quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pompeu Miguel Martins apresenta o seu novo romance

Dez anos depois de ter escrito o romance Contigo para um último dia, Pompeu Miguel Martins retoma este género literário e apresenta no próximo dia 13 de Dezembro, pelas 21.30, na Biblioteca Municipal de Fafe, o seu novo trabalho intitulado Ficar. Neste livro, é contada a história de um homem em diferentes tempos, contando-se, percorrendo as vivências da infância numa vila do interior durante a década de trinta.
Uma criança experienciando a privação causada pela perda da mãe e as limitações físicas do irmão, devolvendo-lhe um sentido de sobrevivência e de reconstrução de afectos.
A juventude tocando os limites impostos por um fundo sentimento de Liberdade. Um tempo dividido entre a vida em Paris e o retorno a Portugal, a seguir à Revolução, entre decisões que confrontam a ética, a estética e as emoções mais íntimas.
Por fim, a velhice, numa clara imagem de balanço, de resistência e de recomeço, revisitando lugares, memórias, usando o vivido como a garantia última para combater a solidão, manter a dignidade e acrescentar, sem importar o tempo que resta.
Uma história sobre a não resignação nas diversas revelações do amor, da liberdade, de Deus, da vida ou da morte. Ficar é uma espécie de longa carta a um «eu» levantado na magnífica experiência do coração repartido.
Nesta obra, Pompeu Miguel Martins percorre um imaginário de época, com uma série de elementos que nos remetem para vivências similares àquelas que se viveram no mesmo período em vilas como Fafe. Sem deixar de ser um texto de ficção, causará certamente no leitor um reconhecimento interior que o não limita mas antes que o poderá libertar para uma fruição e reflexão em torno das temáticas abordadas, essas universais e que tocam os processos de formação da identidade humana.
Pompeu Miguel Martins é um escritor nascido e residente em Fafe. Licenciado em Sociologia pela Universidade Autónoma de Lisboa e com pós-graduação em História das populações pela Universidade do Minho. A sua obra dispersa-se por vários géneros literários, como a poesia, texto dramático, prosa, entre outros. No plano profissional, tem trabalhado no âmbito das políticas públicas de juventude, tendo sido Director da Agência Nacional para a Gestão do Programa Juventude em Acção (2007 - 2012), Delegado Regional de Braga do Instituto Português da Juventude (2005-2007), membro do Comité para a Juventude do Eixo Atlântico (2005-2007), sendo actualmente vereador da Cultura, Desporto e Juventude da Câmara Municipal de Fafe. Das obras publicadas constam os seguintes títulos: Lugar dos dias (poesia); Tempo de Habitar o Quase Corpo (poesia); O Livro do Anjo (poesia); As Mulheres (teatro/libreto); O jornal que não falava de mim (conto); Tambor do Mundo (poesia); Contigo para um último dia (romance); Máquina Royal (diário); Caderno de Orações (prosa); Do Intangível (poesia); 7 retratos de Natal (conto) e Ficar (romance).

COMÉDIA “A BOCA DO INFERNO” ESTE SÁBADO NO TEATRO-CINEMA DE FAFE PELA JANGADA TEATRO





 
A programação do mês de Dezembro do Teatro-Cinema de Fafe abre na noite deste sábado, dia 8, com a apresentação da mais recente produção da Jangada teatro, a comédia “A Boca do Inferno”, com texto original do escritor António Torrado.
O espectáculo, para maiores de 12 anos, está marcado para as 21h30. Os ingressos custam apenas 3 € e estão disponíveis no Posto de Turismo, na Praça 25 de Abril ou à hora do espectáculo no próprio Teatro.

Sinopse:
D. Afonso Henriques nasceu frágil, nunca tendo conhecido o pai, que morreu prematuramente. D. Teresa, viúva de D. Henrique dá largas às suas aventuras amorosas. Afonso Henriques, entregue aos cuidados de Egas Moniz, transforma-se num garboso mancebo, resultante do milagre ocorrido após a passagem pela água milagreira da pia baptismal. Esta é uma história de Portugal, a qual se terá fundado sobre uma fraude. O nosso país é fértil em episódios, entre o burlesco e o trágico, pleno de teatralidade.
 
Ficha artística e técnica:
 
Texto – António Torrado
Encenação – José Carretas
Interpretação - Bruno Martins; Cláudia Berkeley; Luiz Oliveira; Patrícia Ferreira; Vítor Fernandes e Xico Alves
Figurinos – Margarida Wellenkamp
Cenografia – José Carretas
Desenho de luz - Nuno Tomás











 Fotos: Manuel Meira Correia

sábado, 1 de dezembro de 2012

Subsídios para a "refundação"! Ou "afundação"?

1. Sem que se veja o mínimo sentido de oportunidade para o debate do tema, o qual não pode nem deve ser feito em cima do joelho, não nos largam um minuto sem que coloquem em cima da mesa a malfada “refundação”: um estúpido conceito que não diz nada do que pretende, sendo que o que visa é saquear mais 4 mil milhões de euros aos bolsos cada vez mais depauperados dos portugueses. Quando nos acenam com a redefinição das funções do Estado, também gostaria de dar a minha pequena contribuição para o que não passa de um mero expediente para reduzir custos, se possível radicalmente, num momento particularmente difícil da nossa vida colectiva. Ninguém cura de saber se estamos a tentar servir melhor e mais condignamente os cidadãos. Não estamos, manifestamente.
2. Desde logo, importa definir que país é este, que governo é este, que situação é esta em que nos encontramos.
Interessa, mas interessa mesmo, saber se quem nos governa é Passos Coelho e Vitor Gaspar, ou se somos efectivamente um protectorado da troika. Porque se são os primeiros que decidem, acabem lá com a ladainha permanente de que “temos de cumprir”, de que o “ajustamento” para aqui e a “consolidação” para acolá. Foram eleitos, são responsáveis, têm de ser responsabilizados pelos seus erros (e são muitos), as suas incompetências (oh, meu Deus, quantas!...), as suas inúmeras carências.
Se é a troika que, verdadeiramente, governa, o caso muda de figura. Então que mande para cá um contabilista e dispensamos o pessoal político. Nessa situação, o governo não tem qualquer sentido, os deputados são apenas uma absurda encenação, o Presidente da República é o supremo magistrado de uma nação que não é independente, logo, não existe. Imaginemos o quanto se pouparia com a dispensa de toda esta gente, mais os seus séquitos, as suas mordomias e prebendas. Os cidadãos agradeceriam, até porque os tributos que têm de suportar pelos erros alheios baixariam consideravelmente.
Julgo que há que definir, muito concretamente, quem manda. A sobredita “refundação” tem de começar por aí: ou temos soberania, e o governo faz sentido; ou não temos, e podemos receber ordens directamente do directório em Bruxelas ou em Berlim.
3. Outra hipótese é suspendermos a democracia. Já alguém ventilou essa possibilidade e na altura foi muito atacada. É que a democracia tem imensos custos de toda a espécie, sobretudo financeiros. Uma ditadura sempre fica mais barata: os dirigentes eternizam-se no poder e a coisa vai rolando, pacificamente, como num cemitério. E não havendo democracia, não teria de haver essa chatice das eleições periódicas, para o parlamento e para as autarquias locais e não se gastava uma pipa de massa na campanha eleitoral, nos tempos de antena, no pagamento aos membros das mesas, que são aos milhares pelo país além, etc. Era uma enorme poupança, sem dúvida. Uma alegria para os portugueses, sobretudo para aqueles que nem se dignam ir às urnas.
4. E já nem falamos de outras radicalidades, que têm em vista baixar drasticamente o défice. Poder-se-ia começar por empurrar os jovens e os adultos para o estrangeiro. Tornava-se a emigração obrigatória, entre os 20 e os 60 anos. Pelo menos eram milhões de portugueses que não dependiam do erário público. Quanto aos seniores, que é uma palavra mais fixe, ia-se-lhes cortando a reforma (como já se está a fazer), cada vez mais, até que não tivessem dinheiro para comer, nem para irem à farmácia. E como os mais novos não estavam cá a produzir, não havia recursos, logo, a solução não parecia assim tão draconiana. Sem velhos e sem adultos, restavam as criancinhas, e elas é que são o futuro. Por conseguinte, passávamos directamente do presente para o futuro, sem grandes convulsões.
Quantos milhões se não poupariam com esta “solução final”!...
5. Há sempre ainda outras ideias, mas estas não parecem agradar muitos ao pessoal que nos governa ou que senta o republicano traseiro nas almofadas do Parlamento. Por exemplo, despedir os gabinetes onde se hospedam boys e girls, ditos “especialistas”, não se sabe bem do quê, cuja competência se mede pelo cartão de militante. Da cor dos actuais inquilinos, mas também dos outros. Se é para cortar, reduzir, poupar – deve tocar a todos. Não como a pouca vergonha que se tem verificado, com essa gente a receber subsídios e ordenados como se estivéssemos na América. Reduzir significativamente o número de deputados, sujeitando-os à limitação de mandatos e subordinando-os aos esquemas de saúde e de segurança social, exactamente como todos os outros portugueses, seria outra medida que pouparia imensa nota.aos cofres do Estado.
6. O que acima fica sugerido, são apenas propostas que são seguramente demagógicas, irrealistas, absurdas, sem pés nem cabeça. Mas não é de demagogia que estamos diariamente mergulhados, até à ponta dos cabelos? E a demagogia feita à maneira não é como queijo numa ratoeira – como cantava a Lena D’Água?!
São os meus contributos para “refundar” ou para “afundar” este Estado de coisas!...
 
(Povo de Fafe, 30/11/2012)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

TRÍPTICO PARA MEU AMOR!

1.

Procuro em ti as palavras
com música e coração por dentro
O olhar que sobe às pérolas
do orvalho
quando Maio acontece
Ou então o sortilégio do silêncio
que esmaga em brancura
o voo livre das gaivotas

O cheiro ondulante do mar
escreve-se em ti,
levado à boca em ardor
de barcos na vertigem do cais

É do poema que falo,
efémero cálice de chuva,
cristal tecido de eternidade
ao encontro das mãos

 2.
 
Trouxe nos búzios o mar para ti

Deposito, meu amor, nos teus cabelos
a frescura marítima dos beijos e das carícias
e das gaivotas que atravessam
a manhã

em voos sensuais redondos indizíveis
de tamanha plenitude

Deixo contigo o sonoro cristal de água
que me bebe em ti
ritmo incontido universo de asas
barcos palavras perigos
Deixo contigo a paixão das searas
a fúria incansável de verão
o fogo solar incêndio de mãos
corpos em desalinho lábios frementes
inquietos na investida das ondas
ao encontro dos barcos
 
Meu amor, é teu o mar
e todo o cais que se tece em meu olhar

 
3.

É assim que te amo.
Como os pinheiros a resina
segregam, desenredando-se da Primavera.
Como o sol se eleva por sobre as colinas
dos dias que a luz sobressalta, em rapidez de cal.

Amo-te pelos dias que me sonham,
em Maio ou em Setembro,
no calor das papoilas à procura do carmim.

Às vezes, anoiteço, a alma seca,
sepulcral de te esperar.
É um cais. Um olhar. Um mundo
inteiro, à procura da tua voz,
do veludo do teu sorriso
desabrochando nas ondas
deste querer-te infindo

É assim que te amo.
Como as palavras me viajam, silenciosas
querendo grafar teu nome
com o fogo de oiro das estrelas
que se espelham no meu mar!

Poesia fafense está de luto: deixou-nos Augusto Fera!

A poesia fafense está de luto. Faleceu hoje o grande poeta Augusto Fera, aos 72 anos de idade. Tive o privilégio de, há exactamente um ano, organizar, prefaciar e anotar o seu primeiro e único livro, “Cruz de Chumbo e outros poemas”, editado em boa hora pela Junta de Freguesia de Fafe e pelo amigo José Mário Silva. Gravei também um CD com os seus poemas. Estou francamente desolado.
Nada fazia prever o triste desenlace. Era um homem ainda relativamente novo (velhos são os trapos). Admirei-o desde sempre, coleccionei a sua poesia, de enorme qualidade literária e estética. Apesar de invisual, via o melhor que a poesia tem, em sensibilidade, em criatividade, em imaginação.
Sendo autodidacta, era um nome maior da poesia fafense, sem qualquer dúvida.
Por ocasião do lançamento do seu livro, em Novembro de 2011
Augusto Fera era o pseudónimo literário de Augusto Ferreira, natural de Armil (29 de Dezembro de 1939). Devido a um acidente com uma ratoeira de fogo, armada num campo do padrinho e onde ia buscar uma bola, cegou com apenas 6 anos de idade. No entanto, desde os 18 anos, abraçou a arte de versejar, e que disseminou por revistas e jornais, cultivando sobretudo o género poético da quadra. Obteve inúmeras distinções ao longo da sua carreira poética, em concursos e jogos florais. Exerceu durante largos anos o lugar de telefonista na Companhia de Fiação e Tecidos, do qual se aposentou há mais de uma década.
Participou nas colectâneas Poetas de Fafe (1985) e Homenagem a Soledade Summavielle (1988).
Com o filho Filipe

Com a adorada esposa
Augusto Fera escreveu imensos poemas, mas um dos que ficou mais conhecido foi

INCONFORMISMO
 
Que hora herdou a coroa de oiro fino
Da dinastia de horas enlutadas?
A quem deu o retrós das madrugadas
As contas do colar diamantino?

Onde soltam as mãos do sol bambino
As borboletas de asas pintalgadas?
Que tálamo de musas ou de fadas
Debruará o arco-íris peregrino?

Que é da nau deste chilre que me chega?
Que é das rendas das filhas de Nereu?
Onde coram as faces matinais?

Se foi para brinca à cabra-cega
Que Tu, meu Deus, vendaste os olhos meus,
Desvenda-os, que eu não quero brincar mais.

(Fotos: Jesus Martinho)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

“Sucesso” do governo à custa da miséria do povo!


1. A bem-amada Merkel já tinha afiançado, quando há dias se deslocou a Portugal para a cerimónia de beija-mão do seu capataz Passos Coelho, que estava tudo a correr como o previsto (por si, obviamente). Que o malfadado “ajustamento” está no bom caminho. Que a austeridade está a dar os seus “frutos”, como convém ao capitalismo internacional, que vinga e engorda sobre os destroços dos povos subjugados.
Há exactamente uma semana, veio o governo, através do insuportável ministro das Finanças, vangloriar-se que a sexta avaliação da tróica foi concluída com «sucesso». Blasonou-se Gaspar, que cada vez que aparece na televisão deveria haver um dispositivo que lhe repusesse a competência, que “esta capacidade de realização distingue o programa de ajustamento português”. É preciso ter lata!...
Como sublinhou de imediato, com toda a pertinência, a jornalista Constança Cunha e Sá, não se consegue entender onde é possível o governo encontrar a palavra “sucesso”. “Isto porque nós olhamos à volta e só vemos um pântano de insucesso e de fracassos», referiu a comentadora.
Na verdade, concluímos que o que é extraordinário para o governo é péssimo para os portugueses. Onde Gaspar fala de “êxito”, os portugueses apenas conseguem lobrigar empobrecimento, descalabro social e miséria.
O povo está cada vez mais deprimido, desolado, despossuído, sem poder de compra. Infeliz, no corpo e na alma. Os níveis de desemprego atingem valores intoleráveis (onde está hoje o Paulo Portas de há dois anos, altura em que ainda se indignava?), da ordem de mais de um milhão de pessoas, como nunca se viu; todos os dias são às dezenas as empresas a entrar em falência; os ordenados são cada vez menores e os impostos cada vez mais gigantes; o nível de vida regrediu a patamares de há duas décadas, e vai continuar; a pobreza campeia, como há mais de quarenta anos não se via; as organizações de apoio social não têm mãos a medir, pois são cada vez mais os que procuram alimento, conforto e socorro. Os pais abandonam recém-nascidos, como se fossem animais sem estimação; os velhos são retirados dos lares, porque as famílias necessitam desse dinheiro para sobreviver; os jovens universitários regressam a casa, por falta de meios de sustentação. Os portugueses são chamados a pagar, criminosamente, um tributo demasiado elevado para as “faltas” que cometeram. Estas foram as de confiar e depositar o seu voto em quem o desbaratou para outros fins. Quem nas últimas décadas teve os comandos da governação é que deveria sentar o traseiro no banco dos réus, para penar os seus erros e desvarios, e não estar regaladamente nos altos lugares do Estado ou das empresas, públicas e privadas.
Por tudo isto é que Portugal é hoje um país escandalosamente mais próximo do terceiro mundo do que do mundo desenvolvido, como já foi!
Perante este vergonhoso quadro de miséria, ainda há um governo que se vem gabar do “sucesso” da sua actuação, que mais não tem feito do que desmantelar o património de que Portugal ainda dispunha, vendendo ao desbarato empresas estratégias e emblemáticas que eram a marca e a identidade de todo um povo, empobrecendo drasticamente os portugueses, não para recuperar a economia mas como estratégia política para domesticar os trabalhadores, embaratecer e precarizar o factor trabalho e enriquecer ainda mais o sistema financeiro.
Esta agenda política de direita não tem só a ver com o “ajustamento” financeiro e o combate ao défice estrutural. Vai muito além. E esta gente que nos governa quer é acabar com o país tal como o conhecemos e os direitos, liberdades e garantias que o povo e os trabalhadores conquistaram após o 25 de Abril de 1974. É, claramente, a desforra perante o Portugal de Abril. O dito ajustamento não passa de um pretexto!...
A democracia, tal como a vivenciámos nestes anos, está em perigo, não tenhamos dúvidas! A não ser que a queiramos reduzir a um mero acto formal de votar periodicamente (cada vez menos) e de podermos dizer mal (cada vez mais) do governo. A democracia não é só isso. Não pode ser só isso. E é criminoso que a queiram reduzir a isso!
2. O governo não foi mandatado pelos que o elegeram há um ano e meio para demolir o Estado, como está arquitectado e consagrado na Constituição da República Portuguesa. Em nenhum programa eleitoral do PSD ou do CDS se prometia a desagregação do Estado, a profunda alteração das suas funções, a mudança do seu modelo, a implementação de uma alegada “reforma” que não tem como objectivo servir melhor os portugueses e conferir eficácia e eficiência aos serviços públicos, mas apenas e tão só poupar 4 mil milhões de euros, entre 2013 e 2014, porque Gaspar e companhia, pela sua incompetência comprovada e reiterada, não conseguem acertar nas contas do Estado.
Aliás, ainda no final da semana se comprovou a “competência” do governo, em matéria de execução orçamental. Apesar de ter saqueado os subsídios de férias e de Natal a grande parte dos funcionários públicos e dos pensionistas, mais uma vez a folha de excell de Gaspar não consegue acertar na matemática que qualquer merceeiro sabe de cor e salteado: se não há actividade económica, se o consumo interno se retrai, se ninguém consegue exportar ao menos os membros do governo, o resultado é a previsível queda das receitas fiscais que não dependem do esbulho decretado pelo executivo…
Um governo com esta missão avassaladora deveria ser demitido, com a máxima urgência, porque não foi sufragado para destruir o país, como está e promete continuar a fazê-lo, a mando de instituições internacionais!
Exige-se que o presidente da República, por uma vez, fale e não seja apenas para nada dizer, como de costume. O momento é grave e insustentável. Por este caminho, o país está a ser inapelavelmente empurrado para o abismo!...
3. Dá vontade de rir a algazarra dos deputados da maioria e o aproveitamento político que estão a tentar fazer, a propósito da diminuição da sobretaxa do IRS de 4 para 3,5%. Mas que importância tem “diminuir” 20 ou 30 euros anuais para um inacreditável aumento de impostos da ordem dos 30%, ou seja, de centenas ou milhares de euros, exactamente o que o nosso conterrâneo Luís Marques Mendes considera um “assalto à mão armada”?
Tenham a bondade de considerar que os portugueses não são tão estúpidos como suas excelências imaginam.




 
 

Revista Dom Fafes em número duplo publica trabalhos de historiadores locais


 
Acaba de ser editado mais um número duplo da revista cultural Dom Fafes (17/18). A publicação é da Câmara Municipal de Fafe e tem por objectivo publicar trabalhos de investigação sobre aspectos da história do município.
O presente número duplo da revista Dom Fafes, correspondente aos anos de 2010 e 2011, é publicado sob o signo da República, que se comemorou festivamente por estes anos.
Desde logo, o destaque desta edição vai para o trabalho “O Ensino em Fafe durante a Primeira República”, com o qual o investigador Artur Magalhães Leite venceu a nona edição do Prémio de História Local – Câmara Municipal de Fafe, atribuído em 2011 e entregue em 25 de Abril do mesmo ano.
Pretendendo uma visão de conjunto do período republicano (1910-1926), mas indo um pouco atrás, ao século XIX, o texto aborda o aparecimento de escolas, de tipos diferentes de ensino, das dificuldades de instalações, da higiene, das dificuldades económicas, dos serviços de apoio ao ensino e educação, dos esforços para mentalizarem as populações como apelativo aos ideais republicanos através das lições nas salas de aulas.
Regista o valor e diferença entre o ensino oficial público, o particular e o doméstico. Aponta casos de vivências particulares como reflexo do que se passava. Deixa em aberto a possível comparação com os tempos actuais, entendendo as semelhanças e conhecendo as diferenças.
Ainda na mesma área se enquadra o nosso tema em torno do poeta Joaquim Vaz Monteiro, o celebrado autor da obra poética O Solteirão de Fafe (1905) e que, apesar das suas raízes rurais e campesinas, deixou um legado de apego e louvor, em prosa e em verso, à República em geral e à obra republicana em Fafe, em particular. E com belíssimos poemas dedicados à então Vila de Fafe…
utra vez da República se fala e da sua relação com a Imprensa, tema que a jornalista e investigadora Nair Alexandra trouxe à sessão solene comemorativa do 101º aniversário da Proclamação da República realizada na Câmara Municipal de Fafe, em 5 de Outubro de 2011. “A República e a Imprensa” foi o tema genérico da comunicação em que passou em revista, brilhantemente, a campanha eleitoral de 1910 e o fundamental papel da igreja numa sociedade quase exclusivamente católica e com uma taxa de analfabetismo da ordem dos 75%.
Refere a investigadora, “a queda do trono era uma morte anunciada, como testemunha toda a imprensa em 1910, e, principalmente, desde a campanha eleitoral para o sufrágio de 28 de Agosto – as últimas eleições parlamentares em monarquia. Confirmam-no os 28 títulos que consultei desde esse período até à revolução de 5 de Outubro e aos funerais de dois dos principais heróis do movimento: Cândido dos Reis e Miguel Bombarda. Aliás, esse constitui o período sobre o qual se debruça o meu livro A Implantação da República na Imprensa Portuguesa”.
No capítulo dos “estudos”, de realçar desde logo um novo ensaio do jovem historiador Daniel Bastos, sob o título “Doentes, Enfermidades e causas de morte no Hospital da Misericórdia de Fafe (1863-1911)”.
Com a maioria da população a viver no meio rural (estamos a falar na segunda metade do século XIX) em deficientes condições higiénicas, mal alojada e nutrida, servidora de uma prática agrícola arcaica e de subsistência, os índices de mortalidade eram elevados e assumiam contornos assoladores em períodos de intensos surtos epidémicos.
É neste contexto que em 1863 foi inaugurada a obra paradigmática da benemerência brasileira local, o “Hospital Civil de S. José”, administrado pela Santa Casa da Misericórdia de Fafe e essencialmente dirigida aos pobres da região, numa altura em que os ricos eram tratados em casa.
Last but not least, de relevar a exaustiva investigação empreendida pelo fafense D. Joaquim Gonçalves (Bispo Emérito de Vila Real), em colaboração com o Padre Doutor António Franquelim Neiva Soares e de que resultou o artigo “Párocos de Revelhe e Padres naturais da Paróquia”.
Trata-se de um longo, bem documentado e exaustivo trabalho que lista os Párocos que exercerem o seu múnus na paróquia e os Padres aí nascidos.
No elenco dos «Párocos de Revelhe», estão incluídos os da antiga paróquia de Cortegaça até ao séc. XVI, data em que foi integrada na de Revelhe. Estão aí incluídas quatro dezenas de nomes, desde Nuno Viegas (1220) até ao actual pároco Manuel da Fonte Carvalho (2007-).
O “exército de nomes” dos Padres naturais da paróquia só se refere aos que ali nasceram após a fusão das duas paróquias, excepto o caso (anterior) de João Anes (1449). De resto, são mais 24 padres, nascidos em Revelhe, desde Pedro do Canto (1637) a Albano de Sousa Nogueira (1960-).
Um trabalho de insofismável grande fôlego e enorme minúcia investigativa, que enriquece os estudos de carácter religioso, tão parcos no nosso meio.
Mais um número de grande interesse desta publicação, cremos bem, que honra Fafe, a História e a Cultura deste município!
Este número da revista Dom Fafes está à venda na Biblioteca Municipal de Fafe, ao preço unitário de 5 Euros.