quarta-feira, 29 de junho de 2011

RICHARD TOWERS APRESENTOU LIVROS-OBJECTO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE FAFE

O autor Richard Towers (pseudónimo do artista e músico Martinho Torres) apresentou na Biblioteca Municipal de Fafe dois livros-objecto, actos criativos editados pela Neoma Produções, editora do próprio escritor. Trata-se de um conceito novo, inovador e diferente, “livros com arte”, produtos com valor acrescentado que estão já no mercado e que o autor se empenha em explicar aos seus leitores, um pouco por todo o país, como aconteceu agora na cidade de Fafe!
Num ambiente intimista, que incluiu a leitura de trechos dos livros, por Carlos Afonso e Artur Coimbra, acompanhado à viola pelo autor-músico Martinho Torres, foi proposta aos presentes uma incursão pelo inovador mundo literário do autor, através de duas obras – Tempo e Reflexos – os seus mais primeiros lançamentos. Nesta abordagem, ficámos também a conhecer melhor o conceito que rege a Neoma Produções, a editora que reinventou o livro, e penetrámos no íntimo processo criativo do autor, ficando a conhecer os segredos por detrás da concepção do livro-relógio e do livro-espelho. Que, além de se lerem, com o maior prazer, são objectos que funcionam: o relógio marca as horas e o espelho reflecte os narcisos que todos somos.
Nas palavras do autor (e editor), ficámos com a convicção de que a diferença que os seus produtos artísticos integram visa fundamentalmente “fugir ao convencional”, aos estereótipos do mundo livreiro.
Richard Towers tem divulgado a sua obra em prestigiados espaços culturais (FNAC’s e livrarias de todo o pais), é candidato a vários prémios de inovação e promete edificar uma carreira ímpar através da sua visão única e original da literatura e do livro. Em Fafe anunciou que já tem mais sete livros escritos e prontos a publicar, mas reconhece que a tarefa de impor o seu produto no mercado é difícil e por isso aproveita todas as oportunidades para o divulgar. Inclusive, projecta deslocar-se à reconhecidíssima Feira de Franckfurt, na Alemanha, onde vai apresentar as suas criações ao universo editorial mundial.
Sendo também músico, tem intenção de voltar a projectos artísticos nessa área, talvez já no próximo ano.
Para já, é um orgulho termos este autor a viver entre nós, e a trabalhar em Fafe, concretamente na freguesia de Travassós.
Foi um prazer participar nesa sessão cultural!

terça-feira, 28 de junho de 2011

O Governo dos "sinais"

O XIX governo constitucional tomou posse a semana passada, para um previsível horizonte temporal de quatro anos, se nada de extraordinário ocorrer entretanto. Como é evidente, nesta altura, não é possível nem avisado formular juízos de valor sobre as políticas que vão ser prosseguidas pelo novo executivo e que ninguém conhece, apesar de haver linhas de eventual actuação futura que não são de modo algum animadoras.
Para já, o que proliferam são os “sinais”, presumivelmente para servir de paradigma aos comportamentos de contenção e austeridade que os tempos actuais exigem. Este começa a ser o governo dos “sinais”.
O primeiro dos “sinais”: a exiguidade do novo governo (apenas 11 ministros, a que acresce o chefe do executivo) e a supressão e/ou concentração de algumas pastas. A primeira questão, a do modelo governamental, é uma supina concessão ao populismo e ao “politicamente correcto”. Afirma-se que um governo curto traduz um “sinal” de poupança, numa altura de aperto económico e de necessidade de combate ao défice. Desculpem, é uma opção simpática, mas que só por demagogia se pode sustentar: não são os ordenados de mais quatro ou cinco ministros que deitam a perder as contas públicas. Pelo contrário: não está provado que um governo com o tamanho de uma equipa de futebol seja mais eficaz, eficiente e obtenha melhor desempenho que um executivo mais equilibrado, mais próximo do que se passa na Europa.
Mais graves, a meu ver, são outras opções. Desde logo, a da concentração de ministérios. Eu não consigo perceber como é que a ministra Assunção Cristas, por exemplo, que considero simpática e dizem competente, pode abarcar adequadamente quatro pastas, que normalmente dão origem a dois ou três ministérios: agricultura, mar, ambiente e ordenamento do território. Só uma supermulher. Ou nem essa… Também não compreendo como é que o ministro da educação também o é do ensino superior e da ciência, áreas com lógicas absolutamente diferentes e não compagináveis. Como não entendo, inversamente, a despromoção da cultura a mera secretaria de estado. Ou até entendo: a direita tem da cultura uma visão meramente instrumental e decorativa, a começar pela sua dependência directa do primeiro-ministro. Nesta lógica distorcida, Guimarães nunca seria uma Capital Europeia da Cultura, nem em 2012 nem em 2020!...
Este o primeiro grande “sinal”, cujos resultados só o futuro ditará, embora, os especialistas, aqui chamados “politólogos”, determinem que “uma equipa pequena pode aumentar o risco de desgoverno”. Mas a política não é, nem nunca foi, uma ciência exacta!...
Depois, os pequenos “sinais”. Passos Coelho terá viajado em “classe económica” e acompanhado de uma pequena comitiva para o Conselho Europeu, a meio da semana Sempre para dar o exemplo. Aquilo que seria uma louvável notícia, neste acre tempo de crise, acaba por ser toldada pela informação de que, afinal, no espaço europeu, os governantes viajam quase sempre à borla. Lá se foi o “sinal”!...
Ainda um outro “sinal”, para findar esta crónica. Na cerimónia de tomada de posse, o novo primeiro-ministro anunciou, urbi et orbi, que não nomeará novos governadores civis, locais de colocação habitual de pessoal político-partidário que perde eleições autárquicas ou não “encaixa” em outros lugares mais compatíveis do aparelho de Estado. O pretexto, como sempre, será poupar, o que, novamente, se elogia.
Há, nesta aparente boa nova, dois ou três senões. O primeiro é o de que, afinal de contas, tudo vai continuar na mesmíssima, apenas desertando o pessoal político. O gabinete e o pessoal dos governos civis vão continuar, sob o comando dos secretários, figuras não nomeadas politicamente, por isso fragilizadas e que certamente apenas vão resolver situações de recurso. Em segundo lugar, a extinção dos governos civis, na verdade, aberrações e anacronismos que já não se justificam nos nossos dias, impõe uma alteração da Constituição, que os partidos da direita, em conjunto, não conseguirão ultrapassar. O Partido Socialista terá aí uma palavra a dizer!...
Finalmente, não se entende, como é que os partidos que execram a necessária regionalização, acabam com os governos civis sem cuidar de distribuir as suas tarefas por outros organismos e pelas autarquias, eventualmente, e sem contribuírem para a criação de um patamar de poder político, legitimado eleitoralmente, que faça a ponte entre o poder central e as autarquias locais, o que apenas as regiões administrativas poderão conseguir.
Quanto ao resto, neste organigrama governamental, fico à coca da nomeação de um gestor de empresas para o ministério da saúde, uma área que requer sensibilidade, humanismo e espírito social, que manifestamente não se antevêem. Paulo Macedo é a garantia de que a saúde vai ter de dar lucro, pelo desinvestimento no sector público, pela entrega do sistema à iniciativa privada. Os mais ricos vão ter à sua disposição os seguros e as clínicas, como até agora; os mais pobres vão ter o refugo do sistema, as sobras da saúde que não é possível de todo abdicar. O que é preocupante, num país de dois milhões de pobres e centenas de milhar de idosos e reformados de fracos recursos.

(Artigo publicado no jornal Correio do Minho, de 27 de Junho de 2011)

Eduardo Ribeiro apresenta em Guimarães o livro "Insubmissão - Resistência ao Salazarismo"

A Sociedade Martins Sarmento e o autor convidam os leitores a participar no lançamento da obra Insubmissão - Resistência ao Salazarismo (não apaguem a memória), da autoria do antifascista e enorme democrata, Eng. Eduardo Ribeiro, de Guimarães, bem conhecido dos fafenses e nosso amigo, o qual se realiza esta quinta-feira, 30 de Junho, pelas 21h30, no salão nobre daquela instituição cultural vimaranense.
A entrada é livre.
Estaremos lá!

sábado, 25 de junho de 2011

Mar, amor

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Foto da net

 









trouxe nos búzios o mar para ti

deposito, meu amor, nos teus cabelos
a frescura marítima dos beijos e das carícias
e das gaivotas que atravessam
a manhã

em voos sensuais redondos indizíveis
de tamanha plenitude

deixo contigo o sonoro cristal de água
que me bebe em ti
ritmo incontido universo de asas
barcos palavras perigos
deixo contigo a paixão das searas
a fúria incansável de verão
o fogo solar incêndio de mãos
corpos em desalinho lábios frementes
inquietos na investida das ondas
ao encontro dos barcos

meu amor, é teu o mar
e todo o cais que se tece em meu olhar

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Amigo Barroso da Fonte homenageado em Montalegre


Tive a honra de participar, recentemente, na vila de Montalegre, à homenagem que o município prestou ao nosso confrade, amigo e conterrâneo Dr. Barroso da Fonte, colunista nas páginas do Povo de Fafe. Barroso da Fonte foi merecidamente agraciado com a mais alta condecoração municipal, em ouro, pela sua inabalável paixão por tudo o que é barrosão, tendo recebido as palavras mais elogiosas de inúmeras pessoas, de Montalegre e de outras terras (recebeu uma embaixada de Guimarães com mais de uma dezena de amigos…). Estiveram presentes, além dos autarcas locais, o governador civil de Vila Real, o escritor Bento da Cruz, o padre Lourenço Fontes, entre muitas outras personalidades.
No Eco-museu do Barroso, excelente espaço cultural, inaugurou uma exposição dos seus livros, artigos, condecorações, pertences diversos, recolhidos ao longo de uma vida e que anunciou doar ao município, oportunamente.
Quero aqui dizer da minha felicidade por ter testemunhado a alto apreço com que Barroso da Fonte é tido em Montalegre e no país, de onde vieram palavras amigas, justas e solidárias para com um grande homem, um homem bom, aguerrido, lutador integérrimo pelos interesses e ideais em que acredita (dos temas barrosãos a D. Afonso Henriques e aos combatentes do Ultramar).
Autor de meia centena de livros, em prosa e verso, Barroso da Fonte vive em Guimarães, onde exerceu cargos de responsabilidade, entre os quais director da delegação do Porto da comunicação social, vereador a tempo inteiro do pelouro da Cultura do município de Guimarães, director do semanário O Comércio de Guimarães, o mais antigo jornal do distrito de Braga; esteve entre os fundadores da Rádio Santiago; diretor da revista Gil Vicente, do jornal Voz de Guimarães e é, actualmente, director do Poetas & Trovadores com mais de 30 anos de vida. Iniciou-se no jornalismo em 24 de Janeiro de 1953, actividade que pratica ininterruptamente desde essa altura, já lá vão quase 60 anos.
Justa e merecida homenagem a um dos barrosões e transmontanos mais ilustres do país!
Aqui ficam algumas imagens.




Um texto mais circunstanciado e mais fotografias podem ser vistas na página do município de Montalegre, em http://www.cm-montalegre.pt/showNT.php?Id=1487.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Deolinda são a atracção das Festas de Antime, este ano reduzidas a três dias

Deolinda
A antecipação da Marcha Luminosa, para a noite de domingo, é uma das principais novidades das Festas do Concelho em honra de N. Sr.ª de Antime 2011.
Paralelamente irão realizar-se as Festas do Concelho Gastronómicas, que decorrerão nos dias 8, 9 e 10 de Julho, com a participação de 14 restaurantes de Fafe.
O programa foi apresentado pelo presidente da Naturfafe, Vítor Moreira, Director-delegado, António Teixeira Alves e pela Técnica de turismo, Sílvia Fernandes.
Vítor Moreira realçou o carácter solene das festividades e lembrou mais uma vez o sacrifício da autarquia em assumir, através da Naturfafe, as festas do concelho em honra de Nª Sª de Antime, num ano em que, mais do que nunca, é necessário muita contenção nas despesas. Ficou assumido que haverá uma redução orçamental de 30% em relação ao ano passado. “Não podemos gastar mais de 120.000 euros” – disse.
Quanto ao facto de ser antecipada a Marcha Luminosa para a noite de domingo, foi uma opção da direcção, após auscultar opiniões de diversas pessoas, ao longo de diversos anos, permitindo uma melhor gestão das festas e ao mesmo tempo reduzir nos custos finais.
Quanto ao programa festivo, de destacar, na noite de sexta-feira, dia 8, o espectáculo “Uma Canção Para Ti” em que a fafense Margarida Costa e um grupo de Jovens Cantores farão a primeira parte de um Concerto com a presença do “Progeto Aparte”. O dia de sexta-feira termina com a já tradicional Noite de Fados de Coimbra.
Destaque para o dia 09 (sábado) com o concerto musical pelo Grupo “Deolinda”, o da "Parva que eu sou" e para a Marcha Luminosa que este ano tem lugar na noite de domingo.

Programa das Festas 2011:

07 de Julho (Quinta-feira)

21H30 – Inauguração das Iluminações

08 de Julho (Sexta-feira)
21H00 – Encontro de Coros (Igreja Nova)
21H30 – Espectáculo Margarida Costa/Jovens Cantores "Uma canção para Ti"
23H00 – Espectáculo Musical com Progeto Aparte
00H00 – Fados de Coimbra

9 de Julho (Sábado)

9H30 às 18H00 – Torneio Street Basquete Cidade de Fafe (Torre do Relógio)
10H00 – Bombos na Arcada
10H00/23H00 – Animação de rua com insufláveis (Centro da Cidade)
14H00 – XI Passeio de Cicloturismo “União Desportiva Amigos da Roda de Quinchães” - Grande Prémio Ciclismo
21H00 – Desfile dos Ranchos participantes na Mostra de Folclore (Centro da Cidade)
21H00 – Encontro de Coros (Igreja Nova)
21H30 – XVII Mostra de Folclore de Fafe (Praça 25 de Abril)
22H00 – Espectáculo Musical com o grupo "Deolinda” (Praça Mártires do Fascismo)
24H00 – Águas Dançantes – Espectáculo de água, musica, Luz, e Pirotecnia (Praça Mártires do Fascismo)

10 de Julho (Domingo)

10H00 – Procissão de Nossa Senhora das Dores (Saída de Fafe em Direcção a Antime)
10H00 – Procissão de Nossa Senhora da Misericórdia (saída de Antime em direcção a Fafe)
10H30 – Encontro das duas procissões na Ponte de S. José (após a reunião das duas procissões, seguem rumo a Fafe - Igreja Nova)
10H00/ 19H00 – Animação de rua com insufláveis (Centro da Cidade)
11H30 – Chegada da Procissão à Câmara Municipal (Largada de Pombos – Sessão de Fogo)
12H00 – Chegada da Procissão à Igreja Nova (Missa Solene)
15H00 às 19H00 – Desfile e Concerto das Bandas Filarmónicas de Golães e Revelhe (centro da cidade)
18H00 – Regresso da Procissão de Nossa Senhora da Misericórdia (Saída da Igreja Nova em direcção a Antime)
18H30 – Cerimónia do Adeus (Horto) com largada de balões
21H00 – Desfile e Concerto das Bandas Filarmónicas de Golães e Revelhe (Centro Cidade)
23H00 – Fogo de Artifício – Centro da Cidade
23H15 – Marcha Luminosa – Encerramento das festas

quarta-feira, 22 de junho de 2011

“Bolingbrook”: nova comédia do Teatro Vitrine estreia quinta-feira


Quinta-feira, 21h30
Preço: 2 €
Duração: 90’
Classificação: M/6
Teatro-Cinema de Fafe

O Teatro Vitrine, do Grupo Nun’Álvares, estreia o seu mais recente trabalho, uma comédia, esta quinta-feira, 23 de Junho, pelas 21h30, no Teatro-Cinema de Fafe. A entrada custa apenas 2 euros.
 “Bolingbrook” é uma comédia de costumes recheada de crítica social da época com personagens originais onde o tratamento preconceituoso era considerado normal. O enredo passa-se entre Lisboa e Porto, no final do séc. XVI, no meio de Feiras e Tabernas típicas da época, com muita música à mistura.
A peça conta a história de dois amigos ingleses, John e Bolingbrook que, apaixonados pelas irmãs Virgínia e Clarisse, e em mais uma visita a Lisboa, decidem roubá-las ao pai que, por sua vez, não consente que suas filhas namorem com dois estrangeiros. Já no Porto, longe de casa, as duas irmãs sofrem com o tratamento britânico dos seus maridos que em nada se parecem com os antigos amantes que em tempos conheceram. Para culminar, vêm a saber que na realidade não estão casadas legitimamente e mais não passam do que amantes dos próprios maridos…
E é assim por meio de planos mirabolantes, idas e vindas, brigas e paixões que a história se desenvolve. Sempre com a ajuda do atrapalhado Jeremias que, por sua vez, passa a vida a fugir com medo da sua brava esposa Henriqueta. Mas um acontecimento faz brotar o amor entre o casal, que resolve apoiar as infelizes Virgínia e Clarisse numa fuga de volta a Lisboa quando o quadro muda de figura.

FICHA TÉCNICA

AUTOR: adaptação do texto de Martins Pena
ENCENAÇÃO: Orlando Alves
ELENCO: Orlando Alves, como Bobo; Verónica Costa, como Tocador; Daniel Pinto, como Jeremia; Norberto Cunha, como John; Rafael Leite, como William Bolingbrook; Elisa Freitas, como Clarisse; Andreia Fernandes, como Virgínia; Anabela Teixeira, como Henriqueta; Joaquim Leite, como Narciso das Neves; Olga Freitas, como Judite e alunos da Cercifaf, restante elenco.
CENOGRAFIA e FIGURINOS: Teatro Vitrine
LUMINOTECNIA: Gilberto Magalhães
SONOPLASTIA: Filipe Ferreira

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tereza Salgueiro encantou os fafenses com magia, lirismo e sensualidade

O Teatro-Cinema de Fafe, lotado como um ovo, rendeu-se à magia, à sensualidade, ao lirismo, à paz interior desse nome grande da música portuguesa actual, Tereza Salgueiro. Foi este sábado à noite, 18 de Junho, quando a cantora aqui trouxe o seu mais recente trabalho, Voltarei à minha Terra.
O evento integrou-se no quadro do programa “Concertos Íntimos” para este ano, de que constitui o terceiro momento, após as actuações de Tim (Fevereiro) e Sérgio Godinho (Abril). Ficam a faltar os concertos com Rita Redshoes (8 de Outubro) e Carminho (10 de Dezembro).
Ao longo de cerca de hora e meia e excelentemente acompanhada pelos músicos Carisa Marcelino (acordeão), André Santos (guitarra clássica), Óscar Torres (contrabaixo) e Rui Lobato (percussão), Tereza Salgueiro empreendeu uma belíssima digressão a músicas do imaginário português do século XIX, que começaram em Fernando Lopes Graça e continuaram em Zeca Afonso, Fausto e outros consagrados compositores nacionais. Espaço houve ainda para três fados de Lisboa e um de Coimbra, sempre com o timbre irrepreensível dessa voz divinal que espalha encanto e fascinação em seu redor.
Após os habituais “encores”, a artista da voz de ouro ainda teve tempo para “regressar” a um mítico tema dos Madredeus, que dedicou à sua filha, presente na sala e que a todos soltou a memória de um dos grandes momentos da carreira da cantora. De recordar que em 2007, Tereza abandonou os Madredeus, em favor da sua carreira a solo, a qual inclui os álbuns Obrigado (2005), Você e Eu (2007), La Serena (2007), Matriz (2009) e agora Voltarei à Minha Terra (2011).

Voltarei à minha Terra é, assim, a nova viagem de Tereza Salgueiro, através da memória colectiva da música portuguesa. Tereza desliza entre paisagens brilhantes e infinitas, envolta pela luminosidade de uma voz cristalina, revelando-nos ecos distantes e os mistérios da saudade. Este universo poético, nascido de palavras e sentimentos portugueses, convida-nos a respirar uma música doce e intensa, ao mesmo tempo que nos seduz numa delicada teia de desejos, esperanças e sonhos.
Tereza Salgueiro teve ainda palavras de muito apreço para o município de Fafe e para as pessoas e entidades que tão bem a têm acolhido, não apenas por altura deste espectáculo mas quando há semanas aqui esteve durante alguns dias para descansar e conhecer o concelho: a Aldeia do Pontido e o Doce Abrigo, entre outros espaços locais.

Tereza Salgueiro: uma simpatia sem limites!


A artista agradeceu a todo o maravilhoso público presente e afirmou, na sua voz doce e reconhecida: “ainda bem que este Teatro não foi abaixo!”.
Claro que sim: estamos todos de acordo!
Enfim, Fafe assistiu a mais um concerto de sonho numa noite calma de início de Verão!...
Fotos: Manuel Meira Correia

domingo, 19 de junho de 2011

Pela renovação das elites políticas

1. As eleições legislativas do passado dia 5 de Junho, permitem diversificadas leituras políticas. A primeira delas, obviamente, significa que os eleitores votaram, inequivocamente, no sentido da mudança, da alteração profunda do paradigma que vinha sendo seguido nos últimos anos pelo governo socialista. Como sufragou, de modo convincente, a necessidade da estabilidade política, neste caso, não através de um único partido, mas do acordo político das duas maiores forças da direita, o PSD e o CDS/PP, o qual acaba de ser anunciado, dando origem ao XIX governo constitucional.
Estão, assim, criadas as condições para que não haja desculpas para as profetizadas reformas que é necessário levar a cabo, e para o duro combate que vai ser necessário empreender para cumprir, a tempo e horas, as exigências especulativas dos bancos europeus, acobertados na chamada “troika”, e que nos vão levar os dedos e os anéis no fim do pagamento dos 78 mil milhões de euros que nos estão a emprestar.
2. Uma segunda leitura sobre as eleições tem a ver com as famigeradas sondagens. Durante semanas, davam os dois partidos principais com um alegado empate técnico, o que levou o arguto e prazenteiro Paulo Portas a declarar, vê-se agora que com toda a razão, que o que estava em causa era um “empate lírico”, ou seja, que os estudos de opinião não corresponderiam à vontade do eleitorado, como veio a verificar-se. O que levanta a questão grave da confiança, da credibilidade e da fiabilidade das sondagens, por um lado e, por outro, a de saber até que ponto os cidadãos contactados pelas empresas do sector dizem a verdade sobre as suas opções políticas.
De todo o modo, o que se verificou, lendo os resultados, foi um tremendo “buraco” nas previsões das principais sondagens. A diferença de mais de 10% entre o PSD e o PS nunca teve sequer uma aproximação nos vários estudos de opinião apresentados nas semanas anteriores às eleições. A famosa “margem de erro”, desta vez, foi demasiado larga!...
3. Finalmente, por agora, há uma terceira reflexão e que tem a ver com a elevadíssima taxa de abstenção registada nestas eleições (41,09%), a maior de todas as eleições legislativas, num momento particularmente grave da vida nacional e que não é justificável, por razões climatéricas ou outras, com as quais costumamos mascarar a incomodidade da situação.
Significam os números que pouco menos que metade dos portugueses não se revê nos actuais partidos políticos, e tantos eles são, da extrema-esquerda à extrema-direita. Sobretudo, foram os jovens a abster-se de participar nestas eleições, o que agrava a situação. A apatia, o desencanto, a desilusão, o conformismo, a falta de motivação são “sinais” que devem inquietar fortemente os responsáveis políticos, numa altura em que as forças partidárias continuam a perder atractividade, por serem vistas como centros de interesses e não como universos de valores e de ideologias. A tal facto também não é alheia a convicção generalizada de que nos partidos e nos governos estão sempre as mesmas pessoas. Basta ver quanto tempo esteve no governo José Sócrates; há quanto tempo está na vida política e no governo Paulo Portas; de quantos anos é feito o percurso partidário de Passos Coelho, desde os tempos da jota. São exemplos destes que levam muitos a opinar que a não renovação do pessoal político é também um factor de desmobilização do eleitorado.
Outra questão é a limitação dos mandatos dos titulares dos cargos políticos: se o Presidente da República, os presidentes de câmara e de junta têm os seus mandatos limitados por lei, porque carga de água não há-de acontecer o mesmo com os deputados (que se perpetuam nas cadeiras de S. Bento) ou os titulares dos governos regionais (João Jardim já está no poder na Madeira quase há tanto tempo como Kadaffi...)?
Tem de haver moralidade, justiça e credibilidade no funcionamento do sistema político...
Por isso, os jovens descomprometidos começam a ocupar outros espaços de sociabilidade que não os partidos políticos e a desinteressar-se pela vida partidária.
Esta, a meu ver, é uma reflexão que terá de fazer-se em diferentes estruturas e areópagos, para que a democracia não acabe por esvaziar-se de conteúdo e de pertinência, reduzindo-se ao formalismo regular das eleições e das “maiorias”, por muito representativas que possam ser!...

(artigo publicado parcialmente no semanário Povo de Fafe de 17 de Junho de 2011, na coluna "Escrita em Dia").

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Tereza Salgueiro em Fafe

Está esgotadíssimo o concerto de Tereza Salgueiro previsto para este sábado à noite, no Teatro-Cinema de Fafe.
Um grande espectáculo em perspectiva, não temos dúvidas, dada a relevância, o talento e o virtuosismo da artista, que foi a voz cristalina dos Madredeus.
Para os leitores amigos, aqui ficam algumas imagens de Tereza Salgueiro tiradas pelo também artista fotográfico Manuel Meira Correia há algumas semanas, no âmbito de um trabalho para a revista da TAP, UP, a distribuir nos aviões no próximo mês de Agosto e que funciona como um roteiro de visita ao município e às potencialidades turísticas, naturais e culturais de Fafe.
Aqui, a artista está na bela zona norte do nosso concelho, concretamente em Aboim.



segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fernando Pessoa, há 133 anos

ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR

António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular...
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
......
Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Pica só azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
......
Coitadinho
do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.
Mas enfim é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.

Fernando António Nogueira Pessoa, o maior poeta português contemporâneo, o "supra-Camões", nasceu em Lisboa, em 13 de Junho de 1888, faz hoje 133 anos e faleceu em 30 de Novembro de 1935.
Deixamos aqui um poema seu, dos menos conhecidos mas mais significativos.

(Toda a obra de Fernando Pessoa em http://arquivopessoa.net/)


Dois Livros-Objecto apresentados sexta-feira na Biblioteca Municipal de Fafe

Esta sexta-feira, dia 17 de Junho, pelas 21h30, terá lugar na Biblioteca Municipal de Fafe a apresentação de dois livros do autor Richard Towers (pseudónimo do artista Martinho Torres) pela editora Neoma Produções. Um conceito novo, inovador e diferente, para descobrir!
É-nos proposta uma incursão pelo inovador mundo literário do autor, através de duas obras – Tempo e Reflexos – os seus mais recentes lançamentos. Nesta abordagem, ficaremos também a conhecer melhor o conceito que rege a Neoma Produções, a editora que reinventou o livro, e penetraremos no íntimo processo criativo do autor, ficando a conhecer os segredos por detrás da concepção do livro-relógio e do livro-espelho. Haverá também lugar a interlúdios musicais que convidarão à reflexão e introspecção.
Richard Towers tem divulgado a sua obra em prestigiados espaços culturais (FNAC’s e livrarias de todo o pais), é candidato a vários prémios de inovação e promete edificar uma carreira ímpar através da sua visão única e original da literatura e do livro.
Caro leitor: apareça na BM de Fafe, esta sexta-feira à noite. Imperdível!

sábado, 11 de junho de 2011

Feira tradicional voltou a animar a cidade de Fafe


Como tem acontecido nos últimos dias 10 de Junho, a Praça 25 de Abril, coração urbano de Fafe, foi ocupado pelos feirantes dos mais diversos ramos, encenando uma feira tradicional de há décadas.
Ao longo de um dia solarengo e aprazível, passaram pelas inúmeras barracas dispersas pela praça largas centenas ou até milhares de pessoas que se encantaram com os produtos expostos, que iam dos produtos agrícolas das nossas aldeias às louças de barro, dos diversos produtos do fumeiro ao pão e aos doces, dos brinquedos de madeira da nossa infância, incluindo as lousas e os piões, que fizeram as delícias dos mais pequenos, a diferentes artigos de artesanato tradicional, como os xailes, os lenços, as meias de lã, os cestos e os açafates. Foi o regresso à memória da vida campestre e dos seus plurais instrumentos e vivências individuais e colectivas.
Não faltaram os pregões das vendedoras ambulantes, o ardina a vender os jornais do dia, nem faltou obviamente a tenda dos comes e bebes onde muitos almoçaram e provaram das pataniscas e das iguarias proporcionadas pela organização.
Ao longo do dia, o Rancho Folclórico de Fafe, que organizou o certame, com o apoio de grupos congéneres da região, deu asas aos seus cantares e dançares, que animaram por um dia o centro da nossa cidade, que assim regressou a outros tempos, ainda não muito distantes, em que as feiras semanais e anuais se realizavam na praça central da então vila (primeiro, Praça da República e, depois, Praça Oliveira Salazar).
Será de recordar que em Fafe se realiza a feira semanal das quartas-feiras desde 15 de Abril de 1872, vai para 140 anos…

Feira semanal, há cerca de um século atrás...
Tendo mudado de local, hoje concentrando-se na Praça das Comunidades, e de filosofia, mesmo assim as feiras continuam como locais de exposição e venda de toda a sorte de produtos, desde os agrícolas aos artesanais e até industriais. Os agricultores descem dos seus espaços rurais, às quartas-feiras, para comercializar couves, batatas, feijão, fruta ou coelhos com que reforçam o rendimento familiar. Os artesãos fazem-nos de igual modo, expondo cestaria, chapéus de palha ou pequenos móveis e objectos de uso doméstico ou decorativo. Depois, há os “profissionais” das feiras, que correm todos os certames das redondezas, com as suas tendas de sapatos, roupas, miudezas, ourivesaria.
Vindas da Idade Média, as feiras têm hoje outras componentes, eventualmente outros objectivos e motivações. A função e pertinência mantêm-se, sobrevivendo à realidade das pequenas e grandes superfícies.
Todos os anos, no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, o Rancho Folclórico de Fafe transporta-nos à pureza das feiras que se realizavam há muitos, muitos anos. No local certo, o coração da cidade!...

Fotos: Manuel Meira Correia

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Município de Fafe relança Prémio de História Local

O Município de Fafe, visando continuar a estimular a pesquisa e investigação em torno da sua identidade, no passado e nas suas diferentes perspectivas, acaba de instituir, pela décima vez, o Prémio de História Local “Câmara Municipal de Fafe “.
Artur Magalhães Leite (à esquerda) recebeu a mais recente edição do prémio, em 25 de Abril último, das mãos do Vereador Pompeu Martins
Podem concorrer ao Prémio de História Local todos os que o pretendam, residam ou não no concelho, com trabalhos originais e inéditos sobre um ou vários aspectos da história de Fafe, a nível administrativo, politico, económico, social, cultural, artístico, religioso ou outro (s).
Segundo o regulamento há pouco aprovado pelo Executivo, na avaliação dos trabalhos serão ponderados aspectos como a utilização privilegiada das fontes primárias, a valorização da originalidade e actualidade dos temas, a clareza e correcção da linguagem, a coerência global e a apresentação formal.
Os trabalhos concorrentes terão de ser escritos em português, com o mínimo de 30 páginas.
O Prémio tem o valor pecuniário de 1 000 € e galardoará apenas o melhor trabalho concorrente. A Câmara garantirá, além disso, a publicação da obra vencedora na revista Dom Fafes.
Para efeitos de atribuição do Prémio, será nomeado um Júri constituído por um conjunto de três personalidades idóneas a indicar oportunamente pela autarquia.
Os interessados em concorrer devem remeter quatro exemplares do seu trabalho, dactilografado em folhas de formato A4, a 2 espaços, para Casa Municipal de Cultura de Fafe (Prémio de História Local) – Rua Major Miguel Ferreira – 4820-276 Fafe. Cada concorrente apenas pode remeter um trabalho.
O prazo de recepção das obras concorrentes decorre até ao dia 31 de Março de 2012, ocorrendo a entrega ao prémio ao autor da obra vencedora em 25 de Abril seguinte.
De recordar que a anterior edição do prémio (entregue no passado dia 25 de Abril) galardoou o investigador fafense, Artur Magalhães Leite, pelo seu trabalho O Ensino em Fafe durante a Primeira República.

Foto: Manuel Meira Correia

terça-feira, 7 de junho de 2011

Município de Fafe volta a instituir o Prémio Dr. Maximino de Matos na área da medicina

A Câmara Municipal de Fafe deliberou voltar a instituir o Prémio Dr. Maximino de Matos, edição de 2011, cujo prazo de candidaturas decorre até ao final do ano em curso.

Joana Isabel Silva, a mais recente vencedora do Prémio Maximino de Matos

Com o patrocínio da autarquia e em cumprimento do legado deixado por D. Laura Summavielle Soares de Matos, o Prémio Dr. Maximino de Matos tem como objectivo galardoar anualmente o aluno do concelho que melhor classificação obtenha no mestrado em medicina.
Podem concorrer ao Prémio, no valor de 750 Euros, os recém mestrados de qualquer dos ramos das diversas Faculdades e Institutos do País que ministram Cursos Superiores de Medicina, desde que comprovem o seu nascimento ou residência há mais de um ano no concelho de Fafe.
O Prémio é entregue ao contemplado no dia 25 de Abril do próximo ano, no âmbito das comemorações do "Dia da Liberdade".
Recorde-se que a mais recente vencedora deste prémio (entre no passado dia 25 de Abril) foi a jovem médica Joana Isabel Ribeiro da Silva, natural da freguesia de Serafão, deste concelho. Curiosamente, a terra de nascimento e de repouso eterno do "médico dos pobres", o saudoso Dr. Maximino de Matos.

Junta-se o regulamento respectivo:

PRÉMIO DR. MAXIMINO DE MATOS 2011


ARTIGO 1º – Com o patrocínio da Câmara Municipal de Fafe e em cumprimento do legado deixado por D. Laura Summavielle Soares de Matos, é novamente instituído, em memória do seu marido, o Prémio Dr. Maximino de Matos com o objectivo de premiar anualmente o aluno que melhor classificação obtenha na licenciatura em medicina.

ARTIGO 2º – Podem concorrer ao Prémio, no valor de 750 Euros líquidos, os recém-mestrados de qualquer dos ramos das diversas Faculdades e Institutos do País que ministram Cursos Superiores de Medicina, desde que comprovem o seu nascimento ou residência há mais de um ano no concelho de Fafe.

ARTIGO 3º – Os concorrentes devem apresentar as respectivas candidaturas até 31 de Dezembro, impreterivelmente, em requerimento adequado, em que anexam certidão comprovativa da conclusão do curso, com indicação da média aritmética final ponderada, calculada até às milésimas, bem como certificado de residência no concelho para:
                            Casa Municipal de Cultura
                            Prémio Dr. Maximino de Matos
                            Rua Major Miguel Ferreira
                            4820-276 FAFE

§ 1º - Em caso de igualdade da média final, o Prémio será atribuído ao concorrente comprovadamente natural e residente no concelho de Fafe.
§ 2º - Se, ainda, prevalecer a igualdade, o Prémio será atribuído ao concorrente mais novo.

ARTIGO 4º – O Prémio será entregue ao contemplado no dia 25 de Abril seguinte ao ano a que respeita, no âmbito das comemorações do "Dia da Liberdade".

ARTIGO 5º – Funciona como Júri, para efeitos de aplicação do presente Regulamento, o Executivo Camarário, que será soberano nas suas deliberações.

ARTIGO 6º – Declara-se aberto o prazo de apresentação de candidaturas para o ano em curso, que vigorará até ao dia 31 de Dezembro de 2011. 

Foto: Manuel Meira Correia
       

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Portugal engrenou a mudança!...

A direita acaba de triunfar em Portugal. O PSD e o CDS-PP, juntos, passam a deter a maioria dos assentos no Parlamento. Questão de legitimidade eleitoral. Passo Coelho será o próximo primeiro-ministro, que terá como vice Paulo Portas, com toda a certeza.  
Em democracia, felicitam-se os vencedores e respeitam-se os resultados. Porque se assume que o povo é sempre sábio, sobretudo quando vota no sentido que nós gostamos.
José Sócrates foi o grande derrotado deste sufrágio, pagando a factura de seis anos de uma governação controversa: os quatro primeiros anos de uma incomensurável arrogância e os dois últimos tentando afrontar uma inultrapassável crise económica, começada nos Estados Unidos e que o haveria de arrastar para o abismo. Como consequência do desaire, e num discurso de enorme dignidade política, acabou por apresentar, louvavelmente, a sua demissão de secretário-geral do Partido Socialista., para o qual havia sido eleito, pouco menos que por unanimidade, há dois ou três meses. Mas a política é assim… Por culpa própria e por contingências da crise internacional, foi apeado do poder pela maioria dos eleitores. A avaliação negativa da sua acção governativa por parte do eleitorado não deixa margem para qualquer dúvida, como se verifica pelos resultados deste domingo...
A partir de agora o xadrez político em Portugal vai alterar-se profundamente. O PSD regressa ao poder, coligado com os populares e Sócrates desaparece da cena pública.
Os “ovos” da política acabam de ficar todos no mesmo saco: o parlamento, o governo, a presidência.
A partir de agora não há desculpas, nem evasivas, nem justificações. Não há condicionamentos políticos.
Não pode haver as habituais lengalengas da “pesada herança” para a incapacidade de cumprir um programa eleitoral, ainda que a acção governativa vá ser fortemente condicionada pelos compromissos decorrentes do memorando internacional que o PSD e o CDS assinaram (e muito bem), sem pestanejar.
A partir de agora, terá de haver trabalho, responsabilidade, respeito, sem o costumeiro “revanchismo”.
Para quem passou a campanha a encher a boca de que vamos sair do fundo e que não será necessário pedir mais sacrifícios aos portugueses que os previstos no memorando do triunvirato, estamos aqui para ver, e para avaliar.
E, sobretudo, desejar que o famigerado "Estado Social" não seja de facto desmantelado, para bem de alguns milhões de portugueses de mais débeis recursos financeiros!...
Enfim, a democracia tem essa vantagem sobre as ditaduras: periodicamente, o sábio povo pode mudar as lideranças, os programas e os governos. E ainda bem!...
Mais três notas: a primeira para lamentar a elevadíssima abstenção registada nestas eleições e que não é justificável, para lá de se saber que há um imenso rol de  eleitores-fantasma, que cumpre eliminar dos cadernos eleitorais e que acabam por desvirtuar os números; a segunda para referir que o Bloco de Esquerda começa a ser reduzido à sua real dimensão de "cavalgador de descontentamentos" e não de partido responsável (desceu para metade dos seus deputados), devendo por em causa a sua liderança; e, por fim, sublinhar que no concelho de Fafe quem venceu  foi o Partido Socialista, o que não deixa de se relevar.