terça-feira, 20 de novembro de 2012

Indústrias Culturais e Criativas em Espaço Rural – Conferência na Biblioteca Municipal de Fafe


LOCAL: Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe
DATA: 22 de Novembro de 2012
HORÁRIO: das 14 às 18 horas

No âmbito do Programa para a Rede Rural Nacional (PRRN), nove associações de desenvolvimento local da Região Norte de Portugal, entre as quais a Adriminho, Adril, Atahca, SoldoAve, Adersousa, Dolmen, Adrimag, Adritem e Probasto, constituíram uma parceria e submeteram uma candidatura denominada «ICCER- Indústrias Culturais e Criativas em Espaço Rural», na Área de Intervenção 1 – Capitalização de Experiência e de Conhecimento. Trata-se de uma iniciativa comunitária promovida pelo Ministério Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território e cofinanciada pelo FEADER.
No contexto deste projecto foram já realizadas três conferências que versaram a realidade dos «Empresários Criativos», as «Estruturas de Apoio à Cultura e à Criatividade/Empreendedorismo Criativo», os «Eventos Criativos e Programação». Chegou agora o momento de encerrarem este ciclo de conferências com a 4ª Conferência subordinada ao tema «Criatividade e as Artes e Produtos Tradicionais/Património Material e Imaterial», com a apresentação de experiências e projectos dentro dos territórios da parceria.
 
PROGRAMA
 
14h00m - Recepção dos participantes
Moderadora: Coordenadora do GAL da SOLDOAVE
Abertura
14h30m – José Manuel Martins Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal de Fafe
14h40m - Ponto de situação do projecto ICCER – Paulo Queiroz
14h50m – As Indústrias Criativas no Norte de Portugal – Dra. Cristina Farinha, Directora Executiva da ADDICT *
1º Painel – Artesanato e Indústrias Tradicionais
15h00m – As Capuchinhas de Castro Daire – Henriqueta Félix 
15h15m – Os Lenços de Namorados – Dra. Júlia Rodrigues, Presidente da Aliança Artesanal *
15h30m – Olaria de Barcelos – novas abordagens a uma arte tradicional - Cláudia Milhazes *
15h45 m – Pólo Criativo do Design Mobiliário – explorar a inovação em zonas peri-urbanas Celso Ferreira, Presidente da Câmara Municipal de Paredes
16h00m – Debate
16h15m – Degustação de produtos da gastronomia rural
2º Painel – Inovar a partir do Património Rural
16h45m – Criar a partir dos sabores e produtos tradicionais - Chefe Hélio Loureiro *
17h00m – Rota do Alvarinho – o vinho o turismo e a animação cultural num só produto – Pedro Barbosa
17h15m – Restaurante Engaço – um conceito urbano no espaço rural? – Helder da Rocha
17h30m - Aldeia do Pontido - recuperar o património, animar a economia local - Raul Rebelo Cunha
17h45m – Museu do Moinho e do Povo de Aboim – cultivar a memória – Jorge Miranda
18h00m – Debate
18h15m – Encerramento
*  a confirmar

domingo, 18 de novembro de 2012

“UMA GUITARRA & DEZ CANÇÕES DE AMOR” – GRANDE ESPECTÁCULO NO TEATRO-CINEMA DE FAFE



A noite deste sábado, 17 de Novembro, ficou marcada por um grande espectáculo no Teatro-Cinema de Fafe. Um evento de características diferentes, que cruzou a música, a poesia e a declamação.
"Uma Guitarra & Dez Canções de Amor" – assim se chamava – era, em substância, a celebração do amor nas suas múltiplas vertentes, juntando em palco a extraordinária cantora Vânia Fernandes, na voz, e António Côrte-Real (UHF), na guitarra. Completava o trio de artistas, o actor Pedro Giestas, que interpretou momentos poéticos de autores de expressão portuguesa (Vinícius de Morais, Almada Negreiros, Eugénio de Andrade e Fernando Pessoa), bem como de um autor local (Artur Coimbra) e de quatro jovens participantes no concurso de poesia sob a epígrafe “O melhor do mundo é o amor”, que a autarquia promoveu junto do público escolar, do 7º ao 12º ano. O tema do concurso era o “Amor”, sob todas as suas formas e em sentido lato, designadamente, ao homem e à mulher, à mãe, ao pai, à natureza, à paz, etc. Foram produzidas 64 poesias. A autarquia oferecia um bilhete grátis para todos os participantes, bem como um livro e um CD mas, infelizmente, poucos jovens apareceram para fruir desses brindes.
Ao longo de uma hora e meia, homenageando os grandes temas do cancioneiro português que abordam o amor nos seus diversos caminhos, Vânia Fernandes interpretou, magistralmente, uma dezena de canções conhecidas, como “Canção do Engate” (António Variações), “Aquele inverno”, (Delfins) “Sempre que o amor me quiser” (Lena D’Água), “Tonto”, “Todo o tempo do mundo” (Rui Veloso), “Leve beijo triste” (Paulo Gonzo) e “És como és” (António Corte Real). Entretanto, já na parte final do espectáculo, entrou em palco o Coro dos Pais e Amigos da Academia de Música José Atalaya, sob a direcção do maestro Tiago, para interpretar os belíssimos temas “Se te amo” (Quinta do Bill) e “Aprender a ser feliz” (Pólo Norte), a que acrescentou uma canção zulu sobre a caminhada para a liberdade.
Vânia Fernandes interpretou ainda o tema “Perdidamente”, de João Gil e, em encore, a canção “Toca-me” (UHF). O excelente concerto terminou com a repetição do tema “Se te amo”, novamente com a presença do Coro, em excelente forma.
Uma noite linda! Um espectáculo fabuloso!
 
Fotos: Manuel Meira Correia






sábado, 17 de novembro de 2012

Greve por patriotismo!


1. Como milhares de outros trabalhadores, com elevado sentido “patriótico”, tive a coragem de participar na greve geral (ou nem por isso...) desta quarta-feira, que colocou o país a funcionar a meio gás, paralisando em grande parte os transportes, as escolas, hospitais, autarquias e outros serviços. Aliás, o protesto foi europeu, convocado pela Confederação Europeia de Sindicatos, com manifestações em duas dezenas de países da União Europeia e paralisações gerais em Espanha, na Grécia, em Chipre e em Malta.
Aderi à greve porque, num momento extraordinariamente difícil da nossa vida colectiva, entendi contribuir com “um dia de salário para a Nação”. Fiquei sem ele no meu bolso e a minha entidade patronal poupou assim um dia de ordenado, contribuindo deste modo para o esforço de contenção da despesa pública.
Se Paulo Portas, há uns dias, não quis sair do governo alegando “razões patrióticas”, eu também tenho o direito de fazer o mesmo, negando-me a trabalhar por um dia (excepção feita a esta crónica, ainda que tenha pensado seriamente entrar em greve também ao computador e deixar em branco a “Escrita” desta semana, mas o dever falou mais alto, bem como a extrema consideração pelo director e pelos leitores), para que haja mais dinheiro nos cofres do erário público. E bem de maquias estão necessitados…
A greve desta quarta-feira só pode ter sido levada a cabo por “razões patrióticas”.
Porque nas suas motivações esteve protestar contra a bárbara política de austeridade do governo e da tróica, de que aquele é zeloso feitor, concretizada no saque constante nos salários e nos subsídios, no aumento da carga fiscal, no congelamento dos ordenados e das promoções, na redução do valor do trabalho, nos despedimentos de 50% dos trabalhadores contratados nas autarquias e de 2% dos trabalhadores dos quadros (para quem assegurava que na função pública não há despedimentos, até que não está mal…), na privatização dos serviços públicos e de empresas estruturantes, na destruição do poder local (extinção de freguesias e outros ataques), no aumento da idade de reforma. Enfim, no empobrecimento progressivo dos portugueses em geral, na desqualificação do factor trabalho da economia (ao contrário do capital, que permanece quase intocável, nos seus paradigmas essenciais), na insegurança e indefinição quanto ao presente e ao futuro.
Em causa está o ataque do sistema financeiro e da agenda política europeia ao Estado Social, não apenas português mas europeu que, queiram ou não os seus detractores, esteve na base da manutenção da democracia e da paz no continente.
Em Portugal, é uma personalidade insuspeita como o professor Adriano Moreira a proclamar que “o Estado Social, hoje, está a ser posto em causa”, declarando ainda que “o que está a acontecer, com a orientação que Angela Merkel professa, é atirar a esperança pela janela. Nunca vi uma situação tão severa na vida portuguesa, como hoje”. E do alto da experiência de 90 anos e do seu estudo de décadas sobre a realidade portuguesa, o conceituado professor reitera que o país se encontra “em regime de protectorado” é conclui: “é uma injustiça que o povo português seja chamado a pagar a dívida chamada soberana, mas depois tenha de pagar a dívida municipal, a dívida das concessões que o Estado fez, a dívida da casa e, depois, esteja despedido”.
Por estas razões, altamente patrióticas e nacionais, a greve de quarta-feira fez todo o sentido. Os portugueses têm de mostrar a quem os (des)governa que não estão dispostos a ser escravos, para que Passos Coelho se ufane do seu papel de subserviente “bom aluno” da chanceler alemã.
Alemanha que lucra imenso com as dificuldades portuguesas, mais de um milhão de euros por dia, como refere o Correio da Manhã da passada terça-feira. Grande “amiga”, essa Merkel!...
 
2. Andam as águas agitadas para o lado da Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome e da Federação Europeia dos Bancos Alimentares. Mas não se percebem as razões, a não ser pelo clima de nervosismo e de exaltação que campeia neste momento. Porque o que a senhora referiu, em entrevista, não é nada mais do que o que diariamente ouvimos nos meios políticos e até nas conversas familiares. Que é necessário “reaprender a viver mais pobres”, dadas as circunstâncias económicas do país, que há necessidade de contenção de despesas, que “se não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, não podemos comer bifes todos os dias”.
Mas onde está a infâmia destas declarações que levam alguns dos críticos a falar em “lavar o sangue que lhe escorre das mãos”!... Anda tudo louco, meu Deus!
E o tempo e voluntarismo que Isabel Jonet tem dedicado ao Banco Alimentar não conta para nada?
É óbvio que não. É mais fácil e mediático criticar umas declarações que poderão ser infelizes, mas que não saem do paradigma da normalidade, do que fazer algo de positivo pela sociedade!... Não consta que os acerbos críticos da senhora tenham a sua obra meritória em favor dos mais desprotegidos!...
 
(In Povo de Fafe, 16/11/2012)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

“Uma guitarra & Dez canções de amor” - Espectáculo este sábado no Teatro-Cinema de Fafe


Preço: 3 €
Duração: 60
Classificação: M/6
 
A programação do Teatro-Cinema de Fafe prossegue este sábado à noite, 17 de Novembro, a partir das 21h30, com um espectáculo de características diferentes, que cruza a música, a poesia e a declamação.
"Uma Guitarra & Dez Canções de Amor" é a celebração do amor nas suas múltiplas vertentes, juntando em palco Vânia Fernandes, na voz, e António Côrte-Real (UHF), na guitarra.
Homenageando os grandes temas do cancioneiro português que abordam o amor nos seus diversos caminhos, este espectáculo tem também momentos poéticos que são interpretados pelo actor Pedro Giestas, completamente espontâneos, num reconhecimento aos grandes poemas e poetas portugueses.
Associado a este espectáculo, a autarquia promoveu um concurso de poesia sob a epígrafe “O melhor do mundo é o amor”, destinado ao público escolar, do 7º ao 12º ano das escolas do concelho. O tema do concurso é o “Amor”, em sentido lato, designadamente, ao homem e à mulher, à mãe, ao pai, à natureza, à paz, etc.
Os autores dos melhores trabalhos serão premiados com um bilhete para o espectáculo “Uma Guitarra & Dez Canções de Amor”, bem como com edições bibliográficas da autarquia. Será também possibilitado o contacto dos concorrentes premiados com os artistas do espectáculo e até poderão ouvir os seus poemas na voz do Pedro Giestas!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

“As Ruas de Fafe: História e Toponímia” - obra de Artur Leite lançada sexta-feira na Biblioteca Municipal de Fafe

A Câmara Municipal de Fafe e a Editora Labirinto promovem a apresentação da obra As Ruas de Fafe: História e Toponímia, do autor fafense Artur Magalhães Leite, esta sexta-feira, 16 de Novembro, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Fafe. A entrada é livre.
A apresentação da obra está a cargo de Mónica Guimarães, que assina o prefácio.
Esta é a obra mais recente de Artur Magalhães Leite (n. 1948), que assinou também um capítulo da obra A Primeira República em Fafe – Elementos para a sua história, editada pelo Núcleo de Artes e Letras de Fafe, há um mês.
O autor refere, na introdução: “O estímulo que me levou a recolher dados históricos sobre as ruas de Fafe liga-se ao meu desconhecimento sobre a evolução toponímica da cidade. Embora possa parecer uma banalidade aos olhos de leitores menos atentos à profundidade deste trabalho, trata-se de um grande esforço no campo da pesquisa, no número de horas aplicadas nas recolhas, na selecção e no tratamento do material pesquisado e recolhido.
Outras justificações que abonam o presente trabalho, são as múltiplas aplicações, e os inúmeros ensinamentos que esta recolha pode ter para os leitores. Vai facilitar a localização das ruas, mostrar a importância e o valor dos seus patronos, alertar para a evolução onomástica ocorrida com o passar dos anos (…). No conjunto pode-se conhecer uma parte da história local e nacional, dos lugares, da geografia fafense e identificar artérias desconhecidas ou mal localizadas”.
Por seu turno, Mónica Guimarães, no prefácio, escreve: “Fruto de um labor moroso e ingente, mas profícuo para a memória de Fafe, esta obra permite-nos resgatar do esquecimento os velhos topónimos e identificar os novos, explorando e localizando as raízes de um determinado local.
Para a recuperação de toda a informação disponibilizada neste trabalho, o autor Artur Leite, recorreu a diferentes fontes informativas dando particular ênfase ao acervo documental do Arquivo Municipal de Fafe, nomeadamente às atas camarárias, cuja lavra se iniciou em 1820, as quais cruzou com a imprensa local.
O autor apresenta o nome das ruas, ordenadas alfabeticamente, com a designação/justificação da importância da figura, do local ou do acontecimento que importa comemorar. Fá-lo numa abordagem literária e histórica, identificando nas nomeações e renomeações das vias os topónimos de continuidade e de ruptura”.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

“Refundação” ou desmantelamento do Estado Social?


1. O governo está empenhado em intoxicar a opinião pública com a famigerada “refundação”, que ninguém sabe definir ao certo o que seja, tão infeliz e despropositadamente foi lançada a “boca” pelo primeiro-ministro. Ainda neste sábado, um dos mais lúcidos pensadores portugueses, Adriano Moreira, dizia desconhecer os contornos do conceito, após consultar os manuais de ciência política.
A única evidência é que se torna necessário cortar a enormidade de 4 mil milhões de euros até 2014, porque as contas de Vitor Gaspar mais uma vez saíram furadas. Na verdade, nunca se viu um ministro das finanças tão arrastada e continuamente incompetente. Não acerta uma!... Aliás, não se percebe porque é que ainda não foi demitido. Ou melhor, entende-se apenas na perspectiva de ser um agente da troika para ajudar a destruir o país, como é claramente a agenda desses usurários e de quem os representa cá dentro.
Num país onde a humildade e a transparência políticas fossem uma norma, a primeira coisa que o governo faria era comunicar aos cidadãos as razões do falhanço sucessivo das previsões e que obrigam a cortes suplementares. O governo deve uma explicação aos portugueses e um pedido de desculpas.
Porque se chegámos onde chegámos, apesar dos cortes até agora efectuados em tudo o que mexe, da destruição da economia, do bárbaro acréscimo do desemprego e dos aumentos brutais de impostos que estão previstos para 2013, que não chegam a nada, ao que se diz, é porque o governo tem falhado rotundamente a sua política de overdose de austeridade e em todas as metas que se propôs (défice, desemprego, crescimento).
E, por isso, o que seria expectável era que Passos Coelho e Vitor Gaspar viessem a público, primeiro assumir erros e depois pedir sacrifícios. Não o fazendo, estão a fornecer argumentos aos portugueses para não aceitarem o genocídio fiscal que aí vem e a bestialidade prevista para 2014. Porque ninguém entende o que se está a passar, para que é o balúrdio de milhões que se anuncia, sendo que, tragicamente, não consegue vislumbrar-se uma “luz” ao fundo do túnel, após anos de sacrifícios impostos aos portugueses. A treta da “recuperação” económica e financeira no próximo ano, garantida pelo líder do PSD, em Agosto, veio esbarrar com a realidade apontada pelo primeiro-ministro, que, por acaso, e só por mero acaso, é a mesmíssima pessoa, subserviente à senhora Merkel, que hoje visita, descaradamente, o centro da submissão lusitana (o governo e a presidência). Espera-se que seja recebida com a “cordialidade” e o “respeito” com que está a tratar os portugueses e os povos europeus do sul, e que Passos Coelho se esforça por transformar no palco da provinciana adulação!...
O governo não pode estar permanentemente a escudar-se nos “buracos” passados, até porque estes têm muito o “dedo” dos seus correligionários da Madeira e do BPN, pelo menos, que são muita da nossa actual perdição.
E Passos Coelho não foi eleito para se estar continuamente a jeremiar e a camuflar a sua patente incapacidade com os erros alheios. Ou tem vontade de resolver os problemas do país, seriamente, ou dê de frosques, porque dele começamos a ficar fartos!...
Um primeiro-ministro que se submete passiva e servilmente a tudo o que vem de fora, como se vivêssemos no feudalismo, não interessa. Um primeiro-ministro que se recusa a renegociar um empréstimo, na tentativa de melhorar as condições, os prazos e os juros, como têm feito governantes estrangeiros, em situação similar, melhor fora capitular.
Um primeiro-ministro que se conforma com a situação de protectorado em que está transformado este país de oito séculos de existência, deveria sentir-se obrigado a resignar.
Um primeiro-ministro assim, fortíssimo com os fracos e dependentes, internamente, mete o dócil rabo entre as pernas perante troikas e Merkels, para nossa colectiva vergonha. Como aconteceu com o antecessor José Sócrates, de resto.
 
2. O que geralmente se associa à “refundação” é, no fim de contas, a urgência de cortar 4 mil milhões de euros, em áreas fulcrais como a educação, a saúde, a segurança e as prestações sociais. Para que tal venha a ocorrer, foi necessário mandar vir técnicos do FMI e do Banco Mundial, para indicar ao governo a sua incompetência em saber onde cortar e o que retalhar.
E quando os presumíveis “especialistas” já cá estavam a trabalhar na melhor maneira de satisfazer os agiotas, também apelidados de “mercados”, ainda Passos Coelho e Paulo Portas acenavam com a venenosa cenoura da “união nacional” ao Partido Socialista que, muito bem, denunciou a encenação e a “armadilha”, mostrando-se indisponível para legitimar o ilegitimável.
Porque o que está em causa, claramente, nesta altura, é cortar cegamente, a pretexto de redefinir as funções do Estado. Tanto assim é que o próprio Vitor Gaspar já veio referir que os “cortes estruturais na despesa na ordem de 4.000 milhões de euros» são para levar a cabo «sem alterar a Constituição».
Ora, a redefinição das funções sociais do Estado exige uma revisão constitucional. Porque essa é uma matéria sensível, que demanda ponderação temporal adequada e que deve fundar-se num amplo consenso político e partidário. Não pode ser feita sob a pressão da necessidade do ajustamento orçamental e apenas pela direita do espectro partidário, ao sabor de interesses conjunturais.
E já agora, são de rejeitar os propósitos de desmantelar o Estado Social, em especial se tal resultar na demolição da escola pública, do direito universal à saúde e à protecção social.
Esperamos, sinceramente, que não seja isso que está em causa, porque será demais para ser verdade. O Estado não pode demitir-se da sua missão social!
E o governo não foi eleito para “refundar”, ou seja, desmantelar por completo, o sistema económico e social. Não está legitimado eleitoralmente para tão profundas alterações. Foi eleito para defender os portugueses e os seus direitos fundamentais, o que não fez deliberadamente em ano e meio de exercício.
 
(Correio do Minho, 12 de Novembro de 2012)

Que se lixe o Outono!


É belo o Outono! As folhas desprendem-se das árvores, como lágrimas multicolores.
Fazem-se as colheitas. A natureza entra em modorra, descansando dos frutos, dos vinhos, dos milhos.
Os mais novos, voltam à escola; os mais idosos deixam os b
ancos dos jardins e retornam ao lar.
Sobrevém a chuva, regando os campos e as árvores despidas.
Regressa o frio aos corpos, para gáudio de quem adora casacos, camisolas e cachecóis.
É belo e encantador o Outono, sem dúvida, tempo de adormecimento, de reflexão, de nostalgia!
Mas eu adoro é o sol, o azul e o verde do mar, o calor do Verão, o “bronze”, as cervejas à tarde, enroladas em conversas macias e sem inquietações metafísicas e na leitura de livros que não temos tempo para ler no resto do ano.
O Verão sabe a férias, a preguiça, a descanso, a dias longos e noites curtas. À alegria de viver. Com a família, os chegados, os amigos.
Que se lixe o Outono, mais a chuva e o frio e os dias cada vez mais diminutos, como os salários.
Eu gosto é do Verão!

Todo o ano deveria ser Julho e Agosto!..

(Foto: Manuel Meira Correia)