sábado, 31 de dezembro de 2011

Ano novo, sem qualquer esperança!

Estamos a apenas algumas horas de mais um novo ano. Como é de tradição, na noite da passagem de ano, comeremos doze passas, beberemos uma taça de champanhe (pelo menos…) e comporemos a nossa maior esperança em 365 dias de mais felicidade, mais saúde, paz e amor entre os homens.
As doze badaladas de cada 31 de Dezembro constituem, invariavelmente, um momento mágico que teimamos em valorizar, esperando que, daí para a frente, como por sortilégio, os defeitos se tornem virtudes e as tristezas se transmutem em alegrias.
Todavia, este ano será diferente. A maioria dos portugueses não deixará de assinalar da melhor forma o “revéillon”, até para não serem vencidos pela depressão, mas os desejos para 2012 não serão imbuídos da esperança e da utopia que normalmente são apanágio da noite mágica de 31 de Dezembro.
Porque todos sabemos que, descidos à realidade, em 1 de Janeiro, o que nos espera é um país no fundo do buraco, atolado na frustração, no desalento e na desânimo, com tudo o que mexe a aumentar de preço, por decisão do governo serviçal da malfadada “tróica”.
É claro que a propaganda oficial nos fala da urgência de olharmos em frente, de vencermos este momento de desilusão, de nos unirmos em torno de um futuro comum, de confiarmos, para ultrapassarmos a crise.
Curiosamente quem nos acena os hinos do optimismo, do valor que temos, das potencialidades para seguirmos adiante, são os mesmos que não são afectados minimamente pelos cortes orçamentais, seja porque não vivem em Portugal, seja porque auferem ordenados majestáticos blindados a qualquer privação.
Não é esse, seguramente, o estado da nação portuguesa em geral.
Por isso, a passagem de ano não deixa de ser um momento paradoxal, em que a esperança que devia ser cede o lugar ao pessimismo que não pode deixar de se impor, a não ser para os lunáticos sem os pés assentes na terra.
Porque ninguém ignora o que nos espera em 2012, seguramente o ano mais cruel das nossas vidas:
A austeridade mais rigorosa, punitiva e paralisadora da actividade colectiva; o rosário de aumentos nos bens essenciais, por via do agravamento das taxas do IVA, da generalidade dos produtos alimentares às taxas moderadoras nos centros de saúde e nos hospitais, da electricidade às telecomunicações, aos combustíveis, às portagens, à restauração e às rendas de casa; o despudorado roubo nos subsídios de férias e de Natal, associado ao corte drástico nos benefícios fiscais; o acréscimo do desemprego para taxas indecorosas; a falência continuada de empresas e de famílias, como nunca se viu; a consagração dos despedimentos a baixo custo e com a máxima facilidade; o desinvestimento criminoso na educação e na saúde, onde se instalou um ministro cuja sensibilidade “social” é para os números e para os cortes; o desaparecimento de freguesias e de municípios, num ataque ao espírito do poder local e da democracia como nunca se viu desde o 25 de Abril; o aprofundamento da perda do poder de compra dos funcionários e da classe média, para níveis inusitados; o empobrecimento geral da população, em especial dos sectores mais vulneráveis; o inapelável e merecido descrédito da classe política e das elites governamentais; o sentimento de injustiça que não para de germinar na sociedade, devidamente “sancionado” pelas mais altas instâncias do Estado; enfim, e para não alongar, a certeza de que estamos a ser governados de fora, por meio dos homens de mão que a maioria dos eleitores escolheu, como se a nossa soberania nacional estivesse reduzida a zero.
Nestas circunstâncias, o que é que vamos festejar na passagem de ano? Que desejos vamos formular? Vamos beber antes para esquecer?
Eu, que não acredito minimamente no que estou a ver, só quero manifestar uma simples ambição para esta noite: que passemos rapidamente para 2013.
O próximo ano não vai deixar as mínimas saudades, pelas razões referidas e por outras tantas que se poderiam juntar.
Neste miserável cenário, soam a refrigério os desejos do director do jornal La Voz de Galicia, Xosé Luis Vilela Conde, um estrangeiro que escreve: “que não se castiguem mais os cidadãos portugueses com o pagamento de dívidas que eles não contraíram” (JN, de hoje).

Que ao menos haja saúde, fraternidade, espírito de resistência e amizade, que são das poucas coisas que a tróica não controla. Por enquanto!...


1961: um ano maldito para Salazar; um marco fundamental do século XX português


1961 – O ano horrível de Salazar (Temas e Debates/Círculo de Leitores) é o título de um excelente livro do jornalista António Luís Marinho, editado para evocar os 50 anos dos diversos acontecimentos que marcaram o princípio do fim do negregado regime.
A obra abre com um interessante prefácio do sociólogo António Barreto, que sintetiza o seu importante conteúdo:

Este ano de 1961 ficará na história do século XX como um dos marcos mais importantes. Ao lado de 1910 (a República), 1926 (o 28 de Maio), 1974 (o 25 de Abril) ou 1986 (Comunidade Europeia) e poucos mais. Nesse ano, simbolicamente, terminou uma era. Caiu, na Índia, a primeira pedra do último Império Colonial. Começou, em África, um dolorosa guerra. O assalto ao navio Santa Maria e o desvio de um avião da TAP, com sobrevoo de Lisboa e despejo de panfletos, espantaram a opinião internacional. Cresceu o maior fluxo de emigrantes jamais visto, um milhão e meio de portugueses ir-se-ão embora em menos de quinze anos.

1961, no seu fundamental simbolismo: a queda da Índia, a guerra em Angola, a ocupação do Santa Maria, o golpe de Botelho Moniz, o assalto ao quartel de Beja, já no último dia do ano, faz hoje exactamente meio século. É o começo de uma nova era: de crescimento económico, de mudança de costumes, de crescimento da oposição democrática (“Programa para a Democratização da República”), mas também, e contraditoriamente, de endurecimento político do regime.
Em 1961, como bem lembra António Barreto,

ainda o biquini era proibido! As enfermeiras e as hospedeiras não podiam casar! E as professoras, só com autorização do ministro! Ainda era necessário possuir uma licença para utilizar o isqueiro! E as mulheres não podiam, sem autorização dos maridos, ter passaporte nem conta bancária! Era assim que nós vivíamos.

1961 foi um ano capital na mudança do regime: significou o princípio do fim do salazarismo.
Com base na leitura da imprensa da época e da análise dos arquivos da RTP, Luís Marinho deixa-nos um retrato do ano de pior memória para Oliveira Salazar (e para o povo português, sem dúvida…), já em fase terminal de carreira política e que poucos anos depois cairia da célebre cadeira e diria adeus à liderança da ditadura.
Um livro (242 pp.) de leitura sedutora, profusamente ilustrado e com imensa informação sobre aquele ano (cronologicamente, de Janeiro a Dezembro) e o seu enquadramento. Imperdível, para os amantes da História!

PS – Como facto positivo, não se pode esquecer que foi nesse ano, o ano em que Eusébio da Silva Ferreira chegou a Portugal, com apenas 18 anos, que o glorioso Sport Lisboa e Benfica conquistou brilhantemente a sua primeira Taça dos Campeões Europeus (actual Liga dos Campeões)!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

30 anos de amar-te, como se fora hoje!

Há 30 anos que nos casámos, amor, Dezembro despedia-se do ano de 1981, por entre um temporal de má memória, que inviabilizou uma “lua-de-mel” por minúscula que fosse. E não foi… Fafe acabou por ser o destino paradisíaco das nossas esperanças e frustrações daqueles dias iniciais, tão belos e estimulantes!...
Tempo de crise, aquele, como hoje, de escassez, de perspectivas pouco risonhas. Crise de crescimento, seguramente, ao contrário dos nossos dias de chumbo sem remissão. Estávamos ainda na ressaca da gloriosa revolução do 25 de Abril, alfobre de utopias e de sonhos. Que se concretizaram, a grande maioria, para bem do país e de todos nós, por muito que a muitos custe aceitar.
Éramos muito jovens, há três décadas, em que os nossos destinos se cruzaram, para os dias vindouros, como dois corações unidos pela paixão que vem dos começos do mundo, e assim prossegue até ao ómega final.
Era aquele um tempo carente, em que, como todos os jovens da nossa geração, alugávamos um apartamento nos arredores da (então) Vila, para juntarmos os ansiosos trapinhos. Tempo de ir montando o essencial da casa, das mobílias aos electrodomésticos, do quarto à cozinha, naturalmente comprados em suaves prestações, que não deixavam de ser escrupulosamente cumpridas. O resto, viria com o tempo…
Tempo em que não tínhamos automóvel, nem computador, nem telemóvel, bens que hoje diríamos absolutamente identitários para qualquer português que se preze. Apenas velhas máquinas de escrever e arqueológicos gira-discos, em que colocávamos uns LP de vinil, de Demis Roussos, Rolling Stones, Beatles e outros abencerragens que, trinta anos depois, poucos sabem quem são, ou que músicas cantavam.
Só mais tarde, muito mais tarde, a eles acedemos!...
Três décadas são escasso tempo na vida do universo mas muitos anos na vida dos efémeros humanos.
Muitas primaveras floriram, muitos outonos amareleceram, respeitando o devir repetitivo da Natureza.
Neste percurso vital, orgulhamo-nos dos nossos triunfos, das nossas obras de arte, absolutamente singulares, irrepetíveis, luminosas: os nossos filhos queridos, Mónica e João, que são a nossa comum vaidade, e o nosso desvanecimento. O nosso futuro, sem dúvida!
Foi assim há 30 anos, em 27 de Dezembro de 1981
Orgulhamo-nos também da nossa formação académica, adquirida já, em ambos os casos, na nossa vida a dois, enquanto trabalhadores-estudantes; como nos envaidecemos do nosso trabalho, que nos honra, cumula e preenche. Dos meus livros, que me ensoberbecem, naturalmente, mas que se devem também ao teu apoio expresso ou tácito, naquela atitude, tantas vezes, de “viúva de um vivo”, de um “ausente presente”, que só quem conhece esta realidade é capaz de valorizar. O meu reconhecimento é total, amor, pela mulher inacreditável e bela que sempre foste e tens sido!
Orgulhamo-nos dos muitos amigos que fomos tecendo, dos familiares que nos estruturam, do que de positivo fomos construindo ao longo de 30 anos.
Lamentamos profundamente as perdas irreparáveis que fomos registando no diário da nossa vida. Sobretudo, as daqueles que muito amávamos e respeitávamos, que eram (e continuam a ser) parte integrante das nossas existências. A minha avó Emília; a tua mãe Arminda; a minha tia Maria; o teu irmão José Carlos; o meu pai Júlio; a minha mãe Zélia, para a qual rezámos hoje a missa do sétimo dia, perante uma plêiade de amigos que me cumpre enaltecer.
Hoje estamos mais belos, mais maduros
Fomos ficando cada vez mais vazios, mais desertos, mais pobres, com o desaparecimento dos nossos ente-queridos, que para nós são sempre eternos, imortais, imperecíveis, enquanto tivermos coração e memória!
30 anos são 360 meses. Neste intervalo, somam-se muitas mortes e muitas vidas; muitos êxitos e outros fracassos; muita sementeira e muita colheita; gente que partiu e gente que regressou; vidas que foram e vidas que nasceram. Maios que se repetiram e Dezembros que teimaram em desfazer-se.
É a vida. Foi a vida. A vida será.
Com altos, com baixos; com rosas e com cravos, como é próprio da existência concreta.
Há 30 anos, não éramos nada do que somos hoje. Hoje não somos nada do que éramos há 30 anos.
A foto mais recente do par que somos
O casamento é uma maratona, não é uma corrida de 100 metros. É uma prova dura e auspiciosa de resistência, de obstáculos diariamente superados. Com muito afecto, muito espírito de sacrifício, imensa disponibilidade e capacidade de tolerância, que são qualidades raras nos dias que correm.
30 anos depois, resta o nosso amor, a nossa paixão, um quotidiano vivido intensamente a dois como se não tivesse havido ontem e como se só o amanhã fosse uma realidade incontornável!
Da minha parte, te confesso a paixão da minha vida. Que sei ser correspondida; disso não tenho dúvidas.
Amamo-nos hoje, como no dia inicial, inteiro e limpo de há 30 anos! Ou talvez mais maduramente. Logo, profundamente!...

J. C. Vieira de Castro (2ª edição) apresentada a 2 de Janeiro na Biblioteca Municipal de Fafe

A excelente obra biográfica J. C. Vieira de Castro, tese de licenciatura do malogrado fafense Álvaro Fernando Moniz Rebelo, que há muito se encontrava esgotada, acaba de ser reeditada pela Câmara Municipal de Fafe e vai ser apresentada ao público na noite da próxima segunda-feira, 2 de Janeiro, a partir das 21h30.
A apresentação está a cargo de Artur Ferreira Coimbra, autor da introdução da obra, com o texto “Conhecer José Cardoso Vieira de Castro”.
Com 336 páginas, a obra teve a sua primeira edição organizada e apresentada pelo escritor e investigador camiliano José Viale Moutinho, em 1993, quase há duas décadas.
Documento fundamental para a compreensão da vida e obra de José Cardoso Vieira de Castro, antigo proprietário da Quinta do Ermo, em Paços, neste concelho e que acabou por constituir-se o maior amigo e confidente do romancista Camilo Castelo Branco, a obra inclui o percurso biográfico, académico, político e trágico de Vieira de Castro, que ficou conhecido para a história, não pela sua brilhante oratória e pelos seus assinaláveis dotes literários e intelectuais, mas como o assassino que estrangulou a jovem esposa, Claudina Adelaide Guimarães, num acesso de ciúmes.
A colaboração de Viale Moutinho concretizou-se na adição de diversos documentos importantes para o entendimento da vida e da tragédia de Vieira de Castro, entre os quais as cartas trocadas com Camilo Castelo Branco, uma intervenção parlamentar em 1866 sobre um projecto de lei relativo à liberdade de imprensa e (fundamentalmente) o longo processo e julgamento de José Cardoso pelo homicídio voluntário na pessoa da sua esposa.
Porquê a apresentação da obra a 2 de Janeiro?
Exactamente porque nesse dia de 1838, quando se perfazem 174 anos, nascia no Porto José Cardoso Vieira de Castro, filho do desembargador fafense Luís Lopes Vieira de Castro, da Casa do Ermo.
Fernando Moniz Rebelo destaca que José Cardoso, que viveu apenas 34 anos, teve uma existência muito breve, mas intensamente vivida. Se me é permitido o paradoxo, dir-se-ia que Vieira de Castro vivendo pouco, viveu muito (…) Vieira de Castro ou era rodeado de amor ou de ódio.
Foi irreverente estudante de Direito na Universidade de Coimbra, vereador e vice-presidente da Câmara de Fafe (era-o quando foi aberta a primeira ala do Hospital, em 1863), deputado no Parlamento, em 1865/66, eloquente orador, autor de diversas obras que deram brado na época, amigo de notáveis escritores seus contemporâneos, político ambicioso e inteligente, acabando por assassinar a esposa (1870) e passar para a posteridade como criminoso célebre. Condenado a 10 anos de degredo, pena posteriormente agravada, partiu para Angola no ano seguinte e acabou por falecer em 5 de Outubro de 1872, com apenas 34 anos de idade, vítima de malária.
É sobre todos estes aspectos que se debruça a interessante obra de Fernando Moniz Rebelo, cuja segunda edição conta com a importante colaboração das firmas BP e de J. M. Moniz Rebelo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

THE GIFT vêm ao Teatro-Cinema de Fafe gravar um DVD em 27 de Janeiro de 2012


Digressão Primavera e Explode – mil cores possíveis

A programação do Teatro-Cinema de Fafe para o mês de Janeiro tem como cabeça de cartaz a conhecida banda THE GIFT, que aqui vem dar um concerto e gravar um DVD, na sexta-feira, 27, o qual será também objecto de gravação para a televisão.
A mítica sala de espectáculos fafense começa a entrar no roteiro das grandes salas de espectáculos do país, onde os grupos de referência querem vir gravar (vidé, UHF, em Novembro passado).
Contudo, a programação arranca na noite de 7 de Janeiro, sábado, com um recital de piano do jovem fafense José Dias.
Voltemos aos The Gift, uma banda portuguesa, de Alcobaça, formada em 1994. No seu reportório estão temas como Ok! Do you Want Something Simple? (1998), Driving You Slow (2004) e Fácil de Entender (2006).
Editou os álbuns Digital Atmosphere (1997), Vinyl (1998), Film (2001), AM-FM (2004) e Explode (2011). Ao vivo, editou em 2006 o álbum Fácil de Entender.
Os The Gift anunciam uma digressão de dois meses em Portugal e Espanha onde apresentarão temas novos. A digressão chama “Primavera/Explode – Mil cores possíveis”. Baseado em temas novos gravados recentemente numa jornada de 10 dias no Centro Cultural de Belém e os mais recentes do último disco Explode, esta digressão apresentará os The Gift nas principais salas nacionais e espanholas.
Relembremos: 13 e 14 de Janeiro, Alcobaça; 18 e 19 de Janeiro, Madrid, Espanha; 20 de Janeiro, Barcelona, Espanha; 26 de Janeiro, Porto – Casa da Música  e 27 de Janeiro, Fafe – Teatro Cinema.
Seguem-se Aveiro e Santiago de Compostela (2 de Fevereiro).
Depois desta digressão, a banda estará parada durante alguns meses, dado que a vocalista Sónia Tavares dará à luz o seu primeiro filho.

O espectáculo é dividido em duas partes:

Primeira Parte – Canções inspiradas na Primavera, escritas no Verão, gravadas no Outono para serem ouvidas em pleno Inverno...
Era isto. Canções simples, inspiradas em melodias que a mão direita insistia tocar no piano. A mão esquerda segurava o banco ou o copo de água fria que combatia o calor de fora ou pegava na filha que ainda bébé inspirava a mão direita... Esquerda, Direita. Harmonia. Melodia... Coisas simples que ditas de uma forma ainda mais simples se possam traduzir de várias maneiras. Cada um tem a sua Primavera. Um sitio onde se descobrem segredos, ínfimas histórias de cada um de nós. Primavera é um hino ao nosso. Apenas e só nosso, coisas nossas, suas. Canções que sempre aqui estiveram a percorrer as minhas duas mãos. Direita, Esquerda. 14 mãos. Sete pessoas, sete historias de vida, sete personalidades artísticas. Primavera é junção. Vozes. Uma só voz, calma, sussurrada, descontraída, naturalmente emotiva. Primavera é cantada ao ouvido. Em palco Primavera e Explode são mil cores possíveis, a historia é a nossa. Posso contudo adiantar que depois deste palco será também vossa. (nuno gonçalves)

Segunda Parte – Revisita-se o último grande disco dos The Gift. Explosão de cores, dança, festa, intensidade.

Músicos:
Sónia Tavares
Nuno Gonçalves
Miguel Ribeiro
John Gonçalves
Mário Barreiros
Israel Pereira
Paulo Praça

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal em Dor Maior!

Porque é que me abandonaste, mãe, assim de repente, sem um sinal, um aceno, uma emoção, uma última palavra de despedida?
Como posso perdoar-te uma partida assim, súbita, radical, definitiva, absurdamente pungente, deixando-me inusitadamente mais pobre, mais vazio, como uma primavera sem andorinhas?
Porque é que me deixaste com uma dor tão funda no coração, uma noite escura de breu a toldar-me a alma, que não sei mesmo como ultrapassar?
Porque não me avisaste, mãe, que estavas cansada deste mundo, que te era insuportável a solidão, que desististe da vida desde que a tua paixão, o meu pai, partiu para as estrelas, há dois anos?
Porque é que tinhas de te juntar ao pai para passarem o Natal no reino da luz, exactamente nestes dias, sem a presença dos que tanto amavas, os teus filhos, netos, nora e genro?
Que vai ser de mim, minha mãe, que eras o meu farol, a minha referência incontornável dos bons e dos maus momentos, mesmo quando não concordava contigo, mesmo quando achavas que eu não tinha razão?
Que vai ser do meu futuro sem a tua alegria, os teus telefonemas a perguntar como vão as coisas, as tuas vindas à feira semanal, primeiro da vila e depois da cidade, mais para espairecer do que por necessidade?!...
Como vou conseguir suportar a tua intransponível ausência quando for a Serafão, revisitar as raízes da infância, que é o único verdadeiro lugar da felicidade? A casa estará vazia de ti, do teu olhar verde de imensidão, das tuas palavras quentes e boas, do teu bolo de milho, dos teus cozinhados, com o sabor singular que sabias emprestar-lhe. Da tua bondade, das tuas zangas amistosas com o Tico, o fiel companheiro das tuas jornadas, que ontem estava anormalmente triste, cabisbaixo, adivinhando o triste desenlace.
É frase feita considerar que os nossos pais são imortais, eternos, imperecíveis, que para nós jamais envelhecem, perpetuando uma juventude de santidade, seja qualquer for a sua idade ou saúde.
Perdê-los é descer à dor maior, mais lancinante, cruciante, atroz.
Mas as generalidades são supérfluas. O que dói, e fundamente, são as especificidades.
Dói-me a mãe que me acompanhou ao longo dos 55 anos que levo de vida e da qual nunca me separei, afectivamente.
Levou-me ao baptismo, à comunhão, à escola, à universidade, ao casamento, ao baptismo dos meus filhos. Esteve sempre presente nos momentos estruturantes da minha formação. Educou-me, com disciplina, respeito e sentido da responsabilidade, enquanto o meu pai mourejava por terras de França. Conduziu a minha infância e juventude, com muito amor e com a aplicação dos necessários correctivos, quando as minhas traquinices descambavam para a asneira, ou para as brincadeiras de mau gosto. Nunca lhe levei a mal as tareias que me dava quando as merecia, pois fizeram parte do meu crescimento.
Nos verdes anos, ajudava-a a amanhar as terras, levantava-me no Verão, sob sua rigorosa insistência, às cinco horas da manhã para regar os campos, ajudava a malhar o centeio, a plantar as batatas, a podar, a sulfatar e a vindimar. No tempo em que fabricar a terra era fundamental para a subsistência das famílias.
Fazíamos parte integrante do ciclo agrário, sobretudo ela e eu. Agradeço-lhe ter-me feito um homem de trabalho, disciplinado, que em cada tarefa que faz dá o melhor que pode e sabe, como penso já ter demonstrado à saciedade.
Mãe, porque me fizeste esta desfeita de nunca mais te ver, a não ser pelos olhos ternos do coração e da memória?!...
Já não tenho lágrimas para expressar a dor que me rebenta as entranhas à procura do teu rosto, da tua voz, da tua identidade de tanto amar a família!...
Que bom foi ser teu filho, mãe. Ter tido o privilégio de te ter amado durante os anos em que aqui andaste a meu lado!...
Que saudades me roem já o coração, meu Deus, dois dias apenas de me teres deixado!...
Como vou conseguir superar a tua perda irreparável, mãe? Como?
Como tiveste a coragem de me deixar sem ti, nestas condições, nestes dias, minha mãe eternamente adorada?
Até sempre, mãe! Dá um grande beijo por mim ao pai, a quem seguramente já encontraste, pois o amor vos unia profundamente e a crença na vida para além da vida!
Que sejam felizes, novamente!

PS – A minha amada mãe, Zélia Vieira Ferreira, faleceu subitamente na noite de 23 de Dezembro, aos 76 anos, indo ontem a sepultar no cemitério paroquial de Serafão, perante uma imensidão de amigos.
A todos quero agradecer a presença, que mitiga de alguma forma a imensa dor que atormenta a família mais próxima.
A missa do 7º dia é na próxima quinta-feira, pelas 19h00, na Igreja de Serafão.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

27º Encontro de Cantadores de Reis de Fafe realiza-se em 8 de Janeiro de 2012

O Grupo Coral de Armil venceu a edição deste ano de 2011
A Câmara Municipal de Fafe, através do seu pelouro da cultura, está a organizar mais uma edição do tradicional Encontro de Cantadores de Reis, em 27ª edição.
O evento tem lugar no domingo, 8 de Janeiro de 2012, no Pavilhão Multiusos, a partir das 14h30.
A alteração em relação aos anos anteriores, está no facto de o júri voltar à fórmula antiga, sendo constituído por três personalidades idóneas a indigitar pela autarquia e que avaliem os trajes, as letras e as interpretações.
As associações interessadas em participar podem inscrever-se até ao próximo dia 28 de Dezembro. Aqui fica o respectivo

REGULAMENTO

1 – A Câmara Municipal de Fafe, através do seu Pelouro da Cultura, organiza o XXVII Encontro de Cantadores de Reis do Concelho visando reviver a tradição e estimular a defesa do património cultural que são os cantadores de reis, promovendo a sua recolha e recriação.
O objectivo final da iniciativa é, como tem sido salientado, a apresentação das reisadas nas suas formas mais genuínas e autênticas, concretizadas na antiguidade dos cantares, na riqueza dos trajes e na adequação dos instrumentos.

2 – O XXVII Encontro realizar-se-á no dia 08 de Janeiro de 2012 (Domingo), às 14.30 horas, no Pavilhão Multiusos.

3 – As inscrições decorrem até ao dia 28 de Dezembro 11, na Casa Municipal de Cultura.

4 – Podem participar grupos de cantadores de reis ligados a associações e colectividades do concelho, que se deverão fazer acompanhar por trajes e instrumentos musicais adequados.

§ 1 – Uma vez mais se chama a atenção para o facto de não poderem participar colectividades que não estejam legalizadas ou que não possam apresentar documento legal de despesa, bem como as certidões de finanças e segurança social.
§ 2 – É terminantemente proibido que os mesmos músicos ou cantadores participem em grupos diferentes da mesma ou de outra freguesia, sob pena de exclusão dos dois grupos.

5 – Os grupos participantes devem fazer entrega de um exemplar da letra e da música a apresentar, até dez dias antes do Encontro, indicando, e sempre que possível, a data e local onde foi feita a respectiva recolha.

6 – A actuação de cada grupo participante não poderá exceder o tempo de cinco minutos, sob pena de eliminação.

7 – A apresentação dos grupos participantes, no dia do Encontro, far-se-á segundo a ordem da respectiva inscrição, salvo casos de alteração resultantes de acordo entre os grupos.

8 – Todos os grupos participantes têm o direito a um Prémio de Presença, no valor de 150 €.

9 – São premiados os tês primeiros classificados com montantes de 125 €, 100 € e 75 €, respectivamente.

10 – Para efeitos de eleição dos três primeiros classificados, o Júri será constituído por três personalidades idóneas a indigitar pela Câmara Municipal de Fafe.

11 – Os casos omissos serão resolvidos pela Organização.

“Trabalhadores do Comércio” apresentam Livro e CD "Das Turmêntas Hà Boua Isperansa": estivemos lá


Ao final da tarde de segunda-feira, 19 de Dezembro, no Café Lounge Casal, no Porto, foi feita a apresentação de Das Turmêntas Hà Boua Isperansa, o novo álbum da banda portuense “Trabalhadores do Comércio”, que inclui um divertido livro autobiográfico e um CD de originais. Seguiu-se uma apresentação musical do grupo que continua a cantar o Puorto no que tem de mais castiço, com a presença de vários convidados. As televisões estiveram em peso, bem como outra comunicação social.
A criativa capa do livro
Estive lá, a convite do “manager” Pedro Barros, assim como o nosso fotógrafo Manuel Meira Correia, que tem uma foto sua exactamente no livro agora publicado. Parabéns! Dei um abraço ao líder da banda, Sérgio Castro (e a outros elementos) e ouvi algumas canções que me encheram as medidas.
Eu próprio (concentradíssimo) e o Pedro Barros
O novo álbum vai ser apresentado no Rivoli no final de Janeiro, ao que anunciou o Pedro Barros. Um grande êxito em perspectiva!
Os “Trabalhadores” comemoram 32 anos do projecto laboratorial (Dezembro de 1979); 31 anos da criação da banda e publicação do seu primeiro disco de vinil (Maio de 1980); 25 anos da edição de "Mais Um Membro P'ra Europa" — o álbum da polémica e visionária capa.
Relembremos que em 2010, estiveram em Fafe num grande concerto no Teatro-Cinema.
Regressam os utópicos de “Chamem a polícia, que eu num pago”, cada vez mais maduros, experientes e interessantes.
Um grande abraço para eles.
Aqui ficam mais algumas fotos do Nelo Meira.








segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fafense Conceição Antunes reapresentou o seu romance de estreia na FNAC Guimarães

Na tarde de sábado, a fafense Conceição Antunes voltou a apresentar a sua excelente obra de estreia, A que cheiram as giestas, desta feita na FNAC de Guimarães.
A obra havia sido apresentada, em primeira mão, na Biblioteca Municipal de Fafe, em 15 de Outubro.
Desta feita, esteve também presente a editora Sandra Macedo, da “Cão que lê”, que voltou a falar da obra, que inseriu na linha da literatura feminina nacional e internacional.
A que cheiram as giestas voltou a ser apresentada pelo amigo e confrade Carlos Afonso, que teceu palavras sinceras e justas para a obra, de grande interesse, de Conceição Carvalho, que conhecíamos como “Cloé”, na sua vertente artística, tendo participado em diversas exposições de artes plásticas na Casa Municipal de Cultura.
Não pude estar presente, por afazeres vários, o que lamento.
Louvo e enalteço a iniciativa e felicito vivamente a autora e amiga!
Aqui ficam imagens da sessão, da autoria de Manuel Meira Correia, como sempre. Muito grato lhe fico.








domingo, 18 de dezembro de 2011

XX Encontro de Coros de Música de Natal: 15 grupos, 30 cânticos

A 20ª edição do Encontro de Coros de Música de Natal que o pelouro da cultura da Câmara Municipal de Fafe organiza, e é já uma tradição natalícia, realizou-se na noite deste sábado, 17 de Dezembro, no Pavilhão Multiusos, que, apesar do frio, registou a assistência de centenas de pessoas, incluindo os componentes dos grupos participantes.

Também marcaram presença no evento o Presidente da Câmara, José Ribeiro e o Vereador da Cultura e Desporto, Pompeu Martins, que se mostraram agradados com o evoluir do encontro.

Ao longo de mais de duas horas, desfilaram pelo palco 15 grupos corais ligados a colectividades e a paróquias de todo o espaço concelhio.

Com dois cânticos cada, e regidos pelos respectivos directores artísticos, sucederam-se, por esta ordem, os grupos Orfeão de Ribeiros, Grupo Coral Juvenil de Golães, Grupo Coral de Armil, Grupo Coral Cultural e Recreativo de Medelo, Grupo Coral de Santa Maria de Várzea Cova, Coral de Antime, Grupo Coral do Sagrado Coração de Jesus da Paróquia de Fafe, Grupo Coral e Paroquial de Estorãos, Grupo Coral de Quinchães, Grupo Coral de Fornelos, Grupo Coral de Santa Maria de Ribeiros, Grupo Coral de Moreira do Rei, Coral “Santa Eulália”, da Paróquia de Fafe, Grupo Coral de S. Gens e Coral Santo Condestável, que fechou com "chave de ouro" a noite de sábado.

Mais uma vez ficou demonstrada a qualidade vocal de tantos fafenses de todas as idades organizados em torno dos corais, a preocupação pela sua apresentação uniformizada, a harmonia e o trabalho de direcção dos respectivos maestros, numa grande lição de como o povo sabe cantar e louvar o espírito desta quadra e dos seus valores e mitologias.

As fotos anexas são, mais uma vez, do grande fotógrafo Manuel Meira Correia, amável colaborador deste blogue.














 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

1961: Há 50 anos começou a devastadora Guerra Colonial em África


Oportunamente haveremos de fazer a história dos combatentes de Fafe!

Escrevemos já que há 50 anos, a partir de 1961, se intensificou a emigração para França, que continuaria nos anos imediatos, a maioria clandestinamente, “a salto”, como então se dizia. Já eu nessa altura, em plena infância, era filho de um emigrante.
Para fugir à miséria e à escravidão a que Salazar tinha votado criminosamente o país. Mas também para escapar à guerra colonial, que se iniciou em Fevereiro de 1961, em Angola e depois se haveria de estender a Moçambique e à Guiné-Bissau, sobretudo.
Ao longo de 13 anos, foram muitos milhares os jovens na flor da idade que embarcaram para servir de “carne para canhão” ao serviço de desígnios políticos que nada diziam à imensa maioria dos mancebos recrutados na pobreza e na ignorância.
Dessas campanhas no então Ultramar, resultaram milhares de mortos, feridos e estropiados. Ainda hoje há inúmeros ex-combatentes por todo o país que sofrem as consequências da guerra, nos traumas e feridas psicológicas que teimam em cicatrizar.
Ao longo dos últimos anos, tem saído imensa literatura sobre a Guerra Colonial, desde romances (António Lobo Antunes, Lídia Jorge, João de Melo, José Manuel Mendes e tantos outros) e poemas (Manuel Alegre é o maior poeta da guerra) à memorialística dos soldados que nela participaram em diferentes momentos e em cenários diversos.
Também têm sido publicados incontáveis ensaios e estudos de investigação sobre um tema que ainda arde e dói na alma portuguesa. Sobretudo neste ano em que começa a evocação do cinquentenário da deflagração do conflito armado.
Aqui fica a indicação de algumas das obras sobre a Guerra Colonial em África, de diferentes autores e perspectivas, coincidentes em retratar os 13 anos mais decisivos para a queda do regime fascista, em 25 de Abril de 1974. São apenas algumas obras do meu espólio particular sobre uma guerra em que fatalmente iria atolar-me, não fora a bendita acção dos "capitães de Abril".
Haveremos de falar (aqui ou em outro local) de alguns dos combatentes fafenses no teatro de guerra africano entre 1961 e 1974 e fazer um pouco da história da participação dos nossos conterrâneos no conflito que ainda hoje não está completamente pacificado na sociedade portuguesa.







segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

XX Encontro de Coros de Música de Natal este sábado no Multiusos de Fafe

O tradicional Encontro de Coros de Música de Natal que o pelouro da cultura da Câmara Municipal de Fafe organiza e vai já na sua 20ª edição, tem lugar na noite (21h00) do próximo sábado, 17 de Dezembro, no Pavilhão Multiusos, que deverá repetir a enchente de anos anteriores. A entrada é livre.
Este ano o certame conta com a participação de 15 grupos corais ligados a colectividades e a paróquias de todo o espaço concelhio.
Participam no XX do Encontro de Coros de Música de Natal, por esta ordem, os grupos: Orfeão de Ribeiros, Grupo Coral Juvenil de Golães, Grupo Coral de Armil, Grupo Coral Cultural e Recreativo de Medelo, Grupo Coral de Santa Maria de Várzea Cova, Coral de Antime, Grupo Coral do Sagrado Coração de Jesus da Paróquia de Fafe, Grupo Coral e Paroquial de Estorãos, Grupo Coral de Quinchães, Grupo Coral de Fornelos, Grupo Coral de Santa Maria de Ribeiros, Grupo Coral de Moreira do Rei, Coral “Santa Eulália”, da Paróquia de Fafe, Grupo Coral de S. Gens e Coral Santo Condestável.
Cada grupo vai interpretar duas composições com temas alusivos à quadra natalícia, sob a direcção dos respectivos directores artísticos.
Ao longo de mais de uma hora e meia, vão desfilar pelos ouvidos dos espectadores temas como “Avé Maria”, “Linda Noite”, “É Natal, Cristo nasceu”, “Gloria in excelsis Deo”, “Correi, Pastorinhos”, “Natal, Natal” ou “Na fria Lapinha”, entre muitas outras melodias, que a tradição consagrou.

Fotos: Manuel Meira Correia (arquivo)