sábado, 13 de setembro de 2014

Como os leitores repararam, há meses que não são publicadas notas no blogue SALA DE VISITAS DO MINHO.

O autor do blogue - Artur Coimbra - passou a publicar as suas impressões no facebook, na sua página pessoal, bem como criou uma página para divulgar notas e investigações sobre Fafe, que podem ser procuradas no endereço "Memória e história de Fafe e dos fafenses".


Por conseguinte, é no facebook que encontram o autor.


Está página será encerrada nos próximos tempos.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Núcleo de Artes e Letras de Fafe venceu "Ardina de Ouro" do Associativismo




No âmbito da II Gala do jornal Notícias de Fafe, o Núcleo de Artes e Letras de Fafe teve a honra de receber o Ardina de Ouro da categoria “Associativismo”, facto tanto mais significativo quanto concorria com associações de peso e historial, como os Leões do Ferro e o Arões Sport Clube.

Fantástico!

O presidente do Núcleo de Artes e Letras de Fafe recebeu o troféu das mãos do pároco de Fafe, Abel Maia.

Ficámos imensamente satisfeitos pelo reconhecimento dos leitores daquele jornal em relação ao trabalho feito em prol das letras, das artes e da cultura de Fafe.


Obrigado a todos.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A MULHER DO LEGIONÁRIO, DE CARLOS VALE FERRAZ: UM ROMANCE QUE FALA DE FAFE


Carlos Vale Ferraz é um nome já incontornável da literatura dos nossos dias. É o pseudónimo do coronel Carlos de Matos Gomes, antigo oficial do Exército com três comissões em África. Data de 1982 o seu primeiro romance, Nó Cego, porventura a obra-prima da literatura da guerra colonial.
A Mulher do Legionário é o seu nono romance, publicado há escassos meses. É uma grande surpresa este romance histórico que abarca a vida dos portugueses desde a Conferência de Berlim até à transição para o presente século.
Fernanda, filha de Eduardo Lobo, um advogado oposicionista suspeito de ter à sua guarda documentos secretos que incriminariam membros importantes do regime de Salazar, envolve-se com Augusto Torres, um jovem e ambicioso membro da Legião Portuguesa, que recebeu a missão de descobrir tais documentos. Eduardo aparentemente suicida-se, o legionário casa com Fernanda (daí o título da obra) e os comprometedores papéis não aparecem.
Assim começa um excelente romance que tem todos os ingredientes da grande novelística, paixão e desamor, homicídio e vingança, numa história desconhecida do Portugal Contemporâneo, do regicídio à I República, da Ditadura Militar ao pós-25 de Abril.
A curiosidade desta obra é que Eduardo Lobo era de Fafe, estudara em Braga e teve de voltar ao Minho depois de sair da prisão, após o 28 de Maio de 1926.
Escreve o romancista (que só em Abril tivemos o gosto de ter em Fafe):
 “…depois da saída da prisão do Aljube, Eduardo Lobo cumpriu a obrigação de ir a Fafe fazer contas com o feitor, abrir a casa dos pais e dos avós, mostrar-se às gentes da terra, falar aos parentes afastados, mesmo aos que o evitavam como pestífero, responsabilizando-o pela desordem anterior, pelas fomes, pelos levantamentos da tropa, pelas iras dos padres, até pelos maus anos agrícolas. A república de Lisboa atacara Deus no seu reino e Deus vingara-se. Não se podia mandar calar os sinos das igrejas, nem proibir procissões, nem divorciar os casais, nem ir casar à câmara municipal, nem ser enterrado sem padre e esperar bons resultados. «Não se pode brincar com Deus, primo!» A situação está a compor-se, diziam-lhe com secura de uma acusação.
Há muito que Eduardo Lobo perdera a ligação à terra dos pais, se é que alguma vez sentira a ela pertencer. Vivia há mais de vinte anos em Lisboa. O Minho não passava para ele de uma paisagem exótica e não idealizara a vida rural, transformando a brutalidade do trabalho em folclore. E ainda havia, como escreveu, a omnipresença da Igreja Católica. A vida diária girava à volta dos padres, das igrejas, e se não era a religião, era vinho e aguardente.
Todos começavam e terminavam as frases com um «salve-o Deus» e «um vá com Deus». Todas as atividades eram «se Deus quiser». O feitor roubava-o, não havia nada a fazer, era a «vontade de Deus». No regresso a Lisboa, aliviado de preocupações por uns tempos, escreveu: «Tive de contribuir com uma oferta destinada à festa da Nossa Senhora de Antime para o pároco me arranjar um feitor menos desleixado e, se possível, menos ladrão.»

A Mulher do Legionário são 450 páginas de puro prazer de ler!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Um livro de vez em quando: “Uma Noite não São Dias”, de Mário Zambujal




Neste início de 2014, deixem-se sugerir um divertido livro que antecipa o que poderá (ou não) ser o mundo dentro de apenas 30 anos.
Estou a falar de “Uma noite não são dias”, de Mário Zambujal, que ostenta o bem-disposto subtítulo de “Intriga e paixões no esquisito ano de 2044”!
Na advertência, o autor escreve: “se está mesmo na disposição de ler este livro, devo prevenir que não se trata de antecipação científica. Teríamos, nesse caso, um aluvião de sábios palpites que o futuro, implacável, acabaria por desmentir.
Ao contrário, o que vai ler é uma história verídica, a ocorrer, garantidamente, no ano de 2044.
É possível que os inevitáveis cépticos e maldizentes tentem beliscar o rigor da narrativa, negando verosimilhança às novidades urbanas, técnicas e de costumes”.
E o certo é que elas desfilam, em catadupa numa obra que nos diverte da primeira à última página, escrita pelo autor de um dos maiores sucessos editoriais da literatura contemporânea, a CRÓNICA DOS BONS MALANDROS.
Começamos com uma enorme avenida que não se alonga na horizontal, como seria normal.
É a Avenida Vertical, nome de uma torre habitacional de 98 andares, símbolo citadino do ‘esquisito ano de 2044’, onde ocorrem dois misteriosos assaltos: o roubo de um helicóptero no heliporto que encima o edifício e o roubo de uma coroa de uma rainha portuguesa na Praça das Artes, uma das várias praças interiores. Nesta atmosfera de mistério desfilam as personagens principais: Antony, um historiador, a sua mulher Grace e o amigo escultor, James, com aquela, farta da vida fastidiosa e rotineira que levava, acabará por ficar, porque “uma noite não são dias”.
Estamos em presença de uma história de subversão, em que Mário Zambujal decide “viajar” até ao futuro, em que impera o domínio feminino.
Em 2044, a escolaridade obrigatória será de 14 anos; a idade da reforma será fixada nos 84 anos, havendo movimentos reivindicativos no sentido de que seja alterada para os 81; depois da doença das vacas loucas e da gripe das aves, será a vez da tosse das rãs; já não serão usadas palavras como evento, incontornável, recorrente ou mediático, consideradas então velharias. O mundo será das mulheres, no governo e no parlamento, onde a lei estipulará rigorosamente um terço de lugares para os homens. Haverá ministras do Labor e da Longevidade, da Modernidade, dos Cofres do Estado, da Tranquilidade Aérea. Portugal arrecadará dúzias de medalhas nos Jogos Olímpicos.
As relações serão a três: dois homens e uma mulher ou duas mulheres e um homem.
É, assim, o mundo das ministras, dos secretários, das futebolistas, das operárias da construção civil desbocadas, enfim, um mundo ao contrário daquele a que nos habituámos e que ajudámos a organizar.
Como são menos, os homens tornaram-se objectos e criaram movimentos de emancipação masculina.
Para a mesma função profissional, as mulheres ganham mais que os homens.
Os robots domésticos estarão programados para arrumar a casa e limpar o pó, mudando até a posição dos móveis.
Em plena Avenida Vertical haverá a Praceta Santana Lopes e o Mercado Paulo Portas. Destaque ainda para o Aeroporto Internacional Mário Lino, na Ota e para o comboio de alta velocidade, o “Relâmpago Sócrates”.
Haverá quem faça férias na Estância Espacial do Inatel, situada a meio caminho entre a Terra e a Lua e a preços muito em conta.
Uma obra caricatural do que poderá vir a ser o nosso futuro, dentro de apenas três décadas. Cenários “esquisitos” que certamente não passarão disso mesmo. Um exercício literário imensamente divertido.



(Texto lido esta quarta-feira, para a Rádio Fundação, de Guimarães, indicando uma sugestão literária)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Herói, apenas



Este domingo choveram
Lágrimas em Portugal
Não de tristeza pelo derradeiro
Remate à baliza da vida
Mas de júbilo pelo privilégio
De termos sido teus contemporâneos
Dos teus pés saíam epopeias
Metáforas asas orquídeas
Para alegria de todos nós
Os teus golos eram poemas
Que levantavam a alma colectiva
Do rés-do-chão dos tempos
Na Luz ou em Wembley
Das tuas cabeçadas floriram palmas
Abraços êxtases paixões
Iluminaste destinos fados afectos
Imortalizaste o melhor que o futebol
Consegue inventar
A magia a fantasia a força
A energia que faz mover corações
E torna mais humanos os homens
Tinhas a pátria dentro de ii
Partilhada com o teu povo
Pantera ou diamante
Eras uma festa imensa em campo e fora dele
Para felicidade dos que te adoravam
O teu coração não resistiu
A tanto amor
Por todos nós
Porque foi por nós que marcaste
De todas as maneiras e feitios
Que enfeitiçaste a bola
Guiando-a para onde a alma era maior
Escreveste no relvado as páginas
Mais notáveis do desporto português
Espalhaste a grandeza de Portugal
Pelo mundo com o talento
Que só os deuses conseguem
Ainda assim eras o mais simples
O mais puro o mais próximo
Da geometria da terra das flores das águas
Vestiste a pele de herói de todo um povo
E apenas te escondeste do nosso olhar

Artur Coimbra
(05.01.2014)

Eusébio partiu hoje, a dias de fazer 72 anos de idade.
Ao longo do dia, tudo foi dito e redito, nas televisões, nas rádios, nas redes sociais.
Apreciei, mesmo, as palavras de dirigentes com que normalmente não vou à bola e que, neste caso, inteiramente subscrevo. Casos de Passos Coelho, Cavaco Silva e Pinto da Costa.
Eusébio era na verdade uma referência colectiva, um traço de união entre os portugueses, de qualquer matiz clubística ou ideológica.

Foi um dos heróis da pátria, que tão escassos tem.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Da corrupção e da crise


Encontro-me, por estes dias, a ler, com o máximo prazer e proveito, a obra “Da Corrupção à Crise. Que fazer?”, da autoria de Paulo de Morais, minhoto natural de Viana do Castelo, ex-vice-presidente da Câmara Municipal do Porto (2002-2005), conhecido professor universitário e vice-presidente da Associação Cívica Transparência e Integridade. Um corajoso e intrépido combatente pela transparência na vida política!

Numa pequena obra de 145 páginas, o autor desmembra algumas falácias que a propaganda oficial monta, incessante e despudoradamente e a comunicação social reproduz, acriticamente, sem o mínimo vislumbre de análise ou de sentido de questionação.
É uma obra que, pelo menos, suscita a maior reflexão de quem a manuseia, porque o que lá se afirma é demasiado sério para podermos passar em claro a realidade que nos rodeia.
Este livro contraria duas mentiras colossais que contaminam a sociedade portuguesa: a de que os portugueses andaram a gastar acima das suas possibilidades e a de que não há alternativa à austeridade.
A primeira é a ideia, repetida até à exaustão, de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque esbanjaram, compraram bens de consumo que não deviam e a que alegadamente não tinham direito. Acusam os cidadãos de terem gozado férias caras, terem adquirido automóveis e outros bens sem necessidade, dos telemóveis aos tablets.
Nada mais falso – repete Paulo de Morais.
Até porque, em 2009, no início da crise, 70% da dívida privada financiava a especulação imobiliária e apenas 15% era crédito ao consumo.
“Quem viveu e esbanjou muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política portuguesa e seus apaniguados, que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do Estado”, esclarece e dá exemplos: as administrações central e local enxamearam-se de milhares de boys, criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasmas. Atrás deste regabofe veio uma epidemia fatal: a corrupção.
A principal causa da crise em que Portugal se encontra mergulhado é a corrupção, sustenta aquele corajoso lutador em favor da transparência na vida política. Alguns grupos económicos, apoiados pelas grandes sociedades de advogados, dominam completamente a actividade política que se transformou, ela própria, numa grande central de negócios.
Indica vários paradigmas, em que o Estado investe e sai sempre a perder, ainda que sejam geradas mais-valias urbanísticas, como foi o caso da Expo 98. Exemplos de corrupção são também as infraestruturas construídas para o Euro 2004, a aquisição dos famosos submarinos no tempo de Paulo Portas, que envolveu o pagamento de luvas, “com corrupção provada e condenados, mas só na Alemanha”. Os escândalos do BPN e do BPP, as PPP sobretudo rodoviárias.
Em todos os casos há negócios fraudulentos, em prejuízo do interesse público e em benefício dos privados e que são os cidadãos que acabam por ter de suportar, à custa da redução dos seus ordenados, das suas pensões, do aumento dos impostos, do enfraquecimento de direitos e garantias, do desmantelamento, enfim, do Estado Social.
Os responsáveis são conhecidos mas a Justiça portuguesa nunca ou raramente castiga os responsáveis pelos escândalos ou pelos crimes de corrupção.
Ainda agora, sustenta Paulo de Morais, enquanto o país empobrece, a classe média se extingue e o desemprego alastra, a corrupção continua a aumentar, os mecanismos de corrupção agravam-se e cresce a promiscuidade entre a política e os negócios. Entre os anos 2000 e 2012, Portugal desceu do 23º para o 33º lugar no ranking da transparência que elenca os países em função da sua capacidade de se libertarem do fenómeno da corrupção. Ou seja, segundo o autor, “Portugal obteve, nesta década, o vergonhoso título de campeão mundial do aumento da corrupção”.
O Estado português chegou à bancarrota porque sucessivos governos andaram a beneficiar os amigos, esbanjando o dinheiro dos nossos impostos, assegura o autor.
Há, no entanto, uma saída, uma alternativa que não é a austeridade, ao contrário do que apregoam com insistência políticos e fazedores de opinião – é o combate à causa maior da crise, o combate à corrupção, cuja luta deveria ser tarefa fundamental de todos as entidades públicas.
Paulo de Morais elenca inúmeros exemplos, em todo o Estado, de alto e baixo, com uma coragem assinalável. E propõe, como saída para a crise, o combate eficaz à corrupção, a transparência na vida pública, leis claras e simples, uma justiça eficaz, que deixa de ser forte com os fracos e débil perante os poderosos, a renegociação global de todas as parcerias público-privadas, a imediata reestruturação da dívida pública, a redução dos alugueres e rendas imobiliárias que o Estado paga neste momento, o combate ao desperdício e a criação de uma nova classe dirigente, para que o país “seja bem governado”, em função do interesse da sua população “e não de alguns grupos económicos que dominam o país de forma feudal”.
Finaliza Paulo de Morais, neste seu livro que todos os portugueses deveriam ler, meditar e divulgar: “Os governantes de que hoje precisamos são os que consigam enfrentar, sem medo, os actuais poderes fáticos que empobrecem o país e preservam uma estrutura económica e política de tipo feudal”.

São esses os nossos votos para 2014, cientes de que não os vamos encontrar. Para mal de todos nós!



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

DOS PROFESSORES E DOS ESTALEIROS

1. Centenas de professores contratados manifestaram-se este sábado, no Porto (e três dias antes em Lisboa), em protesto contra a obrigatoriedade de realização de uma prova de ingresso na carreira docente, “inventada” por Nuno Crato, com o mero propósito de eliminar professores e candidatos a professores, numa rasteira lógica economicista, que não tem minimamente em consideração as pessoas envolvidas e põe em causa a credibilidade das instituições de ensino superior deste país.
Segundo é do domínio público, a prova é destinada aos professores não integrados na carreira docente, ou seja, aos contratados. Terá uma periodicidade anual e o seu alegado objectivo será "aumentar sustentadamente os padrões de qualidade do ensino", assim como a "equidade entre os candidatos ao exercício de funções docentes", de acordo com o Ministério da Educação e Ciência.
Obviamente que estamos no domínio da treta e da mais pura demagogia, mesmo para quem perspectiva esta matéria como observador. Os padrões de qualidade do ensino não aumentam apenas pela acção dos professores, como até Nuno Crato, o propagandista e actual utilizador do “eduquês”, sabe e deverá reconhecer. E se tal fosse verdade, teriam que ser todos os professores a submeter-se à famigerada prova. E não é o que vai acontecer, e muito bem. Não deveria é suceder com nenhum docente, porque a prova não faz qualquer sentido, é um perfeito absurdo e apenas dá a medida do desnorte e da prepotência que reina pelos lados da coligação de direita que nos coube em desdita. Ainda se fosse uma medida para o futuro e com regras universais, como acontece com o ingresso em carreiras como a medicina, a engenharia ou a advocacia, se admitiria. Assim, não!
Desde logo, não passa de um disparate obrigar a fazer a designada “prova de acesso à carreira” docentes que já estão a trabalhar, embora como contratados, há 10, 15 ou 20 anos, em muitos casos com avaliações de “bom” ou “muito bom”. Por isso, é "uma prova que não prova coisa nenhuma", como referem professores à comunicação social, e com toda a razão.
E deveria ser proibido ter professores naquelas condições tantos anos, quando o Estado obriga os privados a admitir os funcionários nos quadros a partir de um determinado número de anos de contratados. O Estado é um mau exemplo e um explorador, com todas as letras. Como deveria ser interdito alguém vir questionar a preparação ou as competências de um professor para a carreira, depois de leccionar anos e anos… Estamos no alegre reino do delírio!...
Falamos de professores que se formaram nas universidades creditadas pelo Estado para o efeito, com quatro ou cinco anos de estudos; que fizeram os seus estágios curriculares como mandam as regras; que se prepararam e cumpriram todas as etapas da sua formação pedagógica para exercerem cabalmente a sua actividade numa sala de aulas.
Por isso, o que está em causa, inequivocamente, é a falta de respeito do Governo pela situação dos professores que já leccionam há anos e que se permite dispor a seu bel-prazer da sua vida e destino. Chama-se a isso prepotência.
Como é também falta de reconhecimento da qualidade científica e pedagógica das universidades esta opção de Nuno Crato, que assim põe em causa de uma penada e com a maior desvergonha e pedantaria a credibilidade do ensino superior deste país, que ele quer asfixiar financeiramente.
Obviamente que, por detrás do folclore verbal do Ministro da Educação, está o propósito de afastar milhares de professores do sistema, com fins estatísticos. Para afirmar à Europa que o desemprego no professorado é residual.
Estamos a falar de uma sacanice de Nuno Crato aos professores, que pretende arrasar a vida e o futuro de mais de quatro dezenas de milhares de professores, numa prova de 120 minutos.
Outro aspecto a considerar é o do esbulho que o governo faz aos professores. Uma prova obrigatória e a pagar (20 euros) não passa de um infame saque aos concorrentes, por parte de um governo sem escrúpulos, que o que pretende é eliminar professores do sistema, obrigando-os a contribuir para o “ajustamento”, em mais de 1 milhão de euros (contando a prova geral e a específica, a 15 euros por cabeça, ao que se anuncia), sem a garantia de que venham a entrar na profissão. E tantos deles nem sequer estão a trabalhar…
O mesmo Crato que inferniza a vida aos docentes e desinveste claramente no ensino público, para o menorizar e descredibilizar, não se coíbe de acenar com os melhores apoios ao ensino privado.
Porque é disso que estamos a falar. Esta gente que nos governa nestes anos de chumbo quer acabar com tudo o que é público, para entregar os sectores fundamentais da educação, da saúde, da economia, aos privados.
Não estamos a falar de questões conjunturais, ditadas pela crise. Estamos a falar de uma estratégia ideológica que está a ser posta em prática pela direita ultraliberal para privatizar o melhor do país. Da energia aos correios.


2. É nessa lógica distorcida e algo satânica que se insere também a alienação dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.
O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, exigiu no fim-de-semana um inquérito à subconcessão dos Estaleiros ao grupo Martifer por suspeita de «favorecimento» ao sector privado com este negócio.
Na verdade, há coisas nebulosas no meio deste negócio, que deveriam exigir a intervenção e investigação das autoridades, para aumentar a sua transparência e clareza.
Não se entende o afã da privatização dos estaleiros e o despedimento de 609 trabalhadores. Como bem afirma o líder da CGTP, em 2012 o mesmo Governo «não teve» três milhões de euros para adquirir matéria-prima para começar a construir dois navios asfalteiros encomendados pela Venezuela, mas dispõe agora de 30,1 milhões de euros para despedir seis centenas de trabalhadores.
Como não se compreende que se passe a gestão daquela empresa para a Martifer, que tem um passivo maior, da ordem dos 370 milhões de euros, quando o dos ENVC rondará os 300 milhões de euros.
Sejam os governantes pelo menos sérios a defender o interesse público, o que, neste como em outros negócios, está muito longe de suceder.
E, como se sabe, à mulher de César não lhe basta parecer!...

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Antigos Alunos da Escola Industrial em magusto-convívio





A Associação dos Antigos Professores, Funcionários e Alunos da Escola Industrial e Comercial de Fafe (AAPAEIF), no âmbito do seu plano de actividades, promoveu mais um magusto-convívio, este sábado à noite, no polivalente da Escola Secundária de Fafe, no qual participaram mais de seis dezenas de associados e amigos.
Tive o prazer de lá ter estado, como convidado e sócio benemérito da Associação.

Foi uma noite de intensa convivência que contou com a alegria de antigos alunos (alguns vieram propositadamente do Porto ou de Matosinhos) daquele estabelecimento de ensino que existiu em Fafe entre 1959 e 1974 e que formou diversas gerações para prestar serviço no comércio e na indústria não apenas de Fafe mas do norte do país.

A confraternização foi abrilhantada pelo Rancho Folclórico de S. Vicente de Passos, que presenteou os convivas com diversos números do seu reportório, danças e cantares do Baixo Minho.

A presidente da direcção, Aurora Barros, usou da palavra para agradecera presença de todos e enquadrar esta actividade na vida da Associação, que anualmente assinala o aniversário da sua fundação, com um encontro dos antigos professores e alunos, que vai já na vigésima segunda edição. Este ano, o destaque foi para o lançamento do livro “À Descoberta dos Sonhos - Memória Viva” e de mais um número da revista “Labor et Virtus”.

A AAPAEIF é também habitualmente um dos parceiros das Jornadas Literárias que se realizam em Fafe desde 2010 e cujos participantes na edição deste ano foram agraciados neste convívio.
 
A confraternização serviu também para a primeira apresentação pública do grupo de cavaquinhos da colectividade, que evoluiu já em bom nível, com a participação de uma dezena de associados.
É seu ensaiador o jovem Miguel Pimenta.

sábado, 16 de novembro de 2013

Folhas de Outono

 
Cansadas dos dias
Desabam urgentes como um verso
Uma rosa uma lágrima
Que se desprende do olhar
 
Abandonam os ramos
À sua nudez
Enquanto os pássaros rumam
Ao sabor das buganvílias
Em bandos de sonora luz
 
O teu rosto escreverá
A pequenez dos dias
A demorada migração da alegria
E do calor dos corpos
 
Os gatos regressam ao anoitecer
Da casa para serem amados
Em meigas mãos de lã
 
Quase não há sol
Quando as folhas atapetam o chão
Dos teus lábios que soletram
As chuvas que desenham o horizonte
 
(Artur F. Coimbra. Poema publicado em 15 de Novembro no jornal Notícias de Fafe)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

100 anos de Albert Camus


Passou hoje, 7 de Novembro, o centésimo aniversário do nascimento de um dos escritores mais marcantes do século XX, que foi Prémio Nobel da Literatura.
Refiro-me a Albert Camus, nascido na Argélia em 1913 e que morreu num acidente de viação em Janeiro de 1960, quando regressava a Paris com o seu editor.
Licenciado em Filosofia, dedicou-se depois ao jornalismo e à escrita.
Com a invasão da França pelos nazis, na Segunda Guerra Mundial, Camus travou relações com o filósofo existencialista Jean Paul Sartre, e engajou-se na Resistência francesa, escrevendo e depois tornando-se editor do jornal clandestino "Combat". Trabalhou depois no semanário L'Express.
O seu nome subira já nessa altura ao primeiro plano das letras francesas e mundiais.
As suas obras mais famosas são os romances O Estrangeiro, A Peste (uma alegoria da ocupação alemã e da condição humana e que foi traduzido para o português pelo escritor braseiro Graciliano Ramos) e A Queda.
Mas também se destacam os ensaios O Mito de Sísifo e"O Homem Revoltado; ou as peças de teatro Os Justos, Calígula ou o Equívoco.
Em 1957, recebeu a maior honraria literária em reconhecimento da sua obra: o Prémio Nobel da Literatura.
Morreria de acidente três anos depois, com apenas 47 anos.
Apesar de já ter desaparecido há mais de meio século, Albert Camus “é um daqueles escritores que são intemporais pela sua genialidade e actualidade da escrita” (António Souza Pinto, Livros do Brasil).
Por isso ainda é um autor procurado e lido pelos leitores portugueses.
Até porque os temas que explora na sua obra, sobretudo a ideia do absurdo da existência humana, além de terem contribuído fortemente para o enriquecimento da filosofia, são temas de todos os tempos e lugares.
Porventura a sua obra mais famosa é O Estrangeiro. Lançada em 1942, foi traduzida em mais de quarenta línguas e recebeu uma adaptação cinematográfica realizada por Luchino Visconti em 1967.
Faz parte do "ciclo do absurdo" de Camus, trilogia composta por esse romance, pelo ensaio O mito de Sísifo e pela de teatro Calígula que descrevem o aspecto fundamental da sua filosofia : o absurdo.
O Estrangeiro é uma obra que marca a literatura do séc. XX e o pensamento de quem a lê. Decide-se aqui o destino de um homem que matou outro. Por causa do sol. Não há perdão nem arrependimento, só o absurdo!
Um autor a descobrir, por quem não o conhece.
 
É absolutamente intemporal e actual, como acima se refere!...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O “GUIÃO” DE PAULO PORTAS NÃO PASSA DE MANOBRA DE DIVERSÃO



O chamado “guião para a reforma do Estado”, apresentado há dois dias e que Paulo Portas levou 333 dias a parir, não passa de um nado-morto. RIP!
Porque os partidos responsáveis (o PS e o próprio PSD), mais o bom senso político de quem tem alguma réstia de lucidez, vão mandar o inútil desperdício de tempo e de paciência para onde merece: o caixote do lixo!
À média de 1/3 de página por dia, para as 110 “páginas úteis”, dir-se-ia que o “guião” é de uma pobreza franciscana e que não passa de uma colecção de lugares comuns, um chorrilho de banalidades.
Um documento que apenas é feito para justificar os cortes brutais que já foram feitos nos Orçamentos de Estado de 2012, 2013 e no de 2014. Curiosamente, pelo “mero acaso” das legislativas, promete-se aliviar o calvário do sofrimento em 2015… O ano do adeus!...
Um documento perfeitamente inútil e que não passa de uma manobra de diversão para distrair os incautos do bárbaro Orçamento de Estado que foi hoje aprovado no Parlamento apenas pelos seus autores: não vai conseguir sai do papel.
Um documento que não tem em conta o artigo 9º da Constituição, em diversos aspectos, e por isso é inconstitucional, como tem sido timbre de tantas medidas deste governo em permanente situação de fora de lei.
Por isso é extemporâneo. Já deveria ter sido apresentado há pelo menos dois anos, de é que pretendia algum pingo de oportunidade.
Pelas ideias que banaliza, mais parece o programa do CDS para as legislativas de 2015. Não colhe.
Portas diz querer mudar o Estado em seis anos: mas se está a um ano das eleições e se a discussão vai ainda começar com os partidos e os parceiros sociais (os cidadãos que se lixem, eles que depois mandam lixar quem os manda…), Portas quer o quê? Mandar quando já não estiver no governo?
Porque, curiosamente, nem o PSD legitima as ditas “reformas”, que mais não são do que cortes (não “melhorias”) ferozes em tudo o que é Estado Social e sector público da actividade.
Pretende Portas “modernizar” o Estado: mas há alguém que defenda um Estado antigo?
Pretende Portas “renovar” o Estado: mas há alguém que queira um Estado parado no tempo?
Tenha dó da inteligência alheia…
Proclama bagatelas e trivialidades, como grandes reformas. É só cortes, restruturações, fusões, centralizações.
Uma das primeiras “sugestões” é “diminuir o recurso a serviços externos ao Estado, começando pelas funções jurídica e contenciosa”, o chamado recurso sistemático ao “outsourcing”. Mas isso não é reforma nenhuma, é acabar com um escândalo que custa milhões aos contribuintes e que este governo nestes dois anos e meio não se tem cansado de aplicar. Onde está a coragem de acabar com os pareceres pagos principescamente aos escritórios de advogados dos amigos?
O documento não passa de um chorrilho de intenções, que não são para concretizar, de manobras de diversão, de condenação ao cesto dos papéis da história.
No ensino e na saúde, a agenda é a mera e estimulada privatização dos serviços, para engordar os privados. Mas onde se esperava outra coisa, vinda de quem vem?
Na cultura, por exemplo, mais vulgaridades: “melhor acesso à cultura, com o Estado a responder à procura com mais informação, mais parcerias e mais descentralização”. Ou seja, o Estado marimba-se para a cultura. Demite-se da sua missão central e constitucional. Passa a bola para os parceiros e informa os cidadãos. Mas para que raio serve um Estado assim?
Mais um exemplo: a colocação de desempregados. O documento prevê “desafiar a iniciativa privada a ajudar a melhor a colocação de desempregados” Importa-se de repetir? Mas os privados precisam do Estado para lhes ensinar quem devem meter nas suas empresas?
Finalmente, para não ir mais longe: a desburocratização. Sonha o Portas na “massificação do uso dos serviços públicos electrónicos, através da aposta permanente em interfaces simples, intuitivos e seguros”. Mas não saberá sua excelência que tanto aprecia as feiras que, numa população envelhecida, há milhões de portugueses info-excluídos? Até onde vai a fantasia de Paulo Portas?
No DN desta quinta-feira, 31 de Outubro, há um texto imperdível sobre este assunto de André Macedo, director do Dinheiro Vivo.
Chama os bois pelos nomes. Fala de um texto que é “uma loja dos 300”!, de uma “pobreza inacreditável”, uma “salgalhada ignorante, colecção de chavões e banalidades”, feito por “este grupo de estagiários que o país tragicamente elegeu”…
E tantos outros. Vão à net e leiam!