segunda-feira, 29 de abril de 2013

Culminaram em grande as IV Jornadas Literárias de Fafe!
















Na tarde soalheira de domingo, 28 de Abril, a cidade de Fafe assistiu ao culminar das IV Jornadas Literárias, com um grandioso desfile etnográfico, no qual as nossas freguesias e associações deram o melhor de si, num grande momento de exaltação da nossa identidade comum.
As Jornadas configuram, na verdade, o acontecimento cultural mais relevante que se realiza em Fafe ao longo do ano.
Benditos homens e mulheres que Fafe tem e que, sem olhar a horas, a sacrifícios ou a cansaços, dão o melhor do seu tempo e do seu esforço para o bem da comunidade e da cultura desta terra.
Podemos considerar que eles são os heróis deste evento que, não a esgotando, obviamente, marca de uma forma impressiva e forte a cultura local!
Parabéns a todos os que organizaram, protagonizaram e assistiram a este momento maior da cultura e da identidade local!
Este fim-de-semana foi de recriações históricas em torno dos “brasileiros de torna viagem” fafenses, que teve como palco privilegiado o centro urbano, moldado pela característica arquitectura dos “brasileiros”.
No dia 26, sexta-feira, teve lugar a abertura da exposição “Fafe dos Brasileiros – um outro olhar”, com trabalhos das crianças das escolas do concelho, bem como o início da Festa Fafense, que se prolongou pelo fim-de-semana, com barracas de comes e bebes e representações das freguesias e das escolas.
No sábado, relevaram iniciativas como um passeio de bicicletas antigas, o parque temático de jogos tradicionais, com o empenho de todos os agrupamentos de escuteiros do concelho, que organizaram o evento e a recriação histórica “Com Fafe ninguém Fanfe”, a cargo do teatro Vitrine.
Finalmente, o último dia das Jornadas, domingo, começou com a apresentação da Confraria da Vitela Assada à Moda de Fafe.
À tarde, teve lugar a recriação histórica “1913: os novos Paços do Concelho”, com discursos do presidente da Câmara Dr. José Summavielle Soares, seguida da mostra etnográfica e desfile pelas ruas da cidade, sob o tema “A Memória e a Gente: o Património”, com milhares de figurantes das Juntas e associações das freguesias.
Um acontecimento ímpar na cidade, sem dúvida!
As IV Jornadas Literárias de Fafe arrancaram na passada sexta-feira, 19 de Abril, na Praça 25 de Abril, com a presença de centenas de crianças de jardins-de-infância, que dançaram e cantaram ao som de canções do agrado dos mais pequenos.
À noite, no Pavilhão Multiusos, teve lugar um espectáculo com o título “Mala de Cartão” e que pretende ser uma viagem única pelos países que serviram de porto de abrigo a muitos emigrantes fafenses. Participaram activamente como “atores” neste evento, que incluiu muita música e dança, mais de mil crianças e jovens, de escolas e instituições diversas, estando na assistência seguramente três mil pessoas.
O presidente da autarquia, na abertura oficial das Jornadas, considerou tratar-se “do mais relevante acontecimento cultural que se realiza no concelho ao longo do ano”.
As Jornadas Literárias são um hino de louvor à cultura fafense. Município, Escolas, Juntas de Freguesia, associações, instituições e pessoas em particular dão as mãos e, mediante as suas disponibilidades e capacidades, erguem as suas vontades em torno de uma causa maior, a de animar culturalmente a cidade e o território municipal.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Uma obra de vez em quando: "Viva o Povo Brasileiro", de João Ubaldo Ribeiro

     



O conhecido escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro foi escolhido como patrono das IV Jornadas Literárias de Fafe.
Além de considerado um dos mais famosos e significativos autores brasileiros da era contemporânea, ombreando com Jorge Amado; além de galardoado com diferentes prémios e sobretudo, em 2008, com o Prémio Camões, o mais significativo no universo da literatura lusófona, João Ubaldo tem a particularidade de ser neto de um emigrante fafense.
O seu avô, João Ribeiro, natural de uma freguesia de Fafe, abalou para a cidade de Penedo, Estado de Alagoas, no Brasil, nos primeiros anos do século XX, meio deportado pela família, porque engravidara uma vizinha solteira numa das aldeias de Fafe e que chegou a gerente de uma fábrica têxtil, pertencente a uns portugueses amigos da família. Por lá ficou. Na sua herança (felizmente) contamos com o nome famoso de João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro, nascido na ilha de Itaparica, na Baía, em 23 de Janeiro de 1941.
Doutor em Direito (que nunca exerceu), professor universitário (Universidade Federal da Baía, durante seis anos) e jornalista, é o mais jovem sócio emérito da Academia Brasileira de Letras e autor de um importante conjunto de obras literárias, que o guindam à condição de um dos maiores vultos das letras brasileiras da actualidade.
João Ubaldo está traduzido em 16 línguas, entre as quais o alemão, dinamarquês, espanhol, francês, hebraico, inglês, italiano, jugoslavo e sueco. Diversas obras suas foram adaptadas para o cinema e para televisão.
O consagrado escritor a cada passo recorda o seu avô fafense, João Ribeiro, “uma pessoa adorável”, que lhe dava dinheiro para livros, revistas e guloseimas. João Ubaldo gostava muito do avô, grande companheiro de infância, amigo e confidente, pessoa culta e leitor apaixonado de Camilo e Guerra Junqueiro. Afiança mesmo que lhe deve muito, “talvez até a carreira de escritor”, sendo que o seu avô considerava que só tinha direito ao estatuto de escritor aquele que escrevia livros que davam “para pôr de pé”.
Por isso, João Ubaldo, certamente em sua memória e vincando a sua legitimidade de (grande) escritor, publicou Viva o Povo Brasileiro, um romance histórico com perto de 700 páginas e seguramente a sua melhor e mais conhecida obra literária, considerada já um clássico da literatura brasileira contemporânea, lançada em 1984 e que já vendeu pelo menos 120 mil volumes.
A narrativa percorre quatro séculos da história do Brasil. Nas suas imensas páginas, vemos desde a chegada dos holandeses à Bahia, no século XVII, até os anos 70 do século XX, representados ficcionalmente.
Destinado a privilegiar os episódios que, ao longo dos séculos, vieram consolidando a famosa Irmandade do Povo Brasileiro (invasão holandesa, Independência, Farrapos, Guerra do Paraguai, Abolição, República, Canudos), a cronologia vai de 1647 a 1977.
A construção da identidade é tema central em Viva o Povo Brasileiro.
Grande parte da história da obra, passa-se em Itaparica, terra natal do escritor. Ubaldo, que costuma citar moradores da ilha nas suas crónicas, fala, no livro, sobre a construção da identidade do povo brasileiro. É na ilha que nasce a heroína Maria da Fé, que desafia o poder dominante para fazer parte, ao lado de outras mulheres e homens, da Irmandade do Povo Brasileiro.
É considerada uma das mais importantes obras da literatura brasileira. Apresenta histórias inspiradas nas raízes do povo brasileiro, tendo como personagens negros e índios, portugueses e holandeses. Porém o livro não trata de uma exaltação à história brasileira e sim uma recontagem crítico-satírica da mesma, denunciando a devassidão presente no processo de formação do povo brasileiro.
O livro é um pouco a saga de um povo em busca de sua identidade e afirmação. É em Viva o Povo Brasileiro que João Ubaldo Ribeiro reforça a sua obra como uma das mais significativas e actuantes, do ponto de vista estilístico e político, da Literatura Contemporânea Brasileira.
A linguagem de João Ubaldo é sempre bem-humorada, envolvente, surpreendente. O autor descreve com habilidade os sentimentos e motivações de personagens tão díspares quanto os holandeses exploradores do século XVI, índios canibais, escravos de engenho, poderosos oligarcas, religiosos, funcionários públicos e políticos, entre outros. São dezenas de personagens, numa história fascinante e bem contada, que anda junto e é coerente com a História do Brasil, inclusive nas suas incoerências e injustiças.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Um governo reincidente e chantagista


1. Apesar da intensa e insidiosa chantagem exercida pelo primeiro-ministro sobre o colectivo do Tribunal Constitucional (TC), nas últimas semanas, os juízes não se deixaram intimidar sobre as suas hipotéticas “responsabilidades pelo impacto financeiro da decisão” e, na sexta-feira, anunciaram a declaração de inconstitucionalidade de quatro normas do Orçamento de Estado para 2013, o que acabou por não constituir grande surpresa para os observadores. Representam 1,3 mil milhões, ou seja, 0,8% do défice? Há quem, sabendo, fale apenas em 850 milhões, o que não é exactamente o mesmo!...
Já há meses se adivinhava que o OE violava o princípio constitucional de igualdade proporcional e da justa repartição entre trabalhadores do sector público e do sector privado. Surpresa foi a não declaração de inconstitucionalidade da contribuição extraordinária de solidariedade sobre os reformados.
O Constitucional deixa bem claro que a recessão e o aumento de desemprego não podem servir como justificação para "a imposição de sacrifícios mais intensos aos trabalhadores que exercem funções públicas", punindo-os injustamente.
O mesmo raciocínio se aplica em relação ao confisco do subsídio de férias de reformados e aposentados, bem como dos valores pagos por contratos de actividades de docência ou de investigação. O Tribunal Constitucional declarou também inconstitucional o artigo do Orçamento que impõe uma contribuição de 5% sobre o subsídio de doença e uma contribuição de 6% sobre o subsídio de desemprego.
A reacção dos “prevaricadores” foi de alegada “perplexidade”. A deputada e dirigente do PSD Teresa Leal Coelho, que se tem notabilizado pelo ridículo do que diz, manifestou a preocupação do partido que governa este país e acusa mesmo o TC de “um certo alheamento do contexto económico e financeiro da crise das finanças públicas", o que não deixa de ser caricato, porque há um ano foi exactamente o que os juízes fizeram e não se ouviu o PSD criticar o que quer que seja.
A inacreditável senhora atreveu-se ainda a alegar que o Governo e a maioria parlamentar "cumpriram criteriosamente" as imposições do acórdão do ano passado, quando todos estávamos à espera que cumprissem, como é sua obrigação institucional, tão só o articulado da Lei Fundamental que está em vigor!
2. O que está em causa, desde logo, com esta decisão, é a derrota política do chefe do governo, Pedro Passos Coelho, que, pelo segundo ano consecutivo, reincide na ilegalidade, colocando-se em frontal desrespeito pela Constituição da República Portuguesa que, como bem sublinhou o Chefe do Estado, por estes dias, apesar da situação de assistência financeira em que o país se encontra, não está suspensa.
E porque não está é que, com esta decisão, que naturalmente complica as contas do executivo, por culpa própria, se assiste a uma vitória clara do Estado de Direito e do respeito pelas instituições e pela separação de poderes.
Chega de pressionar ilegitimamente outros órgãos de soberania, como o fez, com absoluta virulência, o chefe do Executivo, que deveria estar mais preocupado em cumprir as leis vigentes neste país e em governar devidamente, se é que tem estofo e competência técnica e politica para o fazer, do que se duvida cada vez mais. Na derrota colossal do governo, que não aprendeu a lição do ano anterior, há também um lugar destacado para o símbolo da incompetência e do desaire financeiro destes dois anos. Tem o nome de Vítor Gaspar. Ele fica irremediavelmente fragilizado com esta decisão do Tribunal Constitucional, porque é o responsável pela elaboração do Orçamento que, em dois anos seguidos, enferma da violação de normas constitucionais. A escassa credibilidade do ministro das Finanças, já pelas ruas da amargura, pelos sucessivos falhanços das suas previsões, acaba atolada na lama pelo desafio malogrado aos juízes do Palácio Ratton.
Mas também o Presidente da República sai chamuscado desta situação, porquanto poderia ter enviado, preventivamente, para o Tribunal Constitucional uma lei que indiciava graves vícios de inconstitucionalidade, mas que acabou por promulgar, alegando o “interesse nacional”. Veio-se agora a verificar que, tal como tinha acontecido em 2012, Cavaco Silva não cumpriu as suas funções constitucionais e acabou por promulgar, reincidentemente, uma lei inconstitucional.
Tal como Passos Coelho, Vítor Gaspar e todo o governo, o presidente da República é claramente um derrotado pela decisão do TC.
 
3. Aqui chegados, mais duas notas. De lamentar a exorbitante dramatização do discurso do governo, na sequência da decisão do Tribunal Constitucional, que já era esperada e que não atinge o montante inicialmente especulado. O que se verifica é que o governo quer mascarar os seus falhanços contumazes, do ponto de vista financeiro e orçamental, com esta decisão do Tribunal. Como não consegue acertar nas suas previsões, sucessivamente falhadas e como a execução orçamental do primeiro trimestre parece ser um desastre, nada melhor que uma “cruzada” política contra um órgão de soberania que se limita a exercer as suas funções, para disfarçar e ocultar os insucessos consecutivos do incompetente ministro Vítor Gaspar.
Por outro lado, evidenciar a posição do Presidente da República no sentido de reiterar que o governo tem todas as condições para continuar a governar. Não é o chumbo do TC que vai alterar o que quer que seja. Os falhanços financeiros são sucessivos, as contas estão permanentemente erradas, os “buracos” orçamentais seguem-se uns aos outros. E ainda falta cortar 4 mil milhões de euros, em nome de uma fantasmagoria chamada “refundação ou reforma do Estado”. Que renegoceiem com a tróica, que deixem de ser capachos da Europa!
Se estes cavalheiros não passam de incapazes, como têm demonstrado, que vão pregar a outra freguesia. Pior que eles será difícil encontrar!

domingo, 7 de abril de 2013

Guerra Colonial evoca-se em Fafe durante um ano (Abril 2013 - Abril 2014)


 
Entre 2011 e 2014 estão a evocar-se os 50 anos do início da Guerra Colonial, que deflagrou em Angola (1961), depois na Guiné (1963) e finalmente em Moçambique (1964).
A Câmara Municipal de Fafe e um grupo de fafenses que combateu na Guerra em África, bem como associações e escolas, decidiu participar na evocação do cinquentenário do início da Guerra em África, o que ocorrerá ao longo deste ano e até Abril de 2014, altura em que se comemoraram os 40 anos do 25 de Abril e do termo oficial da Guerra Colonial.
Estão a decorrer, portanto, os cinquenta anos do início de uma guerra que entrou pela porta dentro das famílias portuguesas sem ser convidada e que mobilizou durante os 13 anos do conflito mais de um milhão de jovens. Destes, mais de 8 mil tombaram na frente de combate ou em acidentes, cerca de 120.000 foram feridos, 4 mil ficaram estropiados e estima-se que cerca de 100.000 mil ficaram a sofrer de “Stress Pós Traumático de Guerra”. Do concelho de Fafe, de acordo com dados oficiais, tombaram 40 jovens: 17 em Angola, 12 em Moçambique e 11 na Guiné.
Na sequência do célebre pensamento que refere que “Só existe uma coisa mais terrível do que uma guerra, fazer de conta que ela nunca aconteceu”, pretende a autarquia fafense, associada à comunidade escolar, às associações de ex-combatentes e à população em geral, dinamizar, pedagogicamente e do ponto de vista histórico, um conjunto de acções com o objectivo de não fazer esquecer o flagelo dessa guerra e de lutar contra a cultura do esquecimento que se instalou em Portugal, após o final da Guerra Colonial.
O primeiro acto desse programa aconteceu na passada sexta-feira, 5 de Abril, na Casa Municipal de Cultura de Fafe, com uma brilhante conferência sobre a Guerra Colonial, pelo coronel Carlos de Matos Gomes, seguida da abertura da exposição itinerante do Museu da Guerra Colonial "Uma História por contar", a qual se mantém patente até 19 de Abril.

 
 
 
Nascido em 1946, o coronel Matos Gomes, actualmente na reserva, cumpriu três comissões, em Moçambique, Angola e Guiné como oficial dos «Comandos». Condecorado com as medalhas de Cruz de Guerra de 1ª e de 2ª Classe. Pertenceu à primeira Comissão Coordenadora do Movimento dos Capitães na Guiné. Foi membro da Assembleia do MFA. Além da sua carreira militar dedicou-se a estudos de História Militar, tendo publicado em co-autoria com Aniceto Afonso as obras Guerra Colonial e Portugal na Grande Guerra. Com Fernando Farinha, publicou Um Repórter na Guerra. É autor da obra Moçambique 1970 – Operação Nó Górdio, entre outras. Como romancista publicou os romances: Nó Cego, ASP- de passo trocado, Soldadó, Os Lobos não Usam Coleira, O Dia das Maravilhas e Flamingos Dourados, entre outros.
Ao longo de mais de uma hora, Matos Gomes abordou a temática “Da Guerra Colonial ao 25 de Abril – a questão colonial no centro da nossa história contemporânea”.
Foi uma autêntica lição de história contemporânea, relacionada com a guerra colonial e os vários momentos que culminaram no 25 de Abril de 1974, o que o Coronel apresentou em Fafe, perante uma plateia de dezenas de fafenses, sobretudo ex-combatentes em África.
Fê-lo de uma forma serena, isenta, conhecedora, interessante do ponto de vista historiográfico. Matos Gomes é sem dúvida um dos maiores conhecedores da problemática da Guerra Colonial, pois combateu no terreno e tem desenvolvido, desde há mais de duas décadas, um notável trabalho de investigação e sistematização de conhecimentos sobre a temática.
Uma noite em grande, que concluiu com a abertura de uma excelente exposição sobre o tema, que teve como cicerone o competentíssimo director científico do Museu da Guerra Colonial, José Manuel Lajes.

 
 

Outras iniciativas:

 
Outras iniciativas estão previstas nos próximos meses, com a colaboração de entidades como o Núcleo de Artes e Letras de Fafe, o Cineclube de Fafe, a editora Labirinto e os agrupamentos escolares do concelho, designadamente uma exposição/feira de livro sobre o tema, recital de poesia sobre a guerra colonial, um Curso Livre de História Local, do Núcleo de Artes e Letras sobre a temática “Fafe e a Guerra Colonial”, um ciclo de cinema sobre a Guerra em África, exposições e teatro alusivo ao tema, culminando, em Abril do próximo ano, com a edição de uma obra de testemunhos e textos de antigos combatentes de Fafe (Fafenses na Guerra Colonial, 1961-1974).
No entanto, o programa estará permanentemente em aberto para o seu enriquecimento com novas iniciativas!

Fotos: Manuel Meira Correia

segunda-feira, 25 de março de 2013

Poesia todos os dias!


Em 21 de Março, celebrou-se o Dia Mundial da Poesia, uma criação da UNESCO, datada de 1999, para celebrar a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, criatividade e inovação. A data visa fazer uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa.
Como tem acontecido ao longo dos últimos 14 anos, a comemoração serviu para o lançamento de livros, promoção de recitais, declamação de poesia nos mais diversos e improváveis locais.
Lembra-se, em 21 de Março, uma forma de criação literária que, nos restantes meses, é praticamente sonegada.
Escrever poesia, publicar poesia, ler poesia são exercícios de loucura e gratuitidade nestes tempos ominosos de materialismo, de negócios, de empobrecimento humano, em que os cidadãos estão mais preocupados com o pão que é necessário para encher as bocas dos filhos do que com os ócios que preenchem a fome do espírito, mas não servem para nada, afinal.
A poesia está absolutamente desaparecida de combate quando entramos numa qualquer livraria e apenas lobrigamos romances de Paulo Coelho, As Cinquenta Sombras de Grey e suas sequelas, quando muito as últimas obras de Nicholas Sparks, de José Rodrigues dos Santos ou António Lobo Antunes.
Contam-se pelos dedos as centenas de pessoas que, pelo país além, escrevem e lêem poesia, apesar de identitariamente nos considerarem um país de poetas.
Mas de poetas e loucos todos temos um pouco.
Fica bem ostentar na estante da sala de jantar um exemplar dos Lusíadas, ou da Eneida, ou da Mensagem. Como alguém escrevia há tempos, “ a qualidade de um homem do mundo vê-se hoje tanto pela estante como pela marca de colónia que fede, e um ou dois livros de poesia ficam bem na estante de uma pessoa de sucesso”.
Porém, os políticos gostam de colocar na lapela e decorar os seus discursos com sugestivas citações de Luís Vaz de Camões, Fernando Pessoa ou Eugénio de Andrade, e tantos outros poetas portugueses, em função dos seus interesses, ou da sua ignorância e falta de ideias.
É evidente que não são capazes de ler e apreciar obras poéticas, de mediana dimensão, porque a maioria são iletrados. Conhecem, quando muito, folhas de excell ou sabem manejar um Ipad, mas são completamente ignaros do melhor que um país pode ostentar, que é a sua literatura, a sua poesia, a sua cultura…
É claro que para os políticos a cultura está na última fila da ordem de prioridades. Todos se pelam pela garantia da segurança, pelas funções sociais do Estado, pela Defesa, pela Agricultura, pela Economia.
Mas ninguém se inquieta com a poesia, nestes tempos ominosos das troikas, dos cortes, dos défices, das moções de censura, da inflação desmesurada e violenta de palavras e discursos que nada acrescentam à alma dos cidadãos, ao seu coração, à sua sensibilidade.
Como escreve um poeta maior da literatura portuguesa, Manuel Alegre:
Cada poema que se escreve é uma derrota da indigência, seja ela cultural, ética, política ou mesmo literária. Uma derrota da indigência e da regressão civilizacional que hoje estamos a viver.
Nos tempos que correm, cada poema, independentemente do seu conteúdo, é um acto de resistência. Contra a contaminação da linguagem por aquilo a que Sophia de Melo Breyner chamou “o capitalismo das palavras”. Contra a cultura do número e a ocupação da língua por taxas de juro, cotações bolsistas, troikas e empresas de rating. Contra a violação da nossa liberdade pela mão invisível. Contra o imediato, o efémero e o mediático. (…)
Entre os muitos défices que avassalam o mundo e invadem as nossas vidas há um de que não se fala: o défice de poesia. Não será possível resolver os outros sem que no cinzento de cada dia haja um pouco mais de azul, um pouco mais de poesia.
A palavra do homem está pervertida. Pela tecnocracia, pelos interesses, pelo império do dinheiro. A pequena ou grande revolução que cada poeta pode fazer é subverter o discurso instituído e recuperar a força mágica da palavra. Porque a poesia é linguagem e só por ela se pode reconquistar a perdida beleza da palavra do homem.
Talvez seja para isso que servem os poetas em tempo de indigência. E talvez seja esse o poder da poesia na grande selva em que se transformou o mundo”.
A reivindicação que há que fazer é que a poesia ilumine as nossas vidas, como porventura a religião e a filosofia.
São dimensões espirituais que humanizam o homem e o tornam melhor, mais perfeito, mais belo, mais nobre.
Poesia todos os dias!
 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Incompetência colossal!

 
1. O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, “confessou” esta sexta-feira, comentando a sua visão dos resultados da sétima avaliação da tróica, que não terão sido tão “positivos” quanto propagandeou, a sua mais completa incompetência para gerir o país, do ponto de vista financeiro, logo, para honrar o exercício do cargo que ocupa há quase dois anos. Mais uma vez, sem qualquer surpresa, de resto, atento o passado recente, falhou em todas as previsões que fez ao longo dos últimos meses.
Em Setembro de 2012, previu um “crescimento negativo” (ainda não consegui perceber como é que se consegue crescer andando para trás, mas não sou economista…) para este ano de 1%. Seis meses volvidos apenas, a nova previsão aponta para 2,3%. Mais do dobro. O défice previsto na mesma altura para este ano era de 3%. Vai chegar aos 5,5%, na melhor das hipóteses. O dobro do previsto. O desemprego previsto era de 16,4%, agora já se aponta para cerca dos 19% durante 2013. E para trás, ficam sucessivos fracassos nas previsões relativamente ao ano de 2012, cujos números foram muito além dos estimados pelo catedrático dos falhanços, que não se percebe como chegou a ministro, a não ser para satisfação dos especuladores da finança internacional, a quem ele dá garantias (e aí não falha, categoricamente) de esbulhar os portugueses até ao osso, prosseguindo a maquiavélica estratégia de empobrecimento dos cidadãos do país que não parece ser o seu. E se calhar não é, porque o capitalismo é internacional.
Assim, nem uma única previsão que fez foi confirmada, sinal de que só por sadismo de Passos Coelho, que há-de pagar seguramente bem caro, a pretensa “luminárias das contas” ainda se mantém à frente da pasta mais relevante do governo. As previsões económicas que o homem faz, sistematicamente, erram a todos os níveis e são sucessivamente alvo de revisões, negativas. Não sei do que é que o chefe do governo ou o silencioso e desaparecido Presidente da República (que só critica os males da Europa, quando o que importava ouvi-lo era acerca da tragédia que os seus correligionários estão a fazer desabar sobre o povo que o elegeu…) estão à espera para fazer desaparecer da nossa vista esta manifesta e reiterada incompetência colossal.
Um homem que apresenta as medidas mais gravosas que supor se possam com o ar mais frio, insensível e pastoso que se imagina, sem a mínima consideração humana pelo sofrimento, pelas dores, pelas carências de tantas famílias por esse país fora. Tanto se lhe dá que haja 500 000 como 1 milhão de desempregados. Gaspar só vê contas na sua folha de excell: quanto o país deve, quanto tem de cortar na saúde, na educação, na protecção social, quanto é necessário sacrificar de ordenados e pensões para que os sacrossantos credores possam receber.
A imprensa refere que “Gaspar impõe duas vezes mais austeridade que a exigida pela troika”. Mas ainda assim não está satisfeito. E ainda assim, as contas saem sistematicamente furadas, não cumprindo uma única meta. E ainda assim tem o desplante de não saber o que vai ser o futuro próximo. Mas então que está o homem lá a fazer? Não têm os estadistas a obrigação de antecipar o futuro?
Para fazer contas de merceeiro, sistematicamente erradas, qualquer dona de casa poderia ser ministra das Finanças!...
Esta gente não tem um pingo de vergonha na cara!...
2. O presente deste país é imensamente negro e o futuro não lhe fica atrás. Para disfarçar a sua incompetência, Vítor Gaspar esconde-se atrás de uma retórica técnica, que poucos percebem e que nem ele próprio saberá o que significa. Por exemplo: ‎"A revisão dos limites foi calibrada de forma a garantir uma constância na persistência do esforço de consolidação orçamental ao longo de tempo, de forma a conciliar os efeitos do ajustamento com a necessidade de ancorar a dívida pública e do financiamento dessa dívida."
Quem é que sabe o que quer dizer este palavreado de um ministro que quer transmitir uma mensagem à população?
Contudo, para assassinar em absoluto qualquer esperança dos portugueses, o ministro foi claro: “para que Portugal consiga diminuir a dívida para limites europeus, o ajustamento terá de continuar durante décadas. Corrigir níveis excessivos de dívida exigirá o esforço de uma geração”, atirando para 2040 a altura em que Portugal conseguirá chegar a 60%, em linha com o exigido no pacto europeu.
E ainda vem, provocatoriamente, com os “amanhãs que cantam”, velha ladainha que conhecemos de outras paragens. Que a sociedade portuguesa, depois de ultrapassado este transe difícil da sua História, vai surgir mais aberta, mais competitiva, mais concorrencial, mais próspera e mais justa.
Além de incompetente e falhado, o homem tem mesmo lata!
3. Que se lixe o défice, proclamam os portugueses, que, derreados por uma paixão pela austeridade deste governo, não sabem o que hão-de fazer à vida. Não há emprego, não há salários dignos, sobram a pobreza e a emigração. Portugal será cada vez mais um país de velhos, regredindo em factores que teciam alguma modernidade, como a mortalidade infantil, a qualificação da população, a esperança média de vida.
É dramático que aceitemos um governo que está a matar o que Portugal tem de melhor!

domingo, 17 de março de 2013

Lídia Franco está no Teatro-Cinema de Fafe este sábado



A conhecida actriz Lídia Franco – que nesta altura pertence ao júri do concurso “Feitos ao Bife”, da RTP1- vai estar no Teatro Cinema de Fafe no próximo sábado, 23 de Março, a partir das 21h30, para apresentar a peça “Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa”.
Os bilhetes custam apenas 5 euros, sendo a peça para maiores de 12 anos.
“Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa” é um Hino à Vida e ao Ser Humano. Mostra-nos a amizade total entre uma criança com leucemia e a Senhora Cor-de-Rosa (voluntária na área da pediatria do hospital), que todos os dias o visita. Entre os dois estabelece-se um jogo: “cada dia equivale a dez anos”. Deste modo, o menino passa a ter a sensação de que avança no tempo e de que aproveita a vida nas suas diferentes idades.
Nessa “longa” vida que o menino passa a ter, ele reinventa o Mundo sob a maravilhosa cor da fantasia, desafiando a morte com um olhar divertido sobre o universo dos adultos e das outras crianças que o rodeiam no Hospital.
O espectáculo estreou em 2008 no Teatro Nacional D. Maria II, onde esteve dois meses e meio em cena e sempre com as salas esgotadas. Depois, foi já representado em inúmeros palcos pelo país.
 
Ficha Técnica:

Autor: Eric-Emmanuel Schmitt
Tradutoras: Ivone Moura e Lídia Franco
Encenadora: Marcia Haufrecht
Cenógrafa e Figurinista: Ana Vaz
Desenho de luz: José Carlos Nascimento
Adaptação do desenho de luz: José Nuno Lima
Actriz: Lídia Franco

Um espectáculo a não perder!