domingo, 13 de fevereiro de 2011

O suposto Dia de S. Valentim


Imagem da net

É suposto que o Dia de S. Valentim (14 de Fevereiro) seja o dia dos namorados.
É suposto que o Dia de S. Valentim seja o universal e decretado dia do amor.
É suposto que no Dia de S. Valentim os namorados comprem prendas para oferecer aos parceiros que amam, ainda que para cumprir uma tradição...fabricada ou imposta.
É suposto que no Dia de S. Valentim os namorados ofereçam flores às namoradas, ou um perfume, ou um livro, ou um CD. Ou apenas um beijo de amor, que muitas vezes vale mais que todos os objectos do mundo.
É suposto que no Dia de S. Valentim os namorados teçam carícias, e se amem, e se intercomuniquem numa química de desejo, como se o 14 de Fevereiro fosse o cume, o coruchéu, o píncaro, o paraíso do seu querer-se intensamente, sem meias medidas, como se nada mais houvesse no mundo que duas almas em transe.
É suposto que no Dia de S. Valentim haja amor, torrentes de amor, mas o que acontece é sobretudo comércio, e o fanatismo do consumo, e corações vermelhos de ternura, e postais entronizando os cupidos e as suas venenosas setas e toda uma parafernália nas montras a lembrar-nos que quem não entra na “orgia mercantilista” se auto-exclui do “espírito” organizado para “vender” este dia...
É suposto que no Dia de S. Valentim os casais que se amam se juntem, e beijem, e falem, e passeiem, e jantem, e se divirtam, como deveriam fazer na normalidade dos dias que passam...
É suposto que no Dia de S. Valentim namorados sejam todos os que se amam, independentemente das idades, das condições sociais, dos estatutos legais.
É suposto que no Dia de S. Valentim, ao menos nesse dia, a espiral da violência doméstica não faça mais vítimas.
É suposto que no Dia de S. Valentim não haja coisas assim...
É suposto que o Dia de S. Valentim seja uma espécie de Dia de Natal tardio, com flores em vez de conflitos, sorrisos no lugar nas lágrimas, mãos dadas em vez de portas fechadas. O triunfo da alegria, da solidariedade, da tolerância, da primavera que se aproxima, como se o presépio estivesse montado todo o ano num dos cantos do nosso coração.
É suposto que o Dia de S. Valentim não seja apenas uma mísera página do calendário que logo se arranca e se esquece, feita a contabilidade dos euros apurados ou da euforia comemorativa.
É suposto que o Dia de S. Valentim seja um dia como os outros, um S. Valentim todos os 365 dias, em que se ama, e se trocam sorrisos, e se oferecem rosas, e se enfeitam olhares com o calor das papoilas.
É suposto que o Dia de S. Valentim não tenha qualquer sentido, porque desnecessário, porque absolutamente inútil e redundante. A razão dos famigerados “dias de...” está na sem razão de uma prática que os vai tornando necessários, quando deveriam ser execrados, porque dispensáveis.
O Dia de S. Valentim acaba por comemorar um mundo sem amor, desde logo entre os namorados e por isso o apelo desenfreado ao consumismo, para compensar o afecto que às vezes escasseia, ou a atenção que o ser amado merecia e que as circunstâncias da vida vão dificultando.
Porque namorar é preciso, todos os dias, é suposto que o Dia de S. Valentim seja reduzido à sua verdadeira dimensão de mais um pretexto para dizer o quanto queremos à pessoa que amamos.
É suposto que o Dia de S. Valentim não mais seja mais que isso!

4 comentários:

Ana Martins disse...

Boa noite Dr. Coimbra,
a mim, custa-me muito sentir que é só mais um dia, e que mal acabe, muitos só o voltarão a lembrar no próximo ano.
Quando se ama, dia de S. Valentim, são todos os dias do ano. O amor não tem dia nem hora e poderá estar em todos os pequenos gestos.

Beijinho,
Ana Martins

GFJF disse...

Sabe bem saber que há mais alguém que pense exactamente o mesmo que eu.Nada a acrescentar.Abraço

ARTUR COIMBRA disse...

Obrigado pelos vossos comentários amigos.
Tal como deveria ser o Natal, também o dia dos namorados tem de ser todos os dias em que duas pessoas se amam.

Anónimo disse...

Para mim o dia de São Valentim,não existe,tão só porque não embarco no acto mercantilista a que nos querem obrigar como carneiros.Dias de amor são todos aqueles que dedicamos á nossa familia em franca harmonia,convivencia e compreenção.Nós só festejamos os dias de anos de cada um,que isso sim,foi uma grande alegria terem nascido,Natais e Páscoas e as reuniões cá em casa,com os escolhidos pelos meus filhos para serem os seus companheiros para a vida,aos quais eu chamo noras e genros e dentro em breve vou festejar o nascimento de uma neta.Obrigada pelas suas ideias e de as partilhar com os demais tornando este mundo menos mesquinho.