonia da acclamação sem se noticiar para conhecimento de todos, e sem tempo para convites. E tanto assim foi que no proprio domingo ao ir-se juntando bastantes populares no largo da villa ainda se andava procurando as musicas que mais depressa podessem fazer os seus compromissos de festividades religiosas, para percorrerem as ruas do nosso centro. E como tardassem, resolveram os nossos correligionarios dar principio ao acto, eram 3 horas certas da tarde.
Quando a Commissão entrou no edifício dos paços do concelho já uma musica tocava a «Portugueza» e a Republica era acclamada pelos populares. E dirigindo-se ás dependencias da administração foi acto continuo lido pelo secretario da mesma snr. Arthur Teixeira da Silva e Castro o auto da posse, investindo na delegacia do governo provisorio nesta villa o snr. dr. Gervasio Domingues d’ Andrade.

O auto de posse das novas autoridades lido solenemente pelo secretário da administração, Artur Teixeira da Silva e Castro, era do seguinte teor:

Aos 9 d’outubro de 1910, e por ordem do Governo Provisório da Republica Portuguesa, compareceu n’ estes Paços do Concelho, para assumir a gerência do município, o cidadão Snr. José Gabriel Peixoto de Magalhães e Meneses, com a seguinte comissão da sua presidência: Gervásio Domingues de Andrade, Miguel Augusto Alves Ferreira, Bernardino Monteiro, José Augusto Ferraz Costa, Vicente d’Oliveira e Castro, Dr. José Teixeira e Castro Guimarães e Dr. José Summavielle Soares.
Compareceu também o digno vice-presidente da Câmara destituída, Snr. Padre José da Silva e Castro, que conferiu a posse.
O cidadão Snr. José Gabriel Peixoto de Magalhães e Meneses e os restantes membros da Comissão da sua presidência declararam pela sua honra que farão por bem desempenhar as funções em que foram investidos.
Por proposta do presidente foi resolvido que a 1ª sessão se effectuasse na próxima 5ª feira, pela huma hora da tarde, para começar os trabalhos da gerência municipal.
Procedeu-se, seguidamente, á proclamação da Republica da varanda dos Paços do Concelho, e ao arvoramento da bandeira republicana. 

Prossegue O Desforço a sua descrição:

A entrega foi feita pelo administrador cessante snr. dr. Arthur V. de Castro, abraçando o novo administrador – e assignando o mesmo auto, que também foi assignado por grande numero de pessoas presentes.
O snr. dr. Gervasio proferiu uma allocução comprometendo-se a executar a lei com amor e justiça mas sem tibiezas, como é proprio das novas instituições, cuja implantação vinha acabar com os processos de corrupção que todos conhecem. E tal era a confiança que tinha na administração actualmente só feita pelo povo que levantava um cordeal viva á Republica Portugueza.
Outros vivas se seguiram muito correspondidos, continuando a assignatura do auto.
Cá fóra, tocavam já duas bandas os acordes enthusiasticos da «Portugueza».
Dificilmente se podia atravessar os corredores e subir as escadas para a sala das sessões da camara municipal, completamente apinhada de populares, sendo necessario abrir uma fileira para que a nossa Commissão Municipal pudesse chegar junto da meza das sessões, onde jà se encontravam os vereadores que o governo provisorio tornara demissionarios em face da constituição democratica do programma republicano.
Antes de fazer a entrega o snr. P.e José da S. Castro apresentou em nome de toda a camara cessante cumprimentos affectuosos à Commissão Municipal Republicana e fazendo justiça ao caracter individual de cada um dos seus membros, disse, era tecer o elogio de todos; que esperava que a tutela central deixasse expandir a corporação popular como achava justo e digno de toda a ordem e de todo o progresso. Pessoalmente e com toda a sinceridade acatava do coração a nova forma de governo.
Enthusiasticamente ovacionado assignou o auto da posse, assignando-a também os vereadores presentes bem como a Commissão Municipal assim constituída:
José Gabriel Peixoto de Magalhães e Menezes, Miguel Augusto Alves Ferreira, José Augusto Ferraz da Costa, Bernardino Monteiro, Vicente d’ Oliveira e Castro, Dr. José Teixeira e Castro Guimarães, dr. José Summavielle Soares.
Depois de assignarem, o snr. dr. Summavielle tomando a palavra agradece as saudações da camara presente feitas pelo snr. P.e José e podia garantir que os interesses do município iam ser salvaguardados de conformidade com as aspirações ali votadas por sua exª, pois isso eram aspirações do partido republicano, de ha muito, e para isso foi também que o admirável povo de Lisboa acabava de dar a vida nas ruas da sua heroica cidade.
Os vivas á Republica, á Patria, á Commissão Municipal Republicana, ao Povo de Lisboa, eram delirantemente correspondidos.
Parecia que nesta occasião a alma popular era differente, como depois duma operação feliz se sente num bem-estar todo o enfermo atormentado por longa doença.
Como a sala não podia conter todos os cidadãos, pois que a maioria estava no largo, o snr. dr. Summavielle pediu licença de fazer a proclamação da Republica das varandas do edificio.
Ao seu apparecimento na varanda, o director d’ «O Desforço» levantou-lhe vivas, assim como ao exercito, á Patria e á Republica. E ao ver aparecer o primeiro-sargento da armada, reformado, o snr. Jeronymo Nunes Pereira, levantou tambem vivas á marinha portugueza, seccundados e correspondidos por toda a multidão.

A proclamação do Dr. José Summavielle Soares numa das varandas dos Paços do Concelho, foi do seguinte teor:

Cidadãos!
Em nome da Commissão que vem de ser investida na administração municipal, cabe-me a honra de proclamar a Republica neste concelho.
E, devo dizer-vos, proclamo-a profundamente comovido, porque vejo enfim realizada a aspiração mais ardente do meu coração de patriota.
Cidadãos:
Para derrubar a ominosa dynastia de Bragança e fazer triumphar a sagrada bandeira da Republica foi preciso verter-se, em combates verdadeiramente épicos, o sangue de muitos portuguezes.
Glorifiquemos esse sangue, abraçando, confiantes, as novas instituições republicanas e empenhando todo o nosso civismo na construcção d’uma Patria nova, dignificada e prospera.
Viva a Republica Portugueza!
Viva a Marinha de Guerra!
Viva o exercito!
Viva o grande, o nobre, o heroico povo de Lisboa!

O semanário republicano de Artur Pinto Bastos continua a sua descrição sobre a proclamação da República em Fafe, em 9 de Outubro:

Custava a restabelecer o silencio. Mas feito elle o illustre candidato do nosso partido fez a proclamação da Republica no theor impresso na nossa primeira pagina.
A multidão rompeu numa salva de palmas e com vivas enthusiasticos á Republica Portugueza, por entre os sons das musicas que continuadamente repetiam o hymno provisorio da nação – «A Portugueza».

A Republica é pois um facto em Fafe.
Depois da sua proclamação, e tendo descido a Commissão Republicana, a multidão, ainda quente de enthusiasmo, acompanhou-a por toda a villa com vivas á Republica, aos vultos principaes do Partido Republicano de Fafe, ao povo de Lisboa, ao povo revolucionario, ao exercito, á  marinha, ás damas fafenses quando passava debaixo das janelas onde ellas estavam, á imprensa republicana, ao governo provisório, a João Chagas, a França Borges, á republica brazileira, ás outras republicas, etc., etc.

Na redacção de O Desforço e em casa dos republicanos Paulino da Cunha, José Teixeira Leite, e Bernardino Monteiro, já abandeira nacional havia sido desfraldada desde a sexta-feira anterior (7 de Outubro).

A nova Câmara Municipal (Comissão Municipal Republicana) foi assim constituída pelos republicanos Dr. Gervásio Domingues de Andrade (presidente), Dr. José Summavielle Soares (vice-presidente), José Gabriel Peixoto de Magalhães e Menezes, Miguel Augusto Alves Ferreira, José Augusto Ferraz da Costa, Vicente d’Oliveira Castro e Bernardino Monteiro (vogais).

Afinal, era, mais coisa, menos coisa, o núcleo duro dos republicanos que vinha já dos combates dos tempos da monarquia. Um conjunto de homens que representava um universo interclassista, mas onde predominavam os capitalistas, os proprietários, os comerciantes e os bacharéis em direito.
       
Sobre cada um deles, em rápidas pinceladas, escreveu O Desforço, na sua edição de 3 de Novembro de 1910:

Infelizmente, o partido republicano neste concelho não avultava em quantidade mercê do abandono adredemente preparado pelo antigo regímen, para que as populações afastadas das capitaes afastadas andassem tambem dos seus direitos e servissem os prazeres dos magnates prediais, em dedicação e carinho, como se esses ladrões tivessem foros de gente.
Pobre mas honrado, diminuto mas escolhido, o partido republicano de Fafe, como de resto o de todo o país, reunia em si o que de melhor havia em todas as classes sociais.

- Dr. José Summavielle Soares – bacharel em direito, socio na firma José Florencio Soares, Succ.res, proprietario da importante e muito conhecida fábrica do Bugio, era tam modesto que nunca quiz salientar-se neste meio, onde a sua lucidissima intelligencia havia necessariamente de impor-se. Os proprios adversários reconheciam isto e lastimavam-se de elle não estar disposto a fazer uma linda figura, e diziam até que elle se tinha perdido inutilizando-se com se fazer republicano. Não, não se inutilizou. O dr. Summavielle era um caracter, e não era republicano por commodismo, viso como agora, dentro da Republica, a sua actividade se está desenvolvendo como não esperavam aquelles que o acusavam de amigo das suas conveniencias.
- Dr. Gervásio Domingues de Andrade – também é bacharel em direito, importante proprietario, e advogado da comarca de Fafe. Quem não lhe conhece a honestidade e a intelligência fora e dentro do exercicio da sua livre profissão? Republicano intransigente é por todos considerado o principe dos advogados no auditorio d’este tribunal fafense, o que, se lhe não quadra como adepto da verdadeira democracia, não deixa contudo de exprimir a rigorosa verdade etimologica, sem ofensa para os seus ilustres collegas.
- Miguel Augusto Alves Ferreira – proprietario e alferes aposentado do exercito portuguez. Organizara-se no país o partido republicano com a força moral dos seus homens, quando essa disciplina arrastava para lá todos os caracteres honestos e bons.
O alferes do Ribeiro, como é conhecido o illustre republicano, enfileirou ao lado dos homens de bem, segui-os com a lealdade propria da sua alma e com o calor da sua crença; logo sentiu o odio das perseguições e teve de se aposentar; demonstrando com isso a sua bondade de homem energico. Se quizesse evitar e soffrer essas perseguições haveria hoje mais homens odiados. E os que o são, chegam bem.
- José Gabriel Peixoto de Magalhães e Menezes – proprietario intelligente cultiva com proveito uma virtude cívica: - a economia domestica.
- Bernardino Monteiro – negociante, da antiga firma Elvira Lobo & Cª. vem prestar o seu concurso metodico às novas instituições na ocasião em que ellas se propõem moralisar a parte administrativa do país até aqui posto a saque pelas quadrilhas da monarquia.
 - Vicente d’Oliveira e Castro – negociante, proprietario, que em toda a sua longa carreira commercial provou ser um cidadão util. Entrou para o partido republicano logo que viu o descalabro real dos casmurros do poder no tempo do regimen deposto.
- José Augusto Ferraz Costa – capitalista e sincero democrata, nunca se entendeu com a monarquia. Também ajudou a demolir o passado.
Eis os sete cidadãos que as circunstancias vieram a collocar á frente do município e de quem ha a esperar a mais zelosa administração.
E não precisam de conselho.

A nova Câmara começou a trabalhar e logo em 13 de Outubro, “recebia” pacificamente o poder da câmara monárquica, alterava a toponímia da vila, colocando nomes e valores republicanos onde havia congéneres realistas e distribuía os pelouros pelos diversos membros do Executivo: ao cidadão presidente (Gervásio Domingues de Andrade) cabia a Secretaria e a Polícia Municipal, a José Summavielle Soares incumbiam as Obras e a Higiene, ao vogal Miguel Augusto Alves Ferreira cabia o pelouro das Águas, Cemitério e Jardim, ao Vogal José Gabriel Peixoto de Magalhães e Menezes incumbiam a Instrução e Beneficência, a José Augusto Ferraz Costa os Mercados, Limpeza e Iluminação, ao vogal Vicente d’Oliveira e Castro o Matadouro, Açougues e Aferimentos e, finalmente, ao vogal Bernardino Monteiro estavam cometidas a Fazenda e a Contabilidade.
Quanto às alterações toponímicas decretadas por unanimidade na mesma reunião e propostas pelo Dr. José Summavielle Soares, foram as seguintes:

Praça da República para o Largo D. Carlos I (hoje Praça 25 de Abril);
Avenida 5 de Outubro para a Avenida José Luciano de Castro;
Rua Teófilo Braga para a Rua Príncipe Real;
Rua Cândido dos Reis para a Rua D. Maria Pia (actual rua Major Miguel Ferreira);
Rua Miguel Bombarda para a Rua D. Luís I (actual Rua General Humberto Delgado);
Rua Machado dos Santos para a Rua D. Pedro V (actual rua João XXIII);
Rua Francisco Ferrer para a Travessa D. Pedro V (actual Rua Afonso Costa). 

(In A Primeira República em Fafe - Elementos para a sua História, edição Núcleo de Artes e Letras de Fafe, a apresentar esta sexta-feira, 12 de Outubro, no salão nobre do Teatro-Cinema de Fafe, a partir das 21h30)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Espectáculo de Luís Represas e João Gil este sábado no Teatro-Cinema de Fafe já está esgotado!

A programação do Teatro-Cinema de Fafe continua este sábado à noite, 13 de Outubro, com o grande espectáculo de Luís Represas e João Gil, no âmbito do projecto “Concertos Íntimos”.
Os bilhetes para o evento, ao preço único de 10 euros, já esgotaram.
A "conversa íntima” com os espectadores que o queiram, ficou aprazada para sábado à tarde.
Numa altura em que comemoram 35 anos de carreira, Luís Represas e João Gil editam um disco de originais juntos. O álbum homónimo, desenvolvido no segredo dos Deuses, foi editado a 28 de Novembro de 2011. Desde o fim do Trovante, esta é primeira vez que Luís Represas e João Gil trabalham juntos num disco de originais. Mais: é a primeira vez que assinam um álbum em conjunto.
As letras são de João Monge, João Gil e Luís Represas, mas há ainda um poema de Camões e uma adaptação do poeta Georg Weerth.
O primeiro single “Sisudo Amável” já toca nas rádios e outros temas começam a chamar a atenção do público, como “Rouba-Corações” ou “Quando Eu Voltar A Nascer”.
Luís Represas e João Gil, um disco de grandes canções, canções para ficarem na memória, limpas e sedutoras.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

“A Primeira República em Fafe”: Obra de investigação a apresentar esta sexta-feira

A Primeira República em Fafe – Elementos para a sua história é uma obra de investigação histórica que vai ser apresentada esta sexta-feira, 12 de Outubro, no salão nobre do Teatro-Cinema de Fafe, a partir das 21h30. A entrada é livre.
São seus autores os historiadores Artur Ferreira Coimbra, Daniel Bastos e Artur Magalhães Leite.
A obra tem prefácio de Maria Alice Samara, premiada investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que estará presente na sessão de lançamento.
A edição é do Núcleo de Artes e Letras de Fafe e conta com o apoio do Município e da Junta de Freguesia de Fafe.
Tudo começou, há dois anos, quando, no âmbito das celebrações do Centenário da República, o Núcleo de Artes e Letras de Fafe promoveu um Curso Livre de História Local, sob o tema O concelho de Fafe durante a Primeira República (1910-1926)”.
A acção decorreu entre 07 de Outubro e 18 de Novembro de 2010, na Biblioteca Municipal e teve como propósito basilar proporcionar ao público em geral um melhor conhecimento sobre um período histórico fundamental na afirmação e desenvolvimento do concelho de Fafe. Nesse sentido, o curso, numa óptica local e pluridisciplinar, procurou ser ainda um espaço de actualização e reflexão crítica sobre a realidade do concelho na Primeira República.
A verdade é que o curso suscitou uma apreciável adesão por parte do público interessado, a grande maioria docente de diferentes graus de ensino e escolas do município, com mais de meia centena de participantes regulares nos sete módulos que se distribuíram por outras tantas semanas.
A obra que o leitor tem entre mãos assume como ponto de partida a matéria apresentada ao longo daquele curso, naturalmente mais organizada, aprofundada e dotada de uma coerência que a oralidade não permite, acrescentada com dois ou três temas que enriquecem e diversificam o conteúdo.
Do índice, além do prefácio, podem referir-se os seguintes capítulos (e respectivos autores):

A I República Portuguesa (1910-1926) – Uma “nova versão” do Liberalismo – Artur Coimbra

As raízes republicanas no concelho de Fafe – Daniel Bastos

Fafe em 1910 – Breve retrato – Artur Coimbra

A Proclamação da República em Fafe – Artur Coimbra

Momentos e legado da I República em Fafe – Artur Coimbra

O governo local (1910-1926) – Artur Coimbra

A contra-revolução monárquica em Fafe 1911-1919 (Das incursões couceiristas à Monarquia do Norte) – Artur Coimbra

O concelho de Fafe durante a I Grande Guerra Mundial – Daniel Bastos

As mulheres da I República em Fafe – Daniel Bastos

Ensino e escolas na I República, em Fafe – Artur Magalhães Leite

O associativismo na I República – Artur Coimbra

O jornalismo na I República – Artur Coimbra

Figuras referenciais da I República em Fafe – Artur Coimbra

As ruas da República – Artur Coimbra

Imagens da I República

Não pretendendo esgotar a história da I República em Fafe, já que muito fica ainda por dizer, aqui se deixam as linhas gerais do impacto que teve aquele fracturante período histórico do Portugal Contemporâneo neste município minhoto, a meio caminho entre o litoral e o interior, numa investigação que teve como socorro privilegiado o fundo do Arquivo Municipal e a imprensa periódica local, um inesgotável manancial de pesquisa para a “construção” da História Local.
Fafe era um município essencialmente rural, com uma economia baseada na agricultura e na pecuária, com alguma indústria, com grande número de gente analfabeta e temente a Deus, como por todo o Norte. Um concelho em tudo idêntico a tantos onde a República custou a entrar e onde a reacção monárquica encontrou terreno fértil e fácil, sobretudo por temerosa influência do clero, como se demonstra pelas incursões de Paiva Couceiro e pelas reacções à curta Monarquia do Norte, em Janeiro/Fevereiro de 1919.
De resto, ficaram algumas “marcas” deste período, na arquitectura e no urbanismo da cidade, na produção da energia eléctrica para abastecimento público, com a construção de uma das primeiras centrais hídricas da região (1914), na dinâmica cultural, com a edificação do mítico Teatro-Cinema de Fafe (1923), no associativismo, no jornalismo e em outras áreas, como se verá nas páginas da obra. 

domingo, 7 de outubro de 2012

A "Justiça de Fafe" não será deslocada e o Parque da Cidade vai ficar mais "verde"

A Câmara Municipal de Fafe deliberou esta semana, por unanimidade, manter o monumento da “Justiça de Fafe”, nas traseiras do Palácio da Justiça, onde foi implantado em 1981.
Na sequência da audição pública levada a efeito há alguns meses, a maioria dos munícipes que se pronunciou sobre o assunto, por diversos modos, foi no sentido de “não deslocalizar” a estátua, manifestando-se, por outro lado, a favor de uma intervenção que beneficie e enriqueça o monumento e o espaço envolvente, conferindo-lhe maior visibilidade e outra acessibilidade.
Nesta perspectiva, e por proposta do Presidente da Câmara, que até era a favor da mudança de localização do monumnento, o executivo resolveu mandar que os serviços, neste caso, a Divisão de Projectos Municipais, efectue, no prazo de 90 dias, um estudo de requalificação da área envolvente do monumento da “Justiça de Fafe”, que “preveja a manutenção do mesmo naquela zona, ainda que possa deslocar-se do actual sítio, tendo em vista criar mais visibilidade, dignidade e acessibilidade do público”, nas palavras do edil, que, desta forma, pensa “ir de encontro a todas as sensibilidades reveladas na audição pública”.
Nos mesmos moldes, e na sequência da audição pública sobre a revisão do projecto do Parque da Cidade, foi decidido mandar os mesmos serviços e no mesmo prazo apresentar um estudo, ouvidos os autores do projecto inicial, “que vá de encontro às opiniões generalizadas de simplificação do projecto, no sentido da relocalização da piscina junto ao Pavilhão Multiusos, do encerramento proposto da via circular, do prolongamento do Jardim central à área das matas, criando-se um grande jardim verde, informal, que permita diferentes usos”.
Por outro lado, e dado o estado de quase conclusão do projecto dos campos de ténis (dois cobertos e dois descobertos), foi deliberado manter a sua prevista localização.
A Câmara recomendou aos serviços para terem presente, em todo o estudo, a procura do mais baixo custo e a possibilidade da execução dos trabalhos por administração directa.
Avançam assim dois dossiês que têm mobilizado a opinião pública nos últimos meses.

sábado, 6 de outubro de 2012

A República refugiada dos cidadãos!


1. Pela primeira vez nos últimos anos, o governo e o presidente da República impuseram que as comemorações do 5 de Outubro fugissem da vista do povo e se acantonassem numa sala da Câmara de Lisboa, devidamente liofilizada, controlada, para que nenhuma voz crítica conseguisse lá penetrar e aborrecer os discursos bolorentos de Cavaco. Salvou-se a intervenção de António Costa, para grande azia dos garotos do PSD e do CDS.
Nunca se viu uma coisa destas: o alegado governo e o presumível presidente da República a fugirem dos cidadãos. Eles que ainda há poucos anos andavam aos abraços e aos beijos com os feirantes, os agricultores e os homens da rua, e hoje têm medo de enfrentar quem os elegeu (e os outros que não o fizeram, já sabendo porquê…). Por alguma razão é!
Os governantes têm medo do povo e ausentam-se dele, como criminosos que não querem ser apanhados. É inacreditável o que está a acontecer neste país!...
Como inacreditável é que este 5 de Outubro de 2012 tenha sido, porventura, o último feriado da comemoração da República, pois, como sabemos, a obscena ignorância histórica e a subjugação a torpes princípios economicistas deste governo levaram à sua suspensão. Como se a supressão de quatro feriados – dois civis e dois religiosos – fosse relevante na vida económica do país, que tem os governantes mais incompetentes e néscios de que há memória!...
E ainda, por cima, andam os comediantes que nos governam com uns pins com a bandeira da República na lapela. República que infamemente desvalorizam e cujos valores e princípios desprezam. Grandes farsolas!...
Alegada suspensão, porque temos a firme convicção de que para o ano voltará a haver feriado no 5 de Outubro, já que não haverá esta peste de governo de ignorantes e incapazes e o PS já fez saber que, vencendo as próximas eleições, a República voltará a ser comemorada como merece, com o devido feriado, que é devido às datas simbólicas da memória colectiva.
Para quem respeita a memória, a história e os valores perenes da República, o que não é manifestamente o caso dos ignorantes que infelizmente nos governam.

2. Como sabemos, a República instituiu-se em torno de ideias contrapostas à monarquia vigente desde a instituição da nacionalidade, fazendo prevalecer as da democracia e da soberania popular (o que muito dói ao actual poder). A República estriba o seu sistema nos princípios electivos, e com a autoridade a emanar directamente do povo, através dos sufrágios eleitorais realizados periodicamente. Por isso é que os políticos têm a obrigação de se assumirem “acima de qualquer suspeita”. A política só é uma actividade nobre se tiver como referência absoluta a ética e a lisura dos procedimentos, que inviabilizam qualquer deriva autoritária ou corrupta.
A República acaba também por reforçar alguns direitos humanos fundamentais, como os da liberdade, ao transformar os velhos súbditos em cidadãos, ou da igualdade que, ao negar os privilégios derivados do nascimento, confere aos cidadãos em geral a possibilidade de ascenderem a qualquer magistratura, o direito a eleger os seus representantes nas instituições democráticas (das juntas de freguesia à chefia do Estado) e a serem eleitos, dentro dos requisitos estabelecidos para cada acto eleitoral.
Além da consagração insofismável da soberania popular e da cidadania individual e colectiva, a República canonizou um outro princípio, que tanta polémica gerou e continua a gerar, neste último século: o da separação da Igreja do Estado. É o triunfo do laicismo, se se quiser, no sentido em que nem a Igreja manda no Estado, nem o Estado manda na Igreja. Há respeito mútuo, mas não subserviência de qualquer das partes, muito menos promiscuidade.
Não deixa de ser paradoxal, contudo, que, apesar de extremamente agredido e vilipendiado ao longo do Estado Novo, pelos alegados abusos cometidos nos começos da 1ª República, o sistema de governo republicano nunca seria alterado, nem por Oliveira Salazar, basicamente concordante com os seus princípios fundamentais, apesar de se ter como um “monárquico de coração”.
A luta politica desenvolvida pela oposição democrática ao fascismo, brandiu frequentemente os valores da República como fundamento das suas propostas e das suas práticas. Não esqueçamos que, nessa época, os oposicionistas comemoravam o 31 de Janeiro e o 5 de Outubro, como símbolos de uma ideia que queriam ver reimplantada no país. O 25 de Abril veio, enfim, dar um novo impulso purificador aos ideais republicanos, re-actualizando-os. O 25 de Abril acabou por relegitimar o 5 de Outubro.
Teríamos de chegar a este pântano em 2012 para a República ser posta em causa, por ignaros sem passado nem futuro, e cuja caracterização politica e ideológica denota uma mediocridade que confrange…

3. Hoje, 102 anos passados sobre a proclamação da República, há valores republicanos que se mantêm e reforçam. Por exemplo, o fortalecimento do municipalismo, que foi uma das mais sonhadas utopias saídas do 5 de Outubro. O Portugal dos nossos dias é uma “construção” dos municípios, em áreas fundamentais, desde as infra-estruturas básicas à cultura e ao desporto.
Outro exemplo, é o reforço da participação cívica e política dos cidadãos e, em especial, a emancipação da mulher e consolidação dos seus direitos (no trabalho, na esfera privada, no domínio público). E também a igualdade de oportunidades entre os sexos e no âmbito social. O sentido do progresso e da evolução, aos diferentes níveis.
Igualmente o é a aposta decidida na Educação, como pressuposto para o desenvolvimento económico e para a libertação social. Lembremos que a 1ª República instituiu a instrução obrigatória de 4 anos (que, depois, regrediu para 3 anos, no consulado salazarista, para quem bastava ensinar as crianças a “saber ler, escrever e contar”…) e hoje se investe na elevação das qualificações dos portugueses (embora cada vez menos…).
Princípios republicanos são também o apego ao sistema democrático, o triunfo da cidadania e do civismo, as atitudes de rigor, lisura, integridade e verticalidade nas relações humanas, o respeito pelos direitos sociais e políticos dos portugueses, a tolerância como sistema de vida, enfim, o combate à corrupção, à fraude e a todos os atropelos à dignidade da “coisa pública”.
Por tudo isto, nos parece que a República continua plenamente actual, um século volvido, nos seus pressupostos, nos seus desígnios, na sua prática inovadora.
Por isso, custa a perceber como é que, por razões de imbecilidade governativa e troikista, se ponha em causa a mundividência republicana, que é o nosso regime, para o bem ou para o mal. Não há outro.
Em todos os países se respeita o regime, se consagra a respectiva data de implantação, como momento simbólico de coesão social e política. Em Portugal é esta pouca-vergonha, este desprezo, esta ignorância crassa, este analfabetismo histórico, que esperamos muito sinceramente não dure por muito tempo!...