Ao longo de 2010, publicou-se em Fafe uma dúzia de obras de autores locais, de diferentes géneros literários, enriquecendo extraordinariamente a cultura fafense, a literatura que se produz no nosso município e, enfim, a sociedade leitora para quem é dirigida, esteja neste concelho ou fora dele.
A este crescendo de edições, não é alheia a intervenção da nossa “editora de afectos”, a Labirinto, que publicou dezenas de obras a nível nacional, impondo-se como uma das mais activas pequenas editoras do país, apesar da sua estrutura absolutamente amadora, quer dizer, apaixonada, comandada por esse inexcedível homem de cultura que é o João Artur Pinto. Em Fafe, publicou mais de metade das edições que aqui saíram ao longo do ano…
Dada a sua quantidade, deixamos apenas algumas linhas sobre cada um dos livros publicados no concelho.
Logo no início do ano, em 22 de Janeiro, foi apresentada a segunda edição da obra Fafenses Nascidos no Século XIX, de Luís Gonzaga Pereira Silva, em nova edição da Câmara Municipal. Trata-se de um amplo “fresco” social das elites dos finais do século XIX e primeiros decénios do século XX, ampliada com novos nomes, mais investigação. Nesse livro estão os grandes nomes de políticos, comerciantes, empresários, jornalistas e outros profissionais que deram, de algum modo, o rosto à cidade que hoje conhecemos…
Em 19 de Fevereiro, no mesmo espaço da Biblioteca Municipal, foi lançada a obra Sete faces de amor Um só coração, livro de estreia poética de Luís Filipe Pereira.
Seguiu-se, em 15 de Março, o lançamento da obra Nos Braços de um Anjo, edição Labirinto, estreia literária do jovem Tiago Magalhães, de apenas 18 anos, no âmbito das I Jornadas Literárias de Fafe. São vinte e dois contos publicados num livro de 270 páginas e que abrem perspectivas de um grande autor fafense, não apenas na prosa, mas também na poesia. É um nome a seguir com atenção nos próximos anos, e que se reveste já de inegável valia literária.




Também edição Labirinto é a magnífica ficção romanesca Os Rios Também Choram, de Carlos Afonso, que foi apresentada na Biblioteca em 19 de Junho e mais tarde seria em Alfândega da Fé, terra natal do criativo autor. Os rios de que aqui se fala são o Vizela e o Sabor, que banham as terras de nascimento e de acolhimento de Carlos Afonso.
No meio, duas histórias de grande beleza imagética, associadas às respectivas localidades, onde não podia faltar o seu bem amado Camilo Castelo Branco…

Em 16 de Julho, teve lugar a apresentação de uma excelente obra poética, a colectânea Poesia Soviética Russa – Século XIX e XX, com selecção, organização e tradução do falecido poeta fafense José Sampaio Marinho, e que é mais uma edição da nossa “editora de afectos”. A obra (que é uma antologia de poemas de emblemáticos autores russos e soviéticos dos dois últimos séculos) foi apresentada pelo jornalista José Milhazes, autor do prefácio e amigo de José Sampaio Marinho, com quem teve o privilégio de conviver, quer na Rússia, quer em Portugal.
O livro integra uma selecção de poemas de mais de três dezenas de autores russos e soviéticos dos dois últimos séculos, entre os quais figuram os conhecidos nomes de Vladímir Maiakóvski, Serguei Essénine, Borís Pasternak, Nikolai Tíkhonov, Konstantin Símonov, Serguei Iessenine, Anna Akhmátova e Evguéni Evtuchenko.
Já em Agosto, no dia 11, foi feita a apresentação pública do livro Cisma na Igreja de Fafe, da jornalista Joana Carneiro, num cenário belamente arquitectado, ao lado da Biblioteca Municipal. Não sendo uma obra de um autor fafense, é relevante por incidir sobre uma personagem muito querida do meio
fafense, também ele poeta, o Padre José Peixoto Lopes. Um Homem de Bem. Um Homem Bom, que foi desqualificado pela hierarquia, empobrecendo fortemente a Igreja que, quer queiramos quer não, faz parte da cultura e da identidade de um povo. Quanto ao livro, foi escrito em tempo recorde, a partir do conhecimento do caso de Fafe, em meados de Julho. No entanto, é um trabalho jornalístico bem estruturado, objectivo, sério, estribado numa linguagem escorreita, acessível ao comum dos leitores, e de inegável interesse para o conhecimento do caso.

fafense, também ele poeta, o Padre José Peixoto Lopes. Um Homem de Bem. Um Homem Bom, que foi desqualificado pela hierarquia, empobrecendo fortemente a Igreja que, quer queiramos quer não, faz parte da cultura e da identidade de um povo. Quanto ao livro, foi escrito em tempo recorde, a partir do conhecimento do caso de Fafe, em meados de Julho. No entanto, é um trabalho jornalístico bem estruturado, objectivo, sério, estribado numa linguagem escorreita, acessível ao comum dos leitores, e de inegável interesse para o conhecimento do caso.

A noite fatal de um comunista é a biografia romanceada do anti-fascista Joaquim Lemos de Oliveira, o “Repas”, barbeiro de profissão, comunista por opção, porventura o mártir maior da liberdade em Fafe.
Mais para final do ano, em 5 de Novembro, foi apresentada no Estúdio Fénix, a obra Retratos do Tempo e da Memória, da autoria do conhecido jornalista e colaborador deste jornal Professor Alberto Alves e que retrata, basicamente, os primeiros 75 anos da vida do Grupo Nun’Álvares (GNA), desta cidade.

A obra de 280 páginas está escrita numa linguagem clara, escorreita e acessível, o que não surpreende se tivermos em conta a actividade profissional do seu autor e a sua forte ligação ao jornalismo, sobretudo local e por isso à arte de bem escrever.
É um livro bem organizado e agradavelmente estruturado, numa perspectiva cronológica e tocando nos pontos fundamentais da vida do GNA.
É, enfim, uma obra profusamente ilustrada, com imensas fotografias, muitas delas curiosíssimas e deliciosas, permitindo reviver momentos, eventos, encontros, pessoas, memórias de ¾ de século da vida do grupo que é referência da cultura, recreio e desporto da cidade.
Mais recentemente, e para concluir, em 11 de Dezembro, registou-se o lançamento da obra poética Ave Sem Asas, belo e sentido livro de estreia de Ana Martins que, embora natural de Santarém, reside em Fafe (na Urbanização do Sol Poente) há 17 anos, considerando-se, assim, ribatejana de nascimento, mas fafense por adopção.
Filha de pai militar e mãe doméstica, passou a infância entre África e Portugal. Desde muito jovem começou a sentir afeição pela escrita, escrevendo num diário os seus primeiros trabalhos, como acontece a tantas jovens.
Este primeiro livro de Ana Martins é a concretização de um sonho que teve início com a divulgação das suas poesias na internet, através do seu blogue http://avesemasas.blogspot.com/.
Publicando fora de Fafe, registamos mais dois autores fafenses. Benedita Stingl voltou à escrita para crianças com o título Pela Mão das Palavras – Descobrir Rimando, com ilustrações do seu filho Luís Henrique Stingl. Uma obra encantadora para os mais pequenos, sobre o nascimento e a descoberta do mundo e das coisas, que se seguiu a A Ponte dos Sonhos – Estórias com Rima, publicada no ano anterior.

Como se verifica, os autores de Fafe estiveram em grande plano neste ano que está a expirar e que, creio bem, ainda vai deixar imensas saudades!.... A cultura de Fafe está assim de parabéns, bem como os seus autores, como se acaba de referenciar.
Para quem andou distraído, quisemos deixar este brevíssimo inventário sobre o que de melhor aconteceu em Fafe na área das letras.
(Texto publicado no Suplemento Cultural do jornal Povo de Fafe, nº 2097, de 31 de Dezembro de 2010)