domingo, 6 de janeiro de 2013

Estado injecta 5,6 milhões de euros na recapitalização da banca privada: um escândalo nacional!...


1. Está a dar que falar por estes dias: o Estado vai injectar 1100 milhões de euros na operação de recapitalização do BANIF, indicou o Ministério das Finanças em comunicado à CMVM.
O ministério liderado por esse incompetente (não há outra designação para quem não acerta uma previsão que faz…) Vítor Gaspar, que deverá ser remodelado não tarda muito, indicou que «após esta injecção de capital, um total de 5,6 mil milhões de euros terá sido injectado no sistema bancário privado português». Beneficiando o BCP, o BPI, a CGD e o BANIF. Alegadamente ao «abrigo do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal». Não deixa de constituir um escândalo e uma protecção ignóbil ao sistema financeiro, que foi quem desencadeou a crise em que o país se encontra e que os cidadãos acabam por pagar com os seus impostos e o empobrecimento generalizado.
Significa que o sistema capitalista implantado em Portugal pela tróica e seus capatazes internos está absolutamente preocupado com a saúde financeira dos bancos, sugadores dos depositantes, mas nadíssima importado com as grandes ou pequenas empresas que vão à falência por falta de liquidez financeira ou de créditos bancários. Ou com os cidadãos que entram em insolvência porque ninguém lhes empresta dinheiro, ou acredita neles.
Os bancos estão sempre na maior: no tempo das “vacas gordas”, ganham milhões a explorar os cidadãos, em empréstimos e outras operações financeiras o mor das vezes absolutamente especulativas. Nos tempos de crise, os bancos têm de ser “recapitalizados”, coitadinhos, embora não emprestem dinheiro nenhum à economia ou aos cidadãos.
Não é isto uma vergonha? Afinal, o sistema bancário serve para quê? Para explorar e viver à custa dos contribuintes, que são quem acaba por pagar a factura, em ambas as situações?
Vão o governo e a tróica gozar com a cara da suas tias!... E deixem os portugueses em paz!...
Não se pode exterminá-los?

2. Por isso, não custa concordar com o Bloco de Esquerda que considerou, pela voz do deputado Pedro Filipe Soares, a recapitalização do Banif uma «expropriação de dinheiro dos contribuintes», em que o Estado paga mas não manda.
«O Estado português avança com 1100 milhões de euros para um banco avaliado em 570 milhões, mas nem assim terá qualquer voz na sua gestão. É a nacionalização na versão PSD e CDS, o Estado paga, assume os riscos mas não tem nada a dizer sobre a condição dos destinos do banco. Isto não é uma injecção de capital, nem sequer é uma nacionalização. Isto é uma expropriação do dinheiro dos contribuintes», contestou.
«O dinheiro que o Governo colocou no Banif, sem nenhuma garantia de o voltar a ver, é mais do que o subsídio retirado aos funcionários públicos ou quase tanto como a sobretaxa de IRS criada agora pelo Governo. Os sacrifícios para as pessoas estão a servir na prática para salvar os bancos privados», comparou o deputado.
Neste sentido, considera que esta operação vai sair muito cara aos contribuintes.
É uma vergonha, e um escândalo, sem qualquer dúvida!

3. Mas não há quem ponha cobro a esta pouca vergonha!... Teremos de assistir passivamente a este crime de lesa-portugueses?!...

XXVIII ENCONTRO DE CANTADORES DE REIS DE FAFE COM 28 GRUPOS PARTICIPANTES



O município de Fafe leva a efeito mais uma edição do tradicional encontro de cantadores de reis do concelho, este domingo, 13 de Janeiro  a partir das 14h30, no Pavilhão Multiusos.
O XXVIII Encontro de Cantadores de Reis regista a participação de 28 grupos ligados a colectividades de cultura, recreio e desporto do município.
O evento visa reviver a tradição e estimular a defesa do património cultural que são os cantadores de reis, promovendo a sua recolha e recriação.
O objectivo final da iniciativa é a apresentação das reisadas nas suas formas mais genuínas e autênticas, concretizadas na antiguidade dos cantares, na riqueza dos trajes e na adequação dos instrumentos.
Participam nesta edição os seguintes grupos de cantares: Grupo Coral de Ardegão, Centro Social Paroquial de Golães, Grupo Coral de Santa Maria de Várzea Cova, Grupo Cultural e Desportivo de Armil, Associação Recreativa e Cultural de Santo Ovídio, Grupo Coral de Fornelos, Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Fafe, Grupo Coral Cultural e Recreativo de Medelo, Grupo Coral e Paroquial de Estorãos, Centro Social e Paroquial de Revelhe – Lar da Criança, Associação Cultural e Recreativa de Folclore de Paços, Grupo “Amiguinhos de Jesus” – Arões Santa Cristina, Grupo Desportivo Vasco da Gama, Rancho Folclórico Santo Estêvão da ACSS Regadas, Grupo de Cavaquinhos dos Bombeiros Voluntários de Fafe, Grupo de Jovens “Criar Asas” – Fafe, Grupo Coral de Armil, Centro Cultural Social e Desportivo dos Trabalhadores da CM Fafe, Rancho Folclórico de Fafe, Associação Recreativa e Artística do Bugio, Agrupamento de Escuteiros 961 - Fornelos, Coral de Antime – Grupo Cultural e Recreativo, Futebol Clube Marinhão, Grupo Recreativo de Ardegão, Grupo Cultural e Desportivo de Regadas, Associação de Reformados e Pensionistas de Arões S. Romão, Agrupamento de Escuteiros 899 – S. Julião de Serafão e Agrupamento de Escuteiros 88 – Regadas.
No final da apresentação dos grupos concorrentes, e durante a reunião dos jurados, actua o Grupo de Concertinas de Seidões.
Para efeitos de eleição dos três primeiros classificados, o júri será constituído por três personalidades idóneas a indigitar pela Câmara Municipal de Fafe, coordenado por um representante da Câmara Municipal de Fafe. Todos os grupos participantes têm o direito a um prémio de presença, no valor de 150 €. São premiados os três primeiros classificados com montantes de 125 €, 100 € e 75 €, respectivamente.

domingo, 30 de dezembro de 2012

MANUEL PINTO LOPES ESTEVE NOS PORTUGUESES DE VALOR 2012

Estamos no final do ano e quero trazer aqui um facto que passou despercebido aos fafenses.
O nosso conterrâneo Manuel Pinto Lopes, empresário de sucesso em França e benemérito dos Bombeiros Voluntários de Fafe, integrou a selecção dos 100 Portugueses de Valor 2012, iniciativa promovida pelo grupo de comunicação social Lusopress, voltado para as comunidades portuguesas.
Trata-se de uma iniciativa realizada pelo segundo ano consecutivo e que se destina a premiar os emigrantes portugueses espalhados pelo mundo, homens e mulheres que, pelas mais variadas razões, se destacam pelo percurso que empreenderam ao longo das suas vidas profissionais. São artistas, empresários, desportistas, políticos, dirigentes associativos.

Desconhecemos (não conseguimos mesmo apurar) quem foram os 10 vencedores, mas honra-nos saber que o amigo Pinto Lopes foi seleccionado entre milhares de grandes portugueses que se salientam no âmbito da diáspora portuguesa.
Nascido em Fafe em 1956, abalou para França aos 11 anos e aí fez os seus estudos e trabalhou durante uma década na indústria com o pai, até se instalar por conta própria. Em 1987, começou a trabalhar no sector dos andaimes e há uma dúzia de anos abriu uma empresa nesse ramos que hoje empresa 47 pessoas, muitas das quais portuguesas.
Influenciado pelo pai, bombeiro voluntário em Fafe até emigrar, sempre teve gosto pelo espírito associativo, criando associações (futebol e folclore), em que avulta a fundação da Santa Casa da Misericórdia de Paris e, há uma dúzia de anos, uma agremiação de apoio aos Bombeiros Voluntários de Fafe, para a qual ofereceu oito viaturas e outros equipamentos.
Sente-se uma pessoa feliz, porque conseguiu realizar quase todos os seus sonhos. Se tivesse poder ilimitado, Pinto Lopes mudaria o egoísmo que considera ser comum hoje em dia e redistribuía a riqueza do mundo por todas as pessoas.
Não consegue passar sem a família, os amigos e um copo de champanhe.
“Acredito num mundo onde há a possibilidade de ultrapassar o egoísmo” é o seu lema.

Um país surreal!...


Este país é mesmo surreal.
O caricato secretário de Estado da Saúde, Fernando Leal da Costa, defendeu hoje que os portugueses têm a obrigação de contribuir para a sustentabilidade do SNS, prevenindo doenças e recorrendo menos aos serviços.
Ou seja, para que o Serviço Nacional de Saúde funcione quando eu estiver doente, não me desloco ao centro de saúde ou ao hospital. Posso gerir a doença em casa, qualquer que ela seja (eu sou médico e enfermeiro…), ou morrer por minha conta, para não onerar o erário público. Há que recorrer menos aos serviços…
Porque quando eu estou com saúde e apto a beber uns copos, obviamente não estou na disposição de pagar as taxas moderadoras para ir fazer uma visita ao meu médico de família.
Se vou aos serviços de saúde, é porque necessito deles! Ninguém quer estar doente, ninguém planeia estar doente.
Qualquer imbecil entende isso! Nem é preciso ser secretário de Estado.
Já quanto à prevenção, o caso é o mesmo. Tendo em vista que os cidadãos adoecem por via da alimentação, do ambiente, da poluição, da sua própria natureza, a prevenção pode fazer-se em matar os portugueses à fome, para não ingerirem ”venenos” (acabe-se com todas as superfícies comerciais), eliminem-se, de uma vez por todas, o tabaco, o trânsito automóvel, a produção fabril, a poluição dos rios, etc.
Reduza-se este país à nulidade, a zero, ao niilismo absoluto, como quer o governo. Aí já não haverá factores propiciadores de doenças, mas também não haverá portugueses!
Como sustentou hoje Luísa Ramos, do Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos, que somos todos nós: «Esta gente tem de ser corrida o mais rapidamente possível».

O fracasso colossal da austeridade!...

 
O défice orçamental atingiu os 5,6 por cento no final do terceiro trimestre do ano, para quase sete mil milhões de euros, revelou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Já em comparação com o mesmo período do ano passado, o défice ascendeu a 6,7% do PIB.
A meta do Governo, exigida pela troika, é fechar o ano com um défice de cinco por cento - agora facilitado com a
venda da ANA aos franceses Vinci.
Mais uma vez se confirma o fracasso das políticas de austeridade colossal que este Governo está a empreender, despudoradamente, e que, afinal, não resolvem coisa nenhuma. A submissão à troika é mesmo um suicídio colectivo. As empresas estão a falir criminosamente, o número de desempregados já ultrapassa um milhão, o número de pobres cada dia é mais elevado, a emigração de jovens qualificados (ou não) não pára de aumentar. Os portugueses estão cada vez mais pobres, mais desesperados, mais desiludidos, mais tristes. Como se não houvesse amanhã, e não há. Não há a mínima esperança. O governo não é capaz de acender, com alguma dose de credibilidade, uma “luz ao fundo do túnel”. Navega à bolina, ao sabor dos ventos e das tempestades. Não demonstra um mínimo de sentido de Estado, que é aquela sabedoria que permite prever os acontecimentos, antecipar as crises, apontar datas para a recuperação (sem ser a demagogia do Pontal, obviamente). Suscitar alguma confiança dos portugueses.
Afinal, o roubo dos subsídios dos trabalhadores, a diminuição de milhares de funcionários do aparelho de Estado (não os boys e as girls que enxameiam escandalosamente os gabinetes dos ministros e secretários de Estado), o corte no investimento público, a venda do país ao retalho e a preços de saldo não chegam para desenvergonhar quem nos governa. Caso para questionar: quando esta gente for embora, o que não demorará muito, que país é que vai restar? Qual o património a que ainda chamaremos “nacional”? Empresas estratégicas, zero. Sectores lucrativos, zero. Que miséria de país será o que a direita nos vai legar?
O falhanço absoluto das políticas governamentais é patente. Só não vê quem não quer. Ou quem se deixa ludibriar pelos discursos delidoces e cor-de-rosa dos políticos sem vergonha e sem sensibilidade social, que deviam pedir desculpa aos portugueses! Não lhes ficaria mal!
A economia está destruída, o consumo público raia o grau zero. E o défice, mais uma vez, não vai ser cumprido. Ou sê-lo-á em razão de engenharias financeiras de que o governo é especialista.
Os cortes bárbaros e indiscriminados em tudo o que mexe, as poupanças cegas, a alienação desorientada de tudo o que possa render uns cêntimos, não chegam para atalhar o défice e consolidar as contas públicas.
Esta gente ainda não entendeu que a overdose de austeridade não está a resultar? E 2013: Passos Coelho não tem pejo, nas suas intervenções, em passar por cima do massacre fiscal com que vai torturar os contribuintes. Quem vai parar esta gente sem coração, sem escrúpulos, sem sentido da realidade?
Só os portugueses, colectivamente, sem dúvida!...
Cavaco Silva vai dizer o quê daqui a três dias? Passar uma esponja sobre um governo que não acerta uma previsão e que falha escandalosamente todas as metas?
Ou mandar umas “bocas” como fazia há poucos anos, em alguns casos com inteira razão? Como aquela em que defendia que “havia um limite para os sacrifícios dos portugueses”. Agora que esse limite foi ultrapassado, e os portugueses estão a caminho da miséria, que vai dizer aos portugueses quem jurou um mandato para os defender, jurando uma Constituição que o Orçamento de Estado viola, com a complacência do dito Supremo Magistrado da Nação?
Se os portugueses não conseguem confiar na última tábua de salvação de um regime democrático (o Presidente da República), vão confiar em quem?

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Natal de outrora e de agora!


1. O Natal da minha infância era feliz, livre e puro. As preocupações não existiam na minha praia, longe disso. Era apenas criança e isso me bastava. Levantava-me, ia à escola ou à catequese, brincava longamente pela tarde fora, na altura em que as crianças ainda brincavam, inventando jogos, espaços e instrumentos para a sua distracção, fossem motas de madeira, carrinhos de rolamentos, corridas entre o milho, assalto às árvores à cata dos ninhos, os jogos das “betas” e dos botões que nos levavam clandestinamente a fiscalizar camisas, casacos e blusas da família com que pudéssemos reforçar o pecúlio do jogo. Quando a coisa corria mal, é que eram elas!... A pedagogia da lambada fazia maravilhas!...
Todo o ano desesperava pelo mês de Dezembro. A minha infância era órfã de pai vivo, emigrado em França desde o final dos anos 50, como acontecia a milhares de crianças como eu, num país oprimido, miserável, sem liberdade nem pão e que obrigava quem não queria estiolar à fome salazarista a ter de enfrentar o destino em direcção aos “bairros de lata” dos arredores de Paris. Naturalmente, em busca de uma vida melhor para si e para os seus.
Como eu esperava, ano após ano, a chegada de Dezembro!.. Dezembro que era o tempo em que meu pai regressava do país da abundância e das oportunidades, carregado de chocolates e caramelos, com um cheiro civilizado e intenso a perfume e aos cigarros “Gauloises”, que me encantava. Aí por meados do mês, eu tinha outra vez pai, que me levava à pesca, me convidava a acompanhá-lo à feira de Fafe, me levava ao futebol e fazia todo o esforço por não ter de exercer a “autoridade paternal”, que era normal na época, no mês em que aqui estava de férias, quando o meu lado rebelde se portava mal. Essa coisa da “educação” e da “criação”, com tudo o que supunha, estava a cargo da mãe, que cá ficava a mourejar ao longo do ano e que desempenhava simultaneamente o papel do progenitor ausente. Era uma autêntica heroína do nosso quotidiano, reconheci-o bem mais tarde, com toda a justiça.
Então, o Natal era o “must”. Como eu apreciava o afã feminino dos preparativos para a ceia, envolvendo as mulheres da casa, sobretudo a minha mãe, em quem recaía a tarefa de ir à horta cortar as tronchudas, mas também fazer os mexidos, a aletria e as rabanadas, cozer as batatas e o bacalhau, que sabiam como em nenhum outro dia do ano, acompanhados por alhos e cominhos. Ainda hoje me acontece o mesmo: o simples cozido de batatas e bacalhau, acompanhado pela verdura, tem na noite de 24 de Dezembro um sabor singular, absolutamente delicioso e irrepetível. Que saudades do calor da lareira, criado artisticamente pelo meu pai, com toros de madeira especialmente concebidos para aquela noite, que mais que o corpo, aqueciam a inocência da minha pequena alma.
E pela cozinha ficávamos horas e horas, afogueados pelas labaredas, a ouvir histórias de França e daqui, que a televisão ainda não era o utensílio democrático que seria anos depois.
Já não me recordo se havia também a missa do galo na igreja da paróquia mas, cansado dos dias de brincadeira e de frenesim, adormecia no sono dos justos até à manhã seguinte. Porque, por aquele tempo, não havia Pai Natal (essa desgraça de velho gordo fora do tempo inventada pela Coca-cola…) a distribuir presentes na noite de consoada. As crianças colocavam um sapatinho ou uma chanca debaixo da chaminé para que o Menino Jesus aí depositasse uma lembrança. Que era um mísero chocolate, uma dúzia de rebuçados, uma boneca ou uma moeda de vinte e cinco tostões. E eu ficava imensamente feliz com o presente que me calhava, num tempo em que de pouco termos estávamos mais próximos da plenitude. Tudo o que viesse era uma bênção e as crianças apreciavam tudo o que recebiam.
Ainda hoje o Menino Jesus é o meu herói de Natal, se é que tenho algum herói, do que duvido cada vez mais: rechonchudo, belo, nu, sorridente, simboliza a esperança e tudo o que começa.
Refiro-me ao Menino Jesus do poema do Alberto Caeiro, uma criança bonita de riso e natural, que ensina a olhar para as coisas, que aponta toda a beleza que há nas flores, a Eterna Criança, o deus que faltava, o humano que é natural, o divino que sorri e brinca, e que dorme dentro da minha alma, e às vezes acorda de noite a divertir-se com os meus sonhos.
Qual Pai Natal, qual quê?
 
2. O meu Natal de hoje é bem mais triste. Já não tenho infância, que habita apenas a memória. Fui perdendo a inocência, no embate com a fuliginosa e perversa realidade, ano após ano; fui deixando pelo caminho quem muito amava. A casa já não é a mesma, a lareira já não acende, com o fogo de outrora; há mais duas cadeiras desertas na mesa da consoada, dois pratos ausentes a encher o coração de mágoa, de lágrimas e de saudade inapelável. De um vazio insuprível, que só avalia quem passou pelo mesmo transe!
Natal em que, anualmente, maquinalmente, invocamos a solidariedade como exercício ético e do âmbito categórico do dever ser.
E ainda bem que a “solidariedade não está em crise”, como referia este jornal na edição de sábado, nas palavras do administrador dos Serviços de Acção Social da Universidade do Minho, Carlos Silva. O voluntarismo e a solidariedade são ainda âncoras neste bárbaro país da injustiça e do empobrecimento propositado!... Sobretudo numa altura em que a pobreza alastra, a fome espreita, o desemprego se multiplica assustadoramente.
O Natal acaba por mascarar demasiada hipocrisia mas apela ao que de mais humano, profético e poético há no homem. O sentido da fraternidade, do altruísmo, do humanitarismo, da dádiva gratuita e quase divina.
 “Paz na Terra aos homens de boa vontade...” – apetece repetir, com Gedeão, apesar de toda a miséria, dos conflitos e da crise que nem o espírito de Natal consegue obnubilar.
Festas felizes para todos os leitores.E que o ano de 2013 seja pelo menos bem melhor do que as dramáticas perspectivas que dele se anunciam. Havemos de sobreviver ao holocausto da crise!...
Boas Festas!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

INOLVIDÁVEL CONCERTO DE ANA MOURA NO TEATRO-CINEMA DE FAFE: AS FOTOS



Ana Moura protagonizou na noite de sexta-feira, 14 de Dezembro, no Teatro-Cinema de Fafe, um concerto absolutamente fantástico, onde passou em revista o seu mais recente álbum "Desfado", mas também canções e fados de outros discos. Ana tem uma voz portentosa, timbrada e muito versátil: sendo identitariamente fadista, ela canta temas da "música do mundo", do folclore português (como fez em Fafe) e interpretou um belíssimo tema de Joni Mitchell.
Enalteceu simpaticamente a nossa belíssima sala de espectáculos, que nos orgulha e é sempre motivo de elogios pelos artistas que nos visitam e aqui actuam.
Ana Moura: uma fadista de enorme projecção nacional e internacional (já cantou ao lado do Mick Jagger, dos Rolling Stones e do Prince, que é seu amigo), absolutamente simpática, linda e de talento "colossal".
Foi o último concerto da série "Concertos Íntimos" de 2012, da iniciativa do município de Fafe. Para o ano, há mais!...
 
Fotos: Manuel Meira Correia