sábado, 30 de junho de 2012

Viagem pelos Monumentos da cidade de Fafe (VI)

MONUMENTO AO EMPRESÁRIO
Da autoria do escultor Carlos Costa, o belíssimo e imponente Monumento ao Empresário foi inaugurado em 27 de Maio de 2000, pelo Secretário de Estado do Comércio, Osvaldo de Castro, no quadro das comemorações do 80º aniversário da Associação Comercial e Industrial de Fafe, Cabeceiras e Celorico de Basto.
Localizado na rotunda de Cavadas, o monumento foi financiado pela Câmara Municipal e o seu custo rondou, na altura, os 38 mil contos (190 000 euros).
O Monumento ao Empresário pretende homenagear os agentes económicos, os industriais e comerciantes que ao, longo dos anos, têm contribuído para o desenvolvimento do concelho. As colunas verticais apelam ao equilíbrio entre a produção e as vendas, enquanto a esfera armilar, no topo, simboliza a importação e a exportação dos produtos e a presença dos empresários no mundo. O lago circular personifica o mundo aberto sem fronteiras, numa leal concorrência de mercado, ideia amparada e abraçada, no monumento, pelos elementos simbólicos do empresário e da empresária. A calçada em pedra solta (granito da região), representa o percurso da vida empresarial.

Viagem pelos Monumentos da cidade de Fafe (V)

MONUMENTO AO 25 DE ABRIL
Para tornar as entradas da cidade mais aprazíveis e preenchendo uma lacuna que se fazia sentir desde a abertura ao trânsito da nova via IC5, em meados de 1998, a Câmara deliberou, nesse ano, edificar monumentos em cada uma das três rotundas localizadas nas principais entradas da cidade, organizando um concurso de ideias para a respectiva idealização. Desde logo ficou definido que os monumentos seriam constituídos por elementos escultóricos alusivos ao 25 de Abril (rotunda da Rua Cidade de Guimarães), ao Empresário (rotunda de Cavadas) e ao futuro (rotunda de Fornelos).
O primeiro a avançar foi o Monumento ao 25 de Abril, a propósito dos 25 anos daquela histórica data. Desenhado por Álvaro Oliveira Aguiar, ex-funcionário da autarquia e conceituado artista plástico, visa perpetuar nesta terra o exemplo maior do desenvolvimento, da modernidade e da melhoria das condições de vida que o regime democrático trouxe ao país em geral e ao concelho em particular.
O monumento comemorativo do 25º aniversário do 25 de Abril, data histórica que pretende homenagear, tem como epicentro a estilização de um cravo, em granito rosa, sugerindo pétalas abertas daquela flor, no topo de um conjunto de blocos formando um tronco, com rotação, indiciando nós. Em redor desse elemento central, implantam-se 25 pórticos, em tubo quadrado oxidado, que figuram os anos correspondentes aos decorridos entre 1974 e 1999.
A inauguração do hino à Liberdade, e à Democracia, ocorreu no dia 25 de Abril de 1999.

Nota: As fotos desta série de artigos são do colaborador deste blogue Manuel Meira Correia


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Viagem pelos Monumentos da cidade de Fafe (IV)

- MONUMENTO AO MÚSICO

É um dos monumentos menos conhecidos da cidade de Fafe, talvez pela sua localização periférica, que não pelo seu simbolismo.
Tal como o monumento que homenageia os Bombeiros, é também da autoria de António Santana, na altura técnico municipal, o projecto do Monumento ao Músico, implantado na Rua David Mourão Ferreira (ao lado da antiga Fábrica Alvorada).
A proposta da sua edificação tem a assinatura do então vereador Artur Coimbra (moi-même) que, em 20 de Outubro de 1982, há três décadas já, propôs que a Câmara deliberasse promover a construção, em local da Vila a estudar, do Monumento ao Músico, no sentido de, simbolicamente, perenizar tantos homens que, desinteressadamente, se dedicam, com talento e arte, à divulgação da música, ao mesmo tempo que são ‘mensageiros de Fafe’ e do seu concelho, para cujo engrandecimento e promoção muito têm contribuído.
Foi levantado naquele local nos anos 90 do século passado.
Representando um diapasão estilizado, o monumento pretende homenagear, simbolicamente, as conceituadas Bandas de Música de Golães e de Revelhe e, genericamente, todos quantos se dedicam à arte musical no concelho, nos grupos corais ou nos folclóricos, nos grupos de rock ou de música popular, nas tunas ou nos grupos de música ligeira.
E Fafe é, na verdade, uma terra de música, de músicos e de cultura, em termos gerais!..

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Festas do Concelho de Fafe marcadas por algumas novidades e pelos Expensive Soul

A realização da Feira das Coisas, Petiscos Associativos e Jardim Encantado da Fantasia, são as principais novidades das Festas do Concelho em honra de Nª Senhora de Antime que se realizam de 5 a 8 de Julho, e que incluem ainda as Festas do Concelho Gastronómicas, com a participação de 12 restaurantes de Fafe. O grande concerto de sábado à noite traz a Fafe os Expensive Soul.
O programa foi apresentado esta quarta-feira em conferência de imprensa, no auditório da Biblioteca Municipal.
“Temos um programa digno e à altura da solenidade e da tradição das festas do concelho”. Foi assim que o Presidente da Naturfafe, Vítor Moreira, começou por apresentar as festas deste ano.
Vítor Moreira realçou o carácter solene das festividades e lembrou mais uma vez o sacrifício da autarquia em assumir, através da Naturfafe, as festas do concelho, num ano em que, mais do que nunca, é necessário muita contenção nas despesas. Ficou assumido que haverá uma redução orçamental de 10% em relação ao ano passado. “Não podemos gastar mais de 120.000 euros” – disse.
A Feira das Coisas mereceu um destaque especial, com a “esperança de que corra pelo melhor. A nossa intenção é manter este certame uma vez por mês, facilitando aos nossos pequenos agricultores colocar os seus produtos à venda directamente aos consumidores, assim como a possibilidade de outros interessados colocarem em exposição as suas velharias, trocando-as ou vendendo-as como se tratasse de um mercado livre. Esta é a nossa ideia, mas vamos ver como corre”.
Outra aposta é nos “Petiscos Associativos” que vão permitir às associações do concelho a possibilidade de angariar fundos para as suas atividades. “Este ano é para experimentar e convidamos 7 associações do concelho. Se correr bem, vamos alargar o evento para o próximo ano a mais associações” – disse o presidente da Naturfafe. Neste espaço, sempre que for necessário, haverá música e actuações ao vivo.
Uma outra referência e novidade é o programa estabelecido para o sábado à tarde no Jardim do Calvário. Trata-se do Jardim Encantado da Fantasia que vai levar àquele espaço um mundo mágico com a presença de estátuas vivas de personagens da nossa imaginação (Príncipe, Branca de Neve e os sete anões, Peter Pan, Sininho, etc), interligadas com a leitura de poesia e a música ao vivo.
Destaque para o dia 08 com o concerto Musical pelo Grupo “Expensive Soul & Jaguar Band”, o espetáculo de pirotecnia “Águas Dançantes”, um verdadeiro hino à imaginação e graciosidade. De igual modo, destaque para a XVIII Mostra de Folclore de Fafe, vai que vai decorrer na Praça 25 de Abril.
Como habitualmente, decorrerá na Igreja Nova o Encontro de Coros, nas noites de sexta-feira e sábado.
Mas o grande momento das festas é sem dúvida a procissão de Nª. Sª. de Antime, no domingo, dia 08, que continua a atrair muitas dezenas de milhares de fiéis provenientes de todo o país e a verdadeira essência das festas.
A actuação das Bandas de Golães e Revelhe (em despique) e este ano, mais uma vez, a Marcha Luminosa, com centenas de figurantes e cerca de uma dezena de carros alegóricos, antecedidos de uma grandiosa sessão de fogo de artifício que encerrarão as festas são outros momentos de destaque.
De relevar igualmente o evento “Festas do Concelho Gastronómicas”.
Segundo Sílvia Fernandes, “o certame visa a promoção da gastronomia tradicional do Concelho e muito particularmente a divulgação do assado regional de vitela; anho e cabrito, prato festivo habitualmente consumido nas Festas do Concelho”.

Programa das Festas

05 de Julho - Quinta-feira 

20H30 - Inauguração dos “Petiscos Associativos” na Prç. Mártires do Fascismo
22H00 - Atuação do grupo Di Matt Band

6 de Julho - Sexta-feira

Festas do Concelho Gastronómicas - 6, 7 e 8 de julho
20H30 - Abertura dos Petiscos Associativos
21H30 - Encontro de Coros (Igreja Nova)
22H00 - Espectáculo com o grupo Los Mariachis  (Prç. Mártires do Fascismo)
23H00 - Espectáculo Musical com Uxukalhos + DJ Peter F  e DJ Local (Praça Mártires do Fascismo)
00H00 - Fados de Coimbra Trovas do Minho (Teatro-Cinema)

7 de Julho - Sábado

08H30/12H30 - Feira das Coisas (Rua António Saldanha)
10H00 - Torneio Street Basquete Cidade de Fafe (Torre do Relógio)
10H00 - Animação de rua - Estátuas Vivas e música ao vivo pela  Cidade
14H00 - Grande Prémio Ciclismo do Minho
14H30 - Abertura dos Petiscos Associativos
15H00 - XII Passeio de Cicloturismo U.D.A.R. de Quinchães
15H00- Jardim Encantado da Fantasia – Estátuas Vivas,  concertos musicais e declamação de Poesia - Jardim do Calvário
21H00 - Desfile dos ranchos participantes na Mostra de Folclore (Centro da Cidade)
21H30 - Encontro de Coros (Igreja Nova)
21H30 - Mostra de Folclore de Fafe (Praça 25 de Abril)
22H00 - Espetáculo com o grupo “Expensive Soul & Jaguar Band” (Praça Mártires do Fascismo)
24H00 - Águas Dançantes– Espectáculo de água, música, luz e pirotecnia (Av. 5 de Outubro)
00H30/01H30 - The konnectors e Marcio aka Dj Bat (Prç. Mártires do Fascismo)

8 de Julho - Domingo

08H30 - Missa Solene na Igreja Paroquial de Antime
10H00/19H00 - Animação de rua com Estátuas Vivas
10H00 - Abertura dos Petiscos Associativos
10H00 - Procissão de Nossa Senhora das Dores (Saída de Fafe em direcção a Antime)
10H00 - Procissão de Nossa Senhora da Misericórdia (Saída de Antime em direcção a Fafe)
10H30 - Encontro das duas procissões na Ponte de S. José.
11H30 - Chegada da Procissão à Câmara Municipal (Largada de Pombos – Sessão de Fogo)
12H00 - Chegada da Procissão à Igreja Nova (Missa Solene)
15H00/19H00 - Concerto das Bandas Filarmónicas de Golães e Revelhe (centro da cidade)
18H00 - Regresso da Procissão de Nossa Senhora da Misericórdia (Saída da Igreja Nova em direcção a Antime)
18H30 - Cerimónia do Adeus -  Horto
21H00 - Concerto das Bandas Filarmónicas de Golães e Revelhe (Centro Cidade)
23H00 - Fogo de Artifício - Centro da Cidade
23H15 - Marcha Luminosa

Fonte: Naturfafe


Viagem pelos Monumentos da Cidade de Fafe (III)

MONUMENTO AO BOMBEIRO - FÉNIX RENASCIDA
A construção do Monumento ao Bombeiro foi aprovada pela Câmara Municipal de Fafe em reunião realizada em 6 de Outubro de 1982, sob proposta do então Vereador e Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe, Prof. Humberto Gonçalves. Com aquela iniciativa, pretende-se prestar dessa forma marcante, digna e perene uma homenagem justa, devida e merecida aos Bombeiros de Portugal em geral e aos Bombeiros de Fafe, em particular, por tudo quanto em prol da comunidade fazem e por todo o relevante esforço na defesa do homem, da sociedade e do ideal colectivo colocam, como verdadeiros e indefectíveis soldados da Paz.
O projecto foi aprovado em 22 de Novembro de 1989 pelo Executivo e a obra adjudicada em 7 de Fevereiro seguinte, elevando-se o seu custo a 8 300 contos.
O Monumento, que mede sete metros de altura, foi inaugurado em 19 de Abril de 1991, na rotunda ao cimo da Avenida do Brasil.
É autor do projecto o artista António Santana e com ele pretende representar, de forma estilizada, a Fénix Renascida, um dos símbolos mais emblemáticos dos bombeiros portugueses. 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Sónia Silva lança livro infantil (Tomé) quinta-feira na Biblioteca Municipal de Fafe

Tomé é a designação do livro para a infância da autoria de Sónia Micaela Noval Silva que é apresentado esta quinta-feira, 28 de Junho, no auditório da Biblioteca Municipal de Fafe, pelas 21h30.
A apresentação da obra está a cargo de Emília Almeida que, no prefácio, refere que, “com recurso a uma linguagem textual leve, mas apelativa, mobilizadora de sentimentos, sentidos e emoções, a autora do conto intitulado Tomé, Sónia Silva, dá-nos a possibilidade, através da leitura do seu texto, de abrirmos o nosso entendimento à infinita torrente de sensações e múltiplas dimensões da componente psicológica da vida interior de uma criança”. Emília Almeida considera o livro de estreia de Sónia Silva “autêntico hino de amor, modelo de confiança, singelo exemplo de respeito, e genuíno testemunho de carinho e simbólico ato de celebração condigna da dignidade que deve enformar o coração de cada homem e mulher de boa vontade”.
A autora nasceu a 17 de Outubro de 1975 em Azurém, Guimarães. Concluiu a licenciatura em professores do ensino básico 2º ciclo na variante Português/Inglês, pelo Instituto Superior de Ciências Educativas, em 1999 e a pós graduação em Supervisão Pedagógica de Línguas Estrangeiras em 2010, pela Universidade do Minho.
Neste momento é professora do 1º ciclo no Agrupamento de Escolas Professor Carlos Teixeira (EB1 do Santo).

Viagem pelos Monumentos da cidade de Fafe (II)

MONUMENTO À JUSTIÇA DE FAFE
Cronologicamente, é o segundo monumento a ser erigido na cidade de Fafe, exactamente meio século após o primeiro, laureando os mortos da grande guerra e de que falámos no post anterior.
Todos os fafenses sabem que a “Justiça de Fafe” é um dos símbolos referenciais maiores, embora controverso, desta cidade. É para muitos o verdadeiro “ex-libris” de Fafe. Como tal, não podia deixar de haver um monumento evocativo dessa tradição, que percorre o país de lés a lés, associada ao nome de Fafe e ao que por aqui vai acontecendo, nem sempre pelos melhores motivos.
O monumento à Justiça de Fafe foi inaugurado pelas 11 horas do dia 23 de Agosto de 1981, no espaço traseiro do Palácio da Justiça. A sua implantação mereceu, na altura, o reparo de alguns sectores de opinião local, que advogavam a sua localização num espaço com maior visibilidade. Hoje merece o reparo de outros, como se sabe.
A construção do monumento era ideia já antiga, no sentido de mostrar a quem visita a cidade o símbolo maior deste concelho, tantas vezes utilizado em cartazes e outras formas de promoção da terra. A sua concretização, segundo a imprensa da época, deveu-se à iniciativa do falecido Eng.º Mário Valente, na altura técnico da Câmara Municipal e que congregou à sua volta o apoio de dedicados fafenses, destacando-se João da Costa, Carlos Alberto Soares, Abílio Peixoto de Freitas e António Magalhães, constituídos em comissão promotora e que desde o início teve o inteiro apoio da autarquia.
A cerimónia de inauguração integrou-se na Festa do Emigrante, realizada durante dois dias e contou com a presença do Governador Civil de Braga, Dr. Fernando Alberto Ribeiro da Silva, do Presidente da Câmara de Fafe, Dr. Parcídio Summavielle, vereadores, autarcas das Juntas de Freguesia, muitos emigrantes e a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Fafe.
As figuras que compõem o monumento são fundidas em bronze e medem 2,20 metros cada, pesando no seu conjunto cerca de duas toneladas.
A sua escultura é obra do escultor portuense Eduardo Tavares, professor de Belas Artes.
O custo total do monumento rondou os 800 contos (4 000 euros), tendo a comissão promotora conseguido apoios financeiros por parte da Câmara Municipal, Governo Civil, comércio e indústria locais, emigrantes em França e público em geral.          

domingo, 24 de junho de 2012

Viagem pelos Monumentos da cidade de Fafe (I)

MONUMENTO AOS MORTOS DA GRANDE GUERRA

Aproveitando a "boleia" do debate público sobre a eventual deslocalização do monumento da Justiça de Fafe, com a qual discordamos em absoluto, como já aqui escrevemos, vamos passar em revista os principais monumentos existentes na cidade (e depois, nas aldeias), para melhor informação dos nossos leitores. Até porque muitos fafenses não sabem onde se localizam os monumentos, ou desconhecem a sua designação, simbolismo ou o que homenageiam.
Começamos esta breve viagem pelo Monumento que homenageia os mortos da Primeira Grande Guerra Mundial. 

Localizado no “coração” da cidade, na Praça 25 de Abril, o Monumento aos Mortos da Primeira Grande Guerra, é o mais antigo dos monumentos de que a cidade de Fafe dispõe. Os preparativos para a sua construção remontam ao ano de 1920, em plena 1ª República e dois anos após o término da Primeira Grande Guerra Mundial, quando a Câmara Municipal – na sequência de um apelo lançado pela Junta Patriótica do Norte, em 30 de Julho de 1919 – deliberou delegar numa comissão de ilustres fafenses o patriótico encargo de levar a efeito a perpetuação da memória dos filhos desta terra que morreram nos campos da batalha de África e França. Integravam essa comissão o Dr. Parcídio de Matos, pela Câmara, Dr. José Summavielle Soares, pela Associação Comercial e Industrial de Fafe, Dr. Florêncio Monteiro Vieira de Castro, pelo Sindicato Agrícola de Fafe, Domingos da Costa, pela Associação de Classe das Quatro Artes de Construção Civil, João da Silva Ribeiro, pela Associação de Classe dos Trabalhadores de Fafe, Júlio Martins, pela Associação de Classe dos Empregados do Comércio de Fafe, Artur Pinto Bastos, pela Imprensa de Fafe, António Joaquim Teixeira, pelo Núcleo do Professorado Primário de Fafe e Dr. Artur Vieira de Castro, pela Escola Superior de Fafe.
Foi efectuado uma subscrição, para angariação de fundos, por todo o concelho e só mais de uma década depois o Monumento aos Mortos da Grande Guerra se tornou uma realidade.
O auto de colocação da primeira pedra ocorreu no dia 17 de Maio de 1931, na “placa norte da Praça da República”, onde se deslocou a Comissão Administrativa da Câmara Municipal, sob a presidência do cidadão José Garcia de Almeida Guimarães, seu vogal mais velho, servindo de presidente.
O monumento, quadrangular, da autoria do arquitecto Manuel Faria Marques dos Reis, tem 6,80 metros de altura, sendo construído em diversas qualidades de mármore. A placa principal, representando um soldado ferido mortalmente (da autoria de Zeferino Couto), bem como a cruz de Cristo que encima o monumento, são em bronze, para maior valorização do mesmo. Nos quatro lados do monumento, a meia altura, estão inscritos os nomes de locais de batalhas da Guerra de 1914-18: La Lys, Ruvuma, Fauquissart, La Couture, Neuve-Chapelle, Chapigny, Flandres (onde, entre muitos outros, certamente, esteve o nosso conterrâneo Major Miguel Ferreira), Naulila e Nevala. Diversos festões e a esfera armilar integram um monumento de linhas sóbrias, construído pela oficina de Joaquim Fernandes Álvares & Cª, de Guimarães, pelo montante de 23 500$00.
Menos de dois meses após a adjudicação, o monumento foi inaugurado com a maior pompa e circunstância, no dia 12 de Julho de 1931, pelas 16 horas, no âmbito das Festas em honra de Nª Sª de Antime. Perante um largo completamente pejado de gente, a crer nos jornais da época, não faltou a presença de dois ministros do Governo: do Interior e da Guerra. Da festividade, abrilhantada por seis bandas de música, foi lavrado o auto respectivo.
Relatava o jornal local O Desforço do dia 23 seguinte:
As festas de 11 e 12 de Julho de 1931 ficam bem gravadas na memória de todos pelo significado cívico que tiveram – A inauguração do monumento aos Mortos da Grande Guerra e o aparato bélico que a revestiu.
A comissão das Grandes Festas de Fafe que foi a iniciadora deste Monumento que aí fica a perpetuar a memória dos que morreram na Grande hecatombe, levou com brilho a cabo a sua missão.
A Câmara, que aproveitou a ideia de realizar uma obra justa e que depois se prontificou a custear todas as despesas, é, como aquela, digna de aplausos.
As Festas da véspera já estiveram belas, mas, as do dia 12, foram brilhantíssimas.
Concorreram a elas milhares e milhares de pessoas de longe e de perto, tão atraentes e grandiosas são já, de tanta e justificada fama gozam, precisamente, no país.
Festas de Fafe, senhora de Antime!
Fafe, terra bela já em si, cheia de encantos naturais, vestiu-se de galas, desses ornamentos preciosos que Constantino Lira sabe empregar para actos solenes, os quais juntos às belezas naturais, a tornavam mais maravilhosa ainda.
Agradáveis os festivais de sábado no Bairro Operário de Antime e no Jardim do Calvário.
Pitoresco o grande arraial de Domingo na Vila, com as suas tendas e diversões.
Aparatosa a chegada de Caçadores 9 e da Banda do 8. Recrudesce o entusiasmo, a alegria, porque surge a procissão e aparece então, a famosa imagem da Senhora de Antime acompanhada por uma interminável multidão de devotos.
Veículos, de todos os lados, vêm às dezenas, comboios sempre apinhados.
É que se aproxima a hora da inauguração do Monumento e todos querem assistir.
Não se cabe no vasto Largo.
Tudo se prepara, pois, para o momento solene. Chegam os Senhores Ministros do Interior e da Guerra que são recebidos nos Paços do Concelho. Pouco depois, é o descerramento, perante elementos oficiais militares e civis, associações, colectividades etc. com calorosas salvas de palmas da imensa assistência, executando-se nessa ocasião, as 6 bandas a Portuguesa e estrondeando no ar profuso fogo.
Agrada o discurso do Capelão Militar da Grande Guerra Ver. José Pinho, todo alusivo ao acto e manifestamente patriótico.
Depois regressa a procissão a Antime, juntando-se no Lombo, para assistir ás despedidas e ver queimar o tradicional castelo, uma compacta multidão.
E, por fim, enquanto o banquete em honra dos senhores Ministros e das autoridades superiores do distrito corre, As iluminações do lira de Felgueiras brilham, os fogos de Lanhelas sobressaem e as bandas vibram sons de entusiasmo e alegria.
O regresso dos visitantes é pelas 2 horas. Surpreendente fogo preso inicia a sua queima às 3 e o bouquet rematante ilumina os ares pelas 4 horas, lindo, multicolor.
No entanto, as musicas prosseguem nos seus coretos, o povo continua divertindo-se em danças e descantes e, quando vê o sol despontar, é que se lembra que as festas terminaram. Recolhe então a casa, mas não sem saudades…
E da forma como decorreram a recepção na Câmara e o banquete, já o disseram os grandes diários de Lisboa, Porto e Braga, o que supérfluo é repetir.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Votaremos, “logo que possível”!

Pela primeira vez, em trinta anos de vida activa, fui espoliado do meu direito ao subsídio de férias. Tal como 600 mil funcionários públicos, que vão dos professores aos juízes e dos polícias aos médicos e aos militares. Que, pelo que me informam blogues e redes sociais, mas me recuso a acreditar, os deputados de todas as bancadas, se recusam a abdicar. Ou seja, recebem o subsídio, como se estivéssemos em tempo de vacas gordas e como se os trabalhadores em funções públicas que auferem vencimentos acima dos 600 euros não estivessem sujeitos a cortes graduais, que se transformam em totais a partir dos 1 100 euros.
Estava eu a pensar nisso e a ouvir na televisão que os trabalhadores portugueses (não todos, certamente, porque estes cortes apenas atingem os funcionários públicos, que acumulam ainda cortes progressivos do vencimento mensal, a partir de determinado valor, que é para não terem a mania de pensar que estão ao serviço da coisa pública, numa altura em que o que é privado é que é fixe, e o resto que se lixe…) perderam qualquer coisa como 23% do poder de compra desde 2010, o que é uma enormidade, sem qualquer dúvida.
E ainda vem o imbecil do Cadilhe propor um imposto de 4% ao ano sobre o rendimento de todos os portugueses, “a bem da Nação”: que o pague ele e os seus mui amigos do BPN e afins. Que paguem as grandes fortunas, que não têm contribuído nada para minorar a crise. Que paguem os Belmiros, os Mellos, os Alexandres Soares dos Santos, os Paulos Teixeira Pinto, os António Borges., os Jardim Gonçalves e tantos outros que têm muito por onde expressar a sua “solidariedade activa” neste momento difícil que o país atravessa, sem ser apenas o 31 de boca.
Eu para esse peditório já dou e mais que dou: além de um corte mensal injustificado, dois subsídios saqueados pelo seu amigo de Massamá a partir deste ano. Ainda quer mais? Vá ao Totta, ao BPP ou ao BPN. Se pensa que sou a Santa Casa da Misericórdia bateu à porta errada. Está lá o seu companheiro Santana Lopes.
O secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, prometeu esta semana que os subsídios serão repostos «logo que possível». É claro que isto não quer dizer nada. É apenas para enganar meninos e comer-lhe as papas na cabeça. Como nada quis dizer quando o ministro Vítor Gaspar primeiro anunciou que os subsídios começariam a ser repostos a partir de 2015, mas depois já só eram 25%, gradualmente, até 2018. Tudo aldrabice. Posteriormente, recusou-se já com uma data específica para o regresso destas prestações, que foram suspensas para funcionários públicos e pensionistas, afirmando (como se não se soubesse isso dias antes) que há uma «considerável incerteza» à volta da evolução da economia portuguesa e da europeia. Que grande novidade!...
Mais disse o supersónico ministro Gaspar: «Não é possível de forma definitiva projectar o que vai acontecer nos anos seguintes», pelo que a hipótese de repor 25% dos subsídios em 2015 é uma mera «perspectiva técnica» e não «um compromisso».
Estamos conversados. É tudo treta. Conversa fiada. Os funcionários públicos que esperem sentados, para não ganharem varizes, que com este governo nem em 2020 lá vão!...
Parafraseando o secretário Hélder Rosalino, julgo que está na altura de os funcionários públicos também começarem a tomar posição e afiançarem, sem qualquer receio: votaremos, “logo que possível”!
Esta gente merece o respeito que merece.
Assaltam-nos as carteiras e ainda têm o desplante de nos querem de cara alegre, bem dispostos, cheios de optimismo como se apenas houvesse amanhã. É preciso muita cara de pau!...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Miguel Relvas salvo pelos amigos na ERC

Que credibilidade pode ter uma deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que iliba o ministro Miguel Relvas de pressões ilícitas sobre uma jornalista do Público, quando se vem a saber que foi votada apenas pelos membros eleitos ou indicados pelo PSD?
O Conselho de Redacção do Público denunciou, a 18 de maio, ameaças do ministro Miguel Relvas sobre o jornal e a jornalista Maria José Oliveira.
As alegadas ameaças eram a divulgação na Internet de dados da vida privada da jornalista e um boicote noticioso do Governo ao diário, caso fosse publicada uma notícia sobre declarações do ministro no Parlamento relativamente ao chamado "caso das secretas".
Afinal, passado este tempo e depois de várias inquirições, não se provou nada… No meio de toda esta tramóia, a única vítima foi a jornalista, que se demitiu do Público, no início deste mês. De resto, é tudo boa gente!...
Pode afirmar-se que, nos termos da Lei nº 53/2005, de 8 de Novembro, que cria a ERC, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, é uma pessoa colectiva de direito público, com natureza de entidade administrativa independente, que visa assegurar as funções que lhe foram constitucionalmente atribuídas, “definindo com independência a orientação das suas actividades, sem sujeição a quaisquer directrizes ou orientações por parte do poder político”.
Isso é o que está na lei, a realidade são os Magnos e outros membros sorridentes para os Relvas e a quem só vagamente interessa a descoberta da verdade.
Por isso, desde o início, já se esperava o epílogo que veio a apurar-se. Que é a vénia ao poder. Simplesmente.
Por isso é que a ERC é uma inutilidade enquanto regulador que nada regula, aliás como os restantes reguladores. Por isso é que o PSD também não quer que o processo seja reaberto no Parlamento e que Miguel Relvas lá regresse para prestar mais esclarecimentos. O silêncio é de oiro, sem dúvida!...

“Recordações de Fafe”: obra musical de Arthur Napoleão dedicada ao Comendador Albino de Oliveira Guimarães (Séc. XIX)

Há perto de três décadas, a mão amiga do grande António Fernandes de Barros fez-nos chegar esta raridade, “sacada” de uma biblioteca musical de S. Paulo, no Brasil. Nada mais nada menos que a obra “Recordações de Fafe (Souvenir de Fafe)”, op. 69, para piano, do compositor portuense Arthur Napoleão, editada no Rio de Janeiro em finais do século XIX e dedicada ao Comendador Albino de Oliveira Guimarães (1834-1908), um ilustre brasileiro fafense profundamente ligado aos mais significativos empreendimentos levados a cabo em Fafe, nos finais do século XIX e primeiros anos do seguinte. Aqui ficam algumas breves notas sobre este fafense que importa divulgar.
Aquando da fundação dos Bombeiros, em Abril de 1890, contribuiu com a avultada quantia de 100 mil réis para a corporação. Em 1892, era inaugurado festivamente o Jardim do Calvário, de que Albino Guimarães foi o principal impulsionador. Pertenceu, depois, à Comissão Iniciadora da Igreja Nova, cujos trabalhos começaram em 1895 e para a qual contribuiu com avultada quantia. Antes, havia-se empenhado na construção do Hospital (1863) e foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia, beneficiando-o imensamente durante o período em que exerceu o cargo.
Em 1907, participou nas festividades comemorativas da chegada do comboio a Fafe, com outros brasileiros ilustres da então vila, emigrados no Rio de Janeiro.
Em Fafe, construiu, na Avenida da Estação, a sua casa urbana, em 1908, a chamada “Casa do Comendador”, onde actualmente se encontra instalada a Repartição de Finanças. Apesar disso, a modéstia era a melhor coroa de triunfo que lhe assentava, como escrevia o jornal O Desforço, por altura do seu falecimento, em 6 de Março de 1908, com 74 anos de idade.
Voltando a Arthur Napoleão dos Santos, que nos trouxe cá: nasceu no Porto, em 8 de Março de 1843 e faleceu no Rio de Janeiro em 12 de Maio de 1925.
Foi pianista, concertista, professor, compositor e editor de música.
Aos 7 anos de idade, em companhia do pai e de dois irmãos, deu o seu primeiro concerto de piano que obteve grande repercussão no meio musical europeu. Actuou para os grandes monarcas europeus da época (rainha Vitória de Inglaterra, rei da Prússia e Napoleão III de França).
Em 1857, com 14 anos, partiu com o pai para o Brasil, onde fez uma estrondosa tournée que se estendeu ao Uruguai e à Argentina. Voltou ao Porto no ano seguinte para actuar no Teatro S. João e em 1865 para a inauguração do Palácio de Cristal.
Apaixonado pelo Brasil, pela música (e pelo xadrez), fixou-se definitivamente nesse país. Em 1868, abre um grande estabelecimento de pianos e músicas, funda uma revista musical e conhece o escritor Machado de Assis. Foi professor de Chiquinha Gonzaga, notável compositora brasileira, abolicionista e republicana.
Compôs e publicou mais de uma centena de obras, entre as quais destacamos Camões, Arco de Santana, Romance e Abanera, A Brasileira, Murmúrios do Tejo e Recordações de Fafe.
Ainda hoje é o patrono da cadeira número 18 da Academia Brasileira de Música e o patrono da Academia de Enxadristas do Brasil.
É ainda hoje considerado um dos maiores músicos luso-brasileiros do seu tempo!
Junta-se a partitura do "capricho caracteristico para piano", para os interessados e estudiosos:








quarta-feira, 20 de junho de 2012

Espetáculo do grupo SeBENTA no Teatro-Cinema de Fafe adiado para 24 de Novembro


Por motivos imprevistos, o espectáculo do grupo SeBENTA, “Grita pelo nosso Amor”, previsto para este sábado à noite no Teatro-Cinema de Fafe, foi adiado para 24 de Novembro – informou a organização.
Considerada uma das bandas que melhor rock tem feito em Portugal, os SeBENTA existem desde 2008 e registam já diversos êxitos de rádio e de público, tendo vindo a incluir alguns dos seus temas nas mais emblemáticas séries televisivas de grande audiência.

“Grita Pelo Nosso Amor” é o primeiro tema retirado do tão esperado terceiro álbum dos SeBENTA e que tem edição prevista para este ano de 2012. Temas como “Onde Estás (SeBENTA) e “Meia Conversa” fazem parte do novo álbum, bem como “Essa Voz Outra Vez”, música com letra de José Luís Peixoto e que se pode vir a tornar o segundo single do novo trabalho da banda.
A propósito desta colaboração, o consagrado escritor José Luís Peixoto considerou: “...tive a oportunidade de trabalhar nos discos dos SeBENTA, foi um conceito original, que me deu muito prazer, e é um prazer ter um pózinho de SeBENTA...Também!”.

Grande noite, em torno de Jorge Oliveira!...

Jorge Oliveira, terceiro a contar da direita, no meio dos amigos do Projecto Partilha
Cerca de uma centena de pessoas presenciaram, na noite da passada sexta-feira, no auditório da Junta de Freguesia de Antime, a apresentação do segundo livro de poesia do conhecido fotógrafo Jorge Oliveira, com o título Palavras que me tocam. Por ti!...
Um livro de amor, dedicado em pleno à sua esposa.

Depois de uma breve apresentação, em danças de salão, do par, Inês e Rui (Leões do Ferro), exibiu-se, numa primeira apresentação pública o grupo de música Projecto Partilha, com músicos de Guimarães e de Fafe, com poemas (em português) e sonoridades de grande interesse.
Seguiu-se um breve momento de leitura de poesia, começado pelo filho mais velho do autor e continuado por Artur Coimbra e Armando Teixeira, sob o violino de Teresa Marinho.


Finalmente, constituiu-se a mesa, para a apresentação da obra, tendo usado da palavra a presidente da Junta, Isaura Nogueira; Carlos Afonso, autor do prefácio, que elogiou a simplicidade e naturalidade dos versos de Jorge Oliveira, traçando a similitude com algumas características da poesia de Almeida Garrett (o “te” e o “tu”); o presidente da Câmara, José Ribeiro, que falou da sua longa amizade com o autor e disse da sua admiração da obra e da paixão de Jorge Oliveira, pela escrita, pela fotografia e pela mulher; finalmente, o autor, que fez os agradecimentos emocionados e falou da sua arte, prometendo voltar, quando for possível…
Uma grande noite, para quem a ela teve o privilégio de assistir!...



O poeta, Jorge Oliveira, agradecendo, nas palavras finais

Aqui fica um poema de um livro que vale a pena saborear.

Mil vezes mil

Mil palavras que de tua boca saem,
Mil sabores que me atraem,
Mil desejos nascidos nos beijos
Dos meus anseios.

Mils contos saídos da noite,
Mil encontros ao luar,
Mil actos de louvar
Por um amor que vai durar.

Mil olhares sentidos,
Mil sentimentos retidos.
por ti faço mil asneiras
De todas as maneiras.

Mil vezes mil
São as vontades de te amar.
Assim, aqui e agora,
Me estou a confessar.